" Eu e a minha aldeia de Guisande: Opinião" "" Eu e a minha aldeia de Guisande
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10/03/2026

Adeus magnólias


Não o confirmei, mas alguém hoje me informou de que terão sido abatidas as duas magnólias que de há anos existiam defronte da nossa igreja matriz.

Pessoalmente fico com um sentimento dividido, porque é sempre triste ver abater uma árvore (no caso duas) mas por outro lado também considero que o seu crescimento foi desmesurado a tal ponto de estarem a esconder a nossa igreja (principalmente a do lado norte), cuja fachada principal só por si é merecedora de estar bem desafogada e visível a partir do início da alameda. Compare-se ambas as situações nas fotos.

Creio que já falei por aqui, ou noutro espaço, sobre o assunto do crescimento e de um dia ter de se equacionar o abate das árvores ou a sua poda algo radical e desvirtuar as mesmas. Então, como se esperava, as opiniões não foram convergentes.

Neste caso, como disse, por mim fico dividido mas compreendo e aceito a decisão. Alguém tem de tomar decisões mesmo na impossibilidade de agradar a todos. Resulta daqui que certamente haverá opiniões contrárias.

De resto, as árvores também não são eternas e muitas vezes, quando não em espaços adequados ao seu porte, passam a ser prejudiciais. Por outro lado, é frequente que quando se plantam nem sempre se tenha a capacidade de antever o que serão no futuro e se isso será adequado. Eu próprio já cometi esse erro com uns arbustos (tipo cedros) que cá em casa tive à face do muro da rua e que com trabalho e despesa tive de abater e os estragos ainda hoje se fazem sentir. 

Até mesmo no nosso adro, defronte da residência paroquial, já existiu uma cerejeira frondosa e de bons frutos, que por 1956 teve de ser abatida para permitir um adro amplo e um melhoramento do mesmo, então em terra e irregular. Também nessa altura não foi do agrado de todos.

Em resumo, com tristeza mas percebendo e aceitando a decisão, veremos o que ali será colocado, talvez plantas arbustivas e floridas e que não cresçam a ponto de ocultar a igreja.

09/03/2026

Mal agradecidos

Confesso que fico um pouco irritado com gente nossa que, pelo estrangeiro, de livre vontade, em trabalho ou férias, se mostre revoltada com o Governo por os não irem buscar a casa de limusina ou jacto privado para regressaram ao país porque apanhados em situações de conflitos. 

Sempre ouvi dizer que somos responsáveis pelas nossas atitudes e pelas nossas opções. Por isso, por que carga de água tem o Governo de gastar dinheiro de todos os contribuintes para ir resgatar quem deu de frosques do país e foi à sua vidinha, em gozo de férias ou para trabalhar?

Andamos todos mal habituados e reclamamos com o Estado quando as coisas correm mal, a exigir transportes, apoios e subsídios, se possível a fundo perdido,  mas quando correm bem, quando ganhamos dinheiro, damos umas curvas aos impostos, declaramos rendimentos baixos e fugimos com o cu à seringa.

Típico, mas irrita, sobretudo quando com o Governo a fazer o possível por ajudar, ainda tenha que ouvir desconsiderações de alguém ao sol numa praia na Tailândia ou a nadar nos dólares das arábias, a queixar-se que ainda não foi contactado. Há limites. 

06/03/2026

O papel do papel de jornal


Aprecio, gosto e sou fã da obra do artista Alexandre Manuel Dias Farto, dito Vhils. Um excelente e talentoso artista de arte contemporânea.

O agora falado retrato, de sua autoria, do presidente da república, de saída de Belém, está dentro da sua  linha plástica. Mas, no que se pretende do retrato da mais alta figura do Estado, não gosto. Não tinha que seguir a linha mais clássica ou conservadora de um Columbano ou Henrique Medina nem um borra telas como Pomar, mas era escusado uma tão grande ruptura. Com jeitinho, teria sido composto com materiais recolhidos no lixo.

Mas, pensando melhor, é bem ao estilo de Marcelo: Mais preocupado pela forma do que pela substância, fazendo do seu umbigo o centro do universo. Espalhafatoso, muito para os média, para as redes sociais, bem ao estilo do papagaio, fala-barato, em que se transformou, sobretudo no segundo mandato. Ficará para a história como o presidente de e para as selfies, em calções de banho e a chupar um gelado.

Um presidente nos nossos dias tem de ser, obviamente, próximo, afectivo e efectivo, atento, uma voz que se faça ouvir e respeitar, mas desvaloriza-se, rebaixa-se, indignifica-se quando se trona popularucho, banal, um influencer no pior sentido.

Mas isto é apenas uma opinião, outros considerarão o contrário, e estamos todos bem. 

Mas insisto, um presidente da república não tem de ser rígído, austero, como Cavaco, cinzento e partidariamente subalterno como Sampaio ou prepotente e espalha-brasas como Soares, mas com o formalismo equilibrado e que, sobretudo, seja uma figura respeitável, que respeite e se faça respeitado. O velho ditado que o "respeitinho é muito bonito" ainda faz sentido. Não fosse isso, e então mais valia eleger o Tino de Rans, o Ena Pá 2000 ou o Batatinha. Iria dar ao mesmo.

Voltando ao retrato, não gosto no sentido da finalidade, mas, porque de encomenda, em nada surpreende e está ao nível do retratado. Afinal bem sabemos o papel que o papel de jornal teve em tempos em que o dito higiénico era luxo de cuzinhos de ricos. É, pois, um respeitável papel e merece estar na galeria de Belém.

Não havia necessidade, é certo, mas os tempos recomendam que se goste e se exalte. A fábula do "rei vai nu" ainda tem peso. Muito peso.

04/03/2026

Coisas bonitas mas sem eficácia


Alguns municípios, sobretudo do interior, têm adoptado medidas de incentivo à natalidade. Apesar de substanciais nalguns casos, quase sempre sem efeitos notórios. Até mesmo o município de Santa Maria da Feira tem um programa em que por cada nascimento concede um apoio de 600 euros por ano até ao 3.º ano de vida, por isso no valor de 1800,00 euros. Até ao momento desconhecem-se resultados práticos dos efeitos de tal medida, mas não custa acreditar que serão nulos ou residuais.

Na mesma onda ou seguidismo, e com menos significado, até pelo peso dos orçamentos, também algumas Juntas de freguesias têm adoptado os seus próprios programas, dando-lhes a mesma e pomposa importância de incentivo à natalidade. Mas este, como se compreenderá, é um problema social, estrutural e afecta todo o país e Europa. As medidas que poderão inverter a baixa de natalidade geral terão de ser muito significativas, estruturais, políticas e  económicas, até sociais, e mesmo assim, eventuais resultados não se verificarão a curto prazo. Não fossem as contribuições dos imigrantes nisto do "crescei e multiplicai-vos", e o nosso país e suas terras estariam a passos largos para a desertificação. E algumas, no interior, já estão,

A União de Freguesias de Lobão, Gião, Louredo e Guisande teve um programa desses, designado de "Bébé União" e para além de ser bonito e dar fotografias para as redes sociais, seria interessante saber, para além do simbólismo,  em quanto tal incentivo resultou num concreto e efectivo aumento da natalidade em cada uma das freguesias e, para o nosso caso, em Guisande. Parece-me que, na realidade, valeu zero e mesmo que sim, certamente que mais por via do tal apoio municipal, porque bem mais substancial. 

Entretanto, alguém avisou-me que também a nossa Junta de Freguesia de Guisande pretende seguir um programa similar, para o que terá já anunciado um período de discussão pública e  recolha de ideias que durará por este mês. 

Por mim não vou concorrer com qualquer ideia, nem dar para esse peditório, desde logo porque não estou em fase de beneficiar do apoio e porque o acho inconsequente quanto ao tal incentivo. Mas sem pretender ser negativo, tenho naturalmente a minha opinião. De resto já a escrevi antes, mais ou menos nestes termos: 

Mesmo que sem qualquer filosofia de incentivo à natalidade, porque na realidade, sejamos realistas,  não resulta apenas com tais iniciativas, deve-se manter o programa similar levado a cabo pela União de Freguesias, com um valor monetário simbólico e um cabaz de produtos adequados aos primeiros tempos do bebé e da mãe. De outra forma, convirá ter em conta os rendimentos e património dos pais sob pena de gerar paradoxos. Por exemplo, que tipo de incentivo resulta em atribuir, 50, 100 ou 500 euros a quem já tem um bom rendimento e património? Será apenas por isso, por essa diferença, que um casal se decidirá por mais um filho?

Em resumo, mesmo batendo de frente na parede da realidade, de que nos últimos anos os nascimentos em Guisande contam-se pelas dedos de uma mão e ainda sobram dedos, concordo com a atribuição de alguma coisa mas apenas pelo simbolismo do que propriamente pela eficácia esperada. Eventualmente com cheques prendas angariados em algumas empresas, nomeadamente de produtos de puericultura, eventualmente uma prendinha com um valor monetário tambem simbólico, quiçá para servir para abrir uma conta no nome do bébé. 

Para além disso, no essenciual, deve haver cuidado com tentações de coisas bonitinhas, exageros para as redes sociais, porque, parecendo interessantes, na realidade estes apoios não têm pernas para andar no que diz respeito a um eficaz e consequente incentivo. Fosse essa a solução e seria fácil, mas, há que admitir, não é! Haja, pois, algum bom senso e realismo e certas coisas, pelo seu irrealismo, podem cheirar a demagogia barata.

02/03/2026

PDM - Proposta em discussão pública

 


Nesta Quinta-Feira passada (26 de Fevereiro) duas técnicas da Câmara Municipal estiveram na sede da nossa Junta de Freguesia a prestar esclarecimentos e a acolher sugestões no âmbito do período de discussão pública do PDM - Plano Director Municipal, o qual na nossa freguesia vai trazer mudanças, com redução de áreas urbanas, comparativamente à versão ainda em vigor. Prevê-se que o novo plano, já demasiado atrasado, possa entrar em vigor num prazo máximo de 180 dias.

Do que vi no local, muito tempo de espera, como se alguns dos consultantes fossem proprietários de meia freguesia. Para quem teve que faltar ao trabalho para ali se deslocar, como eu, não foi nada agradável. No meu caso, esperei quase uma hora enquanto uma das técnicas esteve ocupada com uma únca pessoa e quando saí ainda lá continuou com o mesmo consultante. 

Para além desta particularidade, que  faz parte do processo e temos de respeitar, importa é que as pessoas tivessem sido bem esclarecidas. Todavia, no essencial, e pela experiência profissional neste processo, a larga maioria do que tivesse sido acolhido como reclamação, proposta ou sugestão, será para desconsiderar. É, no essencial, apenas uma etapa legal do processo que já pouco vai alterar o que está em discussão.

No geral, objectivamente, a freguesia sai prejudicada, pois a curto e médio prazo o seu desenvolvimento urbano ficará ainda mais condicionado, até porque uma parte significativa dos prédios urbanos pertence a uma dúzia de proprietários que, não tendo necessidade, não os libertam para o mercado. Paradoxalmente, pela sua natureza, o efeito é cego e pode penalizar quem tem intenção de construir  e vender e beneficia quem não tem essa vontade. 

É o que é, e quanto a isso, nada se pode fazer. A Junta tem sempre um papel importante a desempenhar no processo, mas desconheço se, desde que tomou posse, já fez algum coisa, se está interessada nisso, ou se vai fazer mesmo que já em cima da hora. Do anterior executivo da União de Freguesias, que teve muito tempo para apresentar propostas, para o território da nossa freguesia desconheço o que tivesse sido apresentado e concedido, mas desconfio que nada.

Em resumo, daqui a meio ano faremos as contas quanto ao que, decorrente do processo de discussão pública, foi possível melhorar face à actual proposta. Agora é esperar.

28/02/2026

Entre o 8 e o 80, o bom senso, o equilíbrio


Entre o 8 e o 80 há, certamente, um ponto de equilíbrio. Quando essa realidade é ignorada e se opta por um dos extremos, raramente os resultados são os melhores.

Se é verdade que, em determinados contextos, o radicalismo pode ter utilidade, em regra produzem melhores efeitos as soluções equilibradas, sobretudo quando está em causa uma decisão pública e comunitária.

A limpeza ou abate da maioria das plantas que, há anos, adornam o adro da nossa igreja matriz - tanto na parte pública como na pertencente à paróquia - e que tem sido realizada nestes dias, poderá revelar algum excesso de radicalismo.

É evidente que as plantas, como quaisquer seres vivos, envelhecem, adoecem e acabam por morrer. Também é legítimo substituí-las por espécies mais adequadas, restituindo em pouco tempo o aspecto bucólico e primaveril que há décadas caracteriza a envolvente da nossa igreja. Ainda assim, parece-me que a intervenção poderia ter sido mais gradual. Em matérias que envolvem uma comunidade, decisões abruptas tendem a dividir: há quem concorde, quem discorde e quem, como eu, entenda que o bom senso e o equilíbrio favorecem não só o objectivo pretendido, mas também a conciliação de diferentes perspectivas.

Pelo que tenho ouvido, alguns compreendem a intervenção, esperando uma renovação; outros manifestam desagrado e até revolta.

Independentemente de quem tenha tomado a decisão e da legitimidade que lhe assista, creio que teria sido desejável maior ponderação e, eventualmente, a auscultação da comunidade.

Em suma, reconheço que decidir nunca é fácil e que agradar a todos é impossível. Contudo, abdicar da procura de consensos e de equilíbrio, bem como do respeito por opiniões divergentes, representa uma falha.

Da minha parte, não assumo uma posição de indignação, longe disso, mas não escondo alguma tristeza. Julgo que teria sido possível uma intervenção menos radical e faseada, talvez antecedida de algum tipo de consulta à comunidade.

Perante o que já foi feito, resta esperar que o resultado final venha a revelar-se positivo. Para já, o que se vê é um cenário de desolação. Este não é o adro que sempre conhecemos; espero que rapidamente recupere a sua identidade.

27/02/2026

Vazia sensação


Tenho para mim, em jeito de confissão e reconhecimento, que as redes sociais, e o Facebook em particular, por via do hábito, encerram o potencial de espelhar tudo o que a sociedade possui de virtuoso. Todavia, sendo elas o reflexo fiel da condição humana, constituem igualmente um palco privilegiado para o seu reverso. Subsiste, sob o jugo dos filtros e a discreta ditadura dos algoritmos, um oceano de banalidades, onde o ego e a vaidade se sobrepõem à substância. Impera e prevalece o antes parecer que ser. São, por assim dizer, vinhas de muita parra e parca uva, solo onde a vindima raramente compensa o esforço.

Seria, decerto, um exercício de rara fruição observar mentes dotadas de rasgo e saber partilharem o que de facto enriquece o espírito: o pensamento crítico, a erudição artística e a reflexão fecunda. Na escrita, nas artes e na cultura em geral, não escasseia o talento; contudo, aqueles que o detêm tendem a exilar-se destes púlpitos. Compreende-se o recato: o mesmo espaço que num instante ensaia um aplauso, logo de seguida urra a vaia e a desconsideração gratuita.

É, por conseguinte, um terreno insidioso para quem ousa a diferenciação. Percebe-se, assim, a escassez de vozes de relevo e a raridade das suas aparições. Perante o panorama vigente, o dilema do espírito culto permanece insolúvel: entre a sensação de lançar pérolas a porcos e a futilidade de atirar pedras a águas estagnadas, a escolha revela-se um exercício de amarga resignação.

Enquanto isso, resiste-se, mas numa amarga ou vazia sensação de que inutilmente. 

24/02/2026

Há quem vá ao "Barrigas"; Há quem vá ao "Fidalgus"

Quase todos, eu e os que gostam de, pelo menos de vez em quando, ir almoçar ou jantar a um restaurante, já passaram por isto: Por vezes, relativamente próximos, em tempo e distância, dois mundos parecem colidir: Num local, o restaurante "Barrigas do Povo": sem peneiras, sem guardanapos de pano, um bacalhau, à casa ou à "liberdade", que precisa de dois pratos para caber, um vinho da região honesto e uma conta que nos faz sair a sorrir, mesmo com entradas, saídas e o habitual "cheirinho". Ainda a pedir um saco para levar as sobras para o cão ou mesmo para uma refeição no dia seguinte.. 

Noutro sítio, o "Fidalgus", com fundo musical suave, decorações estilosas: aí, uma dose que parece uma amostra grátis, uma lasca de bacalhau solitária no meio de um grande prato, pintalgada por azeite ou molho inglês, uma qualidade que, para além do estilo, não deslumbra de todo, e no final uma conta que parece o orçamento de defesa de um pequeno país. O vinho que sabemos que na loja do Pingo Doce custa 4,00 euros, ali não se contenta a custar, compreensivelmente, 10, mas 20 euros. Se for um Giroflé ou Giroflá, coisa de autor, ui, ui!

O mistério, diga-se e em boa verdade se esclareça.  não é só gastronómico, antes sociológico. Senão, vejamos: O "Imposto de Vaidade" - Por que é que no "Fidalgus", se a comida , não sendo pior, não é seguramente melhor? Quiça com umas pétalas de rosas, umas raspas de cenoura e duas folhinhas de beldroegas? A resposta é simples: o cliente não está ali para comer. O que está na mesa é um acessório, como um relógio de marca ou uma mala que custa mais que todo o dinheiro que nela se consiga meter dentro. O preço inflaccionado não é um erro de cálculo do dono ou do empregado de mesa; é apenas um filtro social, de estatuto, de diferenciação.

Num mundo (digamos, pelo nossa zona) onde qualquer um pode comer bem por 20 €, o verdadeiro luxo, para alguns mais abonados ou com reformas de médico ou professor, é pagar 50 € por algo parecido, apenas para garantir que o vizinho da mesa do lado tem o mesmo extracto bancário (ou, pelo menos, a mesma pretensão). É o chamado consumo conspícuo: a arte de gastar dinheiro para sinalizar que se tem dinheiro. Por regra, a ementa funciona apenas como um guião teatral.

Na verdade, no "Fidalgus", a dose é, regra geral, minimalista, apelidade de "gourmet", inversamente proporcional ao ego. Quanto menos comida houver no prato, mais "sofisticado" o cliente se sente. Afinal, comer até ficar satisfeito é coisa de quem trabalha no duro, de um qualquer trolha ou pedreiro; a elite, essa prefere a "experiência" da fome, do gourmet, da "comida de autor", seja lá que caralho isso queira dizer.

O vinho: É o mesmo que custa 4 € no supermercado, mas aqui, baptizado pela iluminação ambiente e por um escanção que nos olha de cima, que saca a rolha, e cerimoniosamente dá a provar e a cheirar, passa a valer 30 ou50 €. E o cliente paga, não pelo sabor, por vezes até a saber a rolha como um qualquer Malaquias, mas pelo som da rolha a saltar num sítio onde "toda a gente" o vê, num gestual teatral, de especialista, a percebe der "terroir".

O paradoxal da realidade: O mais irónico é que muitos destes clientes nem sequer têm o estatuto que tentam comprar. São os aspiracionais. Pagam o bife duro e caro com o cartão de crédito no limite, apenas para poderem dizer, no dia seguinte, que "estiveram lá". É uma espécie de masoquismo social: sofrem no estômago para brilhar na conversa de café ou nas redes sociais. Não falta gente dessa.

Enquanto isso, por vezes em local próximo, o cliente "esperto" mas ruidoso, delicia-se com um lombo de bacalhau suculento ou com um bife à Zé de Ver. E cebolada à fartazana. E queijo com marmelada, ambos fatiados sem cerimónia ou facas da Tramontina.

Conclusão: Qual é a sua fome? No final do dia, a restauração divide-se em dois tipos de serviço: os que alimentam o corpo e os que alimentam a vaidade. Mais ou menos isso.

Se procura qualidade e quantidade, siga o cheiro da comida boa e o barulho das pessoas satisfeitas, mesmo com algumas moscas no ambiente, toalhas e guardanapos de papel. Se procura sentir-se "superior" enquanto mastiga um bife médio, prepare a carteira. O estatuto tem um preço, e normalmente, esse preço é uma má digestão e uma conta pesada. Mas nada que não se aguente. Afinal, o estatuto paga-se.

A pergunta que fica é: da próxima vez que sair para jantar, vai levar o seu paladar ou o seu currículo?

Segue-se uma tabela toda bonita que compara ambas as experiências:

Característica Restaurante "Barrigas do Povo" (20 €) Restaurante "Fidalgus" (50 €)
Foco principal O estômago (Satisfação real) O ego (Satisfação social)
Perfil do cliente O "Esperto" (Procura valor) O "Vaidoso" (Procura sinalizar)
Pós-Refeição "Comi um bacalhau incrível e barato!" "Estive ontem no "Fidalgus""
Estratégia Passa-palavra da qualidade Exclusividade e preço como filtro

23/02/2026

Tempos estranhos, estes.


O Rodrigo, um rapazinho de 9 anos, de Castelo Branco, que ajudou a salvar a sua mãe de uma situação de saúde crítica após um corajoso e esclarecido telefonema para o INEM, tem sido promovido a herói nacional. Depressa se tornou figura pública, desdobrando-se em aparições em programas de televisão e tendo até direito a assistir de perto a um jogo do Benfica, com as regalias de qualquer figura famosa: contacto com jogadores e com o treinador e exposto às câmara e aos média.

Convém dizer, desde já, que o Rodrigo teve, de facto, uma atitude de grande maturidade. A sua capacidade de reacção e de entendimento, ajudou a mãe e pode ter feito a diferença entre a vida e a morte. Ponto final.

Quanto ao resto, só surpreende que hoje em dia se dê esta extraordinária importância à maturidade de uma criança com quase uma década de vida porque, convenhamos, a norma actual é a total infantilização. Mesmo adolescentes e jovens adultos, já com formação, revelam muitas vezes uma imaturidade gritante, com atitudes e compartamentos infantilizados. Este nível de irresponsabilidade ou imaturidade, não é culpa destas gerações, mas sim dos pais e do nosso sistema e modelo de sociedade, que os têm moldado, desresponsabilizando-os, mantendo-os numa redoma durante mais de 20 anos, onde não há lugar a risco ou a pôr o pé fora da zona de controlo e de conforto. 

Noutros tempos, no meu, há que dizê-lo, uma criança de 9 anos, ou até menos, era já um "homenzinho" ou uma "mulherzinha". Tinham maturidade de adultos, com responsabilidades, canseiras e trabalhos condizentes. Mesmo que à sua medida, eram frequentes as tarefas de vulto, não só no que toca à mão-de-obra, mas no assumir de compromissos na casa e no campo.

Falando na primeira pessoa: aos 8 anos, eu e o meu irmão, de 10, tínhamos à nossa responsabilidade uma parelha de bois, enormes e cornudos. Levámo-los a pastar, sozinhos, sem a orientação de qualquer adulto. Com 11 anos, já marchava sozinho, de noite, sob chuva ou calor, por caminhos precários do Viso ao fundo das Caldas de S. Jorge para trabalhar numa fábrica. Ir e vir. Durante anos até que o que me calhava do ordenado, depois da quota à casa, desse para comprar bicicleta.

Com pouco mais de 20 anos, já seguia sozinho de comboio para Lisboa, sem ninguém mais velho para me levar ou buscar à estação. Nada de especial; era o normal para mim e para milhares de outros. Serviço militar de 2 anos, sem qualquer mesada ou ajuda paterna. E, recuando ainda mais no tempo, havia crianças que marchavam diariamente a pé para S. João da Madeira e mais além. Ir à escola, fosse longe ou perto, chovesse ou nevasse, era caminho feito a pé e sem companhia de adultos. Na sacola, apenas livros e lousa, nada de merendas e lanches.

Em resumo: os tempos são diferentes? São, com certeza. E ainda bem, no que toca às melhores condições de vida e ao respeito pelas etapas de crescimento, sem suprimir a infância e adolescência. Mas, por outro lado, a desresponsabilização atingiu níveis exagerados. Não surpreende que filhos a caminho dos 30 anos continuem totalmente dependentes dos pais que, tantas vezes, já precisariam desses parcos recursos para uma reforma sem sobressaltos.

Assim, mesmo sem querer generalizar, temos hoje "gândulos" em casa, com cama, mesa e roupa lavada, sem pressa de assumir as rédeas do próprio destino. Os passarinhos já não abandonam os ninhos. Neste contexto, mesmo rodeados de meios e tecnologias com que outras gerações nem sonharam, ficamos todos surpreendidos com estes assomos de maturidade, tratando-os como o que realmente são: raros e inesperados. Aves exôticas.

Até que caia no esquecimento, o Rodrigo continuará a ser o herói do momento, celebrado por uma maturidade que já não se supõe encontrar em crianças da sua idade, ou até no dobro da mesma. Tempos estranhos, estes.

22/02/2026

Racismo e macacada


Racismo no futebol? Não me parece. Nos casos mediáticos, creio haver uma sobrevalorização em tudo o que mexe ou parece. Desrespeito mútuo, falta de cultura, atitudes provocantes e provocatórias, isso sim. Nada justifica o racismo, genuíno ou provocatório, como nada justifica o clima persistente e recorrente de más atitudes, entre adeptos, atletas mas também entre os clubes e seus dirigentes. Os maus exemplos tendem a ser seguidos.

Para além de tudo, supostamente chamar macaco a um futebolista, seja ele branco, amarelo ou negro, para além do desrespeito ao próprio, pode ser uma ofensa aos próprios macacos. Cada macaco no seu galho, mesmo que o futebol assim não passe de uma macacada.

Macacos me mordam se não é isto!

17/02/2026

Pensamento da semana

A propósito das calamidades que varreram o país de norte a sul, com milhares de pessoas e empresas ainda em estado de choque, sem electricidade e sem água, com instalações destruídas e casas alagadas ou desmoronadas, vítimas mortais directas e indirectas, alguém sabe dizer se os eventos carnavalescos foram adiados ou cancelados, em sinal de solidariedade e pesar?

A propósito, ou não, recordo a berreira que se fez quando aqui há uns meses não se adiou uma certa festa no Pontal, enquanto algumas terras sofriam com os incêndios.

Do que consegui ver, claro que não. Apenas o de Torres Vedras foi cancelado, sendo que por dificuldades operacionais. No resto, farra e euforia. Talvez  porque, no Carnaval ninguém leva a mal. 

Pimenta no cuzinho dos outros, no nosso é refresco.

16/02/2026

Merdificação e trends

Nestes tempos em que a "merdificação" das redes sociais é ponto assente, começo a pensar nas vantagens dos poucos que, não tendo qualquer montra digital, não têm as suas vidas expostas, escarrapachadas aos olhares curiosos e escrutinadores dos demais. Assim, fora do universo familiar próximo e do círculo limitado de amigos, ninguém tem de saber em que dia fazemos anos, onde vamos passear, comer ou divertir-nos. Ninguém precisa de saber se temos cães ou gatos, qual o nosso clube ou o nosso partido e posicionamento político.

Num tempo em que a privacidade quase não existe, cultivá-la e preservá-la é um bem inestimável e já uma raridade. De facto, tendo eu próprio esta página numa rede social,  e dispenso todas as demais, por falta de tempo ou "pachorra" para instagrams, tiktoks, xis e afins, começo a medir as vantagens de estar "in" ou "out", dentro ou fora. E estando dentro, pelo menos em grupos privados e com algum controlo sobre trolls.

Na essência, enquanto ferramenta, as possibilidades das redes sociais, como o Facebook, são positivas  e até excepcionais. Não obstante, pouco ou nada é usado nesse sentido. Exceptuando poucos bons exemplos, no geral é uma quitanda de banalidades, laranjas sem sumo. É gente a alinhar em trends, marias a irem com as outras, a exibir egos redondos e vaidadezinhas;  são cães e gatos desaparecidos, a constatação óbvia de que está a chover ou a dar sol, o Manel e o Tono a destilarem ódio contra o Ventura, o Chico e o Quim contra o Montenegro, o Zeca contra o Sócrates e amigos do sistema; o Mário e o Mariano a mostrarem as entradas a matar dos jogadores do Benfica contra o Porto e vice-versa, ambos a reclamam roubos, bandalheiras, favores e desfavores da arbitragem. Enfim, um micro-cosmos fiel da sociedade.

Sem moralismos, mas numa reflexão que a todos deve importar, talvez valha a pena fazermos um esforço para usar estes espaços virtuais a favor de coisas que realmente interessem: sem alinhar em tendências infantis, sem ruído e inutilidades, com mais foco naquilo que realmente somos e temos de positivo, na arte, na cultura, no bem fazer social e comunitário, no que é natural e não artificial. 

Difícil? Concerteza que sim!

10/02/2026

PDM - Em discussão - Um plano castrador, um mapa verde mas sem esperança

 

Depois de vários anos de atraso, a proposta de 2.ª revisão do PDM - Plano Director de Santa Maria da Feira, está em período de discussão pública, que decorre de 13 de fevereiro a 27 de março. O município já promoveu uma sessão de esclarecimento, em 5 de Fevereiro, em Lourosa, e tem agendada uma segunda para amanhã, dia 11, no auditório da Biblioteca Municipal de Santa Maria da Feira,  às 20h30.

Comparativamente à versão em vigor, desde 2015, com as sucessivas actualizações por adaptação, nomeadamente de 2021, a actual proposta, parece-me, é penalizadora, diria mesmo, castradora.

Numa altura em que está na ordem do dia a falta de habitação, e logo espaços para a fomentar, para a nossa freguesias são reduzidas as zonas urbanas.  E de forma incompreensível, já que essas reduções ocorrem em arruamentos principais da freguesia, centrais, e alguns deles dotados com todas as infra-estruturas. Onde hoje é possível edificar, depois da alteração deixará de o ser.

É a todos os níveis um paradoxo porque confrontado com a crise na habitação até foi feita uma Lei dos Solos que permite em determinados contextos e condições o uso de solos rústicos para habitação. Ora, então, porquê estar a fazer o contrário, desclassificando urbanos para rurais? A supressão de espaços urbanos à face da Rua Nossa Senhora de Fátima, entre a Gândar e Fornos, Rua Cónego Ferreira Pinto (entre a Farrapa de Cima e Farrapa de Baixo, e Rua do Viso, ainda Rua da Estrada Velha, do lado norte, etc, são alguns dos exemplos. 

Resulta daqui o óbvio, a freguesia fica castrada nas possibilidades de crescimento futuro e não tarda a não haver terrenos disponíveis para edificação. Parece-me, pois, a todos os níveis, um plano penalizador, que acentua o atraso desta região do nordeste do concelho.

Não sei o que pensa fazer a nossa Junta de Freguesia nesta curta janela de oportunidade, mas importaria que ainda fosse capaz de propor a reversão de algumas situações, nomeadamente aquelas mais flagrantes e descaradas sob um ponto de vista de bom senso e razoabilidade. 

Não obstante, não custa a acreditar que já de pouco valerá, porque na sua larga maioria, as propostas que ao longo dos tempos foram apresentadas, foram desconsideradas, porventura nem apreciadas.

Estamos, pois, condenados à habitual indiferença e certas palavras que se fazem ouvir e imprimir em altura de eleições traduzem-se em meras banalidades, ocas, sem qualquer consequência.

Somos, assim, um mapa muito verde mas sem esperança.

09/02/2026

Presidenciais 2026 - 2.a volta

 


Para quem gostava de comer bifes, um capão, cabrito ou polvo, o menú apresentava apenas pescada e petinga. A fome obriga a escolhas e quando não se tem cão caça-se com gato. 

Nesta analogia, e neste contexto culinário, porque a política tantas vezes não passa de mestres da culinária a darem receitas, cujos resultados nem sempre funcionam, o povo, aquele que se dispôs a votar, como eu, teve de escolher entre pescada e petinga. Alguns, poucos, nem uma coisa nem outra, e limitaram-se a comer as azeitonas e tomar café.

No final, ganha sempre a democracia e só os iluminados que a viam em perigo é que devem ter saído do restaurante de barriga cheia, mesmo a abarrotar. Em todo o caso, para a eleição de um presidente que pouco mais é que uma figura decorativa, António José Seguro, das opções a sufrágio, era o que mais se adequava. 

Não será o presidente de todos os portugueses, porque uma boa fatia da população não o escolheu por verdadeira convicção, mas será, seguramente, dos que o elegeram.  Será, assim, também o meu presidente.

23/01/2026

Um exagero exagerado

Anda tudo extremado! Não é novidade! Também a eleição presidencial, agora resumida a dois candidatos, parece-me que está nesse caminho, muito por responsabilidade da comunicação social que já não conhece a ética, deontologia e isenção, valores do verdadeiro jornalismo. Mas este há muito que está defunto.

Também eu me considero moderado e a votar no próximo dia 8 de Fevereiro será, sem hesitações, em quem me parece como tal. Mas daí a colocar-se a questão como de uma luta ou batalha em que está em causa a democracia, só porque com duas personalidades com diferentes pontos de vista e posicionamentos, é exageradamente exagerado. Desde logo porque estamos nela, na democracia, e a eleição será democrática e os eleitores é que decidirão. Ou não queremos que sejam os eleitores a decidir?. Afinal a democracia não é isso? Respeitar a decisão da maioria do povo, mesmo que contrária às nossas posições e a favor de candidatos ou partidos com quem não alinhamos? Ou somos ou não somos.  

Não obstante, se atentarmos em países onde nos últimos anos têm vencido candidatos e partidos conotados com a direita mais extremada, nem a democracia deixou de existir  nem as economias têm recuado, até antes pelo contrário. Veja-se o caso da Itália e Argentina.

Por conseguinte, no que se refere aos efeitos destas presidenciais, não venham com histórias de diabos e papões. A nossa democracia é adulta, mesmo que com intervenientes acriançados e medíocres. Tem regras, tem mecanismos, tem bases sólidas que a garantem. O povo, no geral, ainda consegue saber o que quer. Se, de algum modo, parece juntar-se a quem se extrema, é tão somente porque está descrente nas soluções que se perpetuam há 50 anos.

Mesmo que o suposto papão André Ventura vença, o que será difícil mas não impossível, daqui a umas semanas estará a jurar defender e fazer cumprir a Constituição, mesmo que deseje a sua alteração. Eu próprio a considero caduca em alguns pontos, e nem é de surpreender, pois passaram já 50 anos sobre a sua implementação e de lá para cá o mundo e a sociedade deram muitas voltas. Em vários aspectos é a nossa Constituição de matriz revolucionária e por isso caduca nalgumas questões. Mas isso são outras contas e cabe ao ao povo e aos partidos legitimados pelos votos a decidirem essas questões dentro das regras democráticas. Nem mais nem menos.

Respeite-se, pois, mesmo que a contragosto, o resultado da eleição que se avizinha. Não vejo, de todo, que no actual quadro a democracia esteja em perigo, porque a democracia é a livre escolha e, mesmo que pobre, há escolha. 

Para além de tudo, convenhamos, o cargo em eleição, é pouco mais que decorativo, bem diferente dos regimes presidencialistas como a França e Estados Unidos. Até acho que Ventura, na redoma de presidente ficará  limitado na sua acção face à que tem enquanto deputado e líder de um partido. Ali fará mesnos estragos, parece-me.

Em todo o caso, espanta que os nossos habituais acérrimos defensores desta democracia muito particular, tão preocupados com o futuro da nossa democracia caseira,a propósito de uma eleição livre e democrática, não se imponham nem se manifestem no que se passa na Rússia, Venezuela, Coreia do Norte, China, etc. Aparentemente, para os paladinos lusos da democracia, nesses países tudo funciona dentro das boas regras da democracia, direitos, liberdades e garantias. Nada que lhes tire o sono.

Viva a democracia, mas também o bom senso!

19/01/2026

Nacionalmente sem surpresas

 


Nacionamente sem surpresas esta eleição presidencial. Mesmo que um pouco, por constatar que em Guisande, André Ventura vale tanto, e em Lobão,  Louredo e Canedo, ainda mais. Mas é o que é e decidem os eleitores.

Nacionalmente, dizia, tudo dentro do previsível, mesmo a insignificância eleitoral de uma esquerda radical desfazada da realidade, que não acerta o rumo face aos desaires e hecatombes sucessivas em anteriores actos eleitorais, que mesmo falando afanosamente em nome dos trabalhadores, da classe operária, da defesa da democracia e da constituição, o mesmo povo, na hora de votar, remete-os à insignificância eleitoral e política.  Muitos dos valores que apregoam, também eu os defendo e considero. O mal, creio, estará na ortodoxia ideológica e na forma enviesada como os defendem.

Tudo expectável, pois, até mesmo na constatação de um candidato de um partido do sistema valer menos que um bobo da corte e de um candidato que teve menos votos que as as assinaturas que  o validaram como tal, numa demonstração de que, como alguém já escreveu "... a legislação que rege as candidaturas está esclerosada e não serve a democracia nem os portugueses. Uma eleição para o primeiro representante da República, único eleito por sufrágio universal, directo e presencial, não pode ser um concurso de feira para palhaços."

No resto, não acredito que a próxima eleição seja entre a esquerda e a direita. Se fosse, André Ventura já estava eleito. Mas não! Parece-me, será sobretudo entre o radicalismo e a moderação e bom senso. Quando muito, entre as alas mais à esquerda ou à direita do tradicional eleitorado da AD. 

Seja como for, com mais ou menos moralismos, decidirá, como sempre, bem ou mal, o povo. Para além disso, convenhamos, o presidente da república será sempre uma figura menor, pouco mais que um corta-fitas, agindo com mais ou menos discrição, mais  ou menos bom senso, o comum e o político. 

Não obstante, reconheço que, para muitos eleitores, mais moderados, será uma tentação em votar em André Ventura no sentido de remetê-lo a um papel secundário, que é sempre o de presidente da república, assim esvaziando, em muito, o papel do Chega no plano legislativo. Ventura  quer e almeja o poder, não a representação a que se resume o cargo do mais alto magistrado da nação.

A ver vamos o que nos reservará o dia 8 de Fevereiro.!

02/01/2026

A caminho de caminho

Neste concelho vibrante, o troço da estrada que liga Canedo à Corga de Lobão (que seja ao Casal-Gião) está a caminho de ser um caminho. Buracos, mais que muitos. Não há suspensão que resista e pagamos nós impostos e IUC para isto.

As redes sociais de algumas Juntas parecem almanaques, Seringadores e Bordas d´Água, agora a falar do tempo, de podas e de jardinagem, mas o essencial, que não dá likes, é omitido. Não virá daí algum mal ao mundo, mas aos contribuintes pelo menos importa que as estradas sejam equipamentos funcionais, transitáveis e não geradores de despesas nas oficinas automóveis, para além dos riscos de acidentes com o constante desviar das ratoeiras. Como se já não bastassem as tampas de saneamento mal executadas, temos agora os buracos.

Importa, pois, se não for pedir muito, que se faça alguma coisa para resolver estas situações. A desculpa fácil será dizer que a EN 223/222 é da responsabilidade do Estado, mas outras há, que sendo do município não estão com melhor cara e mesmo em Guisande há bons (maus exemplos). Os que não forem capazes de resolver estas situações, em prazos razoáveis, não merecem os cargos que ocupam.

18/12/2025

Displicência e impunidade

De Cucujães têm sido lidas várias queixas quanto às deficientes condições de diversas ruas, situação que levou a própria Junta de Freguesia a dar publicamente conta do problema, alertando para os cuidados a ter na circulação e para que, em caso de acidentes, incidentes ou danos provocados por buracos, seja contactada a GNR, de modo a despoletar eventuais processos de indemnização.

Muitos dos populares que se manifestam apontam, entre outros motivos, a indiferença da Câmara Municipal, mas também responsabilizam as obras da E-Redes e da Indáqua.

Esta situação associada à Indáqua não é novidade. Mesmo aqui, no nosso concelho e freguesia, é visível a degradação de várias ruas, ou de partes delas, com intervenções feitas à trouxa-mocha, ora com ressaltos, ora com buracos. São vários os casos, e só quem não percorre as nossas ruas é que não se apercebe dessa realidade.

Para além de tudo, mais do que o desleixo da empresa - para a qual fazer bem e em tempo custa dinheiro - custa compreender a indiferença da Câmara Municipal e a sua incapacidade de actuar e de obrigar à correcção dessas situações. 

Assim sendo, os problemas arrastam-se e agravam-se, e alguns só foram resolvidos após anos. É lamentável esta displicência e esta impunidade, sobretudo quando, no que toca a cobrar, somos um dos concelhos que mais paga pela água, bastando um único dia de atraso no pagamento de uma factura já elevada para que, no mês seguinte, sejam cobrados juros de mora.

É o que temos! A penumbra do vibrante que não entre nas redes sociais.

06/12/2025

Jantar de Natal do Guizande F.C. - 2025


Realizou-se ontem, 5 de Dezembro, no espaço Angellus, em Caldas de S. Jorge, o Jantar de Natal do Guizande F.C.

Tendo em conta o horário marcado, o jantar principiou muito tarde. De facto e definitivamente, o cumprimento de horários não faz parte da nossa cultura.

Quanto à parte gastronómica, tendo em conta o valor pago por pessoa, esteve muito bom, com excelente serviço e comida variada e bem preparada, incluindo entradas e sobremesas. Muito bom!

A animação, um dejá-vu do ano anterior,  mas também, por mim, dispensava-se.

Quanto ao resto, é essencialmente um convívio e confraternização da equipa, dirigentes, atletas e familiares, incluindo os filhos, muito animados com a presença do tradicional Pai Natal, muito bem interpretado pelo Alcino Almeida. 

O resto dos convivas, de um modo geral ficam por ali um pouco desgarrados ou em grupinhos. No meu caso, será apenas uma percepção pessoal,  senti-me um pouco deslocado. Parece-me que faltou ali algum elemento agregador.

Apesar de tudo, é um justo convívio para o clube e seus intervenientes. É merecido e ajuda a reforçar o espírito de equipa, fundamental neste tipo de colectividades.

Bem haja à organização, nomeadamente ao presidente do clube Vitor Henriques! Votos pessoais de um feliz e Santo Natal a toda a estrutura do clube e atletas.

Guizande sempre!




04/12/2025

Civismo, ou se tem ou não

 



É "bater no ceguinho", "chover no molhado", "virar o disco e tocar o mesmo". Há gente que ainda tem uma mentalidade de "homens das cavernas" mas até estes nem chegariam a este ponto, porque então não havia plásticos nem outras modernices que só fazem crescer o desperdício e aumentar o lixo.

Este problema é recorrente, mesmo diário, e afecta todas as freguesias. O cenário vê-se por todo o lado.

Neste caso em particular, pela proximidade à nossa igreja (e ela ali a espreitar e a brilhar) deslocava-se para um local onde o impacto visual fosse menor. O ideal era colocar à porta de quem faz isto mas aí não havia contentores para todos.

Não resolvia a falta de civismo, é certo, mas também não o agravaria, já que quem faz isto há muito que perdeu a vergonha. Pelo menos tirava-se dali este "triste souvenir".

Câmaras de vigilância poderia resolver, ou não, mas este país é avesso a soluções fáceis.