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12/09/2026

Nota de Falecimento - Pe. António Alves de Pinho Santiago


Faleceu o nosso Pe. António Alves de Pinho Santiago.
As cerimónias fúnebres serão neste Domingo,13 de Setembro, com funeral pelas 14:30 horas, na igreja matriz de Guisande. No final irá a sepultar em jazigo de família.
A missa de 7.º dia deverá ser na próxima Sexta-Feira, 18 de Setembro pelas 19:30 horas mas ainda sujeita a confirmação.

Sentidos sentimentos a todos os seus familiares e próximos, de modo particular a seus irmãos e irmãs.
Com a sua partida, de algum modo esperada pela sua condição de doença prolongada, a comunidade de Guisande perdeu o seu último sacerdote dela natural. Sabe Deus quando teremos outro.

Sobre o Pe. António Alves de Pinho Santiago:

António Alves de Pinho Santiago nasceu no dia 14 de Dezembro de 1937 no lugar das Quintães, na freguesia de Guisande, concelho de Vila da Feira, filho de António Alves de Pinho Santiago, de quem toma o nome, e Maria da Anunciação da Costa e Pinho.
Era neto paterno de Joaquim Alves Santiago e Maria Joaquina da Conceição e neto materno de Custódio Baptista de Pinho e Maria Gomes da Costa.

Ingressou no Colégio de Ermesinde em Outubro de 1949 onde frequentou o 1º ano do Liceu.
Em 1950 transitou para o Colégio de Trancoso, em Vila Nova de Gaia onde fez o 2º e 3º anos do Liceu.
Em 1952 passa para o Seminário de Vilar, na cidade do Porto, onde conclui o 4º, 5º, 6º e 7º anos de escolaridade. Entre os anos de 1956 e 1960 frequenta o Seminário Maior da Sé do Porto. Ainda em 1960 fez o Diaconado e a Ordenação aconteceu no dia 6 de Agosto de 1961.

A Missa Nova na freguesia de Guisande aconteceu no dia 15 de Agosto de 1961, com a paróquia em festa e todo o percurso de sua casa à igreja matriz efusivamente enfeitado com flores e verdura.
Nesse mesmo ano de 1961 recebe do seu Bispo a nomeação para coadjutor da paróquia de Lourosa, concelho de Vila da Feira, onde permaneceu durante dois anos.

Em 30 de Agosto de 1963 foi nomeado pároco de Santa Marinha de Palmaz, concelho de Oliveira de Azeméis. Anos mais tarde, em 1993, ficou também com a responsabilidade da paróquia vizinha de Travanca, no mesmo concelho.



Acima, igrejas de Palmaz e Travanca por onde paroquiou a maior parte da sua vida sacerdotal.

Em 15 de Agosto de 2011 festejou as Bodas de Ouro Sacerdotais, cuja celebração decorreu na igreja matriz de Guisande.
Manteve-se na paróquia de Palmaz durante 55 anos e na de Travanca durante 26 anos. A despedida aconteceu no final de Setembro de 2018. Para assumir as suas funções pastorais, o Bispo nomeou em 25 de Julho de 2018 o Pe. André Bruno Teixeira de Olim, como administrador paroquial de Palmaz e Travanca. Este jovem padre, nascido em 11 de Setembro de 1985, foi ordenado em 12 de Julho de 2015 e anteriormente esteve colocado na Madeira como Vigário Paroquial das paróquias do Caniço e Santo da Serra, no Arciprestado de Machico e Santa Cruz.

Concluída para além das suas forças a sua longa missão de pastor, com o peso das vicissitudes da velhice, regressou à sua terra natal, à casa paterna no lugar das Quintães, onde passou a viver na companhia de alguns dos seus irmãos.
Que Deus o conserve entre nós  por mais anos.


Acima, no dia da sua Missa Nova, a caminho da igreja matriz, ladeado pelos pais e o Pe. Francisco.




Fotografias de momentos da celebração da sua Missa Nova, na paróquia de S. Mamede de Guisande, que teve lugar no dia 15 de Agosto de 1961.
Na foto de baixo, acompanhado pelo então pároco de Guisande, Pe. Francisco Gomes de Oliveira, ainda o Pe. Domingos Moreira, de Pigeiros, e o Pe. José de Almeida Campos, de Fiães.

Abaixo várias outras fotografias de momentos diversos e importantes, como a cerimónia da ordenação na Sé do Porto, missa nova em Guisande e respectiva boda, grupo de irmãos em diferentes datas e ainda alguns momentos na sua paróquia de Palmaz.

















Na foto acima, em 2016, com o então presidente da Câmara Municipal de Oliveira de Azeméis, Dr. Hermínio Loureiro, na assinatura de um contrato-programa que permitiria um apoio de 30 mil euros para as obras de requalificação da envolvente da igreja matriz de Palmaz, umas das últimas e várias obras dinamizadas pelo Pe. Santiago. [foto: fonte: cm oaz]



Na foto acima, a ser entrevistado para o jornal "Correio de Azeméis", durante a festa de convívio e homenagem na despedida das suas funções pastorais, em Palmaz, em Setembro de 2018.




Nas imagens anteriores, um momento da visita ao Pe. Santiado pelo bispo D. Roberto e o Pe. António Jorge aquando da Visita Pastoral em Junho de 2024. Já então em debilidade.

Faleceu onte, 11 de Setembro de 2026, com 88 anos de idade. Deus o guarde e tenha em sua presença!

11/09/2026

Mandar e ser mandado


Há pessoas que nasceram com uma admirável vocação para seguir, para serem mandados, obedecer.

Não é tudo defeito. Pelo contrário: há uma grande paz em não ter de decidir nada. Como dizem os italianos, um dolce far niente. Basta olhar em redor, verificar para que lado vai a maioria e acompanhar. Se toda a gente usa a mesma roupa, usa-se também. Se de repente todos descobriram uma nova maneira de comer, dormir, viajar, decorar a casa ou fotografar o almoço, lá se adopta o hábito com a solenidade de quem acaba de inventar uma vida. Nas redes sociais copiam-se as trends e comparece-se  ao chamamento a um qualquer evento, desde, claro, que não envolva trabalho.

Chamam-lhe, uns, personalidade, outros, ser sociável e modernista. É uma das grandes delicadezas do nosso tempo.

A pessoa escolhe cuidadosamente o seu lifestyle, aperfeiçoa o corpo, a barba, o cabelo, a casa, o vocabulário, a alimentação, as viagens e até a maneira de parecer indiferente às coisas que toda a gente deseja. Depois contempla a criatura que construiu e sente-se, legitimamente, única. O seu ego adensa-se e o umbigo é centro gravitacional.

À sua volta estão milhões de pessoas a fazer exactamente o mesmo. Mas não há mal nisso. Haveria, sim, se em contra-mão ou em passo desacertado.

O rebanho tem virtudes que a liberdade, essa velha senhora tão exigente, nunca conseguiu oferecer. O rebanho aquece, protege, recomenda restaurantes, escolhe destinos de férias, fornece opiniões e, sobretudo, poupa-nos ao esforço exaustivo de pensar e decidir pela própria cabeça. A Inteligência Artificial veio acentuar esse desligamento da vontade própria. Pede-se um texto, uma imagem, um relatório como quem na tasca pede moelas, rojões ou um bife com batatas fritas.

Há sempre um pastor. E um pastor é uma bênção para quem não quer perder tempo a descobrir onde fica a erva. Nada como saber que a horas certas, na manjedoura do costume, vai haver palha e ração.

Ele sabe para onde ir, conhece os melhores pastos, define o ritmo e, quando alguma ovelha se atrasa, dispõe de um argumento bastante antigo e de eficácia comprovada: o cajado da crítica e da desconsideração.

Depois existem as outras. As ovelhas que não encaixam. As negras, os rabujentos velhos do Restelo.

As que chegam atrasadas ao aprisco, comem onde não devem, desaparecem quando é preciso formar fila e aparecem precisamente quando ninguém lhes pediu opinião. Não são necessariamente corajosas. Seria bonito dizê-lo, mas nem sempre é verdade. Muitas são apenas teimosas, distraídas, mal-humoradas ou incapazes de perceber a utilidade de obedecer, sobretudo às cegas, sem escrutínio.

São as ovelhas ranhosas. Não melhoram o mundo por serem desobedientes. Apenas o tornam mais incómodo como um grão de areia no sapato ou uma formiga nos colhões.

Quando o cajado lhes acerta no lombo, protestam. Resmungam, afastam-se, fazem cara feia e, passada a indignação, voltam a cometer exactamente o mesmo erro. Há nelas uma espécie de fidelidade ao próprio defeito que chega a ser tão confrangedora quanto enternecedora.

Também não sabem muito bem para onde querem ir. Eventualmente, sabem apenas para onde não querem. E talvez seja esta a pior posição de todas.

Porque há os que mandam e os que aceitam ser mandados. Os que têm como mandamento de que necessários são os patrões e os empregados.

Neste universo, uns poucos descobriram cedo que nasceram para dar ordens; outros, com igual serenidade, que obedecer é muito menos trabalhoso. Entre uns e outros existe uma multidão que prefere não pensar demasiado no assunto, desde que lhe garantam salário, férias e a sensação reconfortante de pertencer a qualquer coisa, a uma seita, um grupo, um clube ou um partido.

Depois ficam os outros. Os que não querem mandar. Os que não querem obedecer.

Os que não aprenderam a andar ao compasso da manada, mas também não possuem talento para conduzir o rebanho. Esses são os verdadeiramente incómodos, porque não oferecem ao pastor nem a disciplina que ele espera nem a ambição que ele sabe utilizar.

São livres apenas na medida em que isso não lhes traz vantagem alguma. E liberdade, quando não vem acompanhada de poder, costuma ser uma coisa bastante mal paga.

O pastor não gosta deles e, com oportunidade, faz-lhes a cama em conformidade. As ovelhas também não.

E eles, para dizer a verdade, nem sempre gostam de si próprios. Talvez por isso existam tão poucos.

Uns nascem com o cajado na mão. Muitos aprendem a baixar a cabeça. E os que insistem em caminhar de lado, recusando tanto o comando como a marcha, descobrem cedo que há uma lei não escrita no rebanho: quem não conduz nem segue fica marcado e ignorado.

E, se houver favas para pagar, pode ter a certeza de que alguém já decidiu quem as come.

Eu sei. Tenho passado boa parte da vida a andar fora do compasso, a reclamar, a apontar defeitos, a irritar-me com chico-espertices, a incomodar quem se tem em conta por algum poder. Não é uma maneira especialmente inteligente de viver, bem o sei. Traz dissabores, rancores e reduz o círculo de gente concordante.

Mas, enfim, há vícios que, depois de tantos anos, já se confundem com carácter. Será, por isso, um problema de idade, em que se dá conta da falta de paciência para andar a seguir rebanhos, a dizer amém a qualquer pastor e a ser prestável com quem não merece mais que a indiferença.

Com a maior parte da vida já passada, o que falta dela é demasido valioso para ser desperdiçado em vénias e reverências. Era só que faltava!


A. Almeida

10/09/2026

O Justino quer é paz


Para muitos será da idade, para mim é do temperamento. O Justino sempre teve este gosto pela solidão, desde que me lembro dele. Não a solidão dos que se sentem sós, mas aquela outra, mais rara, de quem encontra nela bem-estar e paz, sem explicações a dar, respostas a preparar ou atitudes a fingir.

Os livros são-lhe boa companhia. Na escrita perde horas sem conta, e não parece haver nesse tempo qualquer queixa ou impaciência. Pelo contrário, dir-se-ia que é aí que mais confortavelmente habita. Não haverá na aldeia quem tenha mais livros que o Justino. Velhos e novos. Ensaios, romances, contos, crónicas, poesia, técnicos e de cultura geral, tudo tem e lê.

A família habituou-se e compreende-o. Os cães e os gatos, esses, nem precisam de compreender: sabem. Há coisas que os animais percebem por um qualquer sexto sentido que nós, humanos, fomos perdendo à medida que aprendemos a complicá-las.

O Justino não vive desligado do mundo. Pelo contrário, está atento ao que acontece, lê, observa, ouve os vizinhos e sabe, como toda a gente, que o mundo não acaba à porta de casa. Mas há muito do que escuta que lhe chega mais por obrigação ou hábito do que por verdadeira curiosidade ou necessidade de participação.

Não é uma ilha, embora faça quanto pode para não deixar que o transformem numa. Vai levantando em redor uma cerca discreta, feita de sorrisos, acenos e concordâncias, não por antipatia, mas para se proteger dos assaltos à sua tranquilidade. Dos assaltos da banalidade, naturalmente, mas também dos das boas intenções, daqueles que julgam que todas as dores devem ser partilhadas e que todo o silêncio esconde um pedido de socorro.

Há ainda os que, por genuína preocupação ou simplesmente por não conhecerem outra maneira de estar com alguém, insistem em oferecer-lhe conselhos para uma vida que ele nunca lhes disse querer mudar. O Justino escuta, agradece, talvez sorria, e continua serenamente no seu caminho.

Quer aprender, isso sim. Nunca me pareceu ter perdido a curiosidade nem a vontade de compreender melhor as coisas. O que dispensa é que lhe ensinem, com ar de descoberta, aquilo que já sabe, ou que lhe receitem companhia como quem prescreve um remédio para uma doença que ele não reconhece. Sabe que a roda e a pólvora há muito que foram descobertas.

Porque talvez seja essa a parte que mais custa aos outros entender: o Justino não precisa de ser salvo da sua solidão. Ele vive nela. E, pelo que vejo, bastante bem. 

Ao contrário, andamos, todos nós, em guerras e guerrinhas, surdas ou estrondosas, como se necessárias para estabelecer, a contento de todos, acordos e estados de paz. E tão pouco basta para a ter. É ver o Justino!


A. Almeida


[ilustração: Adaptação por IA]

09/09/2026

Os mestres da ilusão


Mais do que nunca, vivemos numa época em que mais vale parecer do que ser. O Governo, as autarquias e a comunicação social usam e abusam dos eufemismos e das meias-verdades, jogando constantemente com as percepções. Tal como num espectáculo de ilusionismo, o mágico precisa de distrair para iludir — algo que se torna simples porque, quase sempre, o público tende apenas a ver e a ouvir o que lhe convém.

Com frequência, lemos ou ouvimos anúncios como:

"No município X, os transportes públicos serão totalmente gratuitos";

"Os alunos passarão a ter manuais escolares completamente grátis";

"No município Y, as creches serão gratuitas";

"As autoestradas X, Y e Z deixarão de ter portagens";

"A Junta de Freguesia Z vai incentivar a natalidade com a oferta de um cheque de 500 euros por cada nascimento".

Esta narrativa cria a falsa percepção de que, com tais medidas, tudo se transformará num reino maravilhoso de bens e serviços gratuitos e de ofertas antecipadas de Natal.

Nada é mais falso. Quer seja no Estado Central, nas autarquias ou nas juntas de freguesia, tudo o que se anuncia como "grátis" continua a ter custos, financiados pela totalidade dos contribuintes. Trata-se de um modelo desequilibrado e injusto, uma vez que a factura é paga não só por quem usufrui dessas benesses, mas também por aqueles que delas nunca tirarão qualquer partido. 

É um pouco como a repetida história de que num certo município o evento X deixou um retorno económico de centenas ou milhares. A quem? A todos ou a quem mais bebe por estar perto da fonte. É que, no meu caso, em dezenas de anos de eventos cá no burgo, nunca senti caír um euro no meu bolso, antes, pelo contrário, a pagar quando há prejuízos na gestão ou exploração.

Em suma, assim continuamos: satisfeitos com supostos "benfeitores e altruístas" que, na verdade, não tiram um único cêntimo do próprio bolso para financiar as promessas que fazem ou medidas que implementam nesse conceito de gratuitidade. Antes, quando num populismo bacoco, tiram partido disso em tempos e contextos eleitorais.

Assim vamos andando!


[ilustração: IA]

08/09/2026

Bairrismo: o que ficará sem a valorização das raízes e legados passados?


A propósito de uma publicação sobre as romarias e o futuro das nossas comunidades, num bom artigo de reflexão do Tiago Afonso (de Pigeiros), na sua página de Facebook e no seu blog "Línguas de Perguntador",  troquei alguns comentários com o autor que me levaram a aprofundar uma ideia que, no essencial, partilho.

É evidente que o mundo mudou. Mudaram as famílias, os hábitos, as relações, os locais onde estudamos e trabalhamos, as formas de comunicar e, sobretudo, a própria maneira como nos relacionamos com as comunidades a que pertencemos.

Antigamente, a comunidade era, em grande medida, uma realidade inevitável. Vivíamos perto, conhecíamo-nos, dependíamos uns dos outros e partilhávamos os mesmos espaços de encontro. A paróquia, as associações, os cafés, as festas e as romarias eram muito mais do que lugares ou acontecimentos: eram elementos estruturantes da vida comunitária.

Hoje, nada disso desapareceu por completo, mas deixou de ter a mesma centralidade.

Em concordância com o Tiago, não me parece justo só por si  atribuir essa transformação aos jovens. Eles vivem simplesmente num tempo diferente, com outras oportunidades, outras formas de socialização e outras prioridades. Não podemos pedir-lhes que vivam como nós vivemos, nem que sacrifiquem o futuro para preservar o passado.

Mas é precisamente aqui que reside a minha preocupação: Há uma ruptura.E não sei se aquilo que estamos a construir será capaz de preservar os valores que, durante gerações, considerámos importantes: o sentido de pertença, a entreajuda, a responsabilidade pelas causas comuns, o orgulho nas nossas origens e o respeito pelo legado que recebemos dos nossos antepassados.

As nossas tradições não são apenas manifestações do passado. São uma forma de memória colectiva. Uma romaria, uma festa, uma associação ou uma tradição local representam muito mais do que aquilo que vemos: representam pessoas que, antes de nós, deram tempo, trabalho e dedicação para construir uma comunidade.

É isso que, a meu ver, não devemos perder. Não se trata de querer obrigar os mais novos a repetir os comportamentos dos mais velhos. Trata-se de lhes transmitir o valor daquilo que recebemos, para que possam decidir, à sua maneira, o que merece ser preservado.

O problema é que, perante a notória perda de população, mesmo que mitigada por uma imigração descontrolada, o envelhecimento e o afastamento progressivo das novas gerações, não sei se teremos gente suficiente — e sobretudo vontade suficiente — para assegurar essa continuidade.

Talvez o futuro encontre novas formas de comunidade. Talvez as tradições se adaptem e algumas sobrevivam. Espero sinceramente que sim. Mas continuo triste e céptico. Não tanto pelos jovens, mas porque já não existem as condições que fizeram nascer e crescer o espírito comunitário que conhecemos.

E quando se rompe uma continuidade de gerações, não perdemos apenas algumas festas ou costumes. Podemos perder, pouco a pouco, a consciência de quem somos e de onde viemos.

Por isso, enquanto for possível, penso que devemos continuar a defender as nossas tradições, a valorizar as nossas raízes e a sentir orgulho no legado dos que nos antecederam.

Não para viver no passado, mas para que o futuro não fique sem memória.

E, no fundo, talvez seja essa a nossa responsabilidade: fazer a nossa parte, transmitir o que consideramos ter valor e ter esperança de que alguma coisa fique.

Mesmo que, depois de tudo bem agitado, seja pouco o que fica no crivo.

06/09/2026

Tomada de posse do Pe. António Jorge em S. Pedro Ferreira


Neste Domingo, dia 6 de Setembro de 2026, pelas 10:00 horas, decorreu na bela e mística igreja românica de S. Pedro Ferreira, a tomada de posse do nosso ex-pároco, Pe. António Jorge.
Numa manhã bonita, num ambiente deslumbrante, o Pe. António Jorge certamente sentiu-se como recebido em sua casa e pelos seus, dos mais jovens aos mais velhos. 

A igreja, de boas dimensões, que esteve repleta, de gente sentada e em pé, foi pequena para tanta gente da comunidade local e visitantes, que se associaram a este importante momento. No exterior muita gente que não teve lugar, mas atenta e feliz.

Um simples mas bonito tapete a conduzir à igreja foi elaborado com dedicação e rigor. Um grupo coral fantástico, um númeroso grupo de jovens, leitores e cantores de qualidade.

Desconheço como foi a tomada de posse já no dia anterior, na paróquia de Arreigada (que correu pelo melhor conforme me confidenciou o Pe. António em breve conversa), e depois pelas 11:30 horas na paróquia de Frazão, mas certamente a tónica de acolhimento e alegria manifestada pelas comunidades foi semelhante.

Nas palavras do Pe. António Jorge à comunidade, emocionou-se várias vezes e nos agradecimentos procurou não esquecer ninguém que, nas suas palavras, o ajudaram a crescer e a ser o homem e sacerdote que é hoje. Naturalmente um agradecimento aos seus anteriores paroquianos, incluindo de Guisande, Pigeiros e Caldas.

Deixou à comunidade local a promessa de tudo fazer para o seu crescimento, da catequese, adolescentes, jovens e adultos aos mais velhos, mas na certeza de que nada poderá sem a ajuda de todos, todos, todos.

Pessoalmente, foi um privilégio poder assistir a esta cerimónia muito especial, num misto de agradecimento, de sincero desejo de que corra pelo melhor a sua missão, que não será fácil, até porque com novos desafios e pela dimenensão populacional do conjunto das paróquias, bem como de alguma tristeza pela saída de um bom pároco, certamente que com as imperfeições comuns a todos nós, mas com elevado sentido de seriedade no serviço litúrgico e espiritual, organização das estruturas e respeito pelas idiossincrasias de cada comunidade. 

Certamente que entre nós ficou muito por fazer, mas numa decisão do Bispo, a todos os níveis incompreensível, deixou uma inter-comunidade num tempo em que o seu trabalho começaria a dar frutos e já com tempo para melhor fazer o que até aqui lhe foi impossível de forma ideal.

Em resumo, um dia memorável e uma cerimónia muito bonita onde, como nós que viemos de fora, se percebeu facilmente que o Pe. António tem ali comunidades fortes, com muitas capacidades e que certamente será capaz de aproveitar, valorizar e fazer crescer ainda mais. Oxalá que seja capaz! Mas que o Bispo lhe dê o tempo que não deu nas nossas comunidades.

Por cá, como Jesus, não terá agradado a todos, e ovelhas negras sempre existirão no rebanho, mas creio que na larga maioria deixou amigos e amizades. E já saudades.

Bem-haja, Pe. António, e que Deus o ajude a ser feliz com as suas novas comunidades. É hora de trabalhar na messe de Deus.

Ver-nos-emos, por aí ou por aqui!