" Eu e a minha aldeia de Guisande" "" Eu e a minha aldeia de Guisande

10/03/2026

Adeus magnólias


Não o confirmei, mas alguém hoje me informou de que terão sido abatidas as duas magnólias que de há anos existiam defronte da nossa igreja matriz.

Pessoalmente fico com um sentimento dividido, porque é sempre triste ver abater uma árvore (no caso duas) mas por outro lado também considero que o seu crescimento foi desmesurado a tal ponto de estarem a esconder a nossa igreja (principalmente a do lado norte), cuja fachada principal só por si é merecedora de estar bem desafogada e visível a partir do início da alameda. Compare-se ambas as situações nas fotos.

Creio que já falei por aqui, ou noutro espaço, sobre o assunto do crescimento e de um dia ter de se equacionar o abate das árvores ou a sua poda algo radical e desvirtuar as mesmas. Então, como se esperava, as opiniões não foram convergentes.

Neste caso, como disse, por mim fico dividido mas compreendo e aceito a decisão. Alguém tem de tomar decisões mesmo na impossibilidade de agradar a todos. Resulta daqui que certamente haverá opiniões contrárias.

De resto, as árvores também não são eternas e muitas vezes, quando não em espaços adequados ao seu porte, passam a ser prejudiciais. Por outro lado, é frequente que quando se plantam nem sempre se tenha a capacidade de antever o que serão no futuro e se isso será adequado. Eu próprio já cometi esse erro com uns arbustos (tipo cedros) que cá em casa tive à face do muro da rua e que com trabalho e despesa tive de abater e os estragos ainda hoje se fazem sentir. 

Até mesmo no nosso adro, defronte da residência paroquial, já existiu uma cerejeira frondosa e de bons frutos, que por 1956 teve de ser abatida para permitir um adro amplo e um melhoramento do mesmo, então em terra e irregular. Também nessa altura não foi do agrado de todos.

Em resumo, com tristeza mas percebendo e aceitando a decisão, veremos o que ali será colocado, talvez plantas arbustivas e floridas e que não cresçam a ponto de ocultar a igreja.

Retrete que se preze...

 



Retrete que se preze tem uma sanita. E cerveja...Cergal, que não faz bem nem mal!

Que importa...

 



09/03/2026

Ai, ai, IA


A IA veio, de facto, fazer luz sobre as trevas. Num piscar de olhos, num estalido de dedos, o mais inapto, medíocre ou incapaz transforma-se num talentoso artista, num descobridor da pólvora e das virtudes da concentricidade da roda.

Onde antes era só negrume, agora há luminosidade a rodos; onde havia azelhice, agora sobra mestria; onde escasseava a sensibilidade, agora crescem e multiplicam-se obras de arte no design, nos cartazes, na música, na poesia e na escrita em geral.

De muitos que não sabiam distinguir ovos de obos, trocando os "ves" pelos "bes", fazendo sujeira entre detergente e deterjente, confundindo perspectiva com prespectiva, agora tudo é perfeição, rigor e fluidez gramatical e ortográfica.

Bendita e louvada sejas, IA, que vieste trazer luz à escuridão e esperteza aos nabos. O mundo está um pouco mais instruído, mesmo que com os mesmos nabos. 

Ai, ai, IA!

Dizem que vai ficar assim...









Vergonha

De si, a viver entre o Minho e o Algarve, ninguém espera que ao acordar, ou mesmo pelo dia adiante, se aflija com a situação da Pátria, pois são as voltas da vida quem estabelece prioridades. Uma vista de olhos ao jornal ou as notícias na televisão podem, um instante, picar-lhe a curiosidade ou arreliá-lo, mas logo depois o trabalho, a família, pesos e obrigações de toda a ordem se encarregam de envolvê-lo num manto que pouco tempo, e ainda menos apetite, lhe deixa para se preocupar  com "os interesses superiores da Nação".

Eleições também só há de longe a longe, e a vida, a verdadeira vida, não é a escolha de fantoches ou o medo do FMI, mas o preço do bacalhau, os problemas do colesterol, a hipoteca, o saldo no banco, os sapatos da Mariazinha.

O emigrante, falo por experiência, também não anda com as dores da Pátria às costas. Conseguiria até, dada a confortável distância da separação, olhar com certo desprendimento as peripécias da terra onde nasceu. Conseguiria, digo, mas não o deixam. A gente à sua volta constantemente o interroga, quer explicações, pasma-se, sem ironia, de que Portugal seja na Europa.

Perguntam-lhe, perguntam-me, como é possível os milhares de milhões que desaparecem sem rasto, a corrupção de cima abaixo, , os estádios faraónicos, o fausto dos políticos, as desigualdades de um Terceiro Mundo.

Perguntam de boa-fé e sem querer me envergonham, nos envergonham.


[J. Rentes de Carvalho]

Mal agradecidos

Confesso que fico um pouco irritado com gente nossa que, pelo estrangeiro, de livre vontade, em trabalho ou férias, se mostre revoltada com o Governo por os não irem buscar a casa de limusina ou jacto privado para regressaram ao país porque apanhados em situações de conflitos. 

Sempre ouvi dizer que somos responsáveis pelas nossas atitudes e pelas nossas opções. Por isso, por que carga de água tem o Governo de gastar dinheiro de todos os contribuintes para ir resgatar quem deu de frosques do país e foi à sua vidinha, em gozo de férias ou para trabalhar?

Andamos todos mal habituados e reclamamos com o Estado quando as coisas correm mal, a exigir transportes, apoios e subsídios, se possível a fundo perdido,  mas quando correm bem, quando ganhamos dinheiro, damos umas curvas aos impostos, declaramos rendimentos baixos e fugimos com o cu à seringa.

Típico, mas irrita, sobretudo quando com o Governo a fazer o possível por ajudar, ainda tenha que ouvir desconsiderações de alguém ao sol numa praia na Tailândia ou a nadar nos dólares das arábias, a queixar-se que ainda não foi contactado. Há limites.