" Eu e a minha aldeia de Guisande" "" Eu e a minha aldeia de Guisande

13/03/2026

Os sonhos, alegres ou medonhos


Já muito foi escrito e estudado sobre os sonhos e o sonhar. Filósofos, psicólogos e cientistas dedicaram anos e vidas a tentar compreender esse território misterioso que se abre todas as noites quando fechamos os olhos. Ainda assim, os sonhos continuam a escapar a explicações completas, como se fossem uma linguagem íntima da mente que apenas sentimos, mas raramente dominamos.

Os sonhos têm uma capacidade extraordinária: permitem-nos viajar ao passado. De repente, voltamos à infância, à juventude, a lugares que já não existem, reencontramos pessoas que desapareceram da nossa vida e revivemos emoções que julgávamos esquecidas. O tempo, nos sonhos, deixa de obedecer às regras do relógio. Tudo pode acontecer outra vez.

Mas os sonhos não são apenas memórias. Neles somos muitas vezes aquilo que nunca conseguimos ser na realidade. Sentimos emoções, alegrias, medos, dores e prazeres, tantas vezes reflectindo o nosso estado real. Tornamo-nos heróis improváveis, mágicos capazes de transformar o mundo com um gesto, ou pessoas que dominam talentos que nunca aprendemos. Nadamos não sabendo nadar, voamos mesmo que uma impossibilidade, enfrentamos perigos, resolvemos problemas impossíveis. A mente cria cenários onde as limitações desaparecem e a imaginação governa. 

No entanto, essa liberdade fundamenta-se na realidade presente. Os sonhos usam aquilo que somos. Utilizam os nossos sentimentos mais profundos, as nossas inseguranças, as fraquezas que escondemos e até os vícios ou pequenas obsessões que carregamos. Como um espelho imperfeito, eles reorganizam tudo isso em histórias estranhas, por vezes desconfortáveis, mas sempre reveladoras.

Também é nos sonhos que a vida emocional se expande sem regras sociais. Podemos namorar, apaixonar-nos ou amar alguém, mesmo quando na vida real já temos um compromisso, casados, com filhos ou netos. Não se trata de traição, mas de uma liberdade simbólica da mente, onde desejos, curiosidades e afectos se misturam sem julgamento.

E, no entanto, por mais livres que pareçam, os sonhos nunca conseguem fugir completamente à realidade. Podem distorcê-la, exagerá-la ou reinventá-la, mas a sua matéria é sempre feita daquilo que vivemos, sentimos e tememos. No fundo, os sonhos são apenas outra forma de a realidade falar connosco, porventura mais silenciosa, mais estranha, mas profundamente humana.

Os nossos sonhos são alegres ou medonhos. Mas são sempre aquilo que somos, mesmo o que não fomos ou o que aspiramos a ser.

12/03/2026

Ti Irene de parabéns!


Está hoje de parabéns a Ti Irene de Estôze. 98 anos, do lugar de Estôze.

Irene Gonçalves dos Santos, nasceu em 12 de Março de 1928. Viúva de Manuel Neves, com quatro filhos, o Joaquim e o Manuel (falecidos), a Ester e o Ângelo.

Filha de Rosária Rosa Gonçalves (nascida em 12 de Novembro de 1894) e Joaquim Caetano dos Santos (nascido em 28 de Fevereiro de 1895).

É neta paterna de avô incógnito e de Ana Gomes ( filha de António José Caetano e Tomázia Rosa).

É neta materna de José Custódio Gonçalves (nascido em 10 de Março de 1864) e de Rosa Maria de Jesus (nascida em 1862). 

Esta Rosa Maria de Jesus era filha de Manuel Alves da Mota e de Micaela Maria de Jesus.

Este José Custódio Gonçalves era filho de Custódio Gonçalves (filho de Manuel Gonçalves do Espírito Santo e de Maria Teresa de Jesus) e de Maria Rosa de Jesus (filha de António Francisco Palheiro e Tomázia Rosa de Jesus).

Parabéns à Sr.ª Irene e com calma e um dia de cada vez, esperamos pelo centenário.

10/03/2026

Adeus magnólias


Não o confirmei, mas alguém hoje me informou de que terão sido abatidas as duas magnólias que de há anos existiam defronte da nossa igreja matriz.

Pessoalmente fico com um sentimento dividido, porque é sempre triste ver abater uma árvore (no caso duas) mas por outro lado também considero que o seu crescimento foi desmesurado a tal ponto de estarem a esconder a nossa igreja (principalmente a do lado norte), cuja fachada principal só por si é merecedora de estar bem desafogada e visível a partir do início da alameda. Compare-se ambas as situações nas fotos.

Creio que já falei por aqui, ou noutro espaço, sobre o assunto do crescimento e de um dia ter de se equacionar o abate das árvores ou a sua poda algo radical e desvirtuar as mesmas. Então, como se esperava, as opiniões não foram convergentes.

Neste caso, como disse, por mim fico dividido mas compreendo e aceito a decisão. Alguém tem de tomar decisões mesmo na impossibilidade de agradar a todos. Resulta daqui que certamente haverá opiniões contrárias.

De resto, as árvores também não são eternas e muitas vezes, quando não em espaços adequados ao seu porte, passam a ser prejudiciais. Por outro lado, é frequente que quando se plantam nem sempre se tenha a capacidade de antever o que serão no futuro e se isso será adequado. Eu próprio já cometi esse erro com uns arbustos (tipo cedros) que cá em casa tive à face do muro da rua e que com trabalho e despesa tive de abater e os estragos ainda hoje se fazem sentir. 

Até mesmo no nosso adro, defronte da residência paroquial, já existiu uma cerejeira frondosa e de bons frutos, que por 1956 teve de ser abatida para permitir um adro amplo e um melhoramento do mesmo, então em terra e irregular. Também nessa altura não foi do agrado de todos.

Em resumo, com tristeza mas percebendo e aceitando a decisão, veremos o que ali será colocado, talvez plantas arbustivas e floridas e que não cresçam a ponto de ocultar a igreja.

Retrete que se preze...

 



Retrete que se preze tem uma sanita. E cerveja...Cergal, que não faz bem nem mal!

Que importa...