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29 de setembro de 2022

Irmã Alzira Santos

A irmã religiosa Alzira Santos, deu a cara no página online da Agência Ecclesia, onde fala na primeira pessoa sobre a sua experiência enquanto responsável pelo refeitório social em Lisboa da  Congregação Filhas da Caridade de São Vicente de Paulo, onde se integra. 

Lamenta a falta de dignidade das pessoas pobres, na sociedade contemporânea. Entre outras considerações que ali podem ser lidas, diz que, “Já assisti a funerais de pessoas e pensei que há animais que têm mais dignidade. Acompanha-se um funeral e, já nem digo uma Missa, mas não se vê sentimentos da família. Fico a pensar como é que é possível, em 2022, onde se diz que o mundo está tão desenvolvido, encontrarmos situações muito difíceis”.

Alzira Santos é uma figura que nos prestigia. O artigo merece leitura atenta porque reflecte a visão de quem na primeira pessoa lida com o lado da pobreza e da doença.

12 de setembro de 2022

Pe. Alexandre Moreira - Pároco de Sandim, Lobão e Vila Maior

 


Tomou já posse das paróquias de Santa Maria de Sandim, S. Tiago de Lobão e S. Mamede de Vila Maior, o jovem Pe. Alexandre Manuel Teixeira Moreira, que havia sido nomeado pelo Bispo do Porto.

O novo pároco  tem 26 anos e é natural da freguesia de Cabeça Santa, município de Penafiel. Estudou no Seminário Maior da Diocese do Porto. Foi ordenado em 10 de Julho deste ano de 2022.

A sua missão não é fácil pois são três paróquias, duas delas bastante populosas, mas certamente que a sua juventude o ajudará a levar a bom porto as suas funções.

Votos de bom trabalho pastoral e que as respectivas comunidades saibam ser merecedoras do privilégio de receberem um jovem sacerdote. Por sua vez que o padre saiba compreender as necessidades das paróquias, no respeito e valorização das suas melhores tradições e práticas, e que saiba ser pastor interessado a reunir as ovelhas e não factor de as dispersar. Que o Senhor o ajude!

À pergunta do serviço de média da Diocese, do que é para si ser padre na actualidade, o jovem sacerdote respondeu:

Servir a Igreja no ministério ordenado, nos dias correntes, passará por ser testemunho fiel e oblativo de um amor que se faz tudo para todos, de um amor que brota de um enamoramento primeiro e de um crescimento fecundo que encontra em Cristo Jesus a sua verdadeira e absoluta expressão. A alegria de ser padre manifestar-se-á seguramente por viver a vida com o olhar atento aos sinais dos tempos, sempre numa dinâmica de discernimento pessoal e comunitário e, a partir daí, em ter a ousadia de ser farol e guia, ministro e profeta, pastor e servo de comunhão. Sinodalmente, a vivência presbiteral pautar-se-á mais pela escuta que pela palavra, mais pelo discernimento que pela ação, mais pelo ser e estar que pelo parecer e ter. Na celebração da fé cristã, caberá ao padre, na pessoa de Cristo, ser sacramento e fermento de unidade do povo de Deus. Nesta Igreja a que pertencemos, em que esperamos e à qual amamos, o padre sente-se sempre chamado a ser um fiel discípulo de Cristo que fala coração ao coração. Dar de graça o que de graça se recebe será sempre o ponto primeiro para viver a vocação ministerial ordenada de uma forma plena, sincera, fiel. Na feliz fidelidade a Cristo, o padre será a certeza de que Deus, por Cristo, habita o coração, a vida, cada um de nós.

[foto: averdade.com]

28 de julho de 2021

Semana da Festa do Viso


A Festa do Viso, em Honra de Nossa Senhora da Boa Fortuna e Santo António, não fosse este estado de pandemia que prevalece, teria lugar já neste próximo fim-de-semana. Assim, pelo segundo ano consecutivo, não há festa na aldeia, o que a todos entristece.

Espera-se, contudo, para além da missa que será celebrada na Capela, a ter lugar pelas 10:00 horas de Domingo, que a data seja evocada e vivenciada pelo menos em contexto familiar, esperançados que no próximo ano já seja possível a realização plena da festa.

5 de julho de 2021

LIAM em Fátima








O Grupo da LIAM de S. Mamede de Guisande participou neste fim de semana, 3 e 4 de Julho, na 41ª Peregrinação Nacional da Família Espiritana que decorreu no Santuário de Fátima.

Cerca de meia centena de pessoas participou nas cerimónias que constavam do programa, nomeadamente na Via Sacra,  Acolhimento e Saudação, Rosário e Procissão de Velas, Vigília e na Missa de Domingo, presidida pelo Bispo da Diocese do Porto, D. Manuel Linda. 

O grupo ficou alojado no Hotel Católica, bem perto do Santuário e no regresso fez uma breve visita ao centro histórico de Coimbra e ainda paragem na Mealhada para o jantar.

Tudo decorreu em conformidade dentro do espírito habitual de fé, oração, partilha e convívio.

Parabéns à organização!

29 de junho de 2021

Grupo da LIAM na 41ª Peregrinação Nacional da Familia Espiritana

 


O Grupo da LIAM de Guisande, como é de tradição, vai participar na Peregrinação Nacional da Família Espiritana, na sua 41ª edição, que decorre no próximo Sábado e Domingo, 3 e 4 de Julho. Em sintonia com o próximo Capítulo Geral dos Espiritanos, entretanto adiado, o lema da peregrinação será: “Vejam, vou fazer algo novo” (Is. 42,19).

Programa oficial: 

Sábado, 3 de Julho:

17:45 Saudação a Nossa Senhora, na Capelinha das Aparições

18:30 Encontro Missionário, no Centro Paulo VI (Sala do Bom Pastor)

21:30 Rosário e Procissão de Velas, na Capelinha das Aparições e recinto

23:00 Vigília Missionária com Celebração Eucarística, na Basílica da Santíssima Trindade (ou Capela Morte de Jesus)

Domingo, 4 de Julho:

07:00 Via Sacra nos Valinhos

10:00 Rosário

11:00 Missa no recinto, presidida por D. Manuel Linda

16 de setembro de 2019

S. Cipriano


Neste dia 16 de Setembro, é venerado S. Cipriano.

Os dados biográficos disponíveis em algumas fontes, dizem que Táscio Cecílio Cipriano nasceu no século III, em Cartago, no norte de África (em território da actual Tunísia), descendente de uma família nobre e rica. Pela sua formação, cultura, posição social e intervenção na acção da então jovem igreja cristã, e seus escritos teológicos, é tido como uma das personalidades mais importantes do século III.

Cipriano terá deixado a vida pagã e a profissão de advocacia por volta dos 35 anos, passando a envolver-se nos movimentos cristãos que na altura se propagavam pelo império romano.  Como era então uma figura muito popular, a sua conversão gerou um grande impacto na população. Desprendeu-se da sua riqueza e posição social em Cartago e distribuiu a fortuna pelos pobres.

De pagão a um sacerdote respeitado e seguido foi um passo e em 249 foi nomeado bispo de Cartago. Cipriano de Cartago, como viria a ficar conhecido, foi um famoso mestre da retórica e as suas inspiradas cartas (dizem que por intervenção divina) depressa se transformaram em fonte de fé e mesmo de culto.

Na época o cristianismo que começava a implantar-se era ferozmente perseguido e castigado pelo que também Cipriano, como aconteceu a muitos outras figuras daqueles tempos, acabou por ser perseguido e preso por ordem do imperador romano Décio. Depois de torturado e sem negação da sua forte fé, terá sido executado a 14 de Setembro do ano de 258. Os documentos que narram o seu martírio registam como as suas únicas palavras proferidas "Graças a Deus!".

Cipriano ficou conhecido e popularizado pela sua fidelidade à Igreja e por seus textos teológicos onde defendeu com firmeza o bom comportamento dos fiéis. A Igreja foi um dos seus temas preferidos. Distinguia a Igreja visível, hierárquica da Igreja invisível, mística, afirmando com convicção que a Igreja é uma só, a fundada sobre Pedro. Repetia que “quem abandona a cátedra de Pedro, sobre a qual está fundada a Igreja, fica na ilusão de permanecer na Igreja”

Frequentemente tem sido confundido com S. Cipriano de Antioquia, a quem a história relacionou com o ocultismo,  exorcismo, práticas de bruxaria e feitiçaria antes da sua conversão e mudança num caminho de fé e santidade. Dizem mesmo que ao homólogo de Antioquia é atribuída a autoria de um livro negro de bruxedos e feitiços a que a superstição e ignorância de uns e oportunismo de outros têm contribuído para a sua disseminação.
Na realidade existem várias versões de um livro conhecido pelo "Livro de S. Cipriano) mas trata-se de um grimório, ou seja, uma coletânea de meros rituais e supostos encantamentos mágicos, que, segundo diversas lendas nunca confirmadas documentalmente teriam supostamente sido  escritos por Cipriano de Antioquia antes da sua conversão ao cristianismo. De resto, as referências a esse livro só surgem apenas no século XIX, por isso centenas de anos depois da da data atribuída à morte de Cipriano de Antioquia, que também viveu no século III.

Entre nós, S. Cipriano de Cartago é padroeiro de muitas paróquias, nomeadamente na freguesia de Paços de Brandão - Santa Maria da Feira, sendo igualmente padroeiro no lugar de Parada, da freguesia vizinha de Louredo (a que se refere a imagem acima). Mas, sem confusões, porque já basta a do "Ferreira" ou "Ferrer", o patrono de Louredo é S. Vicente Mártir

18 de agosto de 2019

Isaac, o patriarca das farturas







A Festa em Honra de Nossa Senhora da Piedade em Canedo, é seguramente uma das maiores festas de arraial do concelho de Santa Maria da Feira, mesmo até entre os concelhos vizinhos.

Tradição e devoção à parte, porque todas as terras têm as suas e o seus valores não se medem pelo aparato profano  ou mesmo pelo número de andores e de cavalos na procissão, mas sem dúvida que é uma das grandes romarias da região, com povo em quantidade, velhos e novos, barulho, diversão, barracas de tudo e mais alguma coisa, barracas de churros e farturas com fartura, onde o Isaac é patriarca, rei e senhor, e mesmo um programa musical extravagante e diversificado, desde as tradicionais bandas de música até aos habituais artistas pimba.

Mas para além de tudo, esta festa por vezes tem algumas singularidades que aparentemente escapam a algum sentido de bom senso. Por exemplo, remeter as bandas de música para palcos secundários, com carroceis e pistas de choque a marcar o ritmo, instalados em zona de sol e deixar vago o palco principal e com espaço envolvente com sombrinha fresca, não lembra ao diabo. Mas há quem ache que sim, e que o palco principal deve ficar livre para o pessoal da luz e som preparar a festa da noite. 

Claro que as bandas de música  não estão em condições de reclamar e o público já está habituado a estas singularidades. Como diz a cantiga, "quem gostar come, quem não gostar põe na beirinha do prato".

Já agora, duas excelentes bandas musicais, a do Vale e  a de Tarouquela. Bons executantes e peças musicais de qualidade sinfónica. Mereciam outros palcos, sem ruídos próprios de uma romaria, mas infelizmente a realidade não se compadece com preciosismos ou requisitos técnicos.

S. Mamede - Dia do nosso padroeiro


A paróquia de Guisande celebrou, ontem, dia 17 de Agosto, o seu padroeiro S. Mamede, com missa solene pelas 17:00 horas, seguida de procissão.


Algumas das paróquias portuguesas sob a invocação de S. Mamede:


Paroquias
Diocese
Agrochão
Bragança-Miranda
Aldão
Braga
Arca
Viana do Castelo
Arcozelo
Braga
Argeriz
Vila Real
Ázere
Coimbra
Bolho
Coimbra
Bustelo
Porto
Cabreiros
Porto
Cambeses do Rio
Vila Real
Canelas
Porto
Caniçada
Braga
Castanheira do Vouga
Aveiro
Cepães
Braga
Cibões
Braga
Coronado
Porto
Cuide de Vila Verde
Viana do Castelo
Deocriste
Viana do Castelo
Escariz
Braga
Este
Braga
Évora
Évora
Ferreira
Viana do Castelo
Friestas
Viana do Castelo
Gomide
Braga
Gondiães
Braga
Gondoriz
Braga
Guide
Bragança-Miranda
Guisande
Porto
Lindoso
Viana do Castelo
Madail
Porto
Manhuncelos
Porto
Marrancos
Braga
Mata Mourisca
Coimbra
Mesquitela
Viseu
Mogadouro
Bragança-Miranda
Negrelos
Porto
Parada do Monte
Viana do Castelo
Perafita
Porto
Quiaios
Coimbra
Recesinhos
Porto
Ribeirão
Braga
Sandiães
Viana do Castelo
Santa Cruz da Trapa
Viseu
São Mamede
Leiria-Fátima
São Mamede
Lisboa
São Mamede da Ventosa
Lisboa
São Mamede de Infesta
Porto
São Mamede de Riba Tua
Vila Real
Seara
Viana do Castelo
Seroa
Porto
Serzedo
Porto
Sezures
Braga
Sortes
Bragança-Miranda
Talhadas
Aveiro
Travanca
Bragança-Miranda
Travanca
Porto
Troviscoso
Viana do Castelo
Vale de Remígio
Coimbra
Valongo
Porto
Vermil
Braga
Vila Chã
Porto
Vila Cova de Seia
Guarda
Vila Maior
Porto
Vila Marim (Mesão Frio)
Vila Real
Vila Verde
Porto
Vilarinho
Braga



20 de junho de 2019

Comunhão Solene 2019


Realizou-se nesta Quinta-Feira, Dia da Solenidade do Corpo de Deus, a Comunhão Solene na nossa paróquia de S. Mamede de Guisande. Apenas seis crianças, três rapazes e três raparigas, que vivenciaram o seu importante dia.

A festa contou com a celebração da missa solene, na parte da manhã, pelas 11:00 horas, e na parte da tarde, adoração e terço, pelas 18:30 horas, seguida da tradicional procissão solene à Capela do Viso e,  depois de uma curta cerimónia e dedicação a Nossa Senhora da Boa Fortuna, o regresso à igreja matriz onde se deu o encerramento com a cerimónia da entrega dos ramos a Nossa Senhora da Conceição e dos diplomas às crianças.
A procissão foi acompanhada musicalmente pela Banda de S. Tiago de Lobão.

Esta festa do calendário da Catequese já não tem o fulgor de outros tempos, até porque o número de crianças tem reduzido substancialmente, mas ainda assim traduz-se num dia de festa da comunidade e expressa a dedicação do Grupo da Catequese, da Comissão da Festa do Senhor e dos pais da crianças envolvidas, que se esforçam na decoração do percurso e ainda na contratação da Banda de Música.
Parabéns a todos quantos se dedicaram!






11 de maio de 2019

Procissão de Velas 2019

Realizou-se, ontem, Sexta-Feira, 10 de Maio, a tradicional Procissão das Velas na nossa freguesia. Com missa pelas 20:30 horas, de seguida a procissão percorreu o seu tradicional percurso durante cerca de uma hora e meia, pelos lugares de Igreja, Quintães, Viso, Barrosa, Fornos, Lama, Casaldaça e Igreja.
Como novidade e para uma maior segurança, a procissão foi encabeçada por um carro da GNR que assim assegurou o controlo do trânsito.
O tempo, apesar do céu com nuvens negras aguentou-se e não choveu.
Ficou cumprida a tradição e sobretudo a demonstração de fé e de agradecimento a Nossa Senhora de Fátima.

3 de setembro de 2018

O meu catecismo da primeira classe

catecismo da primeira calsse v1 01
De todos os livros que marcaram a minha infância, e creio que a de muitos rapazes e raparigas da minha geração, os catecismos, a par dos livros da escola primária, ocupam um lugar especial na prateleira das nossas recordações, memórias e nostalgias.

Hoje trago à luz da memória o meu catecismo da primeira classe. Trata-se do primeiro volume de uma série chamada “Doutrina Cristã – Catecismo Nacional”, uma edição do Secretariado Nacional de Catequese, publicado durante os anos 50 e 60 e que serviu de base para o ensino da catequese ao nível de todo o país. Estes catecismos foram impressos na Litografia União Limitada, de Vila Nova de Gaia.

Este primeiro volume está profusa e excelentemente ilustrado pela mão da artista portuense Laura Costa, com o seu traço inconfundível, repleto de cor e pormenor. Cada ilustração, por si só, era uma lição e estou certo de que muitos recordarão o seu Catecismo apenas pela beleza das respectivas gravuras, muito bucólicas. De resto, Laura Costa notabilizou-se a ilustrar os populares contos de fadas nos anos 40 a 60, que encantaram muita rapaziada que os liam a partir da biblioteca itinerante da Gulbenkian que todos os meses aportava ao largo de Casaldaça trazendo estantes de conhecimento e fantasia.

O Catecismo tem uma dimensão de 12 x 17 cm e 32 páginas a cores.

É importante referir que estes catecismos, tinham uma publicação de apoio, chamada de Caderno de Trabalhos Práticos (que possuo), com gravuras das lições, a preto e branco, destinadas a serem pintadas pelos alunos, bem como textos picotados, também destinados a serem preenchidos. Todavia, talvez pelo seu custo, acrescido ao do catecismo propriamente dito, e dadas as dificuldades económicas da maioria dos pais das crianças nesse tempo, tenho a ideia de que muito raramente este caderno era adquirido. Pelo menos não me recordo de o possuir na altura nem de o mesmo ter sido aplicado na minha Catequese.

Por outro lado, existia ainda um volume auxiliar, destinado às Catequistas, chamado Guia de Ensino (que também possuo), bastante extensivo, com a explicação da mensagem da aula e respectivas actividades, constituindo-se num excelente auxiliar das sessões de Catequese, principalmente em meios pobres onde nem sempre as Catequistas tinham formação adequada.

De referir que quando transitei para a segunda classe da Catequese, foram adoptados outros catecismos, pelo que tudo indica de que esta série de que falei deixou de ser publicada e utilizada, desconhecendo-se se tal mudança ocorreu a nível nacional, ou apenas no âmbito Diocesano, mas tudo parece indicar que a alteração editorial foi geral. De qualquer forma esta fantástica série “Doutrina Cristã – Catecismo Nacional”, vigorou pelo menos durante duas décadas, um caso invulgar de longevidade, tendo em conta que actualmente os manuais de escola e catequese mudam quase de ano para ano e com edições diversas.

Os objectivos deste primeiro volume, vocacionados para a preparação da Primeira Comunhão, estavam assim expressos no prefácio do mesmo:

“ Eu sou a Verdade” – disse Jesus. O presente Catecismo vem dar cumprimento a um voto do Concílio Plenário. É destinado a todas as crianças de Portugal, que devem fazer a sua primeira Comunhão à roda dos 7 anos (como desejava São Pio X) a fim de despertar já nos seus corações infantis uma autêntica vida cristã.

Foi para facilitar o trabalho educativo nas Famílias, nas Catequeses e nas Escolas, - a quantos são responsáveis pela alta missão de fazer desabrochar na alma infantil a virtude e a santidade, - que este Catecismo se elaborou por iniciativa do Venerando Episcopado.

Espera-se que o zelo de todos os educadores cristãos faça valorizar o presente texto oficial, cujas lições se acham ligadas ao Tempo Litúrgico (de fins de Outubro a Maio: as lições marcadas –A, servem para melhor permitir essa ligação, na hipótese duma aula semanal).

Ensinando-se, cuide-se da formação cristã da criança: atenda-se às condições várias da sua preparação cristã e desenvolvimento; faça-se com que ela compreenda toda a doutrina, a ame e aplique à sua vida; procure-se que retenha de memória o que deve reter e consequentemente se prepare de modo a poder já confessar-se e comungar pelo Tempo Pascal.

Na festa de Nª Sª do Rosário, aos 7 de Outubro de 1953. M. Cardeal Patriarca.

Como verificamos por este texto, este primeiro volume tinha objectivos específicos mas concretos no ensino da doutrina das crianças que pela primeira vez entravam no ciclo da Catequese.

Escusado será dizer que possuo na minha biblioteca os quatro exemplares desta série, referentes às respectivas classes de catequese (1º. 2ª 3ª e 4ª).

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- As duas últimas imagens referem-se ao tal caderno de trabalhos práticos, que servia de apoio às lições de catequese.

6 de agosto de 2018

Festa em honra de Nossa Senhora da Boa Fortuna e Santo António - 2018 - Procissão



Mesmo que com algumas "novidades", nomeadamente a do horário, bem como o facto de ter sido o Santo António a fechar a lista de andores, ao contrário do tradicional, que seria o de Nossa Senhora da Boa Fortuna, a procissão solene saiu à rua e cumpriu-se a devoção. Eventualmente com menos forasteiros a assistir, mas decorreu de forma que aos guisandenses deve orgulhar.

Pessoalmente, lamento que o Mártir S. Sebastião, um dos santos representativos da paróquia, tenha ficado sem participar. Não fica bem, e alguém (da paróquia ou da Comissão de Festas) deveria ter-se responsabilizado ou empenhado em arranjar uma solução.

A questão da coordenação da procissão, nomeadamente no que aos andores diz respeito, gestão de promessas e responsáveis (particulares, grupos, Comissão de Festas ou paróquia), é um dos aspectos que ainda continua a precisar de muita afinação. A organização a este nível tem sido gerida um pouco ad hoc, o que propicia algumas confusões que não ajudam. Certamente que com uma melhor gestão, o mártir teria feito parte da procissão, com a veneração e devoção que lhe é devida pelos guisandenses. É certo que tem a sua festividade própria (20 de Janeiro), mas creio que todos concordarão que deveria fazer sempre parte da procissão da festa maior da freguesia.

Será, pois, de melhorar e definir bem esta situação no futuro.

3 de abril de 2018

Cumpriu-se a tradição


Cumpriu-se a tradição pascal na nossa freguesia de Guisande. Depois de uma Semana Santa marcada pelas habituais cerimónias religiosas, no Domingo, abençoado com sol, o Compasso saiu à rua, com três equipas, uma delas liderada pelo Juiz da Cruz, o Sr. Arménio Silva, do lugar da Gândara, que foi acompanhado pelo pároco Pe. Arnaldo Farinha.
Ontem, Segunda-Feira, teve lugar o tradicional Almoço do Juiz da Cruz, que pelo quinto ano consecutivo decorreu no Restaurante Pomar, na freguesia de Gião. Participaram cerca de 90 convivas, incluindo o Pe. Farinha e o Sr. Juiz da Cruz. Tudo decorreu dentro da normalidade. 
Parabéns a todos quantos contribuíram para a dinâmica desta tradição que, apesar de os tempos serem marcados por outras distracções, ainda continua a merecer a dedicação e interesse da generalidade da nossa comunidade. Para além de tudo, continua a ser um forte elo de ligação e convívio familiar e comunitário.
Ficamos já espera do próximo ano, em que será Juiz da Cruz o Sr. Orlando Santos, do lugar de Fornos.

5 de fevereiro de 2018

S. Brás e Nossa Senhora das Candeias

Decorreu ontem, 4 de Fevereiro, na igreja matriz da freguesia do Vale, a tradicional festividade em honra de S. Brás e Nossa Senhora das Candeias. 
Quase sempre modesta no arraial, até porque em pleno inverno, não raras vezes sob frio e chuva, é, todavia, uma festa de tradição e que chama devotos de todas as freguesias das redondezas. Como muitas outras, no que à tradição e devoção diz respeito, já teve melhores dias, mas mesmo assim continua a ser uma referência nas festividades religiosas no nordeste do concelho de Vila da Feira.

S. Brás (em Latim S. Blasius, em Catalão S. Blai, em Francês S. Blaise, em Espanhol S. Blas), a quem os devotos recorrem para males de garganta, foi um médico e bispo nascido na cidade de Sebaste, ou Sebastia (na actualidade Sivas), na Turquia, numa região da então província romana da Arménia, e que terá vivido entre os séculos III e IV.

Já depois de ter assumido a profissão de médico, sentiu o chamamento de Deus a uma consagração cristã, pelo que terá deixado a sua vida citadina e a sua própria terra indo para os montes, optando por uma modesta vida solitária de oração e de penitência.

A sua fama de santo começou a espalhar-se na comunidade de Sebaste e, quando morreu o bispo daquela cidade, todos o aclamaram como novo pastor. São Brás só aceitou a nova responsabilidade pela forte insistência dos membros da comunidade, porque desejava muito mais a vida retirada de oração e contemplação. Mesmo como bispo continuava a viver numa caverna no monte Argeu, no meio de animais ferozes, com quem convivia, vindo somente à cidade apenas quando as obrigações de pastor o exigiam.

Na altura da perseguição aos cristãos ordenada pelo então Imperador Licinius Lacinianus (308-324), São Brás, conhecido pela sua extrema bondade, santidade e milagres, é preso pelo anticristão Agrícola, que governava a Capadócia e a Arménia, e obrigado a adorar os deuses pagãos. Negou-se São Brás, dizendo: “não quero ser amigo dos vossos deuses, porque não quero arder eternamente com os demónios”. Foi açoitado, posto no ecúleo (cavalete de tortura), submetido aos «garfos» com puas de ferro e lançado a um lago de água gelada, sendo, por fim, degolado. Decorria o ano de 316.

Os seus restos mortais foram recolhidos e sepultados pelos cristãos desse tempo numa humilde igreja na sua cidade,  mas mais tarde trasladadas as suas relíquias para a actual basílica localizada num monte com o seu nome.

O facto, verdadeiro ou lendário de que terá salvo uma criança que agonizava com uma espinha de peixe encravada na garganta, valeu-lhe popularidade e devoção, tornando-se desde então padroeiro das causas de saúde ligadas à garganta. Mas é também associado como protector dos animais e em algumas localidades onde se venera, cumprem-se ritos de bênção dos animais de modo especial de rebanhos.

O dia oficial das sua festividade é o 3 de Fevereiro e o seu culto se expandiu sobretudo a partir do séc. VIII, tanto nos países do oriente como no ocidente, mas também noutras partes do mundo, sobretudo na América latina com o culto a ser levado por espanhóis e portugueses. Até ao século XI S. Brás não entrava no calendário litúrgico romano, mas a partir daí nele começa a constar pela grande devoção que passou a ser-lhe dedicada em Roma, onde se diz terem-lhe sido erigidas trinta e cinco igrejas. Em Portugal é patrono de pelo menos uma dezena de paróquias, sendo que não é patrono da freguesia do Vale, apesar de ali  ser venerado e festejado.

Fotografia de S. Brás na igreja matriz da freguesia do Vale.

Estampa, pagela ou "santinho" com a imagem de S. Brás que se venera na igreja matriz da freguesia do Vale. 
De notar que esta imagem corresponde a uma versão de S. Brás diferente da imagem que está na lateral do altar-mor,  conforme fotografia acima. 
À falta de melhor justificação, e supondo eu ser a imagem da primeira fotografia acima a correspondente à versão principal do S. Brás na freguesia do Vale, este mais imponente e barbudo, nunca percebi esta situação da pagela ou "santinho" disponível em dia de festa reproduzir uma outra versão. Será esta a imagem da estampa a mais antiga e original? Se sim, porque não está ela no altar? Se não, porque se teima em distribuir uma representação secundária? É certo que independentemente da configuração da imagem sabemos que ambas representam o S. Brás, mas parece-me uma falta de coerência identificativa e até de cultura patrimonial que, infelizmente, se verifica em muitas paróquias e festividades no que ao "santinho" diz respeito. Recorde-se que há alguns, poucos, anos,  uma Comissão da Festa do Viso também caiu neste erro ao mandar estampar um "santinho" do Santo António que nada tinha a ver com as versões do santo existente, quer na capela, quer na igreja.
Também em Louredo, não neste ano, mas em anos anteriores, a estampa disponibilizada representa um S. Vicente que não o principal que se encontra no altar-mor.



Acima, três variantes de pagelas ou "santinhos" clássicos com a representação da cena  referentes a S. Brás e ao milagre da remoção da espinha de peixe da garganta de uma criança apresentada ao santo pela sua aflita mãe. Esta cena faz parte indissociável do folclore religioso relacionado à veneração deste santo mártir.


Pagela com a imagem de Nossa Senhora das Candeias que se venera na igreja matriz da freguesia do Vale.

Quanto a Nossa Senhora das Candeias, cuja festividade ocorre na freguesia do Vale em simultâneo com a de S. Brás, é também invocada como Nossa Senhora da Luz, ou Nossa Senhora da Candelária, ou Nossa Senhora da Apresentação ou ainda Nossa Senhora da Purificação. Embora com o culto expandido em muitos países, incluindo Portugal e Brasil, há referência de que o mesmo terá surgido nas Ilhas Canárias - Espanha onde  terá aparecido numa praia na ilha de Tenerife, pelo ano de 1400. Os nativos guanches da ilha teriam ficado com medo e tentado atacá-la, mas suas mãos teriam ficado paralisadas. A imagem teria sido guardada em uma caverna, onde, séculos mais tarde, foi construído o Templo e Basílica Real da Candelária (em Candelária). Mais tarde, a devoção se espalhou pela América. É assim a santa padroeira das Ilhas Canárias, sob a invocação de Nossa Senhora da Candelária.

A origem da Senhora da Luz tem as suas origens na festa da apresentação do Menino Jesus no Templo de Jerusalém e da purificação de Nossa Senhora, quarenta dias após o nascimento de Cristo (sendo celebrada, portanto, no dia 2 de Fevereiro). 

De acordo com a lei mosaica (de Moisés), as parturientes, após darem à luz, ficavam consideradas como impuras, devendo por isso inibir-se de visitar o Templo de Jerusalém até quarenta dias após o parto; após esse tempo, deviam apresentar-se diante do sumo-sacerdote a fim de apresentar o seu sacrifício (um cordeiro e duas pombas ou duas rolas) e, assim, purificar-se. Desta forma, São José e a Santíssima Virgem Maria apresentaram-se diante de Simeão para cumprir o seu dever. Este, depois de lhes ter revelado maravilhas acerca do filho que ali lhe traziam, ter-lhes-ia proferido a Profecia de Simeão: «Agora, Senhor, deixa partir o vosso servo em paz, conforme a Vossa Palavra. Pois os meus olhos viram a Vossa salvação que preparastes diante dos olhos das nações: Luz para aclarar os gentios e glória de Israel, vosso povo» (Lucas 2:29-33).

Com base na festa da apresentação de Jesus/purificação da Virgem, nasceu a festa de Nossa Senhora da Purificação; do cântico de São Simeão (conhecido pelas suas primeiras palavras em latim: o Nunc dimittis), que promete que Jesus será a luz que irá aclarar os gentios, nasce o culto em torno de Nossa Senhora da Luz/das Candeias/da Candelária, cujas festas eram, geralmente, celebradas com uma procissão de velas, a relembrar o facto.