20 de abril de 2018

A minha lista é melhor que a tua


Se há sítio onde se contam tretas, e das grandes, e se partilham indefinidamente como sendo verdades, é a rede social Facebook. Ainda hoje, alguém partilhou, muito escandalosamente, que Portugal está em 5º lugar na lista dos países mais corruptos do mundo. Obviamente que é uma treta e depois há que ter em conta que estes rankings ou listas são diversas e os seus supostos resultados dependem muito das entidades que as fazem, dos critérios e países analisados. Uma coisa é estar-se em 5º numa lista de 20 ou 30 países outra é entre 100 ou 200.

Por exemplo, de acordo com a organização não governamental Transparency International, que analisa o índice de corrupção em 180 países, classificando-os numa escala de 0 a 100, sendo que 100 significa o número máximo de “pureza” ou transparência”, enquanto o 0 é o nível máximo de corrupção, o estudo coloca Portugal na posição 29ª no que se refere a transparência, à frente de países  europeus como Polónia, Espanha, Itália e Grécia, entre outros. A Nova Zelândia, Dinamarca e Finlândia encabeçam o pódio dos países mais transparentes.

Em resumo, bem acima da maioria dos países identificados. Como se poderá ver pela lista, referente a 2017, é uma posição bem menos "feia" do que muitos a pretendem pintar.
Portanto se gosta de tretas e escândalos, acredite no Facebook e partilhe sem se dar ao mínimo trabalho de pesquisar a credibilidade das fontes e de verificar se há alguma pinta de verdade.

Em todo o caso, sim, Portugal em termos médios europeus continua ainda com muito caminho por percorrer rumo a mais transparência e a partir dela menos corrupção, como refere João Paulo Batalha, presidente da Transparency International Portugal, acrescentando que"... Portugal não tem evoluído significativamente no índice ao longo dos anos em que este é gerado. “Esta estagnação é o retrato da falta de vontade política em adotar uma abordagem frontal a este problema crítico para o bom funcionamento das instituições e para a capacidade de a nossa economia ser competitiva e captar investimento e gerar emprego”.

16 de abril de 2018

A ilha de Black Mór



Eu sei que são opções, quase uma heresia à luz de algum fanatismo clubístico quase generalizado, mas como há vida para além do futebol (e que tal cultura?) em detrimento de assistir ao Benfica-Porto, ontem preferi ver o excelente filme de animação "A Ilha de Black Mor",  que passou na RTP 2, precisamente no mesmo horário em que decorria o jogo de futebol. 

Este filme de longa duração (85 minutos), de origem francesa, foi produzido em 2004, com um orçamento de 3,21 milhões de euros, dirigido pelo cineasta Jean-François Laguionie, um importante nome no mundo da animação gaulesa, sendo lançado em 2005. Desde então foi merecendo críticas muito positivas de vários quadrantes do mundo da animação, cultura e entretenimento. Claro que tem passado despercebido porque se situa à margem do circuito comercial do cinema de animação hollyoodesco.

O filme num registo de duas dimensões com cores planas com predominância de tons pastel e traços fortes, narra a aventura de Kid, um rapaz de 15 anos que em 1803 escapa de um orfanato situado na costa da Cornualha, onde está trancado e sujeito a um regime de quase escravidão e vai em busca do tesouro de um lendário pirata, Black Mór, do qual tomou conhecimento através de um velho professor do orfanato que nas poucas horas livres lhe lia um livro com a história do lendário capitão pirata.
No dia em que fazia 15 anos, Kid é chamado pelo director do orfanato que, seguindo as instrução do seu pai, deveria libertar o rapaz e entregar-lhe uma carta com instruções. Mas o director nega-lhe ambas e situações e tem a intenção de manter o cativeiro. Kid aproveita uma desatenção do director e escapa por uma janela, a única do orfanato sem grades, e cai directamente no mar envolvente ao estabelecimento, sendo, depois de buscas, dado como afogado.  Kid, porém, sobrevive e vai dar à costa sendo recolhido por dois estranhos que vão ficar seus comparsas na aventura da descoberta do tesouro. Com a ajuda desses companheiros e de uma rapariga, que leva de um mosteiro que assaltam na viagem (pensando ser um rapaz) consegue partir e descobrir o imenso tesouro, mas o maior de todos, para além da descoberta das suas raízes e identidade, descobriu a liberdade e o amor. O ouro e a prata ficam para trás porque para a frente é a liberdade do sonho e da aventura simbolizados no mar alto.

O enredo desta longa metragem absorveu inspiração no romance de aventuras "A Ilha do Tesouro" de Robert Louis Stevenson, e ainda em elementos fantasiosos ligados ao mundo de Júlio Verne,entre outras referências. Apesar de dirigido a crianças, o filme tem uma forte componente poética e mesmo uma abordagem técnica e narrativa mais adequadas a um público mais maduro. Em resumo, um filme para todas as idades.

Quem gostar do género, recomendo.




15 de abril de 2018

Dia de Primeira Comunhão

Decorreu hoje na paróquia de S. Mamede de Guisande a celebração da Primeira Comunhão. Longe dos números de outros tempos, terão sido apenas meia dúzia de crianças. Mas em contrapartida, e seguramente, com mais pompa e circunstância. 
Recordando o meu tempo e a minha Primeira Comunhão, seríamos no mínimo duas dezenas de crianças, numa missa realizada em Quinta-Feira Santa, celebrada pelo Pe. Francisco. Não havia roupa nova e no final o jantar era o mesmo do dia-a-dia. O normal dentro da normalidade.

Ilustro este pensamento com um rabisco que fiz há tempos e que partilhei num sítio da Net e hoje, pesquisando por aí, verifico com agrado que esta mesma ilustração está publicada em muitos sites de referência de igrejas e comunidades cristãs, um pouco por todo o mundo, em alusão a esta bonita e simbólica celebração da etapa da catequese das crianças da igreja católica. 

Amanhã será segunda-feira e depois terça e depois...


Que bonito, que lírico, ver o entusiasmo à hora da partida dos "soldados"para uma "batalha", por mais literal que seja sem o dever ser. Mas, e à hora da chegada se os que partiram voltarem cabisbaixos como derrotados? Estarão à sua espera os mesmos que os aplaudiram à partida? Ou serão menos? Ou bem mais, para em vez de aplausos haver lugar aos assobios, vaias e críticas. E que filme tão repetido é este que até enjoa de previsibilidade....Os bestiais e as bestas.

Tudo é tão volátil e e ao sabor dos ventos que custa a acreditar que a certeza e sonhos por vitórias antecipadas possa residir em cenários, fumos e bandeirolas como se quem fizer mais barulho e demonstrar mais aparato é que é mais forte e melhor, um pouco como na vida animal em que minúsculos seres se incham e inflamam de ar ou a matraquear os bicos para mostrarem aquilo que não são e com isso tentar impressionar adversários. Assim, como antídoto a alguma fanfarronice, para qualquer exército, nada melhor que manter sempre os pés assentes na terra e alguma distância e sobretudo respeito pela valia de cada adversário, mesmo que uma jovem ala de namorados, porque o que for há-de ser  e quem vai à guerra dá e leva e amanhã será segunda-feira e depois terça e depois por aí fora.

14 de abril de 2018

Nota de falecimento


Faleceu, de forma inesperada, Paula Maria Batista dos Santos (Paula do Ti Pereira do Viso), com 51 anos. Residia na Rua Nossa Senhora da Boa Fortuna Nº 575  - Cimo de Vila - Guisande.
Cerimónias fúnebres na próxima Segunda-Feira, 16 de Abril de 2018, com velório a partir das 14:30 horas na Capela Mortuária de Guisande e missa de corpo presente pelas 17:00 horas na igreja matriz de Guisande, indo no final a cremar no Cemitério Nº 3  de S. João da Madeira.
Sentidos sentimentos a todos os seus familiares, particularmente aos seus filhos. Paz à sua alma!

13 de abril de 2018

Nota de 20 escudos - A verdinha


Desde 1 de Janeiro de 2002 que Portugal, como membro da da Comunidade Europeia (actualmente União Europeia) desde 1986, está integrado no chamado sistema de moeda única europeia, ou Zona Euro. Por conseguinte, a nossa moeada é o Euro, o que na actualidade vigora em 19 dos 28 países membros. 
Todos sabemos do conjunto de dificuldades de adaptação ao novo dinheiro bem como a curiosidade que na altura despertou. A curiosidade passou, é certo, mas as dificuldades, principalmente de conversão, ainda fazem parte do dia-a-dia de muitas pessoas, de modo especial dos idosos. Actualmente, de um modo geral, já estamos mais ou menos familiarizados com o sistema, mas de facto foi uma etapa marcante para todos os portugueses e obviamente para a população dos Estados que aderiram ao sistema. Muitos dizem que com nítido prejuízo para Portugal.

Do tempo dos escudos, uma das mais emblemáticas notas foi sem dúvida a de 20 escudos, com a efígie de Santo António, popularmente conhecida como "verdinha". Esta nota entrou em circulação em 27 de Janeiro de 1965 e foi retirada de circulação mais de duas décadas depois, concretamente em 30 de Maio de 1986, sendo substituída anteriormente em 31 de Outubro de 1977 por uma nota também em tom verde, mas com um design mais moderno e com a efígie do almirante Gago Coutinho. Em 30 de Maio de 2006 terminou o prazo para a troca das notas de 20 escudos por euros, existindo então 27 milhões de notas ainda por trocar. Até essa data muitas foram de facto trocadas mas um grande número ficou nas gavetas dos portugueses, esquecidas, perdidas, roubadas ou simplesmente para amostra de saudosos tempos. Deste modo, no mercado do coleccionismo são relativamente vulgares mas os seus preços podem ir de 1 a 10 euros ou bem mais, dependendo do estado de conservação e de alguma particularidade que as tornes raras.

A nota de que falamos foi impressa na Inglaterra, tendo sido produzidas  mais de 229 milhões de unidades, todas com a data de 26 de Maio de 1964. A data e as assinaturas do vice-governador e do administrador do Banco de Portugal foram posteriormente  impressas em Portugal e com tinta preta. Uma das séries ficou com essa impressão um pouco desenquadrada ficando com o O da frase "O Administrador" a coincidir com o olho do peixe da gravura. Obviamente que tais notas são raridades e muito valorizadas por coleccionadores.

A "verdinha" era uma nota muito vulgar, porque a de valor mais baixo de todas as notas nesses tempos em circulação e por isso mesmo era das mais populares. Apesar de baixo valor, dizem os entendidos que comparativamente nos dias de hoje teria um valor aquisitivo similar à nota de 10 euros, mas certamente que ainda mais importante pois compravam-se com ela coisas com muita mais importância do que actualmente uma nota de 10 euros.