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12 de abril de 2021

Censos 2021

Começaram já os procedimentos com vista à realização dos Censos 2021, o inquérito nacional que de 10 em 10 anos procura saber e caracterizar quanto são os portugueses bem como quantificar e caracterizar o parque habitacional.

Em rigor e tecnicamente, “Censos” corresponde à designação abreviada das operações estatísticas do Recenseamento Geral da População e do Recenseamento Geral da Habitação e constituem o grande referencial de informação estatística para a caracterização sócio-demográfica da população e do parque habitacional em Portugal

O INE - Instituo Nacional de Estatística, é a entidade responsável pela sua preparação e realização e conta com a colaboração do Serviço Regional de Estatística dos Açores, da Direção Regional de Estatística da Madeira, das Câmaras Municipais e das Juntas de Freguesia.

Os inquéritos realizados pelo INE, abordam temas específicos como o emprego, a saúde, a educação ou a utilização das tecnologias de informação, sendo dirigidos apenas a amostras da população (prévia e metodologicamente selecionadas). 

Por outro lado, os Censos são exaustivos e extensíveis a todo o território nacional, permitindo recolher um leque de informação fundamental para o conhecimento e gestão do país (como demografia, educação, habitação e transportes). Os Censos 2021 são a oportunidade de fazer parte duma fotografia de conjunto do país, contabilizando e caracterizando a sua população residente e o seu parque habitacional num determinado momento – o momento censitário, definido como o dia 19 de abril de 2021.

Em cada habitação está a ser distribuído um envelope que contem dados de acesso à plataforma online em que será possível a partir do dia 19 de Abril corrente responder às diferentes questões. Em caso de dificuldade os moradores poderão deslocar-se à Junta de Freguesia.

25 de março de 2020

Indignações e indignidades

Indignamo-nos, todos, de casos "maregas", porque na essência está a premissa de sermos todos iguais, nos deveres e direitos, independentemente de raça, cor, credo, ideologias, etc. Mas depois, confrontados com o actual drama da pandemia Covid-19 à escala global, esses direitos, essas igualdades, parecem ir por água abaixo quando o critério para o auxílio e cuidados médicos, é, afinal, o critério da selecção natural, dando-se primazia do mais novo em detrimento do mais velho, do mais forte em desfavor do mais fraco. 

Não importa que um homem ou mulher de 65 anos, ou mais, tenham contribuído para o país e para o Estado, durante 40 ou 50 anos, começando a trabalhar ainda em criança, suportando dificuldades, ajudando a ultrapassar crises e desmandos de governantes, sem nada receber em troca, sem um único dia de baixa médica, sem uma despesa na faculdade, na formação académica ou profissional, ou no hospital. Na hora da verdade esse mesmo país, esse mesmo Estado, não lhe garantem uma cama, um ventilador. É triste e mesmo dramático, mas já é a verdade pura e dura em Itália, também aqui ao lado na Espanha e, oxalá que não, mas virá a sê-lo em Portugal. Uma espécie de eutanásia imposta.

Pelo menos que a hipocrisia de quem nos governa deixe cair a máscara e por mais dura que seja a realidade, saibamos quais as regras do jogo e com o que podemos contar numa sociedade de coisinhas politicamente correctas, muito "frasquinho de cheiro", polvilhada de susceptibilidades, mas que na hora do "mata-mata" revela que afinal, somos todos iguais, brancos ou pretos, mas diferentes e segregados no critério da puta-da-idade e das probabilidades de vida. Afinal pouco nos distingue da selva.

20 de março de 2020

Muitas cigarras e poucas formigas


Sem pretender fazer juízos errados e injustos, e por isso sem generalizar, mas apenas como uma reflexão, percebe-se que é em tempos de dificuldades e crises, como a que extraordinariamente vivemos, que vêm ao de cima os erros e más políticas, nomeadamente na gestão de muitas empresas e mesmo no plano familiar.

Veja-se, de modo particular, o sector do turismo, como hotelaria, alojamento local e muito do tecido da restauração: É sabido que nos últimos anos tem gozado de um crescimento muito positivo, quase exponencial, com casas e espaços constantemente cheios, quintas de eventos com marcações em lista de espera, e desse cenário idílico resultou um "boom" de oferta de alojamento, nomeadamente em cidades com peso histórico, como no Porto e Lisboa, mas um pouco por todo o lado, mesmo na nossa vizinhança. Qualquer pardieiro, mesmo que incaracterístico, era vendido como se um palácio fosse. Anda bem, porque muitos e muitos encontraram ali mais do que um complemento de rendimento. A onda era alta e todos aproveitavam.

Mesmo a folga para irmos de férias para o exterior era muita e veja-se os milhares apanhados um pouco por todo o mundo com este encerrar de portas global. Nas agências de viagens os balcões estavam sempre cheios, com gente a marcar, a marcar, a marcar. Gastar, gastar, gastar!

Enfim, muita gente e muitas empresas ganharam muito dinheiro. Mas agora que estamos a lidar com algo inesperado que está a afectar toda a economia e de modo particular o sector do turismo, é vê-los, empresários e empresas já aflitos a reclamarem rápidos apoios do Estado, aparentemente mostrando-se incapazes de suportar pelo menos um, dois ou três meses de inactividade.

De tudo isto, resulta que na generalidade tanto particulares como muitas empresas não têm sabido lidar com o tempo de vacas mais gordas a ponto de não serem capazes de acumular bases e economias que possam ser usadas em tempo de crise, como lastro em barco em mar agitado. Pelo contrário, é vida boa, à grande e à francesa e as "cigarras" da nossa sociedade gostam é do "dolce far niente". Ninguém gosta de ser formiga, pois não.

Infelizmente é o que temos e não me parece que esta mentalidade de gozar à tripa farra venha a mudar depois de alguma bonança da actual tempestade. Mas a oportunidade é de ouro para rever prioridades e valores.

15 de março de 2020

O amanhã...


Concerteza que se há-de ultrapassar esta situação, mesmo que ainda com consequências imprevisíveis.

Mas depois dos escombros, será importante que se aproveitem as lições, os ensinamentos. Desde logo ao nível do sistema de Saúde, na preparação e num estado de permanente alerta e prontidão, de stock de produtos, acessórios e equipamentos bem como valorizar todos os profissionais.

Depois que as pessoas aprendam a valorizar ainda mais as questões de saúde pública, todos os procedimentos de limpeza, tanto na nossa casa, em contexto privado ou público.

Mesmo, sobretudo para a China, que tire lições de uma absurda cultura alimentar em que se come tudo o que mexe, num comércio sem mínimas condições de higiene e controle sanitários, com contacto permanente com a vida selvagem com todos os perigos de contágio decorrentes. A revolução moderna desta grande nação também deveria passar por aí, pela mudança de cultura da higiene e da alimentação segura..

Em suma, há tanto e tanto para aprender para que depois de mitigada a crise a sociedade e humanidade em geral saia mais forte e mais preparada mesmo que tenha, e terá seguramente, mais custos.

Por ora, para além das medidas que são vão tomando em Portugal e na Europa, mesmo em todo o mundo, surpreende-me que por cima do meu quintal continuem a sobrevoar a cada minuto aviões, trazendo gente que aterra sem qualquer controlo. Nestas coisas tende a haver sempre paradoxos e Portugal é fértil neles. Não bastou tomar medidas de encerramento de escolas e outros estabelecimentos com pelo menos duas semanas de atraso, nem desvalorizar nos hospitais situações que indiciavam perigo de propagação, deixando gente livremente, para ainda se continuar de fronteiras terrestres e aéreas abertas. 

Até quando se vai continuar a facilitar?

13 de março de 2020

Reiteradamente às aranhas...


Pouco ou nada há a dizer mais sobre este filho da globalização a que chamam de Covid-19 ou Corona Vírus e que ameaça parar literalmente uma grande parte das nações, Portugal incluído.

Em todo o caso, pelo que se tem lido e ouvido de fiável por estes dias, e mesmo agora pelo que se conclui da introdução do programa "Sexta às 9", que irá passar mais logo na RTP, percebe-se que mesmo perante a inevitabilidade da propagação global, no nosso caso houve falta de bom senso e irresponsabilidade de quem leviana ou despreocupadamente foi de férias de Carnaval ou em viagens de negócios para Itália, já quando as notícias davam conta de ser um país com problemas sérios na propagação.

Por outro lado, tal como o recentemente falado caso da jovem diagnosticada com simples gripe no nosso Hospital de S. Sebastião, por várias idas à urgência, comprova-se que os serviços médicos reiteradamente desvalorizaram situações que no mínimo mereciam tratamento e análise. Não surpreende que esses casos desvalorizados tenham permitiram que os vários infectados, nomeadamente de Felgueiras, levassem a sua vida social com normalidade quase durante quinze dias, tornando-se até ao momento as principais fontes de casos no norte e que tendem a aumentar progressivamente. De quem é a responsabilidade? Dos serviços, das pessoas?

Em resumo, mesmo com o aparelho de Estado a papagaiar desde o início de que estávamos preparados, a verdade é que cedo se demonstrou que não, e mesmo com o problema ainda longe de ser mitigado, já não há capacidade de resposta e o serviço Linha 24 é disso exemplo.

Não tarda que, infelizmente, estejamos mergulhados num salve-se quem puder e cada um entregue a si próprio, quase à semelhança da peste negra na Idade Média. 

Neste aspecto, sempre que surgem estas tragédias vêm ao de cima as incapacidades e incompetências de quem nos vai governando.

Mas oxalá que toda esta reflexão não passe de um exagero e que a malta ache por bem aproveitar o fecho das escolas e universidades para dar um saltinho à praia..






6 de março de 2020

Nem tudo é a cores...

Admitindo e correndo o risco de algum exagero, pelo que vou lendo, vendo e ouvindo das notícias sobre os casos confirmados e suspeitos em Portugal do Covid-19,  parece-me que em algumas das situações houve um correr de risco desnecessário com pessoas a viajar para Itália, quando já se sabia que era uma zona de risco. Ora em férias, ora em trabalho, certo é que quase todos os casos remetem para o relacionamento de estadia nesse país.

Em todo o caso, para os apologistas da plena globalização, do que ela tem de melhor e positivo, e tem, importa também ter em conta o outro lado da moeda e que esta situação da propagação do Covid-19 é apenas um dos efeitos negativos. E não é de menor importância porque é a saúde pública global que está em causa.

As situações ocorridas nos últimos anos dizem-nos que este é apenas um episódio mas virão mais no futuro e cujas repercussões em concreto não podemos determinar, apenas suspeitar, até mesmo num contexto de terrorismo. Espalhar meia dúzias de kamikazes infectados com algo desconhecido no meio de uma multidão poderá ser mais eficaz que muitas bombas e atentados. O resto, fica por conta da globalização.

Mas isto sou eu a exagerar...

4 de julho de 2019

E falam no aquecimento global...


O mês de Junho de 2019 foi o 13º mais frio desde 1931 e o mais frio desde 2000. O valor médio da temperatura média do ar, 18.19 °C, foi inferior ao normal com um desvio de -1.23°C. O valor médio da temperatura mínima do ar, 11.66°C, foi 1.84°C inferior ao valor normal, sendo ao 4º valor mais baixo desde 1931 (mais baixo em 1972, 10.89 °C). O valor médio da temperatura máxima do ar, 24.73°C, foi 0.63°C inferior ao valor normal, sendo o 2º valor mais baixo desde 2000 (mais baixo em 2007). Valores da temperatura máxima, neste período, inferiores aos registados ocorreram em cerca de 30% dos anos, desde 1931.

[fonte: IPMA]

20 de maio de 2019

Banana Joe e outras semi breves

Tenho cá para mim que as audições em sede de Comissões Parlamentares, sobretudo as que procuraram ouvir figuras do mundo empresarial e bancário, só têm servido para os inquiridos fazerem de parvos os portugueses, em geral, e os deputados, em particular. Figuras e posturas como as do recente Joe Berardo, com estatuto de Comendador, são um retrato fiel desse gozo, desse ar de intocabilidade. Ora o gozo e a risada de escárnio ora a perda de memória e outras amnésias fazem deles figuras tristas e cómico-dramáticas.
Deste modo, esta gente não tem emenda nem tem quem os emende e por isso, nada podendo fazer o português comum para mudar este estado de coisas, mesmo que a Catarina Martins diga que o meu voto vale tanto quanto o do patrão da Jerónimo Martins, resta-me aplicar a velha máxima de que "lavar a cabeça a burros dá trabalho e  gasta sabão." Mas fazia falta um verdeiro Joe, o Banana, distribuir por essa gentinha umas valentes coças. Infelizmente, Bud Spencer já não não faz filmes nem já anda por cá para os pôr na linha.


O Benfica lá conquistou o 37º título do nosso futebol maior. Reconheço que com algum esporádico benefício de erros de arbitragem, de resto como é costume acontecer para os chamados "grandes", e deles também  beneficiou em muito o F.C. do Porto ao longo desta época, o campeonato ficou decidido pelo facto do F.C. do Porto não ter conseguido impor-se ao Benfica nos jogos entre si. Tivesse vencido no jogo caseiro a poucas jornadas do final da competição e a equipa azul-branca teria ganho distância pontual e anímica mais que suficiente para conquistar folgadamente o bi-campeonato. Não o tendo feito nem sido capaz, por mais que procure agora desvalorizar o mérito do Benfica, como naquela história da raposa para com as uvas que não conseguiu comer, e como é apanágio da casa, não se livra desse ónus. Ficava-lhe bem  reconhecer a sua culpa e incapacidade.
Para além de tudo, mais que um novo título, a reconquista do Benfica tem uma importância acrescida num ano em que supostamente, por uma "santa aliança" entre F.C. do Porto e Sporting, foi despoletado um vendaval de suspeitas, de divulgação criminosa de correspondência privada, alegadamente contendo esquemas de favorecimento e controlo da arbitragem, com os chamados casos dos "emails" e "toupeiras". Afinal de contas, parece que mesmo tendo sido posta a nú toda a "marosca", dizem, independentemente do que os processos em sede judicial possam vir a revelar, os efeitos das "santa aliança" parecem, para já, ter sido um tiro no pé, ou até mesmo saído pela culatra.
Mas, como é um capítulo ainda em aberto, a ver vamos.


A propósito da conquista de mais um título de futebol pelo Benfica, o nosso presidente da república, Prof. Marcelo Rebelo de Sousa, endereçou os parabéns ao clube mas fê-lo justificando-se por também, em iguais circunstância o ter já feito aos outros clubes no passado.
Seria necessária esta justificação? Teve medo de quê ou de quem? Não quis ofender algumas virgens ou ferir susceptibilidades, destas que desencadeiam ondas de choque nas redes sociais?
Não gostei desta falta de pragmatismo do nosso presidente e o problema é que tem acontecido com mais frequência. Por vezes é preferível pragmatismo ao populismo.


Para o próximo Domingo, 26 de Maio, parece que há eleições para o parlamento Europeu. Dizem, os políticos, que são importantes. Sendo que cada um lhe dá a importância que quer, ao acto, por mim dou pouca ou de forma muito relativa, porque todos os actores candidatos às boas benesses de um assento confortável em Estrasburgo, da esquerda à direita, me parecem fraquinhos e todos falam como se cada um por si possa mudar os destinos da velha Europa, perigosamente escancarada e de cócoras. 
Pelo que vou vendo, os principais candidatos falam, falam, mas no fundo falam todos no sentido de que a Europa deva continuar escancarada e de cócoras, aberta à penetração fácil de culturas e fundamentalismos que não se enraízam, antes parasitam. A velha máxima de que "à terra onde fores ter faz como vires fazer" já não tem aplicação nesta Europa demasiado vulnerável,  até mesmo, num certo sentido, prostituída.

6 de maio de 2019

Desgraças engraçadas

A politica é engraçada e os políticos, porque seus protagonistas, engraçados. Alguns até malabaristas. Por exemplo, agora com este recente caso da ameaça de auto-demissão do Governo, a propósito do assunto do descongelamento das carreiras dos professores. O primeiro-ministro António Costa, na sequência da posição dos demais partidos na Assembleia sobre o assunto, disse à imprensa “Entendi ser meu dever de lealdade institucional informar o Presidente da República e Presidente da Assembleia da República que a aprovação final global desta iniciativa parlamentar, forçará o Governo a apresentar a sua demissão”, disse António Costa, em conferência de imprensa.

Confesso que para além do que entretanto fui vendo, lendo e ouvido, e das razões ou não razões das partes, e nem creio que a classe dos professores tenha mais razões que todos os demais portugueses e como tal direito a tratamento diferenciado, parece-me uma fraca peça teatral levada à cena pelo Governo e António Costa e, desde logo, porque em devido tempo usou e justificou a legitimidade da maioria parlamentar para formar um Governo mesmo não tendo vencido as eleições e agora parece fazer um drama pela "ilegitimidade" de uma posição que decorre, ela também, de uma maioria parlamentar.

Pela análise pessoal, percebendo que em Outubro próximo o PS não obterá a maioria, e que a "coligação" ou apoio de esquerda não terá pernas para andar num próximo Governo, nomeadamente porque o Bloco de Esquerda e o PCP a partir de agora, e ultrapassada a questão do Orçamento, e até às eleições querem o devido distanciamento e definir territórios próprios, António Costa considera que será preferível um "golpe de teatro" com a adequada dramatização que levando mesmo a eleições antecipadas pode colher frutos mais saborosos bem como no imediato para as eleições europeias, já que os indicadores e os "especialistas" vão prognosticando que a sua campanha não está a correr bem, de resto o que se percebe com um cabeça-de-lista "fraquinho".

Mas é ver no que vai dar, principalmente agora que os principais acusados pelo Governo, o CDS e o PSD têm vindo a público clarificar e "desmistificar" os contornos e condições do apoio ao tal descongelamento das carreiras dos profs, parecendo, pelo que dizem, menos "dramático", pelo menos a ponto de justificar a encenação do "drama" e da ameaça de demissão.

A ver vamos, mas a política e os políticos são engraçados.

2 de maio de 2019

Ad perputuam

As estatísticas dizem que por ano em Portugal morrem em média 12 pessoas diariamente de enfarte do miocárdio. Por conseguinte, os números de ataques serão substancialmente superiores já que, felizmente, a maioria dos casos, por rápida intervenção médica, consegue ser resolvida e menorizada nas suas consequências fatais. 

Apesar disso, a comunicação social vai abordando destas coisas de forma marginal e normalmente apenas em números, até porque estas situações não escolhem idades, nem profissões, nem estatutos sociais. 
Mas quando uma dessas pessoas, apenas mais uma vítima desse problema de saúde, se chama Iker Casillas e é um famoso guarda-redes de futebol, do F.C. do Porto mas que foi do Real Madrid e da selecção espanhola, então temos tudo quanto é comunicação social, do país, de Espanha e do resto do mundo, a trazer o Iker Casillas às primeiras páginas.

Isto não é mau, se de algum modo contribuir para uma maior consciencialização deste problema de saúde que afecta diariamente muitas pessoas, até porque se aproveita a ocasião para melhor se explicar os contornos do acidente cardíaco e dos seus sintomas que podem concorrer para uma rápida e eficiente ajuda médica, mas por outro lado demonstra que a nossa sociedade continua a orbitar em torno dos famosos, ricos e importantes. Os demais, a larguíssima maioria, são apenas números. E quanto a isto não há volta a dar, pelo menos enquanto não se mudarem mentalidades e enquanto essa mesma larguíssima maioria anónima não deixar de consumir o mediatismo dos famosos, mesmo alimentando-o.

Em todo o caso, deste caso, fica pelo menos o desejo de que qualquer um cidadão anónimo, mesmo que pobre e desvalido, possa ter o mesmo e rápido socorro, atendimento e tratamento hospitalar perante uma situação destas, como teve Casillas. Todavia, infelizmente, não há como negá-lo, esta não é a realidade generalizada. Os famosos e ricos, em suma os Casillas deste mundo, continuarão ad perpetuam a ter um melhor e mais rápido socorro e tratamento.

14 de janeiro de 2019

Tempo a falar do tempo


Noutros tempos não se perdia tanto tempo a falar do tempo. Na RTP, no final do Telejornal lá vinham então o Costa Malheiro ou o Anthímio de Azevedo, formais de fato e gravata, de ponteiro apontado ao preto quadro de lousa, com gatafunhos por eles desenhados manualmente a giz, como nas escolas primárias, a explicar-nos os estados de alma do anti-ciclone dos Açores e as consequências do mesmo na ondulação, vento e temperatura. Era o Boletim Meteorológico, em dois ou três minutos, se tanto, a preto-e-branco, como no quadro.

Hoje em dia a coisa pia mais fino e ele é alertas de várias cores, porque faz frio, porque faz calor porque chove ou porque não chove. Falar do tempo e sobre o tempo faz parte do nosso dia-a-dia e já não basta deitarmos o nariz de fora da porta para, constatando o óbvio, vermos o tempo que está, ou comprar o Seringador nas feiras dos "quatro" ou dos "dezoito" para saber quando estará de feição e de boa lua semear os nabos  ou plantar batatas. Alguém tem que o dizer, comentar e fundamentar. Dá lugar a reportagens, entrevistas a populares anónimos e a cientistas e até mesmo no "teatro de operações" com uma qualquer repórter, de cabelos a esvoaçar, afanosamente a informar com ares de coisa nunca vista de que está a chover ou a nevar forte e feio. As coisas do tempo até têm nomes, como pessoas. Um aguaceiro pode chamar-se Custódio ou Isaías, uma ventania, Alice ou Josefina. Coisa que parece brincadeira mas para levar a sério.

Não andamos com o quadro de lousa do Malheiro ou do Anthímio, mas trazemos no telemóvel uma ou mais apps que nos dizem o tempo em cada momento e em cada lugar. Já não vivemos sem as previsões e não nos basta a do dia seguinte nem nos contentamos sequer com a de dois ou três. Pelo menos uma previsão para 15 ou mesmo 30 dias. É uma aflição e expectativa saber se no dia do casamento, do piquenique da família ou da festa da aldeia vai haver sol ou chuva. Nas redes sociais somos todos meteorologistas e replicamos as previsões, partilhando-as numa vontade samaritana de avisarmos os vizinhos do perigo, não vá eles, distraídos, estarem desprevenidos para uma chuva ou uma ventania. E logo nos nossos dias em que ninguém anda de guarda-chuva pendurado na gola do casaco.

Sinais dos tempos, estes em que o exagerado 80 deixou o humilde 8 envergonhado, lá trás.

26 de dezembro de 2018

Natalidades


Fiquei comovido com uma pequena reportagem da RTP sobre o espírito de Natal, com alguns dos nossos clubes de futebol a participarem em campanhas solidárias. Alguns dos seus treinadores e jogadores a dizerem coisas bonitas de saúde, paz e amor. Bonito. Até uma "invasão" de crianças à Academia de Alcochete.
Pena, porém, que para que este espírito seja perfeito e sincero só ficarem a faltar 364 dias, aqueles em que a tónica é novamente a guerrilha, a desconsideração, o desrespeito e mesmo até o desprezo uns para com os outros, até mesmo entre adeptos. E por estas redes sociais ao longo do ano vai sendo destilado muito desse quase ódio.
Mas anormal seria que assim não fosse. O Natal serve para realçar o lado bom das pessoas mas simultaneamente, como contraponto, o nosso lado mais negro e hipócrita.

21 de dezembro de 2018

Coletes

Das primeiras indicações do início da manhã, parece que não é desta que Portugal vai parar. Nalgumas cidades são mais os polícias do que os chamados coletes amarelos. Certamente que na festa do colete encarnado em Vila Franca de Xira junta-se maior multidão. Somos bons em coisas originais mas no que toca a copiar...
Em todo o caso algumas conclusões: Os sindicatos cá do sítio não gostam destas manifestações. E não gostam porque, a exemplo daquele funcionário público que só era assíduo para que o chefe não percebesse que era perfeitamente dispensável, também os sindicatos temem que destas iniciativas se perceba que é possível juntar multidões com bandeiras e slogans mas sem a máquina e sem a liderança dos dinossauros das centrais. 

20 de dezembro de 2018

O estado do Estado


Rui Rio, secretário geral do PSD, recorreu por estes dias a um ditado e a uma quadra populares para retratar a governação de António Costa apoiada pelos parceiros Jerónimo de Sousa e Catarina Martins. Quanto ao provérbio, ou aforismo, diz que o actual Governo tem enganado os portugueses "vendendo gato por lebre".
Quanto à quadra, "rouba-a" a António Aleixo:“Para a mentira ser segura e atingir profundidade, tem de trazer à mistura qualquer coisa de verdade.” 

É certo que Rui Rio, a quem lhe é reconhecida assertividade, fala, todavia, no sentido que lhe convém falar, porque é líder do maior partido da oposição. Todavia, há no uso desta "sabedoria" popular alguma verdade ou, para quem pretenda fazer um retrato menos clubístico da coisa, pelo menos contém situações que dão que pensar. Isto porque, por um lado, é indesmentível que tem havido uma melhoria geral da situação económica e social do país, nomeadamente com a redução do desemprego, reposição de alguns cortes anteriores e retoma de algum poder de compra, ou pelo menos uma maior predisposição para o consumo, mesmo que no geral andemos a reboque da conjunctura internacional e europeia. Mas em contrapartida e por outro lado, assiste-se a sinais que, recorrendo novamente à sabedoria popular,  são autênticos "gatos escondidos com rabo de fora". E não é só no aumento brutal dos impostos indirectos, a electricidade e combustíveis mais caros da Europa, mas também as cativações cegas que têm limitado e mesmo colocado em suspenso muitas e muitas situações que têm a ver com a Saúde, Educação e Estado Social. Como exemplo prático e que nos diz respeito, a situação do Centro Social S. Mamede de Guisande que mesmo depois de ver aprovado o contrato programa com a Segurança Social e a partir dele a sustentabilidade mínima para o funcionamento da instituição, depois de muitos impasses, viu o mesmo ser arquivado por falta de verba, sujeitando-o a uma nova candidatura e dela a mesma incerteza. Como a nossa associação, muitas por este país fora.

Para além de tudo, temos comprovadamente um Estado que tem dado provas de não assegurar a segurança dos cidadãos. Os casos de Pedrógão Grande e dos incêndios de 2017, os casos dos furtos de armas em Tancos e na PSP, o abatimento trágico da estrada em Borba e agora as falhas no processo de busca e socorro das vítimas da queda do helicóptero do INEM, são apenas alguns exemplos mais mediáticos da falha do Estado e das suas instituições, mas muito mais há e  são evidentes a degradação e desinvestimento em sectores importantes como os transportes, hospitais, educação, etc.

Para além do mais, têm duplicado as greves no funcionalismo público, algumas de impacto fatal para a vida dos portugueses, como a greve dos enfermeiros e com ela o adiamento de cirurgias, mesmo num contexto de supostas reposições de direitos e regalias. Mesmo a greve dos estivadores do Porto de Setúbal dizem muito da precariedade ainda não resolvida por mais que apregoada. Dizem os média que as greves duplicaram mas a ter em conta os anúncios do que aí virá, a coisa vai triplicar ou mesmo quadruplicar até ao final do mandato. Manifestam-se professores, magistrados, enfermeiros, médicos e tudo quanto é empregado do Estado. Que se saiba, ninguém se manifesta em greve por estar satisfeito com a governação, ou será apenas um oportunismo de classes que veem neste Governo uma porca de 18 tetas a quem se pode chorar por mama? Ou um pouco de ambas as coisas? 

Assim vamos andando e não me custa a acreditar que se as eleições legislativas fossem já no próximo mês, António Costa correria o sério risco de ser prendado com uma maioria. Nós, os portugueses, no geral, somos boas pessoas e de bem e não nos importamos nada de ser enganados, desde que com mestria e um sorriso.
Há, pois, muitas dúvidas a pairar no ar e situações concretas a merecer pelo menos uma reflexão do que temos e podemos vir a ter.  Mas o mal de tudo, é que não há muito por onde escolher e rematando com outro provérbio, "quem está no inferno está por conta do diabo".

[foto: fonte]

7 de dezembro de 2018

O email do amigo João Esteves


O texto abaixo, que vai sendo partilhado pela rede social do Facebook como se fosse uma coisa actual, anda há anos a ser divulgado. Basta fazer uma ligeira pesquisa para o perceber. Supostamente toda a gente tem um amigo João Esteves que lhe enviou esse importante email com essa surpreendente conclusão.
Em todo o caso, fazendo de conta que este é um texto actual, aparte a generalização de algumas questões e conclusões que, em rigor, não são tão lineares, certo é que muitas são evidentes e óbvias e, mais coisa menos coisa, mais alarmismo ou generalização fácil, há por ali muita coisa que bate certo no que acontece com as campanhas de solidariedade a que periodicamente os portugueses são chamados a contribuir, como ainda recentemente para o Banco Alimentar.

Em resumo, e antes de passar à reprodução do texto, para quem quiser ter o trabalho de o ler, e que por aí anda sempre com ar de  fresquinho, custa é acreditar que só agora cheguem a essa conclusão, de tão demasiado óbvia. Para além de que, mesmo não sendo politicamente correcto dizê-lo, uma grande parte destes alimentos é para ajudar quem vai vivendo à custa do Estado Social e da generosidade dos portugueses num contexto de chico-espertice continuada. Não generalizando, obviamente, todos nós conhecemos por aí alguns deles, que fumam, bebem, bons carros, bons telemóveis, ao sol no Inverno, à sombra no Verão, mas trabalhar, aí é que a porca-torce-o-rabo. "Trabalhar", eventualmente de madrugada. A malandrice neste país compensa e está isenta de IMI, IRS e IVA. 
Mas, ok, é Natal e somos bons e generosos, não só a dar aos pobres como aos ricos. Pagamos os combustíveis mais caros da Europa, a electricidade mais cara da Europa, os impostos indirectos mais altos da Europa, sempre com boa disposição e sem grandes alaridos, contentes com um salário mínimo nada condizente com o luxo do que pagamos. Em suma, pagamos mais por menos, mas contentes porque nos devolveram uns patacos e uns feriados, pelo que daqui a nada temos uma maioria absoluta para dar de prenda, na filosofia já por alguém cantada de que "pr’a melhor está bem, está bem, pr’a pior já basta assim".

Segue o texto:
Ontem recebi na minha caixa de mensagens um email enviado pelo meu amigo João Esteves, o qual embora de autor desconhecido, dada a importância do tema, não podia deixar de o partilhar.
O texto é um pouco extenso mas vale a pena ler, porque ajuda a denunciar uma situação que é mesmo, uma verdadeira vergonha.

Trata-se das campanhas de solidariedade e vejamos como se fazem lá fora e cá dentro.
“Em Inglaterra a cadeia de supermercados Waitrose, oferece uma chapa (espécie de moeda) a cada cliente que faz compras acima de um determinado valor. O cliente à saída tem três caixas, cada uma em nome de uma instituição social sediada no seu município, para receber as referidas moedas de acordo com a opção do cliente. Periódicamente a empresa conta as moedas e entrega depois em dinheiro o valor correspondente. Esse donativo diminui obviamente nos seus lucros fiscais, uma prerrogativa que a lei portuguesa, também permite através do Estatuto dos Benefícios Fiscais.

Só que em Portugal, as campanhas de solidariedade custam ao doador uma parte para a instituição, outra para o Estado e ainda mais uma boa parte, para a empresa que operacionaliza a acção ou campanha.
Somos um país de espertos até na ajuda aos mais necessitados, donde não devemos ficar quietos e calados, devendo denunciar esta total falta de vergonha.
É muito triste, mas é bom saber que no Programa de luta contra a fome, nada é o que parece.

Ora veja:
Na última acção de recolha de bens junto dos hipermercados, uma ação, louvável do programa da luta contra a fome, segundo os telejornais, foram recolhidos cerca de 2.644 toneladas! Ou seja 2.644.000 Kg.
Se cada pessoa adquiriu no hipermercado 1 produto para doar e se esse produto custou, digamos, 0.50 € (cinquenta cêntimos), repare que:
2.644.000 Kg x 0,50 € dá 1.322.000,00 € (1 milhão, trezentos e vinte e dois mil euros), total pago nas caixas dos hipermercados.

Quanto ganharam?
O Estado: 304.000,00 € (23% iva); O Hipermercado: 396.600,00 € (margem de lucro de cerca de 30%).
Nunca tinha reparado, tal como eu, quem mais engorda com estas campanhas...
Devo dizer que não deixo de louvar a ação da recolha e o meu respeito pelos milhares de voluntários.

MAIS… É triste, mas é bom saber...
Porque é que os madeirenses receberam apenas 2 milhões de euros da solidariedade nacional, quando o valor doado foi de 2 milhões e 880 mil?
Querem saber para onde foi esta "pequena" parcela de 880.000,00 €?

A campanha a favor das vítimas do temporal na Madeira, através de chamadas telefónicas é um insulto à boa-fé da gente generosa e um assalto à mão-armada.
Pelas televisões a promoção reza assim: Preço da chamada 0,60 € + IVA. São 0,72 € no total.

O que por má-fé não se diz, é que o donativo que deverá chegar ao beneficiário madeirense é de apenas 0,50 € assim oferecemos 0,50 € a quem carece, mas, cobram-nos 0,72 €, mais 0,22 € ou seja 30%.
Quem ficou com esta diferença?
1º - A PT com 0,10 € (17%), isto é, a diferença dos 50 para os 60.
2º - O Estado com 0,12 € (20%), referente ao IVA sobre 0,60 €.

Numa campanha de solidariedade, a aplicação deu uma margem de lucro pela PT e da incidência do IVA pelo Estado, são o retrato da baixa moral a que tudo isto chegou.
A RTP anunciou com imensa satisfação, de que o montante doado atingiu os 2.000.000,00 €.
Esqueceu-se de dizer, que os generosos pagaram mais 44%, ou seja, mais 880.000,00 €, divididos entre a PT (400.000,00 €, para a ajuda dos salários dos administradores) e o Estado (480.000,00 €, para auxílio do reequilíbrio das contas públicas e aos que por lá andam).

A PT cobra comissão de quase 20%, num acto de solidariedade!
O Estado faz incidir IVA, sobre um produto da mais pura generosidade!
Isto é uma total falta de vergonha, sob a capa da solidariedade é bom que o povo saiba, que até na confiança somos roubados. Isto é um triste esbulho à bolsa e ao espírito de solidariedade do povo português!

Pelo menos. DENUNCIE! Não vale a pena sermos solidários nestas acções, pois há muitos a comer à nossa conta e com muito mais

21 de novembro de 2018

Deu em pedreira...


Novamente a tragédia e depois dela virão, espera-se, as "trancas à porta". Foi assim em 2001 com a queda da ponte Hintze Ribeiro, em Entre-os-Rios e Castelo de Paiva. 
Desta vez, entre Borba e Vila Viçosa, no Alentejo, com a derrocada de uma estrada ladeada perigosamente por profundas pedreiras de mármore. A tragédia, em números de mortos não se compara à da queda de ponte, mas é igualmente uma fatalidade, para quem nela perdeu a vida, para os familiares, para a região e para o país porque uma vez mais constata-se que as autoridades , as instituições e sobre elas o Estado não sabem tomar conta dos seus. Ainda ontem nos jornais se informava o aumento de fugas e criminalidade entre os menores à guarda do Estado. Um Estado sem autoridade, um pouco, como dizia há dias Manuel Alegre, refém do do fundamentalismo do politicamente correcto.O contexto era diferente, mas a génese é a mesma.

Posto isto, enquanto se procura resgatar os que ainda estão envoltos pelos destroços de uma pedreira lamacenta, surgem as questões de que como tal foi possível, quando parece evidente que os sinais anunciados da tragédia eram notórios desde há anos. Mas, pelos vistos, a começar pelo presidente da Câmara de Borba, estão todos tranquilos e sem peso nas consciências, os industriais do mármore, os técnicos, os autarcas e os políticos. Em 2001, Jorge Coelho, Ministro do Equipamento demitiu-se. Por ora ninguém se chegou à frente.

Certamente que entretanto virá a Justiça averiguar das responsabilidades mas a culpa irá novamente morrer solteira porque já se percebeu que este drama é uma pescadinha de rabo-na-boca e o capote há-de ser bem sacudido. O presidente Marcelo há-de lá ir dar uns abraços solidários, as famílias receberão uns milhares e a coisa há-de passar à história e, infelizmente, dramas acontecem todos os dias, mesmo neste nosso pequenino Portugal. Entretanto os holofotes da nossa ávida comunicação social virar-se-ão para outra qualquer coisa em grande, talvez quando o messiânico Cristiano Ronaldo voltar à selecção. Por ora estão de mármore e cal para os lados de Borba.

Creio que numa qualquer estrada nacional, como foi aquela até há poucos anos, não se podia construir uma casa a menos de 15 metros da via e um insignificante muro a pouco menos, mas ali, às portas de Borba, a pedreira com uma profundidade absurda pôde ir até pouco menos do que isso, sem margem de segurança adequada. Dizem hoje os jornais que licenciada assim pelo Estado.

Como foi possível? Qual a negligência técnica e qual a ganância de se extrair umas toneladas de calhaus até à extrema de uma estrada onde diariamente circulavam pessoas e viaturas?  Qual a lei e os quais os regulamentos que o permitiram? Qual a cegueira de não se ver ali uma eminente tragédia e em face disso tomar medidas de supressão da estrada?

Não faltarão respostas que, contudo, já de nada servem para quem morreu de forma trágica.
Que possam pelo menos ajudar a evitar  outras no presente e no futuro.

14 de novembro de 2018

E dizem que há falta de trabalhadores


Por estes dias a comunicação social virou os holofotes para a situação de três famílias de refugiados sírios que há cerca de um ano e meio foram acolhidos em Portugal à guarda da Fundação ADFP de Mirando do Corvo. Parece que terminado o prazo do programa de acolhimento e apoio, as famílias teriam que deixar as instalações pertencentes à instituição. Não o tendo feito e para forçar a saída terão sido cortados os abastecimentos de electricidade e água.
Por sua vez, os refugiados sírios queixam-se de que a Fundação Assistência para o Desenvolvimento e Formação Profissional (ADFFP) pretende cobrar uma renda de 340 euros por cada apartamento T3, incomportável para a sua situação económica já que cada agregado  recebe cerca de 500 euros de apoio social da Segurança Social. Dizem assim que se pagarem os 340 euros de renda ficam sem dinheiro para as restantes despesas. Neste pressuposto terão até apresentado queixa na GNR.
Por sua vez a Fundação justificou que terminou o programa de apoio concedido e que de acordo com as regras pré-estabelecidas e acordadas, cada família deveria autonomizar-se e passar a pagar a renda de casa, água, eletricidade. 

Sem querer fazer grandes juízos, parece-me, contudo, que este caso pode essencialmente servir de exemplo para a problemática inerente ao acolhimento de refugiados. De facto, num primeiro tempo, a boa-vontade e o humanismo do Estado e de muitas instituições, de que até se fez alarde e publicidade, mas depois, passado essa primeira fase, surgem as dificuldades de adaptação e integração e os problemas inerentes. Uma coisa será apoiar durante um tempo tido como adequado e razoável à normal inserção social, cultural e profissional das famílias e por conseguinte autonomizarem-se, e outra coisa será prolongar o apoio indefinidamente ou mesmo perpetuamente.

Por conseguinte, admite-se a eventual dificuldade de os membros adultos destas famílias arranjarem emprego, mas não deixa de ser estranho quando ainda há dias um qualquer relatório dizia que Portugal precisa de milhares de emigrantes para corresponder à falta de mão de obra. Por outro lado, pelo que se viu da reportagem na TV, os tais emigrantes já dominavam muito razoavelmente a língua de Camões, muito melhor que alguns futebolistas latinos que por cá andam à cagalhões de tempo. Por isso, a língua já não será para eles um obstáculo, querendo realmente trabalhar e integrar-se. Obviamente se não torcerem o nariz a determinados trabalhos.

Cheira-me, pois, que neste caso haverá por ali alguma falta de verdadeira vontade de trabalhar e a fácil tentação de viver prosaicamente apenas à custa do Estado e das instituições. Ora deste tipo de beneficiários, estamos nós cheios e o que mais há por aí é gente a viver à grande e à francesa à custa do Estado Social e, dele, à custa dos demais contribuintes que passam uma vida a pagar para pouco ou nada receber.
Quem dera à maioria dos portugueses viver sem trabalhar, sem pagar renda, electricidade, água e ainda receber o cheque certinho da Segurança Social todos os meses. Era um totoloto. Mas a realidade não se compadece com estas regalias. Há que trabalhar e fazer pela vida.

Este caso, que sirva, pois, de reflexão para a complexidade do acolhimento de emigrantes, refugiados da guerra ou por motivos políticos ou de outra natureza. Que se dê a cana, os anzóis e até o isco, mas não, pelo menos de forma definitiva, do peixe já pescado, limpo e grelhado e até servido na boca. Como sempre, as coisas são bonitas e compreensíveis quando dentro da razoabilidade. Creio que um ano e meio e algumas condições de apoio foram, senão excessivas, foram pelo menos suficientes. Não somos uma Alemanha ou uma Inglaterra mas quem quiser trabalhar ( e não escolher emprego com conta peso e medida) pode viver com toda a dignidade. Pelo menos é assim que vive a larga maioria dos portugueses.

Não generalizando, malandros, oportunistas e vigaristas já por cá temos de sobra, a sugar a teta do Estado Social, situação a que o povo sabiamente classifica como "meio mundo a viver à custa de outro meio".

29 de outubro de 2018

É a democracia...


Bolsonaro venceu as eleições e será o futuro presidente do Brasil. É o que nos diz as notícias desta manhã. As coisas, a notícia e a realidade, não têm nada de extraordinário nem surpreendente, afinal apenas a normalíssima consequência da democracia. Agora, para o bem e para o mal, é aguentar. Ou a democracia só é válida e meritória quando vencem os nossos? É que, e isto chateia muitos "democratas", há sempre os outros, por mais bolsonaros e trumpistas que sejam. Nenhum barco resiste só com o lastro demasiado à esquerda ou excessivamente à direita. É preciso misturar e equilibrar princípios e valores, ideológicos, sociais e culturais, porque as sociedades são, regra geral, uma amálgama deles.
Porventura o Brasil e os brasileiros fartaram-se da ilusória realidade de que a um partido basta dar o nome de trabalhadores para que as virtudes intrínsecas de quem trabalha fossem extensíveis a quem governa. Não foi assim e o povo não só se cansou como se revoltou porque, parece-me,  esta eleição em Bolsonaro foi mais do que uma eleição, talvez mesmo uma revolução. Para já pelos votos, depois, quem sabe, pelas armas. Esperemos que não, porque o Brasil, essa imensa nação irmã, merece mais, muito mais, a começar pelos políticos e depois tudo o resto.

17 de outubro de 2018

A dar à costa


Estou deveras céptico com a anunciada medida do Governo em baixar o IRS para aqueles que estando emigrados no estrangeiro queiram regressar a Portugal. 
Obviamente que nada contra quem procurou levar melhor a vida noutras paragens e que agora queiram e possam regressar e até gosto de os ver por cá. Todavia, creio que esta medida, mesmo que de efeitos temporários, é apenas mais uma que nos leva a ter a certeza que há portugueses de primeira, de segunda e mesmo de terceira.

Para além de duvidar dos efeitos práticos, porque não estou a ver que portugueses a trabalhar no estrangeiro, certamente com melhores condições e já focados e inseridos nessa nova realidade, decidam regressar só porque vão poupar uns trocos no imposto sobre o chorudo rendimento em Portugal, cheira-me, contudo, que esta medida é pura demagogia e sobretudo um sinal ideológico ao marcar terreno contrapondo o suposto incentivo ao regresso, ao suposto encorajamento à saída, então pelo anterior Governo quando a crise era aguda.

Por outro lado, se alguns milhares de portugueses se sentiram então obrigados a procurar melhor vida fora do país e ali encontraram alternativa, e quem me dera a mim a muitos outros terem tido essa oportunidade de sair, pior do que isso foram os milhões que foram obrigados a ficar por cá no vendaval da crise e que tiveram que aguentar os cavalos, certamente sob piores condições do que aquelas que a larga maioria dos emigrados teve de enfrentar. É certo que haverá excepções, mas creio que no geral ninguém avançou para o estrangeiro sem o mínimo de garantias de ali encontrar emprego e melhores condições de vida, ou pelo menos de rendimento.

Seja como for, com esta "irrecusável vantagem fiscal", é ver para crer se vamos ter uma avalanche de emigrantes a retornar, a dar à costa, e o ganho que isso representará para o país. É que não estou a ver, de todo, sobretudo o pessoal qualificado, a deixar os seus bons e reconhecidos empregos por essa Europa e mundo fora, onde são valorizados, regressarem a um país que ciclicamente enfrenta crises à beira da insolvência, onde milhares de licenciados estão desempregados e não encontram trabalho à altura da qualificação e dos objectivos para que se prepararam, a ponto de, para levarem a vida, aproveitarem o que vem à rede, quase sempre petinga da miúda.

Mas o Costa e o Centeno lá saberão. Sempre é mais fácil acenar com a "cenoura" da redução do IRS do que baixar o preço escandaloso dos combustíveis e reduzir na generalidade o IVA da electricidade e de outros dos muitos impostos directos e indirectos que trazemos às costas. 

30 de setembro de 2018

Não quero o bife porque não tem ovo a cavalo


Diz-nos a imprensa: "CDS pediu "debate sério", esquerda "chumba" pacote do CDS sobre natalidade"
Na primeira hora do debate, ficou claro que socialistas, comunistas e bloquistas iriam "chumbar" os sete projetos de lei e um projeto de resolução do CDS, em que se prevê uma redução do Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI) e do IRS, dependente do número de filhos.
PS e partidos à esquerda alinharam pelos mesmos argumentos, criticando os democratas-cristãos por nada proporem sobre salários, precariedade laboral ou horários de trabalho, fatores que pesam na decisão dos casais para terem filhos, antevendo um "chumbo", no final do debate.

Pessoalmente considero que a esquerda tem alguma ou mesmo bastante razão quanto a várias questões de fundo que em si mesmas contribuem para o problema da baixa natalidade. De facto importa criar condições ao nível da questão do emprego das mulheres, nomeadamente na condição de maternidade.
Em todo o caso, o pacote de propostas avançado pelos centristas também me parece igualmente importante. Nem de longe nem de perto as medidas nele empacotadas resolverão o problema de fundo, mas dariam um contributo. Mas, eventualmente com alguma hipocrisia, parte a parte, porque enquanto governos nem CDS nem PS impulsionaram medidas objectivas de apoio às famílias e às jovens mães e delas um apoio à natalidade, esta posição da esquerda unida não deixa de ser caricata já que enquanto dona do actual governo, e tendo condições para o fazer, uma vez que se mostrou igualmente unida na identificação das necessidades e crítica aos populares, não criou ainda as condições laborais que reclama faltar às propostas do CDS. Ou seja, numa analogia gastronômica, a esquerda, mesmo reconhecendo a fome do problema, não aceita o bife do CDS porque lhe falta o ovo a cavalo, ou mesmo que ao contrário, não aceita o ovo porque lhe falta o bife.
Política rasca a nossa, em que importa desvalorizar sempre o que vem do lado oposto mesmo que com aspectos positivos. Traduzindo pela sabedoria popular, é "nem comer nem deixar comer".