11 de julho de 2023

O povo quer é pinga e bifanas






Por estes dias visitei o Castro de Monte Mozinho ou Cidade Morta de Penafiel, que se localiza na freguesia de Oldrões, município de Penafiel, distrito do Porto.

É considerado o maior castro romano da Península Ibérica, embora ainda não esteja totalmente explorado. A sua verdeira dimensão será muito superior à que está a descoberto.

Está classificado como Imóvel de Interesse Público desde 1948.

O povoado castrejo está referenciado à época romana, fundado no século I d.C. com um período de ocupação até oo século V.

As escavações arqueológicas começaram em 1943 a 1954 e numa segunda fase de 1974 a 1979, continuando recentemente com campanhas arqueológicas.

Na base do castro, existe um pequeno museu e centro interpretativo onde é possível aprofundar os aspectos relacionados ao sítio arqueológico. Queixou-se, todavia, o técnico do museu, dos poucos visitantes, havendo dias em que, naturalmente, não aparece por ali viva alma.

Esta situação de um sítio arquológico com tanta importância no contexto português e ibérico, e simultaneamente tão pouco conhecido, divulgado e visitado, dá que pensar e reflectir. Mas por outro lado em nada surpreende porque de um modo geral o povo, a populaça, quer é farra, divertimentos com música pimba ou tchunk, tchunk, , turismo de massas e sobretudo com muita pinga, bifanas e porco no espeto. Sem estes ingredientes ninguém perde tempo a ver amontoados de pedras, mais ou menos organizados, por mais importância que revelem sobre os nossos antepessados e a nossa história comum.

Tivesse, porventura, Penafiel a visão modernaça de um turismo vocacionado para massas, daquele que faz contas a supostos retornos e ganhos, que na realidade caem apenas nos bolsos de uns quantos, baseado no entretenimento entremeado com comes-e-bebes e poderíamos ter ali pano para mangas para uma réplica de uma qualquer viagem ao passado, romana ou castreja, onde anualmente o recinto se transformaria numa feira gastronómica pejada de locais e espanhóis, onde imperaria o rei D. Porco no Espeto e sua corte, regado com o bom vinho verde da região, onde se pagaria de bom grado um sistema de pulseiras de acesso. Mas não! Para o bem e para o mal, por agora a coisa vai indo assim, discreta, quase desconhecida, visitada por poucos mesmo que interessados. As aldeias de Oldrões e Galegos e o monte Mozinho bem podem continuar na sua habitual calma. Gente comum travestida de reis, condes, fidalgos, cavaleiros, bobos e trovadores, é para outros palcos e outras passereles.