" Eu e a minha aldeia de Guisande: Humor" "" Eu e a minha aldeia de Guisande
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10/03/2026

Retrete que se preze...

 



Retrete que se preze tem uma sanita. E cerveja...Cergal, que não faz bem nem mal!

09/03/2026

Ai, ai, IA


A IA veio, de facto, fazer luz sobre as trevas. Num piscar de olhos, num estalido de dedos, o mais inapto, medíocre ou incapaz transforma-se num talentoso artista, num descobridor da pólvora e das virtudes da concentricidade da roda.

Onde antes era só negrume, agora há luminosidade a rodos; onde havia azelhice, agora sobra mestria; onde escasseava a sensibilidade, agora crescem e multiplicam-se obras de arte no design, nos cartazes, na música, na poesia e na escrita em geral.

De muitos que não sabiam distinguir ovos de obos, trocando os "ves" pelos "bes", fazendo sujeira entre detergente e deterjente, confundindo perspectiva com prespectiva, agora tudo é perfeição, rigor e fluidez gramatical e ortográfica.

Bendita e louvada sejas, IA, que vieste trazer luz à escuridão e esperteza aos nabos. O mundo está um pouco mais instruído, mesmo que com os mesmos nabos. 

Ai, ai, IA!

Dizem que vai ficar assim...









06/03/2026

O papel do papel de jornal


Aprecio, gosto e sou fã da obra do artista Alexandre Manuel Dias Farto, dito Vhils. Um excelente e talentoso artista de arte contemporânea.

O agora falado retrato, de sua autoria, do presidente da república, de saída de Belém, está dentro da sua  linha plástica. Mas, no que se pretende do retrato da mais alta figura do Estado, não gosto. Não tinha que seguir a linha mais clássica ou conservadora de um Columbano ou Henrique Medina nem um borra telas como Pomar, mas era escusado uma tão grande ruptura. Com jeitinho, teria sido composto com materiais recolhidos no lixo.

Mas, pensando melhor, é bem ao estilo de Marcelo: Mais preocupado pela forma do que pela substância, fazendo do seu umbigo o centro do universo. Espalhafatoso, muito para os média, para as redes sociais, bem ao estilo do papagaio, fala-barato, em que se transformou, sobretudo no segundo mandato. Ficará para a história como o presidente de e para as selfies, em calções de banho e a chupar um gelado.

Um presidente nos nossos dias tem de ser, obviamente, próximo, afectivo e efectivo, atento, uma voz que se faça ouvir e respeitar, mas desvaloriza-se, rebaixa-se, indignifica-se quando se trona popularucho, banal, um influencer no pior sentido.

Mas isto é apenas uma opinião, outros considerarão o contrário, e estamos todos bem. 

Mas insisto, um presidente da república não tem de ser rígído, austero, como Cavaco, cinzento e partidariamente subalterno como Sampaio ou prepotente e espalha-brasas como Soares, mas com o formalismo equilibrado e que, sobretudo, seja uma figura respeitável, que respeite e se faça respeitado. O velho ditado que o "respeitinho é muito bonito" ainda faz sentido. Não fosse isso, e então mais valia eleger o Tino de Rans, o Ena Pá 2000 ou o Batatinha. Iria dar ao mesmo.

Voltando ao retrato, não gosto no sentido da finalidade, mas, porque de encomenda, em nada surpreende e está ao nível do retratado. Afinal bem sabemos o papel que o papel de jornal teve em tempos em que o dito higiénico era luxo de cuzinhos de ricos. É, pois, um respeitável papel e merece estar na galeria de Belém.

Não havia necessidade, é certo, mas os tempos recomendam que se goste e se exalte. A fábula do "rei vai nu" ainda tem peso. Muito peso.

24/02/2026

Há quem vá ao "Barrigas"; Há quem vá ao "Fidalgus"

Quase todos, eu e os que gostam de, pelo menos de vez em quando, ir almoçar ou jantar a um restaurante, já passaram por isto: Por vezes, relativamente próximos, em tempo e distância, dois mundos parecem colidir: Num local, o restaurante "Barrigas do Povo": sem peneiras, sem guardanapos de pano, um bacalhau, à casa ou à "liberdade", que precisa de dois pratos para caber, um vinho da região honesto e uma conta que nos faz sair a sorrir, mesmo com entradas, saídas e o habitual "cheirinho". Ainda a pedir um saco para levar as sobras para o cão ou mesmo para uma refeição no dia seguinte.. 

Noutro sítio, o "Fidalgus", com fundo musical suave, decorações estilosas: aí, uma dose que parece uma amostra grátis, uma lasca de bacalhau solitária no meio de um grande prato, pintalgada por azeite ou molho inglês, uma qualidade que, para além do estilo, não deslumbra de todo, e no final uma conta que parece o orçamento de defesa de um pequeno país. O vinho que sabemos que na loja do Pingo Doce custa 4,00 euros, ali não se contenta a custar, compreensivelmente, 10, mas 20 euros. Se for um Giroflé ou Giroflá, coisa de autor, ui, ui!

O mistério, diga-se e em boa verdade se esclareça.  não é só gastronómico, antes sociológico. Senão, vejamos: O "Imposto de Vaidade" - Por que é que no "Fidalgus", se a comida , não sendo pior, não é seguramente melhor? Quiça com umas pétalas de rosas, umas raspas de cenoura e duas folhinhas de beldroegas? A resposta é simples: o cliente não está ali para comer. O que está na mesa é um acessório, como um relógio de marca ou uma mala que custa mais que todo o dinheiro que nela se consiga meter dentro. O preço inflaccionado não é um erro de cálculo do dono ou do empregado de mesa; é apenas um filtro social, de estatuto, de diferenciação.

Num mundo (digamos, pelo nossa zona) onde qualquer um pode comer bem por 20 €, o verdadeiro luxo, para alguns mais abonados ou com reformas de médico ou professor, é pagar 50 € por algo parecido, apenas para garantir que o vizinho da mesa do lado tem o mesmo extracto bancário (ou, pelo menos, a mesma pretensão). É o chamado consumo conspícuo: a arte de gastar dinheiro para sinalizar que se tem dinheiro. Por regra, a ementa funciona apenas como um guião teatral.

Na verdade, no "Fidalgus", a dose é, regra geral, minimalista, apelidade de "gourmet", inversamente proporcional ao ego. Quanto menos comida houver no prato, mais "sofisticado" o cliente se sente. Afinal, comer até ficar satisfeito é coisa de quem trabalha no duro, de um qualquer trolha ou pedreiro; a elite, essa prefere a "experiência" da fome, do gourmet, da "comida de autor", seja lá que caralho isso queira dizer.

O vinho: É o mesmo que custa 4 € no supermercado, mas aqui, baptizado pela iluminação ambiente e por um escanção que nos olha de cima, que saca a rolha, e cerimoniosamente dá a provar e a cheirar, passa a valer 30 ou50 €. E o cliente paga, não pelo sabor, por vezes até a saber a rolha como um qualquer Malaquias, mas pelo som da rolha a saltar num sítio onde "toda a gente" o vê, num gestual teatral, de especialista, a percebe der "terroir".

O paradoxal da realidade: O mais irónico é que muitos destes clientes nem sequer têm o estatuto que tentam comprar. São os aspiracionais. Pagam o bife duro e caro com o cartão de crédito no limite, apenas para poderem dizer, no dia seguinte, que "estiveram lá". É uma espécie de masoquismo social: sofrem no estômago para brilhar na conversa de café ou nas redes sociais. Não falta gente dessa.

Enquanto isso, por vezes em local próximo, o cliente "esperto" mas ruidoso, delicia-se com um lombo de bacalhau suculento ou com um bife à Zé de Ver. E cebolada à fartazana. E queijo com marmelada, ambos fatiados sem cerimónia ou facas da Tramontina.

Conclusão: Qual é a sua fome? No final do dia, a restauração divide-se em dois tipos de serviço: os que alimentam o corpo e os que alimentam a vaidade. Mais ou menos isso.

Se procura qualidade e quantidade, siga o cheiro da comida boa e o barulho das pessoas satisfeitas, mesmo com algumas moscas no ambiente, toalhas e guardanapos de papel. Se procura sentir-se "superior" enquanto mastiga um bife médio, prepare a carteira. O estatuto tem um preço, e normalmente, esse preço é uma má digestão e uma conta pesada. Mas nada que não se aguente. Afinal, o estatuto paga-se.

A pergunta que fica é: da próxima vez que sair para jantar, vai levar o seu paladar ou o seu currículo?

Segue-se uma tabela toda bonita que compara ambas as experiências:

Característica Restaurante "Barrigas do Povo" (20 €) Restaurante "Fidalgus" (50 €)
Foco principal O estômago (Satisfação real) O ego (Satisfação social)
Perfil do cliente O "Esperto" (Procura valor) O "Vaidoso" (Procura sinalizar)
Pós-Refeição "Comi um bacalhau incrível e barato!" "Estive ontem no "Fidalgus""
Estratégia Passa-palavra da qualidade Exclusividade e preço como filtro

22/02/2026

Racismo e macacada


Racismo no futebol? Não me parece. Nos casos mediáticos, creio haver uma sobrevalorização em tudo o que mexe ou parece. Desrespeito mútuo, falta de cultura, atitudes provocantes e provocatórias, isso sim. Nada justifica o racismo, genuíno ou provocatório, como nada justifica o clima persistente e recorrente de más atitudes, entre adeptos, atletas mas também entre os clubes e seus dirigentes. Os maus exemplos tendem a ser seguidos.

Para além de tudo, supostamente chamar macaco a um futebolista, seja ele branco, amarelo ou negro, para além do desrespeito ao próprio, pode ser uma ofensa aos próprios macacos. Cada macaco no seu galho, mesmo que o futebol assim não passe de uma macacada.

Macacos me mordam se não é isto!

01/10/2025

Na paz do quintal

Aviso: O texto que se segue está num registo humorístico e é mera ficção. Qualquer semelhança com qualquer realidade é mera coincidência. A aldeia pode ser qualquer uma e o aldeão, idem.

Pretende o texto suscitar apenas uma reflexão sobre as nossas decisões, enquanto cidadãos, tantas vezes surpreendentes quanto contraditórias mas, no fim de tudo, prevalece a vontade legítima de qualquer um. O resto, a apreciação e os julgamentos, tanto mais no contexto de eleições, são os eleitores quem decidem e tantas vezes o que para uns são contradições ou incoerências, para outros são virtudes e até vantagens ou, pelo menos, nada que lhes mereça desconsideração. 

Não tem, pois, qualquer recado seja para quem for embora nestas coisas haja tendência de enfiar chapéus alheios só porque lhes cabem na cabeça.


É sempre de espantar, ou talvez não, que alguém que fez parte de uma associação cultural e recreativa na sua aldeia, e que raramente aparecia para trabalhar aquando da realização de eventos ou outras actividades da mesma, fosse para servir cerveja, assar sardinhas ou arrumar mesas e cadeiras, nem sequer aparecendo às trimestrais reuniões ou sessões da Assembleia, escusando-se e desculpando-se em compromissos pessoais, e que, não obstante, depois, dessa indiferença pela causa, apareça agora a fazer parte de uma lista eleitoral local, em lugar elegível para integrar a Junta de Freguesia da Aldeia. Espantam-se com isso alguns conterrâneos.

Claro está que o eleitorado dessa aldeia, toda cheia de gente boa, é quem decidirá, mesmo que nem sempre de forma esclarecida, ou porque entorpecida pela lealdade partidária ou por velhas azias, mas custa, a alguns vizinhos, perceber como é que depois, se vencer a eleição, o que é perfeitamente possível, esse aldeão vá assumir responsabilidades com dedicação face às exigências que serão constantes, mesmo, diárias. Pode acontecer essa mudança de dedicação? Pode! Concerteza que sim, acreditam alguns aldeões, mais dados a histórias da carochinha, mas custa a acreditar a outros tantos, mais desconfiados ou já avisados deste tipo de filmes, porque já vistos.

Se perguntam os leitores dessa aldeia quem é o aldeão em causa e em que aldeia isso ocorre, quem não souber também não merece saber, porque só não vê quem não quer ver, ou anda a leste das coisas que acontecem na sua terra.

Apesar disso, pela pessoa em causa, alguns aldeões, os que o conhecem, porque a maioria não,  têm o maior respeito, a melhor consideração e pintam-no como bom hortelão, mesmo que pouco seja visto, porque muito caseiro. O que os surpreende mesmo, com a novidade da candidatura, é a aparente mudança em ter de deixar a sua querida horta e aquele ambiente de sossego e descompromisso diário, para se arriscar a ocupar das necessidades e inquietações públicas e particulares.

A aldeia, surpreendida por essa inusitada determinação, aguardará para ver, se, caso eleito, o que pode bem acontecer, o seu aldeão assumirá as responsabilidades e as canseiras do cargo, ou se, ao contrário, logo no primeiro dia, dará o lugar a quem se segue na lista, no que desconfiam alguns que até será o mais certo, voltando então, de mansinho, para a paz do seu quintal, continuando a entreter-se a cultivar couves, alfaces, tomates e batatas.

Numa pequena aldeia, a vontade e o gosto em andar de volta das alfaces e dos tomates ainda tem mais peso que fazer parte do zeloso grupo de aldeões da Junta, duarante quatro anos a aturar todo o povo, a pagar por ter e não ter cão. Melhor, concluiu-se, é ocupar os dias na horta, porque, assim como assim, ali os tomates não se queixam nem batem à porta ao Domingo, a interromper o almoço ou jantar, nem as alfaces reclamam pela falta de responsabilidade, ausências ao serviço e falta de limpeza nas ruas ou jardins.

Mas, em boa verdade, comentam alguns aldeões, o aldeão candidato nem se queria meter nestas aventuras, porque é acima de tudo, boa pessoa, um amante da paz e tranquilidade. Mas foram incomodá-lo e, por sentido de dever ou outro motivo não descortinado, lá acedeu. Agora é andar p´rá frente!

Há coisas que de facto, de tão intrigantes, não são para comprender, porque envolvem uma certa ciência, como a das batatas e dos tomates. De resto,  os cientistas até dizem que aquelas evoluiram a partir destes. (1)


(1) Um estudo internacional, divulgado na revista Cell, revelou que a batata atual surgiu a partir de um cruzamento natural entre plantas aparentadas à batateira e espécies ancestrais do tomate, ocorrido há cerca de 9 milhões de anos. A descoberta ajuda a resolver uma questão científica que intrigava investigadores há décadas.

Durante muito tempo, a comunidade científica procurou compreender a origem evolutiva da batata. Agora, uma equipa de especialistas de vários países trouxe uma explicação inesperada: a batata resulta da fusão genética de espécies sul-americanas semelhantes à batateira com plantas precursoras do tomate.

A investigação baseou-se na análise genética de 450 variedades cultivadas e de 56 espécies selvagens. Os resultados apontam para uma herança equilibrada e estável de material genético proveniente tanto das espécies Etuberosum — originárias do Chile e semelhantes à batateira, mas incapazes de formar tubérculos — como do tomate, confirmando a sua dupla ancestralidade.

04/04/2024

Irritações

Eu irrito-me! Claro que sim! E quem com um bocadinho de senso crítico, capaz de distinguir uma sardinha de um arenque, não se irrita com certas coisas que se vão expondo ao público como em tendas das feiras os casacos, calças e cuecas?

Ora nesta feira, de vaidades, que é o Facebook, são mais que as mães as situações. É um sítio digital, é certo, mas bem que pode ombrear com qualquer terra de fenómenos e milagres, como o Entroncamento ou Fátima, tal é a quantidade de coisas dadas como extraordinárias. É ver os novos inventores da pólvora e da roda, os mestres das coisas fantásticas, os modernos Midas que em tudo que tocam, incluindo cagalhotos, se transforma em ouro. E todos bem considerados e como bons pastores, seguidos por rebanhos fiéis e bajuladores. Mée, mée, mée!

Olha p´ra mim em pé! Olha p´ra mim sentado! Olha p´ra mim a correr! Olha p´ra mim a saltar! 

Olha p´ra mim na praia, no restaurante, junto à cascata, no passadiço, na rua, a segurar o cão, a acariciar o gato! 

Olha p´ra mim vestidinho de cor-de-rosa, de azul, de amarelo, às riscas, aos quadrados, às pintas!

Olha p´ra mim! Olhem p´ra mim! Sim, porque tudo gira  à minha volta. Sou o sol, o centro do universo!

Arre, que é dose!

Estamos na era dos "influencers" e estes existem, prosperam, porque há sempre idiotas chapados que os seguem, e cada peidinho que os seus influentes traseiros tenham a bondade de partilhar, recolhem uma milada de gostos e partilhas. É disso que vivem!

Haja paciência! 

...Ups! Estava com o microfone ligado! Estava a brincar! :-)

30/03/2024

Compensações pascais

 




Declaração de interesses: Partilha do interesse de apenas dois ou três amigos. Os demais que não liguem. Nada de mais, apenas as compensações para os excessos do pão-de-ló e das amêndoas nesta Páscoa. 
Corridas de ontem (11,97 Km) e de hoje (8,06 Km). A somar à corrida de hoje um misto de caminhada e corrida com mais 3 Km,  junto ao rio Uíma na descoberta da sua cabeceira, na zona dos Valos-Romariz.

Mas foi missão impossível porque a zona a cerca de 50 a 100 metros da sua cabeceira está infestada de silvas e carrascos, intransponível. Infelizmente neste concelho gasta-se muita numa certa centralidade e a lateralidade continua isso mesmo, à margem. Mas sim, seria interessante efectuar a limpeza nas suas margens até à nascente e de modo a ser possível percorrer em trilho.. 
Também ali do lado nascente, junto ao campo de futebol de Romariz, e relativamente próximo do rio, um grande movimento de terras com aterro. Terá licenciamento? Perguntas difíceis em véspera de Páscoa?








24/03/2024

Dicas de aquecimento para corrida

 


Para quem faz corrida, fica aqui uma dica de aquecimento: Duas horas e meia a plantar batatas, passando pelas diferentes disciplinas técnicas de preparar regos, espalhar estrume, colocar as batatas, espalhar adubo e cobrir. 

Deve ter sido por ter feito este aquecimento tão técnico que ontem depois da plantação corri por Guisande, Pigeiros e Romariz, 12 Km e picos com um um ritmo simpático para a idade e peso de 5:12 m. Ou seja em pouco mais de uma hora. É que não encontro outra explicação, pelo que recomendo vivamente.












13/03/2024

Estar na horta e não ver as couves


É velho o provérbio de que andamos sempre a aprender. Independentemente do tamanho do rei que alojamos na barriga, mais ou menos viajados, estudados ou analfabetos, somos levados a concluir que já vimos de tudo no mundo e que já nada nos surpreende na vida e muitos até garantem que já viram um porco a andar de bicicleta, uma vaca a voar ou uma bicha de sete cabeças.

Certo é que passe os exageros e os exagerados, há realmente coisas que, fora do foro da fantasia, não deixam de nos surpreender e se não de completo pasmo ou de boca aberta, pelo menos o bastante para ficarmos a matutar como tal é possível. E o que não faltam são casos ou episódios a merecerem tamanha surpresa. 

E não estou a falar de alguém que, sabe-se lá com que motivação, anda a varrer a estrada em frente à sua porta, o que nem seria descabido, mas para além dela em largas dezenas de metros. Tivesse a Junta de Freguesia funcionários assim tão zelosos e tudo andaria num brinquinho. Ou mesmo se toda a gente varresse a rua na frente da sua porta. Mas o que me prendeu mesmo a atenção com mais espanto, foi o verificar que agora as pessoas enchem literalmente contentores de resíduos sólidos domésticos, incluindo com troços das couves da horta. Atestadinho. E surpreso, porque imaginei que quem tem uma horta com couves galegas saberá que os troços depois de secos até ardem na lareira, numa fogueira ou mesmo adequados para compostagem. Mas não. Bóra lá encher o contentor!

É de facto espantoso ver o que as pessoas conseguem colocar nos contentores do lixo ou junto dos eco-pontos. Já vi de tudo mas um dia destes vamos dar de caras com um porco amarrado a uma velha bicicleta pasteleira ou uma vaca presa a uma bigorna para não levantar voo.

28/02/2024

Cenouras gratuitas

Uma certa Junta de Freguesia, no Facebook, anunciou como "novidade" aulas de fitness para a população, "totalmente gratuito". Numa das partilhas da "novidade", alguém considera que "isto é que é uma freguesia preocupada com os habitantes".

Respeitando ambas as coisas e o benefício fantástico de tão espectacular medida, questiono o que é que as pessoas acham do "totalmente gratuito". Se os orientadores, o espaço, a electricidade, a limpeza e custos associados forem mesmo oferecidos, pró bono, à borlix, acho que sim, é de aproveitar a quem gosta. Dê-se já um voto de louvor a essa boa gente.

Já se a coisa, aos orientadores, os espaços, água, electricidade, e logística, forem do orçamento da Junta, aí o "gratuito" tem que se lhe diga. É o que o orçamento da Junta vem de algum lado, da Câmara, do Estado, e em última análise dos impostos e taxas dos contribuintes. Por conseguinte, e é aqui onde pretendo chegar, o conceito de "gratuito" é sempre muito relativo. Fazer brilharetes com o dinheiro dos outros, mesmo que dos contribuintes, é uma alegria. Mas partilhado nas redes sociais tem impacto e cheira a coisa bonita e há quem goste. 

Num tempo em que ninguém dá nada a ninguém, espanta que alinhemos com facilidade nestas cenouras à frente do burro sem qualquer sentido crítico quanto a qualquer forma de "engana-me que eu gosto".

13/02/2024

Carnaval dos tolos e dos outros

Ainda bem que há Carnaval. Sem psicanalistas, sem psicólogos, sem terapias, revela-nos de mão beijada os tolos, as nossas taras, manias e paranoias. Alguns não terão conserto, outros sem remédio, mas dizem que é libertador e, pelos menos, ficamos a conhecê-los. Antes folia que Xanax!

Bom Carnaval!

29/01/2024

Eufemismos, penso eu de que...

Não deixa de ser um eufemismo, no mínimo engraçado, que alguém com 86 anos de idade e presidente  de um clube há mais de 40 anos, numa governação em rigor sem oposição de peso em actos eleitorais , se recandidate a um novo mandato com uma premissa de "renovação" e logo quando do outro lado o candidato que lhe ousa fazer frente é gente jovem. 

O passado, a experiência e as idades dizem sem esmorecimento que é mais do mesmo, mas o sentido que queremos dar às coisas ou às palavras valem  o que valem. Se dizem que será "renovação", seja. Não os contrariemos. O teste do algodão não engana e nestas como em muitas outras coisas só se deixa enganar quem de tal gostar. De resto, pela consideração e quase idolatria à figura em questão pela maioria da massa adepta, para voltar a vencer mesmo que com a oposição de um jovem, não tinha necessidade de trazer a "renovação" à equação porque cheira a falso. Bastaria dizer que continuaria a ser ele próprio e mais do mesmo porque a receita consideram-na positiva. Não havia, pois, necessidade do pingarelho da "renovação" até porque só serve para enganar tolos. Mas compreende-se porque a idade não perdoa.

Enganem-nos, que eles gostam!

28/01/2024

Não há pachorra


Entre o que se vai passando na Madeira  dos Albuquerques e Calados, com os Cafofos já a aprontarem-se para um segundo round, e a campanha eleitoral nos Açores com Cordeiros e Bolieiros nos lados opostos da barricada, por cá também em pré-campanha, de um lado e doutro vamos ouvindo umas fogachadas, como se nós, eleitores, sejamos todos uma cambada de mentecaptos incapazes de distinguir certas coisas.

Por exemplo Pedro Nuno dos Santos, o neto do sapateiro, candidato a primeiro ministro pelo partido Socialista, diz que há cinco autoestradas (SCUTs) em que vai deixar de se pagar portagens no caso de o PS formar governo nas próximas eleições. E justifica-se de que os anteriores governos fizeram uma "maldade aos portugueses". E afirma-o com uma convicção tal que parece alheio ao facto do seu partido ter governado o país nos últimos 10 anos, dele fazendo parte, como se não fora tempo bastante para, logo no primeiro ano, concretizar o que uma década depois promete. Parece igualmente ignorar, ou esperar que não nos lembremos, que tal promessa havia sido já feita pelo seu correligionário António Costa em 2015 e que nunca foi cumprida. Realmente, uma maldade nunca vem só asim como a falta de memória.

Da esquerda à direita, passando pelos extremos, vamos assim assistindo a um bombardeamento de atoardas que mais do que incentivarem ao voto quando o calendário marcar 10 de Março, convidam, em boa verdade, à abstenção, ou então ir votar e nos boletins, em vez da cruzinha no sítio certo, desenhar uns manguitos ou uns erectos marsapos.

Não há pachorra!

25/01/2024

Alguém anda a roubar o meu naco

Segundo dados relativamente recentes da FAO - Organização para a Alimentação e Agricultura, uma agência especializada das Nações Unidas, Espanha e Portugal são os países que a nivel mundial mais carne comem. Estima-se que cada português consome em média 95 Kg de carne por ano, o que dá a bonita parcela de 260 gramas por dia, o que equivale a dois bons bife. Desta quantidade, quase metade corresponde a carne de porco e a restante entre a de origem bovina e de aves.

Faço as minhas contas e, mesmo contando com um ou outro exagero em dias festivos, não consigo chegar nem de perto a esses números e quantidades per capita, desde logo porque habitualmente o peixe entre com regularidade nas ementas cá em casa e mesmo quando carne pouco mais que 100 gramas já limpa de ossos. Além disso, por vezes, muitas, nem carne nem peixe e apenas um simples ovo ou umas pataniscas vegetais. 

Em resumo, as contas são fáceis de fazer e acreditando na FAO chego à conclusão que há muitos anos alguém anda a comer a quota parte a que tinha direito. Que há por aí muitos comilões a irem com frequência ao Zé de Ver, sei que há, mas assim a roubarem descaradamente a minha parte, o meu naco, ficando eu com a fama de comedor mas sem o proveito, é que não! 

As médias nas estatísticas têm esta particularidade, a de pagarem todos pela mesma medida e por elas até os vegetarianos comem carnes.

07/01/2024

O bacalhau quer alho...

Terminou mais um congresso do PS - Partido Socialista. Não sou, de todo, consumidor de congressos partidários e o que vejo e ouço é apenas pelas notícias, resumos e análises. E entre um concurso "O Preço Certo" e um qualquer congresso político a diferença pode ser de conteúdo mas não de formato, porque em grande medida ambos entretenimentos de baixa qualidade.

Mas do que vi ou ouvi nessa forma condensada, acho que por ali se falou exageradamente do PSD. Não sei que leitura isso possa ter, mas pareceu-me em muito com os portistas a falarem mal dos benfiquistas e vice-versa. Por conseguinte, na política como no futebol, mais do que sermos nós próprios e as nossas ideias, somos sobretudo contra os outros, porque temos e não nos descolamos dos nossos ódios de estimação.

Hoje ao fim da manhã, já no encerramento do dito congresso, com o passeio do herói PNS e com uma musicazinha de fundo a puxar para a emotividade e os olhos embaciados de militantes mais dados a emoções, pensei que bastaria mudar a música de fundo para termos uma comparação literal com um circo, com acrobatas, malabaristas, ventríloquos e palhaços, muitos. Que tal se fosse a cantiga do Quim Barreiros, "Eu gosto de mamar nos peitos da cabritinha" ou então a do pequeno Saúl, "O bacalhau quer alho..." ? Só tinha a ganhar um congresso, do PS, do PSD ou PCP, etc, se a banda sonora fosse deste calibre porque retrataria de forma mais fiel o verdadeiro sentido destas coisas em que os políticos e as suas massas adeptas se reúnem para se mostrarem ao país em largos tempos de antena.

Seja como for, estas coisas fazem parte da nossa sociedade, e dizem que a democracia precisa de partidos e de politicos e tal como as gripes e as constipações é difícil escapar a elas, mesmo que devidamente pré-vacinados. 

Certo é que perante estes festivais, a vontade de votar nas próximas legislativas é neste momento menor do que tomar óleo de fígado de bacalhau mesmo que os nossos pais teimassem que era para nos fortalecer a saúde.

30/12/2023

Mini Trail do Bolo-Rei

 


Mini-Trail do Bolo-Rei. Classificação: Geral: 1.º e último. Escalão M60: 1.º e último.

24/12/2023

Trail do Leite Creme - 1.º e último

 

Trail do Leite Creme. Classificação: Geral: 1.º e último. Escalão M60: 1.º e último.