19 de agosto de 2019

Se uma é bom, duas bem bom...



O Ilustração Contemporânea Portuguesa é um projecto que" ...no âmbito da área de ilustração contemporânea portuguesa,apresenta-se com o objectivo de promover a descoberta e o conhecimento da ilustração como um expoente cultural português. Ao mesmo tempo, pretende também transmitir o papel e a importância que esta pode ter em várias áreas, como por exemplo, no design gráfico, publicidade, comunicação ou até mesmo em tecnologias e engenharia de interface e multimédia".

Entre outras vertentes, promove desde há algum tempo concursos de ilustração relacionados a diversos temas.
Um pouco na desportiva, participei também nos últimos dois concursos e, para minha natural satisfação, vi os meus trabalhos premiados e com direito ao pódio. No tema "Opostos" o júri atribui o 3º lugar (imagem em baixo) e agora no tema "Folia", a minha ilustração obteve o 2º lugar (imagem em cima), numa alusão às festas populares simbolizadas pelo S. João no Porto.

Não será nada de mais, pois não, e vale o que vale, mas ter esta distinção com direito a bis, num projecto significativo e com muitos participantes licenciados e com percurso nas artes plásticas e de modo particular na ilustração, convenhamos que não deixa de ser enriquecedor para um simples autodidacta.

Naturalmente que este duplo prémio é um incentivo a pelo menos rabiscar mais. Claro que só damos valor ao que é de fora, pelo que vou continuar na sombra deste cantinho. A rabiscar, enquanto houver inspiração.

18 de agosto de 2019

Isaac, o patriarca das farturas







A Festa em Honra de Nossa Senhora da Piedade em Canedo, é seguramente uma das maiores festas de arraial do concelho de Santa Maria da Feira, mesmo até entre os concelhos vizinhos.

Tradição e devoção à parte, porque todas as terras têm as suas e o seus valores não se medem pelo aparato profano  ou mesmo pelo número de andores e de cavalos na procissão, mas sem dúvida que é uma das grandes romarias da região, com povo em quantidade, velhos e novos, barulho, diversão, barracas de tudo e mais alguma coisa, barracas de churros e farturas com fartura, onde o Isaac é patriarca, rei e senhor, e mesmo um programa musical extravagante e diversificado, desde as tradicionais bandas de música até aos habituais artistas pimba.

Mas para além de tudo, esta festa por vezes tem algumas singularidades que aparentemente escapam a algum sentido de bom senso. Por exemplo, remeter as bandas de música para palcos secundários, com carroceis e pistas de choque a marcar o ritmo, instalados em zona de sol e deixar vago o palco principal e com espaço envolvente com sombrinha fresca, não lembra ao diabo. Mas há quem ache que sim, e que o palco principal deve ficar livre para o pessoal da luz e som preparar a festa da noite. 

Claro que as bandas de música  não estão em condições de reclamar e o público já está habituado a estas singularidades. Como diz a cantiga, "quem gostar come, quem não gostar põe na beirinha do prato".

Já agora, duas excelentes bandas musicais, a do Vale e  a de Tarouquela. Bons executantes e peças musicais de qualidade sinfónica. Mereciam outros palcos, sem ruídos próprios de uma romaria, mas infelizmente a realidade não se compadece com preciosismos ou requisitos técnicos.

S. Mamede - Dia do nosso padroeiro


A paróquia de Guisande celebrou, ontem, dia 17 de Agosto, o seu padroeiro S. Mamede, com missa solene pelas 17:00 horas, seguida de procissão.


Algumas das paróquias portuguesas sob a invocação de S. Mamede:


Paroquias
Diocese
Agrochão
Bragança-Miranda
Aldão
Braga
Arca
Viana do Castelo
Arcozelo
Braga
Argeriz
Vila Real
Ázere
Coimbra
Bolho
Coimbra
Bustelo
Porto
Cabreiros
Porto
Cambeses do Rio
Vila Real
Canelas
Porto
Caniçada
Braga
Castanheira do Vouga
Aveiro
Cepães
Braga
Cibões
Braga
Coronado
Porto
Cuide de Vila Verde
Viana do Castelo
Deocriste
Viana do Castelo
Escariz
Braga
Este
Braga
Évora
Évora
Ferreira
Viana do Castelo
Friestas
Viana do Castelo
Gomide
Braga
Gondiães
Braga
Gondoriz
Braga
Guide
Bragança-Miranda
Guisande
Porto
Lindoso
Viana do Castelo
Madail
Porto
Manhuncelos
Porto
Marrancos
Braga
Mata Mourisca
Coimbra
Mesquitela
Viseu
Mogadouro
Bragança-Miranda
Negrelos
Porto
Parada do Monte
Viana do Castelo
Perafita
Porto
Quiaios
Coimbra
Recesinhos
Porto
Ribeirão
Braga
Sandiães
Viana do Castelo
Santa Cruz da Trapa
Viseu
São Mamede
Leiria-Fátima
São Mamede
Lisboa
São Mamede da Ventosa
Lisboa
São Mamede de Infesta
Porto
São Mamede de Riba Tua
Vila Real
Seara
Viana do Castelo
Seroa
Porto
Serzedo
Porto
Sezures
Braga
Sortes
Bragança-Miranda
Talhadas
Aveiro
Travanca
Bragança-Miranda
Travanca
Porto
Troviscoso
Viana do Castelo
Vale de Remígio
Coimbra
Valongo
Porto
Vermil
Braga
Vila Chã
Porto
Vila Cova de Seia
Guarda
Vila Maior
Porto
Vila Marim (Mesão Frio)
Vila Real
Vila Verde
Porto
Vilarinho
Braga



16 de agosto de 2019

Motorizadas em Guisande - Ali vai o Tozé pela Farrapa abaixo....



Foi um dos eventos míticos dos anos 80 ocorridos na nossa freguesia de Guisande. Estávamos em 24 de Outubro de 1982, um Domingo cinzento e chuvoso, como se esperaria que fosse a meio do Outono.
Num circuito formado por algumas ruas da freguesia, realizaram-se provas de motociclismo com veículos com motores de cilindrada de 50 cm3, vulgo motorizadas.

As provas, nas categorias de juniores e seniores, extra-campeonato, foram organizadas pela Associação Desportiva e Cultural de Lobão, com o carismático Nani, como director das provas. Na época estas corridas de motorizadas eram populares e disputavam-se um pouco por todo o lado já que as exigências regulamentares e de segurança eram, a bem dizer, nenhumas.

Nestas provas em Guisande, rezam as crónicas que participaram cerca de 30 pilotos e respectivas equipas técnicas. Na altura esteve presente o campeão nacional, um tal de José Pereira, o qual não logrou melhor que o 4º lugar.

As provas tiveram o seu início pelas 16:00 horas, com duas horas de atraso em relação ao programado, devido à chuva e à desorganização. 

Pelas 16:00 horas teve lugar o ensaio geral para testes e afinações; Pelas 16:30 horas a sessão de treinos oficiais para a categoria de juniores. Pelas 16:45 horas o treino oficial para os seniores. Pelas 17:15 horas, a prova dos juniores com 15 voltas ao circuito, com 16 pilotos. Pelas 17:45 horas a prova principal, com o seniores a darem também 15 voltas, participando 14 pilotos. Venceu o piloto Nº 1, "Tozé" com um avanço de cerca de 500 m.
Pelas 18:30 horas, já quase de noite, a entrega dos prémios. 

O circuito (ver mapa abaixo), com uma extensão aproximada a 1, 6 Km, englobava aquelas que são hoje partes das ruas S. Mamede (da Farrapa de Baixo à Gândara, passando por Linhares), Rua Nossa Senhora de Fátima (da Gândara à Leira) e Rua Cónego Ferreira Pinto (da Leira à Farrapa de Baixo), com sentido anti-horário. A meta estava colocada na recta da Gândara.


Na altura (em que uma câmara de filmar era um luxo) alguém filmou parte das provas, localizando-se no cruzamento da Leira. Esses vídeos (de onde extraímos as imagens), são de fraca qualidade mas ainda podem ser encontrados pelo Youtube.
Com a ajuda dos referidos vídeos e das memórias desse tempo, porque assisti à prova, percebe-se o amadorismo da organização, com o público nas bermas, circulando e atravessando constantemente a estrada, mesmo com as motorizadas a circular. Os homens da organização estavam equipados com umas bandeirolas (verdes, para mandar "assapar" e vermelhas (para parar) e ainda uns enormes walkie-talkies com umas antenas compridas que mais pareciam canas de pesca, com os quais comunicavam as ocorrências.

Num dos vídeos vê-se mesmo uma aparatosa queda de um dos participantes, com este a dar várias cambalhotas no alcatrão e a motorizada a deslizar quase "varrendo" alguns dos que ali assistiam. "Foge Quim..."



Vistas as coisas à distância do tempo, e já lá vão quase 40 anos, não conseguimos resistir a uns sorrisos, sobretudo pelo amadorismo da organização e condições de segurança e assistência, que em rigor não existiam, para além de uns fardos de palha colocados na saída de algumas curvas. De resto as estradas estavam em péssimo estado, chovia e o público, como já se disse, passeava livre e descontraidamente pelo circuito, numa passividade domingueira, com a indiferença de alguns elementos da GNR que ali estavam de serviço, muito solenes nas suas polainas de cabedal e cassetete a tiracolo.



Bons tempos, esses, em que as motorizadas eram rainhas das nossas estradas e o tal de Tozé acelerava pela Farrapa abaixo, destemido, enfiado no seu fato de napa e montado na sua motorizada toda produzida para "cortar o vento".

15 de agosto de 2019

Guisande Futebol Clube - Campos de Jogos - 3


Na sequência dos meus anteriores apontamentos sobre os campos de jogos do Guisande F.C. (aqui e aqui), trago agora à memória o facto de que por Outubro do ano de 1981, por isso dois anos após a entrada ao serviço do Campo da Barrosa, ter corrido na freguesia o "boato" de que o Sr. Manuel Pereira dos Santos, do lugar do Viso, estaria na disposição de oferecer ao clube o terreno necessário para construir o seu campo de jogos de modo a substituir o Campo da Barrosa, este de utilização recente mas com carácter provisório, sujeito ao pagamento de renda mensal e com dimensões reduzidas. O terreno a doar estava localizado no lugar de Cimo de Vila, na encosta norte do Monte da Mó, próximo da localização do actual reservatório de água, ou mesmo ocupando parte do terreno onde agora se implanta essa infraestrutura.

Face a esse "boato", na altura o jovem jornal "O Mês de Guisande" , foi  entrevistar o próprio Sr. Manuel Pereira sobre a veracidade do que pela freguesia se ia dizendo.
Certo é que, conforme se pode ler no extracto acima publicado, o Ti Pereira, como era conhecido, confirmou essa vontade, mas dizendo, com reservas, "...não concordo somente com tantos metros de terreno que a Direcção pretende, pois eles querem as medidas máximas de um campo de futebol, que são 130 por 80 m (10400 m2), o que eu acho exorbitante. Talvez com 7 mil metros quadrados tudo se arranje."
Estas reservas do Ti Pereira indiciavam naturalmente que já existiam contactos com o clube.

Como contrapartida, o Ti Pereira exigia que lhe fosse construída uma estrada que ligasse o lugar do Outeiro (Casa do António da Catana", até ao mato das Fontelas (limite com Cimo de Aldeia - Louredo). Considerava ainda que a abertura da estrada ficaria barata e contaria com o apoio dos demais proprietários confinantes. Todavia, confessava que a sua esposa (Sr. ª Madalena) mostrava-se um pouco hesitante na oferta, já que considerava ser muito terreno.

Ainda na mesma edição do jornal, foi contactado a propósito do assunto, o dirigente do Guisande F.C., David Ferreira da Conceição, na altura com o cargo de Tesoureiro, que confirmava haver contactos nesse sentido com o Ti Pereira e que o clube pretenderia dotar o espaço com todas as condições, incluindo uma pista de atletismo. Louvava assim a atitude do Ti Pereira, como uma oferta que engrandeceria o clube e a freguesia.

Apesar desta vontade e aparente optimismo, certo é que a oferta do terreno nunca se veio a consumar. De resto, em entrevista concedida ao jornal "O Mês de Guisande" em Junho de 1982, o então presidente da Direcção do Guisande F.C., Domingos da Conceição Lopes, dava o assunto como encerrado. Apesar de afirmar que o clube, entusiasmado com a perspectiva do novo campo, já tinha ali desenvolvido trabalhos preparatórios, como o levantamento topográfico e alguns estudos preliminares, certo é que lhe foi comunicado para o clube parar com os trabalhos, pois o terreno não seria cedido, invocando-se como justificação o facto de nem todos os elementos da família estarem de acordo.

O presidente da Direcção afirmou que já tinham somadas despesas de cento e tal contos, valendo ao clube o facto do topógrafo Saraiva (genro do Sr. Abel Correia), não ter cobrado pelo seu serviço, caso contrário sobrecarregaria o clube com uma verba que na época era avultada.
Em resumo, Domingos Lopes ressalvou assim o empenho da Direcção do clube em levar avante essa pretensão de construção do novo campo de jogos, remetendo todas as responsabilidades do fracasso ao Sr. Pereira e sua família.


(acima, localização da zona onde seria o campo de jogos e projecção aproximada da estrada a abrir por exigência do proprietário)

Este foi, pois, um episódio marcante, na história do clube e dos seus campos de jogos. Em todo o caso, analisado o assunto com a distância temporal decorrida, quase quarenta anos, a perspectiva de construção de um campo de futebol no lugar de Cimo de Vila, em terreno na encosta do Monte da Mó, implicaria movimentações de terra bastante significativas para além da abertura de arruamentos que, pelo clube, pela Junta ou Câmara Municipal, ficariam dispendiosos. É certo que por essa altura, ainda sem Plano Director Municipal, poderia ter sido possível a construção, mas posteriormente toda aquela zona veio a ser trancada como florestal e sem capacidade de edificação. 

Assim sendo, o terreno onde hoje poderia existir um campo de futebol continua com mato e algum pinhal, sujeito aos recorrentes incêndios, por isso com pouco ou reduzido rendimento. É certo que parte dele veio uns anos mais tarde a ser vendido à Indáqua para implantação do reservatório de água. Mas, porventura se houvesse uma total vontade por parte da família e concretizada a obra, os terrenos sobrantes e servidos por arruamento teriam agora, eventualmente, um maior valor. Mas como tal nunca veio a consumar-se tudo o que se possa dizer é pura especulação.

Para a história fica apenas esse facto, a vontade de doar o terreno e depois a recusa. E porque o Ti Pereira já por cá não anda para confirmar os verdadeiros motivos, tudo indica que na génese da recusa terá estado essencialmente o diferencial de área, já que para o clube era necessária a área pretendida e para o doador entendia que tal era exorbitante.

O resto é passado.

14 de agosto de 2019

Nas riscas do tempo...


As feições, a pinta, da maior parte desta rapaziada equipada às riscas, não enganam. Alguns continuaram a "deitar corpo" e estão hoje mais altos, alguns mais barrigudos, outros mais carecas e grisalhos. Mas que se conste, todos por aí. Enfim, carregam o peso de quase 40 anos passados após esta fotografia datada de 1981, nos primeiros tempos no Campo da Barrosa, cenário deste "boneco". 

Esta equipa de rapaziada adolescente, treinada pelo Américo Santos, participava então num torneio de futebol juvenil de Verão, organizado pela malta do jornal "O Mês de Guisande", designado de "2º Torneio Emigrante 81", com o apoio do Guisande F.C.. A equipa apresentava-se por isso como Guisande F.C. Juvenil. Uns anitos mais tarde, esta ideia de um torneio juvenil  deu origem ao popular torneio "Guisandito".

Entre outros, para além do treinador e co-organizador Américo Santos, estão ali o Rui Giro, o Maximino Gonçalves (Minito), o Fernando Neves, o Vitor "Teixeira", o Pedro da Natália, o Orlando Santos, o Rui Costa, o Américo Silva (guarda-redes), o António Alves, o Domingos Sousa, o António do "Zarelhas", etc.

Veja-se abaixo a reportagem do evento, publicada na época no jovem jornal "O Mês de Guisande", na edição de Setembro de 1981.

O torneio que se prolongou pelo mês de Setembro, terminou no dia 4 de Outubro desse ano. A equipa vencedora foi o J.C.A.R. Romariz. O torneio foi disputado em sistema de "poule", jogando todas contra todas, mas com as duas primeiras a disputarem uma final na qual a equipa da casa defrontou a de Romariz, tendo a decisão sido resolvida por grandes penalidades já que no tempo regulamentar o resultado ficou empatado (1-1).

Assim a equipa do Guisande F.C. Juvenil apesar de favorita acabou na 2ª posição. Seguiram-se as equipas  do F.C. Azevedo, S. Jorge S.C. e Arcozelo (Caldas de S. Jorge).


13 de agosto de 2019

Rádio Clube de Guisande - Chama intensa


Era uma vez um grupo de jovens, que algures pelos anos 80 criaram uma associação cultural e nela um jornal mensal entre outras múltiplas actividades. Bem, em rigor foi ao contrário; primeiro o jornal e depois a associação. Não foi em Lobão, Gião ou Louredo, mas em Guisande.

Poucos anos mais tarde, em meados dos anos 80, a febre das rádios locais ou piratas andava a atacar um pouco por todo o lado e os mesmos jovens, não de Lobão, Gião ou Louredo, mas de Guisande, decidiram criar uma rádio local. 

Vai daí, com o nome dado, Rádio Clube de Guisande, escolhido num dia de praia em Espinho, por Américo Almeida e Rui Giro, e com o indispensável apoio técnico do entusiasta da electrónica  António Pinheiro, e com a aderência de muitos outros jovens, em pouco tempo a jovem rádio chegava a muitas casas, não só na freguesia como nas freguesias vizinhas e até mais além, (depois de instalada uma antena - ela própria com uma estória) que ainda hoje resiste).

Certo é que, de acordo com o jornal "O Mês de Guisande", em Dezembro de 1986 a emissão estava estruturada e com um vasto grupo de pessoas a dar corpo ao manifesto.
Assim: 

Domingo: Das 07:00 às 09:00 horas: "Bom Dia, Domingo", com Mário Costa e Marco Paulo Alves;
Das 09:00 às 12:30 horas: "Domini", com Américo Almeida;
Segunda-Feira a Sábado: Das 14:30 às 17:00 horas "Guisande à Tarde", com David Conceição (uma das figuras emblemáticas da RCG, na foto acima);
Segunda-Feira: Das 20:00 às 23:00 horas: Desporto e Música", com Américo Almeida, Rui Giro e Elísio Monteiro;
Terça-Feira: Das 20:00 às 23:00 horas: A Vez e a Voz", com David Conceição;
Quarta-Feira: Das 20:00 às 23:00 horas: "Rota Nocturna", com Alberto Jorge;
Quinta-Feira: Das 20:00 às 23:00 horas: A Vez e a Voz", com David Conceição;
Sexta-Feira: Das 20:00 às 24:00 horas: Espaço Jovem", com José Higino Almeida;
Sábado: Das 13:00 às 14:30 horas: Quiosque do Som", com Elísio Mota;
Das 17:00 às 18:00 horas: "Sábado Especial", com Mário Costa e Marco Paulo Alves;
Das 18:00 às 20:00 horas: "Tema Livre", com Mário Silva.

Um ano antes, em Novembro de 1985, a programação (com carácter experimental) da rádio publicada no jornal "O Mês de Guisande", com a curiosidade do primeiro logotipo:



Um pouco mais tarde, era imperioso meter ordem na casa e o Governo lá arranjou um processo de candidaturas e atribuição de frequências. Mesmo que candidatando-se com um grupo de outras boas rádios do concelho (Rádio Clbe de Guisande, Rádio de Lourosa, Rádio Santa Maria e Rádio Independente da Feira), num projecto comum designado de "RTF - Rádio Terras da Feira", as duas licenças previstas para o concelho da Feira foram atribuídas à Rádio Clube da Feira (frequência 104.90) e (com enorme surpresa) à Rádio Águia Azul (frequência 87.60 ), em 21 de Abril de 1989.

Poucos dias antes, à margem da apresentação do Programa  de Apoio às Associações Juvenis, que decorreu em Viseu, em 15 de Abril de 1989, o director do jornal "O Mês de Guisande" e da Rádio Clube de Guisande", Rui Giro, ainda teve a oportunidade de falar pessoalmente com o então Ministro da Juventude, Couto dos Santos, mas apesar das palavras de estímulo e esperança deste, tal acabou por ser inconsequente e de nada valeu o esforço.

Depois ainda subsistiu a esperança de atribuição de uma terceira frequência ao concelho numa segunda-fase, mas tal não veio a suceder.  De resto alguém no concelho, se esforçou para que não fosse atribuída uma terceira frequência.

Este foi um processo polémico em que logo se percebeu que quem melhor mexeu os cordelinhos das influências políticas recebeu a prenda.  Deu-se primazia à rádio de uma única pessoa em detrimento de uma rádio que englobava um grupo alargado de pessoas e freguesias.

É claro que depois alguém andou durante anos a fazer as devidas vénias a quem fez por isso. Coisas da política. Mas, já passaram 30 anos e alguns dos então intervenientes já por cá não andam. Coisas passadas que já não movem moinhos, nem de água nem de vento. Apenas as memórias baloiçam na brisa do tempo.

De lá para cá as referidas rádios deram muitas voltas, piruetas e cambalhotas, mas mesmo que longe dos pressupostos iniciais, lá continuam, umas vezes na onda de cima, outras na de baixo.

Pela nossa parte e de quem ficou de fora nessa época, foi pena, mas temos que admitir que era necessária ordem numa anarquia que se instalou, embora salutar. 

Certo é que enquanto durou, a "Rádio Clube de Guisande" tornou-se numa referência de cultura e convívio para muitos jovens na nossa freguesia. As memórias e saudades são, naturalmente, muitas.
De facto aqueles jovens na década de 80 não tinham internet, nem facebook, nem smartphones, e poucos tinham carro, ou, se sim, apenas chaços, mas tinham uma chama intensa e um forte espírito de grupo e partilha.

Hoje em dia, apesar dos meios tecnológicos e fácil acesso a plataformas de comunicação, incluindo de rádio e tv, não se vêem grandes projectos, sobretudo os ligados à cultura e identidade das aldeias, mas fundamentalmente boçalidades e egocentrismos. Mas há que respeitar. Afinal são novos os tempos e os sinais deles. Nem tudo mal, mas nem tudo bem.