[recorte do Jornal de Notícias]
Vamos lá ver, dissecar, como quem desmancha um porco e tripas para um lado e fêveras para outro: Ofertas? Grátis? Mas então serão os senhores presidentes de Câmara a pagar dos seus próprios bolsos? Também os vereadores? E os funcionários que cozinham e levam as refeições à mesa não se cobram dos seus salários? Quem vende os ingredientes, azeite, cebolas, batatas, arroz, massas, carnes, peixes, etc, dispensam-se dos custos e lucros? Oferecem como se fosse um permanente Natal?
Isto é a brincar com as pessoas, com os contribuintes que na realidade pagam estas "gratuitidades", tal como entre outras "prendas", os passes nos transportes públicos e portagens nas auto-estradas.
Numa linguagem grosseira mas tão sábia, porque da boca do povo, isto de "foder com a piça dos outros" é fácil e até dá votos.
Andamos todos a ser tomados como palpavos e a comer estes eufemismos modernos. Quando o critério deixa de ser o utilizador/pagador, na realidade pagam todos, pelo que usar o termo "grátis" ou "oferta" é tão falso como Judas.
Certamente devemos atender a situações sociais, devidamente justificadas, mas alargar este conceito a todos, mesmo aos filhos dos senhores doutores e engenheiros, tanto a quem tem rendimentos de 10 mil ou 100 mil anuais parece de todo desproporcionado. Mas, sobretudo, não publicitem que é "grátis". Não nos façam de lorpas.
Grátis deveria ser o IMI, porque corresponde a um imposto estúpido e injusto, uma renda sobre um bem que é nosso,não do Estado ou dos municípios e sobre o qual já se pagou IVA na construção, juros no crédito bancário, taxas e licenças na Câmara.
Pobre país, a fazer-se rico!
