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14 de fevereiro de 2020

Fé e esperança pela caridade


Vamos já a caminho de dois anos sobre a aprovação da re-delimitação das Àreas de Reabilitação Urbana - ARU, no concelho de Santa Maria da Feira.
As ARU têm o seu enquadramento no Decreto-Lei n.º 307/2009, de 23 de Outubro, na redação que lhe confere a Lei n.º 32/2012, de 14 de Agosto, Regime Jurídico da Reabilitação Urbana e estão publicitadas pelo Aviso n.º 15661/2018, de 30 de Outubro. Em suma, passaram já dez anos sobre as linhas orientadores, ainda do tempo do inefável José Sócrates.

Os objectivos inerentes às ARU estão definidos no art.º 3º do Decreto-Lei. A saber:

A reabilitação urbana deve contribuir, de forma articulada, para a prossecução dos seguintes objectivos:
a) Assegurar a reabilitação dos edifícios que se encontram degradados ou funcionalmente inadequados;
b) Reabilitar tecidos urbanos degradados ou em degradação;
c) Melhorar as condições de habitabilidade e de funcionalidade do parque imobiliário urbano e dos espaços não edificados;
d) Garantir a protecção e promover a valorização do património cultural;
e) Afirmar os valores patrimoniais, materiais e simbólicos como factores de identidade, diferenciação e competitividade urbana;
f) Modernizar as infra-estruturas urbanas;
g) Promover a sustentabilidade ambiental, cultural, social e económica dos espaços urbanos;
h) Fomentar a revitalização urbana, orientada por objectivos estratégicos de desenvolvimento urbano, em que as acções de natureza material são concebidas de forma integrada e activamente combinadas na sua execução com intervenções de natureza social e económica;
i) Assegurar a integração funcional e a diversidade económica e sócio-cultural nos tecidos urbanos existentes;
j) Requalificar os espaços verdes, os espaços urbanos e os equipamentos de utilização colectiva;
l) Qualificar e integrar as áreas urbanas especialmente vulneráveis, promovendo a inclusão social e a coesão territorial;
m) Assegurar a igualdade de oportunidades dos cidadãos no acesso às infra-estruturas, equipamentos, serviços e funções urbanas;
n) Desenvolver novas soluções de acesso a uma habitação condigna;
o) Recuperar espaços urbanos funcionalmente obsoletos, promovendo o seu potencial para atrair funções urbanas inovadoras e competitivas;
p) Promover a melhoria geral da mobilidade, nomeadamente através de uma melhor gestão da via pública e dos demais espaços de circulação;
q) Promover a criação e a melhoria das acessibilidades para cidadãos com mobilidade condicionada;
r) Fomentar a adopção de critérios de eficiência energética em edifícios públicos e privados.

As ARU de Santa Maria da Feira integram entre muitas outras, duas na freguesia de Guisande, uma delas designada de Área Central de Guisande abrangendo grosso modo a Rua de Fornos e os troços poente da Rua 25 de Abril e Rua do Cruzeiro, e a segunda designada de Lugar da Igreja/Guisande, englobando os lugares da Igreja, Quintães e Viso.

Todo o programa vertido no referido Decreto-Lei, para além dos bonitos objectivos, é de algum modo complexo e, salvo algumas excepções mais centrais e marcadamente urbanas, quer-nos parecer que a maioria nunca sairá do papel, não passando de um leque de boas intenções.

Desde logo, antes das intervenções nos espaços e edificados privados, e da implementação de medidas que levem os proprietários a aderir ao programa, este deverá assentar numa estruturação viária e requalificação dos espaços públicos e estes obviamente andarão ao ritmo de vontades políticas mas sobretudo das finanças do município, até porque não nos parece que as Juntas, por incapacidade ou por inacção, venham a ser as locomotivas destes processos de requalificação urbana.

Algumas das obras que se vão vendo pelo concelho e que se possam enquadrar nas ARU são quase sempre resultado de esforço e investimento da Câmara. Se não forem as Juntas e a Câmara, não se espere que sejam os proprietários a dar grandes passos até porque a dinâmica imobiliária pode até estar num ciclo positivo mas é sempre imprevista e instável.

Pela parte que toca a Guisande, será surpreendente que alguma coisa aconteça de concreto nos próximos tempos. Basta dizer que o mandato da actual Junta já passa da sua metade, quase dois anos e meio, e de uma receita que em números redondos no anterior sistema administrativo podia equivaler a 250 mil euros para os cofres da Junta, está quase todo por aplicar. Nada de substancial foi feito quanto a obras e melhoramentos para além de algumas limpezas episódicas. Espera-se pelo último fôlego do mandato.

A ser assim, estes planos como as ARU devem ser vistos com a devida distância e não será de esperar grandes obras nos tempos próximos. Mesmo os espaços centrais, como Fornos, Monte do Viso e Igreja, zonas caracterizadoras da freguesia estão ambos num estado lastimável, com pisos  das ruas degradados, passeios inexistentes ou em péssimas condições, mal iluminados, sujos, enfim, desprezados e sem perspectivas de obras dignas de nome.

Mas vamos ter fé e esperança nalgum assomo de caridade de quem realmente pode e deve impulsionar as ARU. Pode parecer um trocadilho com as três virtudes teologais, mas nestas coisas temos mesmo que esperar alguns milagres.


6 de fevereiro de 2020

Idade das trevas


Quando fiz parte da Junta, realizei largas dezenas de reportes de falhas de iluminação na rede pública, quer a pedidos de moradores quer por iniciativa própria. Foram voltas e voltinhas à freguesia, de noite, a contar lâmpadas como quem conta gambuzinos. Na altura ainda vigorava o poupadinho sistema de "poste sim, poste não", no que a juntar às situações de avarias e lâmpadas fundidas, a freguesia vivia num estado de semi-apagão. Caminhar de noite pelas nossas ruas era uma aventura para machos.

Depois supostamente terminou a "idade das trevas" em que em teoria todas as lâmpadas em todos os postes foram ligadas. Mesmo depois de estar fora de qualquer responsabilidade, com algum sentido de cidadania, e amor à camisola, continuei a reportar situações de lâmpadas sem luz, quer por email quer usando o sistema da EDP Distribuição. Mas, regra geral, era chover no molhado, mesmo apesar de reiteradas comunicações. Muito poucas situações foram solucionadas. Em face disso, perante essa espécie de "estamo-nos cagando"  por parte dos senhores da luz, acabei por desistir. 

Não surpreende, pois, que actualmente na freguesia sejam dezenas de postes sem luz. Mesmo nos últimos dias e mesmo semanas, como ainda hoje, parte  do lugar de Casaldaça continua ás escuras. São pelo menos 6 postes seguidos sem luz, incluindo toda a zona do largo de Casaldaça. Uma por outra, como a que está defronte do Café Progresso, lá se lembra das suas responsabilidades de vez em quando dar à luz. Uma espécie de "ilumino se me apetecer". Também a rua da urbanização de Linhares está toda desligada. Na Rua da Zona Industrial, da Utilibébé à rotunda são pelo menos três postes seguidos. E muitos outros locais onde está bem escurinho.

Por isso que fazer? Que fazer quando mesmo no uso de cidadania a preocupação e resposta, ou falta dela,  de quem tem a obrigação é de indiferença. Perante esse "estamos-nos a cagar" dos senhores da luz, a melhor resposta será, porventura, "vão-se foder !".

30 de dezembro de 2019

Fábulas, lobos e mentiras

Não sei se o Sérgio Conceição deu um murro nas fuças do Pedro Ribeiro, treinador do Belenenses SAD. Aquele disse que não. Este terá dado a entender que sim. Alguns média corroboram. Em suma, um deles estará a mentir.
Decida quem tiver que decidir em face do que se vier a apurar, e nem sempre se consegue apurar o que realmente aconteceu, mas com um tão rico historial de arrelias e maus fígados, o treinador do F.C. do Porto arrisca-se a que, como na analogia da fábula de Esopo em que o pequeno pastor mente gritando que é lobo, corre o risco de, com excepção da nação portista, ninguém acreditar nele, já que o povo tem como ditado certo, "Na boca do mentiroso, o certo é duvidoso."

19 de dezembro de 2019

Roubo de metano...


Há muito que se desconfiava que a freguesia de Guisande andava a ser visitada por alienígenas e têm surgido relatos de avistamentos de naves voadoras não identificadas, principalmente ali para os lados das Curujeiras, a sobrevoar o viaduto da A32 fazendo com que muitos casais de namorados para ali vão de noite só para ver as luzes a piscar, na esperança de deixarem cair um filtro de óleo ou um jerricã alienígena. 

Quem se lembra, no Monte do Viso, ali pelos anos 80, já lá poisou um OVNI. Não da constelação de Orion, de Cão Maior ou Andrómeda, mas parece que dos lados de Fajões, nas bordas de Cesar. 
Mas agora a avaliar pela feliz foto do Antunes Limoeiro, foi apanhado em flagrante um OVNI verdadeiro e precisamente no momento em que com o seu raio azul brilhante e sugador roubava metano dos baldes do lixo do arraial. E segundo  o Limoeiro, meio cientista, metano de primeira qualidade pois resultado de fermentação de fraldas de bébé e outros tesouros orgânicos com pelo menos dois anos. Felizmente as cornetas da capela do Viso resistiram a tão elevada carga electromagnética e lá vão resistindo a dar o toque das horas à freguesia e o assunto tem sido discutido aos balcões onde se fala de ciência com a facilidade de quem fala de futebol, enquanto se bebem umas minis e paralelos.

Como seria de esperar, com o combóio TGV das redes sociais, esta foto está a surpreender tanto os especialistas da NASA como os cientistas da freguesia. 

No próximo Domingo esperam-se, como dizia o Américo, que não eu, mas o Conceição, camionetas de excursões, com turistas ávidos de curiosidade e com a esperança de ver repetido o avistamento. Concorrência ao Perlim, pois há tanta gente a acreditar no Pai Natal como nos Ovnis.

10 de dezembro de 2019

Cantem,cantem os anjos...


Perante certas alarvidades, logo a começar o dia, principalmente daquelas que, ditas solenemente por alguém com supostas responsabilidades, pretendem fazer das pessoas mentecaptos, apetecia dizer das boas, mas, porque a quadra é propícia à serenidade, mais vale fazermos de conta que somos anjinhos. Como diz o ditado, "lavar cabeça a burros dá trabalho e gasta sabão". Ora nem mais!

24 de novembro de 2019

O milagre da multiplicação ou...não há cofre como o da D. Adelaide

Há alturas em que temos que vestir aqueles vestidinhos de tule coloridos, incluindo as asinhas, indispensáveis, e fazermos figura de anjinhos, tal qual aquelas adoráveis criancinhas que ornamentam as cerimónias de comunhões e procissões solenes. 

Nesse papel, de anjinhos, em que com elevada candura em tudo acreditamos, incluindo no Pai Natal, no Harry Potter e no Luís Montenegro, podemos então ler e reler as conclusões da investigação no chamado Caso Marquês, nomeadamente os últimos interrogatórios do juiz Ivo Rosa ao José Sócrates, transcritos e escarrapachados nas edições do jornal “Correio da Manhã”, podemos supor e pressupor que o homem está inocente, que tudo aquilo é uma enorme e “injuriosa” cabala do Ministério Público contra o pai do Magalhães, e das acusações e indícios não fazermos quaisquer julgamentos e juízos de valor. 

Em suma, Sócrates, sua mãezinha, primos e amigos, são todos gente séria e honesta, dignos de figurar nos melhores compêndios de moral e civismo. A seu tempo a Justiça pronunciar-se-á, mas já antevemos que daquela enorme tripa que é a investigação, quando muito vão escapar dois ou três peidinhos. 

Mas deixando essas coisas da Justiça de lado, e cinjindo-nos ao que parece em tudo isto ter mais relevo, é a narrativa do José Sócrates quanto às explicações e justificações para o vendaval de dinheiros que foi gastando à grande e à francesa, ora no seu modesto dia-a-dia, ora em Paris, ora em férias de Verão ou Inverno na neve. Concluímos que a sua mãezinha tem um grande cofre  onde o dinheiro nasce e multiplica-se como ratos em esgoto, à conta de uma enorme herança que ninguém sabe de onde veio. Um cofre cujo fundo deve ser um poço sem fundo,  onde, a exemplo daqueles macacos espertos que espetam um pauzinho num castelo de térmitas e quando o retiram vem carregadinho de bichinhos gordos e nutritivos, sempre que lá se mete a mão,  vem um pacote de 10, 20 ou 50 mil euros entalados entre os dedos. E ao contrário de qualquer outro ordinário cofre, o da D. Maria Adelaide tem a vantagem de estar sempre cheio, inesgotável, um pouco como o cofre do Tio Patinhas.

Como se isso não bastasse de sorte para o nosso ex-primeiro ministro, tem ainda outra dose de sorte de ter um amigo de mãos super largas, uma espécie de Bom Samaritano sempre a postos para abastecer de “fotocópias” o nosso ilustre Sócrates, seja para pagar luxuosas férias seja para pagar apartamentos e outras minudências que para esta gente, são coisas triviais. Ao Sócrates, para não dar ares de deselegância e de chupista, bastava-lhe  pagar os jantares e os cafés para ficar desobrigado de tanta fraternidade do patrão da Lena.

Em resumo, mesmo continuando o nosso papel de ângélicos anjinhos, ficamos assoberbados de inveja terrena de alguém que tem a sorte de lhe sair o euro milhões todos os dias, seja recorrendo ao cofre da mãezinha seja do amigo Carlitos. Movimentos que totalizam milhões e tudo sem um registo de movimento bancário de onde para onde. Tudo em dinheirinho vivo, daquele que não fala. Gente da categoria de Sócrates, o cartão de crédito serve só para pagar cafés. O resto, é como um dos antigos vaqueiros, um monte de notas no bolso.

É de alguém se roer de inveja. Ora como já sabemos que a D. Adelaide não vai abrir mão do cofre milagreiro que não multiplica rabos de sardinha nem restos de pão, mas euros e títulos do tesouro, alguém saberá o contacto do Carlitos? É que dava jeito ter um amigo desses e sendo ele tão generoso, nem daria conta de nos ajudar com uns 10 de mil de "fotocópias"de vez em quando, tanto mais que se aproxima o Natal e dava jeito para distribuir prendas.

14 de novembro de 2019

Siga...sempre em frente


Uma estrada plana, macia, a direito, sem curvas, sem RETENÇÕES. É este o modelo de Ensino que se pretende, onde tanto passa o aluno dedicado como o cábula e o mandrião, o atinadinho, como o indisciplinado?

Siga, sempre em frente, mesmo que 2+2 sejam 22. De resto, o chumbo é coisa poluente.

21 de outubro de 2019

A ver as horas


Ouvimos há pouco, nas notícias, que um professor da Escola Secundária Rainha Dona Leonor, em Alvalade - Lisboa, contratado precariamente como substituto, agrediu um aluno, pelo que foi preso, interrogado e remetido aos calabouços. 
Pela parte do Ministério da Educação, parece que o homem está suspenso e numa suspensão que se estende a todos os estabelecimentos. Ou seja, como professor público, já foste. Irradiado. Fica-se a aguardar pela indemnização ao agredido.

Claro que nada justifica o comportamento agressivo do professor, já que o aluno, certamente alguém cumpridor, disciplinado, infringiu a chata da regra que lhe tinha sido recomendada de não usar o telemóvel, e se recusou a entregar, só porque, impaciente, queria ver as horas. O que de resto será  normal pois os alunos usam e abusam do telemóvel na escola apenas para ver as horas, porque tem mais pinta que aquela coisa que foi inventada para tal,  o relógio. Mensagens, whatapps, facebooks, jogos e outras coisas, a rapaziada não gosta. Só mesmo para ver as horas.

Todos sabemos que vão longe os tempos dos professores partirem a cana e a palmatória no lombo, cabeça e mãos dos alunos. Era uma selvajaria. O que agora está na moda, na lógica do 8 para o 80, , é precisamente o contrário e as notícias das agressões de alunos a professores são mais que muitas e na generalidade já deixaram de ser notícia. Mas sendo mais que muitas estas situações, não há memória de alunos detidos nem suspensos de toda a actividade escolar e irradiados em todas as escolas do país e remetidos para um mestre de trolha ou pedreiro.

Nada como o equilíbrio nestas coisas e a nossa actual justiça é mesma "ceguinha" e todos são tratados com equidade.

Mas, fora a ironia, e nada justificando o comportamento do prof, os professores no entanto que se aguentem, porque quanto à perda de autoridade e vítimas de abusos das pobres criancinhas e adolescentes, não são mais que os polícias, que mesmo de pistola à cinta, fartam-se de apanhar nas ventas e ai deles se chegam a roupa ao corpo dos pobres e indefesos agressores.

Tempos modernos.

Pedro "Lambreta" Soares


"Para se coçar os "tomates" não é preciso tirar as calças"

Poderá não ser um provérbio que se aplique entre gente de boa moral, mas tem em si toda uma carga de verdade.
Mas perguntarão: - E onde tem aplicação?

Assim de repente, na recente notícia de que o centrista Pedro Mota Soares, que ficou famoso por ir de Vespa à tomada de posse de ministro da Solidariedade, Trabalho e da Segurança Social, no Governo do PSD-CDS, ter assumido a liderança da Associação dos Operadores de Comunicações Electrónicas (Apritel) para o triénio 2019-2022. 

De acordo com nota distribuída à imprensa, o ex-deputado do CDS diz que assume o cargo "... com grande entusiasmo, dedicação e sentido de compromisso, com o objectivo de contribuir para destacar a importância social e económica do sector das comunicações electrónicas em Portugal já que elas vão ser a chave para a economia e a sociedade do futuro e, por isso, é fundamental reforçar o diálogo com todos os 'stakeholders' do sector e elevar a associação ao patamar de interlocutor indispensável em todas as matérias relativas às comunicações electrónicas".

Dito e feito desta maneira, será de pensar que Pedro Mota Soares é um expert em comunicações electrónicas. Mas onde raio terá tido tempo e espaço para nelas se tornar profissional, já que no alto dos seus 45 anos (nasceu em 1974) tem estado ligado à carreira política desde os 25 anos e pouco tempo terá tido sequer para exercer advocacia de carreira quanto mais especializar-se em algo ligado ao sector das comunicações electrónicas?

Mas a resposta é bem simples: Foi um político e governante e é desses que as empresas ou associações gostam e querem. Exemplos não faltam, desde saídas para a banca e empresas com ligações ou interesses na máquina do Estado.

Vá lá saber-se porquê, mas como para se coçar os ditos cujos, não é necessário baixar as calças ou mesmo as cuecas, também não será preciso muito para que um político vá para líder ou administrador de uma qualquer coisa sem que para ela esteja vocacionado.O Soares, apesar de novo, é apenas mais um.

Em todo o caso, vamos, de boa fé, acreditar que ele é mesmo um experimentado génio nessa tal coisa de comunicações electrónicas.

29 de setembro de 2019

As faces da moeda e outras gretas


O Azevedo considera que a adolescente Greta sueca está a ser uma revolucionária dos tempos modernos e que tem marcado a diferença pelos ideais sobre a defesa do planeta contra as alterações climáticas, ralhando em altas tribunas contra os senhores do mundo, acusando-os de inacção e indiferença.

Por sua vez, o Tavares, sabe que a Suécia é terra de boas gretas e apesar de conhecer melhor a outra, encontra virtudes na Greta mais nova, e sobretudo pelo facto de ter despertado consciências, mas considera que é sobretudo um produto mediático e que interessa a gente manipuladora que a rodeiam. Passada a novidade e o impacto das redes sociais, tudo voltará à normalidade;

A Isabelina tem louvado nas redes sociais o papel do hacker Pinto, achando que o rapaz de cabelo à ouriço-cacheiro tem prestado um valioso serviço contra os corruptos e a corrupção, desvalorizando a forma e os meios como o "pirata" acedeu às informações privadas;

Por sua vez, o Resende considera que os meios não justificam os fins, sobretudo numa sociedade que valoriza e defende o direito à privacidade, seja na casa ou no computador ou telemóvel de cada um. E que a corrupção deve ser combatida com outras medidas mas nunca baseadas num crime menos criminoso.

O Rodrigues tem tecido violentas críticas contra um jogador de futebol adversário por um "arraial de porrada" por suposta "boa escola", que terá remetido um seu jogador para o lote de lesionados, esquecendo-se todavia, que esse mesmo "arruaceiro" poucos dias antes saíu de sua casa com a cabeça rebentada;

Por sua vez o Albino critica o Rodrigues e o seu clube por beneficiar de "cegueira" de um árbitro que não viu o suposto "arruaceiro" sair de cabeça rebentada com uma cotovelada adversária, aludindo à velhinha sentença de ser fácil ver um mosquito nos olhos dos outros e não sermos capazes de ver um camelo nos nossos.

O Moisés tem criticado a indústria da criação de vacas como uma das mais poluentes do planeta, e que o bicho entre o arrotar, peidar e cagar, polui mais que um automóvel, louvando a peregrina medida da Universidade de Coimbra de banir o consumo de carne de vaca. Por ele, irradiam-se as vaquinhas da Freita, do Gerês e do Barroso, mesmo que com isso se despovoem territórios interiores já quase desertos.

Já a Amélia considera que o Moisés até tem alguma razão, porque de facto é substancial o contributo dos ruminantes para o aquecimento global, mas critica-o por esquecer-se que o número de veículos em todo o mundo, mesmo em Portugal, é imensamente superior ao de número de cabeças de gado. Só em Portugal estima-se que existam 1 milhão e 500 mil ruminantes de grande porte enquanto que o número de veículos anda na ordem dos 6 milhões.

Por outro lado, o impacto da indústria automóvel não é o só o que sai do escape mas de toda a indústria produtiva associada. Para além disso, nos Estados Unidos, onde a criação de gado é industrial e massiva, bem como o consumo da respectiva carne, um estudo supostamente credível diz que se todos os americanos eliminassem totalmente o consumo de carne de vaca o impacto do efeito estufa associado reduzira no país apenas 2,6%. É alguma coisa mas obviamente insignificante.

Em resumo, em todas estas importantes questões, e outras que sejam, nem uns nem outros terão toda a razão nem nenhum deles terá a supremacia da verdade e da moral. Algures o bom senso diz que no meio é que está em virtude. O problema é mesmo o extremismo que há sempre nos dois lados, nos dois pontos de vista. Afinal uma moeda tem sempre dois lados e não é porque se atirada ao ar caír duas ou três vezes seguidas com a mesma face para cima, a outra deixa de existir.

Assim sendo, tudo é legítimo e tudo é discutível, mas dificilmente os nossos ideais, ideologias, clubismos, fanatismos ou fundamentalismos nos levarão a concordar com os outros. 

No caso da questão da actualidade quanto à necessidade urgente de concretizar medidas que pelo menos minorem os efeitos do aquecimento global, infelizmente poucos resultados darão e desde logo porque as acções nesse sentido têm que ser globais e coordenadas e não será por um pequeno país como Portugal que a coisa se salvará ou por uma universidade cortar no consumo de milhares de quilos de bifes e hamburguers, ou por uma criança se deslocar num luxuoso e caríssimo veleiro em vez de avião numa viagem da Europa a Nova Iorque.

Todos percebemos a verdadeira questão, mas esta necessidade urgente e extrema não é pólvora que tenha sido inventada por uma Greta, por mais louvável que possa ser na sua iniciativa e impacto provocado.

Mas a ver vamos, e oxalá que de facto pelo menos as consciências passem a ser outras, mais abertas, e que as futuras gerações de políticos sejam capazes de encontrar pontos de equilíbrio e sobretudo usar as boas tecnologias para reduzir ou minorar impactos da massificação da indústria e do consumo.
Seja como for, estes pontos de reflexão, são, também eles, apenas um dos lados da moeda.

20 de setembro de 2019

Mal e porcamente...


Uma das coisas que arrelia nas redes sociais, é a constatação de que a generalidade dos utilizadores escreve mal, e muitas vezes porcamente. E escreve mal não por alguma dificuldade técnica com os teclados, mas porque realmente não sabe escrever em bom português.
Pode, a malta, até falar um português mais ou menos correcto mas não o sabe traduzir para a escrita. Mesmo descontando o condicionalismo de se escrever através de um minúsculo teclado num qualquer telemóvel, o que origina algumas gralhas, essa não é, de todo, uma desculpa e justificação.

Todos estamos sujeitos ao erro, à gralha ou mesmo a um incorrecto uso das elementares regras da gramática, e trocar um "houve" por um "houveram", mas de forma grosseira, consistente e recorrente, é que doí e faz mossa no Camões.
O que mais espanta, é a naturalidade de quem escreve mal, não se envergonhando ou inibindo de "postar", como se fosse a coisa mais natural do mundo. 

Confesso que fosse assim tão inadaptado a escrever bom português, preferia não escrever. Não que quem escreva mal e porcamente não consiga expressar o que pretende dizer ou transmitir mas porque, diabo, está em causa a forma como tratamos a nossa língua mãe. É que, bem ou mal, a generalidade de quem frequenta as redes sociais corresponde às novas gerações e por isso não há quem não tenha frequentado a escola. Paradoxalmente, é nas gerações mais velhas que se encontram os melhores exemplos de bem escrever.

Mas é apenas uma arrelia e esta reflexão pode até nem ser do agrado de quem escreve mal, o que não é minha  intenção. Antes deveria servir de reflexão e, quiçá, ponto de partida para voltar a pegar nos livros, no compêndio de gramática, dicionário, etc. Enfim, ler, ler muito e escrever. É que entre o muito que mal se vai escrevendo há calinadas de bradar, ou mesmo de fazer rir.

Nesse aspecto, como noutros, claro, tenho saudade redobrada da boa prosa e do bom escrever de alguns "cotas" da nossa praça social, como, por exemplo, do saudoso Pinto da Silva.
Felizmente ainda encontramos bons exemplos de bem escrever, mas apesar de todas as facilidades e ferramentas ao alcance do dedo, como dicionários e, nomeadamente, correctores (até incorporados nas tecnologias de comunicação, como um simples ou complexo telemóvel, o erro persiste e, diga-se, é triste verificar a rapaziada nova a dar "tiros" com fartura na nossa língua.

Por mim, longe de ser perfeito na escrita,  penso, todavia, que o que vou escrevendo não me envergonha;  e não de agora, mas desde que aprendi a ler e a escrever na escola primária pelas professoras Lúcia  e Eugénia. E já lá vão uns anitos.

Para terminar, vamos lá verificar se este texto também tem erros ou falhas gramaticais. Acredito que sim.

9 de setembro de 2019

Troca de santidade


Sabemos que estas coisas acontecem e só não se engana ou não comete erros quem nada faz. E daí e por aí há muita santa gente a não se enganar nem a errar. Todavia, quando crasso, não ficará mal detectar o erro e dar o alerta para que pelo menos possa ser corrigido, se for caso disso.

Isto a propósito de numa consulta casual na página da Cáritas Diocesana do Porto, em que na referência à Paróquia de Cristo-Rei da Vergada a ficha esteja ilustrada com a Igreja Matriz de S. Tiago de Lobão. Ora o S. Tiago, certamente que não pretende nem quer tomar conta do que não é seu, tanto mais uma paróquia com a superior dedicação e invocação ao seu mestre Cristo-Rei. A Cristo o que é de Cristo e a S. Tiago o que é de S. Tiago.

Obviamente, que não sendo eu nem lobonense nem vergadense, este lapso é algo que não me põe em cuidados, mas quem sabe, se alguém de Lobão ou da Vergada procure alertar e reclamar da fífia e pôr o seu em seu dono.

Na foto abaixo, a igreja de Cristo-Rei da Vergada.

2 de setembro de 2019

Singularidades da bola


O futebol, já se sabia, é prodigioso em coisas mirabolantes. Apesar da sua secularidade, é ainda um poço de surpresas e quando pensamos que já vimos tudo, eis que se nos escancaram novas surpresas; Algumas de fazer sorrir, outras de arregalar os olhos pelo ineditismo.

Para justificar a introdução, basta analisar as particularidades ou mesmo singularidade dos jogos desta última jornada do nosso campeonato em que estiveram envolvidas as equipas dos chamados "três grandes".

- No Sporting- Rio Ave (2-3), o defesa-central Coates foi um autêntico rio de asneiras de que resultaram outros tantos penalties e a sua expulsão, promovendo a vitória inédita (pelos penalties) dos de Vila do Conde, para mais num jogo em que esperavam os sportinguistas a consolidação do lugar de líder na tabela classificativa na frente dos rivais. Como dizem alguns adeptos leoninos, mais valia que o uruguaio fosse expulso logo na falta do primeiro penaltie;

- No F.C. Porto - V.Guimarães (3-0), a equipa da casa viu-se em vantagem numérica logo nos primeiros segundos do jogo. Não terá sido inédito (dizem que o record refere-se a uma expulsão aos 3 segundos num jogo nas divisões inferiores em Inglaterra, e mesmo aos 2 segundos em Itália, por insulto ao árbitro), mas estará seguramente entre os mais rápidos, pelo menos em Portugal e com referência ao tempo da partida. Certo é que com a vantagem de apenas um golo conseguida depois da superioridade de unidades, os "dragões" viram a vida facilitada e subiram a parada para 3-0 já depois dos vitorianos estarem a jogar com apenas 9 jogadores. Dizem que, apesar disso, não foi fácil. Pois não. Talvez se fosse contra 8...

- Finalmente, no S.C. Braga - S.L. Benfica (0-4), apesar de incontestável o resultado (fácil num jogo teoricamente difícil), não deixa de ser significativo que os dois últimos golos dos encarnados tenham sido auto-golos dos bracarenses. Não havia necessidade nem fizeram falta mas ajudaram a expressar a goleada.

- E porque os "pequenos" também são grandes, merece nota o Tondela - Santa Clara (0-0) com os serranos a falharem dois penalties, desperdiçando assim a vitória e 2 pontos. O culpado, logo se vê, é o treinador.

- Como se vê, houve de tudo e faria mais sentido se em vez de um período de final de férias estivéssemos em plena época de Carnaval ou mesmo no dia das mentiras. Mas o futebol é isto e para além das "tragédias" não faltam as "comédias", o que só confirma a sua teatralidade.

25 de agosto de 2019

À sombra...



Sabemos que há quem goste de viver à sombra dos outros, ou mesmo quem vá vivendo bem à custa do suor alheio. Os exemplos são mais que muitos e não é preciso ir à China para os encontrar, por mais disfarçados que por aí andem, mesmo que sem qualquer aparente assomo de vergonha ou decoro.

Mas há igualmente quem precise da sombra apenas como uma bem natural, para sobreviver às agruras de um sol tórrido, como por estes dias em plena serra da Gralheira. Ali, na sombra norte de uma capelinha tão solitária quanto desolada, um grupo de cabras e ovelhas parece que reza encostado a uma qualquer parede sagrada, mas na realidade, apenas a proteger-se da inclemência do nosso astro-rei.

Por esses lados, a natureza maravilha-nos com a abrangência da paisagem e do horizonte, mas não é de meias medidas e ora fustiga com calor, ora castiga com vento, frio e neve. Sem a sorte de um cãozinho ou gato de estimação, é este o destino de alguns animais, por mais adaptados que estejam a esses lugares.

Porventura a vida será boa para alguns cabrões, mas não para estas e outras cabras. Valha-lhes S. Cristóvão e a sombrinha da sua capelinha!

22 de junho de 2019

Fábulas contadas

Ao grande filósofo espanhol José Ortega y Gasset está atribuído o pensamento de que "o homem é ele próprio e as suas circunstâncias". 
Não podia estar mais de acordo. Ora nesta linha de reflexão, é de torcer o nariz áqueles que alvitram preferir os desafios difíceis aos fáceis. Porventura, ao contrário, será de valorizar mais quem prefere os desafios fáceis, não porque sejam, efectivamente, fáceis, mas porque se por eles enfrentados, pelas suas capacidades, tornam-se desde logo e à partida fáceis. Como analogia, transpor um muro de um metro de altura pode ser tarefa difícil para um humilde e digno burro,  mas não o será seguramente para um fogoso cavalo. No entanto, pensará o burro que por alvitrar para a burricada que gosta de coisas difíceis o muro vai encolher ou a ele lhe vão crescer asas ou aumentar as pernas. Bem que dali pode "tirar o burrinho da chuva". 
Assim, pode até perceber-se a sobranceria dos que proclamam que gostam das missões difíceis, mas no fim de contas e no fim da jornada, alguns deles não fazem mais que contornar o muro que continua ali, solidamente teimoso, intransponível e demasiado alto para quem não sabe saltar, trepar ou voar.
Em todo o caso, para não complicar a filosofia que pode estar subjacente ao pensamento do filósofo espanhol, por cá o povo resume isso a um simples ditado ou provérbio: "quem te manda a ti, sapateiro, tocar rabecão?".
Cada  um é, pois, para o que nasce e para as circunstâncias que o fazem ou moldam como diferente e capacitado, ou não, a enfrentar ou a contornar os desafios de acordo com a sua natureza e grau de dificuldade.

17 de junho de 2019

Limpar o vidro protector da câmara do telemóvel


É sabido, está-nos no sangue, quando compramos algum equipamento novo, seja em grande, como um carro, ou pequeno, como um telemóvel ou relógio, nos primeiros tempos tudo é amor e cuidados para que o brinquedo não se estrague, não se arranhe nem fique empoeirado. Há até quem contrate um seguro.  Um pouco como com as nossas  mulheres. Mas, depois, com o passar do tempo, vem a rotina e o desleixo habitual e no que toca ao telemóvel, porque o usamos já como parte de nós próprios, arranhões e vidros partidos é o que mais há. Para agravar, e porque as reparações ou substituição de peças são em regra dispendiosas e manhosas, a ideia comum é que mais vale comprar outro novo e há até quem goste do pretexto, pelo que os divórcios com os telemóveis já são quase tantos como com os casais.

Pois bem, uma das coisas que com o passar do tempo perde qualidade se não houver o tal cuidado, amor e carinho iniciais, é o vidro protector da lente da câmara fotográfica, habitualmente na parte traseira do brinquedo. Aos poucos ficam arranhados, baços e por conseguinte com perda da qualidade da fotografia e não há óculos que lhes valha.

Como na Internet há solução para tudo, podem encontrar-se vídeos que explicam alguns truques mais ou menos caseiros para solucionar a coisa sem mandar substituir. Um deles utiliza a vulgar e antiga  palha-d´aço embebida em sabonete líquido para esfregar e polir o vidrinho. A avaliar pela maioria dos comentários, parece que a coisa resulta. Há quem diga que experimentou por "putaria" e que resultou mesmo; há quem afirme que experimentou na filosofia do "Tiririca", "porque pior não fica", mas há quem diga, aparentemente enfurecido, "foda-se, ficou pior!".

Como de são e de louco todos temos um pouco, no caso do meu Asus Zenfone 3 Max (como o da imagem acima) o tal vidrinho protector já tinha a sua miopia de tão gasto e arranhado. Um pouco na ideia do "Tiririca" experimentei, mas em vez da palha-d´aço utilizei massa de polir, grão fino, daquela usada pelos chapeiros nos automóveis. Embebi um pano macio num pouco de massa e suavemente e em movimentos circulares poli durante alguns minutos. Depois limpei com um pano embebido em álcool e em duas sessões o vidro ficou...isso mesmo, polido, brilhante e transparente e as fotos voltaram a ter qualidade.
Não é coisa que se recomende em público, mas no meu caso resultou.
Afinal, a experimentação muitas vezes é a base das grandes criações. Embora não confirmada, é atribuída ao grande inventor Thomas Edison, a frase "Deixem-me experimentar".

28 de maio de 2019

A carvão

Seria de esperar que no próprio dia, ou seguinte, e logo que descortinados os resultados das eleições de Domingo, estes, em nota informativa  fossem publicados e divulgados pelas Juntas de Freguesia, nas suas páginas oficiais ou mesmo nas do Facebook. No fundo seria um serviço de informação e divulgação, certamente do interesse de muitos. Cá pela nossa União de Freguesias, como em quase todas, nada vi.

Infelizmente, pelo que vou constatando, este é um mal geral e muito desaproveitado pela maioria das plataformas relacionadas ao poder local de base, ou seja, das Juntas de Freguesia, muitas vezes com gente impreparada nestas coisas da comunicação digital, ou mesmo desinteressada. Juntas há que não têm qualquer plataforma de comunicação digital.

Pessoalmente, a mim, faz-me alguma confusão que numa era de boas ferramentas e plataformas de comunicação e redes sociais, disponíveis e ao alcance de um clique da maioria da população, as mesmas não sejam devidamente usadas para dar respostas e  informações à comunidade em tempo útil. Uma página oficial desactualizada nalguns aspectos e com a última publicação datada de Agosto de 2018 não me parece sinal de eficiência e objectividade no que diz respeito à proximidade e transparência. Mas ainda há quem prefira assim, dar destaque e ênfase a cartazes de uma qualquer festa, do que tornar disponível online uma acta de Assembleia de Freguesia ou de reunião de Junta, ou mesmo um contrato de adjudicação de obras ou serviços, ou algo mais substancial, mesmo que susceptível a escrutínio e eventualmente a críticas, mesmo que nem sempre justas. Neste aspecto, as Juntas de Freguesia têm a aprender com as Câmaras Municipais, normalmente mais comprometidas com os valores da transparência e na disponibilidade de consulta e divulgação de documentos deliberativos e outros.

Em suma, de um modo geral e pelas diferentes juntas de freguesia ainda há quem ache preferível que certas coisas continuem a trabalhar a carvão porque ainda vigora a apologia de que mais vale omitir do que revelar e que a população e os contribuintes não precisam de saber tudo. Ora enquanto esta mentalidade não mudar, nem que seja por decreto, a coisa não vai lá.

29 de março de 2019

Falta de memória


Recordo-me, como se hoje fosse, da nota de 20 escudos, a verdinha do S.to António, que havia recebido de prenda de um familiar, que negligentemente perdi lá pelos idos dos anos 70, algures numa brincadeira de índios e cow-boys. Na altura uma pequena fortuna.

Por estes dias, porém, na Comissão Parlamentar à Caixa Geral de Depósitos, nem Carlos Costa, ex-administrador do referido Banco e actual governador do Banco de Portugal, nem Vitor Constâncio, o seu antecessor, se lembram, têm memória ou recordam-se de situações, de sinais e créditos ruinosos desbaratados no valor de largos milhões de euros, passando literalmente ao lado das suas funções e responsabilidades. 
Por aqui, creio que cargos desses, de Carlos Costas e Vitores Constâncios, mais valia serem ocupados por elefantes, pois estes, mesmo que andem de trombas, têm pelo menos o crédito de terem boa memória. E ficariam muito mais baratos pois em vez de largos milhares mensais contentar-se-iam com uns amendoins e uns repolhos. Quanto à competência para o cargo, não faria muita diferença, conhecida que é a inteligência dos quadrúpedes.

São, pois, estas algumas das figuras com responsabilidades nesse buraco sem fundo da banca portuguesa da última década, que inocente e despudoradamente apregoam a sua memória curta como se a importância disso se resuma à perda de uma notita de vinte escudos, coma  diferença de que, pela minha parte, nunca mais perdi a memória disso. E já lá vão quase cinquenta anos. 

26 de março de 2019

Estamos no bom caminho

A selecção portuguesa de futebol, porque nacional deixou de o ser já há algum tempo,  arrancou a fase de apuramento para o Europeu de 2020 com dois empates caseiros, precisamente contra os principais concorrentes no grupo, Ucrânia e Sérvia. Estamos, pois, no bom caminho para o apuramento e menos do que isso não se espera à ainda campeã em título. 
Sem ironia, porque faz sentido que se conquistamos o Europeu de 2016 com exibições medíocres e pouco futebol, alguma ou mesmo muita sorte e um grande coelho final de uma cartola improvável, com estes dois empates Portugal mantém-se fiel a esse futebol super canalizado para Ronaldo. Após a sua saída no jogo de ontem por lesão, a selecção até jogou um pouco melhor, mas ainda assim insuficiente para dar a volta.
Fernando Santos, o treinador, diz que vamos ganhar à Ucrânia e à Servia e com isso conquistar o primeiro lugar no grupo, mas parece-nos que é apenas mais uma das suas católicas fezadas. Oxalá que sim, que tenha razão, mas para que isso aconteça os nossos rapazes e os brasileiros vão ter que jogar um pouco mais.
Todavia, pelo menos por mim, antes Portugal ficar pelo caminho que uma dor de dentes. É apenas futebol.

12 de março de 2019

Veteranos do Carrasqueira, 2 - Belenenses SAD, 2

Sabemos que o futebol é pródigo em surpresas e em anedotas. O Youtube está repleto desses momentos. Todavia, quando num jogo de extrema importância, com a casa cheia, contra um adversário de valia que já foi do Belenenses, um clube chega à vantagem de dois golos, já na segunda parte, e depois em escassos minutos comete duas gordas fífias, duas infantilidades, que já seriam anedóticas num jogo de iniciados ou de veteranos barrigudos, a ponto de se deixar empatar e com isso perder a possibilidade de continuar isolado no primeiro posto da classificação, não tem desculpas. Mais do que isso, não merece que o mais humilde adepto, mesmo que recostado sem custos no seu sofá, perca tempo e fique desconfortável com esse balde de água fria que até os rivais surpreendeu. 
Pode-se perdoar um ressalto que se desvia, um corte involuntário, etc, etc, mas asneiras como as que fizeram o guarde-redes e o defesa central do Benfica não têm justificação a este nível e um clube que assim desperdiça uma vitória numa altura crucial da competição só pode merecer não ganhar merda nenhuma. Há mínimos, até porque acreditava eu que tínhamos esquecido a derrota em Portimão por 2-0 sem que o adversário tenha marcado qualquer golo.
O Youtube não precisava de mais estas pérolas. Vão-se foder!