Heráldica


HERÁLDICA DA FREGUESIA DE GUISANDE

Parecer emitido a 20 de Outubro de 2004.
D.R.: Nº 303 de 29 de Dezembro de 2004.
DGAL: Nº 02/2005 de 05 de Janeiro de 2005.



Brasão da freguesia de Guisande. Descrição oficial: Brasão: escudo de verde, um cajado de prata, posto em pala, entre dois leões passantes de ouro, o da dextra volvido; em orla, catorze espigas de milho de ouro, folhadas de prata. Coroa mural de prata de três torres. Listel branco, com a legenda a negro: «GUISANDE - SANTA MARIA da FEIRA».

Simbolismo do Brasão:

O escudo de verde simboliza a personalidade rural e a pureza ambiental da freguesia de Guisande e as espigas de milho, douradas, simbolizam os catorze lugares da freguesia numa disposição de unidade e solidariedade fraterna. O báculo de prata, ladeado por dois leões ,simboliza S. Mamede, padroeiro da freguesia, assim como a vertente cultural e religiosa da paróquia.
Foi concebido por Américo Almeida a convite da Junta de Freguesia de então.





Bandeira: amarela. Cordão e borlas de ouro e verde. Haste e lança de ouro.





Selo: nos termos da Lei, com a legenda: «Junta de Freguesia de Guisande - Santa Maria da Feira».


União das Freguesias de Lobão, Gião, Louredo e Guisande

Com a Reforma Administrativa decorrente da Lei n.º 11-A/2013, um autêntico atentado à autonomia, identidade e respeito pelas freguesias, puramente com objectivos económicos, em detrimento do interesse das populações, foram definidas cegamente vários fusões, uma das quais a União das Freguesias de Lobão, Gião, Louredo e Guisande.

Como resultado da perda de identidade, os brasões das referidas quatro freguesias ainda foram usados em conjunto durante dois mandatos mas já no final do mandato de 2017/2021 por proposta da Junta a Assembleia de Freguesia aprovaram um novo brasão e bandeira que de algum modo procurasse absorver elementos simbólicos das quatro freguesias. 

No dia 18 de Setembro foi então apresentada a nova bandeira da União das Freguesias, após aprovação em Assembleia de Freguesia de 16 de abril de 2021, sob proposta da Junta de Freguesia e parecer positivo da Comissão de Heráldica da Associação dos Arqueólogos Portugueses.

Segundo a narrativa da justificação, "...no processo de escolha prevaleceu o interesse na preservação da identidade cultural e histórica deste território.
O castelo carregado da Cruz de Cristo evoca o património e o nosso passado histórico, salientando-se o facto de Lobão ter sido pertença da Ordem dos Templários, passando depois à Coroa e, posteriormente, à Ordem de Cristo.
O feixe de centeio e milho ilustra as atividades económicas, com ênfase na agricultura. As quatro espigas de milho atadas representam a união destas quatro freguesias.".

Em rigor, parece-me, este brasão comum não tem qualquer simbolo associado aos anteriores brasões das demais freguesias, para além das cores comuns  de Lobão e Louredo.  
Parece-me notória uma predominância dos elementos relacionados a Lobão, desde logo as cores e a referência aos Templários e Ordem de Cristo. Ainda a encimar o brasão, o castelo com quatro torres a salientar o estatuto de vila, no caso Lobão, quando a predominância seria o de estatuto de freguesia inerente a Gião, Louredo e Guisande. De resto, o castelo é ali um pingarelho que não faz qualquer sentido pois não tem qualquer ligação objectiva ao património de cada uma das quatro freguesias.

No fundo, neste processo repete-se um pouco a analogia da fábula "O rei vai nú" em que os representantes de Gião, Louredo e Guisande aprovaram a coisa julgando ver no brasão o que Lobão quis que vissem. 

Dessa narrativa surgiu o novo brasão e bandeira, abaixo representados.