" Eu e a minha aldeia de Guisande" "" Eu e a minha aldeia de Guisande

06/10/2026

Paradoxos de um tempo parado


A atitude aconselhável, seria encolher os ombros, olhar de lado, indiferente, passar adiante, dizer, sorridente, que é assim mesmo, que as coisas levam o seu tempo, que todos estão a fazer os possíveis, que há papéis, despachos, reuniões, competências, pareceres e outras coisas do género. Mas, lá está: ou já nasci com este feitio ou será da idade, mas custa-me ver dinheiro transformado em coisas que apesar de bonitas e com ares de necessárias, na realidade ficam sem a utilização esperada, paradas no tempo.

Na nossa terra há um Centro Cívico que já tem mais de uma década. Aproveitou-se a saudosa velha escola primária do Viso, então abandonada na sequência de perda de população e de uma centralidade que procurava optimizar recursos mas a a contribuir para a desertificação, deu-se-lhe nova vida, fez-se obra, falou-se dela. 

Por lá já entraram políticos a prometer apoios e melhores dias. E, no entanto, continua à espera de uma coisa tão simples como cumprir a função para que foi sonhada e concretizada, a de funcionar como um centro de dia para os mais velhos da aldeia.

A obra está feita. As paredes não precisam de mais discursos e de tanta espera já pedem nova pintura. As salas não precisam de novas fitas para cortar. O que falta é a aprovação da Segurança Social e dela da decisão do poder político, que ora à esquerda, ora à direita, vai navegando ao sabor da corrente, como que a advinhar naufrágio. Sócrates esbanjou, Passos Coelho estancou, Centeno cativou e quem veio depois achou por bem não mexer até porque nestas coisas as pessoas de uma pequena freguesia são diferentes das de uma grande. Como diria Jorge Jesus, têm diferentes estatutos. Somos, em boa verdade, por mais areia que nos atirem para os olhos, um concelho a diferentes velocidades. O peso eleitoral é um prato da balença. Para onde mais pende, mais atenção dispensa.

O presidente da Direcção, apesar de esforçado, diligente e mesmo insistente, vai ouvindo desculpas, promessas, desmarcações e adiamentos. Faz o telefone tocar do outro lado mas, sabendo ao que vem, já nem atendem. Comentarão, até, o “é o chato do costume”.

Entretanto, os anos passam. Os mais velhos morrem e os novos envelhecem. Tem funcionado como Centro Cívico, a entreter pouco mais que  meia-dúzia a jogar à sueca, às copas ou à bisca, a colher eventos dos grupos e comissões de festas, umas formações disto e daquilo, e pouco mais. A Junta de Freguesia há-de mudar para lá, provisoriamente, mas no essencial o problema manter-se-á.

Mesmo que numa justificada e positiva ocupação, a verdade é que enquanto não for Centro de Dia, devidamente apoiado pelo poder central, que assegure o mínimo de sustentabilidade financeira, o seu modo de funcionamento não passa de um triste remedeio, sem recursos para pagar a quem receba, anime e tome conta da casa a dias e horas certas. 

Mesmo com o apoio do IEFP, quem vem não quer ficar e não raras vezes nem chega a aquecer o lugar e as recusas são mais que muitas. O trabalho nunca faltou mas há desempregados neste país. Um paradoxo. Há muito que se normalizou este modo de vida, o estar desempregado e quem o pretender denunciar cai-lhes em cima o Carmo e a Trindade.

Mais abaixo, em Casaldaça, temos o rinque polidesportivo. Quase duzentos mil euros de investimento investidos na sua requalificação. É uma soma que não passa despercebida, sobretudo numa terra quase sempre esquecida pelo poder municipal.

Ficou bonito, certamente. Mesmo que com os balneários em mau estado, por fora ficou novo, renovado, digno de fotografia e de notícia. Só falta uma coisa: Gente.

Avança o tempo para quase dois anos sobre as obras, mas o rinque teima em estar deserto. Uma actividade aqui, outra ali, uma ou outra vez ao ano, um pai com o filho a chutar a bola contra as paredes e pouco mais. Não conseguiu ainda chamar os miúdos, prender os jovens, juntar os menos jovens. 

Não houve grupo ou associação a chamar a si a sua gestão e dinamização. Não se tornou lugar de encontro, de movimento, de convívio. É um equipamento desportivo sem desporto, um investimento sem utilização, uma praça cheia de ninguém.

E é aqui neste dois exemplos, e haverá mais, onde ressalta o paradoxo.

Não se trata de dizer que não se deve investir. Deve-se. Guisande precisa. Ainda tem ruas sem redes de água e saneamento e pavimentos dignos de cabras montesas. Nem será de lamentar que se recuperem edifícios ou equipamentos. Muito pelo contrário. A igreja matriz precisa, está com ares de decadência. A sede da Junta, também. 

O que causa algum desconforto é esta facilidade com que confundimos investimento com resultado.

Faz-se a obra, anuncia-se o valor, inauguram-se as instalações, registam-se umas fotografias, distribuem-se umas palavras sobre o futuro. E depois?

Depois, se ninguém usar, se ninguém frequentar, se os velhos continuarem sem centro de dia e os novos sem actividades, parece que já não é problema de quem investiu.

Talvez não seja.

Uma obra pública não termina quando se corta a fita. Talvez comece aí a parte mais difícil: fazer com que sirva as pessoas. Ajudar e incentivar que as possa envolver.

Porque umas paredes novas não animam uma aldeia. Um rinque vazio não aproxima os jovens. Um centro cívico fechado à função que se pretendia não envelhece menos os velhos.

E há investimentos que, vistos de longe, parecem grandes feitos. Quando nos aproximamos, percebemos que são apenas coisas feitas.

Entre fazer uma obra e dar-lhe vida vai uma distância que não se mede em euros.

Mede-se em pessoas. Mas o poder político raramente percebe isso. É mais fácil colocar algum dinheiro no chapéu do pobre do que ajudá-lo no essencial. É mais fácil metê-los num autocarro e levá-los, por tuta e meia, a comer, a beber e a dançar numa quinta como se isso fosse desenvolvimento. 

E fico-me por aqui, não aconteça que me chamem velho do Restelo. Bem que desejava ter razões para o optimismo, no tempo, na capacidade das pessoas  que nos vão governando, na determinação dos nossos mais novos, mas o que vou vendo, ainda que com uns arremedos de esperança, não deixa que me anime.

Podemos esperar que as coisas se invertam, mas não será com mais uma dúzia de habitações e mais alguns moradores que as coisas mudarão. O mal já vem de trás por políticas erradas, centrais e locais. Nunca tivemos tantos meios e recursos e, paradoxalmente, nunca tivemos tanto desligamento da comunidade.

A Festa do Viso terminou há mais de 2 meses e ainda não foram divulgadas as contas nem há notícia de nova equipa. Um mau sinal, mas não surpreendente. As coisas não estão para melhorar. Nunca tivemos tantos jovens formados e licenciados mas com menos interessem e dedicação às causas comuns da nossa comunidade, seus legados e tradições.

Oxalá que esteja enganado! Oxalá!

05/10/2026

Visita ao David

 


Nova visita ao velho amigo guisandense David Ferreira da Conceição. Hoje, na cidade do Porto, onde mora há mais de 30 anos.  Na companhia dos irmãos Armando e Miguel, ainda do Jorge Ferreira, o António Ribeiro e o Beto Jorge.

Depois de ter passado por alguns problemas de saúde, com a dedicação do seu anjo da guarda, a esposa Fátima Rosa, e apoio de seus três fihos,  o David está melhor e novamente com o seu sorriso contagiante.

Com 74 anos, o David continua assim igual a si próprio, um resistente e agraciado pela companhia de uma esposa dedicada.

Um dia destes voltaremos.

02/10/2026

Raimundos em Guisande


O nome Raimundo, não sendo muito vulgar, já teve em Guisande bastantes exemplos. Na actualidade, conheço ou estou a lembrar-me de apenas três: O Raimundo da Barrosa (na foto), o Raimundo da Lama e ainda, também da Lama, o Raimundo Cesário Almeida, que herdou o nome de seu avô paterno.

Na actualidade o nome Raimundo é muito pouco usado. Entre jovens e crianças serão mesmo raros.

Fica, de seguida, uma lista dos que até ao momento consegui alguns dados.


Raimundo José Gomes de Almeida - Barrosa

Da Casa do Loureiro.

Nasceu em 23 de Novembro de 1809 e faleceu em 23 de Janeiro de 1897.

Filho de Domingos José Francisco de Almeida e de Maria Felizarda de São José Loureiro da Silva.

Neto paterno de Domingos Francisco de Almeida Vasconcelos e de Clara Angélica Rosa.

Neto materno de Manuel Gomes Loureiro e Tomázia Rosa da Silva Jesus

Casou em 7 de Setembro de 1844 com Joana Rosa de Almeida, filha de Manuel António dos Santos e Maria Pinta (de Almeida), neta paterna de Manuel António dos Santos e de Josefa Maria e neta materna de Agostinho José Pinto e de Bernarda Maria.

Faleceu a esposa em 17 de Outubro de 1870. Não deixaram filhos.

Teve muitos irmãos, incluindo o meu trisavô paterno Domingos José Gomes de Almeida. Outros: Margarida, Inês, António, Joaquim Maria Felizarda, Ana Felizarda, José Gomes de Almeida (Padre do Loureiro), Maria Felizarda, Rita Felizarda e António Joaquim Gomes de Almeida.


Raimundo de Pinho – Casaldaça.

Nasceu em 20 de Setembro de 1816.

Filho de Raimundo Franciso de Pinho e Maria Rosa de Jesus.

Neto paterno de Manuel Francisco de Pinho e de Maria Francisca.

Neto materno de José Pinto Leite e de Ana Maria, da Igreja – Lobão.

Casou com Maria de Jesus.

Teve muitos filhos e filhas.


Raimundo Caetano Henriques - Reguengo.

Nasceu em 14 de Julho de 1833.

Filho de Manuel Caetano Henriques e de Maria Joaquina.

Neto paterno de Caetano José Hneriques e de Custódia Maria.

Neto materno de Pinho e Ana Ferreira, do casal - Gião.


Raimundo Gomes de Almeida - Barrosa

Da Casa do Loureiro. Meu bisavô paterno.

Nasceu em 19 de Janeiro de 1849 – Faleceu em 10 de Dezembro de 1905

Filho de Domingos José Gomes de Almeida e de Joaquina Rosa de Oliveira.

Neto paterno de Domingos José Francisco de Almeida e de Maria Felizarda de São José Loureiro da Silva.

Neto materno de Manuel José de Matos e Maria Rosa de Jesus.

Foi seu padrinho o seu tio paterno Raimundo José de Almeida e sua mulher Joana Rosa de Almeida.

Casou com Delfina Gomes de Oliveira.


Raimundo Pereira Magalhães - Gândara

Nasceu em 11 de Março de 1869

Filho de Francisco Pereira Magalhães e de Bernardina Marques.

Neto paterno de Manuel Pereira de Magalhães e de Maria Clara, Neto materno de João Alves de Pinho e de Maria Marques.


Raimundo Soares - Casaldaça

Nasceu em 22 de Setembro de 1869.

Filho de Tomás Soares e de Margarida de Pinho.

Neto paterno de Francisco Soares de Pinho e de Maria Rita.

Neto materno de Raimundo de Pinho e de Maria Rosa.


Raimundo de Almeida de Leite Resende - Barrosa

Nasceu em 24 de Fevereiro de 1872.

Filho de António Leite Resende e de Maria Felizarda de São José Gomes de Almeida.

Neto paterno de José leite Resende e de Teresa Maria de Jesus.

Neto materno de Domningos José Francisco de Almeida e de Maria Felizarda de São José Loureiro da Silva.

De filhos: Maria da Anunciaçãao de Leite Resende, António (1.º de nome), António (2.º de nome), Maria e Maria da Conceição Leite Resende, esta que casou com Arnaldo Borges da Silva Neto, pais da Maria Isaura da Conceição Resende Borges, da Casa do Loureiro, que casou com o Dr. António Ferreira de Sá.

No seu tempo foi uma figura importante na freguesia, tendo feito parte da vereação da Câmara Municipal.

Era conhecido como Sr. Raimundinho.


Raimundo de Pinho - Casaldaça.

Nasceu em 27 de Julho de 1872.

Era filho de José de Pinho e de Maria de Jesus.

Era neto paterno de Raimundo de Pinho e Maria Rosa.

Era neto materno de João da Silva e de Bernarda Maria.


Raimundo - Casaldaça.

Nasceu em 12 de Fevereiro de 1873. Faleceu em Leça da Palmeira em em 21 de Maio de 1966.

Filho de Manuel de Almeida e de Maria Rosa.

Neto paterno de Tomázia de Almeida.

Neto materno de Raimundo de Pinho e de Maria Rosa.

Casou em Santa Cruz do Bispo - Matosinhos, em 19 de Outubro de 1895, com Maria Francisca de jesus de 20 anos, da Maia, filha de Julião Francisco da Rocha e de Ana Maria de Jesus.


Raimundo Gomes de Almeida - Cimo de Vila.

Irmão do meu avô paterno, Joaquim Gomes de Almeida.

Nasceu em 1 de Setembro de 1880.

Filho de Raimundo Gomes de Almeida e de Delfina Gomes de Oliveira.

Neto paterno de Domingos José Gomes de Almeida e de Joaquina Rosa de Oliveira.

Neto materno de António José de Oliveira e de Joana Gomes, de Casal do Monte - Romariz.

Faleceu solteiro, de um acidente de afogamento quando passava a cavalo pela presa das Crogas em Cimo de Vila e caíu.


Raimudo Gomes de Almeida - Barrosa.

Nasceu em 30 de Julho de 1881.

Irmão de meu trisavô paterno.

Filho de José Gomes de Almeia e de Joaquina Ferreira Linhares.

Neto paterno de Domingos José Gomes de Almeida e de Joaquina Rosa de Oliveira.

Neto materno de Domingos José Francisco de Almeida e de Maria Felizarda de São José Loureiro da Silva.


Raimundo Leite de Oliveira - Reguengo

Nasceu em 31 de Agosto de 1881 e faleceu em 18 de Junho de 1905.

Filho de António Joaquim Reis Oliveira e de Maria Felizarda Gomes de Almeida.

neto patreno de Manuel de Oliveira e de Ana Joaquina.

Neto materno de António Leite Resende e de Maria Felizarda de São José Gomes de Almeida.


Raimundo Gonçalves - Casaldaça.

Nasceu em 31 de Maio de 1883.

Filho de António Gonaçalves (natural de Fermedo - Arouca) e de Teresa Rosa de Jesus.

Neto paterno de Manuel Gonçalves e de Joaquina Vieira (de Carvalhal Redondo - Fermedo - Arouca).

Neto materno de Manuel António da Mota e de Margarida Rosa dos Santos


Raimundo José da Fonseca - Cimo de Vila.

Era meu bisavô materno. Nasceu em 17 de Outubro de 1884 e faleceu em 17 de Novembro de 1929, muito jovem, apenas com 45 anos.

Era filho de António José da Fonseca e de Maria de Oliveira, do lugar do Carvalhal, freguesia de Romariz.

Por sua vez, era neto paterno de Manuel José da Fonseca e de Margarida Rosa de Jesus e neto materno de Manuel Ferreira da Silva e Ana Maria d´Oliveira (todos estes meus tetra-avôs maternos)

Tinha 22 anos quando casou em 9 de Maio de 1907, com Margarida da Conceição (minha bisavó), de 21 anos de idade, filha de António Caetano de Azevedo e de Maria da Conceição, do lugar das Quintães - Guisande.


Raimundo Ferreira Coelho.

Nasceu em 22 de November de 1888. Faleceu em 6 de Maio de 1959 com 70 anos.

Filho de José Ferreira Coelho e de Maria Henriques de Jesus.

Casou em 10 de Fevereiro de 1916 com Maria Rosa da Conceição, filha de Francisco Moreira dos Anjos e de Rosa Maria da Conceição.

De irmãos: Eusébia Henriques de Jesus, Maria Henriques de Jesus, Albina,


Raimundo da Silva - Lama

Nasceu em 25 de Novembro de 1892.

Filho de Maria Joaquina da Silva, viúva de José Pereira da Silva.

Neto maetrno de Manuel Ferreira Coelho de Joaquina da Silva.


Raimundo Lopes - Fornos.

Nasceu em 10 de Junho de 1896.

Filho de António Lopes (pedreiro, natural de Fafião - Romariz) e Maria Rosa de Jesus, rendilheira, de Fornos.

Neto paterno de Bernardino José Lopes e de Ana Maria da Silva.

Neto materno de Manuel José da Mota e de Maria Rosa.


Raimundo José Pinto.

Nasceu em 26 de Fevereiro de 1910.

Filho de Manuel José Pinto, de Canedo, e de Ana Maria dos Santos.

Neto paterno de Manuel José PInto e de Bárbara de Jesus.

Neto materno de José Custódio dos Santos e de Maria de Jesus, da Lama.


Raimundo Franscico da Silva – Casaldaça.

Nasceu em 2 de Janeiro de 1909 e faleceu em 1 de Julho de 1998.

Filho de Manuel Francisco da Silva e Rosa da Conceição de Jesus.

Neto paterno de Manuel Francisco da Silva (de Rossas – Arouca) e de Maria Alves de Almeida.

Neto materno de José Custódio dos Santos e Maria de Jesus (do lugar da Lama).

Irmãos: Américo, Josefina, Ana, Idalina, maria da Conceição, Abel e Cristina.


Raimundo Francisco da Silva - Casaldaça

Nasceu em 29 de Julho de 1910.

Filho de Joaquim Francisco da Silva e de Maria Rosa da Conceição

Neto paterno de João Francisco da Silva e de Maria Joaquina dos Santos

Neto materno de incógnito e de Rosa Margarida dos Santos

Casou em 28 de Novembro de 1942 com Maria Ferreira Baptista, de Lobão.

Era o pai de, entre outros do Valdemar e Américo Baptista da Silva (do Reimão).

Foi ferreiro de profissão e teve oficina em Casaldaça, na casa onde mora o seu filho Valdemar. Tantas vezes o vi ali de volta da forja.


Raimundo Ferreira de Almeida - Barrosa

Nasceu em 17 de Novembro de 1911.

Filho de Domingos Ferreira de Almeida e de Joaquina Ferreira Linhares.

Neto paterno de António Joaquim Gomes de Almeida e de Joaquina Antónia de Jesus.

Neto materno de José Gomes der Almeida e de Margarida Ferreira Linhares.


Raimundo Gomes da Conceição - Lama

Nasceu em 15 de Dezembro de 1932

Filho de Bernardino Gomes Henriques e de Maria da Conceição.

Neto paterno de Joaquim Gomes da Conceição e de Ana Rosa.

Neto materno de incógnito e Maria de Jesus.

A sua avó Maria da Conceição era irmã de Maria Rosa da Conceição, mãe de Raimundo Francisco da Silva.


Raimundo Ferreira de Almeida - Barrosa

Nasceu no lugar do Reguengo em 10 de Dezembro de 1952.

Filho de Justino Ferreira de Almeida e de Adelina Rosa de Oliveira.

Neto paterno de Domingos Ferreira de Almeida e Joaquina Ferreira Linhares.

Neto materno de José Barbosa da Silva (do Grilo) e de Ana Rosa de Oliveira.

Casou em Lobão em 13 de Agosto de 1977 com Idalina Fernandes da Conceição (falecida)

De irmãos, entre outros, a Maria Zélia Ferreira de Almeida, que foi sua madrinha de Baptismo, a Eugénia Ferreira de Almeida, o Albino António Ferreira de Almeida e o Fernando Ferreira de Almeida.

Ferreiro de profissão.


Raimundo Cesário de Almeida - Lama

Nasceu em 24 de Novembro de 1956.

Filho de António Ferreira de Almeida e de Maria Adelina de Almeida.

Neto paterno de Raimundo Gomes de Almeida e de Brasilina Ferreira Coelho.

Neto materno de Domingos Ferreira Gomes de Almeida e de Emília Rosa de Jesus.

Casou nas Caldas de S. Jorge em 12 de Dezembro de 1987 com Zélia Maria Correia Pinto.

De irmãos, o Domingos Alcino, António, Maria Adélia, José, Armindo Jorge e Victor Fernando.


Raimundo Gomes de Almeida - Fornos

Filho de Joaquim Gomes de Almeida e de Maria Rosa de Oliveira

Casou com Brasilina Ferreira Coelho, filha de Custódia da Rocha.

Esta Brasilina faleceu em 13 de Abril de 1937 com 33 anos de idade. Quando faleceu, o marido estava ausente em parte incerta no Brasil.

De filhos, uma Maria Adelaide e o António Ferreira de Almeida (Almeida da Lama), este que casou com Maria Adelina de Almeida.


Raimundo Ferreira de Pinho - Fornos

Filho de José de Pinho e de Maria Rosa de Jesus.

Casou com Jerónima de Jesus, de Pigeiros, filha de Bernardo Henriques da Mota e de Luíza Maria de Jesus.

Raimundo Franscico da Silva – Casaldaça.

Nasceu em 2 de Janeiro de 1909 e faleceu em 1 de Julho de 1998.

Filho de Manuel Francisco da Silva e Rosa da Conceição de Jesus.

Neto paterno de Manuel Francisco da Silva (de Mansores – Arouca) e de Maria Alves de Almeida.

Neto materno de José Custódio dos Santos e Maria de Jesus (do lugar da Lama).

Irmãos: Américo, Josefina, Ana, Idalina, maria da Conceição, Abel e Cristina.


Quanto à origem e significado:

As origens e o significado do nome Raimundo remetem à Antiguidade germânica, tendo evoluído através da Idade Média e consolidado a sua presença na Península Ibérica.

Etimologia e Significado

O nome Raimundo deriva do germânico antigo Raginmund (ou Regenmund), composto pela união de dois elementos fundamentais:

Ragin (ou regin): Significa "conselho", "decisão divina" ou "sabedoria".

Mund: Significa "proteção", "defesa" ou "protetor".

Deste modo, o significado etimológico original é "protetor sábio", "aquele que protege através do conselho" ou "conselheiro protetor".

Evolução Histórica e Difusão

Raízes Germânicas: O nome era utilizado por vários povos germânicos, refletindo virtudes militares e de liderança associadas à sabedoria na tomada de decisões e à proteção do clã.

Forma Latina: Com a expansão na Europa medieval, o nome foi adaptado para o latim como Raimundus.

Fixação Ibérica: A introdução e popularização do nome em Portugal e em Espanha ocorreram durante a Idade Média, impulsionadas por trocas dinásticas, ligações nobiliárquicas e pela veneração de figuras religiosas — com destaque para São Raimundo Nonato e São Raimundo de Peñafort.

Variantes e Formas Afins

Espanhol e Italiano: Raimundo (espanhol), Raimondo (italiano).

Francês e Inglês: Raymond.

Alemão: Raimund.

Formas Curtas ou Derivadas: Na península, deu origem a patronímicos e apelidos históricos conhecidos, como Ramires.

Ronaldo e Jesus? Deixem para lá isso!


Já o disse e escrevi: tenho feito um esforço para ignorar o futebol, o clubístico e mesmo o nacional. Não por não gostar, mas porque já não tenho idade para perder tempo e ganhar preocupações e arrelias com algo que não passa de um entretenimento para nós, adeptos, e de um negócio de milhões para os clubes, dirigentes, agentes, jogadores e treinadores. Creio, até, que todos ganham dinheiro com o futebol, menos os adeptos. Afinal de contas, alguém, de uma forma ou outra, tem de pagar os ordenados e as comissões milionárias. Só o tempo que demorei a escrever este bocado de texto, do início até aqui, foi o suficiente para o Ronaldo já ter facturado uns bons milhares.

Em consonância com este meu desligamento,  ainda bem que assim é, porque, por estes dias, vejo que o futebol tem estado no topo das preocupações de quase toda a gente. Com a novela de Cristiano Ronaldo, a selecção e o treinador Jorge Jesus, a imprensa já não fala do problema dos preços dos combustíveis; temas importantes como as guerras, que estão a fazer do mundo uma panela de pressão prestes a explodir, tornam-se secundários, e até a triste política portuguesa tem sido relegada para terceiro plano. Rendas, greves, falta de habitação, tudo é secundário. Até já quase nem se fala do ministro da Administração Interna nem do singular assalto ao gabinete do Chega.

Apetecia-me também escrever longas cartas — abertas e fechadas — a toda essa gente, ao Ronaldo e companhia, para criticar as birras, os egos desmedidos e a falta de senso em admitir que a idade é uma coisa tramada e que acaba por nos retirar capacidades, por mais que nos enganemos a nós próprios com treinos, ginásios, suplementos, vitaminas, cirurgias estéticas, implantes de mamas, de dentes, de cabelo, de lábios, de nádegas, e eu sei lá que mais.

Mas, para além disto, e já me alongo, seria perder tempo, chover no molhado e dar corda a quem já a tem toda. Não há pachorra.

Tanto se me dá que o Ronaldo abandone o futebol e a seleção hoje, amanhã ou daqui a dez anos, que saia pela porta pequena ou pela grande, pela janela ou postigo, levado ao colo, que lhe beijem as mãos, o cu, ou lhe façam uma estátua de ouro e diamantes, ou que lhe reservem um lugar no Panteão. É igual ao litro. 

Ronaldo, Cristiano ou CR7, ficará para a história da bola, indiscutivelmente, da nossa e da mundial, como um futebolista de topo, que se esforçou, trabalhou, bateu recordes e fez dessa profissão um modo de vida que lhe rendeu fama e proveito, tanto dinheiro que jamais conseguirá contar nota a nota durante o tempo de vida que lhe restar.  Tornou-se conhecido no mundo, talvez mais do que os descobridores ou  inventores do fonógrafo, da electricidade, da rádio, da televisão, da penicilina, da fissão nuclear, da máquina a vapor, da esferográfica BIC, da Gilette ou corta-unhas. Alguém que discute como ciência as regras do futebol sabe quem foi Thomas Edison, Alexander Fleming, Alexander Graham Bell, Nikola Tesla, Otto Hahn e Fritz Strassmann? Pois, se fosse o Ronaldo, Messi, Maradona, Eusébio ou o Pélé...

Ronaldo tem tudo: saúde, dinheiro, família, uma esposa que dizem jeitosa, ainda é novo para tudo, mesmo que se engane a si próprio ao pensar que também o é para o futebol. Indiscutivel o seu sucesso e status! Desdizê-lo é como alinhar na teoria de que o homem ainda não pôs os pés na lua ou que as grandes pirâmides de Gizé foram erigidas com a ajuda de extra-terrestres. Mas fazer dele um deus, haja bom senso!

Não obstante, Portugal tem imensos talentos e génios em todas as profissões, nas artes, na cultura, na medicina e na engenharia, mas que não vendam camisolas, carros, perfumes ou champô anti-caspa. Esses serão ilustres desconhecidos. No geral, o país quer é bola e só reconhece quem é da coisa. A arte e a cultura é um pontapé de canto, a ciência é um penalti e a literatura é a lei do off-side. A escrita de Camões, de Eça, de Camilo, de Torga ou Pessoa são preteridas pelo "O Jogo" "Record" ou "A Bola".

Posto isto, que sejam felizes o Ronaldo, o Jesus, o Proença e toda a gente, tanto quanto desejo para mim e para os meus; mas, por favor, desliguem a televisão e não deem importância a esta novela. A vida é mais que isto. Tem coisas bem mais interessantes, tanto para nos preocuparem como para nos alegrarem. Um bom livro, uma poesia, uma ilustração, uma caminhada pela Freita ou um bacalhau ou bife no Zé de Ver.

Do Ronaldo e quejandos, estou cheio! Antes uns enchidos, um bom vinho e um saboroso queijo.

01/10/2026

Harmonia



Avanço sereno

pelo caminho esguio,

onde na sua berma 

toda a erva medra

e reluz a florzinha.


É como um aceno

Da luz no pavio

A luzir na casita erma,

Entre muros de pedra

Onde faz ninho a avezinha.


Que simplicidade,

Meu Deus,

Ver ali poesia:

É felicidade

Aos olhos meus,

Tão plena harmonia.

Já não há Verão

 


A serra despe-se do manto verde

e desnuda-se diante do céu,

toldada numa luz que se desvanece.


No chão,

as folhas mortas,

as pedras ásperas,

são a única riqueza do caminho.


O homem passa, devagar.

Leva no rosto cansado

a mesma sombra das árvores,

a dureza dos penedos pacientes,

o brilho do orvalho matinal.


Há frio nos campos,

há silêncio nos muros,

há uma videira esquecida

ainda presa à esperança.


Tudo cai.


A folha,

o fruto,

o dia,

a vida.


Só a terra permanece,

escura e paciente,

a guardar no ventre

o que há-de nascer.


E talvez viver seja isto:


com as folhas cair

sem deixar de acreditar

na primavera

que há-de vir.

30/09/2026

Contar mortos


No silêncio das noites, sem dormir, impaciente, porque lá fora não se ouve cão a ladrar ou galinheiro a despertar, o Tavares dá por si a fazer um inventário de ausências. Perde-se a contar e a rever os mortos da aldeia, aqueles que desde criança conheceu. Não por uma necrofilia melancólica, mas por um sobressalto da memória: percebe, quase estarrecido, que os nomes gravados no mármore dos seus jazigos e as sombras que habitam a sua lembrança já são em tal número que bastariam para erguer um povoado inteiro.

A sua aldeia sepultada rivaliza agora, em dimensão e pulso, com a aldeia dos vivos. Daria para fundar uma comunidade paralela, uma terra com o seu próprio padeiro, o seu barbeiro, o ferreiro, o calceteiro, o trolha e o pedreiro, as suas mulheres à porta a espreitarem a rua, os seus velhos a discutir as coisas da terra e do gado, no balcão do tasco ou no adro da igreja. Ali estão eles, todos reunidos num silêncio absoluto, a olhar para o lado de cá do muro.

Esta constatação traz consigo uma lucidez desconcertante sobre a perenidade da existência. O Tavares observa a urgência absurda com que nos consumimos diariamente. Discutimos por frações de tempo, exasperamo-nos com prazos falhados, acumulamos invejas, ressentimentos e azedumes, planeamos o próximo ano como se o amanhã fosse um contrato irrevogável assinado com o universo. Vivemos com a ilusão arrogante da eternidade, esbanjando a luz do dia em preocupações insignificantes, enquanto os que partiram nos recordam - em voz baixa - a fragilidade do nosso chão, a efemeridade da nossa existência.

Eles também já tiveram pressa. Também tiveram reuniões adiadas, desavenças por um portelo, um rego foreiro, um muro, partilha de terrenos, noites mal dormidas por dívidas ou caprichos. Hoje, repousam na terra que um dia calcaram com a mesma convicção ingénua com que nós a calcamos agora.

Contar os mortos da aldeia não é um exercício de tristeza, mas um resgate de perspectiva. Diante da vasta aldeia invisível que se ergueu ao seu lado, a vida quotidiana desmascara-se na sua pequenez. Resta-lhe a urgência do que é essencial: olhar para o céu, escutar quem fala connosco, desarmar os rancores e reconhecer hoje que a única verdadeira urgência é saber estar vivo no breve instante em que a luz ainda nos pertence. 

Amanhã pode ser tarde.


[ilustração: adptada por IA]