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28 de março de 2022

Fracturas expostas


Parece que o Pedro Adão e Silva, inefável defensor e propagandista de António Costa, o que é legítimo, mas talvez por isso prendado com o cargo de Comissário para as comemorações do cinquentenário do 25 de Abril, com todas as mordomias, e agora de novo re-premiado com outro cargo, o de Ministro da Cultura, terá dito que "datas fracturantes como o 25 de Novembro de 1975 não se devem comemorar".

Custa a crer que alguém nomeado para defender a nosso Cultura e logo a nossa História, se permita a esta pérola. Mas então o 25 de Novembro é fracturante? Para quem? Para quem pretendia para o país uma ditadura de esquerda? Mas então o 25 de Abril de 1974, também não foi fracturante? Claro que foi e ainda bem! Fracturante é passados 50 anos sobre essa data ainda haver gente no Parlamento declaradamente contra a democracia liberal, alguns dos quais acérrimos apoiantes de regimes como o de Putin, China, Coreia do Norte, Cuba, etc.

Considerar certos assuntos ou temas que agradam à maioria de uma certa esquerda moralista, e catalogá-los como "fracturantes" como desculpa para os não reconhecer, é adoptar uma atitude escorregadia ou mesmo covarde. Fracturante foi perdoar a terroristas de sangue, como fizeram a Otelo, e que no entanto acham estruturante que se faça dele um herói como se a sua importância e papel na revolução de 25 de Abril, indesmentível, possa ser, todavia, esponja capaz de apagar crimes de sangue e morte que varreram o país. Haja limites! 

Diria, pois, que Pedro Adão e Silva começa mal ainda entes de tomar posse. Uma data como a do 25 de Novembro de 1975 mais do que fracturante é estruturante e o nosso actual regime, com todos os defeitos e virtudes, é o que dali emanou. Mereceria e bem um feriado nacional com todas as honras. Goste-se, ou não.

14 de fevereiro de 2022

A responsabilidade continua solteira

O recente caso da anulação de mais de 157 mil votos no círculo eleitoral da Europa, a que correspondem mais de 80% do total, é um absurdo e um autêntico desrespeito para com os eleitores. Incompreensível a todos os níveis mas que nos mostra que no geral todos lamentam mas igualmente sacodem a água do capote. 

Apesar das queixas e da coisa ir ao Ministério Público, em rigor a culpa e responsabilidades vão uma vez mais morrer solteiras. Certinho e direitinho.

É o que temos!| Não se pode esperar que um castanheiro nos dê maçãs.

7 de fevereiro de 2022

Só nós dois é que sabemos...

Creio que já o disse ou escrevi por aqui: O nosso sistema eleitoral só benefecia os dois grandes partidos e daí os mesmos não terem interesse particular em mudar a coisa. Não surpreende, por isso, que o Partido Socialista com 41% do total de votos tenha conseguido a maioria de deputados. Parece anedótico e contrário às leis da matemática, mas é a realidade.

Ainda com este sistema, em Portugal e para as legislativas são cerca de meio milhão de votos que valem absolutamente nada em termos de representatividade, apenas para dar uns trocos aos respectivos partidos. Em distritos pouco populosos, como Bragança, Guarda ou Portalegre, por exemplo, qualquer cidadão que for às urnas votar em qualquer partido que não o PS ou PSD, é, na prática, uma pura perda de tempo. Valerá apenas o valor que os partidos recebem por cada voto, 13 euros, o que até nem é mau e vai dando argumentos para a existência de partidos residuais que assim, para além do tempo de antena, sacam umas massas ao Estado.

Outro exemplo dos paradoxos do nosso sistema, no caso o CDS que no global do país teve muitos mais votos que o Livre (cerca de mais 13 mil) e no entanto não elegeu nenhum deputado. Dá que pensar?

É claro que este deficiente sistema não é exclusivo de Portugal. Há outros sistemas igualmente esquisitos, incluindo os Estados Unidos. No Reino Unido, por exemplo, com um sistema de 650 distritos, em que cada um elege um único deputado (o vencedor). Com tal sistema, um partido até pode ter menos votos que o adversário, no global, e alcançar a maioria dos deputados, o que de resto já aconteceu.

Em ambos os casos ou em sistemas onde existem estas anormalidades e paradoxos, em regra beneficiam sempre os dois grandes partidos de cada país, daí não interessar aos mesmo alterar as respectivas leis eleitorais, no fundo, as leis do jogo. É, em resumo, uma espécie de batota em que os meninos grandes enxotam os meninos pequenos da roda do jogo. Como numa sala para assistir a um filme pornográfico, só entrem os de maior idade.

6 de fevereiro de 2022

Extremismos

O Bloco de Esquerda e a sua coordenadora Catarina Martins, levaram uma coça de todo o tamanho nas eleições legislativas no passado Domingo, com a redução do seu grupo parlamentar de 19 para 5 deputados. O eleitorado, ao Bloco e também ao Partido Comunista, castigou-os, culpando-os da situação que levou à dissolução da Assembleia da República e à consequente convocação de eleições antecipadas.

Apesar disso, da derrota, do rombo e da perda da importância, continuam a dizer que manterão o combate à extrema direita, sobretudo ao Chega de André Ventura que lhe arrebatou o lugar de terceira força política no Parlamento. Na noite do rescaldo, apelidou mesmo os deputados eleitos pelo Chega de racistas, sem tirar nem pôr.

Em resumo, o Bloco e a sua dirigente, parece que ainda não perceberam que muito do êxito do Chega resulta precisamente do extremismo com que o têm tratado. O Chega mereceria porventura apenas a indiferença e o seu esvaziamento, mas o Bloco teima em insuflá-lo e usar um posicionamento radical, adoptando valores como o extremismo e uma postura de quase ódio. O Bloco mostra-se assim também ele intolerante e faccioso. Pode desrespeitar a esmo os deputados eleitos do Chega mas deveria ter em consideração os milhares de portugueses que em liberdade e legitimidade os escolheram.

Assim, apesar da derrota e da sua quase vaporização, o BE continua arrogante e fala do alto da burra como se ainda tivesse 19 ou 50 deputados e mais do que isso, a exclusividade dos valores da democracia e cidadania. 

Podemos não gostar do Chega e de alguns dos seus princípios, e eu também não gosto, mas importará perceber onde é que a democracia e os seus intérpretes têm falhado a ponto de gerar um descontentamento de largos milhares de portugueses. As respostas parecem ser fáceis e óbvias mas o actual sistema de uma esquerda moralista  tem tido orelhas moucas e línguas mudas. Discursos de ódio como os dos Mamadous Bas, não ajudam de todo e só acirram e cimentam o extremismo de ambas as partes, 

Não espanta, pois, que a onda de revoltados comece a ganhar importância e peso eleitoral, goste-se, ou não. O Bloco diz não gostar, mas tem que os aguentar. Bem gostaria de os exterminar por decreto, mas não é por aí que a coisa se resolve. Talvez na China ou na Coreia do Norte, mas não por cá.

26 de janeiro de 2022

Pedro e o lobo

Dos políticos podemos dizer que não gostamos deste ou daquele. De resto pelas redes sociais até se vêem alguns ódios de estimação, a meu ver injustificados e sem qualquer sentido democrático e de respeito pelos outros e sobretudo pelas diferenças. Mas adiante.

Pela minha parte, sempre que me refiro a um político, faço-o sem qualquer sentido pessoal até porque confio que no essencial, da esquerda à direita, todos são boas pessoas e excelentes mães, pais e chefes de família. Será, pois, apenas uma mera opinião pessoal e com base numa percepção programática e de personalidade meramente política ou, se quisermos, ideológica.

Neste pressuposto e para as próximas Eleições Legislativas, até admito que no círculo de Aveiro poderia equacionar em votar num qualquer outro cabeça-de-lista do PS, incluindo António Costa se tal fosse o caso e noutro contexto que não o actual, mas não, de todo, em Pedro Nuno Santos, mesmo sendo "nosso vizinho".

Mas, como disse, é apenas uma mera opinião sobre um político que, não tenho dúvidas que, mais coisa menos coisa, virá a tomar de "assalto" o poder no reino da rosa. Nessa altura veremos se o Pedro será um lobo e qual o comportamento dos lobos face a Pedro.

Até poderei estar enganado e com uma percepção desajustada, mas simpatia política por este Pedro, é coisa que por ora não cultivo, entre outros motivos de análise, por o considerar demasiado extremado à esquerda. Ora os extremismos, como a carne gorda, não são nada saudáveis.

23 de janeiro de 2022

Diabos e anjinhos

Considero que António Costa é um político hábil e habilidoso. Apesar disso, na percepção de um simples cidadão, no geral e com alguns descontos, tenho-o como uma boa pessoa e honesto. 

A habilidade é uma qualidade nos políticos e faz parte intrínseca da coisa. Não devia ser, porque a essência de quem é político e candidato ao serviço da causa pública e dela dos cidadãos, importaria ser de verdade e transparência, sem manhas ou subterfúgios que de algum modo ludibriem ou desinformem os cidadãos. Mas, não sejamos ingénuos, mais vale esperar sentados se estamos à espera de que a política e os políticos sejam, no geral, exemplos a toda a prova da boa moral e dos bons princípios.

Talvez por isso, ainda hoje ouvi António Costa em campanha a dramatizar a situação, relacionando os números da Covid, levando a supor ou a ludibriar que perante estes números os portugueses não devem ir em aventuras como se uma questão de saúde pública tenha a ver com políticas e propostas. António Costa está a dizer-nos que se votarmos em qualquer outro partido e sobretudo no PSD é um risco porque aí a Covid vai aumentar e agravar-se nas suas consequência. Não o disse literalmente, mas guiou as águas nesse sentido.

É mau demais ir por aí. Esgrimir de forma enfadonha a metáfora do diabo relacionando-o a um partido concorrente, como se todos fôssemos uns idiotas chapados e um bando de criancinhas sem capacidade de pensamento, e depois, ele próprio, entrar despudoradamente numa narrativa de drama e medo com argumentos despropositados. Em democracia há que respeitar as ideias e propostas dos demais. Apoucá-las e menosprezar os seus intervenientes não ajuda. 

Isto, de parte a parte, porque mesmo Rui Rio, político que igualmente considero boa pessoa e honesto, também tido tido estas tentações e algumas sentenças despropositadas e inúteis. 

16 de janeiro de 2022

O balancé da Sóbrinca e os matraquilhos


Dos debates televisivos para as próximas Eleições Legislativas, assisti a espaços e apenas alguns. De resto é tão apelativo ver estas coisas como ouvir um antigo balancé da Sóbrinca a cortar tubos.

Como já disse alguém, em vez dos debates propriamente ditos, poderiam ser jogos de matraquilhos e ali via-se a real habilidade de cada um e de cada uma.

Assim não sendo, coube a alguns jornalistas da nossa imprensa fazerem a análise e determinarem vencidos e vencedores. Mas nestas coisas, e sabendo-se como se inclina no geral a nossa imprensa, a isenção desta gente é quase como ver um Francisco J. Marques a analisar um jogo do Benfica ou o Paulo Guerra a esmiuçar um jogo do Porto.

Posto isto, considero que no geral estes debates pouco ou nada servem e menos esclarecem porque em rigor todos sabemos ao que vêm e por que linhas se cosem. 

De resto, nestas coisas de eleições, decidimos as coisas de forma muito clubista e quase nunca admitimos que do nosso lado a coisa está fraca.

No meu caso, se algum efeito produziram os debates, é o de uma tentação de fazer parte dos 60% de abstencionistas, mais coisa menos coisa.

Mas com jeitinho, e porque dizem que é um dever e um direito, até maior que as questões da saúde pública, em que os isolados pela Covid têm direito a umas horas de folga, pode ser que sim.

20 de dezembro de 2021

De Rui Rio

Independentemente de outras possíveis e legítimas análises e opiniões, do pouco que ouvi e li do congresso do PSD neste fim-de-semana no Europarque, na Feira, retive alguns apontamentos positivos no discurso de Rui Rio, nomeadamente os seguintes três:

1 - A necessidade de uma fiscalização apertada dos apoios sociais, para que não sejam atribuidos "a quem não quer trabalhar". Sendo indispensáveis para quem deles precisa, os apoios devem ser fiscalizados num sentido de justiça e merecimento.

2 - Que o PSD está pronto para ser um governo "reformista" mas sem pôr em causa tudo o que outros fizeram até aqui.

3 - A visão clubísitica, que trata adversários quase como inimigos, não se coaduna com a forma como diz ver a atividade partidária.

Em relação ao primeiro ponto, parece-me ser uma questão de justiça e de objectividade. Os apoios sociais devem ser isso mesmo e não um modo de vida ou complemento de malandrice e chico-espertismo, em que com expedientes e laxismo do Estado se vai levando a vida sem nda fazer ou produzir.  Com pouco, é certo, mas sem esforço e responsabilidade. Essa cultura deve ser combatida.

Quanto à segunda ideia, também parece sensata. De facto, de qualquer Governo antecedente há sempre aspectos, medidas e políticas positivas. O constante fazer e desfazer o que outros fizeram, não deve ser uma fatalidade ou uma espécie de caça às bruxas. Se tem valor, mantenha-se ou melhore-se.

Finalmente, quanto ao terceiro apontamento, a questão da visão clubista dos partidos por parte de muita gente, é de facto ainda muito marcante e que leva ao apoio, tantas vezes, a incapazes, em detrimento de sufragar a confiança em gente competente, só porque na hora do voto fala mais alto o clubismo e a sigla. 

28 de novembro de 2021

Haverá pranto e rangel de dentes!


Como prova provada de que "não há duas sem três", Rui Rio lá despachou pela terceira vez consecutiva a concorrência nas eleições para presidente do PSD.

Contra todas as expectativas e da maioria dos dirigentes das estruturas distritais e concelhias, que apoiavam Paulo Rangel, Rui Rio contou mesmo com os votos "livres" dos militantes de base.  Aveiro foi um dos distritos que contribuíram para a vitória, escassa mas legítima e notória face ao que se esperava. 

Em resumo, muitos dos ilustres dirigentes e políticos laranja, pela terceira vez consecutiva apostaram todas as fichas no cavalo errado. Acontece. Como Rio disse não ser ingrato, pode ser que a alguns volte a arranjar um lugar na lista de deputados.

Mas Rui Rio não terá a vida fácil, até porque o seu estilo declarado de colocar os interesses do país acima dos do partido e dos pessoais, não é porca que encaixe no parafuso dos políticos de profissão. Seja como for, sai ainda mais legitimado, mas quanto à união do partido, mesmo que reclamada pelo seu adversário derrotado, será sempre num ambiente de hipocrisia porque os rangelistas e montenegristas vão continuar de facas afiadas e voltar ao ataque, que mais não seja logo depois de se saber os resultados das próximas Legislativas, onde apesar do discurso positivo e do "nós vamos ganhar!", será obviamente difícil, porque quem está no poder parte sempre em vantagem.

Mas, é política e, para já, para os derrotados, é tempo de pranto e "rangel" de dentes. Não lhes faltarão outras oportunidades.


[foto: Público]

23 de novembro de 2021

Dictomia


Por razões óbvias, as eleições directas do PSD marcadas para o início do próximo Dezembro, não é coisa que me preocupe. Como tal ser-me-á indiferente que vença Rui Rio ou Paulo Rangel.

Em todo o caso, também por razões óbvias, enquanto cidadão, tenho opinião sobre o assunto e vai no sentido que considero que sob um ponto de vista dos interesses do país e da sua governabilidade, Rui Rio, até porque o tem dito, será uma melhor opção e não é de somenos importância face ao fracasso que foi a governação apenas focada à esquerda, que obviamente com aspectos positivos, mas não abrangentes do todo da sociedade portuguesa. 

Neste contexto, para os militantes do PSD que considerem que os interesses do partido se sobrepõem aos do país, então Rangel será chave que melhor encaixa na fechadura.

Será assim nesta dictomia que os militantes do partido serão chamados a escolher, ou os interesses do país em que o partido abre portas a soluções mais à esquerda ou mais à direita mas que das quais resultem entendimentos necessários, ou então um partido com uma posição mais radical e fileiras mais cerradas, que só dará frutos em caso de vitória com maioria, o que não parece de todo credível.

Assim, sabendo que nas estruturas partidárias, no geral, ainda impera muito caciquismo, em que uma horda de militantes vão onde os levarem, para agitar bandeiras ou comer à borla, não é de todo dispiciendo que Rui Rio corre sérios riscos de perder as eleições. Daí a sua consideração de que espera o voto dos militantes "livres", daqueles que não são apenas números na base de dados a quem alguém, do próprio bolso, lhes paga as cotas na véspera das eleições internas.

A ver vamos, mas claro está que tudo é possível. Todavia, com a frontalidade que se lhe reconhece, sem manhas nem meias tintas, Rui Rio poderá mesmo passar o Natal de pés ao lume, já despreocupado destas lutas, em que o poder, os lugares nas listas e o cheiro a parlamento e as posições cimeiras, ainda valem e valerão. 

Não haja, pois, ilusões, já que nestas coisas de partidos prevalece o carreirismo e o oportunismo, daí que todas as movimentações tenham sempre esses pressupostos.

29 de outubro de 2021

Alarvidade sem verdade

Com tanto destaque dado por toda a imprensa, ao assunto do chumbo do Orçamento de Estado e da consequente queda aparatosa da geringonça, da ida ao multibanco do presidente Marcelo, pouco ou nada se falou sobre a queda aparatosa do F.C. do Porto na Taça da Liga e a quase eminente saída dela do Benfica e muito menos se tem falado do facto do Noquinhas dos Anzóis andar de caganeira.

Seja como for, do muito que foi dito, registei sobretudo a deselegância e até arruaceirisse do ministro primeiro, António Costa, quando no hemiciclo da Assembleia da República disse que não se podia contar com a Direita parlamentar porque esta "estava encerrada para obras". 

Ora esta alarvidade, com maior significado porque dita por quem a disse, resulta de uma circunstância naturalíssima em democracia e na vida dos partidos políticos democráticos, que é a das disputas e clarificações de liderança nos mesmos. E estas situações são transversais a todos os partidos, mesmo que em diferentes momentos, seja o PSD, o CDS, o Chega ou o PS, etc. O próprio António Costa já participou nessas "obras" em disputas, nem sempre leais, mesmo com laivos de traição a outros correligionários, como a António José Seguro, no envolvimento das primárias do Partido Socialista de 2014.

A não ser, claro, em partidos totalitários onde não há disputas mas sim sucessões e dinastias, e onde os putativos elementos que se arvoram a opositores são puramente afastados, aniquiliados, envenenados ou detidos sumariamente, como acontece na Rússia, China e outros quejandos, onde vai mandando a ditadura e a autocracia.

Por isso, António Costa ao banalizar esta situação diz tudo do seu perfil e da sua democraticidade. Não lhe fica bem mas com aquele cabelo branco sobre um rosto sorridente em tom de canela dá-lhe um ar cómico e não falta quem disso se ria e entusiasme.

28 de outubro de 2021

Esplendores

No dia em que os partidos da extrema esquerda assinaram o divórcio com o Governo PS, colocando assim o país num impasse político, o presidente Marcelo mostra-se ao mesmo país, em directo, a ir ao multibanco pagar contas ou levantar uns trocos. Podia ser à tasca ou aos cagatórios públicos, mas foi no multibanco. Nada como o presidente de quase todos procurar mostrar um ar de normalidade enquanto o incêndio político acabara de deflagrar lá para os lados de S. Bento.

O mesmo Marcelo, já tinha feito borrada ao receber o putativo candidato às eleições internas de um partido, um tal de Rangel, escolhendo muito mal o timing e criando um natural mau estar entre as hostes. Desculpou-se que era uma visita de cortesia e recebeu-a como recebe muitas outras, no que achava natural. Marcelo até pode receber nas suas visitas de cortesia o Zé da Esquina ou o Manel dos Frangos, mas devia ter (e já vimos que não tem) sentido de Estado, para perceber os momentos, os timings, como se diz. Há coisas que não se fazem.

Mas é o que temos e está lá porque a maioria de menos de metade dos eleitores portugueses assim o quiseram.

Quanto ao Governo, confesso que esperava que toda a teatralidade e encenação à volta do Orçamento de Estado não desse em nada, ou um daqueles peidos ruidosos mas inconsequentes, mas na minha análise não tive em conta que de facto houve eleições autárquicas há poucas semanas e que os partidos da geringonça, que agora desmoronou, já pensam naturalmente nas suas próprias agendas políticas e tanto o PCP e o BE perceberam que se fizessem aprovar mais um Orçamento estariam a ser erodidos ou engolidos pelo PS e mais do que o interesse do país ou dos portugueses interessa-lhes fazer contas às suas próprias necessidades. No fundo, aquilo, os partidos, não passam de empresas. 

António Costa, cá está, porventura tinha o desejo de ir a votos e tentar a maioria no que lhe pareceu ser o timing ideal. Ademais, e destes brindes não se apanham todos os dias, o presidente Marcelo fez-lhe um grande favor ao dizer, com muita antecedência, o que iria fazer em caso de reprovação do Orçamento. Com aliados destes...

Face a isto, a estes jogos políticos e de poder, a maioria dos portugueses continua a dançar ao ritmo da classe política, mesmo que os abstencionistas cada vez sejam mais ou que então se refugiem em projectos mais radicais e populistas.

É o que temos. É a democracia no seu esplendor. Parece que metade do país, ou menos, irá a votos lá por alturas da Festa das Fogaças, mais coisa menos coisa.

22 de outubro de 2021

E é assim...

E pronto, Guisande lá teve direito ao seu (sua) vogal da praxe no executivo da nova Junta. "Justo" prémio para a segunda freguesia onde o PS teve vitória. Ora no PSD, ora no PS, sempre pequeninos nesta grande União de Freguesias. Mas há quem se dê por satisfeito. 

É verdade que eu próprio também fui vogal, mas isso apenas porque nas eleições intercalares de 2014 aceitei o alinhamento que já tinha sido previamente acordado nas eleições de 2013 (primeiras para a União de Freguesias), num critério de posicionamento pelo número de eleitores nas quatro freguesias constituintes. Obviamente que se concorresse a um mandato seguinte, o que declinei face à enorme decepção no modelo de gestão adoptado, só o aceitaria na condição de ocupar o cargo de tesoureiro ou secretário. Era mais que justa essa rotatividade.

Porventura, se isto for para continuar, mais vale que toda a freguesia em próximas eleições se reúna em torno de uma única lista independente e supra-partidária. É que, fazendo um simples exercício, se os votos reunidos em Guisande do PS, PSD, CDS, BE e CDU (e nem seriam necessários todos), mesmo não contando com um natural aumento da votação tendo em conta o objectivo comum, tal lista independente nestas eleições de 26 de Setembro teria elegido dois membros para a Assembleia de Freguesia, com o PS a eleger 6 e o PSD 5, sendo assim determinante na decisão de formação de Junta e podendo, naturalmente exigir um cargo de tesoureiro ou secretário, o que seria natural e justo.

Face a este continuada desconsideração para com a freguesia, que acreditei não acontecer neste novo ciclo, por motivos já antes expressos, será de se pensar nisso muito seriamente nas próximas eleições. 

Mas há quem acredite no Pai Natal e, na sombrinha e ao fresco, sonhe que daqui a um ano ou dois a freguesia voltará a ter autonomia própria, e já se esteja a preparar para ser o seu putativo presidente, como se estas coisas de se ser presidente dependa apenas de vontade própria. Mas oxalá que sim! Oxalá que sim!

21 de outubro de 2021

Omissões...

A lei, dizem, é omissa. Pois, pois, é omissa porque é feita (ou não) precisamente por quem beneficia da omissão. 

Isto a propósito de, passado quase um mês após a realização das eleições autárquicas, em 26 de Setembro último, recorde-se, ainda estarem por aí plantados cartazes e outdoors da campanha eleitoral, um deles esparramado junto à rotunda da Cruz de Ferro, com os então candidatos à Câmara e à Assembleia de Freguesia, pelo PSD, a prometerem "Juntos vamos fazer obra". Por conseguinte, a ter em conta os resultados, faria sentido que fosse logo retirado no dia seguinte às eleições.

A tal lei que dizem omissa quanto aos prazos e obrigatoriedade de retirada dos mesmos elementos de campanha que teimam em manter-se firmes e hirtos, é mesmo omissa e permite caricatamente estes episódios fora de prazo.

Ora os partidos e as forças concorrentes responsáveis por essa publicidade política deveriam ser obrigados, no prazo mínimo de uma semana, vá lá, duas, a retirar do espaço público esses elementos sob pena de pesadas coimas. Mas, lá está, porque carga de água os partidos iriam fazer leis e regulamentos para se auto-penalizarem?

Asssim sendo, com jeitinho o outodoor na Cruz de Ferro, com outros mais por aí, estará ali até à Páscoa ou até que os rigores do Inverno tomem conta da ocorrência.

19 de outubro de 2021

Defraudado!

Não faço nem farei juízos de valor pessoal sobre Celestino Sacramento, por quem tenho uma natural estima e consideração, para além do laço familiar, pelo que o que a seguir escrevo é tão somente num contexto de política.

Assim, nesse contexto político, há quatro anos apresentou-se como elemento integrante da lista do PS- Partido Socialista à eleição para a Assembleia da União de Freguesias de Lobão, Gião, Louredo e Guisande, e como primeiro representante da freguesia de Guisande. O eleitorado na sua maioria reconheceu nele legitimidade e provas dadas de cidadania ao serviço da freguesia e por conseguinte deu-lhe a vitória, de resto a única das quatro freguesias da União onde tal aconteceu. 

Agora, tal como há quatro anos, Celestino Sacramento voltou a apresentar-se como candidato e como principal representante da freguesia. Novamente e com naturalidade venceu em Guisande e desta feita, à terceira tentativa, o PS conseguiu a maioria levando o cabeça-de-lista David Neves à vitória, sendo já o justo presidente da Junta da União de Freguesias. Era assim legítimo e esperado que Celestino Sacramento integrasse o executivo da Junta, merecendo até, pela vitória na freguesia, o cargo de secretário ou tesoureiro.

Infelizmente, na sessão de instalação dos órgãos autárquicos, realizada no passado Sábado, 16 de Outubro, houve um "golpe de teatro" e Celestino, por conta própria ou alheia, pouco interessa, abdicou do lugar de direito que lhe competia na Junta e remeteu-se a um papel circunstancial de elemento da Assembleia de Freguesia.

Pela parte que me toca, e só falo por mim, lamento esta "descida de divisão" e porque nele votei nesse pressuposto de o considerar de longe, em todas as listas concorrentes, o elemento de Guisande mais conhecedor e com mais provas dadas quanto ao conhecimento e defesa dos interesses da freguesia, sinto-me agora defraudado.

Lamento que Celestino Sacramento tenha abdicado das suas responsabilidades como membro de pleno direito na nova Junta, de algum modo defraudando muitos dos que nele votaram nessa expectativa. Pode dizer e argumentar o que quiser em sua defesa, mas, em minha opinião, parece claro que este "golpe de teatro" não fica bem. 

Não tenho dúvidas que continuará a defender os interessses de Guisande, mas o seu posicionamento tanto nas eleições de 2017 como nas de agora em 2021, tinham esse pressuposto claro e objectivo de ser o principal representante da freguesia. Abdicar dessa responsabilidade em favor de uma ilustre desconhecida da população, por mais valor e competência que tenha ou venha a demonstrar, não é a mesma coisa. Se tinha esse propósito de se remeter a um papel secundário, que fosse claro com o eleitorado e disso lhe desse conta em fase de campanha. 

Das pessoas com quem já falei a este propósito, parece que o sentimento é similar, ou seja, que se sentem defraudadas.

É pena e não havia necessidade. Bastaria apenas respeitar a confiança depositada pelos eleitores, mesmo os muitos sociais-democratas, que nele confiaram para desempenhar esse cargo.

Mas, como diz a cantiga, é a vida! Parece-me que com este tipo de atitudes até mesmo os políticos na sua versão caseira vão perdendo credibilidade, gerando um desinteresse por estas coisas e concorrendo para o aumento da abstenção.

Obviamente que não dou como perdido o meu voto, até porque confio na nova equipa e sobretudo no seu presidente, David Neves, mas que me entristece, entristece.

18 de outubro de 2021

Caminho a percorrer

Parece evidente para muita gente, sobretudo para os militantes, que alguns dos motivos que levaram à derrota do PSD nas recentes eleições autárquicas para a Assembleia/Junta da nossa União de Freguesias de Lobão, Gião, Louredo e Guisande, para além dos motivos óbvios de uma herança pouco ou nada positiva e uma lista montada às quatro pancadas, residem, em parte, na falta de organização na base interna do partido e até mesmo alguma desagregação. Os núcleos ou não funcionam ou foram ao longo dos últimos anos abandonados e esquecidos e apenas visitados por figuras gradas do sistema e da concelhia apenas em vésperas de eleições ou na hora de arrigementar pessoas para encher pavilhões para comícios.

Quando assim é, as coisas tendem a não correr bem. Depois, quando o processo de escolha de candidatos e cabeças de lista é feito sem escutar as bases, a coisa descamba mesmo e daí a ver-se militantes influentes a apoiarem figuras e listas opositoras vai um passo. Ora isso de algum modo parece ter acontecido, sobretudo em Lobão, que, diga-se, representa no mínimo 50% do peso eleitoral da União.

A acrescentar essa falta de união e organização, numa era de tecnologias de informação e redes sociais que podem ser um elo de informação, ligação e motivação, surprendia o afcto de um partido como o PSD não ter localmente uma página activa e actualizada na web e nas redes sociais. 

Mas como mais vale tarde que nunca, parece que após a derrota eleitoral o PSD da União de Freguesias de Lobão, Gião, Louredo e Guisande lá arrancou com a sua página no Facebook. Atrasada oito anos, mas aí está para o que der e vier, agora num contexto de oposição. 

A ver vamos se será proveitosa ao partido e aos militantes ou se será apenas um impulso no iniciar de um novo ciclo. Certo é que para o PSD há caminho a percorrer até ao próximo acto eleitoral e mostrar ser capaz de estar atenta à actividade da Junta. Todavia, parece-me que a nova Junta liderada por David Neves não vai dar grandes motivos aos adversários nem desperdiçar o tempo a dar tiros nos pés e a cometer os mesmo erros grosseiros de uma gestão desadequada à realidade de uma União de Freguesias num estilo presidencialista obsoleto. Bastará ser fiel e consentâneo com todas as suas linhas de orientação que o levaram à vitória, sobretudo as que conduzem ao respeito pelas diferentes identidades das quatro partes e uma proximidade terra-a-terra com as populações, para daqui a quatro anos renovar o mandato. E claro, realizar obras e melhoramentos. Para quem está no poder o difícil não é ganhar eleições; Difícil é perdê-las.

Pela parte que me toca, independente (mas não neutro), não filiado nem militante de qualquer partido, avesso à arregimentação cega e clubista, gosto de acompanhar o dia-a-dia dos diferentes partidos e forças políticas e por conseguinte valorizo o que de positivo ambos possam oferecer em termos de comunicação e esclarecimento. 

Nesse contexto, e porque o PSD local estava desaparecido do mapa, congratulo-me por passar a dar a cara. É claro que importará que esse dar a cara seja regular, estrutural, hierárquico e legitimamente representativo dos militantes e que fale a uma voz.  Só assim poderá marcar pontos enquanto oposição e conseguir mais valias para o futuro.

13 de outubro de 2021

Medina dá de frosques

Fernando Medina, derrotado nas eleições para a presidência da Câmara Municipal de Lisboa, lugar a que se recandidatava, anunciou que não vai assumir o cargo de líder da oposição e por isso abandona o barco, regressando, para já, ao seu cargo de economista do quadro da AICEP, Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal, onde ingressou em 2003 e que suspendeu em 2005 quando entrou na política activa, então como secretário de Estado do Emprego e Formação Profissional do ministro Vieira da Silva.

Não é caso inédito nem será o último, mas esta desistência é, óbviamente, um desrespeito pelas regras do jogo da democracia e, mais do que isso, pelo seu eleitorado. Deduz-se deste tipo de comportamento que esta gente apenas é candidata ao poder. Quando não o alcança, entende que já não tem nada a fazer e vai-se embora. Não há pachorra para um lugar secundário à frente da oposição. Era o que faltava!

É claro que figuras como Fernando Medina têm sempre lugar reservado em lugares bem remunerados em entidades e cargos ligados ao Estado e por ali vão andando e saltando alegremente como macacos na selva. É o sistema e por conseguinte, o eleitorado anónimo, esse é apenas importante para eleger o líder. 

A oposição socialista ao novo presidente eleito, será João Paulo Saraiva. Sem maioria, o Eng.º Carlos Moedas terá, pois, que saber resistir a ventos, chuvas e saraivadas. A ver vamos, mas não terá tarefa fácil com uma oposição cerrada à esquerda e não surpreenderá que daqui a pouco haja eleições intercalares lá para os lados da capital.

O Medina, esse assistirá na bancada.

7 de outubro de 2021

Costa, o viking


Lá pelos finais da década de 1970 os mais novos deliciavam-se na televisão, ainda a preto-e-branco, com a série de animação "Vikie, o Viking".

Vickie era um rapazinho alegre e inteligente, filho de Halvar, chefe de Flake, uma pequena aldeia  viking. Devido à sua astúcia e inteligência, o pequeno viking cedo começou a acompanhar o pai e os seus guerreiros em algumas das suas expedições e aventuras, apesar da opinião contrária da sua mãe, Ilda, no papel de mãe galinha, equilibrada e sensata.

Uma das características do Vickie era a solução que ele engendrava sempre que uma determinada situação se apresentava complexa e difícil para seu pai e seus vikings ou para a aldeia. Então ele pensava, pensava..., esfregava o nariz e a ideia surgia-lhe luminosa. Depois era só o tempo necessário para a mesma ser posta em prática e, pronto, tudo acabava em bem e o episódio tinha invariavelmente  um final feliz em que o bruto do Halvar quase sempre ficava com os louros apesar das suas trapalhadas.

Pois bem, todo este enredo e suspense à volta da negociação do Orçamento de Estado para 2022, pelo primeiro-ministro António Costa com os seus parceiros à esquerda, PCP e BE, é na realidade uma cópia fiel dos argumentos da referida série animada, e que já vai para o seu 7º episódio, sempre com a mesma prévia narrativa de dificuldades mas que depois no final tudo acaba em bem, isto é, com a aprovação do Orçamento, mesmo que com a abstenção dos parceiros, e depois como no final das aventuras do Vikie, o viking Costa distribui uns rebuçados e caramelos e os seus parceiros de boca doce  ficam todos felizes e com ares de terem cumprido os seus papéis.

Vamos, pois, esperar mais duas ou três semanas com a exibição deste cenário e a peça bem ensaiada para parecer dramática, até que o viking Costa esfregue o nariz e o plano maravilha faça o resto.

Rever, ainda agora, um episódio do Vikie é sempre divertido e a série até já teve versões renovadas com tecnologia 3D, mas, infelizmente, já sem a nossa inocência infantil, a coisa ainda está no início e já antecipamos o final feliz. Já não é a mesma coisa, e este filme animado do Orçamento de Estado também já não foge desse argumento esperado de tudo acabar em bem para os intervenientes, mesmo que não para o resto da malta, pois claro!

4 de outubro de 2021

Dois lados da coisa e quiçá N mais

Nada melhor como o dar palpites depois do jogo ou esgrimir o nosso ponto de vista como se fosse o único, o verdadeiro, o genuíno. O ponto de vista dos outros, de forma politicamente correcta temos que o aceitar como legítimo, mas é sempre o dos outros e como tal não é o nosso.

Esta introdução um pouco a propósito de diferentes leituras pós resultados eleitorais do passado dia 26 de Setembro e concretamente ao que fui lendo sobre o desfecho das eleições na união das freguesias vizinhas de Caldas de S. Jorge e Pigeiros.

Confesso que pessoalmente conhecendo a qualidade de cidadania de alguns dos elementos integrantes da lista do Partido Socialista, desde logo à cabeça o Eng.º António Cardoso bem como o Arquitecto Pedro Nuno, bem como o que foi lendo e ouvindo sobre a qualidade da sua campanha, fiquei com a convicção de que poderia saír vencedora, até porque, numa perspectiva de quem está de fora, sempre tive a percepção de que nos dois últimos mandatos a Junta teve uma actuação muito discreta e cinzenta, sobretudo de forma vincada em Pigeiros. Ora em Pigeiros os resultados não deixaram dúvidas sobre o julgamento da actuação do executivo PSD e a derrota foi estrondosa. Até mesmo para a Câmara Municipal, destoando de quase todas as demais freguesias. 

Já nas Caldas de S. Jorge, foi ao contrário e por força de uma maior população, o PSD renovou o mandato.

Assim, de uma leitura possível, a primeira, conclui-se que o povo das Caldas de S. Jorge está imensamente satisfeito com a actuação da Junta e as obras e melhoramentos têm sido importantes e em grande número. Será assim?  Se sim, o contentamento das Caldas sobrepôs-se ao descontentamento de Pigeiros. Nesta como noutras coisas, as minorias estão sempre amarfanhadas pelas maiorias. É a democracia, palerma, dirão! É verdade, mas aqui nesta diferenciação significativa de resultados, tal como em Guisande, percebe-se melhor que as uniões de freguesia de facto não defendem nem salvaguardam as freguesias mais pequenas. Inequívoco.

Em absurdo, mas em rigor, um executivo de uma União de Freguesias, pode dar-se ao luxo de esquecer e mesmo ostracizar as freguesias mais pequenas, como Pigeiros e Guisande, e dedicar-se apenas à maior e por isso com o significativo peso eleitoral e isso bastará para em eleições renovar mandatos. Ora, não tenhamos ilusões, este cenário tem sido aquele vivido relativamente a freguesias como Guisande, Pigeiros e Vale, entre outras filhas de deuses menores. 

No caso da União de Freguesias de Lobão, Gião, Louredo e Guisande, esta realidade é incontornável, já que Lobão tem um peso eleitoral maior que todas as restantes três unidades juntas. Uma União de facto tão desajustada e desproporcionada nas suas partes que custa a crer que alguém tenha tido sido responsável por criar e viabilizar este aborto administrativo tão absurdo. Sinceramente, mesmo com as faladas mexidas que podem vir a sofrer as Uniões de Freguesias, de tão céptico já não acredito que tal venha a suceder, mas bastaria que Lobão pedisse o divórcio e saísse da equação para a coisa melhorar significativamente, porque a duas ou a três, Guisande, Louredo e Gião são mais equilibradas entre si e por isso menos afectadas pela gravidade de Lobão. Seria do mal o menos.

Outra interpretação para o diferencial na freguesia das termas, é que as populações das freguesias maiores, numa União, não gostam da ideia de verem como presidente uma figura associada à freguesia menor. Era o que faltava! De resto, igual ponto de vista pode ser percebido na União das Freguesias de Lobão, Gião, Louredo e Guisande, onde o candidato do PSD, embora com raízes na freguesia de Lobão, é inequivocamente uma figura de Gião e como tal foi derrotado. Não custa, pois, acreditar que este bairrismo e orgulho de quem se sente maior, tenha penalizado os referidos cabeças-de-lista. E isto é complicado para o futuro já que é muito difícil conseguir uma figura concensual e transversal a todas as freguesias sem que este bairrismo bacoco seja uma barreira intransponível. O tempo confirmará, ou não, esta teoria que me parece bem prática.

Posto isto, e para terminar este exercício, já longo, haverá uma outra justificação: O povo na sua maioria não gosta de mudanças e prefere manter o fraquinho certinho  de que votar no incerto. Ainda ontem, quando fazia uma volta de bicicleta por algumas ruas do concelho de Oliveira de Azeméis, para mim, entre os concelhos vizinhos, aquele com estradas mais reles e em piores condições, mas que feitas as contas renovaram os mandatos tanto as Juntas respectivas como a Câmara Municipal. Ou seja, mesmo com executivos fraquinhos e cinzentos e com défice de obras e melhoramentos, com estradas esburacadas durante largos anos, o povo eleitor na hora H segue o partidarismo e deixa de lado as ideias e a qualidade de quem se propõe fazer melhor.

Pobrezinhos, fraquinhos, mas honrados. Assim se explicam tantas e tantas renovações de vitórias, maiorias e mandatos e perpetuação da mediocridade por parte de um eleitorado que na sua maioria não se "enxerga" ou tem um baixo grau de exigência. 

Face a isto pouco há a fazer e vamos sendo, no geral, governados por zarolhos porque o povo, esse é "cego". Ora em terra de "cegos"...

27 de setembro de 2021

Postas de pescada

Contra a generalidade das sondagens e mesmo dos críticos e analistas, Carlos Moedas, candidato da pela coligação PSD/CDS-PP/MPT/PPM/Aliança à Câmara Municipal de Lisboa venceu as eleições, derrotando o grande favorito Fernando Medina que se recandidatava pela coligação PS/Livre.

No discurso de vitória, Moedas, afirmou ter vencido "contra tudo e contra todos", porque "a democracia não tem dono", agradeceu o "voto de confiança" e comprometeu-se a mudar a capital.

Por sua vez, Fernando Medina assumiu a derrota referindo que “Carlos Moedas ganhou e merece as felicitações. É uma indiscutível vitória pessoal e política do engenheiro Carlos Moedas, a quem já telefonei e expressei, de forma pessoa, as minha felicitações".

Em tudo isto, perderam as sondagens e os analistas. As sondagens porque teimam em confundir os eleitores e os analistas porque recorrentemente se esquecem de que quem elege é o povo e não os modelos  e algoritmos matemáticos.

O reverso da medalha, é que estas análises grosseiras não servem de exemplo nem de emenda e as sondagens vão continuar umas vezes a acertar e outras vezes a errar e os analistas vão igualmente continuar a mandar postas de pescada, tantas vezes sem fundamento e seguindo e servindo agendas políticas.

A democracia tem destes cancros.