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14 de janeiro de 2023

Pausa de Facebook


Tenho já dito que a rede social do Facebook é uma plataforma excepcional se utilizada com algum critério e qualidade, sobretudo que visem o enriquecimento cultural, o debate de ideias e partilha de coisas interessantes. Mas, todavia, verifica-se que no geral é usada com banalidades, partilha e replicação de vulgaridades que pouco ou nada acrescentam. Originalidade, pouca  ou mesmo nenhuma. Os auto-elogios, os egocentrismos, as poses e as nossas coisinhas e vaidades como se fossem importantes para os outros, são também lugares comuns e recorrentes.

Para além de tudo, falta gente com qualidade que promova a partilha e debate de ideias sobre os assuntos que a todos interessam.

Não sou, de todo, o melhor exemplo e também cometo os meus pecados, mas pelo que vou vendo há de facto uma pobreza extrema e aqueles "amigos" que conheço e que poderiam acrescentar valor de intervenção e mesmo de cidadania, andam por fora e raramente aparecem ou intervêm. Porventura é o que fazem melhor. De facto, na maior parte das vezes, intervir e participar é "chover no molhado". Discussões idiotas é o que não falta e lá diz o velho ditado que "lavar a cabeça a burros é perder tempo e gastar sabão" ou mesmo, "a burros dá-se palha e não conversa".

Neste contexto, quando a corrente comum é a banalidade, faz bem entrar em quarentena, em pausa curativa até que volte a surgir uma nova vontade de participar. Pode ser daqui a semanas ou meses. Quando apetecer. De resto já não é a primeira vez que faço férias da coisa.

Assim, estou de pausa e estar de pausa. Como excepção a esta inactividade, apenas para a partilha de alguma situação mais especial que considere importante.

Para aqueles que eventualmente gostam de seguir o que vou publicando, escrevendo e opinando, podem sempre passar aqui por este espaço.

Por isso, malta amiga e habitual do Facebook, um até já!

31 de dezembro de 2022

Incertezas

Quando chegamos a uma certa idade, em que já podemos dizer a alguns, muitos, que poderíamos ser seu pai ou avô, uma das coisas a que não conseguimos fugir é o reviver de momentos, episódios, situações com que algures, em tempos mais viçosos, fomos confrontados.

O Macedo, já na casa dos sessenta, mas feliz com o que a vida lhe deu e tem, não encontra nela grandes remorsos ou arrependimentos tão simplesmente porque convencido está que isso em nada lhe acrescentará. Mas de quando em vez, como quem faz rewind numa velha cassete do tempo, recorda alguns namoricos e casos sentimentais, ou oportunidades deles, que teve antes de, cansado deles, decidir-se a enlaçar-se com aquela que lhe pareceu ser mais parte de si, a sua Fátima.

Numa dessas viagens ao passado, em que tudo se vê de olhos cerrados, viu-se fresco e viçoso, mesmo na altura em que fora convocado ao serviço militar por onde lá pelas lisboas marchou durante dois anos certinhos. Travara, por essa altura, conhecimento com a Celeste, ainda mais fresca do que ele, quase a transpor a maioridade mas ainda menor.

Durante alguns poucos meses encontravam-se e namoravam sem o saber, em longas ou curtas conversas, em que por vezes falavam mais os olhos que as bocas, o olhar que as palavras. Pelo meio, algumas cartas trocadas, sem subterfúgios ou ideias disfarçadas na semântica. De tão ingénuas e transparentes, poderiam ser cartas de irmãos. E se o Macedo enredava na escrita uma qualquer segunda intenção, só a Celeste a poderia decifrar.

Apesar disso, o Macedo era um rapaz na força da vida e tinha naturalmente desejos de poder colher e saborear aquela frescura rubra de cereja a baloiçar no ramo, que se lhe oferecia, e também o percebia nas feições e palavras da Celeste. Mesmo naquela ocasião em que se viram sozinhos na casa da tia dela, numa tarde de chuvinha macia, ficaram tão perto que o silêncio os cobriu e as mãos tocaram-se numa tímida hesitação. O Macedo, jovem mas maduro o suficiente para saber de como as coisas se complicam, sabia da diferença de idades e do facto dela ser menor e quando lhe passou pela cabeça aproximar os seus lábios dos dela, que lhe pareciam convidativos e serenos como porto seguro, estremeceu e recuou enquanto disse uma qualquer banalidade sobre o tempo. A Celeste enrubesceu e respirou fundo como que a acordar de um sonho de segundos.

Continuaram amigos por mais algum tempo e pouco depois cada um seguiu o seu rumo. Ela emigrou, casou, dizem que ainda não teve filhos. Viam-se, esporadicamente, pelo verão, uma ou outra vez, por circunstância, mas a ele parecia-lhe já distante aquele Celeste, maneirinha, fresca, cabelo comprido, olhos negros e lábios de cereja que ele poderia ter saboreado. 

Ele cumpriu a tropa, casou e teve filhos. Sente-se pleno e feliz e nem esta ou outras parecidas situações, lhe trazem angústias. De resto, para além do medo das consequências, no fundo hesitou e recuou porque jamais poderia lidar com a recusa. Pareceu-lhe que naquele passado momento a Celeste também o convidava, mas nunca se sabe o que vai na alma das mulheres e até mesmo uma rapariga naquele silêncio morno  poderia despertar e dizer, não!

Se de tudo aquilo algum dissabor deixou ao Macedo, apenas a incerteza. Como teria sido se deixasse o corpo seguir o seu instinto? Com que consequências para si, para a Celeste ou para ambos?

Não! Não importa imaginar cenários e desfechos. Afinal, a incerteza é sempre um essência da nossa vida. Porque atalhamos pela esquerda e não pela direita ou porque não recuamos ou seguimos em frente? Se formos a dar palco às incertezas, a nossa vida ficaria de tal modo assoberbada que não restaria tempo para a viver. E tão curta que ela é….

24 de dezembro de 2022

O Natal nos meus livros de religião da escola primária

 






Entre o meu montão de livros, tenho os de religião da escola primária, das quatro classes. Em todos eles está presente o tema de Natal, com ilustrações alusivas, que acima publico. 
Abaixo as páginas e as capas do conjunto.
Espero que gostem da partilha e que com ela se revigore o espírito natalício desses bonitos tempos de infância e da escola primária.



22 de dezembro de 2022

Sentidos

Não sei o que em mim falha

Que os sentidos se trocam

Numa percepção baralhada.

Vejo-te com os olhos cerrados,

Saboreio o picante do teu olhar,

Escuto o calor do teu corpo,

E acaricio o som da tua voz.

Apesar disso, sinto-te toda,

Plenamente desvendada,

Porque os meus sentidos,

Todos num e cada um em todos

Para ti convergem

E em ti e de ti  se inundam.

21 de dezembro de 2022

Vaidades

Deixem de lado essas vossas vãs vaidades,

Por feitos que pouco a tão poucos vale;

Sejam tão simplesmente alma e emoção.

Esvaziem essas ocas frivolidades

Próprias de quem quer todos e tudo igual

Num ego inflamado, cheio como balão.

20 de dezembro de 2022

Requalificação do Monte do Viso - Esclarecimento

Tomei conhecimento que no decurso da Assembleia da nossa União de Freguesias, realizada no passado dia 29 de Setembro pelas 21:00 na Casa da Cultura de Gião, relativamente às previsões de obras para a freguesia de Guisande, o Sr. presidente da Junta informou os presentes ter já articulado comigo a partilha do projecto de requalificação do Monte do Viso, para que, faseadamente, seja possível avançar com obras neste nosso emblemático espaço.

Em bom rigor, sobre este assunto e tendo eu sido mencionado, importa esclarecer que é verdade que o presidente da Junta, Sr. David Neves falou comigo sobre o assunto, interessadamente mas de forma muito informal, questionando-me sobre o tal plano ou projecto do tempo em que fiz parte da Junta da União. Sobre isso, apenas disse-lhe que de facto fez parte do programa da lista pela qual concorria, a requalificação do espaço do lado norte da capela, designado de parque de merendas. 

Depois de vencidas as eleições, e como era uma obra que importava fazer, o então presidente da Junta terá solicitado aos serviços da Câmara para elaborar o projecto ou plano. Certo é que eu quando o questionava sobre o desenvolvimento do mesmo,  era referido que ainda não havia resultados. E nunca houve em todo o mandato.

Do mesmo modo, reuniram-se condições para o alargamento da Rua de Santo António na parte nascente do arraial até ao entroncamento com a Rua do Caminho Novo, tendo sido colhidas as autorizações e documentos dos proprietários confinantes. Supostamente o assunto foi encaminhado para protocolo com a Câmara Municipal mas certo é que nada foi realizado nesse mandato (2104/2017) e no mandato seguinte não foi dada continuação e nada foi feito. E com pena, pois o melhoramento seria importante, já que a actual rua é bastante estreita, o que dificulta o trânsito sobretudo em dias de eventos no Monte do Viso.

Em face disso, para meu natural desapontamento porque ambas as propostas (a da requalificação e a do alargamento) tinham sido minhas, nunca cheguei a ver começado ou acabado tal projecto ou plano, nem as obras se realizaram. De resto, esta situação, este desinteresse e incapacidade, quer da Câmara, quer da minha Junta, a par de outras, fizeram com que pusesse de lado qualquer possibilidade de recandidatura. Há princípios que devem valer.

Por conseguinte, do que os serviços da Câmara fizeram ou não quanto ao projecto ou plano para o Monte do Viso, desconheço em absoluto.

Em todo o caso, enalteço o interesse demonstrado pelo Sr. presidente da Junta em querer retomar este assunto esperando que, seja lá com que plano ou projecto, algo se venha a fazer como requalificação do Monte do Viso, nomeadamente na envolvente da capela e do tal parque de merendas.

O Sr. presidente mostrou ainda interesse em que eu próprio apresentasse ideias, já que admitia que a depender da colaboração da Câmara a coisa será muito demorada.

Em resumo, não tenho nem conheço, pois, qualquer plano ou projecto desenvolvido durante o mandato em que fiz parte do executivo (2014/2017), bem como, ao simpático repto do Sr. presidente, prefiro que o mesmo seja desenvolvido por técnicos competentes e da área. Certamente que, se for caso disso, estarei disponível para ajudar e dar algumas ideias, obviamente que sem qualquer contrapartida, mas acima de tudo espero que se encontre uma solução que dignifique o local e que, mais do que isso, a obra se faça porque o local é merecedor. Estou certo e confio que esta Junta lhe dará a devida atenção.

Vazio



Não! Talvez já não valha a pena

Esperar do homem epifanias

Que o levem a mais humanidade;

Foi-se a esperança na última cena,

Sala e cadeiras ficaram vazias;

E nada sobrou dessa veleidade.


O poeta assim não sente remorsos

Porque o homem já não o inspira,

Sombrio jardim onde nada medra;

Lamenta-se, vencido de esforços

Por ver na alma, cheia de mentira,

Menos poesia do que numa pedra.

18 de dezembro de 2022

Natal

Abaixem-se, submissos, os montes,

Aplanem-se os  vales viçosos,

As aves cantem hinos de louvor,

E amansem o trovão e o vendaval.

Fiquem límpidos os horizontes,

Alegrem-se os regatos chorosos,

Porque é nascido Jesus Senhor

No mistério de renovado Natal. 

12 de dezembro de 2022

Era bom que chovesse

Era tão bom que hoje chovesse,

Esta míngua de tudo inundasse

Até que o céu de novo rompesse

E lá de cima o sol espreitasse.

8 de dezembro de 2022

Que hei-de-fazer?


Que hei-de fazer se me moldaram assim, a vida, os pais, a sociedade? Gostos não se discutem e, além do mais, mudar os nossos gostos para alinhar com os demais, já é pedir muito. Era só o que faltava andar a dançar ao ritmo do politicamente correcto!

Já não tenho paciência nem idade para mudar assim tão em contratempo. E depois uma coisa leva à outra: Não tenho paciência porque a idade já não a permite nem a idade tem espaço para a acomodar.

Assim, em rigor estou-me borrifando para pasmos ou narizes torcidos quando elenco algumas das minhas antipatias. Gosto da maior parte das coisas e das pessoas boas, honestas, generosas, simples, humildes, inteligentes, práticas e assertivas. 

Gosto e aprecio uma mulher elegante, bem vestida, sem piercings, tatuagens ou pinturas, mas apenas o veludo puro da sua pele; aprecio as rugas de quem as tem pela força da idade e das canseiras; simpatizo com gente harmoniosa, equilibrada, de concensos; aprecio uma obra prima ou despretenciosa, nas artes plásticas, na música, na literatura ou nas ciências. 

Mas, claro está, também não gosto de muitas coisas e de algum tipo de pessoas: gente egocênctrica e vaidosa como se os seus umbigos sejam os centros do universo; gente presunçosa, mesquinha e invejosa; gente tatuada, não para si mas para os outros; gente com argolas no nariz, nas orelhas, na língua e sabe-se lá mais em que reentrâncias; gente que compra calças rotas; pessoas que andam com as calças como se o traseiro seja nos joelhos; pessoas a mostrarem as cuecas ou o rego do cú; homens idosos que se vestem como se tivessem 16 anos; gente que paga caro por roupa de marca e ainda orgulhosamente lhe faz publicidade de borla;  gente que paga balúrdios em futebol para ajudar a manter ordenados principescos a uma classe de elite e comissões escandalosas a corjas de dirigentes oportunistas; políticos que se governam com ares  de honestos; pessoas que se expõem nas redes sociais como se as suas vidas, andanças ou carinhas felizes, tenham um interesse superior para os outros ou expõem de forma excessiva os seus estados de alma, a sua mais recôndita intimidade ao voyeurismo alheio. 

E mais não escrevo porque ficaria longo o texto. 

E, contudo, todos têm esse direito e liberdade de serem quem são, como são, como vivem, se vestem, despem, ou como se comportam. Não sou de todo contra essa liberdade e direitos, mas tenho igual direito e liberdade de não gostar, de não apreciar. De resto, essas minhas antipatias ou arrelias, são apenas íntimas e a terceiros não causam mal ou prejuízo algum. É apenas uma coisa interior. Mesmo este texto, é generalista e não aponta o dedo a alguém nem fornece chapéus para serem enfiados.  Além do mais, desse grupo de coisas ou predicados com que não morro de amores, até tenho amigos e pessoas que bem considero. A coisa não é, por isso, pessoal nem de preconceitos radicais. Apenas porque não vão de todo à minha mesa.

Em resumo, até mesmo nestas coisas de exprimirmos, ou não, as nossas antipatias, os nosos gostos, andamos muito castrados, porque os cânones do politicamente correcto são já uma pandemia das nossas sociedades ditas desenvolvidas e por eles há gente que apenas sendo o que são e dizendo o que pensam, perde os cargos, empregos, negócios, amigos, etc, etc. 

Mesmo que não oficialmente, temos por todo o lado uma invisível polícia de nova moralidade, só que esta, já subvertida ou invertida. Parecem opostas, a da moralidade e a do politicamente correcto,  mas na realidade são a mesma coisa, porque ambas castram, mesmo o direito de se não gostar.

29 de novembro de 2022

Vão-se foder, que também é de graça!



Vou contar-vos uma história verdadeira:

Há algumas poucas semanas encerrei um fórum que fundei e abri há já quase 20 anos. Não interessa para o caso especificar qual o tema, mas contava com uma comunidade já perto dos 20 mil utilizadores.

Encerrei por vários motivos: Para além do trabalho dispendido quase diariamente na administração, moderação e lançamento dos temas, tinha os custos com o registo de 3 domínios associados, ainda o custo do servidor do alojamento e ainda o preço de software, que periodicamente tinha que ser renovado caso contrário ficava desactualizado, sem suporte e com incompatibilidades nomeadamente ao nível do PHP.

A juntar a isso, frequentes ataques informáticos vindo de gente de áreas concorrentes. Neste mundo digital, como no real, anda sempre gente atenta para copiar e replicar ideias pioneiras e originais. Depois é uma guerra do mata ou morres.

Durante algum tempo, alguma receita publicitária angariada ajudava a mitigar os custos mas nunca deu para tal e esse mercado já foi chão que deu uvas.

Numa determinada altura abri aos utilizadores a possibilidade de poderem, com donativos de qualquer valor, mesmo que simbólicos, poderem contribuir voluntariamente com qualquer verba para ajudaram nas despesas. Mas em rigor, dessa comunidade de mais de 15 mil utilizadores, na altura, e durante um ano em que este aberta essa janlea, apenas um único se dispôs a colaborar com 5 euros. Ilucidativo!

Ainda coloquei a possibilidade de passar o fórum para alguém da área mas quando falava nos custos associados, desistiram porque pensavam que estas coisas funcionam do nada e que também eram de borla.

Em resumo: As coisas são mesmo assim e nada dura eternamente, nascem, crescem, eventualmente estagnam e desaparecem. Mas este meu fórum foi também assim mas não estagnou porque crescia diariamente em número de utilizadores registados.

Mas há alturas em que temos que equacionar se, a pretexto da nossa paixão e entusiasmo por um qualquer hobbie, faz sentido continuar a acumular canseiras e gastos efectivos quando tudo é pro bono.

Depois de encerrado, porque, para de algum modo manter algum relacionamenbte entre os utilizadores mais frequentes, criei um grupo no Facebook, vieram mil lamentos e carpir de penas, mas já nada havia a fazer. Posso, por enquanto, em qualquer altura retomar o projecto, mas não. Vou mesmo cortar o cordão e terminando a validade dos domínios e servidor a coisa extingue-se mesmo.

No fundo, esta situação retrata em muito a filosofias das pessoas e mormente os portugueses. São amigos de receber, de usufruir de tudo e mais alguma coisa mas sempre na filosofia da borla, e mesmo assim sentem-se detentores de direitos e de reclamações sobre algo para o qual nunca com nada contribuiram. É por isso que, não generalizando mas dentro desta espertalhna filosofia, temos largos milhares de pessoas a viverem de rendimentos mínimos dados pelo Estado e outros muitos milhares com serviços de televisão, filmes e músicas pirateados.

Somos, no geral, assim: Oportunistas e chicos-espertos a dar cobertura ao ditado de que somos meio mundo a foder outro meio. A cultura do pagar e compensar quem trabalha ou quem cria, é, em rigor, nula! Zero! Nada! Népias!

Para todos esses oportunistas, vão-se foder, que também é de graça!

27 de novembro de 2022

Raimundo José da Fonseca, meu bisavô materno



Raimundo José da Fonseca, era meu bisavô materno. Nasceu em 17 de Outubro de 1884 e faleceu em 17 de Novembro de 1929, muito jovem, apenas com 45 anos.

Era filho de António José da Fonseca e de Maria de Oliveira, meus trisavôs maternos, ambos do lugar do Carvalhal, freguesia de Romariz.

Por sua vez, era neto paterno de Manuel José da Fonseca e de Margarida Rosa de Jesus e neto materno de Manuel Ferreira da Silva e Ana Maria d´Oliveira (todos estes meus tetra-avôs maternos)

Tinha 22 anos quando casou em 9 de Maio de 1907, com Margarida da Conceição  (minha bisavó), esta filha de António Caetano de Azevedo e de Maria da Conceição, do lugar das Quintães - Guisande. Tinha 21 anos quando casou.

Este meu bisavô, tal como o seu pai,  era um afamado mestre canteiro (oficial de pedreiro) e pela nossa região são várias e autênticas pérolas de granito rendilhadas por si e por alguns familiares que com ele trabalhavam. 

Em Guisande é conhecida a capela mortuária da família da Casa do Moreira, do lugar da Igreja e ainda o mausoléu  da família do meu avô paterno. Mesmo na sacristia da nossa igreja a bonita fonte ali existente é de sua autoria.

Nas imagens abaixo, o mausoléu no cemitério em Guisande, com a imagem em mármore de Nossa Senhora e ainda um de características similares, existente no cemitério de Fermedo - Arouca, embora este com a imagem alegórica  da Saudade. 

Ainda na nossa região, são várias as alminhas por eles lavradas.

23 de novembro de 2022

Marçal Grilo 2 - Um olhar sobre a Educação

Ainda mal comecei a leitura do anterior e já chegou o novo livro. Ainda fresco, acabado de saír da tipografia. Tem prefácio do Prof- Marcelo Rebelo de Sousa. 

"Eduardo Marçal Grilo, Professor e conhecedor profundo dos programas de ensino e políticas de educação adotadas em Portugal nas últimas décadas, apresenta neste livro uma análise lúcida e reveladora sobre a educação durante o Estado Novo e o seu duradouro legado.

Trata-se de uma visão sobre a educação durante o Estado Novo com distanciamento e sem constrangimentos políticos ou ideológicos. Numa análise lúcida e reveladora, percebemos que muitos dos problemas atuais da educação têm raízes no Estado Novo". «O autor demonstra por que razão a educação foi um dos flagrantes fatores de retardamento nacional, entre os anos 30 e 60, apesar dos esforços meritórios de alguns, visionários ou arrojados.»

21 de novembro de 2022

Marçal Grilo - 1


Tenho-o como uma das boas referências de ex-político e homem vertical. Comprado e chegado pronto a ler. 

Entretanto, lançou um outro livro "Salazar e a Educação no Estado Novo". 

Ainda está em fase final de pré-lançamento, mas talvez seja o próximo a adquiri, até porque, como justifica o autor: «Decidi escrever este livro por um conjunto de razões (…) mas sobretudo porque tenho hoje a ideia de que só conhecendo bem o passado se consegue perceber o tempo que vivemos e ter uma noção do que será possível perspetivar para o futuro.»

"Trata-se de uma visão sobre a educação durante o Estado Novo com distanciamento e sem constrangimentos políticos ou ideológicos. Numa análise lúcida e reveladora, percebemos que muitos dos problemas atuais da educação têm raízes no Estado Novo".

13 de novembro de 2022

O tempo e o vento

 


O vento é vento, Contratempo da brisa Alterada; O tempo é tempo, Sentimento que pisa A passada.
O tempo é o vento A soprar Enfurecido, em ronco Ou em murmúrio apenas; Ora a derrubar o tronco, Ora a afagar penas.
O tempo e o vento São a alma a esvair Num despreendimento Total da vida, Como um abraço lento, Na calma a resumir O descontentamento Da despedida.

Ilusão



De quem é o olhar que te espreita,

A boca que te sorri e beija,

As mãos que o cabelo te ajeita?


E quem o teu corpo macio deseja?


Serei eu? Mereço-te?

Quero manter a ilusão,

De que me queres a mim.

Mas se não, peço-te,

Não me digas que não,

Mesmo que não digas que sim.

3 de novembro de 2022

A chuva e a ribeirinha

Esta chuva miudinha,

Parecendo que não molha,

Vai caindo boa, fecunda;

Bebe dela a ribeirinha

Sedenta na sua recolha

Quando o vale se inunda.


Corre, corre, ribeirinha,

Vai assim toda ligeira

Como prata feita num fio;

A chuva cai, vais cheiinha,

Numa correria de canseira

Ao encontro de maior rio.

2 de novembro de 2022

Movimento perpétuo

São já frescas as manhãs 

em Novembro,

Depois, deixado p´ra trás,

Virá Dezembro,

Com o Natal, mais adiante,

Apetecido;

O tempo corre em instante

Ressurgido;

A roda roda em todo o tempo

Sem se deter,

Num só perpétuo movimento,

A renascer.

O tempo tem tempo demais,

Não se cansa;

Com começo e fim iguais

Quem o alcança?

1 de novembro de 2022

Sessenta



Eis-me aqui, sereno, nos sessenta,

Se é que nisso haja importância;

Não mais que onda que arrebenta

Na dura costa da irrelevância.


Deixe-se, pois, que o mar do tempo

Se debata até que a falésia caia;

Virá depois, manso, em contratempo,

A espumar-se, sereno, na praia.

28 de outubro de 2022

Estas coisas só acontecem aos vivos


E de repente, sem grandes alaridos, são mais que muitos a contactarem preocupados para saberem da minha estadia no hotel do SNS. Não só familiares, naturalmente, mas muitos amigos. 

Não é caso para tanto, e tudo esteve sempre bem, mas fico naturalmente satisfeito com a preocupação por muitos demonstrada. Sabe bem ter amigos sinceros. Bem hajam.

Quanto ao hotel do SNS, recomenda-se sobretudo pela excelência do pessoal, nomeadamente dos enfermeiros (em rigor das enfermeiras), do pessoal auxiliar e dos médicos, embora estes pouco se vejam.  E tudo gente jovem. E além disso, porque quase todos vestidos da mesma maneira, quase indiferenciados, não sabemos a quem chamar doutora ou enfermeira, Os médicos parece que usam agora umas batas iguais às que usam os serralheiros. Modernices e as batas brancas já são ali raras, talvez porque se sujem , tanto mais depois de 12 ou mais horas de serviço.

Não vi por ali profissionais seniores, como agora se diz.  Esses, porventura  já com menos paciência para as tropelias e desconsiderações do Ministério, deram à sola para sítios mais bem calmos e melhor remunerados. Vi por ali muita gente a fazer mais de doze horas, no fundo a queixarem-se tanto como os doentes com dores de costas, ossos partidos ou falta de ar.

Em rigor, todos aqueles dedicados profissionais também estão ali eles próprios em urgência, não nas macas nem ligados a ventiladores ou a soro, mas feridos na sua dignidade.

Gente boa, preocupada, simpática e atenta. Não fazem mais porque os meios são insuficientes e os hóspedes são muitos e não se pense que só velhinhos ou meias idades, mas também alguns jovens, naturalmente que por diferentes motivos.

Dos quase três dias ali internado, colhi sensações, emoções e realidades com significado fundo, que se os for a escrever, darão um livro.

Mas isto é coisa de quem gosta de adornar as palavras e as ideias a descrever emoções, sentimentos e estados de alma. No geral, um hospital e o seu serviço de urgências não se compadecem com lirismos.

O SNS é tão importante e necessário quanto a dimensão da sua doença e dos seus problemas crónicos,  porque os que lhe têm tratado da saúde (os sucessivos governos) têm sido, em regra, maus profissionais. Quando assim é, o SNS é ele próprio um doente em permanente serviço de urgências.