12 de janeiro de 2020

Comércio perdicional



É sabido que de um modo geral, salvo raras excepções e em localizações privilegiadas e/ou de impacto turístico, o nosso comércio tradicional tem andado pelas ruas da amargura. Mesmo que de quando em vez venham à praça autarcas e outros "especialistas"  a dar um ar de sua graça, numa espécie de "engana-me que eu gosto", a verdade é que as machadadas são mais que muitas, nomeadamente com a aprovação excessiva de superfícies comerciais, por vezes umas ao lado das outras. Claro que aí lá vem os artistas alvitrar que tal representa novas oportunidades e dinâmicas para o comércio tradicional local, mas obviamente que na generalidade dos casos é conversa para enganar lorpas.

Em todo o caso, e porque nem uma coisa terá a ver com outra, mas apenas para contextualizar as dificuldades de quem explora pequenos negócios, por estes dias soube, com pena e mesmo com tristeza, até porque cliente de há anos,  que acabou o serviço de venda de fruta ao domicilio pela Rosalina Neves, bem como o negócio a ela associado que mantinha na casa paterna, no lugar da Gândara, nomeadamente confecção de pão e doçaria, na minha opinião, de boa qualidade.

De algum modo, este era um negócio com raízes familiares de há longos anos, a que os Guisandenses se habituaram e tinham como seu património, e que por isso, face ao seu término, não deixa de ser uma pena para quem de algum modo valoriza o que de bom a freguesia tem. Assim é uma "nossa instituição" que se perde.

Não prevendo o futuro, desejamos à Rosalina boa sorte no que quer que venha a fazer. Afinal de contas, como diz o povo, na nossa vida por vezes fecha-se uma janela mas abre-se uma porta.