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23 de setembro de 2022

E não foi o 25 de Abril há meio século?

A imprensa por estes dias noticiou  que  2,3 milhões de portugueses correm risco de pobreza. É um número que, grosso modo, representa 1/4 da população portuguesa. 

50 anos depois de uma esperança de democracia mas igualmente de uma melhoria de vida, certo é que mesmo com a imensa dívida pública, que nos vai mantendo à tona com ares de que vivemos bem, impressiona ainda a dureza destes números e do que representam. 

Numa sociedade de estatísticas, as pessoas são apenas isso, números, e como tal é uma questão de contabilidade, de matemática. 

Importa humanizar os números e as contas mas as esperanças de que tal aconteça são as mesmas de que havemos de viajar ao centro do sol.

12 de setembro de 2022

Aceleras

Há umas semanas atrás, seguia com a patroa numa estrada nacional no centro do país. Pouco depois surgia de trás um grupo de meia dúzia de motards. Rápidamente foram ultrapassando, sempre em desrespeito pelas elementares regras de trânsito. Um deles colocou-se na minha frente e a estrada tinha linha contínua dupla. Em jeito de desafio disse á companheira de viagem: - Vamos ver quanto tempo demora a transgredir. Ainda não tinha acabado a frase e já o motard ultrapassava o veículo à sua frente, "cagando" literalmente nas duas linhas contínuas.

Eu, que até tenho alguns como amigos, sei que nem todos os ditos motards são assim, mas, vá lá, optimistamente, em 10, 8 serão incumpridores reiterados e quando andam em grupos, para não se separarem, se um desrespeita, os outros seguem o exemplo. Se cada episódio de testemunho de desrepeito por parte de motards me rendesse 5 euros, já tinha a reforma assegurada

Ainda ontem, no lugar da Gândara, quando iniciava uma volta de bicicleta, passaram três motards em alta velocidade, que estimei em pelo menos 100 Km hora, numa estrada de localidade em que já ocorreram vários acidentes e, tragicamente, pelo menos um mortal. Ainda há poucos dias ali nesse local ocorreu mais um acidente.

É de facto um absurdo a forma ligeira e irresponsável com que muitos condutores, não só de motos, obviamente, conduzem,  todos armados em pilotos de fórmula 1 e miguéis oliveiras. 

E se há zonas em que parece que o limite é baixo face à qualidade das estradas, há locais em que de facto se justifica, desde logo no interior de povoações.

Posto isto, este número avançado pelo JN parece curto. Se a coisa não vai lá com civismo no cumprimento das regras e bom senso, alguns só mesmo com pesadas multas, pelo que os radares são mais que justificados. Alguns mereciam um radar em cada curva.

Todos nós, uma vez ou outra, temos os nossos incumprimentos e excedemos o peso do pé no acelerador, o que já é mau, mas convenhamos que no geral o desrespeito é grande e reiterado, colocando-se os próprios em risco bem como aos outros, e tantas vezes quem caminha ou circula de forma conscienciosa e respeitadora.

A segurança na estrada não é brincadeira, embora para muitos pareça.

28 de julho de 2022

O silêncio dos inocentes


Parece que na minha página do Facebook tenho 471 amigos. Uma miséria. Até a Maria da Esquina tem mais do dobro e limita-se a partilhar coisas fofas como florzinhas, cãezinhos, gatinhos e corações. E quem não gosta de fofuras?

Bem sabemos que o conceito de amizade no Facebook é muito subjectivo e não surpreende, por isso, que de um modo geral, entre centenas de amigos tenhamos mesmo alguns inimigos de estimação, bem disfarçados. Sabemos até quem são, porque não enganam, mas fingimos que não, e deixamo-los andar por aí contentinhos para de quando em vez nos deixarem uns remoques. Adiante.

Mas mesmo assim, com quase 500 amigos, esperava ler de parte deles algumas intervenções sobre assuntos do quotidiano público, do escorrer dos dias, mesmo em contexto de cidadania. Mas em regra, relevando um ou outro caso esporádico, as intervenções não existem ou são para entreter. Nada de substancial.

Mas reconheço que essa larga maioria é que está certa, porque hoje em dia opinar de forma pública, sobretudo nas redes sociais, é um grande risco, porque da crítica construtiva, do contraditório, até à ofensa pessoal e gratuita vai uma distância muito curta, sobretudo quando envolvendo figuras públicas. Como exemplos, atente-se a algun dos casos que têm acontecido, como os mais recentes envolvendo a actriz São José Lapa sobre as considerações que fez sobre o compositor e cantor Pedro Abrunhosa e este sobre o Putin, mandando-o fod.. num concerto em Águeda? Mas também sobre uma tal de Joana Albuquerque que numa visita à ilha da Madeira, terá dito que "...adoro países estrangeiros onde se fala português". E ainda há pouco tempo o caso do traseiro da fadista Cuca Roseta com a análise do também fadista Nuno da Câmara Pereira?

Enfim, os exemplos são mais que muitos e poderia aqui apontar uma catrefada deles.

Com todo o risco inerente, não surpreende, pois, que de um modo geral as pessoas prefiram partilhar ou falar sobre egocentricidades, mais que expressar pensamentos e opiniões, seja sobre que assunto for, nomeadamente naqueles com riscos acrescidos, envolvendo política, partidarismo, futebol, clubismo e religião.

É, pois, uma boa posição o andarmos por aí como gente inocente, em silêncio, muda e calada, quando muito só para atirar pedras a quem opina a quem pensa de modo diferente.

Já agora o que penso eu sobre a polémica do Pedro Abrunhosa e da São José Lapa e sobre a queixa do Chega ao comportamento do presidente da Assembleia da República, Augusto Santos Silva? Ou mesmo sobre os artistas que vão actuar na festa do Avante?

Schiuuuuuu!

22 de julho de 2022

Gente jovem, bonita e feliz


Não sei se já repararam, mas eu que até fujo da publicidade televisiva como fugia o José Pratas dos jogadores do F.C. do Porto, já reparei: Os spots publicitários, nas diferentes situações já nos mostram casais homossexuais, inter-raciais e outras modernas combinações que até há pouco eram desconsideradas.

Está na moda e como na cantiga dos adeptos do futebol "...e quem não salta não é da malta", temos todos que saltar e estar contentes e maravilhados por esta onda de inclusão sem preconceitos de género, orientação sexual, de raça, credo, etc. Por mim, não me aquece nem arrefece. Limito-me a respeitar, porque no fundo tudo se deve resumir a isso. 

O mercado publicitário nunca se compadeceu com valores para além dos puramente comerciais, do marketing, do vender o produto, mesmo que gato por lebre. Por conseguinte, sempre foi eficiente a ajustar-se às modas e às tendências e como tal não surpreende a nova onda.

Apesar disso, não sei se também já repararam, e porque quase nunca é tema criticado e não está na ordem do dia, quase todos os anúncios metem gente jovem bonita e sorridente e raramente idosos, a não ser nos intervalos e espaços que antecedem programas como o "O Preço Certo", em que se se vendem carrinhos Egiros, plataformas elevatórias, aparelhos auditivos, cola para dentaduras, pensos para incontinentes, calcitrins, etc, etc. Muito raramente ou quase nunca vemos velhinhos em anúncios de pastas de dentes, de iogurtes, de telemóveis, shampôos, automóveis, etc, etc. 

Bem sei que a coisa designa-se por "target", por "público alvo". Ou seja, nós, consumidores, somos meros alvos a quem a publicidade tenta acertar na mouche. Mas, que raio, os idosos também comem iogurtes, bebem refrigerantes, usam telemóveis, usam perfumes, etc, etc. 

Em resumo: A coisa já mete casais homossexuais mas os velhinhos esses continuam discriminados. Importa, aos anunciantes e agências de publicidade meter gente jovem, bonita e feliz. Esse é o padrão. Gente velha, com rugas, gordos, sem cabelo, não vão lá. Nem mesmo face à realidade de que temos um país de gente envelhecida. Ele há coisas!

Assim, importa não perder o foco e tratar a publicidade com o valor que tem: Pouco ou nenhum e apenas como instrumentos de venda e promoção em que se tenta influenciar a decisão de compra. Os seus valores são muitas vezes baixos e questionáveis. Mas quem liga aos valores? Mandam as modas!


[foto: marcas.meioemensagem.com.br]

5 de março de 2022

Descrença


...E quando damos por ela, os canalhas da guerra usam sempre a violência da invasão como finalidade. Com Hitler, a nazificação, com Putin, a "desnazificação", ou o que isso queira dizer. Por pura semântica ou mero eufemismo, a guerra é assim um pau-para-toda a colher, porque quando há maldade, pura ou disfarçada, as palavras e o seu valor não têm nenhuma significância e mais do que elas, as palavras, as pessoas, as mulheres, idosos e crianças.

Neste contexto, os valores de humanidade e os direitos nacional ou internacional valem absolutamente nada. Uma ONU anacrónica  vale zero porque apenas uma nação se sobrepõe às demais. É urgente a sua refundação. O poder da loucura dos mandantes associado ao das armas, o juntar da vontade à capacidade, valerão sempre mais e impor-se-ão. 

Foi sempre assim ao longo da História e não estou a ver como possa ser diferente. Houve essa réstia de esperança e crença fundada sobre o sangue e destroços das guerras mundiais, mas reerguidas as cidades e esquecidas as vítimas, as lições são ignoradas e tudo volta à estaca zero. No fundo, a vontade de um homem sobrepõe-se à da humanidade porque milhões sempre obedecerão a um.

24 de fevereiro de 2022

Ventos de leste

Da China chegou-nos essa coisa da Covid que teima em ficar por cá. Agora da Rússia e desse filho de Putin, chega-nos a guerra. Por ora nas bordas do império mas que, como pólvora, tem os ingredientes certos para se estender ao mundo.

1939/1945 foi já ali ao virar da esquina do tempo mas parece que pouco ou nada se aprendeu. O botão vermelho exerce um fascínio mortal por dedos nervosos de gente fardada. Os mísseis hipersónicos já estão a aquecer.

Onde é que este caminho nos vai levar?

23 de fevereiro de 2022

O cagaço de chamar os bois pelos nomes


Creio que todos nós, mais ou menos atentos às notícias, fomos informados por estes dias das agressões brutais a pessoal do Centro de Urgências no  Hospital de Vila Nova de Famalicão, perpetradas, segunda a imprensa generalista, por um grupo de pessoas (entre 10 a 20 indívíduos), em plena madrugada, de forma gratuita, sem qualquer motivo. Os agressores fugiram antes da chegada da polícia que alertada para o incidente, deve ter dado umas curvas pelo bilhar grande pois chegou já muito depois do crime a ponto de niguém identificar e muito menos deter. 

Livraram-se, quiçá de, também eles polícias, ser agredidos a pontapé e a murro e sem poderem usar dos meios adequados incluindo o uso da força. O histórico de condenações e processos disciplinares a agentes policiais que apenas exerceram o que deles se esperava, é suficiente para "amolecer"  o dever da autoridade. Assim, compreende-se que tenham chegado depois do pó assentar. Temos, pois, uma polícia "coninhas" à medida de um país de moles e brandos costumes.

Ora o que a nossa imprensa politicamente correcta e amestrada pelos apoios estatais não disse, é que o tal grupo de pessoas  afinal de contas era uma manada de valentes ciganos que ali pela calada da noite  quiseram fazer justiça à sua maneira agredindo de forma violenta e gratuita  enfermeiros e um segurança, para além de danos causados nas instalações. Ao que parece apenas esperavam que a mulher que acompanhavam tivesse um atendimento rápido e priveligiado. Não o sendo, como os demais, partiram para a violência.

Já se desconfiava. Afinal, estes episódios envolvendo esta gente anónima, pacífica e bem integrada, são mais que muitos. Onde vai um vão todos. Se um pinheiro dá pinhas, deve ser mesmo pinheiro. Mas para a nossa imprensa, um pinheiro é uma árvore que dá bananas.

Assim vão indo as coisas. Não podemos nem devemos generalizar, como em tudo, é certo, mas estas situações envolvendo grupos da referida etnia são mais que muitos e com uma impunidade de bradar aos infernos. Mereceria a atenção devida de quem manda, mas os nossos políticos são no geral uns valentes conas mansas ou pilas moles e por isso, ressalvando a misogenia da coisa e sem ofensa, temos o que merecemos. A maioria, como o algodão, não engana.

É disto que a casa gasta e depois surpreendem-se que chegue o Chega e facilmente seja a terceira força mais representada na nossa democrática Assembleia da República e com pernas para andar.

Este nosso cagaço de não chamar os bois pelos nomes, de não identificar os ciganos como ciganos, mesmo quando eles se orgulham de o ser, sob pena de sermos apelidados de xenófobos e intolerantes, irrita e revela em muito o sentimento de impunidade de que gozam certas franjas na nossa sociedade. Assim não! A integração também passa pela aplicação da Justiça, sem paninhos quentes.

Já agora, por andam os tais noventa e muitos marroquinos  dos que têm dado à costa dourada dos algarves e andam por aí livremente, já não localizáveis e sem qualquer controlo das autoridades? Ainda estão por cá, ou já deram de frosques?

11 de fevereiro de 2022

A violência como cultura

A detenção pelas autoridades de um jovem português de 18 anos de idade, universitário na Faculdade de Ciências de Lisboa, que supostamente estaria a preparar um atentado contra colegas e pessoal dessa instituição, foi assunto no final de ontem, de hoje e será seguramente nos próximos dias.

Para além de tudo o que se possa concluir e das especulações tão caras a certos canais, parece que o motivo base da intenção e preparação de tal acto criminoso, quiçá terrorista, terá na sua génese a ver com o facto do jovem ser alvo de bullying.

É claro que nada justifica o que o universitário supostamente se preparava para concretizar, mas importará que o Estado e as autoridades dele dependentes comecem a valorizar a questão do bullying que é transversal às nossas escolas e nos seus diferentes graus. Ainda por estes dias noticiava-se a agressão de uma criança por parte de colegas em ambiente escolar. Estas notícias são mais que muitas, incluindo a questão da aberração e humilhação pelas praxes académicas, que pelas quais, em última análise, levaram à morte de 6 alunos no conhecido caso de afogamento da Praia do Meco, que quanto a responsabilidades a culpa morreu solteira e o marmanjo do Dux passou incólume pelos pingos da chuva. Era o chefe e foi o único a salvar-se. Há milagres...

Por outro lado estamos em plena cultura da violência gratuita e como ementa do entretenimento e ela chega às nossas crianças e adolescentes de forma massiva, seja nos jogos electrónicos, seja na industria da televisão e cinema.

Não é preciso ter-se o canudo de psicólogo ou psicanalista para se perceber e entender o quanto o bullying pode transformar negativamente as personalidades e dar-lhes sentimentos de revolta e de vingança a ponto de, num contexto com os ingredientes certos, despoletar situações criminosas.

Felizmente este tipo de crimes e massacres entre nós é raro ou mesmo inexistente, mas todos sabemos o quanto é grave em países com alguma liberdade e facilidade ao acesso a armas, como nos Estados Unidos. Ali, os casos têm sido mais que muitos e graves.

Importará, pois, que por cá se dê importância e significado às situações de bullying e que haja castigo adequado para quem o pratica, consente ou desvaloriza. Sem um controlo eficiente e disciplinado, as coisas não vão lá e um dia destes acontecerá mesmo uma tragédia.

O Estado, no papel das escolas, faz de conta que a coisa tem pouca importância, apenas desentendimentos esporádicos e inconsequentes entre alunos. As escolas fecham-se em copas ao escrutínio, permitindo que centenas de crianças sofram e vejam a escola como algo negativo e um local perigoso.

Não devemos generalizar nem dramatizar, pois não,  mas convém que se atalhe o problema.

Quanto à questão judicial, não sei até que ponto este aparato mediático a pretexto de apenas uma suposta intenção de crime, é saudável. De resto nem é norma. Todos os dias as autoridades evitam crimes e não é por isso que lhes é dada importância. Tudo na justa medida. Com um bom advogado o jovem será solto apenas com uns beliscões. Afinal de contas o que é que cometeu? Posse de armas ilegais? E quem as não tem? 

Não quero menorizar o contexto e até considero que no essencial as autoridades trabalharam e agiram bem, mas o mediatismo por algo que não chegou a acontecer é que é inusitado e extemporâneo. De resto, neste raciocínio, Cândida Almeida, ex-directora do DCIAP criticou a PJ, referindo que "...Não é normal nem aconselhável” que se divulguem tentativas de ataque evitadas.

Mas é disto que a casa gasta e por vezes as autoridades parece que padecem de uma necessidade doentia de alimentar a agenda da comunicação social.

Não havia necessidade.

6 de fevereiro de 2022

Qual o caminho?

Infelizmente, o resgate complexo da criança marroquina, o pequeno Rayan, ocorrido ontem em directo pelas televisões do mundo, não foi a tempo de a retirar com vida do estreito e profundo poço onde caíra quatro dias antes e que, contra todas as probabilidades, tinha milagrosamente resistido até ali. 

Todavia, apesar do desfecho tão esperado como inesperado, ficamos todos impressionados e sensibilizados pela forma como largas dezenas de operacionais tentaram tudo por tudo, em situação difícil, para chegar a tempo ao local onde a criança estava em angústia e sofrimento, bem como com a fé das largas centenas de populares que ali se deslocaram para assistir à operação, dirigindo as suas orações para que tudo terminasse bem.

Este episódio lembra-nos outros parecidos, como o resgate dos mineiros no Chile, os adolescentes na Tailândia, etc. Em todos eles o empenho de muitos em prol de poucos com uma dedicação sobre-humana, em situações de superação e de risco próprio. No fundo, o melhor da humanidade no serviço pelos outros em que cada vida conta e pouco mais importa.

Mas há sempre um outro lado na moeda e assim a mesma humanidade capaz do melhor e da elevação dos valores mais altruístas, é também ela capaz de criar situações de conflitos e despoletar guerras sangrentas e destruidoras, capazes de levar à morte milhares e milhões de pessoas inocentes e destruição de bens e património comuns. 

Este mau lado da moeda é o que tem estado latente no para já apenas tensão polític e militar e diplomática, o caso da Rússia e Ucrânia, mas que de facto de um momento para o outro pode levar a uma guerra de consequências incalculáveis, dado o potencial militar das forças envolvida e a envolver.

Perante esta dicotomia de humanidade e seus valores, ficamos sempre numa angústia e incerteza de qual das partes prevalecerá. O lado do bem, dos valores humanos, solidários e altruístas, ou o lado da loucura, da indiferença e desprezo pelas pessoas, pela natureza, pelo planeta? O que aprendemos ou não dos relativamente recentes grandes conflitos, como as guerras mundiais? Parece que nada. Absolutamente nada!

Por qual caminho nos dirigimos? Para o resgate do pequeno Rayan ou para a loucura?

23 de janeiro de 2022

A caminho de sei lá o quê


Dei comigo a pensar e a perguntar quantas pessoas residentes em Guisande terão falecido nos últimos 12 meses, isto é, num ano. E a resposta, mesmo que mais ou menos, terão sido umas 10 ou 12. Em sentido contrário, quantas crianças nasceram em Guisande nesse prazo? Confesso que não sei a resposta mas arrisco-me a dizer que eventualmente uma, duas ou mesmo nenhuma.

Não é preciso muito exercício para se pensar neste saldo negativo e perceber para onde é que ele nos leva inexoravelmente  enquanto comunidade. Obviamente que a uma redução da população e o seu envelhecimento. 

Todos sabemos que a baixa natalidade não só é um realidade nas pequenas aldeias do interior, como também nas zonas urbanas do litoral, das pequenas ás grandes cidades. Também não é um problema de Portugal mas da Europa em geral. 

Tratamos a baixa natalidade como um problema mas em rigor por si só não é problema algum. Só é problema à luz dos convencionalismos e modelos das sociedades modernas e ocidentais, em que se espera que uma boa parte da população seja jovem e activa de modo a suportar as outras partes, nomeadamente as que já atingiram a reforma. 

Ora é precisamente este modelo de sociedade e das suas exigências e padrões que acabam por concorrer em muito para a baixa natalidade. Para uma família, mesmo da classe média, ter um filho implica um enorme esforço financeiro durante pelo menos 25 anos, ou mesmo mais. Ora para cada filho a mais, o acréscimo é, naturalmente, proporcional. 

Os pais na sua maior parte investem as suas poucas poupanças na criação, educação e formação de um filho e assim, sem capacidade de realizar um pé-de-meia, arriscam-se a atingir a reforma depauperados e sem protecção, podendo a partir daí passar dificuldades. E na maior parte dos casos, o investimento feito a favor dos filhos, raramente tem retorno porque o modelo familiar tem-se vindo a erodir bem como os seus valores fundamentais. Estão, por isso, os lares a abarrotar e idosos a viverem sozinhos e abandonados por quem em primeiro lugar deles deveriam cuidar.

Posto isto, não surpreende que cada vez mais a opção de se ter um único filho seja adiada para tarde ou mesmo posta de parte. 

E não se pense que esta situação resulta apenas da velha desculpa de falta de apoios e políticas dos diferentes governos à natalidade. Também por aí, certamente, por fracas políticas ou falta delas, mas porque na realidade os padrões modernos estão formatados para isso e não há sistema que aguente um apoio efectivo e que faça a diferença de modo a inverter os gráficos. 

É estrutural mas também  cultural. De resto, veja-se, mesmo pensando em casos concretos à nossa volta em que casais supostamente com bons empregos, bons rendimentos e património, alguns até protegidos no emprego porque ligados ao funcionalismo público, tiveram ou têm apenas um filho, no máximo dois. E porque não tiveram mais? Por dificuldades económicas? No essencial porque não quiseram porque tal era um inconveniente do caraças, mesmo que o pudessem fazer sem problemas financeiros. Paradoxalmente, continuando a olhar ao perto, as poucas famílias que têm mais filhos, são aquelas que aparentemente são de origens mais humildes e sem as costas largas de patrimónios herdados ou de serem trabalhadores do Estado. Será apenas um paradoxo?

Em resumo, e sobre isto as opiniões serão diversas ou mesmo contrárias, as coisas estão neste pé porque desde há décadas que caminhamos nesse sentido, mesmo que com medidas avulsas, como no caso do município de Santa Maria da Feira ao decidir apoiar crianças durante e até aos 3 anos de idade, com um subsídio anual de, creio, 600 euros. Na prática, sendo uma ajuda, isso vai dar em nada no que toca ao incentivo concreto da natalidade e no final, daqui a uma década, se forem feitas contas, os números da natalidade no concelho pouco ou nada terão mudado e o normal será continuar a registar-se um decréscimo. Ninguém toma a opção de ter mais um filho exclusivamente pelo facto de poder receber 1800 euros em 3 anos.

Mas, face a esta realidade e contexto, vamos todos continuar a fazer de conta que isto há-de resolver-se, mesmo que a Segurança Social em breve se torne insustentável. Nem que se escancarem as portas a uma imigração sem critério para repormos os contadores e encher vilas e aldeias. E não faltam por aí Dons Sanchos com ares  e vontades de modernos povoadores. Com eles, até a aldeia de Drave voltará a latejar de gente nova.

12 de janeiro de 2022

Sentir o cheiro da pocilga

Episódios de desrespeito e mesmo agressões às forças da ordem, guardas da GNR ou agentes da PSP, ou até mesmo a agentes municipais, como visto por estes dias, são mais que muitos, sendo que a maioria passa-nos ao lado da espuma dos dias. Para isso seria preciso assistir ao canal do país real, mas uma certa franja da sociedade tem-lhe aversão por nos mostrar que nem tudo é cor-de-rosa. Por vezes é preciso mesmo entrar na pocilga para lhe sentir o cheiro.

Depois, como se a desautoridade das autoridades fosse normal, os juízes condicionados por uma lei permissiva e por um parque prisional a rebentar pelas costuras, invariavelmente devolvem os suspeitos (e é interessante esta terminologia quando os casos são de flagrante delito), à procedência, e à recorrência do crime, aos furtos, assaltos e agressões, tantas vezes mesmo no próprio dia.

Em suma e em resumo, um sentimento geral de impunidade que leva a que quem anda nessa vida continue a considerar que vale a pena porque o risco e castigo são frouxos. Simultaneamente os agentes sentem-se impotentes para actuar e passam a ser meros bonecos e arriscando as suas vidas face à criminalidade que pela frente não hesita em disparar ou albarroar. 

Por esta recorrência não penalizada, ainda há dias queixava-se alguém da empresa Cavalinho, cujas lojas no nosso concelho têm sisdo sistematicamente assaltadas, que assim é complicado e desmoralizador, com os assaltantes a serem detidos e soltos na hora, prontos para o mesmo, quase numa atitude de gozo e escârneo.

A par disso, temos obviamente um código penal suave em que tanto paga quem mata um como quem mata 1000. Espanta, assim, que António Costa, simultaneamente primeiro ministro e candidato ao mesmo posto, aproveite com demagogia e deturpando o que Rui Rio disse sobre as condições e critérios de aplicação de pena de prisão perpétua, de resto prevista e ou aplicada, e bem, na maioria dos países europeus, porque há crimes tão hediondos e injustificáveis que a quem os pratica de forma planeada, fria, calculista e insensível não é merecedor de qualquer sentimento de humanidade. 

Mas António Costa parece ser dos que acha quem sim. Com ele, os autores dos massacres em Paris ou dos ataques às torres em Nova Iorque apanhavam 25 anos e ao fim de 10 ou 15 estavam cá fora, curados e redimidos para uma vida exemplar e santa ao serviço da sociedade, como se todos aqueles milhares de vítimas e famílias destroçadas para o resto das suas vidas, fossem apenas números e estatísticas. Custa a crer.

É certo que este tema é sensível porque mexe com questões de natureza religiosa, humanista e civilizacional, mas o nosso sistema é no geral muito permissivo e benevolente com o criminoso e desleixado e indiferente para com a vítima e com as forças da ordem sem ordem para exercer a autoridade quando à força é preciso recorrer. 

Obviamente que não se defende aqui a pena de morte, ou a lei do olho-por-olho, dente-por-dente, ou coisa que o valha, mas de facto a prisão perpétua, mesmo que com determinados e proporcionais critérios face à natureza dos crimes, sobretudo de natureza terrorista e de massacres indiscriminados, é mais que racional e compreensível que seja considerada e prevista. 

Para concluir, neste estado de coisas, de desautoridade da autoridade, de laxismo, indiferença e sobretudo de sentimento de impunidade  para os criminosos e desrespeito, injustiça e indiferença por quem é vítima, não surpreende que nos estejamos a pôr a jeito para o crescimento de certos extremismos.  Não tarda, colheremos os frutos da nossa sementeira.

21 de outubro de 2021

Censos 2021 - Resultados preliminares


Da leitura dos resultados preliminares dos Censos 2021, ao contrário do que seria de supor, a nossa União de Freguesias de Lobão, Gião, Louredo e Guisande não atingiu ainda o patamar dos 10 mil habitantes, ficando-se por uma população de 9.656 pessoas. Pelo contrário, face aos resultados de há 10 anos, com os Censos 2011, a população reduziu em 2,1% já que então se registou uma população de 9.860 indivíduos.

Fica-se a saber ainda que da população de 9.656 pessoas, 4.674 são homens e 4.982 são mulheres.

Quanto a outros dados:

Nº de Agregados: 3572 - Variação positiva de 3,8% face aos dados de 2011.

Alojamentos: 4947  - Variação positiva de 2,9% face aos dados de 2011.

Edifícios: 4083 - Variação positiva de  2,2% face aos resultados de 2011.

Por sua vez ao nível global do concelho de Santa Maria da Feira, regista-se uma população de  136.720 indivíduos, com uma variação negativa de  1,9%, face às 139.309 pessoas registadas nos Censos de 2011.

Da actual população feirense, 65.867 são homens e 70.853 são mulheres.

Em resumo, o concelho e a nossa União de Freguesias sofrem do mesmo problema de natalidade que afecta o país. Estamos, pois, com a população a reduzir de ano para ano e a verificar-se um natural envelhecimento. 

Fracas políticas de apoio à natalidade a par de problemas estruturais da sociedade e de um modelo sócio-económico que não favorece nem incentiva a decisão de se ter filhos, bem como a desagregação e desvalorização do modelo convencional de família, concorrem e contribuiem para esta situação. 

Não tarda, passaremos a ter necessidade de abrir as comportas à migração, importando raças, credos e culturas diversas, transformando-nos numa miscelânia à francesa, sem qualquer base de identidade nacional, ou o que isso já queira significar.

Como diz o povo, colhemos o que semeámos.

25 de março de 2020

Indignações e indignidades

Indignamo-nos, todos, de casos "maregas", porque na essência está a premissa de sermos todos iguais, nos deveres e direitos, independentemente de raça, cor, credo, ideologias, etc. Mas depois, confrontados com o actual drama da pandemia Covid-19 à escala global, esses direitos, essas igualdades, parecem ir por água abaixo quando o critério para o auxílio e cuidados médicos, é, afinal, o critério da selecção natural, dando-se primazia do mais novo em detrimento do mais velho, do mais forte em desfavor do mais fraco. 

Não importa que um homem ou mulher de 65 anos, ou mais, tenham contribuído para o país e para o Estado, durante 40 ou 50 anos, começando a trabalhar ainda em criança, suportando dificuldades, ajudando a ultrapassar crises e desmandos de governantes, sem nada receber em troca, sem um único dia de baixa médica, sem uma despesa na faculdade, na formação académica ou profissional, ou no hospital. Na hora da verdade esse mesmo país, esse mesmo Estado, não lhe garantem uma cama, um ventilador. É triste e mesmo dramático, mas já é a verdade pura e dura em Itália, também aqui ao lado na Espanha e, oxalá que não, mas virá a sê-lo em Portugal. Uma espécie de eutanásia imposta.

Pelo menos que a hipocrisia de quem nos governa deixe cair a máscara e por mais dura que seja a realidade, saibamos quais as regras do jogo e com o que podemos contar numa sociedade de coisinhas politicamente correctas, muito "frasquinho de cheiro", polvilhada de susceptibilidades, mas que na hora do "mata-mata" revela que afinal, somos todos iguais, brancos ou pretos, mas diferentes e segregados no critério da puta-da-idade e das probabilidades de vida. Afinal pouco nos distingue da selva.

20 de março de 2020

Muitas cigarras e poucas formigas


Sem pretender fazer juízos errados e injustos, e por isso sem generalizar, mas apenas como uma reflexão, percebe-se que é em tempos de dificuldades e crises, como a que extraordinariamente vivemos, que vêm ao de cima os erros e más políticas, nomeadamente na gestão de muitas empresas e mesmo no plano familiar.

Veja-se, de modo particular, o sector do turismo, como hotelaria, alojamento local e muito do tecido da restauração: É sabido que nos últimos anos tem gozado de um crescimento muito positivo, quase exponencial, com casas e espaços constantemente cheios, quintas de eventos com marcações em lista de espera, e desse cenário idílico resultou um "boom" de oferta de alojamento, nomeadamente em cidades com peso histórico, como no Porto e Lisboa, mas um pouco por todo o lado, mesmo na nossa vizinhança. Qualquer pardieiro, mesmo que incaracterístico, era vendido como se um palácio fosse. Anda bem, porque muitos e muitos encontraram ali mais do que um complemento de rendimento. A onda era alta e todos aproveitavam.

Mesmo a folga para irmos de férias para o exterior era muita e veja-se os milhares apanhados um pouco por todo o mundo com este encerrar de portas global. Nas agências de viagens os balcões estavam sempre cheios, com gente a marcar, a marcar, a marcar. Gastar, gastar, gastar!

Enfim, muita gente e muitas empresas ganharam muito dinheiro. Mas agora que estamos a lidar com algo inesperado que está a afectar toda a economia e de modo particular o sector do turismo, é vê-los, empresários e empresas já aflitos a reclamarem rápidos apoios do Estado, aparentemente mostrando-se incapazes de suportar pelo menos um, dois ou três meses de inactividade.

De tudo isto, resulta que na generalidade tanto particulares como muitas empresas não têm sabido lidar com o tempo de vacas mais gordas a ponto de não serem capazes de acumular bases e economias que possam ser usadas em tempo de crise, como lastro em barco em mar agitado. Pelo contrário, é vida boa, à grande e à francesa e as "cigarras" da nossa sociedade gostam é do "dolce far niente". Ninguém gosta de ser formiga, pois não.

Infelizmente é o que temos e não me parece que esta mentalidade de gozar à tripa farra venha a mudar depois de alguma bonança da actual tempestade. Mas a oportunidade é de ouro para rever prioridades e valores.

15 de março de 2020

O amanhã...


Concerteza que se há-de ultrapassar esta situação, mesmo que ainda com consequências imprevisíveis.

Mas depois dos escombros, será importante que se aproveitem as lições, os ensinamentos. Desde logo ao nível do sistema de Saúde, na preparação e num estado de permanente alerta e prontidão, de stock de produtos, acessórios e equipamentos bem como valorizar todos os profissionais.

Depois que as pessoas aprendam a valorizar ainda mais as questões de saúde pública, todos os procedimentos de limpeza, tanto na nossa casa, em contexto privado ou público.

Mesmo, sobretudo para a China, que tire lições de uma absurda cultura alimentar em que se come tudo o que mexe, num comércio sem mínimas condições de higiene e controle sanitários, com contacto permanente com a vida selvagem com todos os perigos de contágio decorrentes. A revolução moderna desta grande nação também deveria passar por aí, pela mudança de cultura da higiene e da alimentação segura..

Em suma, há tanto e tanto para aprender para que depois de mitigada a crise a sociedade e humanidade em geral saia mais forte e mais preparada mesmo que tenha, e terá seguramente, mais custos.

Por ora, para além das medidas que são vão tomando em Portugal e na Europa, mesmo em todo o mundo, surpreende-me que por cima do meu quintal continuem a sobrevoar a cada minuto aviões, trazendo gente que aterra sem qualquer controlo. Nestas coisas tende a haver sempre paradoxos e Portugal é fértil neles. Não bastou tomar medidas de encerramento de escolas e outros estabelecimentos com pelo menos duas semanas de atraso, nem desvalorizar nos hospitais situações que indiciavam perigo de propagação, deixando gente livremente, para ainda se continuar de fronteiras terrestres e aéreas abertas. 

Até quando se vai continuar a facilitar?

6 de março de 2020

Nem tudo é a cores...

Admitindo e correndo o risco de algum exagero, pelo que vou lendo, vendo e ouvindo das notícias sobre os casos confirmados e suspeitos em Portugal do Covid-19,  parece-me que em algumas das situações houve um correr de risco desnecessário com pessoas a viajar para Itália, quando já se sabia que era uma zona de risco. Ora em férias, ora em trabalho, certo é que quase todos os casos remetem para o relacionamento de estadia nesse país.

Em todo o caso, para os apologistas da plena globalização, do que ela tem de melhor e positivo, e tem, importa também ter em conta o outro lado da moeda e que esta situação da propagação do Covid-19 é apenas um dos efeitos negativos. E não é de menor importância porque é a saúde pública global que está em causa.

As situações ocorridas nos últimos anos dizem-nos que este é apenas um episódio mas virão mais no futuro e cujas repercussões em concreto não podemos determinar, apenas suspeitar, até mesmo num contexto de terrorismo. Espalhar meia dúzias de kamikazes infectados com algo desconhecido no meio de uma multidão poderá ser mais eficaz que muitas bombas e atentados. O resto, fica por conta da globalização.

Mas isto sou eu a exagerar...

18 de fevereiro de 2020

Notas do dia

Indignações.

As notícias de hoje dão conta de um homem de 60 anos que morreu na sala de espera das urgências do hospital de Beja depois de três horas e meia sem ter sido atendido.
Junta-se a um caso recente e em tudo similar que ocorreu em Lamego. 

Todavia, temo que a reserva de indignação tenha sido toda desbaratada com o recente caso de racismo num contexto de um espectáculo desportivo.

Estes casos de Lamego e Beja deviam igualmente correr mundo e inundar as redes sociais e merecer autos de fé de indignação, mas cheira-me que não. Em todo o caso vou ficar atento aos Costas, Marcelos e outros profissionais da indignação, mesmo os do nosso terrão.

Seremos todos Beja e Lamego?


Caixas de Pandora.

Confesso que não tenho posição vincada sobre a questão da despenalização da Eutanásia. Em ambos os lados encontro razões e justificações válidas.

Porém, de algum modo, perturba-me que possa ser um grupo de pouco mais de uma centena de deputados, numa certa matriz ideológica, contra a posição da Ordem dos Médicos, a decidir algo que se sabe de antemão ser fracturante da sociedade portuguesa. Hoje poderá ser a esquerda a fazê-lo, amanhã a direita a desfazê-lo ou vice-versa. A toque de caixa de ideologias. Porventura não haverá outra forma de o fazer, porque, lá está, é a democracia, mas fica sempre muito por fazer, no caso quanto à insuficiente e ineficiente rede de cuidados de saúde, sobretudo os destinados a casos terminais. 

Passos Coelho terá dito, mais coisa menos coisa, para que os desempregados mudassem de país. Por agora, de algum modo, vai-se criar condições para que os doentes se possam matar.

Abertas algumas caixas de Pandora, onde é que isto irá parar?

4 de julho de 2019

E falam no aquecimento global...


O mês de Junho de 2019 foi o 13º mais frio desde 1931 e o mais frio desde 2000. O valor médio da temperatura média do ar, 18.19 °C, foi inferior ao normal com um desvio de -1.23°C. O valor médio da temperatura mínima do ar, 11.66°C, foi 1.84°C inferior ao valor normal, sendo ao 4º valor mais baixo desde 1931 (mais baixo em 1972, 10.89 °C). O valor médio da temperatura máxima do ar, 24.73°C, foi 0.63°C inferior ao valor normal, sendo o 2º valor mais baixo desde 2000 (mais baixo em 2007). Valores da temperatura máxima, neste período, inferiores aos registados ocorreram em cerca de 30% dos anos, desde 1931.

[fonte: IPMA]

3 de junho de 2019

Tu queres é colinho...

Por estes dias, num daqueles programas televisivos de festas em que se mostra gastronomia, chouriços e outros enchidos, enquanto vários cantores pimba vão entretendo o povo, e sobretudo em que vamos sendo constantemente massacrados para ligar para um certo número de telefone a troco de um sorteio de prémio em cartão ou mesmo um carro, quando em certa altura a câmara fez uma panorâmica pela assistência, reparei de uma assentada em várias pessoas com cães ao colo. Em contrapartida, pessoas com filhos pequenos ao colo, apenas uma. 
Não vou nem quero fazer interpretações desta situação que nos pode parecer, e é, paradoxal, mas, porque cada vez mais comum, devia despertar alguma reflexão. Há algo que parece não bater certo, não porque sejam situações erradas mas porque nelas há qualquer coisa que parece subverter a ordem natural das coisas. Mas, verdade se diga, numa época em que muita coisa anda ao contrário, só surpreende que alguém se surpreenda. Não tarda, e teremos um PAN ou algo do género a reclamar do estado providência o abono de família para cães e gatos.

2 de maio de 2019

Ad perputuam

As estatísticas dizem que por ano em Portugal morrem em média 12 pessoas diariamente de enfarte do miocárdio. Por conseguinte, os números de ataques serão substancialmente superiores já que, felizmente, a maioria dos casos, por rápida intervenção médica, consegue ser resolvida e menorizada nas suas consequências fatais. 

Apesar disso, a comunicação social vai abordando destas coisas de forma marginal e normalmente apenas em números, até porque estas situações não escolhem idades, nem profissões, nem estatutos sociais. 
Mas quando uma dessas pessoas, apenas mais uma vítima desse problema de saúde, se chama Iker Casillas e é um famoso guarda-redes de futebol, do F.C. do Porto mas que foi do Real Madrid e da selecção espanhola, então temos tudo quanto é comunicação social, do país, de Espanha e do resto do mundo, a trazer o Iker Casillas às primeiras páginas.

Isto não é mau, se de algum modo contribuir para uma maior consciencialização deste problema de saúde que afecta diariamente muitas pessoas, até porque se aproveita a ocasião para melhor se explicar os contornos do acidente cardíaco e dos seus sintomas que podem concorrer para uma rápida e eficiente ajuda médica, mas por outro lado demonstra que a nossa sociedade continua a orbitar em torno dos famosos, ricos e importantes. Os demais, a larguíssima maioria, são apenas números. E quanto a isto não há volta a dar, pelo menos enquanto não se mudarem mentalidades e enquanto essa mesma larguíssima maioria anónima não deixar de consumir o mediatismo dos famosos, mesmo alimentando-o.

Em todo o caso, deste caso, fica pelo menos o desejo de que qualquer um cidadão anónimo, mesmo que pobre e desvalido, possa ter o mesmo e rápido socorro, atendimento e tratamento hospitalar perante uma situação destas, como teve Casillas. Todavia, infelizmente, não há como negá-lo, esta não é a realidade generalizada. Os famosos e ricos, em suma os Casillas deste mundo, continuarão ad perpetuam a ter um melhor e mais rápido socorro e tratamento.