3 de janeiro de 2018

Sim, estúpido, já estamos em 2018


Sim, já estamos em 2018. Entramos no novo ano da mesma forma que fazemos desde que nos conhecemos, novos e velhos. É certo que, quase sem darmos por isso, vão-se alterando as modas relacionadas a esta data, a esta transição simbólica de um para outro ano, mas na realidade tudo vai bater no mesmo e no dia seguinte há gente a dormir até às tantas, ressacas de bebedeiras e comezainas excessivas, urgências hospitalares entupidas com os resultados dos excessos, condutores embriagados, em que apenas uma amostra acaba por cair na malha das autoridades, etc, etc.

E para quem, muitos, gastou acima das suas possibilidades, fosse numa viagem cá dentro ou lá fora, ou uma noite num hotel chique a comer cubinhos de salmão gourmet sobre caminha de alface amaciada com porto reserva reduzido, a ressaca passa a ser da carteira. Na realidade o povo já não se contenta a passar o ano num areal escuro ouvindo o maralhar das ondas ou numa discoteca rasca dos anos 80, ou num bailarico de garagem numa festa improvisada pela associação recreativa local. Não, agora é tudo à rica, tudo à grande.

Há ainda as redes sociais e aqui a congestão ainda é maior, com os mesmos lugares comuns e as mesmas merdas partilhadas. E todos nós, ansiosos por uns likes, não resistimos a mostrar onde estamos, com quem, o que fazemos, o que comemos e bebemos.

Já no dia 2, 3, ou 4, acordamos então para a realidade, em que vamos ouvindo nas notícias que parece que vai haver uns aumentos no ordenado mínimo, uns tostões nas reformas e outras reposições aos tão carenciados funcionários públicos, essa pobre malta que vai para a reforma com três ou quatro ordenados mínimos. Mas afinal não vão ser só aumentos e reposições na receita: Feitas as contas vai dar tudo ao mesmo para quem vive a contar trocos, pois a lista dos aumentos na despesa é infindável, desde o combustível, até ao pão, passando pelo azeite, bebidas, tabaco, transportes, energia, etc, etc. Não há como escapar a esta realidade e o poupar é uma mera e ridícula  ilusão. Veja-se o Novo Banco, que tem publicitado uma treta chamada Pouparia e afinal, o máximo que oferecem nas diferentes aplicações é um juro que vai de 0,1 a 0,2 %. Trocos, que não chegam para pagar as comissões e despesas de conta. Ainda não será completamente assim, mas já não falta muito para pagarmos efectivamente aos bancos para lá termos uns trocos para  mensalmente liquidar por débito directo as despesas correntes com serviços como a água, electricidade e telefone.

Bem vistas as coisas, toda a alegria e esperança que contagiosamente despejamos ao virar do ponteiro do relógio e do calendário, passados poucos dias soa-nos a ridículo. Mas a vida é tal e qual assim e por isso daqui a doze meses voltamos ao mesmo, a ser alegres, esfuziantes, esperançosos e... novamente ridículos.