" Eu e a minha aldeia de Guisande" "" Eu e a minha aldeia de Guisande

25/05/2026

Paradoxos


Na nossa freguesia ainda há várias estradas com pavimentos em mau estado. Mas, bem pior que mau, porque deplorável, destaca-se a Rua da Zona Industrial e o troço da Rua de Estôze, que liga este lugar ao de Cavadas, na freguesia de Pigeiros.

Na Rua da Zona Industrial a desculpa é a da necessidade da prévia realização de redes públicas água e saneamento. É perfeitamente compreensível, mas, todavia, o tempo passa e não há sinal de que a coisa esteja para breve. De minha parte jé evito por lá transitar e mesmo a caminhar ou em corrida não se aconselha porque é perigosa, tal é o estado de degradação.

Quanto à Rua de Estôze, não há a mínima desculpa para o estado em que se encontra. Mau demais, a juntar ao lixo na berma.

Mesmo parte da Rua dos Quatro Caminhos, no lugar da Gândara, está degradada, com  nítidas depressões e é frequente ver-se o trânsito a circular em contra-mão para as evitar.

Enquanto parece haver dinheiro com fartura para festas e festivais, que se estouram e três dias, esquece-se o essencial e de utilização diária . Há dinheiro a rodos para artes de rua mas não para as ruas. 

É pena e lamenta-se que estes paradoxos de gestão ainda subsistam.

O Jorge está de parabéns!

 











Neste dia 25 de um Maio de Primavera, está de parabéns o Jorge Ferreira. Juntos já percorremos centenas de quilómetros de fantásticas caminhadas. 

Que continue a somar, com vigor, saúde e boa disposição, pois ainda há montes e vales para percorrer, mesmo que mais devagar.

21/05/2026

Genealogia - Dificuldades


Pesquisar assentos paroquiais (registos de baptismo, casamento e óbito) para a partir deles se estabelecer ligações familiares e as respectivas árvores genealógicas, é uma verdadeira viagem no tempo, mas quem se aventura na genealogia descobre rapidamente que os arquivos paroquiais portugueses podem ser um autêntico labirinto. Embora estes documentos sejam a espinha dorsal da história familiar antes da criação do Registo Civil (em 1911), a verdade é que os párocos da época não tinham a nossa preocupação actual com a padronização dos dados. São, pois, muitas as dificuldades que se apresnetam a quem tem interesse nestas coisas, como é o meu caso.

Caligrafia: 

Uma das barreiras mais imediatas é a paleografia (a leitura da caligrafia antiga) combinada com o hábito cultural de abreviar nomes. Para poupar papel (pergaminho nos primeiros tempos) e tinta, os párocos habitualmente usavam siglas e contracções que hoje nos parecem estranhas. Exemplos comuns: Antº (António), Mª (Maria),`Frco (Francisco), Manl (Manuel) ou Joam (João). E outros mais.

 A Ausência de Avós Paternos e Maternos:

Nos assentos de baptismo mais antigos (geralmente anteriores a meados do século XVIII), a estrutura do registo era muito mais simplificada. Era comum o pároco registar apenas o nome da criança, dos pais e dos padrinhos. Por vezes até só do pai ou da mãe.

Sem a menção aos avós paternos e maternos, perde-se a "ponte" de confirmação para a geração anterior. Se o pai da criança se chamar "João da Silva", e na mesma paróquia existirem três homens com o mesmo nome, torna-se quase impossível adivinhar qual deles é o progenitor correcto sem o nome dos avós para desempatar.

Nomes próprios sem apelidos (Sobrenomes):

Até ao século XIX, era perfeitamente normal que os registos de baptismo indicassem apenas o nome próprio da criança. Pode-se encontrar assentos que dizem, simplesmente:  Maria, filha de Manuel Gonçalves e de sua mulher Maria Vaz.

A criança crescia e, ao casar, adotava um apelido que nunca tinha sido escrito no seu baptismo. Descobrir se a "Maria" que casou em 1780 é a mesma "Maria" que nasceu em 1760 exige um cruzamento exaustivo de idades, nomes de pais e testemunhas e até intuição.


A barreira dos pais e avós incógnitos:

A realidade social da época reflecte-se cruelmente nos registos através das crianças "expostas" e "enjeitadas" (abandonadas na roda dos expostos) ou dos filhos de mães solteiras. Estas situações são muito recorrentes, sobretudo nos séculos XVII e XVIII mas ainda no século XIX e XX.

Geneticamente e documentalmente, a linha de investigação esbarra num muro intransponível. A árvore genealógica daquele ramo específico é forçada a parar ali, restando apenas a hipótese de seguir a linha dos pais adotivos ou focar-se no outro progenitor, quando conhecido ou recorrer a outras fontes que são raras e de difícil acesso e pesquisa.

A fluidez dos apelidos - ausência de linha directa:

Na regra actual e comum pelo séc. XX, os nomes têm uma estrutura em que os filhos recebem os apelidos do pais,  numa ordem mais ou menos fixa, com o apelido da mãe pelo meio e o do pai no final. Antigamente, porém, a escolha do apelido era de uma liberdade caótica. Uma única fratria (irmãos de mesmos pais) podia ter apelidos completamente diferentes. Mesmo com alguma ordem, os rapazes recebiam o apelido final do pai e as raparigas o da mãe. Ainda, um filho homem adoptava o apelido do avô paterno e uma filha mulher adoptava o apelido da avó materna ou mesmo o nome de uma santa de devoção. Era muito comum nas mulheres o apelidos de Jesus. Ainda casos em que um filho tomava o apelido do padrinho ou de um tio rico, por respeito ou esperança de herança.

O impacto: 

Esta falta de consistência quebra a lógica da transmissão familiar e exige que o genealogista comprove a irmandade de várias pessoas para garantir que pertencem à mesma família, em vez de confiar apenas no sobrenome.

Conclusão:

Perante todo este conjunto de dificuldades, há situações que se tornam impossíveis de descer no tempo e nas ramificações familiares. Mesmo nos documentos existentes, é necessária muita intuição e cruzamento de vários registos e com eles procurar harmonizar.

19/05/2026

Não fica bem

 


Esta situação não é de agora, pelo que já tem barbas. Confesso que não sei de quem é a responsabilidade. Para o caso, não interessa nem quero saber. Parece-me, isso sim (e quem pode achar o contrário?), que não fica bem. Para muitos é apenas um conjunto de pedras, mas é um cruzeiro e tem um significado e simbolismo religioso e patrimonial. 

Não fica mesmo nada bem dar-lhe esta utilidade de suporte de sacos de lixo, por mais compreensível e bem intencionada que possa ser, a de deixar os sacos fora do alcance dos cães e gatos. Para isso há solução, que mais não seja, colocar o lixo um pouco antes da hora prevista da passagem do serviço de recolha.

Haja, pois, alguma sensibilidade para estas coisas.

Finalmente, parece-me, que também estará na hora de a alguns dos cruzeiros do percurso do calvário ser-lhes dada alguma dignidade, nomeadamente com a sua requalificação. Este, por exemplo, tem a base praticamente enterrada. Outros estão quase em condições similares. Mesmo o cruzeiro na rua com o mesmo nome, no lugar de Fornos, porque pobre,  em simples cimento armado, poderia ser melhorado com revestimento em granito ou mesmo a sua substituição por um em granito.

São pequenas coisas que se podem melhorar com pouco. Apenas é preciso investir em sensibilidade e sentido de preservar e melhorar o que outros nos deixaram. Não custará muito.