" Eu e a minha aldeia de Guisande" "" Eu e a minha aldeia de Guisande

14/05/2026

Historiando - A prestação de trabalho no séc. XIX

Durante o século XIX, a administração local em Portugal dependia da participação directa dos cidadãos para a manutenção do bem comum. Este sistema foi consolidado pelo Código Administrativo, que permitia às Câmaras exigir "braços" (trabalho manual) e "gados" (tracção animal) para obras públicas. A Lei de 5 de julho de 1864 introduziu a possibilidade de remissão, permitindo que os moradores convertessem essa obrigação física num pagamento em dinheiro, conforme as taxas fixadas anualmente pelas câmaras municipais.

O propósito central desta obrigatoriedade era garantir a viabilidade de infraestruturas essenciais perante orçamentos municipais reduzidos.

- Conservação de Vias: Foco na reparação de caminhos e estradas para facilitar a circulação e o escoamento de produtos.

- Obras de Engenharia Local: Construção de pontilhões e manutenção de edifícios públicos utilizando os recursos da própria comunidade.

- Gestão Financeira: Suprir a falta de numerário através da mobilização directa da força de trabalho local ou das taxas de conversão pagas pelos residentes.

A conversão do trabalho em dinheiro seguia uma hierarquia rigorosa, reflectindo o custo de mercado e a especialização do serviço. Em 1868, as taxas de conversão diária eram aplicadas da seguinte forma (valores extraídos de uma acta de reunião de Câmara de Vila da Feira):

O valor mais elevado era atribuído ao Trabalho de Boi e Carro, fixado na quantia de 700 réis por cada dia. Esta taxa reflectia a importância crítica da tracção animal para o transporte de materiais pesados, sendo o recurso mais oneroso para o concelho. Logo abaixo, a utilização de um Animal de Carga era convertida em 400 réis por dia.

No que respeita ao trabalho humano qualificado, a prestação de um Oficial de Ofício (como pedreiros ou carpinteiros) tinha o valor de 320 réis diários. Este valor intermédio reconhecia a necessidade de competências técnicas para garantir a durabilidade das obras públicas.

Por fim, o valor de base do sistema era o do Jornaleiro ou Braçal, estabelecido em 250 réis por cada dia de trabalho. Este valor correspondia à unidade mínima de esforço físico não qualificado e servia como padrão de referência para a maioria da população que optava por remir a sua obrigação laboral através do pagamento em dinheiro.

Escusado será dizer que na freguesia de Guisande os seus habitantes estavam, naturalmente, sujeitos a esta prestação de trabalho ou ao pagamento correspondente, este tabelado pela Câmara Municipal. Nas actas mais antigas das reuniões da Junta Paroquial de Guisande há várias referências à prestação de trabalho.

Quanto ao fim de tal obrigação:

A obrigatoriedade da prestação de trabalho braçal e de tracção animal em Portugal não desapareceu de um momento para o outro, mas sim através de um longo processo de transição administrativa e fiscal que se estendeu até às primeiras décadas do século XX.

A transição definitiva ocorreu principalmente por dois factores:

- Reforma Tributária e Administrativa:

À medida que o Estado português modernizou o sistema de impostos, as "fintas" (impostos em trabalho ou espécie) foram progressivamente substituídas por contribuições exclusivamente monetárias, como a Contribuição Predial. Este movimento ganhou força com a implantação da República em 1910, que procurava eliminar vestígios de obrigações que remetiam ao período senhorial.

- Código Administrativo de 1936: Foi durante o Estado Novo que se consolidou a estrutura moderna das autarquias. Embora o espírito de "trabalhos para o bem comum" tenha sido mantido em contextos de emergência, a obrigatoriedade regular de braçagem para obras municipais foi formalmente removida da legislação corrente, sendo substituída por taxas municipais e orçamentos financiados pelo governo central.

Embora a lei tenha deixado de obrigar o trabalho físico no início do século XX, a prática sobreviveu de forma voluntária em muitas aldeias portuguesas sob a forma de "roças" ou "balhos". Nestes eventos comunitários, os vizinhos ainda se reuniam para limpar caminhos ou consertar muros de forma gratuita, mantendo vivo o propósito original de cooperação local que os documentos de 1868 registavam como uma obrigação legal.

Procissão de Velas - 2026

 


A procissão de velas na paróquia de Guisande realiza-se amanhã, Sexta-Feira, 15 de Maio de 2026. Será celebrada Missa pelas 20:00 horas e no final sairá a procissão pelo percurso assinalado no mapa, numa extensão de 5,0 Km. 

A procissão sai da igreja, segue para as Quintães e Viso, desce até à capelinha do Senhor do Bonfim, sobe para a Barrosa, entra na Rua 25 de Abril  e segue até  Fornos, corta e segue pela Lama até Casaldaça, corta para a Rua de Trás-os-Lagos e segue até à Gandarinha e ali vira a sul seguindo pela Rua Nossa Senhora de Fátima até ao cruzamento da Leira onde cortta para a Igreja, terminando na alameda frontal.

Pede-se que as pessoas sigam ordenadas em duas filas, evitem ir amontoadas, e que ocupem apenas meia faixa da estrada, principalmente na Rua 25 de Abril e Rua Nossa Senhora de Fátima, as mais movimentadas. 

13/05/2026

Nota de falecimento - Mãe do pároco Pe. António

 

Faleceu ontem a mãe do nosso pároco Pe. António Jorge.


A perda de um pai, mas sobretudo de uma mãe, é certamente uma tristeza imensa e um vazio de alma, porque vemos partir quem nos gerou, cuidou e amou.
Consola-nos, como cristãos e crentes, a certeza de que estará já em paz, a viver a sua plena Páscoa, em eterno descanso e certamento continuará viva nas memórias dos filhos, dos seus familiares e comunidade.

De minha parte e certamente da nossa comunidade, um abraço apertado e sentido ao Pe. António neste momento de dor, e certamente ajudará a consolá-lo a nossa solidariedade e a certeza de que sabe que a sua mãe está agora em paz depois de um período de doença e debilidade e que apesar dos seus compromissos, como filho dedicado, sempre procurou acompanhar e estar próximo num esforço e preocupação constantes.

Que descanse eternamente em paz!

11/05/2026

A lição da fábula do ovo de Colombo


Pela década de 1970 aprendi a fábula do Ovo de Colombo  num dos livros de leitura da escola primária. Grosso modo, o navegador e descobridor da América, Cristóvão Colombo, um certo dia, a propósito do valor da sua descoberta, que muitos então desvalorizavam, desafiou os presentes a porem de pé um ovo fresco de galinha sobre a mesa sem que tombasse. Como ninguém encontrasse solução, o genovês, com cuidado quebrou um pouco de casca na extremidade do ovo, e assim, apenas com a película a segurar a gema e a clara, conseguiu uma ligeira base e com isso que o ovo se equilibrasse facilmente.

Depois disso, os presentes desvalorizaram, argumentando que, assim também eles. Então, como remate e lição da fábula, Colombo terá dito que as grandes descobertas eram mesmo assim, a parecerem fáceis depois de terem sido realizadas, Antes, porém, ninguém teve a ideia ou o valor capaz de as levar a cabo, de as realizar.

Esta lição, mesmo que uma metáfora e sem qualquer rigor histórico de que tenha realmente tenha acontecido, lembra-nos que ainda hoje não falta por aí quem diga ser capaz de equilibrar ovos sobre a mesa depois de ver como o fazer. Antes, porém, sem tomarem a iniciativa, sem mostrarem como se faz. Assim, ao invés de darem mérito e valor a quem o faz pela primeira vez, limitam-se a dizer que "...assim também eu".

Em Guisande, nesta pequena e bonita freguesia, também há quem desvalorize alguns dos nossos Colombos, sem mostrarem como fazer e sobretudo mais e melhor. O mérito raramente é reconhecido, antes desvalorizado, e o copo meio cheio de água é visto como meio vazio.

É a vida!

No mínimo, uma taça...

Um clube de futebol de topo, já consagrado campeão nacional, que venceu com justiça (e muita azelhice dos principais adversários), mas  que na penúltima jornada perde de forma categórica com o clube último classificado e já despromovido à divisão inferior, no mínimo deveria ter direito a uma taça dourada a lembrar esse feito. Não sendo inédito, não é para qualquer um. 

Tendemos a valorizar os grandes feitos, mas é injusto que os enormes defeitos sejam esquecidos. Também eles têm o seu quê de poético.

Quanto ao Benfica, depois de uma época miserável, mesmo depois de ter perdido a hipótese de conseguir o 2.º lugar, importante apenas pelo lado monetário, arrisca-se a ficar em 3.º sem perder qualquer jogo. Se a concretizar-se, também a merecer uma taça pela mediocridade invencível.


Américo Santos - Ex atleta e dirigente do Guizande Futebol Clube



Américo Pereira dos Santos foi um dedicado  atleta e dirigente do Guizande Futebol Clube. Teve direito ao livro sobre a histório do clube. 

Como atleta era guarda-redes. Foi também responsável por algumas equipas do Despertar.

Em muito, o livro é um tributo a todos quantos ao longo dos tempos se dedicaram ao clube, quer como dirigentes quer como atletas e associados, mesmo daqueles que não são identificados de forma pessoal..

Recordo que o livro está a ser vendido pelo clube, na Loja Agrícola em  Fornos e no Café Fornos e, naturalmente, junto do clube.

A receita total com a venda do livro reverte  favor do clube.

06/05/2026

Grupo "Guisande: Ontem e hoje" - 2.º aniversário

 


Completam-se, hoje, dois anos sobre a criação do "Guisande: Ontem e hoje", um grupo de carácter privado na rede social Facebook.

O grupo destina-se apenas a pessoas naturais e residentes na nossa freguesia, com ligações familiares  ou outras, reconhecidas pelo administrador.

O grupo conta actualmente com 412 membros, sendo que já terá sido recusada mais de uma centena de pedidos de pessoas não reconhecidas ou que, convidadas à identificação, não prestaram os esclarecimentos relativamente à sua ligação à freguesia.

A adesão tem sido de livre vontade e ninguém entrou por convite da administração. Quem quiser sair, sai quando desejar e de livre vontade, sendo que depois de o fazer não voltará a entrar.

Não as contabilizei, mas seguramente já foram mais de 500 publicações, na sua larga maioria com assuntos e temas relacionados à nossa história passada, das nossas coisas comuns, património, cultura, tradições e gente.

Tenho plena noção de que destes 412 membros, a larga maioria passa por cá apenas por curiosidade e com interesse reduzido. Apenas um pequeno grupo segue com interesse e participa com reacções ou comentários. Esta sitguação não é novidade porque sei do que a casa gasta. Infelizmente, no geral, damos pouca atenção ao que é nosso, ao que nos valoriza como comunidade, do passado e do presente, antes alinhando facilmente em minudências e culto do umbigo.

Posto isto, sem ilusões, mas antes remando contra a maré, o espaço vai continuando, com mais ou menos regularidade e na certeza de que muitos destes assuntos um dia poderão ser passados para um outro suporte, nomeadamente para um livro na forma de monografia sobre a freguesia. Material não falta e quase todo escrito. O problema até será de excesso de conteúdo pelo que obrigará a uma selecção.

Assim sendo, deixo um  agradecimento especial aos membros do grupo, de modo particular aos mais fiéis, que ao fim de dois anos ainda continuam a passar pelo grupo, a valorizar e reconhecer o interesse do espaço e dos temas ali abordados e partilhados.