" Eu e a minha aldeia de Guisande" "" Eu e a minha aldeia de Guisande

16/02/2020

Máquina do tempo...


A Rua do Outeiro, a Rua das Barreiradas e a Rua da leira, vão ser pavimentadas, mas primeiramente a máquina tem que ser reparada. :-)
A clássica máquina de espalhar alcatrão, uma verdadeira máquina do tempo. 

14/02/2020

Fé e esperança pela caridade


Vamos já a caminho de dois anos sobre a aprovação da re-delimitação das Àreas de Reabilitação Urbana - ARU, no concelho de Santa Maria da Feira.
As ARU têm o seu enquadramento no Decreto-Lei n.º 307/2009, de 23 de Outubro, na redação que lhe confere a Lei n.º 32/2012, de 14 de Agosto, Regime Jurídico da Reabilitação Urbana e estão publicitadas pelo Aviso n.º 15661/2018, de 30 de Outubro. Em suma, passaram já dez anos sobre as linhas orientadores, ainda do tempo do inefável José Sócrates.

Os objectivos inerentes às ARU estão definidos no art.º 3º do Decreto-Lei. A saber:

A reabilitação urbana deve contribuir, de forma articulada, para a prossecução dos seguintes objectivos:
a) Assegurar a reabilitação dos edifícios que se encontram degradados ou funcionalmente inadequados;
b) Reabilitar tecidos urbanos degradados ou em degradação;
c) Melhorar as condições de habitabilidade e de funcionalidade do parque imobiliário urbano e dos espaços não edificados;
d) Garantir a protecção e promover a valorização do património cultural;
e) Afirmar os valores patrimoniais, materiais e simbólicos como factores de identidade, diferenciação e competitividade urbana;
f) Modernizar as infra-estruturas urbanas;
g) Promover a sustentabilidade ambiental, cultural, social e económica dos espaços urbanos;
h) Fomentar a revitalização urbana, orientada por objectivos estratégicos de desenvolvimento urbano, em que as acções de natureza material são concebidas de forma integrada e activamente combinadas na sua execução com intervenções de natureza social e económica;
i) Assegurar a integração funcional e a diversidade económica e sócio-cultural nos tecidos urbanos existentes;
j) Requalificar os espaços verdes, os espaços urbanos e os equipamentos de utilização colectiva;
l) Qualificar e integrar as áreas urbanas especialmente vulneráveis, promovendo a inclusão social e a coesão territorial;
m) Assegurar a igualdade de oportunidades dos cidadãos no acesso às infra-estruturas, equipamentos, serviços e funções urbanas;
n) Desenvolver novas soluções de acesso a uma habitação condigna;
o) Recuperar espaços urbanos funcionalmente obsoletos, promovendo o seu potencial para atrair funções urbanas inovadoras e competitivas;
p) Promover a melhoria geral da mobilidade, nomeadamente através de uma melhor gestão da via pública e dos demais espaços de circulação;
q) Promover a criação e a melhoria das acessibilidades para cidadãos com mobilidade condicionada;
r) Fomentar a adopção de critérios de eficiência energética em edifícios públicos e privados.

As ARU de Santa Maria da Feira integram entre muitas outras, duas na freguesia de Guisande, uma delas designada de Área Central de Guisande abrangendo grosso modo a Rua de Fornos e os troços poente da Rua 25 de Abril e Rua do Cruzeiro, e a segunda designada de Lugar da Igreja/Guisande, englobando os lugares da Igreja, Quintães e Viso.

Todo o programa vertido no referido Decreto-Lei, para além dos bonitos objectivos, é de algum modo complexo e, salvo algumas excepções mais centrais e marcadamente urbanas, quer-nos parecer que a maioria nunca sairá do papel, não passando de um leque de boas intenções.

Desde logo, antes das intervenções nos espaços e edificados privados, e da implementação de medidas que levem os proprietários a aderir ao programa, este deverá assentar numa estruturação viária e requalificação dos espaços públicos e estes obviamente andarão ao ritmo de vontades políticas mas sobretudo das finanças do município, até porque não nos parece que as Juntas, por incapacidade ou por inacção, venham a ser as locomotivas destes processos de requalificação urbana.

Algumas das obras que se vão vendo pelo concelho e que se possam enquadrar nas ARU são quase sempre resultado de esforço e investimento da Câmara. Se não forem as Juntas e a Câmara, não se espere que sejam os proprietários a dar grandes passos até porque a dinâmica imobiliária pode até estar num ciclo positivo mas é sempre imprevista e instável.

Pela parte que toca a Guisande, será surpreendente que alguma coisa aconteça de concreto nos próximos tempos. Basta dizer que o mandato da actual Junta já passa da sua metade, quase dois anos e meio, e de uma receita que em números redondos no anterior sistema administrativo podia equivaler a 250 mil euros para os cofres da Junta, está quase todo por aplicar. Nada de substancial foi feito quanto a obras e melhoramentos para além de algumas limpezas episódicas. Espera-se pelo último fôlego do mandato.

A ser assim, estes planos como as ARU devem ser vistos com a devida distância e não será de esperar grandes obras nos tempos próximos. Mesmo os espaços centrais, como Fornos, Monte do Viso e Igreja, zonas caracterizadoras da freguesia estão ambos num estado lastimável, com pisos  das ruas degradados, passeios inexistentes ou em péssimas condições, mal iluminados, sujos, enfim, desprezados e sem perspectivas de obras dignas de nome.

Mas vamos ter fé e esperança nalgum assomo de caridade de quem realmente pode e deve impulsionar as ARU. Pode parecer um trocadilho com as três virtudes teologais, mas nestas coisas temos mesmo que esperar alguns milagres.


10/02/2020

Claridade

Olhei ao alto
na procura
de um lençol de claridade,
mas a sombra
de um sonho
mal sonhado
pairava como mortalha
acendida
no braseiro febril
do delírio.

A chuva mitigadora,
refrescante,
tardava
no desejo de um afogamento
nos teus braços
onde a paz mora abençoada.

No teu seio,
há uma lagoa,
límpida, clara,
onde velejo,
suave,
nas mornas ondas
do sopro dos teus lábios.


Ocirema  Adilema

Olhares - Marcas do tempo


Há na decrepitude um não sei quê de beleza...

Por vezes uma simples fotografia, e dela um olhar, tanto mais de algo decandente e decrépito, tem uma história agregada, que pode ser privada ou pública.

Neste exemplo que captei hoje, apesar da falta de letras no letreiro, descobri que trata-se de um pormenor das instalações da RIMARTE, uma empresa fundada em 1950, ligada ao sector da latoaria, em concreto de embalagens de folha flandres. Foi uma das primeiras e mais importantes do tecido industrial de Vale de Cambra, em concreto na freguesia de Vila Chã. Foi fundada por António Ribeiro, sobrinho de Manuel Ribeiro, este co-fundador, com seu irmão, da primeira inústria de latoaria do concelho.

Como muitas outras empresas, as alterações sociais, tecnológicas e hábitos de consumo, forçaram e ditaram o seu final, o que terá acontecido já no final do anterior século.

O concelho de Vale de Cambra tem um importante historial de importantes empresas, algumas que fecharam, outras que mudaram de mãos, como a Lacto Lusa, e outras que continuam como nomes de prestígio no âmbito nacional e mesmo internacional, como a Colep, a Vicaima, a Arsopi, a Progresso, etc.

Resta dizer que as instalações da Rimarte, bem localizadas e no centro de Vila Chã, ocupam uma importante área, de quase 3500 m2, na sua generalidade degradadas.

06/02/2020

Idade das trevas


Quando fiz parte da Junta, realizei largas dezenas de reportes de falhas de iluminação na rede pública, quer a pedidos de moradores quer por iniciativa própria. Foram voltas e voltinhas à freguesia, de noite, a contar lâmpadas como quem conta gambuzinos. Na altura ainda vigorava o poupadinho sistema de "poste sim, poste não", no que a juntar às situações de avarias e lâmpadas fundidas, a freguesia vivia num estado de semi-apagão. Caminhar de noite pelas nossas ruas era uma aventura para machos.

Depois supostamente terminou a "idade das trevas" em que em teoria todas as lâmpadas em todos os postes foram ligadas. Mesmo depois de estar fora de qualquer responsabilidade, com algum sentido de cidadania, e amor à camisola, continuei a reportar situações de lâmpadas sem luz, quer por email quer usando o sistema da EDP Distribuição. Mas, regra geral, era chover no molhado, mesmo apesar de reiteradas comunicações. Muito poucas situações foram solucionadas. Em face disso, perante essa espécie de "estamo-nos cagando"  por parte dos senhores da luz, acabei por desistir. 

Não surpreende, pois, que actualmente na freguesia sejam dezenas de postes sem luz. Mesmo nos últimos dias e mesmo semanas, como ainda hoje, parte  do lugar de Casaldaça continua ás escuras. São pelo menos 6 postes seguidos sem luz, incluindo toda a zona do largo de Casaldaça. Uma por outra, como a que está defronte do Café Progresso, lá se lembra das suas responsabilidades de vez em quando dar à luz. Uma espécie de "ilumino se me apetecer". Também a rua da urbanização de Linhares está toda desligada. Na Rua da Zona Industrial, da Utilibébé à rotunda são pelo menos três postes seguidos. E muitos outros locais onde está bem escurinho.

Por isso que fazer? Que fazer quando mesmo no uso de cidadania a preocupação e resposta, ou falta dela,  de quem tem a obrigação é de indiferença. Perante esse "estamos-nos a cagar" dos senhores da luz, a melhor resposta será, porventura, "vão-se foder !".

03/02/2020

Com S. Domingos no horizonte






Entre S. Domingos e o Arda e a Senhora da Livração, olhares profundos em vales verdejantes. Entre minas de ouro negro, fabrico de papel e pão-de-ló. Tão perto e tão desconhecido.