Aprecio, gosto e sou fã da obra do artista Alexandre Manuel Dias Farto, dito Vhils. Um excelente e talentoso artista de arte contemporânea.
O agora falado retrato, de sua autoria, do presidente da república, de saída de Belém, está dentro da sua linha plástica. Mas, no que se pretende do retrato da mais alta figura do Estado, não gosto. Não tinha que seguir a linha mais clássica ou conservadora de um Columbano ou Henrique Medina nem um borra telas como Pomar, mas era escusado uma tão grande ruptura. Com jeitinho, teria sido composto com materiais recolhidos no lixo.
Mas, pensando melhor, é bem ao estilo de Marcelo: Mais preocupado pela forma do que pela substância, fazendo do seu umbigo o centro do universo. Espalhafatoso, muito para os média, para as redes sociais, bem ao estilo do papagaio, fala-barato, em que se transformou, sobretudo no segundo mandato. Ficará para a história como o presidente de e para as selfies, em calções de banho e a chupar um gelado.
Um presidente nos nossos dias tem de ser, obviamente, próximo, afectivo e efectivo, atento, uma voz que se faça ouvir e respeitar, mas desvaloriza-se, rebaixa-se, indignifica-se quando se trona popularucho, banal, um influencer no pior sentido.
Mas isto é apenas uma opinião, outros considerarão o contrário, e estamos todos bem.
Mas insisto, um presidente da república não tem de ser rígído, austero, como Cavaco, cinzento e partidariamente subalterno como Sampaio ou prepotente e espalha-brasas como Soares, mas com o formalismo equilibrado e que, sobretudo, seja uma figura respeitável, que respeite e se faça respeitado. O velho ditado que o "respeitinho é muito bonito" ainda faz sentido. Não fosse isso, e então mais valia eleger o Tino de Rans, o Ena Pá 2000 ou o Batatinha.Iria dar ao mesmo.
Voltando ao retrato, não gosto no sentido da finalidade, mas, porque de encomenda, em nada surpreende e está ao nível do retratado. Afinal bem sabemos o papel que o papel de jornal teve em tempos em que o dito higiénico era luxo de cuzinhos de ricos. É, pois, um respeitável papel e merece estar na galeria de Belém.
Não havia necessidade, é certo, mas os tempos recomendam que se goste e se exalte e a fábula do "rei vai nu" ainda tem peso. Muito peso.






