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07/04/2026

Almoço do Juíz da Cruz - 2026

Ontem, Segunda-Feira de Páscoa, realizou-se o tradicional almoço do Juíz da Cruz, que neste ano de 2026 foi o Sr. Pedro Baptista Alves. 

Tal como nos dois anteriores anos, o evento decorreu no restaurante "Cruzeiro", em Fiães. Marcaram presença cerca de uma centena de convivas, incluindo o Pe. Benjamim Sousa e o pároco Pe. António Jorge, que se juntou  um pouco mais tarde.

06/04/2026

Cada um que responda


A Páscoa, na boa e secular tradição cristã, é, sem dúvida, a mais importante das celebrações e aquela que deve corresponder a uma alegria não material, mas espiritual, por todo o seu significado e simbolismo. Por conseguinte, são naturais e compreensíveis todas as manifestações desse júbilo, nas mais diferentes formas. Nos tempos actuais, muito marcados e até dependentes das redes sociais, é igualmente natural que muitas pessoas partilhem momentos pessoais, em família e em comunidade, ligados a essa alegria.

São assim frequentes e recorrentes as partilhas que vão desde felicitações de uma boa e feliz Páscoa até às iguarias colocadas nas mesas: o assado de cabrito ou de vitela, o pão-de-ló, os doces e bolos, etc., etc. Tudo coisas boas, bonitas e saborosas, que de facto comprovam o sentido de alegria que ainda se associa à Páscoa, à ressurreição de Jesus. 

Apesar disso, sem moralismos, até porque, talvez, já algo ultrapassado face às tendências e modos de vivência actuais, pergunto-me se, em cada 100 pessoas que partilham a Páscoa nesses moldes, cinco delas participaram em alguma cerimónia religiosa durante a Quaresma, se percorreram esse caminho de introspecção e preparação espiritual, se na Semana Santa participaram em alguma das celebrações - na Quinta-Feira Santa, na Sexta-Feira Santa, no Sábado de Aleluia - ou se apenas, ou nem sequer, na missa do próprio dia de Páscoa?

Cada um e cada uma responderá por si, mas, pelo que se vai vendo e constatando, nomeadamente na nossa comunidade, parece-me que, no geral, a forma como vivemos a Páscoa e tudo o que a antecede, se tornou muitas vezes um mero formalismo, uma tradição sobretudo material. Coisas de igreja e de padres, de orações e contemplações mais profundas, dispensam-se. O assado, esse sim, é tradição, antiga, da casa e da familia! Esse é que conta!

Pessoalmente, não concebo celebrar a Páscoa, a ressurreição do Senhor, sem a vivência desses momentos fundamentais da nossa espiritualidade, até para a sacralizar. Contudo, muitos há que, não ligando patavina a essa dimensão, seguem a vida como se nada fosse, dormindo descansados com isso. Entre uma celebração religiosa e um jogo de futebol ou um qualquer evento, social ou desportivo, a escolha é fácil, demasiado fácil. 

Em resumo, em tudo, nestas questões, cada um falará por si e, de um modo ou de outro, encontrará uma justificação pessoal para a sua fé, ou para a sua “fezada” e a encontrar a habitual justificação de que não é por isso que são melhores ou piores dos que fazem por participar nas cerimónias religiosas alusivas (e com certeza que não). Mas, numa reflexão mais profunda, parece-me que andamos, de facto, muito afastados do essencial e vivemos estas realidades com a mesma profundidade com que festejamos um Carnaval ou um jogo de futebol. Não há como não dizê-lo. Isto é bom? É mau? Indiferente? Cada um que responda por si.

Continuação de um feliz e santo tempo pascal!

10/04/2023

Páscoa 2023

 








Visita Pascal na nossa paróquia de S. Mamede de Guisande. Num bonito dia de Primavera, foram três equipas que percorreram da forma habitual as ruas e lugares da nossa freguesia levanda a cada casa (às poucas que abrem) a mensagem de Cristo Ressuscitado.

A visita pascal ou Compasso, é uma tradição importante na nossa comunidade como em muitas outras, mas bem longe da importância e vivência que se lhe dava noutros tempos. Nas zonas urbanas já pouco significado tem porque as pessoas são desconhecidas sentre elas, mesmo que vizinhas da mesma rua, do edifício ou andar. Vai ainda resistindo nas zonas mais rurais e menos povoadas, como Guisande, mas mesmo aqui já sem o fulgor e autenticidade de outros tempos. Aos poucos algumas das marcas que definiam esta tradição foram-se perdendo e agora só mesmo em serviços mínimos. 

Apesar disso, para quantos participam dedicadamente nas equipas e para quantos abrem com alegria as suas portas, ainda é possível sentir o essencial da mensagem de que Cristo ressuscitou! Ainda os momentos de partilha e convívio familiar no que é sempre positivo. Esses são sempre valores que importa manter e dignificar.

09/04/2023

Juíz da Cruz em 2013

 


Parecendo que não, passam dez Páscoas sobre o ano em que tive o privilégio e orgulho de ser o Juíz da Cruz na nossa paróquia de S. Mamede de Guisande. 

Acima, duas imagens da pagela que então mandei imprimir e que se distribui pelas diversas casas que receberam o Compasso. Foi um dia bonito, apesar de alguma chuva.

Na Segunda-Feira, lá organizei o tradicional Almoço do Juíz da Cruz, que depois do encerramento do restaurante "O Algarvio", ocorreu no lugar do Pomar em Gião. Consegui reunir à volta de 120 pessoas.

Infelizmente, esta tradição parece que terminou de forma inglória e neste ano já não se realiza. Não acredito que venha a ser retomada e mesmo que sim, nunca mais será a mesma coisa. Uma árvore depois de abatida jamais poderá ser posta de pé e trazida à vida. E esta árvore da nossa tradição, tinha já muitos anos.

Cristo Ressuscitou! Aleluia!

01/01/2000

Tradição da Páscoa



Na celebração da Páscoa na nossa paróquia de S. Mamede de Guisande, para além das cerimónias litúrgicas que são próprias do tempo, como o Tríduo Pascal, assume extrema importância a Visita Pascal também designada de Compasso. 

Nas origens, o Compasso era composto apenas por uma cruz, transportada pelo Juiz da Cruz, o pároco, o sacristão e uma ou outra pessoa ligada ao serviço da paróquia ou mesmo familiar do Juiz da Cruz. 
Este Compasso, após a realização da missa de Páscoa, pela manhãzinha, percorria todos os lugares da freguesia, terminando já a altas horas da noite. Começava no lugar da Igreja e terminava no lugar de Cimo de Vila.

Com o aumento do número de casas, o número de equipas foi crescendo e actualmente e desde há alguns anos são três as equipas a percorrer a freguesia durante a manhã e a tarde. 

As equipas ou "Cruzes" são compostas pelo pároco, quando tem disponibilidade, pelos ministros da Comunhão, por acólitos, pelo Juiz da Cruz e por membros da família deste. Não sendo regra nem tradição, nos últimos anos tem também participado o Juiz da Cruz eleito para o ano seguinte.

A eleição do Juiz da Cruz decorre de um processo já antigo mas que não tem sido regular na forma, mas que em princípio assenta nos seguintes pressupostos: Anualmente, são escolhidos dois homens, naturais da freguesia ou casados na freguesia, em regra casados há 20/25 anos. Esta escolha, que alternadamente deve considerar residentes na Parte de Cima e residentes na Parte de Baixo da freguesia, é da responsabilidade do pároco e/ou da Camissão da Fábrica da Igreja. Uma vez escolhidos os dois candidatos, estes são submetidos a uma eleição que decorre por tradição na Missa Vespertina do Dia de Reis. São divulgados os nomes e convidadas as pessoas presentes a dirigirem-se ao anunciante e ao ouvido deste pronuncia o nome do seu preferido. No final são contabilizadas as escolhas e divulgado o eleito. Em rigor é eleito como Mordomo da Cera o qual assumirá a função de Juiz da Cruz passados dois anos. Ou seja, como exemplo, sendo nomeado em 2017 será Juiz da Cruz em 2019. Este interregno já foi de quatro anos mas com desistentes tornou-se mais curto.
Os eleitores por tradição eram apenas homens casados mas nos últimos anos, por alguma perda de interesse, tem-se aberto algumas excepções, já tendo votado mulheres. Infelizmente este método de eleição, desde o falecimento do Pároco P.e Francisco de Oliveira, em 1998, tem vindo a perder algum consistência e importância no que acaba por tirar alguma dignidade à eleição. Apesar destas contingências, a tradição tem-se mantido embora o cargo ou função de Juiz da Cruz já não seja tão considerada e desejada desde logo porque implica algumas responsabilidades e despesas, nomeadamente com a organização do Almoço do Juiz da Cruz na segunda-feira de Páscoa.