Nacionamente sem surpresas esta eleição presidencial. Mesmo que um pouco, por constatar que em Guisande, André Ventura vale tanto, e em Lobão, Louredo e Canedo, ainda mais. Mas é o que é e decidem os eleitores.
Nacionalmente, dizia, tudo dentro do previsível, mesmo a insignificância eleitoral de uma esquerda radical desfazada da realidade, que não acerta o rumo face aos desaires e hecatombes sucessivas em anteriores actos eleitorais, que mesmo falando afanosamente em nome dos trabalhadores, da classe operária, da defesa da democracia e da constituição, o mesmo povo, na hora de votar, remete-os à insignificância eleitoral e política. Muitos dos valores que apregoam, também eu os defendo e considero. O mal, creio, estará na ortodoxia ideológica e na forma enviesada como os defendem.
Tudo expectável, pois, até mesmo na constatação de um candidato de um partido do sistema valer menos que um bobo da corte e de um candidato que teve menos votos que as as assinaturas que o validaram como tal, numa demonstração de que, como alguém já escreveu "... a legislação que rege as candidaturas está esclerosada e não serve a democracia nem os portugueses. Uma eleição para o primeiro representante da República, único eleito por sufrágio universal, directo e presencial, não pode ser um concurso de feira para palhaços."
No resto, não acredito que a próxima eleição seja entre a esquerda e a direita. Se fosse, André Ventura já estava eleito. Mas não! Parece-me, será sobretudo entre o radicalismo e a moderação e bom senso. Quando muito, entre as alas mais à esquerda ou à direita do tradicional eleitorado da AD.
Seja como for, com mais ou menos moralismos, decidirá, como sempre, bem ou mal, o povo. Para além disso, convenhamos, o presidente da república será sempre uma figura menor, pouco mais que um corta-fitas, agindo com mais ou menos discrição, mais ou menos bom senso, o comum e o político.
Não obstante, reconheço que, para muitos eleitores, mais moderados, será uma tentação em votar em André Ventura no sentido de remetê-lo a um papel secundário, que é sempre o de presidente da república, assim esvaziando, em muito, o papel do Chega no plano legislativo. Ventura quer e almeja o poder, não a representação a que se resume o cargo do mais alto magistrado da nação.
A ver vamos o que nos reservará o dia 8 de Fevereiro.!
