" Eu e a minha aldeia de Guisande" "" Eu e a minha aldeia de Guisande

13/08/2026

Festa do Viso 2026 - Resumo e agradecimento


Bem sabemos: passou já mais de uma semana sobre a nossa festa de Guisande, que há mais de século e meio se realiza no lugar do Viso, onde os nossos antepassados, sobre aquele monte com vista para o longe, edificaram uma nobre capela, maior em tamanho que muitas igrejas deste nosso Portugal. A sua história está envolta em mistérios, muitas dúvidas e poucas certezas, mas o que dela se sabe há-de escrever-se e registar-se em livro.

Por agora, foi mais uma edição, a de 2026, e espera-se que, entretanto, fechadas e divulgadas publicamente as contas, a futura Comissão de Festas comece a trabalhar com vista à próxima.

Para a Comissão de Festas cessante foi um ano de trabalho e de canseiras, com o clímax nos dias de festa; mas acredito, e alguns já o expressaram publicamente, que ficaram todos com um sentimento de dever cumprido e de orgulho pessoal e colectivo. É certo que, pelo caminho, da equipa inicial alguns abandonaram o barco ou pouco ou nada contribuíram, mas por vezes é preciso o crivo para separar o que não é boa semente.

A própria Junta de Freguesia, e bem, enalteceu publicamente o esforço e o trabalho da equipa.

No final, em jeito de saldo, é sempre possível analisar e reflectir sobre o que correu bem, o que poderia ter sido melhorado ou feito de outra forma, ou o que falhou, mesmo naqueles pormenores que escapam à maioria das pessoas.

Na minha perspectiva pessoal, com esta mania de ver as coisas para além do olhar, também encontrei algumas falhas. Algumas de pormenor, outras mais significativas, mas no geral a festa, sem deslumbrar no programa musical, foi positiva. O arraial esteve bem preenchido, mesmo com forte concorrência na vizinhança — alguma com estranhas coincidências de datas não habituais —, e estou certo de que, no que diz respeito a contas, há-de registar-se um bom saldo positivo. Ficaria surpreendido se assim não fosse, mas, por mim, poderiam voltar a bater à porta que ajudaria na justa medida. Mas certamente que não se chegará a isso.

Na minha perspectiva, há coisas que não pesam ou pouca mossa farão no orçamento, que podem ser implementadas e que contribuirão para uma melhoria na apresentação da festa, diferenciando-a das demais. Se perguntarem em quê, direi, por exemplo: mais cuidado na imagem e comunicação, quer ao nível dos cartazes dos diferentes eventos e da própria festa, quer com mais qualidade na comunicação nas redes sociais e outros meios digitais. Pareceu-me que nesta edição esteve muito aquém; uma organização na preparação do tapete de flores, com equipas previamente responsabilizadas, moldes, modelos e esquemas definidos com tempo, um ou mais responsáveis pela direcção e equipas dos trabalhos, definição dos materiais e cores necessários, etc. Neste aspecto, que tem sido valorizado por quem vem assistir à procissão solene, as coisas têm cumprido os mínimos, mas muito dentro do improviso e até de alguma desorganização.

Para além do tapete, pode-se valorizar a festa com decorações complementares em arranjos de papel, dentro da tradição antiga que aos poucos foi abandonada. Os mais novos não têm memórias — pois não —, mas havia gente com talento que, com antecedência, elaborava os chamados enfeites, com cordas coloridas, bandeiras e flores de papel. Seria importante que se fizesse um esforço em retomar essa tradição que se está a perder e que apenas os mais velhos recordam e sabem como fazer. Claro que isto implica gente interessada e com bairrismo, mas também organização com tempo.

Quanto à missa solene, parece-me que houve falta de comunicação: foi anunciada para ter lugar na capela e, até uma hora antes, eram muitas as incertezas se seria mesmo assim ou campal. Acabou por ser campal e com boa participação, o que é positivo e ajuda a confirmar a opção tomada nos anos anteriores da missa à tarde, mas parece-me que foram descuradas algumas coisas. A meu ver, na parte de trás do altar deveria haver um elemento tipo fundo que desse mais dignidade à celebração. Também deveriam ter sido dispostas cadeiras defronte do palco, até para acomodar as pessoas mais velhas e as autoridades civis ou representantes de associações que, se não foram, deveriam ter sido convidados de forma oficial pela Comissão de Festas. Não sei se foram; a quem perguntei da não respondeu, mas tanto a Junta de Freguesia como a Câmara Municipal devem ser convidadas oficialmente com algum tempo de antecedência. O sol não esteve intenso, com ligeiras nuvens e uma brisa suave, mas deveria ter sido criada uma zona de sombra na parte frontal, mesmo que removida no final.

Vai sendo mais que tempo que no interior da capela a organização da saída procissão seja feira em silêncio. Tem sido uma autêntica feira e mesmo neste ano não passou despercebido o falatório, tento dentro como fora da capela.

Na parte de quem está a receber as ofertas, dentro do possível deverão ser pessoas mais maduras e com algum conhecimento da população. É sempre importante saber com que se fala. Também deveria existir um livro de recibos, mesmo que pró-forma, para comprovar o recebimento a quem o pedir e até mesmo para um melhor controlo das contas.

Em resumo, pequenas coisas que podem passar despercebidas, mas que ajudam a melhorar os aspectos da organização dos diferentes momentos.

Também tomei conhecimento de que pelo menos uma empresa da freguesia não foi contactada para o apoio em publicidade, sendo que regra geral costuma contribuir bem. Algo falhou. Naturalmente não ficou satisfeia. Todas as empresas da freguesia devem ser contactadas e pedido o seu apoio.

Em suma, estas simples observações faço-as apenas numa perspectiva de orientar a organização futura.

À equipa actual, pela minha parte, agradeço a dedicação, o empenho e o trabalho desenvolvido para honrar as nossas tradições e dar continuidade a um legado com mais de 150 anos.

À equipa futura, que ainda não se conhece, continuarei a colaborar conforme o habitual e na justa medida em que precisem e peçam, desejando, naturalmente, que daqui a um ano sintamos todos que, uma vez mais, se honrou a tradição e se fez um esforço para a melhorar, mesmo nas pequenas coisas.

Finalmente, mesmo que não fazendo parte da Comissão, um agradecimento aos familiares dos festeiros, de modo particular aos pais da Sofia e do José, que foram incansáveis no apoio e trabalho, não só no dia da festa mas ao longo do ano. Foram certamente um apoio fundamental e que corre o risco de passar despercebido. Igualmente aos que desde a primeira hora tomaram parte na equipa que sob o sol, e com prejuizo da tranquilidade no almoço familiar, apareceram para ajudar na realização do tapete. Também a todos os que tomaram parte na procissão, transportando os andores, alfaias e bandeiras. Bem-hajam!

12/08/2026

A festa no Viso e não do Viso - Tem razão o ti Alcides!


Abordou-me no Domingo à tarde na festa, o ti Alcides do Martinho. Num respeito e consideração que é mútuo, soltou no seu característico tom: - Américo, tens que escrever e fazer ver  ao povo que a nossa festa é de Guisande, é no Viso e não do Viso! 

Afinal, estava em causa  a aplicação de uma preposição gramatical. Importantes, mas que podem ter sentidos bem diferentes, a indicar pertença ou apenas localização.

Sem grandes delongas, uma preposição é uma palavra invariável cuja função principal é ligar dois termos numa frase, estabelecendo entre eles uma relação de dependência e de sentido.

Bem sei que o ti Alcides, que conheço dos meus primeiros anos, porque vizinho, ainda antes de rumar para França com os filhos atrás, tem razão. De resto, nem foi a primeira pessoa a dizer-me o mesmo. Eu próprio concordo. Não obstante, é daquelas coisas que, à custa de tanto malhar nelas, acabam por se entranhar na nossa forma de as dizer. Assim, de tão habituados, referimo-nos à nossa romaria como Festa do Viso. 

Posto isto, bem ou mal, e sem discordar do ti Alcides e de quem considerar o mesmo, será agora difícil mudar hábitos, porque ambos burros velhos, eu e o ti Alcides, mesmo que uma diferença de mais de vinte anos nos separe.

Bem ou mal, a pedra há muito que rola pela ladeira abaixo e já ninguém a conseguirá deter e teremos de aceitar que no presente e futuro será sempre a Festa do Viso.

Mas mais do que a importância de chamar os bois pelos nomes, este episódio aproveito-o para falar do ti Alcides.

Nasceu em 9 de Janeiro de 1939, filho de pai dado como incógnito e Adelina Rosa de Jesus, neto materno de Martinho Gomes da Silva (daí o apelido de ti Alcides do Martinho) e Olinda Rosa de Jesus. Deu-lhe a mãe, que bem conheci, o nome de Alcides Gomes de Jesus. Casou em Guisande em 31 de  de Janeiro de 1959 com Maria Alzira Pereira dos Santos, ambos do lugar de Cimo de Vila. Como tantos portugueses, mesmo de Guisande, emigraram pela década de 1970 para França, onde se fixou na região de Bordéus (Bordeaux). Levaram consigo os filhos, incluindo o Alberto, mais ou menos da minha idade, por isso amigo mais chegado. Durante anos regressavam de férias antes uns dias da festa e o Beto vinha logo a minha casa. Trazia sempre alguma coisa de lembrança, como umas cassetes com músicas ainda desconhecidas por cá, livros, filmes (até mesmo daqueles a fazer-nos perder a inocência), etc. Assim foi até à minha ida para a tropa pelo ano de 1983. Ele próprio casou, teve filhos e a ligação foi quebrada e de há muito que raramente nos vemos e muito menos falamos. A vida é mesmo assim. Cada um na sua. 

Mas são mais os filhos do ti Alcides e ti Alzira, como o António, a Conceição, a Fátima e a Armandina. Se alguns esqueci, é mesmo por isso, esquecimento.

Mas um dia, no cumprimento do sonho, embora cada vez menos a saudade seja doença que não se desapegue a ponto de muitos por lá ficarem definitivamente, o ti Alcides e a esposa lá regressaram  de vez à mesma casa, que melhorou, e por cá têm estado há já uns valentes anos. É gente boa e rija, ambos, ele e a esposa, já quase a queimar os noventa anos. Com queixas e ameixas lá vão indo e andando.

Que continuem por cá, e que o ti Alcides, que frequenta assembleias de freguesia e outras sessões de cidadania,  continue postivamente a tentar colacar os pontos nos is, bem como, frequentemente, também como é típico em muitos dos nossos e emigrantes, a bendizer aquelas terras que os acolheu, em contraponto à nossa, tantas vezes apelidando-a de “atrasada”. Como se vê, atrasada era já no tempo da velha senhora, o que levou milhares a procurarem outra vida noutras terras, mas mesmo que ela tenha já morrido e sido enterrada há mais de meio século, ainda continuamos um país e um povo com défices. Bem melhores, certamente, ou não servissem para alguma coisa os milhões e milhões que temos mamado da teta da União Europeia e o calote público, mas ainda com um atraso importante, sendo que este já mais de mentalidade e má governação. Daqui a mais cinquenta anos já não estaremos por aqui, eu e o ti Alcides e muitos outros, para ver como será então este nosso país, mas, pelo rumo e qualidade dos nossos governantes e políticos, da esquerda à direita, será um milagre que os nossos netos e bisnetos (quem os tiver ou chegar a ter) vivam num Portugal melhor, no que lhe falta de essencial.

Mas, bastando de pessimismo, mal da idade, fazem falta mais ti Alcides na nossa freguesia. Mesmo que à porta dos 90, ainda consegue ter mais intervenção e sentido crítico que muitos com 60 e 70 a menos. É o que é!

Obrigado, ti Alcides! Bem-haja por me chamar à atenção de que a nossa maior festa é no Viso e não do Viso. E não, não é pormenor de somenos importância! Recado dado e transmitido!

Criancices e exageros?


Sinceramente! Compreendo a curiosidade das pessoas, sobretudo aquelas que pouco percebem de astronomia e das singularidades dos astros. Mas toda esta febre à volta do acontecimento do eclipse solar que será visível no nosso país nesta quarta-feira, e de modo total numa faixa que abrange a zona do Montesinho em Trás-os-Montes, parece-me algo infantil ou, pelo menos, exagerado. Todo o frenesim à volta dos óculos xpto, recomendáveis, é de loucos. Parece que vamos ser invadidos por marcianos. No meu trabalho ouço a rádio e tem sido um excesso sobre o assunto. Fora isto, as nossas crianças podem passar horas e horas com os olhos fixos no telemóvel ou televisão que poucas preocupações parece inspirar com as consequências para a sua visão. Usar óculos em tenras idades, sendo uma fatalidade, já parece moda.

É certo que é um fenómeno impressionante,  a que poucas vezes se assiste ao natural (no nosso país a última vez terá sido em 1912), mas daí até esta febre à volta dos óculos e até deslocações para Trás-os-Montes, só para ver a coisa a 100% em vez de 99, 98 ou 95, parece algo irracional. Está visto que somos de modas, de tendências e vamos todos, como maluquinhos, uns atrás dos outros. Um dia dirão: - Eu estive lá!

Sinceramente, para quem não é cientista e procura ver mais além do que o óbvio, e hoje em dia já muito sabemos, não vejo o que de fantástico se possa ver olhando directamente para a lua a tapar o sol. Todos perceberemos que ficará mais escuro, e até com pouco impacto ou menos estranheza já que ocorrerá ao findar do dia. Será assim um crepúsculo adiantado. Não será caso para tanto. As minhas galinhas devem ir para a capoeira à mesma hora.

Mas andam todos a alertar e a comunicação social consulta médicos, oftalmologistas, astrónomos, bruxos e adivinhos e tudo o mais que pareça gente entendida no óbvio. Até as Juntas se juntam ao coro das recomendações: Cuidado! Não olhe directamente para o astro rei, não se aproxime de um poço porque pode cair, não ande à chuva se não molha-se, não atravesse à frente de um carro ou comboio porque será abalroado, não coma nem beba remédio dos ratos porque pode morrer nem beba uma garrafa de Porto porque pode ficar bêbado como um carro.

Parece e é: somos todos tratados como criancinhas. Mas com razão, porque de facto, agimos como tal.

Por mim, não me preocupei com óculos nem com filtros para a máquina fotográfica. Limitar-me-ei a ver o óbvio: Vai ficar escuro, um pouco mais cedo, durantes uns largos minutos. Fantástico! No resto, até será no hora em que habitualmente vou caminhar ou correr. Nada muda. Espero, pelo menos, que fique mais fresco.

Mas isto sou eu, que vejo mais deslumbramento no pôr-do-sol visto do Outeiro ou Viso ou no mar de Espinho. Ignorem-me! Façam como a maioria:  Não percam a oportunidade e usem, de facto, os óculos com que tanto interesse e cuidado já compraram. Disfrutem e tirem as habituais fotos (com filtros ou sem olhar directamente) e amanhã inundem as redes sociais com elas. Será um momento único. Ficamos todos à espera das experiências dos novatos na astronomia. 

Cuidem-se e sejam felizes!


Nota: Naturalmente, passe algum humor e ironia, cada um é cada um e a minha percepção e entendimento da coisa  não tem que corresponder ao pensamento dos outros. Era só o que faltava que todos fôssemos obrigados a gostar de caldo de nabos!

A badalhoquice não tira férias


O mesmo cenário em outros pontos da freguesia e mais além. A badalhoquice não tira férias porque os badalhocos, também não. Limpam as suas casinhas e cagam na dos outros, na de todos nós. 

Urge, pelas autoridades, fazer qualquer coisa. Já não é só a continuada falta de civismo e má educação: é já uma espécie de vandalismo social e ambiental. 

Para além de tudo, mantêm-se os habituais focos de abandono de lixo diverso em caminhos. Alguns, mesmo depois de alertas com meses, continuam por resolver. É uma verdadeira viagem medieval ao tempo do obscurantismo e do fartar vilanagem. Estes postais não passam nas redes sociais, são ignorados, não colhem likes. A malta parece é gostar de coisas de faz-de-conta. Lidar com a realidade não é a nossa cena.

11/08/2026

Coisas que deviam fazer pensar

- Que nos seja negado o direito constitucional de livre acesso e circulação ao espaço público, numa zona nobre de uma vila ou cidade, durante quase duas semanas, a pretexto e favor de um evento de entretenimento.

Há quem ache isso normal e até aceite com um sorriso. Talvez os mesmos que dão as nádegas livremente à obrigação de uma vacina. Um dia destes aceitarão que lhes seja cravado nas orelhas um brinco identificativo, como se faz ao gado ou às ovelhas de um rebanho.

Apesar disso, são capazes, se os meterem num autocarro e lhes derem umas bandeiras e cartazes, de se juntarem numa manifestação em defesa dos direitos consagrados na santa Constituição ou contra a quem pretenda alterar, mesmo que pelas regras da democracia.

10/08/2026

Dia do padroeiro S. Mamede - 17 de Agosto de 2026

 

Na Segunda-Feira, dia 17 de Agosto, com Eucaristia solene às 19.00 horas. No final da misa sairá a procissão conforme o costume, pelo adro e alameda.

07/08/2026

Caminho dos Corgos