" Eu e a minha aldeia de Guisande" "" Eu e a minha aldeia de Guisande

30/07/2026

Tomada de posse do novo pároco em Guisande

 


O Pe. Cláudio Manuel Pereira Vieira da Silva, irá substituir o Pe. António Jorge na paroquialidade das nossas comunidades.

Nesse contexto de preparação, ontem, 29 de Julho, pelas 21:00 horas teve lugar no Salão Paroquial de Caldas de S. Jorge uma reunião com o pároco cessante, os conselhos económicos e delegados dos conselhos pastorais, tendo sido definidas as bases para os eventos de acolhimento nas diferentes paróquias.

  • Guisande : 

No sábado, dia 12 de setembro, pelas 18:00 horas, haverá a missa solene com tomada de posse, que será dada pelo Vigário Pe. José Carlos.

      Antes da celebração, no Salão Paroquial, serão dadas as boas-vindas pelo Conselho Económico e autoridades a convidar, como o Presidente da Câmara Municipal, a Junta de Freguesia, associações e movimentos da freguesia e, naturalmente, os representantes dos diversos grupos da paróquia.

      No final da missa, o Conselho Económico, com o apoio da Junta de Freguesia, organizará um lanche-convívio aberto a toda a comunidade, local e interparoquial, que terá lugar na Alameda da Igreja.

    • Pigeiros e Caldas de S. Jorge : 

Quanto a Pigeiros, no domingo, dia 13 de setembro, considerando o tempo reduzido devido à missa seguinte nas Caldas, ficou decidido haver a mesma prévia apresentação das autoridades e grupos locais, acompanhada da oferta de um pequeno-almoço com Porto de Honra.

      Seguidamente, nas Caldas, aplicar-se-á o mesmo esquema de apresentação das autoridades e grupos locais antes do início da missa. No final da celebração, deverá ser organizado um almoço cujas condições serão definidas em reunião a ocorrer entretanto naquela paróquia, com o Conselho Económico local, grupos da paróquia e associações. Em princípio, esse almoço estará sujeito a reservas e estará aberto à comunidade local e interparoquial.

Logo que definidos os pormenores serão divulgados às comunidades.

29/07/2026

Sinalização de limites de freguesia - Sim, mas...

 




A Junta de Freguesia de Guisande instalou sinalização de limites de freguesia e respectivas saudações de boas-vindas e boa viagem.

É uma medida positiva. Todavia, estando a decorrer um processo de definição e clarificação dos limites do território, por deliberação da Assembleia de Freguesia, com um grupo de trabalho formado, talvez fosse sensato que estas sinalizações fossem instaladas apenas após o encerramento do processo. É a minha opinião!

Do que vejo, há uma ou outra que poderiam e deveriam ser deslocadas uns metros, por exemplo junto ao Santo Ovídio, já que o limite é um pouco a poente, na esquina poente do caminho que vem do norte da Rua Nossa Senhora de Fátima, onde, de resto, já esteve antes da localização actual. 

É certo que não é por aí que vem o mal ao mundo, porque mais metro menos metro, mas quando damos sinais de cedência, isso não ajuda a defender o que é nosso. Não temos que tomar como nosso o que é de terceiros, mas também não temos que ceder a estes, mesmo que nem sempre tais processos sejam respeitados.

Em todo o caso, manda quem pode.


[fotos: Junta de Freguesia de Guisande]

28/07/2026

Comes e bebes na nossa festa

 


Sem comida ou bebida, a festa não presta. 

Mas na nossa, de Guisande, do Viso, está garantida a presença do Café Fornos, do Armando e da Bela Paiva, que tal como nos últimos anos, no Centro Cívico, terá uma oferta de boa comida, com petiscos vários, a tradicional sardinha assada, grelhados mistos, rojões, bifanas, sobremesas e bebida com fartura.

É uma presença que enriquece a nossa festa e que proporciona o convívio à mesa.

Cartaz da Festa do Viso - Agora, sim, com Guisande

 


É certo que já tarde e depois de reparos, mas a Comissão de Festas admitiu a falha lamentável e lá mandou corrijir e  incluir, e bem, a referência a Guisande no seu cartaz com o programa da festa dedicada a Nossa Senhora da Boa Fortuna e Santo António. 

Mesmo que ainda de forma muito discreta, fez-se incluir um elemento que nunca deve ser desconsiderado. Um cartaz, para além da componente gráfica e artística, raramente tida em conta, e que nos últimos anos tem sido pobre, tem de cumprir uma função básica, sobretudo quando pretende anunciar e divulgar eventos, e incluir informações tais como: O quê, onde e quando.

Sendo assim, mais vale tarde que nunca e só não erra quem nada faz, mas há coisas que pela sua importância não deveriam ser ignoradas. Uma gralha, um erro de ortografia, um número trocado, etc, pode acontecer e escapar à revisão - que deve ser atenta -, mas certas coisas são demasiado óbvias e importantes para serem omitidas.

Pena que não tivesse sido actualizada a imagem do Santo António, para a oficial da festa, mas isso já seria pedir muito. Espero que nas pagelas junto à caixa de esmolas não se volte a cometer esse erro.

27/07/2026

Crónicas do Viegas - Por causa de um 7


O Viegas já teve empregos de toda a espécie. Há alguns anos que trabalha na Agência EXCELCIA. Nem ele sabe explicar muito bem o que aquilo é, mas, quando lhe insistem, responde que se trata de uma prestadora de serviços nas áreas da solicitadoria, contabilidade e afins, onde tanto se trata de assuntos muito finos como de outros bem mais manhosos.

Tanto trata da escritura de compra e venda de um prédio, de um automóvel ou de uma carroça, como trata de licenciar um galinheiro na Câmara, renovar uma carta de condução ou redigir uma intimidação, com ares de parecer jurídico, ao vizinho cujo cão ladra demais ou cujos gansos grasnam sem respeito pelo descanso alheio.

Talvez por esta versatilidade, a agência goza de boa reputação e de uma carteira de clientes tão variada que vai de patrões a empregados, de empresários a pedintes e, segundo dizem as más-línguas, até de alguns chulos do sistema, que constantemente precisam de papeladas, requerimentos, comprovativos e certidões.

Quanto ao nome, EXCELCIA, foi uma invenção do Francisco Frazão — Doutor, como faz questão de ser tratado, apesar de o único diploma conhecido ser o nono ano tirado nas Novas Oportunidades. Na sua brilhante teoria de marketing, o nome resulta da fusão do Excel, pelas extraordinárias capacidades de cálculo e organização de dados e com a CIA, a agência de inteligência norte-americana, pela discrição com que afirma tratar os assuntos e pela alegada capacidade de investigar — ou, como ele prefere dizer, "obter informação privilegiada" — sobre a concorrência.

O Doutor Frazão gaba-se de ter "amigos" em todo o lado: Finanças, Conservatórias, Câmaras, Loja do Cidadão, Notários... Gente que lhe abre portas, acelera processos e atende telefonemas antes dos outros. Também cultiva uma criteriosa rede de restaurantes onde, entre um bacalhau e uma vitela assada, se "descomplicam" certos assuntos administrativos e se alimentam amizades muito úteis, relembradas com consoadas pela Natal e folares pela Páscoa.

O Viegas, por seu lado, é um funcionário raro. Escreve bem, argumenta melhor, domina informática, programação e praticamente todas as ferramentas de escritório. Tem ainda outras habilidades que nem o próprio patrão conhece — e talvez seja melhor assim. Por isso, apesar das frequentes discussões, o Doutor Frazão não prescinde dele.

Aliás, o Viegas já foi despedido centenas de vezes. E readmitido outras tantas... sempre antes de conseguir sair do gabinete do chefe.

Foi precisamente numa dessas habituais "lutas de galos" que aconteceu o episódio seguinte.

O Viegas estava absorvido na elaboração de uma defesa contra uma coima aplicada pela Câmara ao Zeca da Bernarda, que resolvera altear o muro confinante com o terreno do vizinho Simão. Este, mal deixou de poder observar a vizinha a apanhar banhos de sol no relvado, tratou logo de apresentar queixa. A Câmara, sempre diligente quando se trata de fiscalizar muros, galinheiros e capoeiras — embora frequentemente acometida de estranha miopia quando os requerentes são autarcas, doutores, engenheiros ou gente de respeito — enviou prontamente um fiscal que, cheio de zelo e autoridade, lavrou o auto de embargo sem pestanejar.

Nisto toca o telefone interno. O Viegas suspirou.

— Outra vez...

Atendeu.

— Sim, doutor?

Do outro lado ouviu-se aquele tom de voz que anunciava tempestade.

— Ó Viegas, tens aqui uma argolada no requerimento que fizeste para o Dr. Saraiva!

— Uma argolada? Então o que foi?

— No número do processo! Escreveste 779/2024. O processo é o 79/2024!  Tens aí um sete a mais!

— Bem... escapou-me. As teclas são sensíveis... carreguei uma vez a mais.

— Ó Viegas, sensíveis são os clitóris! Tens de ter cuidado! Isto não pode acontecer!

— Ok! Tem razão, doutor. Desculpe. Corrijo e imprimo já outro.

— Fazes já outro? O Dr. Saraiva já assinou! Queres que eu vá incomodá-lo outra vez para lhe dizer que a EXCELCIA meteu água? Temos um prestígio a manter!

O Viegas respirou fundo.

— Então... não dá para tapar o primeiro sete com corrector líquido?

A resposta saiu imediatamente.

— Ó Viegas, foda-se! Achas que vou andar a pintar requerimentos? O Dr. Saraiva é picuinhas! Aqui trabalha-se com rigor! Profissionalismo acima de tudo!

O Viegas começou a achar que toda aquela solenidade era muita parra para pouca uva. Já sabia do que a casa gastava.

— Está bem. Então o que quer que faça? Ligo ao Dr. Saraiva e explico-lhe a situação e certamente ele compreenderá?

— Não! Nem pensar!

Fez uma pausa teatral.

— Imprime outro,  e corrigido traz-mo cá. Como sempre, tenho de ser eu a resolver estas coisas.

— Mas... como é que vai resolver?

O Doutor Frazão terá sorridocom aquele ar de quem revela um segredo de Estado.

— Sabes que nestas coisas não dou milho a pintos. Vou à mesa de luz... e copio a assinatura do Dr. Saraiva. Pronto!

E desligou.

O Viegas pousou lentamente o auscultador.Não ficou propriamente surpreendido. Conhecia demasiado bem os talentos ocultos do patrão e as suas formas complicadas de resolver coisas fáceis. Mesmo assim, não resistiu a concluir:

— Foda-se... corrector líquido nem pensar, porque isso atenta contra o rigor profissional... mas copiar a assinatura já faz parte do controlo de qualidade. Olha-me este!

Dias depois, o Dr. Saraiva apareceu na agência e a Ana, a boazona da secretaria, entregou-lhe o requerimento já carimbado pela repartição.

Quando o velho cliente olhou para a assinatura durante alguns segundos, franziu o sobrolho e, num raro momento de boa disposição, comentou:

— Ó Frazão... o "S" da minha assinatura ficou hoje muito coninhas. Eu faço-o muito mais largo e fluido. Tremeu-lhe a mão?

O Doutor Frazão lançou um olhar fugidio ao Viegas, engoliu em seco, mas recompôs imediatamente a pose e respondeu:

— Ó Sr. Doutor, olhe que não! Olhe que não! Aqui trabalha-se com rigor, seriedade e profissionalismo. Além disso, sabe perfeitamente que duas assinaturas nunca saem rigorosamente iguais. Pergunte aos entendidos nessa coisa da caligrafia...

Fez uma pequena pausa, muito seguro de si e rematou:

— Exactamente iguais, só nas fotocópias!



[ilustração: IA]


Nossa Senhora da Saúde - Cartaz programa para 2026

 


Cartaz - Programa da edição de 2026 da popular romaria de Nossa Senhora da Saúde, nos Carvalhos - Pedroso - Vila Nova de Gaia.

Graficamente não deslumbra, mas equilibrado e de bom contraste cromático e, acima de tudo, sem a mão da IA, que agora, numa vulgarização, é pau para toda a colher, tantas vezes sem critério e originalidade. Adiante!

Gosto e valorizo o foco dado à imagem da Senhora da Saúde bem como ao destaque do nome. E numa festa de matriz religiosa deveria ser sempre assim. Quando o artista musical tem mais destaque gráfico que a santa ou santo, vamos mal. Quanto ao programa, o habitual, sem grandes nomes mas a popularidade e matriz da festa não necessita que seja mais um festival de verão. Quando a malta vai à festa apenas para ver os artistas e nem sequer entra na capela ou igreja, diz muito do valor que damos às coisas. Nesses casos, tenho sérias dúvidas que os santos gostem que usem o seu nome apenas para um festival.

Uma curiosidade: O grupo Alfa 2 já actuou em Guisande na nossa festa do Viso, em 2017. Destaque ainda para duas boas bandas de música, a de Arrifana e a Ovarense.

26/07/2026

Crónicas do Viegas - O Cagão


O Viegas é um rapaz maduro, que já não é novo nem velho, antes pelo contrário. Ainda não está na reforma nem tem pressa de envelhecer, mas, como, verdade se diga, já não falta muito, começa a ter inveja dos amigos Jorge Brandão e Alcino Ferreira que, em plenas férias, passam os dias entre passear o cão, hidroginástica, futebol a caminhar e matinés dançantes, entre outras actividades com que o município procura entreter os seniores, eufemismo para os velhotes. E são tantas que já é escusado tentar marcar com eles um jantar ou uma saída sem que isso lhes perturbe a agenda.

A propósito, ainda há dias a Silvana, que não tem papas na língua, soltou:

— Foda-se! Esta gente que já está na reforma agora não tem tempo p'ra nada, nem para limpar a casa. É piscina, é dança, é ginástica, é pintura, é isto, é aquilo, é o caralho! Arre! Não é para mim! Reforma é sem estar a fazer a ponta dum corno!

Passe o exagero e, matutando com ares de sério, a desbocada da Silvana até tem razão. Estes nossos reformados, que ainda têm força nas canetas, ninguém os apanha em casa.

Retomando o fio à meada, o Viegas tem algo de especial e, se no geral todos lhe reconhecem capacidades e inteligência, há nele coisas que só ele sabe e de que desconfia, para si próprio, serem um dom. Não um superpoder, como daquela malta dos filmes em collants, como o Super-Homem ou o Homem-Aranha, mas algo que ultrapassa o instinto, quase como uma capacidade sobrenatural: a de ver o passado e adivinhar, ou prever, o futuro.

E sabe disso desde que, na primeira classe, quando na hora do recreio viu o Soutinho abaixar as calças, pôr-se de cócoras e arriar o calhau atrás de um pinheiro. Mas de forma tão descuidada que, às tantas, sem se aperceber, o cagalhão caía meio no chão, meio nas cuecas. A professora chamou para dentro e ele, de um salto, mal teve tempo para limpar o cu e puxar as calças remendadas de quadrados.

Num instante, o Viegas adivinhou o que se ia passar. Logo que o cheirete a merda inundasse a sala, com queixas do pessoal das cadeiras do fundo, vizinhos do repetente Soutinho, a mestra soltaria a cana preta de bambu na cabeça do desgraçado malcheiroso e, num instante, alterava-lhe o ângulo das orelhas, que escorriam sangue, enquanto era posto fora da sala, com a recomendação severa de ir a casa lavar-se no tanque e mudar de roupa.

E foi exactamente assim. Dali a nada, o Soutinho, acompanhado de moscas, galgava pelo monte abaixo.

Já no fim da aula, regressava a casa o Viegas e, de novo, a sua cabeça foi inundada por uma visão do que ia acontecer no dia seguinte: a mãe do Soutinho a arrastá-lo à escola, agarrado-o pela orelha ferida, a pedir desculpa à professora e contando que, logo que ele chegou a casa fedorento e lhe contou o que se passara, metera-o dentro do tanque e lavou-o por dentro e por fora, como quem lavava tripas de porcos para fazer chouriças. E que a professora não lhas poupasse, porque ela, a mãe, já as tinha acrescentado. E que se livrasse de o pai vir a saber, porque então as contas eram a dobrar.

Pobre Soutinho. Acabrunhado no fundo da sala, já a cheirar a rosmaninho, não se livrou, contudo, da crueldade dos colegas, que doravante passaram a chamar-lhe «o cagão», enquanto reforçavam o título com os dedos a apertar o nariz. Ainda hoje, pelas costas, lembram-se entre riso: - Olha, lá vai o Cagão!

Certo é que o Soutinho, no fundo bom rapaz, fez-se homem, andou por Franças e Araganças e hoje até é o sogro do excelentíssimo senhor presidente da Junta de Vale de Azeiteiros. Ele próprio, desconhecendo a alcunha do sogro, é apelidado pelos opositores, pela sua vaidade e presunção, de «o cagão».

Vá saber-se estas coincidências da vida e das suas voltas.

Mas, retomando a coisa, foram esses os primeiros lampejos de algo sobrenatural do Viegas.

Ora, estas suas capacidades, que ainda hoje não consegue explicar a si próprio, são muito mais do que intuição, mas, para o bem e para o mal, têm marcado toda a sua vida. Destas singularidades resultam muitas das crónicas de memórias do Viegas.

Voltaremos a elas? Talvez!


[ilustração: IA]