28 de março de 2016

PÁSCOA 2016 - A força da tradição


A paróquia de S. Mamede de Guisande, tal como milhares no país, viveu ontem a experiência da Visita Pascal, popularmente conhecida como Compasso Pascal. Como habitualmente foram três as equipas que percorreram a freguesia de lés-a-lés, durante todo o dia, com intervalo para almoço.

Para além do Juiz da Cruz, o Sr. José Carlos da Silva Bastos, do lugar da Igreja, participou o futuro juiz, o Sr. Armando Ferreira, do lugar de Fornos, que assim tomou o peso à cruz e de algum modo adquiriu alguma experiência para além de lhe permitir fazer um percurso que certamente para o próximo ano já não repetirá. É uma assim uma interessante oportunidade de alargar a sua visita. 

De registar neste ano de 2016 a participação do pároco, Sr. Padre Farinha, que integrou a equipa do Juiz da Cruz e com ela percorreu os lugares da Igreja, Quintães, Viso, Estôse, Outeiro e Cimo de Vila.

No que me diz respeito, fui convidado pelo Juiz da Cruz, meu cunhado, a integrar uma das equipas do Compasso, mas preferi dar essa oportunidade a outra pessoa e remeti-me à também interessante experiência e função de “motorista” de uma das equipas. Claro que acabei por entrar em muitas casas de gente boa e também partilhar essa alegria da visita pascal.

Sendo certo que esta tradição religiosa e popular já teve porventura mais acolhimento, no que ao número de casas visitadas diz respeito, a verdade é que se tem mantido como um forte momento de tradição e convívio familiar que dentro de um espaço nobre de cada habitação, acolhe a visita de Cristo ressuscitado e partilha essa alegria com a comunidade representada pelo Juiz da Cruz e elementos que integram as equipas do Compasso.

Pode-se pensar que tudo isto é um mero formalismo, apenas uma mesa repleta de coisas boas, mas é mais do que isso. O mais importante é o que está por detrás ou acima disso, como sejam a alegria de receber Cristo Ressuscitado, famílias reunidas, pessoas emigrantes que regressaram para essa vivência, bem como o amor e dedicação que cada família coloca na decoração da sala e preparação e arranjo da mesa, na confecção de um bolo ou petisco tradicional na casa, a escolha cuidada de um bom vinho ou de um saboroso presunto ou salpicão. Depois as particularidades muito próprias que distinguem casas e famílias, seja a forma como são recebidos os elementos do Compasso, seja a maneira como quase “obrigados” têm que se sentar e provar uma iguaria especial, um vinho de eleição ou um delicioso bolinho de bacalhau acabado de cozinhar. As mesas, grandes, pequenas, modestas, recheadas ou quase vazias na simplicidade de um arranjo floral e um prato de amêndoas, são todas bonitas e fazem de cada casa um momento único e diferente. Depois, claro está, as pessoas e sempre elas, desde as crianças aos velhinhos, quantas vezes resgatados á cama e às dores da doença para naquele momento vivenciarem a experiência única e alegre da visita pascal.

A tradição tem nesta segunda-feira a sua continuação, com a realização do tradicional Almoço do Juiz da Cruz, que será realizado na freguesia de Gião, no Restaurante Pomar. Esperemos que em breve este convívio volte a ter lugar na nossa própria freguesia, embora, naturalmente, sejamos agora parte da mesma União de Freguesias. Há indicações de que o Restaurante "O Algarvio" possa em breve reabrir com uma nova gerência pelo que será naturalmente uma possibilidade de retomar ali o Almoço do Juiz da Cruz.

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