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07/08/2026

Caminhos dos Corgos, limpo

 


Finalmente foi limpo o antigo caminho dos Corgos, noutros tempos a principal ligação entre as freguesias de Guisande e Pigeiros. Na actualidade é muito utilizado por praticantes de BTT e mesmo em corrida (por mim próprio). Todavia, sobretudo no troço em Pigeiros, porque com mais humidade, os silvados já estavam a obstruir a passagem.

Segundo informações, terá sido da responsabilidade de uma brigada de limpeza florestal de Arouca em protocolo com a Câmara Municipal da Feira e respectiva Protecção Civil. Teve papel importante no pedido e apoio directo, a Junta de Freguesia de Pigeiros, apesar da maior parte do troço se localizar em território de Guisande. Bem haja!

Este caminho, teve, pois, uma importância no passado e por aqui, em atalho, passavam mercadores e mercadorias da zona vareira para o porto de Carvoeiro, em Canedo, para serem expedidos para a cidade do Porto, nomeadamente sal, cal e telhas. 

Mesmo pelo final da década de 1930 e princípio da seguinte, era por este caminho que, diariamente, o antigo pároco de Guisande, Pe. Francisco Gomes de Oliveira, percorria entre Guisande e Pigeiros, no tempo em que acumulou a paroquialidade de ambas as freguesias. Também por ali, na parte de Guisande, entre a Leira e Estôze, pelo século XVIII existiu um lugar chamado de Corgos, que grosso modo seriam três ou quatro casebres, de que agora não há vestígios. Nos velhos assentos paroquiais da nossa freguesia há referência a esse lugar e às famílias que ali moravam.

Importa agora, que ambas as Juntas recolham o muito lixo por ali depositado, bem como façam uma limpeza periódica de modo a não deixar a vegetação tomar proporções que depois obrigará a mais tempo, trabalho e, naturalmente, mais custos.

Entretanto, digo eu, deveria ser apresentada a conta aos proprietários confinantes.






















10/07/2026

Datas e enterramentos

 


Com a data de 4 de Outubro de 2010, em artigo publicado no jornal "Terras da Feira", o correspondente Sr, Mário Baptista, aborda algumas datas relacionadas à nossa igreja matriz e interroga se 1910, foi mesmo o ano de construção do cemitério paroquial e se antes disso onde eram enterrados os mortos, se dentro da igreja ou se no adro?

De facto, o cemitério foi realizado em 1808/1909 e concluído por 1910. Antes disso os enterramentos era feitos no adro envolvente à igreja matriz e desde que os sepultamentos foram proibidos no interior da igreja, o que aconteceu por decreto do governo liberal em 1835.

Do que consegui pesquisar, o primeiro enterro no adro aconteceu em 2 de Agosto de 1833, por isso até antes da lei, de um José Jacinto, de 46 anos do lugar da Leira. Foi sepultado em frente da cruz que estava junto à porta-travessa do lado norte.

Apesar disso, posteriormente ainda encontrei alguns enterramentos dentro da igreja, especialmente de crianças, mas a partir de 1837 começaram a generalizar-se no adro, até porque as autoridades agiam sobre os párocos que não cumprissem as determinações legais.

Perante o incumprimento generalizado do decreto de 1835, uma vez que a população e o clero resistiam à mudança por motivos de tradição religiosa e estatuto social, o governo de António Bernardo da Costa Cabral reforçou a proibição com novas penalizações e regulamentos sanitários através da Lei de 28 de novembro de 1845.

Por conseguinte, em Guisande, os enterramentos no adro da igreja decorreram durante quase 70 anos. É pois, tal como o cemitério, solo sagrado.

21/05/2026

Genealogia - Dificuldades


Pesquisar assentos paroquiais (registos de baptismo, casamento e óbito) para a partir deles se estabelecer ligações familiares e as respectivas árvores genealógicas, é uma verdadeira viagem no tempo, mas quem se aventura na genealogia descobre rapidamente que os arquivos paroquiais portugueses podem ser um autêntico labirinto. Embora estes documentos sejam a espinha dorsal da história familiar antes da criação do Registo Civil (em 1911), a verdade é que os párocos da época não tinham a nossa preocupação actual com a padronização dos dados. São, pois, muitas as dificuldades que se apresnetam a quem tem interesse nestas coisas, como é o meu caso.

Caligrafia: 

Uma das barreiras mais imediatas é a paleografia (a leitura da caligrafia antiga) combinada com o hábito cultural de abreviar nomes. Para poupar papel (pergaminho nos primeiros tempos) e tinta, os párocos habitualmente usavam siglas e contracções que hoje nos parecem estranhas. Exemplos comuns: Antº (António), Mª (Maria),`Frco (Francisco), Manl (Manuel) ou Joam (João). E outros mais.

 A Ausência de Avós Paternos e Maternos:

Nos assentos de baptismo mais antigos (geralmente anteriores a meados do século XVIII), a estrutura do registo era muito mais simplificada. Era comum o pároco registar apenas o nome da criança, dos pais e dos padrinhos. Por vezes até só do pai ou da mãe.

Sem a menção aos avós paternos e maternos, perde-se a "ponte" de confirmação para a geração anterior. Se o pai da criança se chamar "João da Silva", e na mesma paróquia existirem três homens com o mesmo nome, torna-se quase impossível adivinhar qual deles é o progenitor correcto sem o nome dos avós para desempatar.

Nomes próprios sem apelidos (Sobrenomes):

Até ao século XIX, era perfeitamente normal que os registos de baptismo indicassem apenas o nome próprio da criança. Pode-se encontrar assentos que dizem, simplesmente:  Maria, filha de Manuel Gonçalves e de sua mulher Maria Vaz.

A criança crescia e, ao casar, adotava um apelido que nunca tinha sido escrito no seu baptismo. Descobrir se a "Maria" que casou em 1780 é a mesma "Maria" que nasceu em 1760 exige um cruzamento exaustivo de idades, nomes de pais e testemunhas e até intuição.


A barreira dos pais e avós incógnitos:

A realidade social da época reflecte-se cruelmente nos registos através das crianças "expostas" e "enjeitadas" (abandonadas na roda dos expostos) ou dos filhos de mães solteiras. Estas situações são muito recorrentes, sobretudo nos séculos XVII e XVIII mas ainda no século XIX e XX.

Geneticamente e documentalmente, a linha de investigação esbarra num muro intransponível. A árvore genealógica daquele ramo específico é forçada a parar ali, restando apenas a hipótese de seguir a linha dos pais adotivos ou focar-se no outro progenitor, quando conhecido ou recorrer a outras fontes que são raras e de difícil acesso e pesquisa.

A fluidez dos apelidos - ausência de linha directa:

Na regra actual e comum pelo séc. XX, os nomes têm uma estrutura em que os filhos recebem os apelidos do pais,  numa ordem mais ou menos fixa, com o apelido da mãe pelo meio e o do pai no final. Antigamente, porém, a escolha do apelido era de uma liberdade caótica. Uma única fratria (irmãos de mesmos pais) podia ter apelidos completamente diferentes. Mesmo com alguma ordem, os rapazes recebiam o apelido final do pai e as raparigas o da mãe. Ainda, um filho homem adoptava o apelido do avô paterno e uma filha mulher adoptava o apelido da avó materna ou mesmo o nome de uma santa de devoção. Era muito comum nas mulheres o apelidos de Jesus. Ainda casos em que um filho tomava o apelido do padrinho ou de um tio rico, por respeito ou esperança de herança.

O impacto: 

Esta falta de consistência quebra a lógica da transmissão familiar e exige que o genealogista comprove a irmandade de várias pessoas para garantir que pertencem à mesma família, em vez de confiar apenas no sobrenome.

Conclusão:

Perante todo este conjunto de dificuldades, há situações que se tornam impossíveis de descer no tempo e nas ramificações familiares. Mesmo nos documentos existentes, é necessária muita intuição e cruzamento de vários registos e com eles procurar harmonizar.

26/04/2026

Podia ser verdade... Olhares sonhados

 

Em tempos passados, as nossas juntas de freguesia, ali pela década de 1980 e seguinte, procuraram dar melhores condições a quem utilizava os lavadouros públicos, nomeadamente dotando alguns deles com coberturas. Apesar disso, fizeram-no sempre sem qualquer assomo de estética, preferindo uns mostrengos em betão ou umas miseráveis chapas, numa filosofia de gastar o menos possível. Foi assim nos lavadouros em Estôze, Casaldaça, Fornos e Cimo de Vila. 

Num mero exercício do que poderia ficar mais de acordo com uma estética rústica, ilustro aqui o lavadouro de Cimo de Vila, com a sua abundante fonte de água corrente. É certo que os tempos em que os meus olhos de criança ali viam as mulheres do lugar ocupando toda a pedra de lavar, numa tagarelice quotidiana, a esfregaram as roupas cardidas de quem trabalhava no campo ou nas obras. Sentia-se um cheiro a água fresca e sabão.

É certo que os tempos mudaram e são pontuais os casos em que alguém ainda utiliza os lavadouros mas, pelo valor patrimonial e de memória colectiva que representam deviam ser uma preocupação das juntas de freguesia na sua conservação. Um castelo também já não tem utilidade prática e apesar disso conserva-se. 

Pretender comparar um singelo lavadouro a um vetusto castelo pode não fazer sentido para muitos, mas deve fazer. Afinal, um castelo podia ser morada de um qualquer senhor feudal enquanto que um lavadouro é do povo, o que era explorado pelo fidalgo.

Podia ser verdade...

08/04/2026

O seu a seu dono

 


Os anos vão passando, o período da União de Freguesias (12 anos) foi penoso e negro, e com isso certas coisas vão também passando ao esquecimento. Ora se nos mais velhos isso é verdade, nos mais novos, por razões compreensíveis, a coisa ainda é mais grave.

Falo da velha questão de delimitação do território de Guisande com a freguesia de Caldas de S. Jorge na zona do lugar de Azevedo. De facto, aquando da urbanização daquela parte nascente do lugar, por meados da década de 1980, no mais elementar desrespeito pelos limites, um dos principais marcos de fronteira ali existente foi removido e não reposto, o qual existia aproximadamente no que é a actual esquina da Rua do Rancho Folclórico com a Rua das Escolas, onde existe uma represa do lado nascente da sede do rancho. Desse marco o limite ligaria ao marco mais a sul, aproximadamente no vértice de limite entre Guisande, Pigeiros e Caldas de S. Jorge. Alguns dos mais antigos e já falecidos, como o meu sogro, testemunharam a existência desse marco e quando para ali ía com o gado a pastar, era habitual enconstarem-se ou mesmo sentarem-se sobre o marco. 

De resto, faz todo o sentido que o limite seja rectilíneo desde o marco do lado norte. Como se pode ver pelo esquema gráfico acima, o limite conforme está definido tem um desenvolvimento quase em zigue-zag. Ora numa tão reduzida extensão, não á natural que assim seja nem nunca foi. Um traçado tão irregulat apenas é normal quando a divisão acompanha um curso de água, rio ou tibeiro. Neste contexto, memso o limite entre Guisande e Pigeiros, do lado sul, será pelo traçado do regato dos Corgos e não em linha recta como está definido.

Essa situação entre Guisande e Caldas, aquando da urbanização, foi reportada à então Junta de Freguesia por um morador do lugar de Azevedo, o Sr. Bernardo Pinheiro (já falecido), em consequência da então instalação de uma discoteca. Talvez exista na sede da Junta algum documento nesse sentido. Talvez....A Junta de Freguesia de então, que se saiba, de concreto pouco ou nada fez e a situação arrastou-se. 

Creio que já pela final da década de 1990 foi formada uma equipa com técnicos camarários e do Instituto Geográfico e Cadastral de modo a resolver-se o assunto de forma coordenada com as juntas de freguesia. Certo é que, não agradando o trabalho e a delimitação, apesar das evidências e mesmo em lhe ser favorável face ao limite original, e de se arranjar ali uma solução aos zigue-zagues para acomodar a situação aos arruamentos, certo é que o então presidente da Junta de Freguesia de Caldas de S. Jorge (falecido) não assinou o documento.

Significa isto que, no que considerou uma defesa dos interesses da sua freguesia (o que é legítimo) não reconheceu, contudo, uma evidência factual determinada pelos técnicos, naturalmente porque implicava reconhecer que uma parte substancial daquele território pertencia a Guisande.

Apesar disso, dessa recusa, e face às evidências fundamentadas pelos técnicos, oficialmente tem sido reconhecido como o limite oficial, o qual consta dos documentos cartográficos da Câmara Municipal e do Estado, mesmo que com nítido prejuízo para Guisande..

Apesar de uma perda efectiva de território face ao limite antigo definido por um marco removido de forma ilegal, uma boa parte do território continua a ser considerada, espertalhonamente, como daquela freguesia vizinha. Seria, pois, importante, que de forma conciliada e incluindo a Câmara, essa situação fosse reposta, quer no que diz respeito ao recenseamento eleitoral quer quanto às obrigações inerentes de toponímia, limpeza e obras naquele parte urbana.

O esquema acima mostra, com o quadriculado azul, a parte em questão e a magenta a parte que, de barato, se considera da freguesia de Caldas de S. Jorge, mas que conquistada ao arrepio da remoção criminosa do marco. Por conseguinte, se reclamar a área a magenta será um processo litigioso, demorado e eventualmente irresolúvel, pelo menos há o dever de regularizar administrativamente a parte reconhecida oficialmente, que objectivamenteé  território e prédios de Guisande.

Naturalmente que compete ás entidades, Junta de Freguesia e Câmara Municipal, trazer o seu a seu dono. Deixar passar ao esquecimento esta situação não é bom sinal e demonstra desmazelo pelo que é nosso. Pelo menos que não se peque por omissão ou inacção.

A freguesia das Caldas de S. Jorge foi sempre muito reactiva na defesa do que considera seu, nomeadamente na disputa do limite com a freguesia de Lobão, junto à fábrica Serafim Reis, e nessa questão não quero meter a colher, mas depois, ao contrário, esquece-se dos direitos legítimos das outras freguesias, nomeadamente nesta situação clara no lugar de Azevedo. Imaginando que o lugar continuaria a crescer para nascente, haveria de chegar o tempo em que reclamariam seu todo o território que viesse a ser ocupado, até ao lugar de Estôze. 

Importará, pois, digo eu, que se dê atenção a esta questão, sem atropelos, chico-espertismos ou desconsiderações, mas tão somente pela legalidade e reconhecimento do seu a seu dono.

29/10/2025

Cadernos da Memória 2 - Compasso da Páscoa e Juíz da Cruz


Continuando com a série de apontamentos designada de "Cadernos da Memória", um olhar sobre a tradição na nossa freguesia sobre o Compasso da Páscoa e Juíz da Cruz.

Fica aqui o link para o documento: 

https://tools2web.live/livros/livro4?=v1

27/10/2025

Sondagem Analfabetismo / 83


Em 1983 o jornal "O Mês de Guisande", de que fui fundador e redactor, realizou um trabalho então inovador na freguesia de Guisande, o de fazer uma sondagem sobre o analfabetismo, a que designou de Sondagem Analfabetismo / 83.

Com dedicação e muito trabalho de campo e depois do apuramento dos resultados, foi feito um retrato quase fiel dessa situação que então, há mais de 40 anos, era ainda significativa. Concerteza que não foi possível realizar o trabalho de forma exaustiva abrangendo todas as casas, famílias e pessoas, mas mesmo assim de forma representativa e mesmo significativa.

Inicialmente o trabalho visava apenas a questão do analfabetismo mas, aproveitando o trabalho de campo, foi mais além e alargado a outros temas que enriqueceram o projecto e ajudaram a traçar o retrato da freguesia. Foi, pois, um documento importante e hoje, à distância temporal de mais de quatro décadas, é já um elemento histórico.

O trabalho, apesar dos meios escassos então disponíveis, sem computadores ou outras ferramentas que hoje dispomos, foi publicado com quadros e gráficos,  na edição de Setembro de 1984.

Partilho aqui o link para esse livro digital", que faz parte da série "Cadernos da Memória".

Segue o link:

https://tools2web.live/livros/livro3

20/10/2025

Cadernos da Memória - 1 - Poder Local

 


Com tempo, pretendo ir publicando alguns apontamentos relacionados à nossa freguesia de Guisande, numa série a que chamo de “Cadernos da Memória”. Pretendem ser isso mesmo, retalhos da nossa memória comum, mais ou menos conhecidos, ou o contrário, conforme o tempo a que se reportam, mas com a finalidade de se tornarem presentes e preservados, de alguma forma, para o futuro.

Não se pretende que sejam apontamentos exaustivos nem há a pretensão de que sejam rigorosos, não porque o rigor seja dispensável mas porque, em muitos dos casos e temas abordados, são poucos ou mesmo inexistentes os documentos ou outros elementos que possam contribuir para uma mais substancial matéria e para o rigor que seria desejável.

Assim, o que aqui se produzirá, neste e futuros apontamentos, será o que for possível fazer no contexto dessa escassez de fontes, mas ainda assim como um contributo positivo e um subsídio para que no futuro possam ser retomados, melhorados e acrescentados.

O ficheiro pode ser acedido e lido a partir de um aplicativo online como se um livro. Espero que seja proveitoso.

[Fica aqui o link]





07/08/2025

Famílias de Guisande - E outros apontamentos

Partilho aqui o link de acesso a um conjunto de dados genealógicos de algumas famílias de Guisande e suas ramificações bem como outros apontamentos relacionados.

É um trabalho incompleto, eventualmente com algumas falhas e gralhas, por isso sujeito a constantes actualizações e acrescentos.

Não obstante, sem modéstia, e sendo apenas uma parte do muito que tenho pesquisado, é já um bom conjunto de dados que, aos interessados, pode dar um conhecimento das raízes de algumas das nossas famílias e suas derivações.

Sei que serão poucos os que terão interesse neste assunto, mas, mesmo assim, partilha-se. Há-de- sempre interessar a alguém.

Segue o link de acesso à página:

https://tools2web.live/genealogia



02/05/2025

Pedro Nuno dos Santos - Ascendência em Guisande


Confesso que não tenho documento que o confirme de forma segura, mas já tenho ouvido referências de que Pedro Nuno dos Santos, e das pesquisas que fiz, o actual secretário-geral do Partido Socialista, e candidato ao papel do próximo Primeiro Ministro, tem ascendência familiar paterna em Guisande.

Pedro Nuno de Oliveira Santos, nasceu em 13 de Abril de 1977. É filho de Américo Augusto dos Santos e de Maria Augusta Leite de Oliveira Santos.

O seu pai, Américo Augusto dos Santos será filho de Alberto Pinto dos Santos e de Rosária Augusta da Conceição, ambos naturais de Guisande a aqui casados. O avô sapateiro, que tem sido referido na comunicação social, como que a justificar a origem humilde da família do Pedro Nuno dos Santos, é o pai da sua mãe.

Alberto Pinto dos Santos, será então o avô paterno de Pedro Nuno dos Santos, e é filho de Jerónimo dos Santos e de Amélia Maria de Oliveira Pinto, esta, sobrinha materna do Cónego Dr. António Ferreira Pinto.

Entre outros, o Alberto é irmão do Américo Pinto dos Santos, que casou com a D. Maria Angelina, que ofereceram o terreno para o campo de futebol do Guisande F.C., ainda do Delfim Pinto dos Santos, pai do Marinho Ferreira Coelho e de Manuel Pinto dos Santos, que foi regedor em Guisande pelas décadas de 1950/1960. Era ainda irmã do Alberto Pinto dos Santos a Gracinda Amélia dos Santos, mãe da Maria Fernanda da Costa, esta esposa do Joaquim Correia de Paiva (Peita), moradores em Fornos - Guisande.

Alberto Pinto dos Santos, por Guisande tinha a alcunha de "Xará" e exerceu a profissão de camionista. O seu filho, Américo Augusto dos Santos, pai de Pedro Nuno dos Santos, é sócio da Tecmacal, de S. João da Madeira, uma empresa com estrutura accionista familiar e do ramo de maquinaria e equipamentos para a indústria de calçado. Esta empresa tem sido comprovadamente associada ao recebimento de avultados fundos europeus. Receberia mesmo que não tivesse um dos sócios a influência e peso político do filho? Não o podemos afirmar nem o seu contrário, mas sabemos que neste país quem tem poder e influência política, tem mais vantagens. Sempre assim foi e sempre assim será.

Este Américo Augusto dos Santos, pai do Pedro Nuno, em solteiro chegou a fazer parte de uma banda rock em S. João da Madeira e esteve ligado a um partido de extrema esquerda a Frente Eleitoral dos Comunistas Marxistas-Leninistas (FEC ML). Talvez daqui venha a costela política de Pedro Nuno Santos, indicado por muitos como da ala da esquerda mais radical do PS.

Sabe-se que, devido à posição industrial e social dos pais, o actual lider do partido Socialista já nasceu em berço de ouro e vivia como tal, sendo conhecido o caso de ter conduzido o carro de luxo do pai, um Mesarati, e foi proprietário de um Porche, que acabou por vender por supostamente tal imagem de viver à patrão não ajudar a sua carreira política, nomeadamente pela contradição aos valores de esquerda que apregoava. Aliás, nesta contradição, mesmo defendendo a Escola Pública, o líder do Partido Socialista tem o filho numa boa escola privada.

Em resumo, sem moralismos ou julgamentos de valor, mas apenas num sentido geral, os nossos políticos, da esquerda à direita, nem sempre têm vidas simples e modestasm condizentes com os valores que dizem defender. São, por isso, muitas as contradições dos nossos políticos. Pedro Nuno dos Santos é apenas um entre muitos.

O seu perfil político e ideológico, bem como o seu estilo pró radical, não me fazem, de todo, seu seguidor e simpatizante político, mas também aqui pouco importa. A razão deste apontamento é mesmo o dar a conhecer essa tal ligação de ascendência familiar em Guisande., que, acredito, será do desconhecimento da larga maioria dos guisandenses e, quiçá, até mesmo de alguns dos familiares desse ramo genealógico.

10/04/2025

Dinamização cultural e...política

DINAMIZAÇÃO CULTURA...E POLÍTICA - O POVO UNIDO JAMAIS SERÁ VENCIDO!!! (MAS TEM SIDO SEMPRE)

Num recorte de jornal de 5 de Abril de 1975, dava-se conta de uma sessão de Dinamização Cultural Promovida pelo Movimento das Forças Armadas, no Salão Paroquial de Guisande, em 22 de Março desse ano e no dia seguinte, 23, realizou.-se uma sessão de esclarecimento pelo MDP/CDE.

Diz-nos a notícia que ambos os eventos decorreram com boa assistência, com educação e ordem. Recordo-me de estar presente mas, como criança mais curiosa que interessada, retive poucos pormenores, para além algumas intervenções inflamadas de jovens com bigodaças, golas altas e calças à boca de sino, e de vivas ao povo e às forças armadas como então era corrente. De cultura propriamente dita, de nada me recordo, apenas política.

CONTEXTO:

Após a Revolução de 25 de Abril de 1974, foram concebidos diversos programas, tanto públicos como privados, com o objetivo de promover a melhoria das condições sociais, económicas e culturais da população portuguesa. Entre essas iniciativas destacavam-se o Serviço Cívico Estudantil, as Campanhas de Alfabetização, a Educação Sanitária, o Serviço Ambulatório de Apoio Local (SAAL), o Serviço Médico à Periferia e as ações da Pró-UNEP no domínio da alfabetização.

Neste mesmo contexto inseriam-se as Campanhas de Dinamização Cultural e Acção Cívica, levadas a cabo pelo Movimento das Forças Armadas (MFA). Assumindo o papel de agente libertador de uma sociedade submetida a quase cinco décadas de ditadura, o MFA, em articulação com a Direção-Geral da Cultura Popular e Espectáculos, impulsionou estas campanhas com o intuito de divulgar e explicar os princípios do seu programa revolucionário – considerando-se que: «era preciso explicar ao povo português o programa do MFA».

Acreditava-se que, através destas ações de dinamização cultural, seria possível dar resposta às carências das comunidades locais e, ao mesmo tempo, fomentar a sua participação activa no processo revolucionário. Pretendia-se ainda transformar a percepção das Forças Armadas, tradicionalmente associadas ao aparelho repressivo do Estado Novo, promovendo uma nova relação de proximidade e confiança com a população. Claro está que, em rigor nada disso se concretizou nesse período revolucionário e só depois de consolidade a democracia e da adesão à UNião Europeia, é que as coisas foram evoluindo mas ainda hoje, passados 50 anos, com muito por cumprir e com o país a viver sempre acima das suas possibilidades, com uma enorme dívida pública. Não temos tido políticos nem políticas à altura.

QUANTO AO MDP/CDE:


O Movimento Democrático Português / Comissão Democrática Eleitoral (MDP/CDE) destacou-se como uma das principais forças da Oposição Democrática ao regime do Estado Novo em Portugal, antes da Revolução de 25 de Abril de 1974. Criado em 1969, operava através de comissões democráticas eleitorais, com o objetivo de intervir nas eleições legislativas e afirmar uma alternativa política ao regime.

Em 1973, marcou presença no Congresso Democrático de Aveiro, um acontecimento simbólico e decisivo na resistência à ditadura.

Com a queda do regime, o MDP evoluiu para partido político e participou em todos os Governos Provisórios, à exceção do VI. Concorrendo de forma autónoma à Assembleia Constituinte de 1975, viria posteriormente a integrar, a partir de 1976, a coligação Aliança Povo Unido (APU), juntamente com o Partido Comunista Português (PCP).

A cisão com o PCP em 1986 motivou a saída do MDP da Coligação Democrática Unitária (CDU) e a apresentação de listas próprias nas legislativas de 1987. Foi nesse contexto que um grupo de militantes dissidentes fundou a Intervenção Democrática (ID), que permanece até hoje como membro da CDU, ao lado do PCP e do Partido Ecologista “Os Verdes” (PEV).

Finalmente, em 1994, o MDP uniu-se ao colectivo responsável pela revista Manifesto, dando origem ao movimento Política XXI, uma das forças fundadoras do Bloco de Esquerda.

Em resumo, as campanhas de dinamização cultural, que se iniciaram em outubro de 1974 e se estenderam até 1976, tinham como objectivos estratégicos promover o programa do MFA, informar as populações sobre a importância do voto como acto cívico e dar visibilidade nacional ao 25 de Abril. Ao longo desse período, foram realizadas mais de 2.000 ações de dinamização cultural e de intervenção cívica.

Em rigor estes eventos em Guisande, como um pouco por todo o país, eram essencialmente eventos de cariz político e mesmo doutrinário, e por esse tempo este movimento MDP/CDE, porque com alguns simpatizantes na freguesia, teve alguma acção ao nível da propaganda, com uma certa actividade, nomeadamente na distribuição de panfletos, pinturas nas estradas e muros.

Passado algum fulgor desses primeiros tempos pós revolução, o movimento perdeu gás e acabou mesmo por se extinguir derivando para o que veio a ser o BE-Bloco de Esquerda.

Vários desses elementos de Guisande mantiveram-se como de esquerda mas na generalidade derivando para uma esquerda menos radical, nomeadamente para o PS - Partido Socialista. Alguns, mais ferrenhos, mantiveram a ligação ao Partido Comunista, mas, como o provam os resultados, sem qualquer expressão eleitoral ou social e os votos nunca passaram de meia dúzia.

Em todo o caso, é com saudade que pessoalmente recordo esses tempos pós revolução embora vistos com os olhos de criança.


18/10/2024

Festa do Viso - Resumo de contas de 1979 a 1992


Infelizmente nem sempre se guardaram os documentos de apresentação de contas da nossa Festa do Viso. Insensibilidade, descuido, pouco sentido de arquivista, certo é que da maior parte das festas não há documentos guardados que informem o quanto se obteve como receita e quanto se gastou. 

Apesar disso, a partir de velhos papéis, ainda consegui apontamentos de alguns anos, no caso de 1979 a 1992. Acredito que alguns elementos das várias comissões de festas até ficaram com cópias, mas também acredito que a maioria já não tem qualquer ideia ou documento. De resto como acomteceu com os diferentes cartazes em que, regra geral, ninguém ficou com um ou outro exemplar para arquivo e memória futura. Tal deveria ser uma prática de ano para ano, mas não. Somos uns pobres!

Ano de 1979

Receitas:130.247$00

Despesas: 125.921$00

Saldo positivo: 12.826$00


Ano de 1980

Receitas:192.568$00

Despesas: 161.482$00

Saldo positivo: 31.086$00


Ano de 1981

Receitas:217.347$00

Despesas: 217.340$00

Sem saldo


Ano de 1982

Receitas:303.427$00

Despesas: 302.043$00

Saldo positivo: 1.384$00


Ano de 1983

Receitas:268.951$00

Despesas: 267.281$00

Saldo positivo: 1.670$00


Ano de 1984

Receitas:344.759$00

Despesas: 330.848$00

Saldo positivo: 13.910$00


Ano de 1985

Receitas:452.910$00

Despesas: 409.000$00

Saldo positivo: 43.910$00


Ano de 1986

Receitas:553.630$00

Despesas: 553.895$00

Saldo negativo: 265$00


Ano de 1987

Receitas:655.186$00

Despesas: 572.319$00

Saldo positivo: 83.367$00


Ano de 1988

Receitas: 869.682$00

Despesas: 872.532$00

Saldo negativo: 2.850$00


Ano de 1989

Receitas: 904.549$00

Despesas: 930.297$00

Saldo negativo: 25.748$00


Ano de 1990

Receitas: 1.240.000$00

Despesas: 1.300.00$00

Saldo negativo: 60.000$00


Ano de 1991

Receitas: 1.310.884$00

Despesas: 1.246.819$00

Saldo positivo: 64.065$00


Ano de 1992

Receitas: 1.374.379$00

Despesas: 1.211.449$00

Saldo positivo: 162.930$00


05/07/2024

D. Laurinda da Conceição - A LIAM e outros apontamentos

 


Laurinda Gomes da Conceição, segunda filha de nome, que nasceu a 13 de Agosto de 1933 e faleceu em 5 de Setembro de 2016.

Era filha de Justino da Conceição Azevedo e Rosa Gomes de Almeida.

Este Justino nasceu a 15 de Fevereiro de 1898 e faleceu em 31 de Dezembro de 1945.Tinha, pois, a Laurinda 12 anos quando faleceu o pai.

A Laurinda teve vários irmãos, nomeadamente:

David Azevedo da Conceição, que nasceu em 27 de Março de 1921 e que casou em 12 de Outubro de 1941, com Maria da Conceição Francisca da Costa;

Maria Gomes da Conceição, que nasceu a 12 de Agosto de 1924. casou em 14 de Maio de 1955 com Joaquim Príamo Monteiro;

Laurinda Gomes da Conceição, primeira de nome, que nasceu a 17 de Janeiro de 1929. Faleceu menor em 25 de Maio de 1930.

António Azevedo da Conceição, nascido em 23 de Novembro de 1931 e falecido em 1 de Julho de 2017. casou em 1 de Setembro de 1963 com Idalina Rosa de Pinho;

Maria Rosa Gomes da Conceição, nascida a 25 de Setembro de 1939, ainda viva à data em que escrevo. Casou com 22 de Agosto de 1964 com António Ferreira da Costa.Está ainda viva.

Toda esta gente eram meus parentes por parte do ramo de minha mãe já que a sua avó, por isso minha bisavó, Margarida da Conceição, era filha de António Caetano de Azevedo, carpinteiro de profissão, e de Maria Gomes da Conceição, costureira, moradores no lugar das Quintães, que por sua vez também eram pais do Justino da Conceição Azevedo, que por sua vez era o pai da D. Laurinda. Logo o pai de D. Laurinda era irmão da minha bisavó materna.


Na imagem acima, vemos o simples monumento dedicado ao Imaculado Coração de Maria, localizado ao fundo do Monte do Viso, obra levada a cabo pelo núcleo da LIAM - Liga Intensificadora da Acção Missionária e sobretudo pela sua então presidente ou orientadora, a D. Laurinda Gomes da Conceição.

O monumento teve o seu início no ano de 2002 e terminou por 2003. A obra contou com ofertas de muitas pessoas, em dinheiro e materiais e com apuramento de várias iniciativas da LIAM.

A D. Laurinda, como ficou dito, faleceu em 5 de Setembro de 2016. Durante vários anos foi presidente/orientadora do grupo da LIAM, cargo que em Maio de 2004 transmitiu à Lurdes Lopes. Foi desde nova uma figura dedicada às causas dos missionários do Espírito Santo e por isso a sua ligação à LIAM foi sempre de muito empenho e com grande sentido de missão.

Pessoalmente, por volta de 2001, tive a oportunidade de pertencer ao grupo, e durante vários anos, e em muitas vezes e circunstâncias pediu-me colaboração a D. Laurinda, nomeadamente quando se propôs a construir este simples mas interessante monumento. Para o efeito realizei o levantamento topográfico do monte e do local onde se implantou, com a devida autorização da Junta de Freguesia, e esbocei o projecto.

Em rigor, por alguma simplificação e por poupança de custos, acabaram por ser modificadas algumas ideias da projecto original, nomeadamente a inclusão na parte de trás de um semi-círculo com função de banco de descanso e de oração. Previa também um pouco mais de elevação da plataforma de modo a que na frente fossem mais os degraus e se garantisse uma simetria na forma. 

A adaptação não foi do meu agrado, mas quando dela dei conta, porque já consumada, não fiz disso uma questão. É certo que teria sido mais interessante respeitar a forma pensada e projectada, mas foi o que foi e num sentido geral respeitaram-se algumas coisas. Todavia, é velho o hábito dos construtores fazerem tábua rasa dos projectos e fazerem as coisas à sua maneira.

Para além de outras actividades, e recordo-me dos seus passeios convívio, a passagem de ano do milénio, de 1999 para 2000, e ainda a publicação do boletim mensal "Janela Aberta", que mais tarde, no tempo do Pe. Arnaldo Farinha, seria retomado como boletim dominical da paróquia.

Há alguns anos, antes de falecer, a D. Laurinda entregou-me um molho de papéis vários, inlcuindo alguns resumos da sua actividade na LIAM bem como as contas tidas com a construção do monumento, escritas pela sua mão, com vários erros, como humildemente reconhecia, mas que mesmo sem um grande rigor nos dá uma ideia dos respectivos custos e origens das receitas. Considero-os elementos já com algum interesse documental, pelo que partilho aqui.



Num sentido geral fica-mos a perceber que houve contributos provenientes de peditórios feitos na maior parte dos lugares da freguesia, ainda ofertas da maior parte dos materiais, como pedra e cimento, ainda tijoleira e granito, bem como de carretos e mão-de-obra tanto de pedreiro como de trolha.

O elemento principal do monumento, a imagem do Sagrado Coração de Maria custou 1.752,00 euros. A imagem e o monumento tiveram a sua benção pelo Pe. Domingos Moreira, sendo que que não obtive a dat certa mas naturalmente terá sido em 2003. 

Entre vários nomes mencionados nesta campanha do monumento, é salientado o empenho do saudoso José Coelho que em muito ajudou a obra e a D. Laurinda nas suas acções.

A todos estes nomes, embora de forma anónima, a D. Laurinda quis deixar uma nota, com a inscrição alusiva à autoria da obra, com a designação de "LIAM e BENFEITORES - 2003".





Nesse molho de papéis que me deixou a D. Laurinda, partilho um recorte onde justifica a entrega dos mesmos, chamando-lhe "testamento", pedindo-me para aproveitar alguma coisa para "recordação" ou então, "para deitar fora". É claro que não deitei fora como, pelo contrário, guardei e guardo com todo o respeito e consideração. Para muitos é um simples papel com uma escrita com vários erros mas para mim, e para o historial da LIAM, tem muito valor e mais terá com o passar dos anos.
Parece que foi há meia dúzia deles mas na realidade passaram já mais de vinte anos..

Por tudo isto, por este legado, mas por toda a dedicação que a D. Laurinda Gomes da Conceição teve para com a LIAM e para com a nossa paróquia, é de justiça que se lhe faça esta referência e memória e se evoque a sua figura.
Dos fracos não reza a História mas dos que temos como bons, e não são muitos, importa tê-los vivos nas nossas melhores memórias. 

Por tudo, obrigado à D. Laurinda, uma senhora, e que Deus a tenha à sua sombra bem como Maria, a tenha também como filha querida que à sua devoção tanto dedicou.



A seguir, a partilha de alguns elementos do projecto e levantamento topográfico, que naturalmente fiz sem qualquer custo, apenas por vontade e gosto..




Abaixo, imagens do boletim "Janela Aberta" que a LIAM publicou a partir de Janeiro de 2001, ano jubilar, e que durou alguns anos. A distribuição era gratuita mas aberta à oferta do que os leitores quisessem dar.
Como atrás ficou dito, mais tarde, no tempo do Pe. Arnaldo Farinha, o título foi aproveitado para o boletim dominical que com a minha colaboração (redacção, grafismo e impressão) se manteve durante alguns anos.