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26 de novembro de 2023

Os Caetano de Azevedo de Guisande

Azevedo  é um apelido de família, não muito comum mas com alguma importância na nossa freguesia, nomeadamente o associado ao também apelido Caetano. 

Quanto à origem deste apelido, dizem alguns entendidos nestas questões de genealogia que Azevedo (ou Acevedo) é um sobrenome toponímico ibérico, com origem no couto e honra de Azevedo, no concelho de Barcelos, em Portugal. A palavra Azevedo vem de azevo (em espanhol antigo, acebedo), arbusto espinhoso; do latim acifolium, variação de aquifolium, azevinho.

D. Pedro Mendes de Azevedo é o mais antigo conhecido portador do sobrenome. Fidalgo de D. Afonso Henriques (1106-85) e D.Sancho I (1154-1211) era filho de D. Mem Pais Bufinho (D. Mendo Bufião ou D. Mendo Roufino) e descendente de D. Egas Gosindo Bayán (Baião), sendo este neto de Arnaldo de Bayán, cavaleiro que chegou a Galícia para lutar contra os mouros ao lado de D. Afonso V de Leão (994-1028), em 983. Afirmam alguns genealogistas que Arnaldo era o terceiro filho do imperador romano-germânico Guido de Espoleto (828-94).

Quanto aos Azevedos em Guisande, obviamente que será missão difícil e quase impossível tecer toda a teia genealógica e relação de parentesco entre os seus elementos, por isso com vários buracos, mas do que consegui pesquisar e relacionar deixarei aqui os respectivos apontamentos que servirão a quem neles quiser posteriormente pegar e melhor apurar. É pois um ponto de partida.

O interesse da minha pesquisa relacionada a esta família e a este apelido Azevedo e também a sua ligação ao apelido Caetano, que em alguns casos é nome próprio, liga-se com a figura de António Caetano de Azevedo, carpinteiro de profissão, e de Maria Gomes da Conceição, costureira, moradores no lugar das Quintães, aqui da freguesia de Guisande. Foram estes os pais de Margarida da Conceição, minha bisavô materna porque mãe do pai da minha mãe. Por isso, por parte do meu ramo materno, este António é meu trisavô. Logo também tenho sangue destes Azevedos. O lugar das Quintães é assim o ninho desta família mesmo que alguns desses elementos tenham temporariamente andado por outros locais.

António Caetano de Azevedo era filho de Francisco Caetano dos Santos e de Ana Joaquina dos Santos, esta filha de João Francisco dos Santos e de Arminda Gomes da Conceição, moradores no lugar de Cimo de Vila. Era neto paterno de Caetano Francisco dos Santos e de Maria Rosa Gomes, esta filha de Manuel Joaquim de Azevedo e de Maria Joaquina dos Santos. 

Desta relação de nomes, numa primeira análise constata-se que a herança do apelido Azevedo por parte do meu trisavô, António Caetano de Azevedo, provém não da parte de seu pai ou avô paterno, como se esperaria, mas sim da parte de seu avô materno, Manuel Joaquim de Azevedo. De seu pai e também comum a quase todos estes Azevedos é o apelido Caetano.

Aqui chegados, importa ter em conta que por esses tempos os apelidos nem sempre eram respeitados na linha directa da descendência, como por regra acontece nos nossos dias. Por conseguinte, nesses tempos normalmente as mulheres não herdavam o último apelido do pai mas da mãe. E havia casos em que o próprio último apelido do pai era omitido em alguns dos filhos ou colocado num apelido do meio. Por conseguinte não havia esse cuidado ou sensibilidade por parte dos pais em transmitir de forma continuada e sucessória os apelidos de raiz aos filhos e nem as autoridades o exigiam. Ora esta aleatoriedade dificulta em muito a missão de quem pretende pesquisar documentos e relacionar famílias tanto na forma ascendente como descendente e gerar árvores genealógicas com base na herança do apelido.

De resto, durante muitos anos o papel que hoje é garantido pelas conservatórias do registo civil, restringia-se apenas à Igreja e às paróquias em que estas, pelos párocos, por necessidade de controlar os fregueses quanto ao cumprimento e estado da administração dos principais sacramentos, como o baptismo, matrimónio e também os óbitos, registavam, assentavam, os mesmos em livros a cujos escritos se designam de assentos paroquiais. 

Só depois do liberalismo, e foi precisamente em 16 de Maio de 1832 que foi aprovado o decreto que em Portugal proclamou a existência do registo civil para todos os cidadãos, é que foram criados os postos de registo civil, que no caso da freguesia de Guisande era assegurado pelo chamado Posto de Louredo, onde, creio,  se localizava no lugar de Vila Seca, sendo que tenho também a informação segura que funcionava no lugar da Mouta, em caso do Sr. Manuel Paiva, ali conhecido como Manuel da Mouta, homem da agricultura mas inteligente e dominador da palavra escrita e falada.

Pegando então, como base o pai da minha referida bisavó materna, temos a seguinte lista:

António Caetano de Azevedo,  nasceu em 28 de Março de 1867 e faleceu em 25 de Agosto de 1929 com 62 anos de idade. Como atrás dito, era filho de Francisco Caetano dos Santos, e de Ana Joaquina dos Santos. Os seus avôs paternos eram Caetano Francisco dos Santos, do lugar da Lama, e Maria Rosa Gomes e os seus avôs maternos eram Manuel Joaquim de Azevedo e de Maria Joaquina dos Santos. Caetano Francisco dos Santos e Maria Rosa tiveram filhos para além do Francisco, entre os quais o José nascido a 7 de Dezembro de 1828 e a Rosa nascida em 17 de Setembro de 1841.

O seu pai, Francisco Caetano dos Santos, nasceu a 6 de Janeiro de 1827. Era filho de Caetano Francisco dos Santos e de Maria Rosa Gomes, do lugar da Lama. Era neto paterno de José Francisco dos Santos e de Maria da Silva Guedes, do lugar de Azenha – Lobão. Era neto materno de Manuel da Silva e de Ana Maria, do lugar da Lama – Guisande.

Também do que consegui pesquisar este mesmo Francisco Caetano dos Santos teve também os seguintes irmãos (tios paternos de António Caetano de Azevedo):

José, que nasceu a 7 de Novembro de 1828 (há um assento duplicado com a data de 7 de Dezembro de 1828; 

Victorino, nasceu a 2 de Janeiro de 1832; 

António, que nasceu a 7 de Setembro de 1833; 

Rosa, que nasceu a 17 de Setembro de 1840.

Do que consegui pesquisar, este Francisco Caetano dos Santos, para além de António Caetano de Azevedo, teve ainda outros filhos, nomeadamente:

Manuel, que nasceu a 18 de Janeiro de 1852;  

Joaquim, que nasceu a 9 de Maio de 1854; 

José, que nasceu a 31 de janeiro de 1856 e faleceu no Rio de Janeiro – Brasil, a 23 de Fevereiro de 1873;  

Maria, que nasceu em 28 de Novembro de 1857.

Bernardino Caetano de Azevedo,  que nasceu em 18 de Fevereiro de 1861 e faleceu em 19 de  Outubro de 1942. Casou em 14 de Janeiro de 1892 com Clemência Maria de Jesus, filha de Manuel José da Mota e de Maria Joaquina (Este Bernardino e Clemência tiveram uma filha, a Maria, nascida em 26 de Janeiro de 1893 e que veio a casar em 20 de Outubro de 1923 com António Augusto Guedes, tendo este falecido em 26 de Janeiro de 1973).

Joaquina, que nasceu a 25 de Janeiro de 1863; 

Carolina, que nasceu a 3 Maio de 1864 e que casou em 26 de Novembro de 1900, com Hermenegildo Correia, este então com 45 anos de idade, filho de Francisco Correia e Maria Bernardina, de Lobão;  

Domingos, que nasceu em 23 de Fevereiro de 1870 e faleceu em 7 de Dezembro de 1948; 

Justino Caetano de Azevedo, que nasceu em 31 de Outubro de 1878 e faleceu em Lobão em 1 de Março de 1936;

Dos nomes acima, Justino Caetano de Azevedo, para além do ramo do seu irmão António Caetano de Azevedo, é ele próprio um dos ramos principais dos Azevedos em Guisande. Nasceu em 31 de Outubro de 1878. Casou em Lobão com Custódia Fernandes da Encarnação, esta filha de Domingos de Almeida Lopes e de Maria Rosa de Jesus e do que consegui pesquisar tiveram como filhos:

Manuel Caetano de Azevedo, que faleceu em 27 de Junho de 1937 com 55 anos de idade, que casou com Jerónima Rosa de Jesus. Tiveram vários filhos, entre os quais os que consegui pesquisar:

António Caetano de Azevedo, que nasceu no dia 30 de Maio de 1907. Faleceu com 20 anos de idade em 2 de Fevereiro de 1928 .

Joaquim Caetano de Azevedo, que nasceu em 1 de Abril de 1909 e faleceu em 21 de Novembro de 1996. Casou em 17 de Dezembro de 1932 com Margarida Gomes de Almeida. Tiveram vários filhos entre os quais o Domingos, nascido a 14 de maio de 1933, o Manuel, nascido a 23 de Novembro de 1937 e falecido em 10 de Abril de 2008 e que casou em 14 de Junho de 1960 com Maria Adelaide de Castro Linhares (nascida em 20 de Fevereiro de 1940), a Palmira, nascida a 21 de Novembro de 1940 e que casou em 28 de Janeiro de 1962 com Flávio de Paiva, a Maria Amélia, nascida em 27 de Outubro de 1942 e que casou em 21 de janeiro de 1957 com Eugénio Nogueira Alves. Tiveram como filhos, de que me recorde, a Paula e o Eugénio. Ainda como filha do Joaquim e de Margarida, a Maria da Conceição de Almeida Azevedo, viúva, que vive no lugar das Quintães. Ainda o Joaquim que nasceu em 24 de Agosto de 1952..


Margaria Gomes de Almeida, esposa de Joaquim Caetano de Azevedo


Domingos Caetano de Azevedo, que nasceu no dia 2 de Março de 1911 e que casou em  30 de Janeiro de 1937 com Maria da Conceição e Santos, esta nascida em 8 de Junho de 1914. Faleceu em Guisande  em 2 de Agosto  de 1985. A sua esposa faleceu em 29 de Agosto de 1980.

Este Domingos ficou conhecido como Sr. Domingos “Patela” e teve como filhos um Valdemar da Conceição e Azevedo, que nasceu em 15 de Agosto de 1938. Ainda Maria Célia Azevedo Gomes Giro, nascida a 4 de janeiro de 1941, professora, que veio a casar em 14 de Agosto de 1965 com o Alcides Gomes Giro e de cujo casamento nasceram os filhos Rui Giro, Rosário Giro e Alexandre Giro.


Domingos Caetano de Azevedo e sua esposa Maria da Conceição e Santos


Manuel Caetano de Azevedo, que nasceu a 28 de Agosto de 1913. Casou com Custódia de Sá Reis em 7 de Dezembro de 1950. Tiveram vários filhos de que conheço o Alcides de Sá Azevedo e o Elísio de Sá Azevedo, que são sócios da empresa de engarrafamento de vinhos “Robalinho”, em Covento – Louredo, que retomaram de seu pai. Ainda como filha a Maria Celeste nascida em 13 de Outubro de 1951 e que casou em Louredo com José Pereira dos Reis.

Rosária Rosa Azevedo, nasceu a 26 de Março de 1918.

Augusto Caetano de Azevedo, que nasceu a 16 de Novembro de 1920.

Lucinda Rosa de Azevedo, que faleceu com 20 meses em 6 de Outubro de 1928.

Abel Caetano de Azevedo, que nasceu a 19 de Maio de 1930. Casou em Louredo em 13 de Dezembro de 1952 com Maria da Costa e Sousa (ainda viva à data em que escrevo estes apontamentos). Viveu alguns anos no lugar das Quintães em Guisande e depois mudou-se para o lugar do Convento em Louredo. Tiveram vários filhos, dos quais me lembro, o Joaquim (falecido com 65 anos em 24 de Fevereiro de 2020), a Maria da Conceição, o Domingos (também já falecido), a Lurdes, a Carminda, o Casimiro e o Alcides. Faleceu este Abel Caetano de Azevedo em 23 de Outubro de 2016.

António Azevedo da Conceição, que nasceu em 23 de Novembro de 1930. Casou em 1 de Setembro de 1963 com Idalina Rosa de Pinho.

Rosária da Conceição e Azevedo, faleceu em 13 de Janeiro de 1931 com 6 anos de idade.

Voltando atrás, por sua vez, quanto a Manuel Joaquim de Azevedo, avô materno de António Caetano de Azevedo, e do qual terá advindo o apelido Azevedo, era filho de Francisco António de Azevedo e de Maria Joana (do lugar das Cortinhas – Cesar). A sua esposa Maria Joaquina dos Santos era filha de  Domingos dos Santos de Oliveira e Caetana Maria (de Vila Nova – Romariz).

Do casal Manuel Joaquim de Azevedo e Maria Joaquina dos Santos, consegui pesquisar os seguintes filhos:

Margarida, que faleceu com 55 anos de idade, no estado de solteira, em 23 de Outubro de 1871; Joaquim (primeiro de nome) que nasceu a 18 de Janeiro de 1833; Joaquim (segundo de nome), que nasceu a 4 de Abril de 1837;  José, que nasceu a 3 de Fevereiro de 1839.

Pelo que se constata do que atrás tem sido escrito, o apelido Azevedo, que chegou ao pai da minha bisavô, poderá ter proveniência no seu bisavô materno, Manuel Joaquim de Azevedo. Ou seja, o seu avô paterno já não tinha o apelido de Azevedo mas sim de Santos. Num assento de óbito da sua filha Margarida, é indicado como sendo ele natural de Cesar, concelho de Oliveira de Azeméis. 

Então, retomando a lista já com as origens a ramificações atrás descritas:

António Caetano de Azevedo,  nasceu em 28 de Março de 1867 e faleceu em 25 de Agosto de 1929 com 62 anos de idade. Era filho de Francisco Caetano dos Santos, e de Ana Joaquina dos Santos. Os seus avôs paternos eram Caetano Francisco dos Santos, do lugar da Lama, e Maria Rosa Gomes e os seus avôs maternos eram Manuel Joaquim de Azevedo e de Maria Joaquina dos Santos.  António Caetano de Azevedo e sua esposa Maria Gomes da Conceição, que ficou com a alcunha de "a Tora" tiveram vários filhos, nomeadamente os que consegui pesquisar:

Rosa Gomes da Conceição. Do que consegui pesquisar, como filhos e como mãe solteira teve uma filha, a Laurinda, nascida a 2 de Janeiro de 1908. Esta Rosa foi madrinha de baptismo do Justino, o seu sobrinho, filho da Margarida. Por sua vez o seu irmão Justino foi o padrinho.

Margarida da Conceição, minha bisavó materna, conforme acima já identificada. Nasceu em 19 de Julho de 1885 e faleceu em 30 de Agosto de 1979 com 94 anos de idade. Tinha 21 anos de idade quando casou em 09 de Maio de 1907 com Raimundo José da Fonseca, de 22 anos de idade, do lugar do Carvalhal, freguesia de Romariz. 

Este meu bisavô materno nasceu em 19 de Outubro de 1884 e faleceu em 17 de Novembro de 1929 com apenas 45 anos de idade. Era filho de António José da Fonseca e de Maria de Oliveira. Era neto paterno de Manuel José da Fonseca e Margarida Rosa de Jesus e neto materno de Manuel Ferreira da Silva e de Ana Maria de Oliveira. 

Margarida e Raimundo tiveram vários filhos, que, sem ordem de idade consegui pesquisar:

Maria da Conceição, nascida em 12 de Junho de 1909, pelo que terá sido a mais velha dos filhos.

Joaquim José da Fonseca, que casou com Albertina

Alexandrino José Fonseca que nasceu a 13 de Setembro de 1914 e casou em 17 de maio de 1942 com Maria Glória Gomes de Pinho. Viveu no lugar de Azevedo da freguesia das Caldas de S. Jorge, tendo falecido num acidente de estrada, em Pigeiros.

Manuel José da Fonseca casou em 31 de Julho de 1933 com Ermelinda Pedrosa das Neves, de quem teve vários filhos dos quais conheço a Margarida, que ainda vive no lugar de Fornos, casada com o Sr. Justino, ainda a Lúcia, esta casada com o Sr. Óscar Melo, e residente no lugar da Mota, Canedo, o Joaquim, que creio que está viúvo e vive em Vila Nova de Cerveira, o António, nascido em 12 de Junho de 1934, e que casou em S. Silvestre-Coimbra com Maria Isabel Cortesão em 16 de Fevereiro de 1964.e ainda o Gil das Neves Fonseca, que não vejo há muitos anos e que viverá por Lourosa. Casou em 29 de Dezembro de 1974 com Maria Margarida Ferreira de Pinho. Ainda o Reinaldo das Neves Fonseca, que nasceu a 1 de Março de 1944. (foi padrinho do meu irmão Manuel). 

Laurinda da Conceição, que casou com Alexandre Ferreira de Almeida e tiveram como filhos a Conceição, o Joaquim e a Adelaide.

Justino José da Fonseca, já acima referido, que nasceu a 31 de Julho de 1916, que nunca conheci porque faleceu muito novo.

Américo José da Fonseca, meu avô materno, nascido a 20 de Março de 1919 e falecido em 17 de Julho de 2001.

Retomando os filhos de António Caetano de Azevedo:

Domingos Caetano de Azevedo, que nasceu a 17 de Março de 1890.

Joaquim Caetano de Azevedo, nascido em 1893 e que faleceu com 39 anos em 5 de Agosto de 1932. Era carpinteiro e casou com Aurora das Neves de Azevedo, esta filha de Manuel Henriques dos Santos e Maria Gomes das Neves, da freguesia de Lobão. Tiveram filhos dos quais pesquisei: o Arnaldo Caetano de Azevedo, que nasceu a 6 de Janeiro de 1917; A Maria da Conceição que nasceu a 15 de Agosto de 1922 e casou em Oleiros em 26 de Fevereiro de 1940 com Joaquim Ferreira da Silva; o Joaquim António das Neves Azevedo, que nasceu em 3 de Junho de 1925.

António Caetano de Azevedo, que nasceu a 22 de Janeiro de 1895.

Alexandrina da Conceição (com alcunha de Pazada), que nasceu a 19 de Março de 1901. Casou com 23 anos de idade em 14 de Agosto de 1924 com Américo Augusto da Conceição, de 28 anos de idade, da freguesia de Romariz, flho de José Maria da Conceição e Carolina Augusta da Conceição. Dos filhos que consegui pesquisar, ainda na condição de solteira, a Maria da Conceição Azevedo, nascida em 13 de Setembro de 1923 e que casou em 27 de Julho de 1944 com Joaquim de Oliveira Cadete.

David da Conceição Azevedo, que nasceu a 25 de Maio de 1904. Faleceu em Guisande em 22 de Maio de 1940. Casou em 29 de Junho de 1925 com Francelina da Conceição, esta filha de Joaquim Gomes de Almeida e Maria Rosa de Oliveira, neta paterna de Domingos Gomes de Almeida e Joaquina Rosa de Oliveira e neta materna de Manuel de Matos e Maria de Oliveira. Faleceu este David em 21 de Janeiro de 1940.

Do que consegui pesquisar, este David e Francelina  tiveram os seguintes filhos: David Aníbal da Conceição, que nasceu em 10 de Fevereiro de 1934. que casou em 23 de Fevereiro de 1963 com a  Dolores da Conceição (viúva, ainda viva); Ainda a Natália da Conceição, nascida a 1 de Outubro de 1937 e que casou em 27 de Janeiro de 1962 com Felisberto Rodrigues Moreira (já falecido). Esta Natália e Felisberto tiveram vários filhos nomeadamente a Fátima, a Adelaide, o Paulo e Pedro.

Ainda como filha de David e Francelina, a Laurinda da Conceição Azevedo, que nasceu em 6 de Junho de 1925 e que faleceu em 18 de Novembro de 2020. Casou em Guisande em 28 de Janeiro de 1945 com António Ferreira Alves, este nascido em 12 de Maio de 1925 e falecido em 24 de Março de 2011.

Este casal teve vários filhos, alguns dos quais o Aníbal Azevedo Alves, a Maria Fernanda, que está casada com o Eugénio Azevedo da Conceição, e ainda o António. 

Laurinda da Conceição Azevedo, filha de David Azevedo da Conceição e Francelina da Conceição


Ainda como filho do David da Conceição Azevedo, o Fernando Azevedo da Conceição, que nasceu a 18 de Outubro de 1930.

Retomando os filhos de António Caetano de Azevedo:

Justino da Conceição Azevedo (que aparece também como Justino Azevedo da Conceição), que nasceu a 15 de Fevereiro de 1898 (teve como padrinho seu tio Justino), e faleceu em 31 de Dezembro de 1945, que casou com com Rosa Gomes de Almeida, filha de Maria Gomes de Almeida, e tiveram os seguintes filhos:

David Azevedo da Conceição, que nasceu em 27 de Março de 1921 e que casou em 12 de Outubro de 1941, com Maria da Conceição Francisca da Costa. Tiveram os seguintes filhos: António, Joaquim, os gémeos Domingos e Eugénio, Maria Amélia, Maria Adelaide, Alzira e Maria Isaura. Como curiosidade, este David está dado como natural da freguesia de Gião, pelo que os seus pais nessa altura residiriam nessa freguesia. Faleceu em 25 de Outubro de 2016.

David Azevedo da Conceição nascido em 27 de Março de 1921 e falecido em 25 de Outubro de 2016


Maria Gomes da Conceição, que nasceu a 12 de Agosto de 1924. casou em 14 de Maio de 1955 com Joaquim Príamo Monteiro. Tiveram vários filhos, como a Felicidade, a Elisa, a Alcina, o Manuel e o António.

Rosária da Conceição Azevedo, que nasceu no dia 22 de Junho de 1924.

Laurinda Gomes da Conceição, primeira de nome, que nasceu a 17 de Janeiro de 1929. Faleceu menor em 25 de Maio de 1930.

António Azevedo da Conceição, nascido em 23 de Novembro de 1931 e falecido em 1 de Julho de 2017. casou em 1 de Setembro de 1963 com Idalina Rosa de Pinho.

António Azevedo da Conceição, nascido em 23 de Novembro de 1931 e falecido em 1 de Julho de 2017


Laurinda Gomes da Conceição, segunda de nome, que nasceu a 13 de Agosto de 1933 e faleceu em 5 de Setembro de 2016. 

Laurinda Gomes da Conceição, nascida a 13 de Agosto de 1933 e falecida em 5 de Setembro de 2016


Maria Rosa Gomes da Conceição, nascida a 25 de Setembro de 1939, ainda viva à data em que escrevo. Casou com 22 de Agosto de 1964 com António Ferreira da Costa. Tiveram como filhos o António, o Alberto e a Filomena.


Nota final: Os apontamentos aqui escritos, por dificuldades várias e escassez de documentos podem padecer de alguns erros ou imprecisões ou omissos quanto a alguns dados como datas, nomes de familiares e seus relacionamentos. Por conseguinte baseiam-se apenas no que foi pssível pesquisar. Quaisquer informações que possam servir para completar ou corrigir são bem-vindas.

19 de novembro de 2023

Joaquim Dias de Paiva (Pisco)

 


Em Março de 1993, para o jornal "O Mês de Guisande, entrevistei o saudoso Joaquim Dias de Paiva (Pisco),  que havia sido um alfaiate de renome e então vivia no lugar da Igreja. Ficamos nessa altura a saber um pouco da sua vida e da sua profissão. Passaram 30 anos sobre essa entrevista e fosse vivo o entrevistado teria 116 anos. Naturalmente que já faleceu, já há 20 anos, precisamente em  11 de Fevereiro de 2003.

Joaquim Dias de Paiva, nasceu em 24 de Setembro de 1906, sendo baptizado no dia 27 do mesmo mês e ano, tendo como padrinho Manuel de Pinho e Maria da Luz, do lugar do Viso, esta  minha avó paterna. Casou em 26 de maio de 1926 com Luzia Rosa de Jesus, de Nogueira da Regedoura. Faleceu em 11 de Fevereiro de 2003. Foi como atrás se disse, um exímio alfaiate. Viveu no lugar da Igreja, junto à ribeira. Deixou filhos e filhas, nomeadamente, como disse na entrevisata, o Joaquim, o António, a Maria, a Celeste, a Ermelinda e o José.
Alguns apontamentos sobre a família Dias de Paiva, podem ser consultados aqui.

6 de novembro de 2023

O 13

 


O 13 está associado ao azar, mas no caso é uma mera coincidência e a constatação do correr dos dias, dos anos, do tempo. Facto é que do grupo de boa gente aqui fotografada em 1989 aquando das Bodas de Ouro sacerdotais do então nosso pároco, Pe. Francisco, 13 já partiram, precisamente metade do grupo fotografado. Alguns deles em muito serviram a nossa comunidade. Que Deus os tenha a seu lado!

31 de outubro de 2023

Manuel Rodrigues de Paiva e o Guisande F.C.


Quando uma instituição celebra aniversário é comum recordar pessoas que já partiram e que a ela estiveram ligadas e ajudaram à sua fundação ou crescimento. Por conseguinte o aniversário é um momento e pretexto para fazer elogios e enaltecer figuras.

Mesmo sabendo desse lugar comum, também entendo cá para mim que neste dia em que o clube da nossa terra celebra 44 de vida oficial, é justo que se recorde certas figuras, algumas que felizmente ainda são vivas e andam por cá e outros que já deixaram de percorrer este caminho terreno.

Assim, desde logo, e porque no acto fundador encabeçou e foi o primeiro subscritor da escritura pública do Guisande Futebol Clube, conforme o atesta o recorte publicado ao fundo, trago à memória a figura e o papel do Manuel Rodrigues de Paiva, que faleceu em 27 de Janeiro de 2021 e que à data da constituição do clube, em  31 de Outubro de 1979, tinha apenas 36 anos, completando 37 apenas no mês seguinte, no dia 20, pois nasceu em Novembro de 1942.

Manuel Rodrigues de Paiva, apesar de natural da freguesia de Romariz, foi uma figura com relevante intervenção cívica na freguesia de Guisande, tendo sido dirigente e presidente do Guisande F.C., sendo, como atrás referi, uma das figuras marcantes na fundação oficial do clube e da construção do Campo de Jogos "Oliveira e Santos". Foi secretário da Junta de Freguesia de Guisande, depois das eleições autárquicas de 16 de Dezembro de 1979, e ainda, em diferentes mandatos, elemento da Assembleia de Freguesia de Guisande, em representação do PSD e também da FJI - Força Jovem Independente no mandato de 1989/1993.

Como qualquer um de nós, a começar por mim, tinha alguns defeitos ou feitios que por vezes eram obstáculos para quem com ele colaborava, já que tantas vezes com a sua vontade de fazer depressa e avançar nas decisões e nas obras tinha tendência de contornar as etapas e não ter em conta o papel e a importância de quem tinha ao lado, isto, claro, na parte da sua intervenção cívica, abstendo-me de considerações fora dessa esfera.

Mas na sua intervenção de cidadania em Guisande tinha de facto esse voluntarismo. Mas se é certo que por vezes arrepiava caminho de forma mais ou menos unilateral, também é verdade que noutras tantas vezes se assim não fosse as coisas, as vontades e as obras não avançavam, à espera, tantas vezes, de quem não decidia. E dessa forma, por si ou bem ajudado, e outros mais velhos saberão disso melhor que eu, certo é que contribuiu para se fazer muitas coisas, porventura grandes demais para a pequena dimensão da freguesia. O Manuel Paiva tinha essa matriz, de pensar de forma objectiva e sempre para a frente. Foi nesse espírito que no plano pessoal foi sempre um homem de comércio e negócios bem sucedido, tendo até ficado com o apelido de "Manel do Negócio" e logo bem cedo na nossa terra quando instalou a pequena "Casa Notícia", ali no Largo de Casaldaça, no que era um pequeno espaço de garagem de um automóvel. 

Por tudo isto, pela sua forma de fazer as coisas no que diz respeito à freguesia, tinha de muitos  o justo reconhecimento do seu valor mas também alguns que tinham um entendimento diferente e pouco apreciadores desse estilo muito individualizado. Disso poderá falar bem melhor e com conhecimento de causa quem com ele directamente trabalhou, sobretudo no que diz respeito ao Guisande Futebol Clube. Nesse plano, apesar de termos tido sempre uma boa relação pessoal e de consideração mútuas, não tive a oportunidade de com ele trabalhar. Mas não foi por acaso que teve o papel que teve na vida do clube e se há várias outras figuras que também deram contributos valiosos, dedicados e resilientes, ninguém de boa fé, e sobretudo com o filtro do tempo, pode negar ou apoucar o papel e importância que teve o Manuel Rodrigues de Paiva na vida do Guisande Futebol, Clube, sobretudo nesses anos que remetem para a fundação e para as obras do actual campo de jogos e da sua consolidação.

Deste modo, sem esquecer outras importantes figuras que tanto deram ao clube, como directores, sócios e atletas, parece-me justo trazer hoje e aqui à memória a figura do Manuel Rodrigues de Paiva.


Já agora e a propósito da data, relembro aqui os subscritores da escritura de fundação do Guisande F.C. em 31 de Outubro de 1979:

Assinaram Manuel Rodrigues de Paiva, Júlio César dos Santos Alves, José Pires de Almeida Saraiva, Elísio Elísio Alcino Ferreira dos Santos, António de Oliveira Bastos, José de Almeida Peixoto, Valdemar Ferreira de Pinho, Domingos da Conceição Lopes e Elísio Gomes da Mota.

Certamente que poderiam fazer parte do grupo de subscritores nesta escritura outras figuras importantes no clube, mas não constam apenas porque na data ou estariam ausentes ou impossibilitados por outros motivos. Isto para salientar que há nomes que tiveram igual ou maior importância na vontade e acto fundador do nosso clube mesmo que não constem no documento. De resto, dos que assinaram, até vejo ali um ou outro cujo papel ao serviço do clube terá sido meramente circunstancial e sem qualquer relevo na vida e obra do clube. Seja como for, constam do momento e do documento e a história por vezes também se faz destas circunstâncias mesmo que na prática tenham tido pouca relevância no fundamento.

22 de outubro de 2023

A Sr.ª Iria e o Pe. José Oliveira

 



Decorreu na manhã deste Domingo, 22 de Outubro, o funeral da Iria Santos da Conceição. Foi uma longa vida (96 anos) que teve a graça de receber de Deus.

Pela data e horário, esperava eu que fosse mais participado pela comunidade. Talvez por ser de poucos conhecida (excepto os mais velhos) e por há longos anos viver em Lisboa.

Pessoalmente também não gosto de funerais, por razões óbvias, porque de pesar e tristeza, seja pela partida mais ou menos esperada ou inesperada de familiares ou de gente nossa, da nossa comunidade.

Assim, até por razões de trabalho e com os horários dos funerais pouco adequados a quem tem horários e compromissos de emprego, também não participo em todos mesmo que de uma forma ou outra, procure transmitir os sentimentos aos familiares, sobretudo aos mais chegados.

Apesar disso, e sem qualquer ponta de moralismo, porque sou fraco exemplo, verifico que para além dos mais velhos da nossa comunidade, e dos familiares por razões óbvias, nos funerais na nossa comunidade quase não se vê a participação de jovens ou mesmo adultos na casa dos 35/50 anos. Ora se em dias de semana há uma natural justificação, já em dias de fins de semana, sábados e domingos, a razão é menos válida.

Claro que cada um faz como quer e nestas coisas em nada somos obrigados. Liberdade acima de tudo. Mas se entendemos a participação num funeral como um gesto de solidariedade fraterna para com gente da nossa comunidade, em momentos de dor, perda e tristeza, então neste aspecto, no geral estamos a ser pouco solidários e participativos. Ainda não é caso para tanto, mas a este ritmo, não tardará que as cerimónias de exéquias sejam só participadas por familiares e um ou outro amigo mais chegado, dos falecidos ou dos familiares.

Em todo o caso, em Guisande, mesmo havendo notoriamente gente que não vai a funerais, no geral ainda são bastante participados no que denota ainda um espírito positivo de fraternidade comunitária, respeito e solidariedade pelos seus elementos.

Quanto à Sr.ª Iria, conversei com ela pessoalmente umas três ou quatro vezes, algumas por telefone e quem a conhecia sabe que tinha a tendência de nos prender e de um assunto simples falava-se largos minutos.

Das duas últimas vezes que falamos, uma por telefone e outra pessoalmente, como então eu fazia parte da Junta da União de Freguesias, confessou-me que gostaria de ver atribuída à actual Rua dos Quatro-Caminhos, da Gândara ao lugar de Azevedo, o nome do Pe. José Oliveira, por ter ele nascido ali no lugar da Gândara, bem ao lado do caminho que hoje é a tal rua.

Pela minha parte considerei a proposta e até disse que achava muito bem, já que o Pe. Oliveira foi uma figura notável da freguesia, mesmo que desconhecida para as actuais gerações. Na altura, como mero vogal sem quaisquer competências, transmiti o assunto ao presidente que, alegando dificuldades e transtornos na mudança, não mostrou interesse. Poderia, pelo menos, ter tentado e promovido a consulta aos moradores, que com legitimidade poderiam ou não concordar com a mudança e aceitar ou não os inconvenientes dela, nomeadamente pela actualização de dados de morada em diferentes instituições. Ficou, pois, por concretizar essa possibilidade e vontade proposta pela Sr. ª Iria e que, também concordando eu com ela, de algum modo seria de justiça por relembrarmos o nome, vida e obra do Pe. José Oliveira, um filho da terra, gente nossa.

Nunca é tarde, seja pelo nome da rua ou por outra iniciativa, para dar destaque a essa figura nascida no lugar da Gândara.

Mas, em abono da verdade, fica aqui partilhada essa vontade manifestada de forma interessada pela Sr. Iria. Mesmo que não tivesse sido concretizada, da sua proposta e vontade saberá disso, estou certo, o Pe. Oliveira.

Que Deus a guarde!


20 de outubro de 2023

Fotos com história


20 de Agosto de 1962 - Passam hoje 61 anos sobre o registo desta fotografia.

Da Sr.ª Lúcia, sobra a saudade. Que Deus a tenha! Do Ti Alcino, ainda por cá na caminhada da vida. Permitir-me-à que partilhe um momento que certamente foi de felicidade para ambos, então jovens, acabados de casar. Foi em 20 de Outubro de 1962, num Outono soalheiro. Por esses dias, estava eu a espernear,  para ver a luz dali a poucos dias.

Não deixa de ser curioso que o Ti Alcino esteja a abrir a porta do carrão conduzido pelo saudoso Ti Elísio Santos, que os aguardava, sabendo-se que na sua profissão, como ajudante de motorista e revisor da empresa de transportes de passageiros "Feirense", tenha, pode-se dizer, levado a vida a abrir as portas  a senhoras, como bom profissional e cavalheiro. Até mesmo nos muitos passeios de autocarro que organizou, ajudou tantas vezes a abrir as portas dos fundos para o assalto aos farnéis.

Gente nossa. Gente boa!

15 de outubro de 2023

A ilustre Casa da Quintão


Não sabemos e creio que em rigor ninguém saberá ao certo a origem da Casa da Quintão, no lugar do Outeiro aqui na freguesia de Guisande, porque mais que as casas que em determinada altura são edificadas, há por detrás delas a origem das famílias e esta muitas vezes tem raízes bem mais remotas no tempo.

À falta desse ponto de origem, no que seria a nascente mais profunda, comecemos pelo menos pela figura de Custódio António de Pinho, que sabemos que ali pelo final do séc. XIX foi o seu principal proprietário e que desse ramo se originou muita gente até aos dias de hoje e ainda por Guisande com vários descendentes. Desde logo, no portão principal de acesso ao que era então toda a vasta quinta, ainda lá está a inscrição do nome e data: "CUSTÓDIO A. DE PINHO - 1881".

Tenho para mim, todavia, que antes das obras que terão dado lugar à colocação do portão a assinalar o proprietário e data, existiriam já construções muito mais antigas e que depois terão sido ampliadas e melhoradas à altura da importância do proprietário e da sua abastada casa e quinta. 


Custódio António de Pinho nasceu em 21 de Fevereiro de 1846 no lugar do Outeiro, freguesia de Guisande. Era filho de Manuel António de Pinho e Maria Rosa de Jesus. Era neto paterno de Manuel António de Pinho e Josefa Francisca de Sá (do lugar de Vila seca - Louredo) e neto materno de António Fernandes e Maria Luíza (de Azevedo - S. Jorge). Faleceu em 7 de Fevereiro de 1926.

Foi baptizado em Guisande no dia 28 do mesmo mês e ano. Teve como padrinhos de baptismo o Pe. Rodrigo António Pereira de Vabo Sá Coutinho (de Barcelos) com procuração a José Martins de Sá (de Duas Igrejas) e Ana Maria (do lugar de Carvalhas - Vale). Foi testemunha um Januário, criado do pai do baptizado, o qual também teve um filho de nome Custódio, nascido no dia 1 de Maio de 1859 e cujo padrinho foi o próprio Custódio António de Pinho, apesar de na altura só ter 10 anos.

Este criado da Casa da Quintão, Januário José de Oliveira era casado com Maria Fernandes, sendo filho de Manuel de Oliveira e de Mariana Gomes (de Tozeiro - Louredo). A sua esposa era filha de  António José Fernandes e Fabiana Alves (de Azevedo - S. Jorge). 

O padrinho de baptismo de Custódio António de Pinho, o reverendo Pe. Rodrigo António Pereira do Vabo de Sá Coutinho, da vila de Barcelos, faleceu com 83 anos em 22 de Janeiro de 1880, na rua da Madalena, em Barcelos. Creio que a ligação ao baptizado se prende à família Sá da avó materna, de Vila Seca - Louredo. Em todo caso, tendo em conta a sua qualidade de sacerdote atesta de algum modo da importância social das famílias envolvidas neste nascimento do Custódio António de Pinho.

Custódio António de Pinho casou em 4 de Setembro de 1869, por isso com 23 anos de idade, com Joaquina Maria Baptista de Jesus (do lugar da Quintã da freguesia de Lobão), filha de Manuel Caetano Cardoso e Maria Rosa da Mota. Foram testemunhas o Pe. José Ferreira Coelho e o irmão da noiva, Manuel Caetano Cardoso Baptista. A cerimónia decorreu na Sé Catedral do Porto. A esposa de Custódio António de Pinho faleceu em 3 de Novembro de 1923 com 80 anos de idade. Por sua vez, Custódio António de Pinho faleceu viúvo em 7 de Fevereiro de 1926, também com 80 anos de idade.

Do assento de casamento de Custódio e Joaquina Maria, escrito pelo pároco de então, o abade Manuel Ferreira Pinto, supreende que o mesmo se resuma literamente a nove linhas sendo que os anteriores e posteriores assentos têm o triplo disso. Presumo que por ser apenas uma curta referência já que o assento completo poderia ficar agregado à Sé Catedral, onde se realizou a cerimónia.

Do que consegui apurar, este Custódio António de Pinho teve uma irmã, a Custódia, nascida a 13 de Janeiro de 1839, por isso mais velha. Até ao momento não consegui pesquisar descendência desta ou se a teve.

Custódio António de Pinho teve vários filhos e filhas, dos quais consegui apurar:

Maria, nascida a 17 de Novembro de 1869 (pela idade de nascimento desta que terá sido a primeira filha, constata-se que a esposa de Custódio António Baptista de Pinho casou grávida de quase 7 meses). Faleceu esta Maria em 21 de Novembro de 1871, por isso com apenas 2 anos de idade. No assento de óbito indica 3 anos de idade, pelo que está errado.

Manuel Baptista de Pinho, nascido em 4 de Abril de 1871. Faleceu menor, com cinco meses, em 29 de Setembro de 1871.

Custódia de Pinho Baptista, nascida em 19 de Setembro de 1873. Faleceu com 21 anos em 13 de Outubro de 1894.

Ermelinda, nascida em 4 de Março de 1876.

Esta Ermelinda casou  com Manuel Inácio da Costa Silva Júnior, de Pigeiros, em 19 de Julho de 1898 Este Manuel Inácio era neto paterno de Manuel Inácio da Costa e Silva e de Margarida Henriques de Jesus (esta de Romariz), tendo falecido em 13 de Dezembro de 1962.

Ermelinda e Manuel Inácio foram pais de Joaquim Inácio da Costa e Silva, o qual  em 18 de Fevereiro de 1943 veio a casar com Laurinda Resende Moreira, da Casa do Moreira do lugar da Igreja - Guisande, conhecida como D. Laurindinha e de cuja família já aqui publicamos apontamentos. 

António Baptista de Pinho, nascido em 18 de Março de 1877. 

Este António casou com Madalena Fontes de Oliveira, natural do Vale, em 6 de Agosto de 1937, por isso tardiamente, já com 60 anos. Faleceu em 7 de Fevereiro de 1950. A Madalena, a esposa deste António Baptista de Pinho, nasceu em 25 de Janeiro de 1901, por isso mais nova 24 anos que o marido. Era filha de António Francisco de Oliveira e de Ana Ferreira de Fontes, esta natural de Romariz. Era neta paterna de Domingos Francisco de Oliveira e de Rosa Maria de Oliveira e neta materna de Manuel Ferreira de Fontes e de Ana dos Santos. Faleceu em 29 de Maio de 1984, com 83 anos de idade, sobrevivendo ao marido por cerca de 34 anos.

António e Madalena tiveram 3 filhos: O Custódio, já falecido, a  Isabel, professora primária, que ainda vive na freguesia do Vale e o Pe. Eugénio, que ainda vive e é pároco da freguesia de Louredo, onde habita.

Bernardo Baptista de Pinho, primeiro de nome, nascido a 25 de Março de 1878.

Maria, nascida em 24 de Abril de 1879, segunda de nome pelo que à data do seu nascimento havia falecido a primeira de nome.

Bernardo Baptista de Pinho, segundo de nome, nascido em 13 de Julho de 1880.

Maria, nascida em 23 de Fevereiro de 1882, terceira de nome pelo que antes do seu nascimento faleceram as anteriores irmãs com o mesmo nome.

Joaquim Baptista de Pinho, nascido em 24 de Fevereiro de 1883.

Joaquim Baptista de Pinho, segundo de nome, nascido a 10 de Junho de 1884.

Custódio Baptista de Pinho, primeiro de nome.

Custódio Baptista de Pinho, segundo de nome, nascido em 24 de Setembro de 1885. 

Este Custódio dos bens dos pais terá sido o herdeiro da própria Casa da Quintão. Casou com Maria Gomes da Costa (da freguesia do Vale), filha de António Pereira da Costa e de Ermelinda Gomes de Jesus. Desta ficou viúvo em 15 de Agosto de 1928, quando a esposa tinha 44 anos, pelo que casou em segundas núpcias em 25 de Novembro de 1933 com Margarida Gomes de Oliveira, de 41 anos, filha de Tomázia Gomes de Oliveira 

Este Custódio Baptista de Pinho teve vários filhos e filhas dos quais consegui apurar:

Abel, do primeiro casamento de seu pai, nascido em 5 de Setembro de 1909. Casou com Eugénia de Castro Cochofel Montenegro (de Souselo - Cinfães) e passou a viver em Burgo - Arouca. Ficou viúvo da sua esposa em 4 de Dezembro de 1960. casou em segundas núpcias com Ernestina da Conceição Rocha, de 51 anos, em 30 de Janeiro de 1961. Faleceu em 9 de Fevereiro de 1990 em Burgo - Arouca.

Maria da Anunciação da Costa e Pinho, nasceu a 6 de Agosto de 1911. Veio a casar comAntónio Alves Santiago da Casa Santiago do lugar das Quintães, outra ilustre casa  e família da nossa freguesia. Teve o casal vários filhos de entre os quais o Custódio, nascido a 8 de Setembro de 1930 e falecido em Fevereiro de 2017, a Margarida Elsa, nascida a 8 de Novembro de 1931 e falecida em Setembro de 2019, a Maria Idília, nascida a 13 de Outubro de 1932, a Eugénia, nascida em 13 de Setembro de 1933, o Joaquim, primeiro de nome, nascido a 8 de Outubro de 1934, a Miquelina da Conceição, nascida a 30 de Outubro de 1936, o Joaquim, segundo de nome, nascido a 15 de Janeiro de 1939  e falecido a 13 de Janeiro de 2022, o José, nascido a 18 de Março de 1942 e que casou em Palmaz com Jerónima Gomes de Sousa Pinho,  a Maria, o  Pe. António,  a Isaura, nascida em 18 de Dezembro de 1949 e o Alberto. 

Idília Augusta, nascida a 26 de Fevereiro de 1913. Casou em Louredo com Américo Moutinho.

Laura Cristina, nasceu a 21 de Maio de 1914. 

Custódio Baptista da Costa Pinho, nasceu a 3 de Julho de 1916. Casou com Maria Amélia Gomes da Silva. De filhos pesquisei o António Gomes da Silva Pinho, nascido a 13 de Dezembro de 1950 e a Maria Isabel nascida em 18 de Dezembro de 1952 e que casou em Lourosa com Alberto Pereira da Silva.

Maria Idília Gomes de Pinho, filha da segunda esposa (Margarida Gomes de Oliveira), que nasceu a 21 de Setembro de 1934.  Teve como madrinha de baptismo a sua meia irmã Idília Augusta. Veio a casar com o António Ribeiro da Silva (Ti António do Canto) em 19 de Janeiro de 1957. Tiveram vários filhos como a Maria do Carmo, esposa do José de Almeida Peixoto, a Maria de Fátima, esposa do Fernando Rodrigues, o Custódio, a Alda e o Américo Eugénio. O António Ribeiro da Silva nasceu emm 28 de Agosto de 1931 e faleceu viúvo em 14 de Julho de 2022. A Maria Idília faleceu em 01 de Maio de 2015.

Bernardo Baptista de Pinho, terceiro de nome, nascido a 25 de Março de 1888.

Não consegui apurar se houve ou não mais filhos de Custódio António de Pinho, sendo que pelo número e hiato de tempo entre o primeiro e último filho que consegui pesquisar (19 anos), será de presumir que não houve mais, e não foram poucos, incluindo os que pelo meio faleceram.

A Casa da Quintão:

Quanto à casa propriamente dita, é na actualidade uma triste e desolada figura do que foi no passado. Como resultado das partilhas entre os muitos filhos e depois netos, foi dividida a quinta e mesmo a casa passou a ter vários donos e encontra-se desde há muito em estado de pouco mais que uma ruína.. Por motivo do seu fraccionamento por vários herdeiros, fizeram-se ali intervenções que só a descaracterizaram. No terreno entre a estrada e a casa, antigamente com um alto muro à face do velho caminho, construíram-se duas casas e ficou assim ali relegada para uma posição modesta, quase escondida.

Conforme se vê pela imagem abaixo, a casa é sensivelmente de formato quadrangular com um pátio central aberto e existe do lado sudoeste um conjunto de edificações que teriam funções complementares, de habitação de criados e de arrumos e onde se encontrava lagar e prensa de uvas. Do antigo caminho que ladeava a quinta pelo lado nascente, do lado mais a sul abre-se um portão que conduz por uma curta alameda outrora coberta por ramada de videiras até à casa.

Do lado noroeste existe espigueiro com ampla eira e aprópria casa-da-eira e dispõe de acesso para um caminho do lado norte e que há anos foi transformado em rua a que agora se chama de Rua da Quintão, embora, erradamente, apereça na foto abaixo como Quintães.

Dispunha ainda a quinta de moinho, tranques vários, etc. De facto uma ampla e rica quinta que por todo um conjunto de situações, contextos e vicissitudes é hoje apenas um trsite vislumbre do que já foi nos seus melhores tempos.


Vista aéra da Casa da Quintão

Foi pena que entre os diferentes herdeiros não resultasse um sentido comum de preservação, como tem acontecido noutras importantes casas. Veja-se que a casa do Dr. Inácio, no lugar da Igreja, continua ainda como uma unidade entre os diferentes herdeiros. 

A antiga e ilustre Casa da Quintão hoje poderia ser um belo espaço tipo hotel de turismo rural ou espaço de realização de eventos. Não lhe faltavam argumentos e peso da história.

Infelizmente as coisas são como são e não é caso único. O que não falta por aí são tristes amostras de passados ilustres de casas de lavradores abastados, solares e palacetes em ruínas. Até mesmo em Guisande pois, infelizmente, a casa de meus avôs paternos e agora parte do que herdou o meu pai, é um outro triste exemplo de que o fraccionamento por vários herdeiros de casas antigas só concorre para as dificuldades de obras de requalificação, ou simplesmente de conservação, porque dependentes de vontades e disponibilidades das partes o que nem sempre resulta e tantas vezes motivos de diferendos.

Por parte das entidades locais e nacionais também nunca houve políticas sérias que promovessem a salvaguarda, preservação e valorização deste tipo património arquitectónico rural. Muitas vezes classificam imóveis ou património de interesse nacional ou local, é certo, mas quanto a apoio concreto, traduz-se em nada, em zero ao quadrado. Tal classificação, porque é restritiva e sem soluções, é tantas vezes o motivo primeiro da degradação e da ruína deste tipo de edifícios. Por conseguinte há uma culpa e responsabilização colectiva.

Há algum tempo a casa e a quinta, ou o que restam delas, estavam a ser promovidas em sítios de vendas. Esperemos que o conjunto do que resta venha a ser vendido e adquirido por alguém com capacidade e bons propósitos quanto ao aproveitamento  das suas capcidades e respeito pelo seu passado.






Vista actual do portão de acesso à Casa da Quintão


Canastro (espigueiro) e casa da eira com vista do lado norte
 
Nota: As imagens abaixo foram copiadas de sítios de promoção de venda de imóveis, publicadas de forma pública.
 















Nota final: Os apontamentos aqui escritos, por dificuldades várias e escassez de documentos podem padecer de alguns erros ou imprecisões ou omissos quanto a alguns dados como nomes de familiares e datas. Por conseguinte baseiam-se apenas no que foi pssível pesquisar. Quaisquer informações que possam servir para completar ou corrigir são bem-vindas.

13 de outubro de 2023

O Ti Joaquim do Viso

A começar por mim, que já não sou propriamente novo, poucos o sabem, porque os que sim, ou são velhinhos e já com as memórias enferrujadas e se mesmo que disso se lembrem e o digam a alguém, poderão não ser levados a sério. Infelizmente na nossa sociedade que se vai desenvolvendo numa matriz egocêntrica, com gente nova, fresca e cheirosa, não há lugar para ter em conta os mais velhos, porque chatos, rabugentos e dependentes, sempre a precisarem de médico e de que os lembrem de tomar os medicamentos.

Mas dizia que, poucos o sabem, mas ainda quem sabe e se lembra, a começar pela minha mãe, com os ossos moídos mas ainda com boa memória, dizem que o meu avô paterno, o Ti Joaquim do Viso, era uma alma caridosa e amiga dos pobres e talvez por isso, de um vasto património que fazia da casa uma das mais abastadas na freguesia, teve que partilhar pelos filhos o que ainda tinha enquanto foi a tempo, para que cada um tomasse conta da sua parte e fizesse pela vida, porque ele velho, cansado e doente, atacado com o bronquite que o levaria, não podia nem queria ver a casa a decair.

Mas então ainda diz quem sabe, que todas as sextas-feiras naquela casa, bem por detrás da capela do Viso, era dia alegria porque se matava a fome aos jornaleiros que trabalhavam na casa, ainda aos pedintes que vinham mesmo de outras freguesias e ainda criançada do lugar e arredores, do Viso, Cimo de Vila e mesmo de Estôze, que de pobres e por serem tantos, passavam fome e privações nas suas casas.

Assim, todas as sextas-feiras, enquanto foi vivo, cozia-se uma grande fornada de pão e na larga lareira fazia-se um panelão de boa sopa, não apenas com água e couves como era normal, mas com substância, com gordura, alguma carne de porco e massa.

Era, pois, um banquete frugal mas generoso para toda aquele gente irmanada na pobreza e fome e que se dispunha à volta da larga mesa na ampla cozinha.

Diz a minha mãe, sua nora, e quem o conheceu, que se há céu e recompensa para quem faz o bem nesta terra, há muito que, desde que faleceu numa véspera de Natal de 1965, está na companhia dos santos.

Mas destas coisas e destas obras, mesmo que simples, não se faz história e por conseguinte daqui a mais alguns anos não há viva alma que ainda tenha isso presente.

Foi ainda padrinho de muita gente de Guisande, o que eu já desconfiava pois quando era criança por onde passasse interpelavam-me dizendo que eram ou tinham filhos  afilhados do meu avô. Então, achava estranho que fossem tantos.

Não o conheci, porque quando faleceu estava eu, com pouco mais que 3 anos, a começar o livro da vida e a registar as primeiras memórias mas sendo que há coisas feitas há uma dúzia de anos e já esquecidas, tenho ainda vincadas algumas imagens  relacionadas ao meu avô, como quando acabado de se levantar da cama, arrumava o brazido da lareira quente, como a fazer um ninho, e lá colocava um pão a aquecer.

Joaquim Gomes de Almeida, conhecido como Ti Joaquim do Viso, por ser do lugar do Viso, embora já no início do lugar de Cimo de Vila, na freguesia de Guisande, nasceu em 27 de Abril de 1885 e foi baptizado em  3 de Maio desse mesmo ano. Era filho de Raimundo Gomes de Almeida (meu bisavô), também do considerado lugar do Viso, Guisande, e de Delfina Gomes de Oliveira (minha bisavó), do lugar de Casal do Monte, freguesia de Romariz. Faleceu o meu avô em 23 de Dezembro de 1965.

O meu avô casou com 30 anos de idade, em 2 de Julho de 1916  com Maria da Luz, de 24 anos,  nascida em 18 de Novembro de 1890, sendo filha de José Joaquim Gomes de Almeida e de Maria da Conceição de Jesus, então moradores no lugar do Viso. Faleceu em 15 de Novembro de 1967 com 77 anos de idade. Tinha eu 5 anos pelo que tenho ainda algumas lembranças dela.

Tiveram 4 filhos e 4 filhas, sendo que uma faleceu menor. Destes um era o meu pai e o mais novo dos rapazes, o tio Neca, completou 100 anos de vida no passado Sábado. É ainda viva a tia Laurinda, já a passar dos 90.

Outros, na sua posição de proprietário e pessoa a saber escrever, a ler e a fazer contas, usaram da ignorância, das dificuldades e miséria de alguns para lhes retirar bens e terras e com isso crescer e aumentar patrimónios. Num tempo em que a generalidade das pessoas tinham como valores a honra a palavra e o trabalho, houve sempre alguém com poucos escrúpulos a usarem de estratagemas, manhas e artimanhas para deles abusarem. Meu avô, porêm, pertencia à casta dos que preferiam empobrecer do que subtrair o pouco a quem tinha nada. 

Fica aqui este simples registo para a posteridade de um homem bom, de bom samaritano em tempos agrestes e de vacas magras, que na sua bondade e bom coração ajudou a mitigar a fome a muitos. 

9 de outubro de 2023

Família Leite Resende - Trás-da-Igreja


D. Laurinda Resende e Dr. Joaquim Inácio

A descendência de um ramo da família Leite Resende, relacionada ao lugar designado, noutros tempos, de Trás-da-Igreja, ou mesmo Detrás-da-Igreja, mas actualmente apenas na forma simplificada de lugar da Igreja, é uma das mais importantes e consideradas da nossa freguesia. A mim parece-me interessante sob um ponto de vista documental e mesmo genealógico dispensar-lhe alguns apontamentos. Na actualidade relacionamos esta família à Casa do Dr. Joaquim Inácio.

A importância desta família, como de outras similares e noutras aldeias, naturalmente decorre da sua  posição social no contexto da freguesia, mas porventura terá sido de forma mais notória noutros tempos quando os extractos sociais eram mais vincados. Nesses tempos em que a subsistência da maioria das pessoas dependia das terras e do rendimento que retiravam delas, fosse na parte agrícola ou nos matos e pinhais, logo quem as possuía em quantidade era considerado como proprietário e a sua família como abastada.

Em regra, pela quantidade de propriedades, sobretudo as agrícolas, e face à incapacidade da própria família as explorar no seu todo, até porque, com recursos, os filhos em regra eram destinados a seguir estudos e formações académicas superiores, estas, pela sua disponibilidade, eram arrendadas a caseiros que assim as agricultavam mas pagando uma renda anual, eventualmente em dinheiro mas, à escassez deste, quase sempre com os próprios frutos da terra. Assim, dependendo das características e dimensões do campo, uns pagariam com um certo número de alqueires de milho, de feijão, centeio e mesmo de uvas. O meu pai, apesar de possuir como seus vários campos, como a família a manter era grande, chegou também a ter um tomado de renda a esta família da Casa do Dr. Joaquim Inácio e cuja renda era paga anualmente pelas vindimas com um determinado número de jigas de uvas, mais tarde convertidas em sacos. No caso eram uvas brancas que depois de vindimadas eram transportadas para a casa do senhorio e depositadas em lagar. Não raras vezes os caseiros ainda ajudariam na pisa.

Mais tarde o campo, que para além de uma extensa ramada de vinho que o circundava, era pouco produtivo, foi entregue e sem quem o cultivasse depressa se transformou em mato e hoje em dia está ocupado com parte de uma plantação de eucaliptos promovida pela família.




Casa da família do Dr. Joaquim Inácio



Espigueiros pertencentes à casa.

A esta família, que como todas as outras vão sofrendo alterações ao longo dos tempos, desde logo pela renovação das gerações, o povo de Guisande refere-se como a Casa do Dr. Joaquim Inácio, sendo que este nome a ela só é incorporado numa fase tardia e com ligação por via de casamento e não por descendência directa. Há algumas décadas atrás era mais conhecida pela Casa do Sr. Moreira, que era o pai da D. Laurinda Moreira de Resende e sogro do Dr. Joaquim Inácio da Costa e Silva.

D. Laurinda Moreira de Resende

Laurinda Moreira de Resende, que muitos de nós ainda conhecemos, carinhosamente como D. Laurindinha, era uma figura muito respeitada na freguesia, sendo depois da morte do marido, Dr. Joaquim Inácio, a matriarca da casa e da família.

Laurinda Moreira de Resende nasceu no dia 20 de Novembro de 1917. Faleceu em 1 de Março de 2009. Era filha de Manuel da Costa Moreira e de Maria da Conceição Leite de Resende. A sua mãe, era a terceira filha de nome de Bernardo Leite Resende e de Margarida Rodrigues Pereira (de Fiães). Era neta paterna de José Leite de Resende e de Teresa Maria de Jesus e neta materna de João Pereira e Josefa Rodrigues de Oliveira.


No jazigo capela da família, existente no cemitério de Guisande, obra de cantaria e escultura do meu bisavô materno (Raimundo José da Fonseca), seu pai e irmãos (que foram do lugar do Carvalhal - Romariz), existe ali a lápide (conforme imagem acima) com os nomes de Margarida Pereira de Resende, avô paterna da D. Laurinda, e de Josefa Rodrigues Pereira, sua bisavó.

O avô materno da D. Laurinda, Bernardo Leite de Resende, como se disse atrás era filho de José Leite de Resende e de Teresa Maria de Jesus. Por sua vez este José Leite de Resende, de que temos nota de ter tido uma irmã de nome Custódia, falecida em 9 de Novembro de 1773, era filho de Manuel José de Resende e de Mariana da Silva (trisavôs maternos da D. Laurinda). Como irmã deste José consegui identificar uma Ana Maria que nasceu em 22 de Março de 1878. Por sua vez, este Manuel José de Resende, era filho de Bartolomeu José de Resende e de sua segunda mulher Josefa Maria de Resende (tetravôs maternos da D. Laurinda). Mariana da Silva, a esposa de Bernardo, era filha de Manuel da Silva e de Ana Fernandes.

Este Bartolomeu José de Resende e a sua mulher Josefa tiveram ainda duas filhas gémeas, a Maria e a Ana, nascidas a 30 de Outubro de 1730 e baptizadas em 2 de Novembro do mesmo ano. Como curiosidade, a Maria teve como padrinho o Pe. Manuel Gomes de Pinho, irmão da mãe, a Josefa, e então pároco da Santa Maria de Arrifana. Por sua vez a Ana também teve como padrinho um sacerdote, o Pe. Manuel Alves da Conceição, natural de Guisande e morador no lugar de Cimo de Vila.

Quanto a Maria Teresa de Jesus, esposa do José Leite de Resende, era filha de Veríssimo Fernandes dos Santos e de Maria Ferreira. 

Ainda quanto ao José Leite de Resende e Teresa Maria de Jesus, bisavôs maternos da D. Laurinda, para além do Bernardo Leite de Resende (seu avô materno), tiveram outros filhos, dos quais apurei o José Leite de Resende, nascido em 5 de Maio de 1806 e que casou em 28 de Setembro de 1846 com Maria Pinto de Almeida (esta falecida em 4 de Junho de 1869 com 56 anos), sendo esta filha de Manuel Caetano dos Santos e de Maria Joaquina, do lugar de Estôse; o António Leite de Resende, nascido em 28 de Maio de 1808, a Maria, a Ana, o Joaquim, nascido em 8 de Junho de 1811 e que casou em 23 de Janeiro de 1857 com Maria Felizarda Gomes, esta filha de Francisco de Paiva e de Ana Margarida, de Cimo de Vila, e o Domingos nascido em 26 de Maio de 1816.

Destes nomes acima, filhos de José Leite de Resende e Teresa Maria de Jesus, o António Leite de Resende, nascido em 28 de Maio de 1808, falecido em 17 de Dezembro de 1871, veio a casar  em 27 de Maio de 1856 com uma descendente da Casa do Loureiro, da Barrosa, a Margarida Felizarda de São José Gomes de Almeida, que foram os pais de, entre outros, da Teresa, nascida em 1 de Abril de 1860, a Maria e o Raimundo Almeida de Leite Resende, este que foi pai, de entre outros, da D. Anunciação de Leite Resende, de que aqui já falámos.

Quanto à mãe da D. Laurinda, a Maria da Conceição Leite de Resende, como já ficou dito atrás, era a terceira filha de nome de Bernardo Leite Resende e de Margarida Rodrigues Pereira (de Fiães). Nasceu em 20 de Agosto de 1883 e faleceu em 14 de Dezembro de 1956. Casou com Manuel da Costa Moreira,  em 14 de Junho de 1916.

Os pais da D. Laurinda, Manuel da Costa Moreira e Maria da Conceição Leite Resende

Manuel Moreira da Costa, pai de D. Laurinda, era natural do lugar de Goim da freguesia de Romariz. Nasceu em 8 de Dezembro de 1890. Era filho de António da Costa Moreira e de Delfina Rodrigues de Oliveira. Era neto paterno de Manuel Alves Moreira  e de Maria Josefa Rodrigues. Era neto materno de Manuel José Rodrigues de de Rosa de Oliveira. Faleceu viúvo em 18 de Fevereiro de 1962. Este Manuel da Costa Moreira foi padrinho de baptismo do meu tio paterno Manuel Joaquim Gomes de Almeida (acabado de completar 100 anos de vida - 7 de Outubro de 2023).


O Sr. Moreira com o seu automóvel, defronte da sua casa, com o Pe. Francisco - Anos 40. O Sr. Moreira foi sempre uma pessoa de proximidade do Pe. Francisco.


O Dr. Joaquim Inácio da Costa e Silva al lado do Pe. Francisco - 1979

A D. Laurinda veio a casar em 18 de Fevereiro de 1943 com o Dr. Joaquim Inácio da Costa e Silva, do lugar de Aldeia da freguesia de Pigeiros, também proveniente de uma importante família e que por lá ainda tem descendentes. Era filho de Manuel Inácio da Costa Silva Júnior e de Ermelinda  Baptista de Pinho, que casaram em 19 de Julho de 1889. Era neto paterno de Manuel Inácio da Costa e Silva e de Margarida Henriques de Jesus (esta de Romariz). Era neto materno de Custódio António de Pinho e de Joaquina Maria Baptista de Jesus, da Casa da Quintão, do Outeiro - Guisande.

Por parte de seu avô, era sobrinho do reverendo Pe. António Inácio da Costa e Silva, que nasceu em 17 de Julho de 1864 e faleceu em 18 de Julho de 1938. Foi pároco da sua terra natal onde se encontra sepultado.


O Pe. José Inácio da Costa e Silva, tio paterno do Dr. Joaquim Inácio


Era ainda, pelo mesmo ramo, igualmente sobrinho do Pe. José Inácio da Costa e Silva, nascido em 21 de Junho de 1872 e que faleceu em 12 de Março de 1944, com 74 anos de idade, encontrando-se sepultado em Pigeiros. Este sacerdote foi pároco em Fermedo-Arouca e em Caldas de S. Jorge desde 1905 a 1939.

Ainda quanto a clérigos na família. o Dr. Joaquim Inácio teve um irmão sacerdote, o Pe. António Inácio da Costa e Silva Júnior, nascido em 6 de Junho de 1899. Chegou a ser pároco na freguesia do Vale. O ainda vivo e pároco de S. Vicente de Louredo, Pe. Eugénio de Oliveira e Pinho, é primo do Dr. Joaquim Inácio, já que é filho do seu tio António Baptista de Pinho.

Ainda da família Leite Resende, existiu o Pe.Manuel Leite de Resende, que nasceu em 4 de Setembro de 1758. Era filho de Manuel José de Resende e de Mariana da Silva (trisavôs maternos da D. Laurinda). Era neto paterno de Bartolomeu João e de sua segunda mulher Josefa Maria de Resende. Era neto materno de Manuel da Silva e de Ana Fernandes, do lugar da Lama. Era  irmão do Pe. José Leite de Resende, este nascido em 19 de Setembro de 1766.  

A mãe do Dr. Joaquim Inácio da Costa e Silva, Ermelinda  Baptista de Pinho, era de Guisande, filha de António Custódio de Pinho, da Casa da Quintão, do lugar do Outeiro.

O Dr. Joaquim Inácio da Costa e Silva era advogado com escritório na Vila da Feira. Era uma importante figura em Guisande. Após as primeiras eleições autárquicas realizadas depois do 25 de Abril de 1974, concretamente em 12 de Dezembro de 1976, chegou a ser presidente da Mesa da Assembleia de Freguesia de Guisande, entre 1976 e 1979.

Foi sempre o Dr. Joaquim Inácio uma figura respeitada e estimada pelos guisandenses e ajudou em muito ao desenvolvimento da freguesia, cedendo parcelas de terreno para benefício de abertura e alargamento de ruas bem como possibilitou a venda, a preços justos, de várias parcelas onde alguns guisandenses puderem edificar a sua habitação. Mesmo depois de falecido, a sua esposa e família continuaram receptivos à cedência de terrenos para permitir melhoramentos, como o caso do terreno onde existe a alameda frontal à igreja matriz. A freguesia, reconhecida, propôs ali a instalação de um busto de reconhecimento à sua figura mas a família, considerou, numa atitude de desprendimento, não a aceitar, mas em todo o caso a freguesia deu, com justiça e reconhecimento, o seu nome à respectiva alameda, no que foi inteiramente de justiça. 

Mais recentemente, e já depois do falecimento da D. Laurinda, a família acolheu a proposta da então Junta de Freguesia no sentido de ceder os terrenos envolventes à sede da Junta onde  seriam edificados futuros equipamentos, numa contrapartida a envolver a Câmara Municipal e compensações no processo de urbanização de terrenos no sítio de Linhares que a família estava a concretizar.

Apesar deste acordo ter suscitado por parte da oposição municipal algumas dúvidas e creio que mesmo uma fiscalização, considero pessoalmente, sem sombra de dúvidas que a freguesia de Guisande saíu a ganhar com esta permuta pois ficou com um amplo terreno pronto a ser utilizado em futuras necessidades de equipamentos e simultaneamente ficaram disponíveis parcelas de terreno para venda. A cena política deu uma reviravolta e os projectos então previstos, como o Centro Escolar de Guisande e a futura sede da Junta, não passaram de boas intenções. Mas isso são outras histórias.

Do casamento da D. Laurinda com o Dr. Joaquim Inácio, nasceram vários filhos, de que tenho memória da Manuela, a Odete, a Maria José, a Alcina, o António e o Manuel Inácio.

Nesta renovação própria das famílias, continua a Casa do Dr. Joaquim Inácio a pertencer a uma importante família no contexto da nossa freguesia e ainda muito considerada e respeitada.

Creio que das várias famílias guisandenses consideradas pelo povo como de abastadas, terá sido esta que ao longo dos tempos mais tem contribuído para o desenvolvimento da freguesia. 

Das demais famílias de Guisande com algum estatuto social, pouco se sabe e conhece de cedências, apoios e contributos a favor da freguesia ou se sim com contrapartidas bastantes. Eventualmente a Casa da Quintão, no tempo de António Custódio de Pinho (avô materno do Dr. Joaquim Inácio), que foi benfeitor em várias obras de melhoramentos na igreja matriz, mas pouco mais. Para além disso, alguns desses outros grandes proprietários raramente se mostraram disponíveis a dispensar património e a vender parcelas de terreno para construção e com isso condicionando e atrasando o progresso e crescimento urbanístico, bem ao contrário do que aconteceu em freguesias similares e nossas vizinhas que desse modo nos ultrapassaram em crescimento demográfico.

Para além do motivo meramente documental destes meus simples apontamentos genealógicos de uma importante família de Guisande, há uma outra leitura que deles se pode extrair, que de resto nem é novidade. Refiro-me ao facto das principais famílias abastadas de Guisande nesses outros tempos, terem ligações entre si por força de casamentos entre os seus membros. Assim é possível verificar ligações e relações familiares entre esta família de Trás-da-Igreja, com a da Casa da Quintão e a Casa do Loureiro. Com a Casa da Quintão, por via de descendência, também a Casa do Santiago. Mas há ainda outras ligações a outras casas igualmente consideradas no então contexto social da freguesia de Guisande.

Era de facto normal e de forma geral e sobretudo pelo estatuto social em que os grandes proprietários procuravam que os seus filhos e filhas casassem com outros da sua condição, mantendo e ampliando os patrimónios. Foi assim durante muito tempo. Na actualidade, com as melhores condições de vida e o aparecimento da classe média, as coisas são bastante diferentes e por isso vemos príncipes e princesas a casar com gente da "plebe". 

Por outro lado, os estatutos sociais e diferenças de classes foi-se diluindo e perdendo importância e já qualquer modesta família vive relativamente bem e com os seus filhos a poderem também asiprar, até por direito, a serem doutores e engenheiros. Filhos padres, como era vulgar nesses tempos passados nas famílias bastadas, é que já não, ou raridades.

Naturalmente que muito mais, mesmo em termos genealógicos poderia ser escrito sobre esta família, mas parece-me que o que aqui ficou escrito já é um bom contributo para a sua caracterização e, sobretudo para os mais novos, uma forma de melhor conhecerem as raízes de algumas das famílias da nossa freguesia e comunidade.

Bem sei que, à maioria, o tema e assunto pouco importará, até porque sempre teve sentido do provérbio que sentencia que "Deus dá nozes a quem não tem dentes". Ontem como hoje há verdades imutáveis.


Nota final: Os apontamentos aqui escritos, por dificuldades várias e escassez de documentos podem padecer de alguns erros ou imprecisões ou omissos quanto a alguns dados como nomes de familiares e datas. Por conseguinte baseiam-se apenas no que foi pssível pesquisar. Quaisquer informações que possam servir para completar ou corrigir são bem-vindas.