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19 de janeiro de 2020

Tesourinhos da bola


Quando a bola é apenas um pretexto para momentos de amizade, convívio e partilha. Mas os anos, o tempo, fazem das suas. Uma dúzia de anos tem um peso do caraças.

12 de janeiro de 2020

Uma copada de Castelões e um pires de moelas


Noutros tempos, não muito longínquos, o vinho verde "Castelões" era para os amantes das patuscadas e petiscadas uma espécie de elixir da eterna juventude. Em qualquer tasca, de prestígio ou rasca, pedia-se "Castelões". O acompanhamento eram os petiscos, fosse moelas, orelheira, uma isca, um prego ou churrasco. Sobretudo no Verão, pois, claro, umas copadas de "Castelões", servido bem frio, faziam valer a pena esperar pelo Sábado ou Domingo à tarde. O Nelson Ned cantava que não sabia o que fazer no Domingo à tarde, mas a rapaziada de Guisande, sabia e bem: Namorar e depois, porque o namoro faz sede, umas copadas no balcão dos bancos de pernas altas do Américo ou em mesas de fórmica noutros locais de culto.

Deixou, por isso, saudades, esta emblemática marca de vinho, engarrafada em Vale de Cambra pela empresa Bastos & Brandão, L.da. O vinho era proveniente da região demarcada do Vinho Verde, da qual fazia (e faz) parte Vale de Cambra, com base nas castas Loureiro, Trajadura e Arinto. A malta, mesmo sem perceber de castas, acreditava que sim.

A Brandão & Bastos, L.da foi fundada por Manuel Brandão e Manuel de Bastos, que morreram em 1986 e 1990, respectivamente. A empresa foi fundada em meados da década de 1950. Depois disso mudou de mãos e passou por processos de insolvência. Não consegui apurar se ainda existe e em actividade ou se mudou de nome. Certo é que a marca "Castelões" já não existe desde há alguns anos. Outras marcas engarrafadas pela empresa valecrambrense como a "Aniversário" e a "Valverde", também já desapareceram.
Para avaliar da fama do "Castelões", posso dizer que colhi a informação de que pelo final da década de 1990 as vendas cifravam-se em 6 mil garrafas por semana.

Este "Castelões", a que se refere o rótulo acima, característico na sua forma triangular, era considerado como levemente adamado e a exigir servir-se "muito frio".

No meu tempo de rapazola, este "Castelões" estava para a rapaziada como agora a "Coca-Cola" está para a juventude.  Também fazia arrotar, mas, ao contrário da bebida negra açucarada, o "Castelões" propiciava outras aventuras. Muitas delas poderia aqui contar mas teria que por bolinha vermelha a classificar o texto.
Acrescente-se que por esses tempos, não havia boda de casamento que não fosse fornecida de "Castelões". A malta solteira lá conseguia passar por debaixo da mesa alguns exemplares que mais tarde serviam para refrescar conversas.

O "Campelo" e os "Três Marias" faziam forte concorrência mas a malta não trocava pelo "Castelões". De resto, alguns de nós tínhamos um lema: "Homem que tenha ...lhões, bebe "Castelões".

Aparte alguma brincadeira, o vinho verde "Castelões" é uma das marcas que a malta da minha geração associa a petiscadas e convívios de boa camaradagem. Aquela vinhaça esverdeada em garrafas com aquele inconfundível rótulo triangular ajudaram em muito a cimentar amizades e a fartar barrigas.

7 de novembro de 2019

33 anos


O tempo e os seus dias, as suas datas, podem ser escritas a giz branco sobre um quadro preto, mas depressa passam e o tempo continua a fluir e os dias a galopar e tudo o que é ser vivo entra nessa roda frenética da mudança que passa quase despercebida no dia-a-dia mas significativa ou mesmo dramática quando o salto é de 33 anos.

É esse mesmo o tempo que decorreu após aquela data de 7 de Novembro de 1986, ali escrita no quadro, numa fotografia de grupo na Escola Primária da Igreja - Guisande, com a Professora D. Célia Azevedo com os então seus alunos. Passam precisamente, hoje, 7 de Novembro de 2019, 33 anos.

Todas aquelas crianças, de caras felizes e reguilas, andarão certamente por aí, já não despreocupadas das rotinas infantis e das coisas próprias da escola, mas certamente casados, com filhos, afinal com outras canseiras e responsabilidades, porventura já com algumas rugas que marcam os seus rostos mudados ou com cabelos a menos e a pintar.

Claro que, com vida e saúde, estarão prontos para mais 33 ou mais além, mas bastar-lhes-á que venha um de cada vez, porque eles, os anos, correm e somam depressa demais e por isso não há pressa de os contar.

Mas é apenas a vida e os efeitos do tempo. Uma fotografia antiga tem esta virtude de nos emocionar, como um pedaço de nós ou de alguém, presente ou ausente, que jamais o poderão repetir. Neste quadro com quadro, o máximo que podemos fazer é não matar as memórias mas antes ressuscitá-las.

16 de agosto de 2019

Motorizadas em Guisande - Ali vai o Tozé pela Farrapa abaixo....



Foi um dos eventos míticos dos anos 80 ocorridos na nossa freguesia de Guisande. Estávamos em 24 de Outubro de 1982, um Domingo cinzento e chuvoso, como se esperaria que fosse a meio do Outono.
Num circuito formado por algumas ruas da freguesia, realizaram-se provas de motociclismo com veículos com motores de cilindrada de 50 cm3, vulgo motorizadas.

As provas, nas categorias de juniores e seniores, extra-campeonato, foram organizadas pela Associação Desportiva e Cultural de Lobão, com o carismático Nani, como director das provas. Na época estas corridas de motorizadas eram populares e disputavam-se um pouco por todo o lado já que as exigências regulamentares e de segurança eram, a bem dizer, nenhumas.

Nestas provas em Guisande, rezam as crónicas que participaram cerca de 30 pilotos e respectivas equipas técnicas. Na altura esteve presente o campeão nacional, um tal de José Pereira, o qual não logrou melhor que o 4º lugar.

As provas tiveram o seu início pelas 16:00 horas, com duas horas de atraso em relação ao programado, devido à chuva e à desorganização. 

Pelas 16:00 horas teve lugar o ensaio geral para testes e afinações; Pelas 16:30 horas a sessão de treinos oficiais para a categoria de juniores. Pelas 16:45 horas o treino oficial para os seniores. Pelas 17:15 horas, a prova dos juniores com 15 voltas ao circuito, com 16 pilotos. Pelas 17:45 horas a prova principal, com o seniores a darem também 15 voltas, participando 14 pilotos. Venceu o piloto Nº 1, "Tozé" com um avanço de cerca de 500 m.
Pelas 18:30 horas, já quase de noite, a entrega dos prémios. 

O circuito (ver mapa abaixo), com uma extensão aproximada a 1, 6 Km, englobava aquelas que são hoje partes das ruas S. Mamede (da Farrapa de Baixo à Gândara, passando por Linhares), Rua Nossa Senhora de Fátima (da Gândara à Leira) e Rua Cónego Ferreira Pinto (da Leira à Farrapa de Baixo), com sentido anti-horário. A meta estava colocada na recta da Gândara.


Na altura (em que uma câmara de filmar era um luxo) alguém filmou parte das provas, localizando-se no cruzamento da Leira. Esses vídeos (de onde extraímos as imagens), são de fraca qualidade mas ainda podem ser encontrados pelo Youtube.
Com a ajuda dos referidos vídeos e das memórias desse tempo, porque assisti à prova, percebe-se o amadorismo da organização, com o público nas bermas, circulando e atravessando constantemente a estrada, mesmo com as motorizadas a circular. Os homens da organização estavam equipados com umas bandeirolas (verdes, para mandar "assapar" e vermelhas (para parar) e ainda uns enormes walkie-talkies com umas antenas compridas que mais pareciam canas de pesca, com os quais comunicavam as ocorrências.

Num dos vídeos vê-se mesmo uma aparatosa queda de um dos participantes, com este a dar várias cambalhotas no alcatrão e a motorizada a deslizar quase "varrendo" alguns dos que ali assistiam. "Foge Quim..."



Vistas as coisas à distância do tempo, e já lá vão quase 40 anos, não conseguimos resistir a uns sorrisos, sobretudo pelo amadorismo da organização e condições de segurança e assistência, que em rigor não existiam, para além de uns fardos de palha colocados na saída de algumas curvas. De resto as estradas estavam em péssimo estado, chovia e o público, como já se disse, passeava livre e descontraidamente pelo circuito, numa passividade domingueira, com a indiferença de alguns elementos da GNR que ali estavam de serviço, muito solenes nas suas polainas de cabedal e cassetete a tiracolo.



Bons tempos, esses, em que as motorizadas eram rainhas das nossas estradas e o tal de Tozé acelerava pela Farrapa abaixo, destemido, enfiado no seu fato de napa e montado na sua motorizada toda produzida para "cortar o vento".

13 de agosto de 2019

Rádio Clube de Guisande - Chama intensa


Era uma vez um grupo de jovens, que algures pelos anos 80 criaram uma associação cultural e nela um jornal mensal entre outras múltiplas actividades. Bem, em rigor foi ao contrário; primeiro o jornal e depois a associação. Não foi em Lobão, Gião ou Louredo, mas em Guisande.

Poucos anos mais tarde, em meados dos anos 80, a febre das rádios locais ou piratas andava a atacar um pouco por todo o lado e os mesmos jovens, não de Lobão, Gião ou Louredo, mas de Guisande, decidiram criar uma rádio local. 

Vai daí, com o nome dado, Rádio Clube de Guisande, escolhido num dia de praia em Espinho, por Américo Almeida e Rui Giro, e com o indispensável apoio técnico do entusiasta da electrónica  António Pinheiro, e com a aderência de muitos outros jovens, em pouco tempo a jovem rádio chegava a muitas casas, não só na freguesia como nas freguesias vizinhas e até mais além, (depois de instalada uma antena - ela própria com uma estória) que ainda hoje resiste).

Certo é que, de acordo com o jornal "O Mês de Guisande", em Dezembro de 1986 a emissão estava estruturada e com um vasto grupo de pessoas a dar corpo ao manifesto.
Assim: 

Domingo: Das 07:00 às 09:00 horas: "Bom Dia, Domingo", com Mário Costa e Marco Paulo Alves;
Das 09:00 às 12:30 horas: "Domini", com Américo Almeida;
Segunda-Feira a Sábado: Das 14:30 às 17:00 horas "Guisande à Tarde", com David Conceição (uma das figuras emblemáticas da RCG, na foto acima);
Segunda-Feira: Das 20:00 às 23:00 horas: Desporto e Música", com Américo Almeida, Rui Giro e Elísio Monteiro;
Terça-Feira: Das 20:00 às 23:00 horas: A Vez e a Voz", com David Conceição;
Quarta-Feira: Das 20:00 às 23:00 horas: "Rota Nocturna", com Alberto Jorge;
Quinta-Feira: Das 20:00 às 23:00 horas: A Vez e a Voz", com David Conceição;
Sexta-Feira: Das 20:00 às 24:00 horas: Espaço Jovem", com José Higino Almeida;
Sábado: Das 13:00 às 14:30 horas: Quiosque do Som", com Elísio Mota;
Das 17:00 às 18:00 horas: "Sábado Especial", com Mário Costa e Marco Paulo Alves;
Das 18:00 às 20:00 horas: "Tema Livre", com Mário Silva.

Um ano antes, em Novembro de 1985, a programação (com carácter experimental) da rádio publicada no jornal "O Mês de Guisande", com a curiosidade do primeiro logotipo:



Um pouco mais tarde, era imperioso meter ordem na casa e o Governo lá arranjou um processo de candidaturas e atribuição de frequências. Mesmo que candidatando-se com um grupo de outras boas rádios do concelho (Rádio Clbe de Guisande, Rádio de Lourosa, Rádio Santa Maria e Rádio Independente da Feira), num projecto comum designado de "RTF - Rádio Terras da Feira", as duas licenças previstas para o concelho da Feira foram atribuídas à Rádio Clube da Feira (frequência 104.90) e (com enorme surpresa) à Rádio Águia Azul (frequência 87.60 ), em 21 de Abril de 1989.

Poucos dias antes, à margem da apresentação do Programa  de Apoio às Associações Juvenis, que decorreu em Viseu, em 15 de Abril de 1989, o director do jornal "O Mês de Guisande" e da Rádio Clube de Guisande", Rui Giro, ainda teve a oportunidade de falar pessoalmente com o então Ministro da Juventude, Couto dos Santos, mas apesar das palavras de estímulo e esperança deste, tal acabou por ser inconsequente e de nada valeu o esforço.

Depois ainda subsistiu a esperança de atribuição de uma terceira frequência ao concelho numa segunda-fase, mas tal não veio a suceder.  De resto alguém no concelho, se esforçou para que não fosse atribuída uma terceira frequência.

Este foi um processo polémico em que logo se percebeu que quem melhor mexeu os cordelinhos das influências políticas recebeu a prenda.  Deu-se primazia à rádio de uma única pessoa em detrimento de uma rádio que englobava um grupo alargado de pessoas e freguesias.

É claro que depois alguém andou durante anos a fazer as devidas vénias a quem fez por isso. Coisas da política. Mas, já passaram 30 anos e alguns dos então intervenientes já por cá não andam. Coisas passadas que já não movem moinhos, nem de água nem de vento. Apenas as memórias baloiçam na brisa do tempo.

De lá para cá as referidas rádios deram muitas voltas, piruetas e cambalhotas, mas mesmo que longe dos pressupostos iniciais, lá continuam, umas vezes na onda de cima, outras na de baixo.

Pela nossa parte e de quem ficou de fora nessa época, foi pena, mas temos que admitir que era necessária ordem numa anarquia que se instalou, embora salutar. 

Certo é que enquanto durou, a "Rádio Clube de Guisande" tornou-se numa referência de cultura e convívio para muitos jovens na nossa freguesia. As memórias e saudades são, naturalmente, muitas.
De facto aqueles jovens na década de 80 não tinham internet, nem facebook, nem smartphones, e poucos tinham carro, ou, se sim, apenas chaços, mas tinham uma chama intensa e um forte espírito de grupo e partilha.

Hoje em dia, apesar dos meios tecnológicos e fácil acesso a plataformas de comunicação, incluindo de rádio e tv, não se vêem grandes projectos, sobretudo os ligados à cultura e identidade das aldeias, mas fundamentalmente boçalidades e egocentrismos. Mas há que respeitar. Afinal são novos os tempos e os sinais deles. Nem tudo mal, mas nem tudo bem.


30 de julho de 2019

Pré-Primária de Fornos - Quase 30 anos


Pode parecer mentira, mas a verdade é que o Jardim de Infância de Fornos é o único estabelecimento de ensino de Guisande com alunos. E, ao que dizem, nem todos da freguesia. 
Edifícios emblemáticos como a Escola Primária do Viso e Escola Primária da Igreja, por onde passaram e aprenderam gerações de guisandenses, estão agora, do mal o menos, entregues a outros ofícios. A Escola do Viso integrada no Centro Cívico do Centro Social e a Escola da Igreja vai sendo lugar de ensaios do grupo de concertinas " Os Alegres e Divertidos da Feira"  e ainda do Banco Social, dinamizado pelo Grupo Solidário de Guisande. Por sua vez o Jardim de Infância da Igreja está abandonado à espera de melhores dias.

É triste, é pena, mas as coisas são como são. Tal realidade resulta da situação de baixa de natalidade de que também padece a freguesia e por outro lado de algumas más políticas nacionais e caseiras que conduziram os nossos alunos para estabelecimentos vizinhos numa política de centralismo, favorecendo o desligamento das populações e a descaracterização das freguesias mais pequenas. Adiante, que é política. 

Quanto ao Jardim de Infância de Fornos vai sobrevivendo como amostra. Relativamente ao edifício, desconhecemos se com necessidades e se dotado ou não com condições plenas de funcionalidade e conforto, mas pelo lado exterior é notória uma rua em deploráveis condições de pavimento e passeios e com um arbusto verdinho mas a ocultar parte da iluminação do poste frontal, o que no Inverno é um inconveniente. Adiante. 

Quanto à sua história: Já ninguém o saberá, mas o edifício foi inaugurado em 24 de Setembro de 1989, por isso às portas de completar 30 anos.
De acordo com o publicado pelo jornal "O Mês de Guisande" na edição de Outubro de 1989, com reportagem feita pela saudosa D. Rosa de Jesus Santos (então cuidadora de crianças que ali frequentavam a escola), e face à ausência de qualquer representante do jornal "O Mês de Guisande", que não receberam qualquer convite da então Junta de Freguesia ou Câmara Municipal, ao contrário de outros jornais que se fizeram representar bem como esteve presente o saudoso fotógrafo Manuel Azevedo, na cerimónia de inauguração marcaram presença o presidente da Câmara Municipal, Alfredo Henriques, o Vereador do Pelouro da Educação, Prof. Joaquim Cardoso, o Delegado Escolar de Fiães, o presidente da Junta de Freguesia, Manuel Alves, o presidente da Assembleia de Freguesia, Joaquim Ferreira Coelho, o pároco Pe. Francisco Oliveira, que benzeu e abençoou o edifício, e ainda a então educadora, a Prof.ªa Teresina, para além, naturalmente, dos alunos e pais. A educadora usando da palavra,  em contra-corrente com a pompa da inauguração, foi bem mais objectiva e de uma assentada chamou a atenção para a falta de algumas coisas, como material escolar, aquecedores, "baloiços" e "escorregas" para as horas de recreio da pequenada. 

Houve discursos, ofertas de flores pelas crianças e lanche (confeccionado pela Sr.ª Maria Madalena do "Sebastião")
O custo do lanche foi suportado a meias pela Junta de Freguesia e pelos pais (outros tempos).

Num dos discursos da praxe, o presidente da Assembleia de Freguesia, referiu então a necessidade de construção de uma escola de ensino básico no lugar de Fornos, mas obviamente que tal desejo e aspiração não passou disso mesmo, já que tal nunca se veio a concretizar. Pelo contrário, como se disse no início desta lenga-lenga, nem básico nem primário. Nada, ou quase nada. Vale-nos este Jardim de Infância de Fornos, que, poderá não chegar aos 50 anos, mas pelo menos, e porque falta pouco, tudo indica que chegará aos 30.

Notas finais:
O Jardim de Infância de Fornos, como dissemos, foi inaugurado em 29 de Setembro de 1989 mas todo o processo anterior inerente à aquisição do terreno, projecto e construção foi demorado e por diversas vezes mereceu reparos na Assembleia de Freguesia, com os deputados a pressionarem a Junta para esta por sua vez pressionar a Câmara Municipal quanto à urgência e celeridade das obras. Por conseguinte, apesar de um pequeno equipamento, a coisa não foi fácil nem rápida, mesmo então reconhecendo-se a sua necessidade.

Sobre o número de alunos que estão inscritos no Jardim de Infância de Fornos:

29 de julho de 2019

Grafismo do cabeçalho do jornal "O Mês de Guisande"

Em qualquer jornal, do mais simples e local ao mais sofisticado e global, o grafismo do título ou o seu cabeçalho é um elemento de imagem e identidade importante. Há jornais que o mantêm inalterado ou quase, desde os seus primeiros tempos, como é o caso do centenário "O Correio da Feira", mas é igualmente comum que de tempos a tempos e normalmente coincidindo com a data de aniversário de fundação, se altere esse mesmo grafismo, com maior ou menor amplitude. Mais do que apenas o próprio título e cabeçalho, hoje em dia os jornais renovam periodicamente todo o seu esquema gráfico e aspectos de composição, incluindo as próprias fontes (estilo de caracteres) para os cabeçalhos, títulos e artigos. Diz-se por agora que se renova a "imagem".

Neste contexto, apesar da sua simplicidade original, o jornal "O Mês de Guisande" durante os anos em que foi publicado também foi sofrendo alterações tanto no seu aspecto gráfico como no formato. Essas alterações, como já foi dito em anteriores apontamentos, decorreram em grande medida dos diferentes equipamentos de composição, maquetagem e impressão. Não surpreende, pois, que nas primeiras edições todos esses aspectos fossem muito simples, básicos até. Basta relembrar que os cabeçalhos, títulos e ilustrações eram todos produzidos à mão, um processo muito complicado sobretudo nos primeiros tempos em que a matriz era um simples stencial em papel delicado. Daí nem sempre com o rigor gráfico adequado.

Assim, ao longo dos anos em que foi publicado, o jornal teve vários designs ou estilos no cabeçalho e que mudavam a cada ano a partir do mês de Agosto, altura em que o jornal fazia aniversário.
Com as actuais ferramentas gráficas que instaladas nos nossos computadores tudo facilitam, procuramos agora reproduzir digitalmente os diferentes cabeçalhos utilizados, desde as primeiras às últimas edições. Seguem abaixo, com a ordem temporal. Qualquer imprecisão nas indicações temporais que se venha a detectar será corrigida.

Todos os grafismos, excepto o último que usa apenas a fonte "Times New Roman", foram desenhados por Américo Almeida.



De Agosto de 1981 a  Julho de 1982


De Agosto de 1982 a Julho de 1983


De Agosto de 1983 a Julho de 1984



De Agosto de 1984 a Julho de 1985


De Agosto de 1985 a Julho de 1992 - Este foi o grafismo que mais tempo durou e que de algum modo se traduziu no grafismo padrão.


De Agosto de 1992 a até 1994 e depois em 2006 e 2007


3 de novembro de 2018

Figuras guisandenses - José de Pinho



Como qualquer terra, Guisande sempre teve e tem, ainda, figuras que por uma ou outra característica pessoal, profissional ou de outra natureza, acabam por ser justamente consideradas como carismáticas ou "castiças", isto é, de boa casta, peculiares, com carisma e características únicas. Assim, não é condição para tal adjectivo que seja alguém formado como doutor, professor ou engenheiro. De resto, neste lote, há por aí doutores e engenheiros que pouca ou nada fizeram ou fazem a favor do bem comum e da comunidade onde se inserem e o seu contributo é o mesmo de que um qualquer iletrado ou até bem menos. Mas isso são outras histórias.

Neste contexto, e assente que uma boa e importante figura não tem que ser doutor ou engenheiro, podíamos aqui evocar figuras guisandenses, bem castiças, carismáticas, que porventura, fruto dos tempos, até não passaram de ilustres analfabetos, iletrados, daqueles incapazes de ler uma palavra do tamanho da torre da nossa igreja, mas em contrapartida, isso sim, doutorados na universidade da vida, alguns verdadeiros mestres nas cadeiras do saber, da manha, da cultura geral, da história, da natureza e das suas coisas, tão especialistas na arte de estrumar um campo lavradio como na poda da vinha ou como parteiros de uma vaca prenha.

Destas muitas figuras, é claro que gostaria de, amiúde, evocar algumas, mesmo que de forma breve e sem preocupações biográficas, mas também, reconheça-se, não é tarefa fácil e nem sempre o tempo disponível é simpático.

Aqui nesta minha casa digital, já falamos de algumas importantes figuras, desde logo o Pe. Francisco Gomes de Oliveira, como também o Cónego António Ferreira Pinto, Pe. Agostinho da Silva e o Pe. José Pereira de Oliveira. Todavia, muitas outras figuras guisandenses, do passado e do presente, mereciam ser aqui lembradas, mesmo que os seus feitos não fossem os ligados às letras, artes e ciências, como atrás se disse. Mas, quem sabe, aos poucos vá preenchendo a caderneta.

Neste pensamento e vontade, recordo que pelo início dos anos 90 o jornal "O Mês de Guisande" procurou saber um pouco mais de outras figuras e a algumas fez entrevistas onde se ficou a saber um pouco mais das suas histórias e estórias, nomeadamente dos já falecidos Joaquim Dias,  o "Pisco", Belmiro da Conceição Henriques e Ti Ana Alves. Deles já só resta a saudade mas através dessas páginas ficaram gravadas memórias que têm o mesmo valor que livros e diplomas.

Neste enredo todo, e tendo vós já visto as imagens acima, muitos, os mais velhos, terão já reconhecido a figura do Sr. José Pinho, morador que foi no lugar da Gândara, vizinho da Casa Neves, no gaveto do velho caminho para o Santo Ovídeo.
Para os mais novos, menos dados a estas coisas de outros tempos, o que é normal, podemos referenciar que era o avô da Marisa Pinho e por conseguinte pai do Sr. Ramiro Pinho, que desde há anos habita no lugar do Casal, na freguesia de Gião, onde tem um escritório de contabilidade.

José de Pinho nasceu em 28 de Agosto de 1912 e faleceu com quase 82 anos em 26 de Março de 1994. Do que conheço e me lembro, era irmão do também conhecido e carismático Miguel de Pinho (cabo cantoneiro) que viveu longos anos próximo da Ponte da Lavandeira e da também conhecida  Miquelina Pinho que viveu em Casaldaça. Como filhos, do meu conhecimento, deixou o Ramiro (a viver em Gião) e a Fernanda (creio que a viver por Vila Maior).

Já quanto ao recorte de uma primeira página do jornal semanário "O Correio da Feira", datado de 11 de Agosto de 1978, digamos que é ele o acender do rastilho para esta simples evocação ou memória que pretendo fazer sobre o Sr. José de Pinho. Como poderão observar, o tal recorte ainda tem colada a vinheta da assinatura do jornal. De facto José de Pinho foi durante vários anos assinante deste centenário e histórico jornal feirense, o qual ainda se publica. Não eram muitos os assinantes em Guisande, mas ele era um deles.

Do uso deste jornal, vem precisamente a minha primeira memória sobre o Sr. José Pinho. Era eu ainda criança e sempre que ia à Missa ou ao Terço, lá estava ele, na sua figura imponente, pois era homem de porte avantajado, com uma altura muito próxima dos 1,90 m, e nos momentos em que as regras pediam aos fieis para se ajoelharem, ele sacava do bolso do casaco um exemplar do jornal "O Correio da Feira", dobrado em quatro partes e o pousava no soalho da igreja para nele assentar os joelhos. Não que fosse grande almofada o jornal, mas porque impedia de sujar as calças. Era assim naqueles tempos e esse gesto era muito frequente. Alguns homens tinham um lenço só para esse propósito, mas de todos apenas me lembro de ser feito com um jornal por esse morador da Gândara. Ora como era assinante, todas as semanas lá recebia um novo exemplar que certamente guardava no bolso para ler e reler e  usar como tapete nas suas devotas genuflexões, fosse na missa à consagração fosse no terço ou adoração ao laudate.

José de Pinho, que se conste não era doutorado, mas era notoriamente um homem culto e de letras. De resto, sempre ouvi apregoar que "quem lê jornais, sabe mais". Para além do referido jornal "O Correio da Feira", era simultaneamente assinante de outros títulos da imprensa escrita, como o "O Comércio do Porto", o "Tempo" e ainda o nosso jornal mensal "O  Mês de Guisande", do qual sempre foi um carinhoso assinante. Por inúmeras vezes, quando eu ali ia distribuir o jornal, antes do correio o fazer, ficava largos minutos á conversa com este "doutor" da Gândara. Creio que quem o bem conheceu e com ele conversou não lhe recusará este estatuto.

Por conseguinte, pela amostra dos jornais que assinava e por conseguinte lia com regularidade, notoriamente era um homem bem formado e informado das actualidades, não só do concelho como do país, nomeadamente nesses tempos tão conturbados dos anos 70, politicamente muito marcantes no período pós 25 de Abril de 1974.

De José de Pinho sabe-se que era uma pessoa muito conservadora, homem de ideologia de direita, de resto a justificar a sua relação com o CDS de Freitas do Amaral e Adriano Moreira, que sempre foi apoiante convicto. Não surpreende, pois, que tenha sido assinante do jornal semanário "Tempo", um órgão informativo conotado com a direita. Não se sabe até que ano José de Pinho foi assinante deste jornal marcadamente político, mas eventualmente apenas até finais da década de 1980. De resto os anos 80 foram bem mais calmos e a jovem democracia portuguesa  aos poucos ia ficando estabilizada. Talvez por isso e por algumas convulsões internas entre redacção e administração, o "Tempo" terminou o seu tempo e  sua missão findou no final do ano de 1990. Todavia, foi marcante e vários jornais retomaram muito das suas orientações, tanto gráficas como de abordagem jornalística.



Ainda quanto ao semanário "Tempo" designado de "liberal e independente", para o contextualizar na figura e personalidade do seu assinante Nº 1881, José de Pinho, este jornal foi fundado em 29 de Maio de 1975 por Nuno Rocha (Porto, 13 de Fevereiro de 1933- Cascais, 5 de Julho de 2016). Este jornalista, que alguém caracterizava como cosmopolita, passou antes por títulos como o "Primeiro de Janeiro", "Diário Ilustrado", "Diário de Lisboa" e "Diário Popular". Considerado controverso e conservador, implementou um estilo no jornal que depois Paulo Portas e Miguel Esteves Cardoso levariam para "O Independente".
Por tentar fundar o "Tempo" Nuno Rocha foi preso a 13 de Abril de 1975, em casa, por membros do COPCON (Comando Operacional do Continente), ficando detido durante 17 horas em Caxias. Este facto não deixa de ser significativo pois mesmo depois da revolução, continuou a haver actos persecutórios criticados ao antigo regime recém derrubado, nomeadamente privação do exercício da liberdade, incluindo a de imprensa e prisão por motivos políticos. No fundo, era fruta da época e para além dos fascistas de direita havia os de esquerda. Coisas.
Em 1976, em pleno "Verão Quente", o semanário chegou a vender mais de 100 mil exemplares. Paulo Portas, conhecido político, estreou-se nele como cronista e mais tarde veio a fundar o jornal "O Independente".

Como já referi, o"Tempo" era assumidamente de centro-direita e surgiu então para contrariar a tendência de esquerda dos jornais da época que dominava a imprensa portuguesa. Os articulistas do semanário "Tempo" escreviam e davam conta das preocupações perante o rumo que Portugal levava, durante o PREC e na sua aventura que indiciava resultados catastróficos para o país. Pressentia-se que o país saíra de uma ditadura de direita e que se encaminhava para uma de esquerda, traindo o que diziam ser a gênese da revolução de Abril de 74.
O "Tempo" era assim uma contra-corrente e talvez por cá José de Pinho encontrasse nele e nas suas posições editoriais uma linha de pensamento ideológico que entendia ser a melhor para o rumo do país e daí o tronar-se assinante.

Naturalmente que para além desta faceta de homem de leituras, há muitos outros episódios ligados à figura e personalidade de José de Pinho, mas creio que para além deles, e outros terão melhores testemunhos, por mim quero simplesmente realçar um aspecto que ressaltava, o seu lado de homem culto, que lia muito e procurava estar fundamentado e informado das suas ideias e ideais. Por mim, é essa a memória que guardarei desse homem e dessa figura guisandense.

10 de setembro de 2018

Saudades


Parece que foi ontem, mas já quase há 30 anos (15 de Agosto de 1989), aquando das Bodas de Ouro Sacerdotais do Padre Francisco Gomes de Oliveira. Em todo o caso, nesta correria que é o tempo, das pessoas aqui fotografadas três já partiram deste mundo (Padre Francisco, Germano Gonçalves e Elísio Mota). 
Os vivos, esses naturalmente entre nós, mas já mudados e moldados com a carga própria de três décadas, porque o tempo esse é democrático e envelhece tanto crianças como adultos, tanto presidentes de junta como de câmara. 

3 de setembro de 2018

O meu catecismo da primeira classe

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De todos os livros que marcaram a minha infância, e creio que a de muitos rapazes e raparigas da minha geração, os catecismos, a par dos livros da escola primária, ocupam um lugar especial na prateleira das nossas recordações, memórias e nostalgias.

Hoje trago à luz da memória o meu catecismo da primeira classe. Trata-se do primeiro volume de uma série chamada “Doutrina Cristã – Catecismo Nacional”, uma edição do Secretariado Nacional de Catequese, publicado durante os anos 50 e 60 e que serviu de base para o ensino da catequese ao nível de todo o país. Estes catecismos foram impressos na Litografia União Limitada, de Vila Nova de Gaia.

Este primeiro volume está profusa e excelentemente ilustrado pela mão da artista portuense Laura Costa, com o seu traço inconfundível, repleto de cor e pormenor. Cada ilustração, por si só, era uma lição e estou certo de que muitos recordarão o seu Catecismo apenas pela beleza das respectivas gravuras, muito bucólicas. De resto, Laura Costa notabilizou-se a ilustrar os populares contos de fadas nos anos 40 a 60, que encantaram muita rapaziada que os liam a partir da biblioteca itinerante da Gulbenkian que todos os meses aportava ao largo de Casaldaça trazendo estantes de conhecimento e fantasia.

O Catecismo tem uma dimensão de 12 x 17 cm e 32 páginas a cores.

É importante referir que estes catecismos, tinham uma publicação de apoio, chamada de Caderno de Trabalhos Práticos (que possuo), com gravuras das lições, a preto e branco, destinadas a serem pintadas pelos alunos, bem como textos picotados, também destinados a serem preenchidos. Todavia, talvez pelo seu custo, acrescido ao do catecismo propriamente dito, e dadas as dificuldades económicas da maioria dos pais das crianças nesse tempo, tenho a ideia de que muito raramente este caderno era adquirido. Pelo menos não me recordo de o possuir na altura nem de o mesmo ter sido aplicado na minha Catequese.

Por outro lado, existia ainda um volume auxiliar, destinado às Catequistas, chamado Guia de Ensino (que também possuo), bastante extensivo, com a explicação da mensagem da aula e respectivas actividades, constituindo-se num excelente auxiliar das sessões de Catequese, principalmente em meios pobres onde nem sempre as Catequistas tinham formação adequada.

De referir que quando transitei para a segunda classe da Catequese, foram adoptados outros catecismos, pelo que tudo indica de que esta série de que falei deixou de ser publicada e utilizada, desconhecendo-se se tal mudança ocorreu a nível nacional, ou apenas no âmbito Diocesano, mas tudo parece indicar que a alteração editorial foi geral. De qualquer forma esta fantástica série “Doutrina Cristã – Catecismo Nacional”, vigorou pelo menos durante duas décadas, um caso invulgar de longevidade, tendo em conta que actualmente os manuais de escola e catequese mudam quase de ano para ano e com edições diversas.

Os objectivos deste primeiro volume, vocacionados para a preparação da Primeira Comunhão, estavam assim expressos no prefácio do mesmo:

“ Eu sou a Verdade” – disse Jesus. O presente Catecismo vem dar cumprimento a um voto do Concílio Plenário. É destinado a todas as crianças de Portugal, que devem fazer a sua primeira Comunhão à roda dos 7 anos (como desejava São Pio X) a fim de despertar já nos seus corações infantis uma autêntica vida cristã.

Foi para facilitar o trabalho educativo nas Famílias, nas Catequeses e nas Escolas, - a quantos são responsáveis pela alta missão de fazer desabrochar na alma infantil a virtude e a santidade, - que este Catecismo se elaborou por iniciativa do Venerando Episcopado.

Espera-se que o zelo de todos os educadores cristãos faça valorizar o presente texto oficial, cujas lições se acham ligadas ao Tempo Litúrgico (de fins de Outubro a Maio: as lições marcadas –A, servem para melhor permitir essa ligação, na hipótese duma aula semanal).

Ensinando-se, cuide-se da formação cristã da criança: atenda-se às condições várias da sua preparação cristã e desenvolvimento; faça-se com que ela compreenda toda a doutrina, a ame e aplique à sua vida; procure-se que retenha de memória o que deve reter e consequentemente se prepare de modo a poder já confessar-se e comungar pelo Tempo Pascal.

Na festa de Nª Sª do Rosário, aos 7 de Outubro de 1953. M. Cardeal Patriarca.

Como verificamos por este texto, este primeiro volume tinha objectivos específicos mas concretos no ensino da doutrina das crianças que pela primeira vez entravam no ciclo da Catequese.

Escusado será dizer que possuo na minha biblioteca os quatro exemplares desta série, referentes às respectivas classes de catequese (1º. 2ª 3ª e 4ª).

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- As duas últimas imagens referem-se ao tal caderno de trabalhos práticos, que servia de apoio às lições de catequese.

1 de julho de 2018

Cromos da May - Quem se lembra?


Como está na moda e dá um ar de modernidade, ainda tentei dar um título em inglês, "Who remember?",  mas de certeza absoluta que, para o caso, quem não se lembra de certeza é a malta mais nova, precisamente a mais suscpetível a inglesismos. Assim sendo, eventualmente apenas os mais velhos lembrar-se-ão  destes cromos de futebol que tenho cá pelo baú.
São cromos raros, de colecções do final dos anos 60, início dos anos 70, produzidos pela May Portuguesa SARL, então localizada na Coina - Barreiro. Vendiam-se com uma saborosa chiclete, então conhecidas por goma de mascar ou em inglês, "chewing-gum".
Estes cromos juntos dos coleccionadores valem de  1 a 20 euros a unidade ou mais. Uma das poucas cadernetas editadas, com 120 cromos, pode custar mais de 500 euros.

11 de maio de 2018

Pe. Francisco - 20 anos de saudade


Passam na próxima terça-feira, 15 de Maio de 2018, vinte anos, duas décadas, sobre a morte do Pe. Francisco Gomes de Oliveira. São vinte anos de saudade de um homem e pastor que dedicou a maior parte da sua vida à paróquia de S. Mamede de Guisande, um percurso iniciado em Setembro de 1939. Paz à sua alma!

Desconheço se a paróquia de Guisande tem ou não prevista alguma celebração ou evento em memória e evocação da data, mas creio que seria justo.
Pela parte que me toca, disse-o por aqui há algum tempo, estou a elaborar alguns apontamentos biográficos e contextuais à freguesia e paróquia de Guisande, que entretanto serão passados a livro, mesmo que de edição de autor. Tinha como intenção que o livro já estivesse impresso e fosse apresentado neste mês de Maio à passagem da data, mas tal tornou-se impossível. Por um lado devido ao facto de estar a incluir mais apontamentos do que aqueles que inicialmente tinha previsto e por outro lado porque não tenho tido a colaboração de quem inicialmente esperava obtê-la. Vejo que nestas coisas temos que contar apenas connosco próprios. 
Seja como for, tenho a esperança de mais ano menos ano vir a concretizar essa intenção, nem que revista e enquadrada noutro contexto.

A. Almeida

13 de abril de 2018

Nota de 20 escudos - A verdinha


Desde 1 de Janeiro de 2002 que Portugal, como membro da da Comunidade Europeia (actualmente União Europeia) desde 1986, está integrado no chamado sistema de moeda única europeia, ou Zona Euro. Por conseguinte, a nossa moeada é o Euro, o que na actualidade vigora em 19 dos 28 países membros. 
Todos sabemos do conjunto de dificuldades de adaptação ao novo dinheiro bem como a curiosidade que na altura despertou. A curiosidade passou, é certo, mas as dificuldades, principalmente de conversão, ainda fazem parte do dia-a-dia de muitas pessoas, de modo especial dos idosos. Actualmente, de um modo geral, já estamos mais ou menos familiarizados com o sistema, mas de facto foi uma etapa marcante para todos os portugueses e obviamente para a população dos Estados que aderiram ao sistema. Muitos dizem que com nítido prejuízo para Portugal.

Do tempo dos escudos, uma das mais emblemáticas notas foi sem dúvida a de 20 escudos, com a efígie de Santo António, popularmente conhecida como "verdinha". Esta nota entrou em circulação em 27 de Janeiro de 1965 e foi retirada de circulação mais de duas décadas depois, concretamente em 30 de Maio de 1986, sendo substituída anteriormente em 31 de Outubro de 1977 por uma nota também em tom verde, mas com um design mais moderno e com a efígie do almirante Gago Coutinho. Em 30 de Maio de 2006 terminou o prazo para a troca das notas de 20 escudos por euros, existindo então 27 milhões de notas ainda por trocar. Até essa data muitas foram de facto trocadas mas um grande número ficou nas gavetas dos portugueses, esquecidas, perdidas, roubadas ou simplesmente para amostra de saudosos tempos. Deste modo, no mercado do coleccionismo são relativamente vulgares mas os seus preços podem ir de 1 a 10 euros ou bem mais, dependendo do estado de conservação e de alguma particularidade que as tornes raras.

A nota de que falamos foi impressa na Inglaterra, tendo sido produzidas  mais de 229 milhões de unidades, todas com a data de 26 de Maio de 1964. A data e as assinaturas do vice-governador e do administrador do Banco de Portugal foram posteriormente  impressas em Portugal e com tinta preta. Uma das séries ficou com essa impressão um pouco desenquadrada ficando com o O da frase "O Administrador" a coincidir com o olho do peixe da gravura. Obviamente que tais notas são raridades e muito valorizadas por coleccionadores.

A "verdinha" era uma nota muito vulgar, porque a de valor mais baixo de todas as notas nesses tempos em circulação e por isso mesmo era das mais populares. Apesar de baixo valor, dizem os entendidos que comparativamente nos dias de hoje teria um valor aquisitivo similar à nota de 10 euros, mas certamente que ainda mais importante pois compravam-se com ela coisas com muita mais importância do que actualmente uma nota de 10 euros.

5 de março de 2018

A alegre casinha

Creio que todos reconhecem a casa abaixo retratada. Trata-se da casa do Ti Pereira, no lugar do Viso, ao lado da capela, actualmente propriedade de herdeiros. Entre uma e outra fotografia, passam quase cinquenta anos. A primeira foi retratada num dia 4 de Agosto de 1958, um sábado de Festa do Viso e a segunda tem dias.
Na foto de 1958, a casa tinha acabado de ser construída, mas ainda faltava parte do muro de vedação á face do então caminho bem como portões e grade no muro. Esse muro em falta foi feito de seguida e anos mais tarde demolido para possibilitar o alargamento da rua e construção de passeio. Curiosamente, também na parte nascente do prédio, nessa altura existia um espigueiro implantado à face do caminho e que também acabou por ser demolido para permitir o alargamento. Apesar disso, manteve-se o muro em alvenaria de granito defronte da casa, em harmonia com a arquitectura desta.
As fotografias de um mesmo local em diferentes épocas podem dar-nos este ar de surpresa decorrente da transformação das coisas e dos sítios, quase como um passe de mágica.
A casa na actualidade está com bom aspecto até porque foi recentemente alvo de obras de conservação por parte do actual proprietário.



28 de fevereiro de 2018

Bate leve, levemente




As notícias de hoje, 28 de Fevereiro, dão conta de fortes nevões que estão a assolar muitos países europeus, incluindo Portugal, sobretudo nas regiões montanhosas do norte e centro, afectando cidades como Bragança, Vila Real, Guarda, entre outras.
Por cá, a neve ainda não caiu e não é expectável que caia, mas, sendo rara, não é novidade em Guisande, como aconteceu nomeadamente em 3 de Fevereiro de 1963, num sábado, como demonstram as fotos antigas que aqui trazemos à memória. Vê-se a zona da igreja matriz  e adro cobertos desse sempre belo manto branco tecido pela mãe-natureza.  Recém nascido, obviamente que não assisti e foi preciso esperar mais vinte e um anos, no Carnaval de 1984 para ver a neve a cair em Guisande e redondezas com alguma significância.


Batem leve, levemente,
como quem chama por mim.
Será chuva? Será gente?
Gente não é, certamente
e a chuva não bate assim.

É talvez a ventania:
mas há pouco, há poucochinho,
nem uma agulha bulia
na quieta melancolia
dos pinheiros do caminho…

Quem bate, assim, levemente,
com tão estranha leveza,
que mal se ouve, mal se sente?
Não é chuva, nem é gente,
nem é vento com certeza.

Fui ver. A neve caía
do azul cinzento do céu,
branca e leve, branca e fria…
– Há quanto tempo a não via!
E que saudades, Deus meu!

(...)
A Balada da Neve - Augusto Gil

26 de fevereiro de 2018

Perceber da poda


Fotografia de final dos anos 60. O nosso saudoso pároco, Pe. Francisco Oliveira, a podar os belos arbustos que o mesmo plantou uns anos antes.
Pessoalmente, embora anos mais tarde, ainda me recordo desta cena pois era frequente ver o Pe. Francisco a tratar carinhosamente dos seus arbustos, dando-lhes pacientemente a forma desejada. Neste mesmo arbusto, uns anos mais tarde esculpiu umas letras, como mostrarei um dia destes.
Infelizmente, esta saudosa cena jamais se repetirá, porque tanto o Pe. Francisco como os arbustos já não existem, mas apenas na nossa memória. Ora esta não se apaga, tanto mais que reforçada com estes raros apontamentos fotográficos.

24 de outubro de 2017

24 de Outubro de 1954–Inundação na ribeira da Mota

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Hoje, dia 24 de Outubro de 2017 tivemos um dia quase de Verão, com céu azul e temperatura bem alta. Mas se recuarmos no tempo, mais precisamente 63 anos, por isso a 24 de Outubro de 1954, abateu-se sobre a nossa freguesia de Guisande e freguesias vizinhas, sobretudo do lado sul e poente, como Pigeiros, Caldas de S. Jorge, Fiães e Lobão, uma chuva forte e persistente, designada de tromba-de-água, que em poucas horas, naquele Domingo de manhã, galgou as margens da ribeira da Mota, arrastando dos campos, com a sua impetuosidade, toda a vegetação e medas de palha ou de canas de milho. 

Em resultado, com a pressão da água e dos detritos dos campos e margens arrastados, a ponte da Lavandeira, entre os lugares do Reguengo e Viso, acabou por ceder, desmoronando-se, sendo, pouco depois, edificada a ainda actual ponte. Provisoriamente, como se vê na foto acima, foi realizado um estrado em vigas e tábuas de madeira para assegurar a passagem de carros e pessoas. 

Ainda hoje, as pessoas mais idosas recordam-se desse Domingo chuvoso e daquela que foi certamente a maior cheia da ribeira da Mota de que há memória, o que de resto também sucedeu no rio Uíma

. Mesmo a cheia de 2001 terá sido apenas uma humilde amostra quando comparada com a de há 63 anos.

Neste foto acima vê-se o paredão norte totalmente demolido. Curiosamente percebe-se que o caudal da ribeira era quase diminuto, pelo que se deduz que estivesse a ser desviado pelos regos das levadas a montante, de modo a permitir a intervenção provisória na ponte. Também pode sugerir que essa cheia teve de facto características muito concentradas pelo que logo que passou a tromba-de-água, o caudal voltou ao seu normal.

24 de setembro de 2017

Historiando - A sineta da capela de Nossa Senhora da Boa Fortuna no monte do Viso


A construção da capela dedicada a Nossa Senhora da Boa Fortuna e a Santo António, erigida no alto do monte do Viso, remonta a 1869. À passagem do seu centenário, em 1969, teve profundas obras de restauro e conservação, realizadas antes do Verão desse ano, ainda antes da festa (primeiro Domingo de Agosto).

Um dos elementos identificadores e característicos da capela, para além da fachada revestida  a azulejo em tom creme com contornos e imagens de Nossa Senhora e Santo António em verde, é o seu arco encimado por um cruzeiro em granito e dentro do qual está instalada uma sineta.  Este elemento, designado na arquitectura religiosa como arco sineiro, está edificado sobre o vértice superior central da fachada principal.

Já muitos não se lembrarão, sobretudo os mais novos, mas originalmente e até às referidas obras em 1969, tal arco sineiro não existia, mas apenas o cruzeiro em granito. Também não existia o revestimento da fachada em azulejo, o qual foi colocado nesse ano por oferta do benemérito António Alves Santiago, da Casa do Santiago, das Quintães.

Se não me falha a memória de criança, que ainda se recorda das obras, tenho a ideia (a confirmar) de que até essa data a sineta estava instalada numa estrutura de ferro sensivelmente na parte central da cobertura, na zona da transição da nave principal para a nave da capela-mor, sendo accionada por uma corda ligada directamente ao compartimento poente da sacristia (divisão que em dias de festa do Viso é ocupada pela Comissão de Festeiros), junto à reentrância onde há uns anos a comissão assentava o pipo de vinho com que, servido a copo, brindava quem ia pagar a promessa.

Remonta, pois, a 1969 a construção do arco sineiro e a mudança da sineta a qual todavia continuou a ser accionada manualmente por um cabo acedido a partir da sacristia no local atrás referido. Não era tarefa fácil fazer tocar a sineta pois o sistema manual não era muito prático e exigia algum esforço.

Já pelos anos 70, ao arco sineiro foram afixadas umas três cornetas (altifalantes) para propagar o toque do relógio então instalado na sacristia, o qual ainda hoje funciona. Actualmente já não fará sentido o funcionamento e a função de tal relógio, que bate a cada quarto de hora, bem como as cornetas que são apêndices que desfeiam o arco sineiro, mas por lá vão estando.

Foi pena que nas obras posteriores, nomeadamente em 2003 quando se procedeu à reformulação da estrutura da cobertura e reconstrução do coro, não se tivesse desmontado este sistema ou pelo menos mudado as cornetas para um local com menos impacto visual, eventualmente na zona mais central da cobertura. Em todo o caso, como se disse, este relógio sonoro toca a cada quarto de hora e é ouvido em quase toda a freguesia, dependendo da direcção do vento e já há muitos anos que é companhia de quem vive a contar as horas.

Também em 2016, o arco sineiro sofreu uma intervenção, sendo ligeiramente alteado de modo a ajustar o sistema mecânico de accionamento da sineta anteriormente instalado.
Sineta, no nosso dicionário, significa pequeno sino e porque é feminino, tem um simbolismo de coisa delicada, maneirinha.

Sobre a sineta da capela do Viso, existe uma espécie de rivalidade ou disputa antigas com a freguesia de Lobão, já que os guisandenses reclamam que a capela de Santo Ovídio em tempos pertenceu a Guisande (e de facto pelo menos uma parte, a nascente, do actual arraial está em território de Guisande)(*) e por sua vez os de Lobão defendem-se argumentando que não, e que a sineta existente na capela do Viso seria a que pertencia à capela do santo mártir e bispo lendário de Braga, advogado das dores de ouvidos e dos maridos infiéis, e que terá sido roubada pelos de Guisande pela calada de uma noite de breu.

Obviamente que a parte que ao roubo ou desvio da sineta diz respeito é pura mentira ou mera brincadeira, já que na sineta da capela do Viso, para quem quiser tirar dúvidas, existe uma gravação em baixo relevo, feita no próprio momento da fundição, com uma legenda que se refere à Senhora da Boa Fortuna. De facto, como se pode ver na foto abaixo, a sineta, do lado nascente, tem fundida a data, 1874, e as iniciais NSBF - G, referentes a Nossa Senhora da Boa Fortuna - Guisande. Mas estes antigos dizeres tornaram-se lendários e fazem assim parte do nosso folclore.

Por esta data, 1874, fica-se a saber que a sineta só foi instalada na capela cinco anos após a sua construção (1869).


Nesta foto abaixo, datada de 5 de Junho de 1969, por alturas da Comunhão Solene, vê-se a procissão a descer o Monte do Viso a caminho da Igreja. Apesar de pouco nítida, observa-se o monte do Viso na sua forma antiga, ainda com a rua central, em terra batida, bem como a capela ao fundo, ainda sem o tal arco sineiro mas apenas o cruzeiro em granito e a fachada ainda sem o azulejo.

Tudo indica, pois, que as tais obras acima referidas se realizaram durante o resto do mês de Junho e Julho. Creio que por esta altura da Comunhão Solene já estariam terminadas as obras na parte interior, nomeadamente o restauro/pintura dos altares e colocação do revestimento do tecto.


(*)Ainda a propósito da capela de Santo Ovídio, apesar desta ser considerada como implantada em território de Lobão, no lugar do Ribeiro, no limite com o lugar da Gândara da freguesia de Guisande,  certo é que os mais antigos guisandenses reiteradamente foram defendendo que a mesma sempre esteve totalmente em território de Guisande.

Prova disso, ou equivocado, certo é que Pinho Leal, no seu "Portugal Antigo e Moderno" de 1873, a páginas 370 do vol. III, referindo-se a Guisande  diz  que "...tem uma capela dedicada a Santo Ovídio onde se fazem três festas no ano, muito concorridas. A quem tiver padecimento nos ouvidos, tem (segundo a crença da gente d´aqui) um óptimo remédio. É furtar uma telha e levá-la de presente a este santo; fica logo bom e a ouvir perfeitamente. É medicamento muito experimentado e aprovado pela gente da terra da Feira. A telha há-de ser furtada senão não o vale".

Mas admite-se que Pinho Leal (que casou com Maria Rosa de Almeida, do lugar do Carvalhal, freguesia de Romariz, onde construiu casa e nela ali morou) tivesse feito confusão porque na sua descrição referente à freguesia de S. Tiago de Lobão também lhe atribui a pertença da capela do Santo Ovídio. Não nos parece, pois, que a capela fosse meeira das duas freguesias vizinhas nem que existissem duas distintas capelas sob a mesma invocação. Seja como for, essas referências de Pinho Leal, mais do que dissipar dúvidas, porventura aumentou-as.

Certo é, todavia, que parte do actual arraial envolvente à capela, a sua zona a nascente onde se engloba o cruzeiro, está em território de Guisande, mesmo com a mudança indevida e ao arrepio da legalidade de um dos marcos de fronteira localizado no entroncamento do caminho antigo com a actual Rua Nossa Senhora de Fátima. Basta traçar uma linha recta entre os marcos mais próximos para se tal comprovar.

De resto, tal como acontece no lugar de Azevedo, em que a freguesia de Caldas de S. Jorge se apropriou de uma ampla parcela do lugar de Estôze, reclamando-a como sua a pretexto de não perder uma parte das habitações ali edificadas entre os anos 80 e 90, os anteriores e sucessivos presidentes de Junta dessas freguesias nossas vizinhas nunca quiseram admitir a apropriação indevida de território mesmo que desmentidos perante factos. Daí que este tipo de disputas sejam antigas e comuns a muitas outras freguesias por esse nosso Portugal fora, e que invariavelmente não têm solução a não ser por imposição administrativa dos tribunais, o que raramente acontece. Em todo o caso, é tudo Portugal.

É verdade que hoje as freguesias de Lobão e Guisande fazem parte da mesma União de Freguesias, juntando-se a Gião e a Louredo, mas estas raízes de identidade  e território geram rivalidades e estas hão-de perdurar por muitos e muitos anos. Por isso, a par da sineta, a localização da capela de Santo Ovídio será sempre um tema de discussão sem fim e que de algum modo enriquece o portefólio das nossas histórias e lendas.