" Eu e a minha aldeia de Guisande" "" Eu e a minha aldeia de Guisande

14/10/2026

Apontamentos - 002

 



A Associação Cultural de Guisande "O Despertar" marcou toda uma época, que abrangeu quase três décadas. Foi o símbolo de uma freguesia com uma juventude dotada de espírito de iniciativa, onde muito se fez com tão pouco.

Simultaneamente, num claro paradoxo, é agora e há já alguns anos o reflexo da estagnação e de novas gerações que, salvo raras exceções, revelam pouco interesse pelo passado, presente e futuro da comunidade, assistindo-se a um esbatimento progressivo do espírito comunitário. 

É algo que surpreende, sobretudo numa época em que os recursos técnicos e tecnológicos ao dispor do associativismo nunca foram tão férteis. Por exemplo, no passado, a freguesia foi capaz de fundar e manter um jornal local quando quase tudo se fazia de forma manual, recorrendo a máquinas de escrever básicas e a métodos de impressão rudimentares. Hoje em dia, com computadores, sistemas de impressão de grande qualidade e até o apoio da inteligência artificial, nada de semelhante se realiza.

Resta-nos sempre a esperança de que as coisas melhorem e de que surja gente — sobretudo mais jovem — com ideias, capacidade e vontade. Infelizmente, no entanto, não se vislumbram motivos para alimentar essa crença, por mais ténue que seja. 

Oxalá tudo isto não passe de um certo pessimismo e venha a ser desmentido pela realidade.

Apontamentos - 001

A ignorância com montra


Com a generalização da Inteligência Artificial, enquanto modelo de linguagem e gerador de ilustrações, a sua utilização vulgarizou-se a um ritmo vertiginoso. Do cartaz para a festa da Catequese ou festa da aldeia ao esquema gráfico de uma apresentação corporativa, todos, todos, de particulares a associações e empresas, parecem ter rendido a sua criatividade a esta ferramenta.

Em si mesmo, este fenómeno de massificação talvez não incomodasse, não fosse o facto de parecer já ninguém se preocupar com a diferenciação, a personalização ou o talento individual de quem cria com nome e rosto. A tendência é a da adesão acrítica: «a Maria a deixar-se ir com as outras».

É verdade que a tecnologia não é intrinsecamente má; eu próprio a uso: facilita processos e potencia a execução de muitos trabalhos. Contudo, o resultado visível é uma homogeneização estética sufocante: os cartazes e gráficos parecem todos cortados pelo mesmo molde. São bonitos, apelativos e coloridos, mas profundamente vulgares e padronizados. Vivemos, sem dúvida, na era do fast-food gráfico, onde qualquer pessoa produz material visual sem precisar de dominar, ou sequer conhecer, as mais elementares regras de design, composição ou lógica.

A ilustração acima, recolhida numa partilha qualquer do Facebook, é o exemplo perfeito desta utilização cega. Sob o nobre pretexto de divulgar conhecimento,  neste caso, o princípio do «Parafuso de Arquimedes», propaga-se uma enorme e flagrante asneira técnica, ensinando-se, na prática, a ignorância. Dadas as dinâmicas de visualização rápida, arrisco dizer que tanto quem partilhou como a maioria dos que gostaram nem sequer se aperceberam do absurdo: a extremidade superior do mecanismo surge a descarregar a água contra a corrente (e não numa caleira ou conduta adequada) e a própria manivela de accionamento encontra-se na base, junto à água, em vez de estar no topo.

Tudo isto demonstra que, por mais potentes e sofisticadas que sejam as ferramentas, a IA não substitui o conhecimento. Alguém que não saiba fazer contas não aprenderá a calcular simplesmente por ter à frente um gráfico gerado por computador. Da mesma forma, quem desconhece os princípios básicos da mecânica ou da física aceitará sem hesitação aberrações, descontextualizações e erros grosseiros, só porque a imagem é "bonita". 

Nestas como noutras matérias, ter a noção dos mínimos e manter o espírito crítico é essencial. Infelizmente, a julgar pela velocidade da maré, a tendência será para continuar a trocar a literacia visual e o rigor pelo facilitismo da ilusão gerada por algoritmo. 

É o que é! O talento e o conhecimento tendem a perder lugar e importância. Mas quem se incomoda? Talvez, daqui a uns tempos, como na agricultura biológica, alguém esteja disposto a pagar pela arte de um artista e não de uma máquina, como comprar, ainda que mais caro, maçâs e morangos sem pesticidas. Mas desconfio que já não chegaremos lá. A caixa de Pandora foi aberta e tende a alargar-se.

13/10/2026

Jardim de Infância de Fornos - Feirinha de Outono 2026

 


Será já neste Sábado, dia 17 de Outubro, que a Associação de Pais do Jardim de Infância de Guisande, com a colaboração da Junta de Freguesia e Agrupamento de Escolas de Corga de Lobão, vai promover o evento "Feirinha de Outono".

Terá lugar no aprazível Monte do Viso, a partir das 14;30 horas. Haverá divertimentos, karaoke e "comes e bebes".

12/10/2026

Charrua da Casa do Ferreiro - Leira

 

A Casa do Ferreiro, da Leira, é assunto que há-de dar um documento interessante e à volta do qual tenho andado a escrever.

Para já, sabendo-se que entre vários outros artefactos, as charruas eram um equipamento fabricado pela ferraria e serralharia de Manuel Augusto Guedes, com venda não só para Guisande como para as freguesias vizinhas e mesmo de concelhos limítrofes, passei para desenho à escala o principal modelo fabricado.

No caso foi feito com base numa charrua que tenho, proveniente do avô materno de minha esposa e antes dele de seus sogros, e que tem o número de série 197, bem como o anagrama MAG (Manuel Augusto Guedes).

Um dos documentos existentes na Casa, é um livro onde eram anotadas as encomendas das charruas, comprador, localidade, preço e seu número de série.

Voltarei ao assunto.