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07/07/2026

A lei da relatividade

Confesso que me tenho esforçado para me desligar do fenómeno futebol, pela simples razão de que já não tenho idade nem paciência para me preocupar com banalidades. Tenho-o conseguido, sem dificuldade, diga-se, tanto do meu Benfica como da nossa selecção. Quanto a esta, enquanto o país perdia horas de cama e enchia praças para assistir aos jogos, eu entretinha-me com coisas para mim bem mais importantes. Gostos e opções!

Com isto não significa que não ficasse contente com as vitórias da selecção, mas também não me estristecem as derrotas, como agora a eliminação, sobretudo quando pouco fizeram para o evitar. Uma das vantagens decorrentes de uma certa idade é a de dar a importância relativa ás coisas. Ora nesta fase da vida, perder tempo ou arranjar azias com o futebol não é, de todo, preocupação. Não perco uma hora de sono nem troco um quilo de tomates da minha horta por uma vitória da selecção ou mesmo do Benfica.

Em resumo, enquanto arde o país florestal e o político, um bom balde de água fria ajudou a acalmar o ambiente. Os balões perderam o ar, os deuses e príncipes da bola, com os seus pés de barro desceram à terra e agora vão de férias para locais de luxo e continuar os seus contratos milionários. Os outros, os adeptos, esses têm que continuar a trabalhar para no final do mês terem pelo menos o ordenado mínimo.

Bem-vindos à realidade!

28/06/2026

Troféu Elísio Mota - 2026

 


A equipa de veteranos do Guisande F.C. realizou, na tarde deste sábado, 27 de junho de 2026, mais uma edição (3.ª) do Troféu Elísio Mota, que decorreu no Campo de Jogos do Reguengo.

O evento ficou marcado por um encontro de futebol entre os veteranos guisandenses e a formação homóloga do Fermedo. Embora a equipa de Arouca tenha vencido a partida por 1-2, o desfecho desportivo foi o menos relevante. O verdadeiro propósito do dia prendeu-se com a homenagem contínua e a preservação da memória de uma personalidade que se dedicou profundamente ao clube. O momento contou com a presença marcante da sua esposa, Cecília, e do seu filho, Sandro Mota.

O Guisande F.C. , seus dirigentes e atletas estão, por isso, de parabéns por manterem viva a gratidão para com aqueles que tanto deram à instituição. Ao longo da história do clube, muitos outros deram o seu contributo, mas este troféu em memória de Elísio Mota acaba por simbolizar e honrar o esforço de todos os que ajudaram ao engrandecimento da colectividade.

Bem-haja a todos!



[fotos: Guisande F.C.]

18/06/2026

Ainda faltam muuuuuuuitos jogos


Por estes dias, os nossos políticos, criticando-se mutuamente, fartaram-se de usar analogias envolvendo futebol, a selecção portuguesa e Ronaldo. Desde o primeiro-ministro ao chefe da segunda equipa da oposição, passando pelos partidos insignificantes, ninguém resistiu, como as marcas a explorar a publicidade.

Pegando na deixa, com este tipo de jogo e qualidade técnica, nem na 3.ª divisão regional estes artistas políticos teriam lugar. Talvez num jogo entre mal-casados e solteirões.

Quanto ao jogo da selecção, que, diz quem viu, foi um fantástico treino na praia, numa pura demonstração de ignorar a baliza, vamos ter esperança na malta e em Ronaldo e desejar que daqui a 4 anos ainda seja ele e mais 10. Além do mais, fomos campeões europeus sem jogar um caralho com empates e desempates.

Devemos, pois, pela amostra contra a potência congolesa, estar no caminho certo para sermos campeões do planeta, para além de que, segundo os jogadores no final da partida "ainda faltam muitos jogos". Como quem diz, sendo hoje Quinta-Feira, ainda faltam muitos dias para o fim-de-semana. 

11/05/2026

No mínimo, uma taça...

Um clube de futebol de topo, já consagrado campeão nacional, que venceu com justiça (e muita azelhice dos principais adversários), mas  que na penúltima jornada perde de forma categórica com o clube último classificado e já despromovido à divisão inferior, no mínimo deveria ter direito a uma taça dourada a lembrar esse feito. Não sendo inédito, não é para qualquer um. 

Tendemos a valorizar os grandes feitos, mas é injusto que os enormes defeitos sejam esquecidos. Também eles têm o seu quê de poético.

Quanto ao Benfica, depois de uma época miserável, mesmo depois de ter perdido a hipótese de conseguir o 2.º lugar, importante apenas pelo lado monetário, arrisca-se a ficar em 3.º sem perder qualquer jogo. Se a concretizar-se, também a merecer uma taça pela mediocridade invencível.


04/05/2026

No tempo em que havia mais alma e menos imigrantes

 


Equipa do S.L. Benfica, na época 1974/1975 (Campeão Nacional). Do tempo em que os adeptos não andavam a torcer por uma equipa quase toda composta por estrangeiros. Se quisermos o contrário, no tempo em que as equipas portuguesas tinham mais alma...portuguesa, nacional.

Tenho-me desligado do futebol indústria, e ainda bem. Do meu Benfica, não vejo jogos, não pago televisão para assitir no sofá ou ver no campo (até porque é longe), nem leio jornais. Não rebato alarvidades e provocações nas redes sociais, nem alinho em tira teimas a saber quem tem mais ou menos razão na eterna rivalidade entre clubes e se cada um destes tem mais ou menos razão nas ajudas ou roubos por árbitros. É chover no molhado ou regar a praia.

Não tenho camisolas com as cores e emblema do clube e seria incapaz de andar com elas fora do contexto do estádio. Nunca influenciei esposa, filho, afilhado ou vizinho a ser pelo meu clube. Nestas coisas o respeitinho pela identidade própria é muito bonito. Se tiver que ter em casa alguém adepto de outro clube, que seja, apenas pedindo que haja respeito mútuo e bom senso.

Sei dos resultados, muitas vezes,involuntariamente e apenas no dia seguinte e porque, sem querer, as notícias vão-se ouvindo, na televisão ou na rádio. Das duas ou três vezes que, levado por amigos, fui para a rua festejar mais um título, senti-me um tonto, sem saber o que ali estava a fazer no meio da multidão, na maior parte gente estranha, a olharem uns para os outros, com excessos na bebida e nos gestos. A ressaca deveria servir para alguma vergonha pessoal, mas é pedir muito a quem vive estas coisas a dizer que com orgulho, alma e coração, como se isso os fizesse mais capazes ou melhores seres humanos que os rivais. 

Faz-me confusão ver tantos adeptos, ora com maus fígados quando as coisas não correm de feição, ora com entusiasmo desmedido e até fanatismo, quando, afinal, torcem apenas por uma equipa de estrangeiros, que do clube apenas envergam a camisola e recebem os milionários ordenados e sempre com o olho num patrão de um campeonato com mais prestígio, que lhes dobre ou triplique o ordenado. Os dirigentes, treinadores e atletas são pagos a peso de ouro mas precisam de estádios cheios, mesmo que com gente que ganha o salário mínimo e não tem onde cair morto. Mas, cá está, nem sempre o lado racional do adepto da bola é o que tem mais peso e o futebol tem destas coisas. Faz parte, aqui e em todo o mundo. A indústria faz por isso! It's just business!

Posto isto, talvez pelo efeito da idade, que se presta a encolher umas coisas mas também a servir para aumentar algum distanciamento e lucidez, mesmo que não viva do passado, esta fotografia do Benfica de outros bons tempos, como muitas outras, incluindo as que moram nas minhas dezenas de cadernetas de cromos, servem para lembrar um tempo em que as equipas de futebol, desde os distritais aos nacionais, tinham muito menos estrangeiros e efeitos do marketing da indústria, mas seguramente mais alma, que se estendia de cima para baixo, dos dirigentes e atletas aos sócios e adeptos.

Concerteza que cada tempo é um tempo e o actual é seguramente diferente, mas quando se vende a alma ao diabo (da indústria) alguma coisa tem de ficar pelo caminho. Parece-me! É apenas a opinião de quem se vai desligando. Talvez seja da idade!


Quanto à equipa: Em cima, da esquerda para a direita: Eurico, Toni, Barros, Shéu, Bento.

Em baixo, pela mesma ordem: Nelinho, Artur, Nené, V. Martins, Jordão, Moinhos.

Era treinador:  Milorad Pavic

15/04/2026

Livro do Guizande F.C. - Rescaldos

 


Ainda o rescaldo da apresentação pública do livro "Guizande Futebol Clube - Apontamentos para a sua história", da sexta-feira passada (10 de Abril de 2026).

Sala cheia, reunião dos ex-presidentes e ausentes em memória. Atletas e dirigentes. O foco, o clube. Um documento de arquivo e uma forma concreta de apoiar. 

Neste contexto, se é certo que a sala esteve cheia e se mais viessem teriam de ficar de pé, no entanto, normal seria que mais figuras, algumas com peso institucional no passado e presente, marcassem presença. Não o fazendo, certamente que por imperativos legítimos dos seus afazeres e vontades pessoais, mas, todavia, fica essa assinatura de ausência. 

Apesar da presença de alguns jovens,notei a ausência de tantos outros. E se não me surpreende nem fez falta a indiferença de alguém da Câmara Municipal, porque dali nada se espera, preocupa-me, sim, alguma indiferença de alguma da nossa juventude, dos mais novos. Afinal, serão eles o futuro e se assim tão desinteressados por algo de comunitário, como o nosso clube, as perspectivas só poderão ser pessimistas. 

Que mais não seja, também por esta realidade presente, importa remar enquanto há tempo e força.


09/04/2026

Guizande F.C. - Liga de Prata 2026

 


A equipa de veteranos do Guizande F.C. na primeira fase da prova da Liga Masters da Associação de Futebol de Aveiro conquistou com todo o mérito um lugar pelo meio da tabela, o que lhe permite participar agora na Liga de Prata. 
Acima, a tabela com os jogos programados.

07/04/2026

Taça "Oliveira e Santos" - 2026

 


No passado Sábado, 4 de Abril, pelas 15:30 horas, no Campo de Jogos "Oliveira e Santos", realizou-se a 1.ª edição da Taça "Oliveira e Santos". 

Foi uma interessante iniciativa do clube, como forma de agradecimento, em memória, aos doadores do terreno (*) onde se localiza o  nosso complexo desportivo no lugar do Reguengo.

A taça foi disputada entre a equipa de veteranos do Guizande F.C. e a congénere do Canedo F.C.

O jogo, bem disputado, num quente dia de Sábado, correu de feição à equipa anfitriã, que venceu por 2-0, marcando assim, de forma positiva, a primeira de, espera-se, futuras edições.

Parabéns ao clube pela iniciativa. O reconhecimento daqueles que foram beneméritos ao clube é também uma forma de conquista.

(*) Maria Angelina Oliveira Gomes e Américo Pinto dos Santos.




[fotos: Guizande F.C.]

22/02/2026

Racismo e macacada


Racismo no futebol? Não me parece. Nos casos mediáticos, creio haver uma sobrevalorização em tudo o que mexe ou parece. Desrespeito mútuo, falta de cultura, atitudes provocantes e provocatórias, isso sim. Nada justifica o racismo, genuíno ou provocatório, como nada justifica o clima persistente e recorrente de más atitudes, entre adeptos, atletas mas também entre os clubes e seus dirigentes. Os maus exemplos tendem a ser seguidos.

Para além de tudo, supostamente chamar macaco a um futebolista, seja ele branco, amarelo ou negro, para além do desrespeito ao próprio, pode ser uma ofensa aos próprios macacos. Cada macaco no seu galho, mesmo que o futebol assim não passe de uma macacada.

Macacos me mordam se não é isto!

21/01/2025

Guisande F.C. - Liga Masters 2024/2025 - 11.ª Jornada

 


À 11.ª jornada da Liga Masters da Associação de Futebol de Aveiro, o Guisande F.C. mantém uma posição muito interessante, sabendo-se que fazem parte da competição equipas de muito valor, experientes e de há muito bem estruturadas.


26/03/2024

Guisande F.C. - Liga Masters AFA - Jogo 18

 


Após 18 jogos, continua em bom nível a participação dos veteranos do Guisande F.C. na Liga Masters da AFA, ocupando à condição um honroso 6.º lugar e depois de na última jornada ter recebido e vencido a boa equipa do C.D. Feirense por 1-0. 

Parabéns aos rapazes!.

19/02/2024

Guisande F.C. - Liga Masters AFA - Jogo 13

 


No que foi o seu jogo 13 na Liga Masters da AFA, a equipa do Guisande F.C. Veteranos visitou e venceu neste último Sábado a equipa congénere do ADC Lobão, por 0-2, consolidando-se no meio da tabela classificativa. Parabéns!

05/02/2024

Guisande F.C. - Liga Masters AFA - Jogo 11

 

A equipa de veteranos do Guisande F.C. no que foi o seu 11.º jogo da prova, recebeu e defrontou neste Sábado, 3 de Fevereiro de 2024,  o Fiães S.C. e venceu por 3-0. Um excelente resultado contra uma boa equipa, o que estabiliza a equipa aproximadamente a meio da classificação.

Parabéns!

25/01/2024

Guisande F.C. - Liga Masters AFA - Jornada 9

 

Após a realização da partida 9, em que no passado Sábado, 20 de Janeiro de 2024, recebeu a ADC Sanguedo, em que não foi além de um empate a zero golos, o Guisande F.C. Veteranos segue praticamente a meio da tabela com 9 pontos, o que corresponde a uma média de 1 ponto por jogo. A classificação acima mostra que há várias equipas com diferentes números de jogos o que de algum modo a torna provisória.

Considerando as maiores exigências desta prova, o nosso clube tem tido uma participação muito positiva o que é de enaltecer.

19/12/2023

Futebol, paz, amor e bananas

No nosso futebol maior o Sporting recebeu ontem o F.C. do Porto, em jogo que venceu por 2-0, colocando-se no primeiro lugar da classificação.

Não vi nem ouvi, apenas o resumo e análise e hoje de manhã nas notícias. Do que vi, mais um jogo que correu bem, com jogadores e treinadores a respeitarem-se e a trocarem cordialidades, incluindo no final da partida. Foi, a meu, ver mais uma sessão de desejos mútuos de feliz Natal e boas festas. Mesmo a expulsão do Pepe só aconteceu porque ele queria ir embora mais cedo para compromissos de fazer de Pai Natal num centro comercial. Um exemplo de correcção este rapaz já crescidote.

Com este clima em espírito natalício, quando assim é vale a pena ir ao futebol, porque aquilo é só paz e amor. Amém!

Já agora, ouvimos por ali que as contas fazem-se em Maio. Pois claro! É sempre bom termos a certeza de que 2+2 são 4 e que o Natal é a 25 deste mês. A malta do futebol, boa rapaziada, são mestres das vulgaridades, do curto e grosso, mas é assim que a coisa funciona e não se pode esperar que um castanheiro produza bananas.

12/09/2023

Gatões e ratinhos

Na vida real ninguém, presumo, gosta de ver um adulto a bater numa criança ou num inadaptado, mas no futebol de selecções ao mais alto nível isso acontece sem esmorecimento. 

Não se percebe, pois, o que selecções de futebol como Luxemburgo, S. Marino, Andorra, Ilhas Faroé, Liechtenstein, Gibraltar, Malta e outras que tais, andam por ali a fazer, a não ser de figuras de meigos passarinhos para os gatões os depenarem e se lambuzarem.

Mas dizem os entendidos nesta matéria difícil do chuto na bola, que as senhoras FIFA e UEFA, duas gatonas gorduchas e ávidas por whiskas com cifrões, não se incomodam com isso porque quanto mais selecções, mais jogos e mais direitos. Com jeitinho ainda lá metem os Açores, a Madeira e as Canárias.

Poderia e deveria haver um sistema de divisões,  ou então, mal por mal, um sorteio puro e duro, pelo menos para se garantir um princípio de aleatorieadde; Mas não, a FIFA e a UEFA não querem saber disso e para além desse desequilíbrio notório, ainda o potencia e confina com o sistema de potes, à moda dos antigos fojos que os pastores usavam para caçar os malvados dos lobos que lhes apanhavam os mansos cordeirinhos. Assim, com este sistema de pirâmide, garante-se o direito de que a dois gatos mais fortes, cabem sempre um ou dois ratinhos tenros. 

Mas a quem incomoda isto? À maioria era vê-los, ontem, todos rejubilosos, no Algarve, a festejarem a cabazada ao Luxemburgo, como se fosse um jogo de hóquei em patins. Só lá faltava o Ronaldo para somar mais uns quantos.

Se o futebol competitivo é isto...

10/08/2023

Fujamos da chuva!

Num jogo de futebol, vejam lá a novidade, há três desfechos possíveis: a vitória, a derrota e o empate. Por conseguinte, sendo disputado por duas equipas, se não houver empate significa que uma vencerá e a outra perderá. Perceberam?

Por conseguinte qualquer adepto da coisa deve estar preparado para qualquer resultado da sua equipa, seja em que contexto for, para além da outra questão acessória que é a decisão eventual do desempate por penalties. Outros quinhentos.

Todavia, se há muita e boa gente que percebe isto e como tal se comporta, outros há que é tiro e queda, ou seja, convivem mal com a derrota e raramente ou nunca a aceitam. Há quem diga, para o justificar, que isto é fervor, mística e amor ao clube, mas também quem considere que é apenas o elementar fanatismo, falta de fair-play, respeito ou mesmo fanfarronice.

Ora esta situação é mais grave quando esses adeptos ocupam igualmente posições de liderança e como tal com muitos olhos postos no seu exemplo.

Mas em rigor isto já pouco interesse tem e serve apenas para alimentar jornais e debates na TV porque com o futebol na dimensão em que está, não passa de uma mera indústria, um negócio de muitos milhões, que usa os adeptos apenas como fonte de receita para pagar principescamente a jogadores, dirigentes e empresários. Por conseguinte os valores que ainda, pensamos que estão lá, como o desportivismo, o fair-play, o respeito pelo adversário, etc, são na realidade eufemismos sem correspondência e usados apenas para entreter gente sem sono.

Mas que é interessante assistir a este "jogo" para além do rectângulo de jogo, é, porque nele podemos ver até onde vai o pior que o futebol tem, a rivalidade doentia, o desrespeito mútuo, a fanfarronice, a falta de bom senso, etc.

É o que é! Talvez por isso, a leste do paraíso, só soube hoje de manhã do desfecho do resultado de um certo jogo de futebol que terá acontecido ontem ao início da noite. E, como se previa, sem surpresas, não tanto no resultado, que poderia ser qualquer um, mas sobretudo nas reacções a ele. Mais do mesmo.

Se está a chover, fujamos da chuva, a não ser que valha a pena ver alguém a molhar-se!

14/06/2023

Desportivismo e falta dele

Marcus Rashford, um dos bons futebolistas do Manchester United, deu os parabéns ao rival, Manchester City, pela conquista de Premier League, Taça de Inglaterra e Liga dos Campeões.

Em declarações à Sky Sports, disse:

«Não é agradável, mas o futebol é assim. A melhor equipa, que joga, consistentemente, o melhor futebol, vai conquistar a maior parte dos troféus. Eles conquistaram três, por isso, bom para eles. Temos de seguir em frente». «Cabe-nos a nós apanhá-los. Vou dar-lhes os parabéns. É o futebol. Não é nada de novo. Olhem para a rivalidade de há alguns anos entre Barcelona e Real Madrid... Eram de forma consistente os melhores e ganhavam títulos»

Façamos agora um exercício imaginando que isto ocorreria em Portugal. Estamos a ver alguém do F.C. do Porto dar os parabéns ao rival Benfica? Ou então ao contrário? Tretas!

Por aqui, em grande parte devido a  uma rivalidade fanática e acicatada tanto por dirigentes como por jogadores e treinadores, o clima é precisamente o contrário: Nada de desportivismo nem reconhecimento do mérito adversário, mas antes a depreciação, a desvalorização das conquistas, e pior do que isso, a ofensa e a provocação mútuas.

Por cá somos assim, sempre a um nível inferior e com bons (maus) exemplos de comportamentos anti-desportivos. Mas há quem os siga e os tenham como doutrina e mística.

13/06/2023

Condenação

Nesta segunda-feira, no Juízo Central Criminal de Lisboa. Francisco J. Marques (diretor de comunicação do FC Porto), foi condenado a um ano e dez meses de prisão e Diogo Faria (diretor de conteúdos) a nove meses de prisão, ambos os casos com pena suspensa. Ambos estão ainda condenados a pagar 10 mil euros, de forma conjunta, a Luís Filipe Vieira, que se constituiu como assistente no processo. Júlio Magalhães (ex-diretor do Porto Canal) foi absolvido.

Importa realçar a condenação. Pena que a pena seja suspensa. Nem que fossem uns três meses de prisão efectiva fariam bem aos condenados para se consciencializarem de que não pode valer tudo em nome do fanatismo e rivalidade clubística.

Mesmo admitindo que as mensagens privadas obtidas de forma ilegal e divulgadas igualmente de forma criminosa e ainda por cima com alguma manipulação, pudessem ter indícios de deturpação do sistema ligado ao futebol e arbitragem, tal não justifica os crimes cometidos por esses senhores. Pena ainda que o ex-director do Porto Canal tenha sido absolvido quando é demasiado claro que teve responsabilidades na divulgação pública enquanto director da estação.

Em todo o caso, sabemos que a sentença ainda é passível de recursos, o que vai acontecer porque nestas coisas ninguém quer admitir a derrota e o artista Francisco J. Marques já disse que "a luta continua", como se o crime de apropriação e divulgação de mensagens de carácter privado de terceiros, de uma instituição ou de um particular, possam ter aceitação de ânimo leve num Estado de Direito e seja uma luta pela qual valha a pena lutar. Em suma, o homem apesar de condenado dá ares de quem não está arrependido, bem como transmite uma mensagem clara de que vai reiterar no mesmo crime. Ora quando assim é, sabendo-se que o arrependimento ou a falta dele é factor importante na determinação das penas criminais, a Justiça só tem um caminho, condená-lo a prisão efectiva.

Por mais que eles e muitos dos deles defendam nesta questão o interesse público dos seus actos, não pode valer tudo, e no dia em que a Justiça legitimar este tipo de crimes, então já mais nada há a defender no que toca à defesa e salvaguarda da vida privada. O cerne do problema, a manipulação de eventuais procedimentos ligados ao futebol e ao desporto em geral, em favor próprio, têm que ser combatidos, sejam prevaricadores o Benfica, o Porto ou qualquer outro clube ou quaisquer dirigentes ou agentes desportivos, mas com os meios e canais legais que a Justiça e a lei têm ao dispôr. Fora disso é campo da ilegalidade e do crime. 

Já agora, para terminar, uma questão: Os condenados fariam o mesmo se os emails em causa atingissem o seu próprio clube? Oram respondam lá!

28/05/2023

38 - No fim de contas apenas um número, um dejá vu

 


Conforme já o escrevi por aqui há algumas semanas, confesso que pelo andar arrastado da carruagem das últimas jornadas não tinha grande esperança de ver o Benfica a conquistar o seu 38.º título de campeão nacional de futebol da 1.ª Liga Portuguesa. Chegou a ter 10 pontos de vantagem e com possibilidade de chegar aos 13 mas acabou apenas com 2. Decidido ficou o título na última jornada vencendo com naturalidade o último classificado, o Santa Clara. 

Apesar disso, pela parte que me toca, sem qualquer entusiasmo e euforia. De resto nem vi nem ouvi o jogo apesar do seu carácter decisivo e festivo. E se nesta noite abri um bom espumante nem foi para celebrar tal coisa, mas antes pela amizade e convívio, não com benfiquistas, mas com um portista.

Isto porque, deve ser do raio da idade, já nada acrescenta e porque aprendemos a colocar cada coisa na ordem natural de importância nas nossas vidas. Ora o futebol, incluindo o nosso clube, numa época em que não passa de uma indústria que gere, recebe e paga balúrdios de milhões, onde os jogadores são profissionais, príncipes e idolatrados,  e tantas vezes meros mercenários, porque trocam de clube por uns trocos a mais no salário, já perdeu aquela mística verdadeiramente genuina e clubista onde havia uma coisa chamada amor à camisola e ao clube.

Quanto ao F.C. Porto, lutou naturalmente até ao fim, como é seu timbre, e na partida que poderia ser decisiva foi logo a partir dos 2 minutos de jogo que a coisa ficou inclinada a seu favor com uma estúpida e inexplicável expulsão (bem justificada) de um jogador do Vitória de Guimarães. O castigo de ser ultrapassado pelo Arouca foi mais que merecido. Há nódoas que não se apagam e só não apanharam 11 porque o Porto desligou quando sabia o resultado que corria lá para os lados da Luz e o Taremi à custa de uma inusitada (mas normal)  fartura de penalties sagrou-se o mellhor marcador da Liga. Mas foi merecido para o iraniano porque quem tanto mergulha acaba por nadar. E de resto, reconheça-se, é um excelente avançado.

Apesar disso, nas últimas jornadas o Porto manteve sempre o discurso de acreditar mesmo que não dependendo de si. Isto é crença e porque fica bem perante a massa adepta, mas é sobretudo fanfarronice. Quando não dependemos de nós próprios temos que o salientar e valorizar. Mas isto durou muitas jornadas e nas últimas até a imprensa azul e branca andou a alimentar a coisa e até foi desenterrar ao Japão um tal de Kelvin a recordar gloriosos milagres como se isso bastasse para decidir a seu favor algo que dependia dos outros. Ainda na véspera da jornada decisiva o habitual condicionamento dos árbitros. Mas até aqui é tudo natural e dali não se espera nunca que venha qualquer mérito ao adversário, nem por via de dúvidas. Um treinador que não sabe empatar nem perder e até nem vencer, andará toda a vida como aquele soldado que no pelotão considera que vai a marchar de passo certo e que todos os outros é que andam descompassados.

É futebol! Para a próxima será mais do mesmo, vença Benfica, Porto, Sporting ou qualquer outro. Será sempre um filme já visto, um dejá vu.