2 de junho de 2022

Ao Zé Coelho


Velho amigo, Zé Coelho,

Chamou-te, Deus, agora,

Clamando-te como pertença;

Sentiu que estavas velho

Achando chegada a hora

De te ter em Sua presença!


Viajaste, correste mundo,

Num vai-e-vem de canseira

Agarrando os cornos da vida;

Nesse viver duro, profundo

A morte surgiu derradeira

A reclamar a tua despedida.


Mas ainda ficas por cá,

A viver na nossa memória,

Bem alto como uma torre;

A tua passagem não foi vã

Teve honra, teve glória,

Teve vida que não morre.


Partiste, simples, sem nada

Sem malas, sem a guitarra,

Rumo ao porto da santidade;

Ficamos nesta dor chorada

Que nos prende como amarra

Ao cais da sentida saudade.


Mas virá em nosso mar a maré

Em que um a um todos iremos

Ao teu encontro, a esse além;

Até lá connosco vives em fé

Porque com ela bem sabemos

Que continuas a viver, e bem!


Adeus, velho amigo!