5 de outubro de 2022

O Tino, rapaz com tino


O Tino é assim: Um rapaz simples, quase primordial, despido do espartilho que adelgaça as noções do bom senso ou do juízo perfeito. 

Dizem os especialistas que o Albertino tem algum atraso cognitivo, mas o povo, menos dado a estes conceitos técnicos, diz, apenas, que terá umas quartas-feiras a menos, mas um bom rapaz, do melhor.

Pela minha parte, acho que nem uma coisa nem outra. O Tino tem sobretudo uma simplicidade genuína no pensar e no falar. Pela parte física é um touro de força e destreza e como tal é requisitado como jornaleiro quando se trata de cavar leiras, rachar lenha, limpar matos, apanhar espigas ou batatas. Quanto a ser um bom rapaz, em total acordo.

Em resumo, anda por aí muita boa gente com as quartas e quintas-feiras todas e demais dias da semana e ainda assim com menos tino que o Tino. Como pessoas e quanto a juizinho, em nada são mais ou melhores que o Tino.

Mas o Tino, insisto, é mesmo assim, e nessa simplicidade toda troca-nos as voltas e as ideias. Daria para feirante, capaz de vender botas a quem procura peúgas ou casacos a quem quer comprar cuecas.

Assim, quando nos cruzamos, lá meto conversa de circunstância: 

- Então Tino, está calor?

Mas o Tino responde com outra pergunta: 

- Então houve mais um acidente na Gandarinha? 

- Ai houve? - pergunto interessado.

- Pois houve, e deu um prejuízo do caraças. Podia ter havido mortes! Um carro ficou todo encartado. Vai p´rá sucata direitinho!- responde com ar sério e de quem testemunhou o embate.

Mas mudo de conversa, mostrando-me interessado nas inconstâncias do tempo: 

- Mas, ó Tino, amanhã virá chuva? 

O Albertino responde, novamente, com outra pergunta: 

- Sabias que roubaram quatro galinhas ao Zé Ferreiro?

- Quatro galinhas? - perguntei admirado.

- Sim, e foi de noite e com um cão à porta! - esclareceu abanando a cabeça com ar de quem contava uma impossibilidade.

- Mas então, quem terá sido? - questionei, curioso.

- Foi a viúva do Neca! Era de saber. Já não é a primeira vez! - esclareceu com ar de quem já viu o filme repetidas vezes.

- Mas como é que se sabe que foi ela? Houve testemunhas? - perguntei para esclarecer essa sua convicção.

- Ah, foi o próprio Ferreiro que a viu a meter os frangos, já com o pescoço torcido, num saco.

- Mas foi ele quem te contou? - questionei interessado?

- Ele contou tudo na loja da Nandinha. - disse. - Ele bem deu por ela, mas como caminha mal e estava em ceroulas, não foi atrás dela.

- Mas então ele não vai fazer queixa à guarda? - quis saber.

- Não vai nada! S calhar não se importa, pois ela roubou-lhe as galinhas mas ele rouba-lhe o pinto!

- Ai é? Bem, eles que se entendam! - respondi já  pela estrada abaixo, mas ainda intrigado a pensar no raio da sua resposta, como se nela justificasse a permuta de galináceos.

O Tino também seguiu para cima, mas ainda a recomendar: 

- É preciso é ter cuidado com as portas abertas. Ela tudo o que vê, tudo rouba. E é pôr à porta dois cães bravos, com fome e com os dentes afiados!

E pronto! O Tino lá continuou desenvolto a caminho de casa. 

De rajada, fiquei a saber de duas novidades que desconhecia, mas continuei sem saber se no dia seguinte choveria. 

Já sei! Para a próxima se quiser saber do Tino se vai chover, tenho que lhe perguntar se o Benfica ganhou ou perdeu. 

4 de outubro de 2022

Água e bananas

Na sequência do caso de suspeição de práticas proibidas por alguns atletas da equipa de ciclismo da W52- F.C. Porto, a imprensa está a noticiar que o atleta João Rodrigues, vencedor do Volta a Portugal de 2019, foi suspenso por sete anos e outros seis colegas ciclistas, entre eles Rui Vinhas e Ricardo Mestre, vencedores da Volta a Portugal em 2016 e 2011, respetivamente, por três anos, pela União Ciclística Internacional.

Ainda não li se a decisão é definitiva ou se passível de recurso.

A propósito, e este é um problema para além de rivalidades clubísticas, o episódio não é novidade e o que não faltam é casos similares no mundo do ciclismo, desde logo à cabeça, o que envolveu o norte-americano Lance Armstrong.

Quando o desporto deixou de o ser, e passou a ser uma indústria de milhões, em que a tentação de vencer a qualquer custo e preço leva a situações destas, tudo deixa de fazer sentido.

E surpreendemo-nos, nós, com estas aldrabices a este nível quando todos bem sabemos que até mesmo entre meros amadores e ciclistas de fim-de-semana há essas tentações de mostrar serviço.

Porque também pedalo e corro, sei de episódios, contados por quem conhece o meio, que para além das vulgares geleias ou gelatinas e outras vitaminas concentradas, para dar poder à coisa, há em alguns grupos partilha de umas certas pastilhitas que dizem dar muito power. 

Obviamente que não generalizando, era o que faltava, mas esta prática extende-se também a outras provas e competições amadoras onde não há qualquer controlo sobre o uso de substâncias inadequadas, em que o artista aldrabão supera o atleta que não se mete em tais aventuras.

Quer isto dizer que o desporto é bom, é salutar ao corpo e à alma, na justa medida e peso, mas quando se pretende fazer dele algo mais, como uma demonstração de super-poderes, de fazer e mostrar coisas bonitas, ainda por cima numa época em que o culto do ego está em alta, todos estamos sujeitos a estas tentações, que mais não seja a reboque da curiosidade, do "deixa-me experimentar". Ora todos sabemos que os vícios nascem sempre dessa curiosidade, dessa experimentação.

Pelo sim e pelo não, até porque nestas coisas não tenho de todo um espírito competitvo, de bicicleta ou a correr, mantenho-me fiel à água da torneira, e muito raramente a uma banana. 

Quanto a gelatinas, compro-as, mas só para os gatos.

3 de outubro de 2022

Festa do Viso - Comissão de Festas para 2023


Foi já divulgada neste fim-de-semana a escolha e composição da Comissão de Festas para 2023, em honra de Nossa Senhora da Boa Fortuna e Santo António.


Juiz: Manuel Arménio Santos Moreira - Casaldaça

Tesoureiro: Rui Daniel Sousa Alves - Fornos

Secretário: André Filipe Henriques de Pinho - Fornos

Vogal: - Manuel Fernando Santos Jesus - Cimo de Vila

Juíza: Ana Sofia Santos Almeida - Lama

Procuradora: Inês da Silva Mota - Cimo de Vila


Quanto às contas, tenho a informação de que as mesmas ainda não foram apresentadas tão somente porque ainda não fechadas, faltando elementos sobre os gastos com electricidade. Há, no entanto, sinais de que haverá um bom saldo positivo, prova de que foi realizado um bom trabalho e gestão pela Comissão cessante.

De nossa parte, desejamos à nova Comissão de Festas um bom trabalho, com dedicação e imaginção e que possa contar com o apoio e colaboração de toda a freguesia.

Obrigado, Sr. António Costa

Por estes dias soube que o Sr. António Costa, por sua vontade, tomou a decisão de deixar o cargo de tesoureiro da Comissão da Fábrica da Igreja, modernamente designada de Conselho Económico, da qual fazia parte há já vários anos. 

Foi, pois, muito tempo dedicado à causa. Percebia-se que exercia o cargo com dedicação e espírito de serviço pela paróquia e comunidade. Mesmo dentro das suas próprias limitações e desde logo pelo próprio peso da idade, mostrava-se incansável no que lhe competia, fazendo de forma persistente aquilo que tinha que fazer.

Mesmo tendo inicialmente tomado conhecimento desta informação apenas de forma informal e circunstancial, e depois confirmada com alguém do Conselho, pela parte que me toca, como paroquiano, e porque tenho por ele uma grande estima e consideração, quero agradecer-lhe pelo trabalho e missão que levou a cabo, o que nem sempre é fácil porque, de um modo geral, um cargo dado a julgamentos e a escrutínios, tantas vezes desajustados ou mesmo injustos. Tem agora um cargo de vogal, por isso já com menos responsabilidades, mas ainda assim ao serviço.

Tudo tem o seu tempo e o seu lugar e o Sr. António decidiu que era tempo de terminar esta sua responsabilidade de lidar com as contas e com dinheiros.

Bem haja, pelo serviço prestado e  pela sua simplicidade e dedicação, que, de algum modo, ainda continua.

2 de outubro de 2022

A canalhada, o diabo de Vila Maior e o Santo António

 


Por estes tempos, andamos todos mais civilizadinhos. Porventura não tanto por uma cultura intrínseca mas essencialmente por aculturação. Pode até parecer uma redundância, mas vejo em ambos os termos algumas diferenças.

Por conseguinte, numa sociedade em que muitos dos nossos comportamentos básicos são modelados ou mesmo condicionados pelo conceito do “politicamente correcto”, às tantas andamos para aqui a "engolir sapos", a dizer aquilo que em consciência realmente não queremos dizer, a assentir  com o que não concordamos, mas apenas para não arranjar chatices, para não sermos postos de lado, ou mesmo não perder um emprego ou comprometer o acesso a ele. 

Os casos de julgamentos colectivos, nesta era de redes sociais em que todos nós nos expomos a esse coliseu de feras digitais, são mais que muitos. As palavras e as atitudes têm que ser bem medidas sob pena de atiçarem as matilhas e por elas devorados. E nem precisam de grandes motivos para isso; A ignorância, a iliteracia e a descontextualização dão uma ajuda.

Em rigor, andamos há muito a ser formatados, como quem o faz a um cartão de memória ou a uma pen-drive, apagando a nossa pornografia para neles poderem ser regravados  cânticos de hossanas e aleluias.

Andamos efectivamente, todos bem afinadinhos e certas guerras já pertencem ao passado. Se hoje trazidas à memória, quando muito servem de aferidoras de diferenças, dos tempos e, claro está, dos comportamentos.

Recuemos aos anos 1970: A Escola Primária do Viso, nas suas duas salas, abarrotava-se então de crianças, ou canalha, como era vulgo dizer-se. Partilhava-se tudo, a pobreza, a côdea de pão, os livros, os lápis de cor, as cagadeiras à turca e até os piolhos. 

Mas não se permitiam misturas de géneros. Meninas de um lado, rapazes do outro. Por esses tempos as professoras não permitiam essas distracções e por conseguinte as  invasões de territórios, com limites definidos pela separação dos alpendres dos recreios, não eram toleradas. O saltar a cerca, normalmente pelos rapazes, numa espécie de desafio, era reguada certinha. Paradoxalmente, o terreiro do monte, logo ao lado, já era um espaço de liberdade  onde havia a mistura nas brincadeiras. No trinca-cevadas tanto se saltava para o lombo dos rapazes como das raparigas. Mas estas, verdade se diga, porque já assim amestradas, preferiam jogar a macaca do que lombar com os gandulas repetentes.

Então, nessa segregação tida como natural, sob o olhar austero dos presidentes da república e do conselho, como dois ladrões no calvário ladeando Jesus no crucifixo, pendurado na parede da escola por cima do quadro negro de lousa, a sala do lado poente pertencia às raparigas e do lado oposto, a nascente, aos rapazes.  Estes, de algum modo, estavam em vantagem nos dias frios de Inverno, em que nos intervalos a malta aconchegava-se à parede, como pintos encolhidos sob as asas da galinha, a absorver o sol ténue da manhã. E cada lugar desse solheiro era sagrado e aquele que se colocava ou passava à frente roubando a nesga de sol, levava com a habitual maldição: - Quem está à frente do meu sol, é o diabo de Vila Maior, com o sangue a escorrer e o gato a lamber! 

E não é que a coisa resultava? De facto a rapaziada podia aguentar com umas valentes reguadas ao preço de uma por erro na gramática ou vocabulário, mas ser apelidado de diabo de Vila Maior, é que não?

Por esses tempos a canalha era mesmo do diabo, fosse ele de Vila Maior, de Canedo ou de Guisande, especialmente os rapazes. E nem as cabeças com mais galos que um galinheiro caseiro, os intimidava. É que a vida não era fácil e com sorte, porque nesses tempos não havia diferença entre ela o irmão azar, um rapazola estouvado angariava mocas como quem coleccionava cromos, tanto em casa, como na escola, como até mesmo pelo pároco, este que não admitia turbulências naquela terra sagrada na envolvência da igreja. 

Para além de tudo, por esses tempos de escola primária no Viso, havia uma espécie de gangs, sobretudos os que opunham os de Casaldaça e Lama, da parte de baixo, com os do Viso e Cimo de Vila, da parte de cima. 

Tantas vezes, logo que o dia de aulas era dado como terminado, começava a batalha, normalmente apelidada de corrida. Isto é, uns corriam à pedrada os outros. Ora como do Viso para Casaldaça era a descer, e ainda parece que é, claro está que eram corridos mais facilmente os da parte de baixo porque, convenhamos, era mais fácil atirar pedras e arremessar calhaus de cima para baixo, em que todos os santos ajudam, se bem que tenho dúvidas que os santos se metam nestas zaragatas de canalha. De resto, dizem, o Santo António que mora na Capela do Viso, tem estado ali há muitos aninhos quieto e sereno pela simples razão de que é de pedra. E da pesada.

Pois bem, nestas corridas à pedrada, posso dizer, eu que também atirei a minha quota parte de calhaus, que os do Viso saíam sempre vitoriosos. Na verdade as pedras vindas de cima para baixo raramente chegavam às canelas enquanto que as arremessadas do Viso pareciam mísseis teleguiados às testas dos da parte de baixo. E por esses tempos, ainda nem se sonhava o GPS.

Claro está que, como quem vai à guerra dá e leva, o problema para os do Viso era quando iam a Casaldaça à loja, como quem diz à mercearia, mandados pelas mães. Aí, sem a protecção do grupo e sem as pedras e a gravidade a ajudar,  arriscavam-se a levar uma coça dos gandulas de Casaldaça. Se tivesse que ser, apanhavam-nas todas. Mas passados dias, o ciclo invertia-se e andava aquele bando de canalha a combater encarniçadamente como se  se tratasse de uma Guerra dos Cem Anos. 

Mas essa mesma rapaziada, conforme foi crescendo e passando de classe até mesmo abandonar a escola, já com pelos a pintar a intimidade, começou a organizar outras formas de tirar teimas e então, nas longas tardes de Domingo, foram sendo combinados e realizados vários jogos de futebol entre a malta de cima e a malta de baixo. O troféu em disputa ali no terreiro do Monte do Viso, invariavelmente era uma litrada de refrigerante da Gruta da Lomba, pomposamente pousado no cimo de um dos cruzeiros do calvário a arrefecer ao sol.

O certo é que o final do jogo raramente era decidido pelo tempo e pelo resultado, mas por quem fosse mais ladino a surripiar a garrafa da laranjada. Umas vezes eram os do Viso e pessoalmente arrotei muitas vezes a beber aquela bebida gaseificada, doce e amornada, mas outras vezes lá era apanhada pelos de Casaldaça. A verdade é que mesmo quando com o troféu nas mãos, não se livravam de nova corrida à pedrada pelo monte abaixo. Só depois de cruzarem a ribeira no fundo do vale é que se consideravam a salvo.

No fim de contas, eram todos bons amigos e então um rapaz que não tivesse a cabeça rachada era olhado de soslaio. Afinal, como uma espécie de iniciação. Anda, pois, por aí ainda muita rapaziada na casa dos 60 com umas boas cicatrizes gravadas a pedra lascada nos melões, uma espécie de tatuagens que só são visíveis quando apalpadas.

Voltando ao princípio, hoje em dia anda tudo mesmo bem formatadinho, e aos professores ou aos pais já não são permitidas repreensões orais quanto mais reguadas, tabefes, cintos a assobiar ou mocas de rachar o melão. Por sua vez, as crianças são poucas, como aves raras, bem protegidas como em gaiolas e até mesmo as escolas do Viso e da Igreja há muito que fecharam por falta delas.

Já não há, pois, mais corridas à pedrada e até mesmo os velhos caminhos, antes fornecedores dessas armas de arremesso, foram há muito pavimentados. Nas velhas escolas tocam-se concertinas, distribuiem-se camisolas, casacos e calças e, do mal o menos, a do Viso faz parte do Centro Cívico e então podemos fechar os olhos e reviver as velhas brincadeiras e imaginar o que seria agora com as raparigas apartadas dos rapazes.

Já não há pedras, nem crianças nem escolas! Pouco mais há que  a nossa memória e até essa um dia destes há-de ser corrida, senão à pedrada, seguramente pelo esquecimento.

Bons tempos! 

Vá lá! Portem-se bem e sejam felizes!

Num mar colorido




Na apresentação do livro de género infantil, “O meu vizinho camelo”, pouco sentido faria se elas próprias, as crianças, não marcassem presença e, mais do que isso, de forma activa.

Assim, logo de princípio, e com o total anuimento da Junta da União de Freguesias, na pessoa do seu presidente, David Neves, defini que seriam criados alguns momentos intercalares com leitura de contos, e no caso, porque não concebo contos infantis sem serem ilustrados, acompanhados com as ilustrações.

Um dos momentos consistiu na leitura de quatro pequenos contos, de autoria de Maria Isabel César Anjo, com magníficas ilustrações da saudosa Maria Keil, cada um referente às quatro diferentes estações do ano. Perfeitos exemplos de conciliação e complementaridade do texto e da ilustração.

Creio que funcionou muito bem. Bem sabemos que as crianças, tanto mais quando juntas, navegam num barco colorido sobre ondas de imaginação e envoltas nesse constante balouçar, alheiam-se dos olhares dos adultos. Ora na sala, esse mar colorido era quase literal. 

Percebo que às tantas, com os discursos chatos dos adultos, e com o avançar das horas, as crianças já começavam a querer continuar a sonhar, mas já não nesse mar agitado e colorido que se instalou na sala mas nos seus vales de lençóis.

Mas no geral, valeu a pena, por nós, adultos, e certamente que por elas. Claro que gostaria de ter mais crianças a ler, mas naquele contexto parece-me que foi na medida certa quanto possível.

Pegando neste parâmetro do possível, preocupei-me em ter ali mais crianças para além das que foram solicitadas e procurei chamar pais com crianças e vários disseram presente. Estiveram, por isso bastantes, mesmo, sabendo que, infelizmente, elas vão sendo raras nas nossas comunidades como consequência do nosso modelo de sociedade. 

Mas as coisas são como são e não valem a pena lamentos e comparações com as três ou quatro crianças que agora nascerão em Guisande anualmente, com as 30 que nasciam há 50 anos atrás.

Bem haja às crianças presentes, às que leram de forma empenhada e naturalmente aos pais.

Teremos que pensar mais à frente num qualquer evento em que o tema seja só os livros e contos infantis em que o protagonismo seja só delas, das crianças.

Bem hajam a todos.

Nota: Peço desculpa aos pais e a elas próprias por as expor aqui, mas é por uma boa causa.

Utopia

Num Outono vestido de Primavera,

Reuniu-se um conclave de sonhos e utopias

Em que tomaram a palavra as palavras

Para dizerem, simplesmente: - Estamos aqui!


Nada mudou porque ainda és quimera,

Trilhas os caminhos que já seguias,

Duros, por onde só passam as cabras,

Mas, mais à frente, algo espera por ti.


O sonho, a realidade? Seja lá o que te for dado,

Importa sonhar, sempre, nem que seja acordado.