" Eu e a minha aldeia de Guisande" "" Eu e a minha aldeia de Guisande

11/05/2026

A lição da fábula do ovo de Colombo


Pela década de 1970 aprendi a fábula do Ovo de Colombo  num dos livros de leitura da escola primária. Grosso modo, o navegador e descobridor da América, Cristóvão Colombo, um certo dia, a propósito do valor da sua descoberta, que muitos então desvalorizavam, desafiou os presentes a porem de pé um ovo fresco de galinha sobre a mesa sem que tombasse. Como ninguém encontrasse solução, o genovês, com cuidado quebrou um pouco de casca na extremidade do ovo, e assim, apenas com a película a segurar a gema e a clara, conseguiu uma ligeira base e com isso que o ovo se equilibrasse facilmente.

Depois disso, os presentes desvalorizaram, argumentando que, assim também eles. Então, como remate e lição da fábula, Colombo terá dito que as grandes descobertas eram mesmo assim, a parecerem fáceis depois de terem sido realizadas, Antes, porém, ninguém teve a ideia ou o valor capaz de as levar a cabo, de as realizar.

Esta lição, mesmo que uma metáfora e sem qualquer rigor histórico de que tenha realmente tenha acontecido, lembra-nos que ainda hoje não falta por aí quem diga ser capaz de equilibrar ovos sobre a mesa depois de ver como o fazer. Antes, porém, sem tomarem a iniciativa, sem mostrarem como se faz. Assim, ao invés de darem mérito e valor a quem o faz pela primeira vez, limitam-se a dizer que "...assim também eu".

Em Guisande, nesta pequena e bonita freguesia, também há quem desvalorize alguns dos nossos Colombos, sem mostrarem como fazer e sobretudo mais e melhor. O mérito não é reconhecido, antes desvalorizado e no copo meio de água, dizem que está meio vazio.

É a vida!

No mínimo, uma taça...

Um clube de futebol de topo, já consagrado campeão nacional, que venceu com justiça (e muita azelhice dos principais adversários), mas  que na penúltima jornada perde de forma categórica com o clube último classificado e já despromovido à divisão inferior, no mínimo deveria ter direito a uma taça dourada a lembrar esse feito. Não sendo inédito, não é para qualquer um. 

Tendemos a valorizar os grandes feitos, mas é injusto que os enormes defeitos sejam esquecidos. Também eles têm o seu quê de poético.


Américo Santos - Ex atleta e dirigente do Guizande Futebol Clube



Américo Pereira dos Santos foi um dedicado  atleta e dirigente do Guizande Futebol Clube. Teve direito ao livro sobre a histório do clube. 

Como atleta era guarda-redes. Foi também responsável por algumas equipas do Despertar.

Em muito, o livro é um tributo a todos quantos ao longo dos tempos se dedicaram ao clube, quer como dirigentes quer como atletas e associados, mesmo daqueles que não são identificados de forma pessoal..

Recordo que o livro está a ser vendido pelo clube, na Loja Agrícola em  Fornos e no Café Fornos e, naturalmente, junto do clube.

A receita total com a venda do livro reverte  favor do clube.

06/05/2026

Grupo "Guisande: Ontem e hoje" - 2.º aniversário

 


Completam-se, hoje, dois anos sobre a criação do "Guisande: Ontem e hoje", um grupo de carácter privado na rede social Facebook.

O grupo destina-se apenas a pessoas naturais e residentes na nossa freguesia, com ligações familiares  ou outras, reconhecidas pelo administrador.

O grupo conta actualmente com 412 membros, sendo que já terá sido recusada mais de uma centena de pedidos de pessoas não reconhecidas ou que, convidadas à identificação, não prestaram os esclarecimentos relativamente à sua ligação à freguesia.

A adesão tem sido de livre vontade e ninguém entrou por convite da administração. Quem quiser sair, sai quando desejar e de livre vontade, sendo que depois de o fazer não voltará a entrar.

Não as contabilizei, mas seguramente já foram mais de 500 publicações, na sua larga maioria com assuntos e temas relacionados à nossa história passada, das nossas coisas comuns, património, cultura, tradições e gente.

Tenho plena noção de que destes 412 membros, a larga maioria passa por cá apenas por curiosidade e com interesse reduzido. Apenas um pequeno grupo segue com interesse e participa com reacções ou comentários. Esta sitguação não é novidade porque sei do que a casa gasta. Infelizmente, no geral, damos pouca atenção ao que é nosso, ao que nos valoriza como comunidade, do passado e do presente, antes alinhando facilmente em minudências e culto do umbigo.

Posto isto, sem ilusões, mas antes remando contra a maré, o espaço vai continuando, com mais ou menos regularidade e na certeza de que muitos destes assuntos um dia poderão ser passados para um outro suporte, nomeadamente para um livro na forma de monografia sobre a freguesia. Material não falta e quase todo escrito. O problema até será de excesso de conteúdo pelo que obrigará a uma selecção.

Assim sendo, deixo um  agradecimento especial aos membros do grupo, de modo particular aos mais fiéis, que ao fim de dois anos ainda continuam a passar pelo grupo, a valorizar e reconhecer o interesse do espaço e dos temas ali abordados e partilhados. 

05/05/2026

Estaminé pessoal

 


Um espaço pessoal com algumas simples mas úteis aplicações e alguns visualizadores topográficos. Aos poucos, a lista será ampliada.

O espaço serve também, e sobretudo, de apoio ao nível de servidor de algumas das minhas coisas e projectos online.

04/05/2026

No tempo em que havia mais alma e menos imigrantes

 


Equipa do S.L. Benfica, na época 1974/1975 (Campeão Nacional). Do tempo em que os adeptos não andavam a torcer por uma equipa quase toda composta por estrangeiros. Se quisermos o contrário, no tempo em que as equipas portuguesas tinham mais alma...portuguesa, nacional.

Tenho-me desligado do futebol indústria, e ainda bem. Do meu Benfica, não vejo jogos, não pago televisão para assitir no sofá ou ver no campo (até porque é longe), nem leio jornais. Não rebato alarvidades e provocações nas redes sociais, nem alinho em tira teimas a saber quem tem mais ou menos razão na eterna rivalidade entre clubes e se cada um destes tem mais ou menos razão nas ajudas ou roubos por árbitros. É chover no molhado ou regar a praia.

Não tenho camisolas com as cores e emblema do clube e seria incapaz de andar com elas fora do contexto do estádio. Nunca influenciei esposa, filho, afilhado ou vizinho a ser pelo meu clube. Nestas coisas o respeitinho pela identidade própria é muito bonito. Se tiver que ter em casa alguém adepto de outro clube, que seja, apenas pedindo que haja respeito mútuo e bom senso.

Sei dos resultados, muitas vezes,involuntariamente e apenas no dia seguinte e porque, sem querer, as notícias vão-se ouvindo, na televisão ou na rádio. Das duas ou três vezes que, levado por amigos, fui para a rua festejar mais um título, senti-me um tonto, sem saber o que ali estava a fazer no meio da multidão, na maior parte gente estranha, a olharem uns para os outros, com excessos na bebida e nos gestos. A ressaca deveria servir para alguma vergonha pessoal, mas é pedir muito a quem vive estas coisas a dizer que com orgulho, alma e coração, como se isso os fizesse mais capazes ou melhores seres humanos que os rivais. 

Faz-me confusão ver tantos adeptos, ora com maus fígados quando as coisas não correm de feição, ora com entusiasmo desmedido e até fanatismo, quando, afinal, torcem apenas por uma equipa de estrangeiros, que do clube apenas envergam a camisola e recebem os milionários ordenados e sempre com o olho num patrão de um campeonato com mais prestígio, que lhes dobre ou triplique o ordenado. Os dirigentes, treinadores e atletas são pagos a peso de ouro mas precisam de estádios cheios, mesmo que com gente que ganha o salário mínimo e não tem onde cair morto. Mas, cá está, nem sempre o lado racional do adepto da bola é o que tem mais peso e o futebol tem destas coisas. Faz parte, aqui e em todo o mundo. A indústria faz por isso! It's just business!

Posto isto, talvez pelo efeito da idade, que se presta a encolher umas coisas mas também a servir para aumentar algum distanciamento e lucidez, mesmo que não viva do passado, esta fotografia do Benfica de outros bons tempos, como muitas outras, incluindo as que moram nas minhas dezenas de cadernetas de cromos, servem para lembrar um tempo em que as equipas de futebol, desde os distritais aos nacionais, tinham muito menos estrangeiros e efeitos do marketing da indústria, mas seguramente mais alma, que se estendia de cima para baixo, dos dirigentes e atletas aos sócios e adeptos.

Concerteza que cada tempo é um tempo e o actual é seguramente diferente, mas quando se vende a alma ao diabo (da indústria) alguma coisa tem de ficar pelo caminho. Parece-me! É apenas a opinião de quem se vai desligando. Talvez seja da idade!


Quanto à equipa: Em cima, da esquerda para a direita: Eurico, Toni, Barros, Shéu, Bento.

Em baixo, pela mesma ordem: Nelinho, Artur, Nené, V. Martins, Jordão, Moinhos.

Era treinador:  Milorad Pavic

Mais do mesmo...

 




O problema repete-se indefenidamente, em Guisande e noutros locais. A coisa já não vai lá com recomendações, apelo ao civismo ou ameaças de coimas. A solução seria uma brigada de vigilância armada com uns paus de marmeleiro. Mas, como somos uma sociedade de mansos e humildes e de regras civilizadas para quem não sabe ser cívico, e que pouco ou nada penalizam os prevaricadores, não será solução recomendada. Um polícia para cada português, talvez ajudasse, mas seria incomportável, e os poucos que existem andam ocupados na caça às multas de trânsito ou a acompanhar corridas e desfiles.

Posto isto, há que conviver com a constante acção de gente badalhoca.