26 de julho de 2021

Otelo de quantas estrelas?

Desde ontem que o falecimento de Otelo Saraiva de Carvalho tem dominado as notícias e as reacções dos seus pares e da classe política. Tinha 84 anos e estava hospitalizado.

A personalidade dispensa apresentações e é reconhecida como o estratega do movimento que deu lugar aos acontecimentos de 25 de Abril de 1974 e uma das principais figuras dessa revolução.

Nos dias que correm e no sistema vigente, o politicamente correcto é exaltar a figura de Otelo e o seu papel no Golpe de Estado e todas as outras facetas ou são simplesmente ignoradas ou relevadas pelo contexto pós-revolução.

Sendo certa a importância do papel de Otelo no golpe militar do 25 de Abril de 1974, não se pode simplesmente ignorar, esquecer, indultar ou amnistiar, como fez o sistema, toda a sua acção extremista,  nomeadamente no que concerne à sua participação no grupo terrorista Forças Populares 25 de Abril, directamente responsável pelo menos do assassínio de 13 pessoas, incluindo, colateralmente um bébé, para além da morte de 4 dos seus operacionais.

O grupo terrorista após uma década de actividade acabou por ser desmantelado e Otelo condenado, mas depois de algum tempo detido preventivamente numa prisão de 5 estrelas, em Tomar, acabou por ser indultado e amnistiado pelo sistema. 

Assinou a amnistia Mário Soares, pois claro, com a aprovação na Assembleia da República dos partidos da Esquerda, pois claro. Soares justificou que compreendia o ponto de vista das vítimas mas que era tempo da reconciliação. Que justiça para todas as vítimas?

Importava a Soares e ao sistema que a coisa fosse relevada, que os processos fossem imbróglios, se arrastassem, que as provas fossem inconclusivas, que os "arrependidos" não falassem demais. Um processo vergonhoso preparado para os indultos e amnistias, porque importava não beliscar uma das figuras centrais do 25 de Abril de 1974. No fundo os pares militares e a classe politica auto protegem-se porque precisam que o sistema, deles, não abane.

Para além dessa herança de morte, Otelo não se livra de ser uma das figuras de proa das facções extremistas que pretendiam conduzir o país para uma ditadura de esquerda de modelo cubano, que pretendia traduzir com o golpe de 25 de Novembro de 1975.

Por tudo isso, Otelo já é uma figura importante da nossa História contemporânea, sem dúvida, mas em proporção inversa uma personalidade  controversa e as acções no contexto do golpe militar não devem nem podem omitir ou esquecer todo o seu envolvimento de extremista e terrorista e dos atentados, roubos, explosões e assassínios decorrentes.

Ontem alguém, creio que a jornalista Fátima Campos Ferreira, que lhe fez uma entrevista biográfica há alguns anos, disse que "Otelo era um homem bom, inteligente, e até sabia cantar e gostava de ter sido actor". Ora as prisões estão cheias de gente boa que sabe cantar e fazer outras coisas, mas que estão a pagar por crimes que cometeram, mesmo que de forma não premeditada ou qualificada. Pois Otelo, fê-lo de forma organizada, preparada, calculada, premeditada e em rigor nada pagou por isso. A preventiva passada em Tomar, era no fundo um Hotel onde recebia com charutadas e bons vinhos todos os seus bons amigos militares e políticos.

É certo que há todo um contexto de revolução e instabilidade decorrente do golpe militar de 1974, que pode ser utilizado para o enquadramento mas não para relevar. Importaria não esquecer.

Na análise da figura de Otelo Saraiva de Carvalho, convirá sem desculpabilização separar o trigo do joio e ter sempre em conta ambas as facetas, coisa que no actual estado de coisas e de sistema parece difícil. 

Fosse alguma da nossa esquerda dada a coisas de religião e santidade e Otelo já estaria num pedestal de altar. Não sendo, esperam-se estátuas em praças, ruas e avenidas com o seu nome. Com sorte, um dia de feriado nacional.

Considerá-lo um homem, com virtudes e defeitos inerentes, é aceitável, valorizar e agradecer o seu contributo para libertar o país da ditadura, sem dúvida, mas daí até fazer de alguém que fez parte de um grupo terrorista que ceifou vidas, um herói nacional, convenhamos que é pedir demais, sob pena de estarmos a legitimar o terrorismo e os extremismos, sejam eles revolucionários,  políticos ou ideológicos. 

Largas e verdes vistas

 







Largas e verdes vistas a partir do Monte de S. Gens - Sardoura - Castelo de Paiva.

24 de julho de 2021

Colheita de Sangue de 24 de Julho de 2021 - Resultados

 


Resultado da jornada de recolha de sangue, que ocorreu hoje de manhã nas instalações do centro Social no Monte do Viso:

Presenças: 39; Colheitas: 29; Não  concretizadas: 10.

Por comparação, há um ano, em 25 de Julho de 2020:

Presenças: 52; Colheitas: 41 (1 eliminada); Não concretizadas: 10.

Nota de Falecimento

 


Nota de pesar pelo falecimento de Joaquim da Costa Alves, natural do Outeiro - Guisande, e residente em Vila maior - Santa Maria da Feira.

Sentidos sentimentos a todos os familiares. Paz à sua alma!

23 de julho de 2021

Nota de falecimento

 


Nota de pesar pelo falecimento do José Fernando (entre a rapaziada de cá, conhecido amigavelmente como o Chichas), que tendo casado em Casaldaça, Guisande, ali viveu durante alguns anos. A vida deu algumas voltas e por cá perdemos-lhe o rasto, sabendo que teria ido para S. João da Madeira, onde residia, Sempre disponível e bem disposto, chegou a colaborar na Associação "O Despertar", tendo feito parte da equipa de futebol de salão e daí algumas boas recordações. 

Sentidos sentimentos a todos os familiares. Paz à sua alma!

21 de julho de 2021

Mais vale tarde....

A ter em conta as movimentações (vi na Rua do Cruzeiro), parece que se iniciaram as limpezas das ruas em Guisande. É certo que estamos praticamente a dois meses das eleições e a limpeza já deveria ter tido lugar bem antes. Nalguns locais a vegetação está com uma altura que impede mesmo a circulação nos passeios (por exemplo junto à presa de Lamoso em Casaldaça.

É sabido que esta situação das limpezas não é fácil, tendo em conta a dimensão do território da União das Freguesias bem como a escassez de funcionários, mas salta à vista que pelo meio há alguma falta de critério e de sentido de gestão e o modelo adoptado já deu mostras que não resulta.  Parece-me que em várias situações resultaria melhor efectuar as limpezas com mais frequência e com a vegetação menos crescida e certamente perder-se-ía menos tempo por ronda e reduziria os volumes de resíduos a transportar e a depositar.

Por outro lado, o modelo ideal seria que cada freguesia tivesse funcionários a ela alocados; certamente que em proporção, mas de tal resultaria que em cada dia estivesse sempre alguma rua a ser limpa e com a  gestão a ser feita mediante as necessidades, ou de crescimento ou de impacto.

Não sendo assim, verifica-se que as rondas de limpeza, pelo menos em Guisande, são muito intervaladas e a vegetação nesse período cresce ao máximo, aumentando e amadurecendo as sementes e com isso uma maior disseminação e probabilidade de crescimento e propagação das plantas.

Mas, como diz o povo, manda quem pode.

Não sendo fácil, poder-se-ia pelo menos tentar adoptar novos modelos e novas formas, mas, também como diz o povo, o que nasce torto dificilmente endireita e parece que o que vai dando é tocar a mesma tecla.