06/03/2026

O papel do papel de jornal


Aprecio, gosto e sou fã da obra do artista Alexandre Manuel Dias Farto, dito Vhils. Um excelente e talentoso artista de arte contemporânea.

O agora falado retrato, de sua autoria, do presidente da república, de saída de Belém, está dentro da sua  linha plástica. Mas, no que se pretende do retrato da mais alta figura do Estado, não gosto. Não tinha que seguir a linha mais clássica ou conservadora de um Columbano ou Henrique Medina nem um borra telas como Pomar, mas era escusado uma tão grande ruptura. Com jeitinho, teria sido composto com materiais recolhidos no lixo.

Mas, pensando melhor, é bem ao estilo de Marcelo: Mais preocupado pela forma do que pela substância, fazendo do seu umbigo o centro do universo. Espalhafatoso, muito para os média, para as redes sociais, bem ao estilo do papagaio, fala-barato, em que se transformou, sobretudo no segundo mandato. Ficará para a história como o presidente de e para as selfies, em calções de banho e a chupar um gelado.

Um presidente nos nossos dias tem de ser, obviamente, próximo, afectivo e efectivo, atento, uma voz que se faça ouvir e respeitar, mas desvaloriza-se, rebaixa-se, indignifica-se quando se trona popularucho, banal, um influencer no pior sentido.

Mas isto é apenas uma opinião, outros considerarão o contrário, e estamos todos bem. 

Mas insisto, um presidente da república não tem de ser rígído, austero, como Cavaco, cinzento e partidariamente subalterno como Sampaio ou prepotente e espalha-brasas como Soares, mas com o formalismo equilibrado e que, sobretudo, seja uma figura respeitável, que respeite e se faça respeitado. O velho ditado que o "respeitinho é muito bonito" ainda faz sentido. Não fosse isso, e então mais valia eleger o Tino de Rans, o Ena Pá 2000 ou o Batatinha.Iria dar ao mesmo.

Voltando ao retrato, não gosto no sentido da finalidade, mas, porque de encomenda, em nada surpreende e está ao nível do retratado. Afinal bem sabemos o papel que o papel de jornal teve em tempos em que o dito higiénico era luxo de cuzinhos de ricos. É, pois, um respeitável papel e merece estar na galeria de Belém.

Não havia necessidade, é certo, mas os tempos recomendam que se goste e se exalte e a fábula do "rei vai nu" ainda tem peso. Muito peso.

04/03/2026

Coisas bonitas mas sem eficácia


Alguns municípios, sobretudo do interior, têm adoptado medidas de incentivo à natalidade. Apesar de substanciais nalguns casos, quase sempre sem efeitos notórios. Até mesmo o município de Santa Maria da Feira tem um programa em que por cada nascimento concede um apoio de 600 euros por ano até ao 3.º ano de vida, por isso no valor de 1800,00 euros. Até ao momento descenhecem-se resultados práticos dos efeitos de tal medida mas não custa acreditar que serão nulos ou residuais.

Na mesma onda ou seguidismo, e com menos significado, até pelo peso dos orçamentos, também algumas Juntas de freguesias têm adoptado os seus próprios programas, dando-lhes a mesma e pomposa importância de incentivo à natalidade. Mas este, como se compreenderá, é um problema social, estrutural e afecta todo o país e Europa. As medidas que poderão inverter a baixa de natalidade geral terão de ser muito significativas, estruturais, políticas e  económicas, até sociais, e mesmo assim, eventuais resultados não se verificarão a curto prazo. Não fossem as contribuições dos imigrantes nisto do "crescei e multiplicai-vos", e o nosso país e suas terras estariam a passos largos para a desertificação. E algumas, no interior, já estão,

A União de Freguesias de Lobão, Gião, Louredo e Guisande teve um programa desses, designado de "Bébé União" e para além de ser bonito e dar fotografias para as redes sociais, seria interessante saber, para além do simbólismo,  em quanto tal incentivo resultou num concreto e efectivo aumento da natalidade em cada uma das freguesias e, para o nosso caso, em Guisande. Parece-me que, na realidade, valeu zero e mesmo que sim, certamente que mais por via do tal apoio municipal, porque bem mais substancial. Em resumo, dinheiro desperdiçado?

Entretanto, alguém avisou-me que também a nossa Junta de Freguesia de Guisande pretende seguir um programa similar para o que terá já anunciado um período de discussão pública e  recolha de ideias que durará por este mês. 

Por mim não vou concorrer com qualquer ideia, nem dar para esse peditório, desde logo porque o acho inconsequente quanto ao tal incentivo, mas, sem pretender ser negativo, tenho naturalmente a minha opinião. De resto já a escrevi antes, mais ou menos nestes termos: 

Mesmo que sem qualquer filosofia de incentivo à natalidade, porque na realidade, sejamos realistas,  não resulta apenas com tais iniciativas, deve-se manter o programa similar levado a cabo pela União de Freguesias, com um valor monetário simbólico e um cabaz de produtos adequados aos primeiros tempos do bebé e da mãe. De outra forma, convirá ter em conta os rendimentos e património dos pais sob pena de gerar paradoxos. Por exemplo, que tipo de incentivo resulta em atribuir, 50, 100 ou 500 euros a quem já tem um bom rendimento e património? Será apenas por isso, por esse diferença, que um casal se decidirá por mais um filho?

Em resumo, mesmo batendo de frente na parede da realidade de que nos últimos anos os nascimentos em Guisande, contam-se pelas dedos de uma mão e ainda sobram dedos, concordo com a atribuição de alguma coisa mais pelo simbolismo do que propriamente pela eficácia esperada. Eventualmente com cheques prendas angariados em algumas empresas, nomeadamente de produtos de puericultura, eventualmente uma prendinha com um valor monetário tambem simbólico, quiçá para servir para abrir uma conta no nome do bébé. Para além disso, no essenciual, deve haver cuidado com tentações de coisas bonitinhas, exageros para as redes sociais, porque parecendo interessantes, na realidade estes apoios não têm pernas para andar no que diz respeito a um eficaz e consequente incentivo.

 Fosse essa a solução e seria fácil, mas, há que admitir, não é! Haja, pois, algum bom senso e realismo.

02/03/2026

Nota de falecimento - Maria da Costa e Sousa

 

Faleceu Maria da Costa e Sousa, de 93 anos. Residia no lugar do Convento - Louredo, sendo que viúva de Abel Caetano de Azevedo, que foi do lugar das Quintães, freguesia de Guisande, onde também chegaram a residir.

As cerimónias fúnebres ocorrerão em Louredo, com funeral pelas 17:00 horas de amanhã, Terça-Feira, 3 de Março.

Sentidos sentimentos a todos os familiares, de modo particular a seus filhos e filhas.

Que Deus a tenha em eterno descanso!

PDM - Proposta em discussão pública

 


Nesta Quinta-Feira passada (26 de Fevereiro) duas técnicas da Câmara Municipal estiveram na sede da nossa Junta de Freguesia a prestar esclarecimentos e a acolher sugestões no âmbito do período de discussão pública do PDM - Plano Director Municipal, o qual na nossa freguesia vai trazer mudanças, com redução de áreas urbanas, comparativamente à versão ainda em vigor. Prevê-se que o novo plano, já demasiado atrasado, possa entrar em vigor num prazo máximo de 180 dias.

Do que vi no local, muito tempo de espera, como se alguns dos consultantes fossem proprietários de meia freguesia. Para quem teve que faltar ao trabalho para ali se deslocar, como eu, não foi nada agradável. No meu caso, esperei quase uma hora enquanto uma das técnicas esteve ocupada com uma únca pessoa e quando saí ainda lá continuou com o mesmo consultante. 

Para além desta particularidade, que  faz parte do processo e temos de respeitar, importa é que as pessoas tivessem sido bem esclarecidas. Todavia, no essencial, e pela experiência profissional neste processo, a larga maioria do que tivesse sido acolhido como reclamação, proposta ou sugestão, será para desconsiderar. É, no essencial, apenas uma etapa legal do processo que já pouco vai alterar o que está em discussão.

No geral, objectivamente, a freguesia sai prejudicada, pois a curto e médio prazo o seu desenvolvimento urbano ficará ainda mais condicionado, até porque uma parte significativa dos prédios urbanos pertence a uma dúzia de proprietários que, não tendo necessidade, não os libertam para o mercado. Paradoxalmente, pela sua natureza, o efeito é cego e pode penalizar quem tem intenção de construir  e vender e beneficia quem não tem essa vontade. 

É o que é, e quanto a isso, nada se pode fazer. A Junta tem sempre um papel importante a desempenhar no processo, mas desconheço se, desde que tomou posse, já fez algum coisa, se está interessada nisso, ou se vai fazer mesmo que já em cima da hora. Do anterior executivo da União de Freguesias, que teve muito tempo para apresentar propostas, para o território da nossa freguesia desconheço o que tivesse sido apresentado e concedido, mas desconfio que nada.

Em resumo, daqui a meio ano faremos as contas quanto ao que, decorrente do processo de discussão pública, foi possível melhorar face à actual proposta. Agora é esperar.

28/02/2026

Entre o 8 e o 80, o bom senso, o equilíbrio


Entre o 8 e o 80 há, certamente, um ponto de equilíbrio. Quando essa realidade é ignorada e se opta por um dos extremos, raramente os resultados são os melhores.

Se é verdade que, em determinados contextos, o radicalismo pode ter utilidade, em regra produzem melhores efeitos as soluções equilibradas, sobretudo quando está em causa uma decisão pública e comunitária.

A limpeza ou abate da maioria das plantas que, há anos, adornam o adro da nossa igreja matriz - tanto na parte pública como na pertencente à paróquia - e que tem sido realizada nestes dias, poderá revelar algum excesso de radicalismo.

É evidente que as plantas, como quaisquer seres vivos, envelhecem, adoecem e acabam por morrer. Também é legítimo substituí-las por espécies mais adequadas, restituindo em pouco tempo o aspecto bucólico e primaveril que há décadas caracteriza a envolvente da nossa igreja. Ainda assim, parece-me que a intervenção poderia ter sido mais gradual. Em matérias que envolvem uma comunidade, decisões abruptas tendem a dividir: há quem concorde, quem discorde e quem, como eu, entenda que o bom senso e o equilíbrio favorecem não só o objectivo pretendido, mas também a conciliação de diferentes perspectivas.

Pelo que tenho ouvido, alguns compreendem a intervenção, esperando uma renovação; outros manifestam desagrado e até revolta.

Independentemente de quem tenha tomado a decisão e da legitimidade que lhe assista, creio que teria sido desejável maior ponderação e, eventualmente, a auscultação da comunidade.

Em suma, reconheço que decidir nunca é fácil e que agradar a todos é impossível. Contudo, abdicar da procura de consensos e de equilíbrio, bem como do respeito por opiniões divergentes, representa uma falha.

Da minha parte, não assumo uma posição de indignação, longe disso, mas não escondo alguma tristeza. Julgo que teria sido possível uma intervenção menos radical e faseada, talvez antecedida de algum tipo de consulta à comunidade.

Perante o que já foi feito, resta esperar que o resultado final venha a revelar-se positivo. Para já, o que se vê é um cenário de desolação. Este não é o adro que sempre conhecemos; espero que rapidamente recupere a sua identidade.