2 de junho de 2022

Nota de falecimento


Faleceu José Coelho Gomes de Almeida, de 95 anos (19 de Setembro de 1926 a 31 de Maio de 2022). Residia no lugar de Fornos, na Rua Nossa Senhora de Fátima, Nº 2396.

Cerimónias fúnebres no próximo Sábado, 4 de Junho, pelas 10:30 horas, indo no final a sepultar em jazigo de família no cemitério local.

A missa de sétimo dia será no Domingo, 5 de Junho, pelas 08:00 horas na igreja matriz de Guisande.

Sentidos sentimentos a todos os familiares.

Paz á sua alma! Deus, que lhe concedeu a graça de uma vida longa, que o tenha em paz e em eterno descanso!


Nota pessoal:

Faleceu o velho amigo, Zé Coelho, com quase 96 anos de idade. Faria em 19 de Setembro próximo.  Muitas e boas memórias de um amigo já maduro de idade mas jovem de espírito. Com ele tive conversas à lareira em noites de Inverno, cantigas ao desafio, passeios, convívios, partilhas. Tinha-me dado a sua velha guitarra quando comprou uma melhorzita, mas deu-me sobretudo o valor da amizade. 

Descansa em paz, velho amigo, já não à sombra do sobreiro na Abelheira (na foto),  mas nas nuvens do céu! 

Adeus! Paz à tua alma!


1 de junho de 2022

Janela de oportunidade

Por vezes pensamos que os livros são coisas sérias, diferentes dos média, jornais, revistas, rádios e televisões, nas abordagens aos acontecimentos do escorrer dos dias. 

Um jornal compra-se e no dia seguinte está desactualizado e acabará no papelão, modernamente, porque noutros tempos teria um outro aproveitamento, a forrar gavetas e prateleiras ou mesmo a substituir o então desconhecido papel-higiénico na limpeza do "sim senhor". Na televisão vamos fazendo zaping para evitar ou encontrar o Nuno Rogeiro ou outros especialistas do achismo e das táticas e estratégias de guerra.

Mas não! Eventualmente em menor escala, é certo, mas os livros, e sobretudo as editoras e os autores, têm igual tendência ou tentação de ir ao sabor do vento da actualidade. Não, espanta, pois, que nas prateleiras das livrarias, nos escaparates das grandes superfícies ou nas lojas online, o tema da guerra, da invasão da Rússia à Ucrânia e os seus protagonistas, estejam na ordem do dia. De Zelensky a Putin, tudo está ali. Até o "caralho" do José Milhazes, conhecedor da coisa, também escreveu um livro "A mais breve história da Rússia - Dos eslavos a Putin", que dizem estar a vender como pãezinhos quentes com manteiga.

Por conseguinte, quem tem a capacidade de escrever um livro em dois ou três dias pode aproveitar e bem esta "janela de oportunidade" relacionada ao tema. Os livros são assim, iguais a tudo o resto porque, afinal, são feitos por pessoas e em regra com o propósito primeiro de ganhar dinheiro. Ainda como na televisão, o que é feito de forma séria, calma e cultural, isso pouco rende porque não capta audiencias.

Estas coisas só resultam no imediatismo. Quem escrever amanhã sobre a guerra, já vem tarde!

31 de maio de 2022

Números astronómicos e reencarnação

Há quem goste, adore até, de assitir a “reality shows” e outros programas de entretenimento em que a nossa TV é farta, sobretudo a envolverem gente do jet-set. Afinal a nossa TV prima por espetar os espetadores com coisas de que gostam, mesmo que baseadas em boçalidades que nada acrescentam. Mas nada a obstar. Afinal na diferença e diversidade, dizem, é que está a riqueza,. 

Como nestes coisas fujo um pouco à norma, e daí na anormalidade, prefiro e gosto de documentários sobre cultura, natureza e ciências. Fascina-me tudo relacionado ao universo, ao sistema solar, às galáxias, às estrelas e aos planetas. E por aqui impressionam-me sempre os números, desde as distâncias medidas em anos-luz até à idade do universo após o big-bang, por si só uma teoria em que se procura justificar a criação  a partir do nada, ainda a idade do sol e a forma como há-de terminar os seus longos dias, expandindo-se a ponto de engolir, no caso incinerar o nosso belo berlinde azul, ambora quanto a isto, acho que pela nossa loucura a Terra há-de durar bem menos tempo. E nestes dias de guerra irracional, há dedos nervosos ao lado de botões vermelhos, prontos a isso.

Estimam os cientistas, mesmo que em controvérsias, que o universo terá cerca de 14 biliões de anos (13,82), qualquer coisa como o número 14 seguido de 12 zeros e nem importa saber se pela medida da Europa, em que um bilião são mil milhões, se dos Estados Unidos, Reino Unido e Brasil, em que um bilião afinal são mil milhões. Mais zeros menos zeros, são muiiiiiiiiitos anos.

Quanto à Terra, dizem que terá um pouco menos, ou seja 3,5 biliões. Aqui, o conceito de “pouco menos” é mesmo uma questão de semântica. 

Já o sol, a nossa estrela, terá qualquer coisita como 4,5 biliões de anos e estima-se que tem combustível (hidrogénio) para queimar (600 milhões de toneladas por segundo) no seu reactor por mais durante 5 biliões de anos. Está, pois, a metade da sua previsível vida. Mas esse processo englobará várias etapas e uma vez queimado o hidrogénio o sol consumirá os elementos remanescentes mais pesados, como o hélio, o carbono, o oxigénio e por fim o ferro  e como este não poderá ser queimado, já que a energia necessária é superior à produzida, então a nossa estrela colapsará e explodirá espalhando todos os elementos acumulados pelo universo. Afinal a continuação de um ciclo, já que em rigor todos os seres vivos, incluindo nós humanos, são formados por essa massa primordial de átomos. Em rigor, dizem os cientistas, nesse processo de transformação da parte final da vida do sol, este irá expandir-se, crescendo para o dobro, transformando-se numa "gigante vermelha", e incinerar literalmente o nosso planeta  e todos os demais que o orbitam.

Neste contexto de distâncias e idades expressas em números gigantescos, quase imensuráveis à nossa percepção terrena,  ficamos todos com a plena certeza que a nossa vida (dos humanos) e a de todos os seres vivos, animados e inanimados, não é mais que uma ínfima fracção de segundo quando comparada aos tais números astronómicos. Uma borboleta ou uma abelha vivem poucos dias ou semanas e mesmo os seres vivos com mais expectativa de vida, como algumas espécies de corais, baleias, tubarões, que podem andar pelos 200, 500 ou mesmo 1000 anos, são sempre vidas curtas. Há até um estudo de 2012 que sugere que uma esponja do mar, a Monorhaphis chuni terá a idade de 11 mil anos. Mesmo tendo em conta estes 11 mil anos, a coisa continua ínfima na escala da vida do universo, do sol e da terra.

Por conseguinte, para aqueles que acreditam que todos nós havemos de reencarnar mesmo que enquanto um animal, não restam dúvidas que durante um milhão ou bilhão de anos temos tempo de viver e reviver na pele de todos os seres vivos que existem na terra, nas águas e no ar. Podemos assim vir a ser um cão, um gato, uma cabra, um rato, uma cobra, uma minhoca, um papagaio, uma sardinha, um atum, uma lula, uma mosca, uma borboleta, um morcego, etct, etc, etc, etc,. Tempo  ao universo é o que não falta.

Assim sendo, pelo sim e pelo não, dentro do possível e desde que não nos ponham em risco, será preferível que respeitemos todos os seres vivos na sua dignidade, pois podemos vir a ser um deles. Se daqui a 100, 200, 500, mil, cem mil ou um milhão de anos, não sabemos. Mais vale prevenir.

E vamos deixar por ora esta questão, porque tanto número e ordens de grandeza deixa-nos baralhados, confusos, e a perspectiva de podermos vir a ser um qualquer insecto rastejante ou um escaravelho-da-bosta não é lá muito inspiradora e muito menos animadora, convenhamos.

Boa Terça-Feira!

30 de maio de 2022

Paz interior



Tanta canseira afadiga o homem

Além de tudo quanto diz e faz;

Coisas fúteis que o consomem

Quando, afinal, lhe basta a paz.


Esse afago de mansidão interior,

É, afinal, o bem mais precioso:

Desperta sereno o negro turpor

De um viver triste, só, doloroso.


A paz calma como bem supremo,

É como lago na placidez da água,

Em que apenas o doce bater do remo

O desperta à vida, o viver sem mágua,


Homem, pára! Afrouxa esse fragor

Medonho de todos os teus rios

Feitos de água de lágrimas e suor

E dá-lhes a calma dos vales macios


A.Almeida

União de Freguesias - Corga da Moura 2022

 



29 de maio de 2022

Nada de confusões

A questão, desejo e vontade de uma freguesia aspirar a ser novamente dona dos seus destinos, não devem ser confundidos com a forma de governar da actual Junta da União. 

Parece-me, avaliando estes primeiros meses, que David Neves está a governar bem e a ter uma postura que se espera de qualquer presidente de uma União, a de respeitar todas as freguesias, estando presente ao lado das pessoas e dos grupos, de forma activa e interessada. E isso o David Neves, o meu presidente, tem feito bem e nota-se que com alma, correspondendo à vitória de mudança nas últimas eleições.

Mas, repito, uma coisa não valida nem menoriza a outra. Portanto nada de confusões: O desejo e vontade de Guisande, bem como de Gião e Louredo em voltarem a ser independentes no uso previsto pela Lei 39/2021, não é pessoal, muito menos partidária, mas apenas contra um modelo que em dois mandatos mostrou nada acrescentar de positivo à anterior realidade, e, pelo contrário, penalizador em muitos aspectos, sobretudo os de perda de proximidade e representatividade. Neste actual modelo, cada freguesia tem menos representantes directos e por isso menos gente conhecedora das especificidades de cada freguesia.

O comodismo e aceitação por parte de Lobão é compreensível já quem em rigor nada perdeu porque se mantém como cabeça e numa situação de predominância que, entre outros aspectos, tem e irá determinar que o presidente seja sempre da sua área geográfica. Não tem que ser assim, obviamente, mas será por motivos políticos e de estratégia dos partidos. É do B,A, BA da política.

Em resumo, louve-se o empenho e dedicação do David Neves, que têm sido relevantes, até porque num contexto herdado de melhores condições financeiras e já com a casa organizada e arrumada, comparativamente aos anteriores dois mandatos, mas não se misture alhos com bugalhos. 

Como analogia, porque é que um emigrante há-de-regressar à sua terra quando na maior parte dos casos vive com condições bem melhores nos países onde trabalha? Porque é que Guisande, Gião e Louredo hão-de contentar-se com a situação só porque neste momento a União tem uma presidência positiva?

A aprovação na sessão extraordinária da Assembleia da União de Freguesias, na sexta-feira passada, não foi a derrota de ninguém, muito menos do presidente da Junta, antes uma vitória normal e natural das freguesias que solicitaram a desagregação. 

Num tempo em que os divórcios se fazem por questões de "lana caprina", porque é que, sendo possível e legítimo, não hão-de as freguesias submetidas a uma reforma administrativa sem pés-nem-cabeça, aspirar à reversão ou desagregação? 

Por último, se se considera que esta situação decorre de uma Lei Relvas, desajustada e despropositada, que foi muito além do exigido pela Troika, porque é que agora se pode usar a mesma como argumento para a sua manutenção? Não devíamos, todos, aproveitar a janela de oportunidade da Lei 39/2021 para tentar a reversão? 

A quem interessa, pois, que a coisa se mantenha?