23/01/2018
22/01/2018
Criancices, censura e hipocrisia
Está instalada a polémica à volta do novo programa de entretenimento da estação televisiva SIC, SuperNanny. Creio que já todos saberão como funciona pelo que me escuso de estar a explicar. Grosso modo é alguém que se substitui aos pais na tarefa de educar e com métodos mais ou menos discutíveis procura "pôr na linha" algumas crianças problemáticas, daquelas que batem e insultam os paizinhos, entre outros mimos filiais. A própria SIC justifica-o como sendo "...um programa educativo que ajuda pais e mães a educar os seus filhos com a finalidade de corrigir os problemas de conduta". Apesar desta justificação, não é nem mais nem menos que um típico programa de lixo, um reality show, onde de algum modo se explora a vida alheia e com uns condimentos televisivos se serve fresco aos consumidores ávidos deste tipo de conteúdos.
A polémica à volta do primeiro episódio traduziu-se num rol de críticas e tomadas de posição de algumas entidades, nomeadamente a Comissão Nacional de Protecção de Direitos das Crianças e Jovens (CNPDCJ), a Unicef, o Instituto de Apoio à Criança, bem como vários especialistas, que alertaram ao longo da última semana que o programa viola os direitos das crianças. Estas críticas e recomendações de suspensão do segundo episódio, caíram em "saco roto" e a SIC transmitiu o programa, tornando-se, como fruto proibido, o programa mais visto no respectivo horário.
Pessoalmente, na minha humilde e leiga opinião, há de facto matéria que deve merecer crítica e por isso contenção, desde logo o facto de se estar a expor uma criança e o que isso poderá representar no seu futuro quanto à sua reserva de intimidade, sabendo-se que na actualidade com as ferramentas da internet e das redes sociais, o que for publicado acaba irremediavelmente por ser guardado e partilhado, nem sempre por pessoas com boas intenções, ficando permanentemente esse rasto. Os efeitos ou consequências futuras podem de facto ser nefastas e adversas.
Há, por outro lado, outras questões paralelas, subjectivas ou objectivas, de direito ou de ética, que podem ser discutidas, como a questão da família da criança receber dinheiro como contrapartida à cedência da imagem dos filhos e a sua legitimidade para disporem destes como sua propriedade, sendo que responsáveis por elas, Mas parece-me que por parte das entidades referidas, para além de algumas razões de princípio e de fundo, diria até de bom senso, há também e sobretudo muita hipocrisia e muita censura, esta própria de outros tempos. Hipocrisia porque nunca se viu qualquer reacção deste tipo de entidades quanto à exploração permanente das criancinhas noutro tipo de exposição pública e mediática, nomeadamente a participação em filmes, novelas, espectáculos e reality shows televisivos nas áreas das suas habilidades e talentos, cantigas, culinárias, etc, etc.
Parece-me que com mais este exemplo, mesmo que supostamente num regime de plena liberdade e garantias, estamos a atravessar um período de alguns excessos de zelo fascizantes, tratando criancinhas como adultos e adultos como criancinhas. A coisa já começou nas limitações aos fumadores, agora ao consumo de sal e açúcar, venda de snacks, etc, etc. Não tarda a termos uma Comissão de Censura a determinar o que podemos comer, beber e vestir, o que nos leva a concluir que estamos já a ser educados por uma SuperNanny hipócrita, autoritária e censuradora, nem mais nem menos que o Estado e algumas das suas instituições.
15/01/2018
Agremiação de interesses individuais
Li na Rádio Renascença que "o antigo presidente do PSD Luis Marques Mendes defendeu que o líder parlamentar social-democrata deve colocar rapidamente o lugar à disposição, uma vez que o partido elegeu um novo presidente, Rui Rio".
Recorde-se que Hugo Soares, bem como o vice-presidente Luís Montenegro, entre outros, declararam o seu apoio a Pedro Santana Lopes na recente corrida eleitoral para a presidência do partido laranja. Certamente que Hugo Soares acabará por tomar essa posição de colocar o lugar à disposição a Rui Rio até porque é naturalmente expectável. De resto, não sendo Rui Rio deputado, precisa de ter no Parlamento uma voz de sua confiança e que seja naturalmente a sua extensão. Não nos parece que qualquer um dos que esteve declarada e empenhadamente do lado oposto possa reunir essas condições de confiança.
As coisas são como são e embora seja politicamente correcto dizer-se que findas as eleições há que reunir e unir o partido, a realidade seguramente não será bem assim e as diferentes facções estão ali, sempre fracturantes, até porque é velhinho o ditado de que "quem não está comigo está contra mim". Alguns dos "perdedores" estarão já a contar os dias para o pós-eleições legislativas de 2019, para, caso não vença o PSD, o que será altamente provável, "fazerem-lhe a cama". Rui Rio sabe disso e, para além do sério aviso a Miguel Relvas, disse-o logo no discurso de vitória ao afirmar que o PSD não é um clube de amigos ou agremiação de interesses individuais. Creio que Rui Rio sabe quem tem e quem são e não quererá ter "amigos" destes do seu lado, ou pelo menos em lugares de importância. Porém, numa postura de líder, e até porque a sua vitória não foi esmagadora, poderá e quererá também dar mostras de pretender sarar já as feridas que ficam sempre de uma luta, mesmo que interna, e assim renovar a confiança em Hugo Soares como líder da bancada parlamentar do PSD. A ver vamos.
14/01/2018
Rio navegável
Tal como se esperava, Rui Rio venceu ontem as eleições directas no PSD e vai ser assim o seu próximo presidente. O adversário neste acto eleitoral, Pedro Santana Lopes fez o que melhor sabe fazer, estar em todas, mas mesmo com um pressuposto, a meu ver, errado, de que as causas do partido são mais importantes que as causas do país, ou que estas só devem ser defendidas ou atingidas a partir daquelas, todavia, dignificou e enriqueceu a disputa e por isso sai naturalmente de consciência tranquila. Os militantes devem reconhecer-lhe esse mérito e, obviamente, poder contar com ele.
Sigo este assunto com um interesse relativo, sem ser militante e assim apenas como espectador independente, mas há coisas que à partida nos parecem demasiado evidentes para se pensar em cenários diferentes. Mas nestas coisas, ou por interesses vários, mesmo que legítimos, ou por má avaliação estratégica ou política, há sempre quem teime em apostar no "cavalo" errado, uma após outra vez.
De forma mais intimista e mesmo de amizade pessoal, de alguma maneira fico satisfeito e feliz por ver que alguns dos meus ex-colegas de Junta, com uma visão mais à frente, como o Pedro Serralva e a Marta Costa, estes bem mais políticos que eu, que tal como acontecera nas eleições para a distrital do PSD, se envolveram numa das alternativas, a vencedora, e por isso a sua satisfação com a vitória de Rui Rio, de algum modo, também é minha.
12/01/2018
Arrelvamento
Miguel Relvas, o pai dessa grande “cagada” chamada Reforma Administrativa, foi, na generalidade um muito mau político. Felizmente, por enquanto, está fora da política, mas o risco de voltar é uma realidade até porque em recente entrevista à Rádio Renascença diz que nunca se deve dizer “nunca”.
Entre outras coisas, também disse que o país precisa pagar mais para ter melhores políticos e propõe salários de acordo com a média dos cinco anos anteriores às funções.
Não nos vamos alongar no que disse este senhor, mas seguramente, e não sabendo em rigor quanto ganhava enquanto político e membro do Governo do PSD-CDS, com toda a certeza que ganharia demasiado para o político que era, fraco, fraquinho, já para não falar da trapalhada da sua pseudo-licenciatura que o obrigou a voltar a estudar para ser doutor.
Posto isto, como o Sr. Relvas disse ainda sentir-se bem a dar a sua opinião, a exercer a sua opção cívica, daquilo em que acredita para o seu partido e para o seu país, bem como não vive pressionado nem frustrado por não estar na vida política, é caso para se dizer que então fique por aí muito tempo e que deixe a política para quem tem qualidade e, já agora, competência e seriedade, adjectivos que, no geral, pouco combinam com a nossa medíocre classe politica.
11/01/2018
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