Neste 18 de Abril de 2026, um dia digno de Primavera, completou a minha mãe 84 delas. Uma vida sofrida, dura, sem infância e a ser mãe aos 18, mesmo assim foi sempre mãe coragem, seio de uma ninhada de 8 filhos, 5 rapazes e 3 raparigas, que cuidou com desvelo e amor, mesmo perante muito trabalho. Se mais não deu, mais não tinha. Mas aos 84, mesmo com o raio das pernas a não permitirem um pouco mais de conforto e alegria, mesmo assim, ainda consegue ter a lucidez e um sorriso bastante a agradecer o dom da vida.
A sua maior prenda seria a possibilidade de continuar na sua horta, a mexer na terra, a semear, plantar, regar, cuidar e colher, porque nisso, tal como a muitas outras mulheres da nossa aldeia, se resume toda a vida e viver: Criar, cuidar e colher. Ver nascer e crescer.
Na imposssibilidade física de voltar à horta, ao quintal, ofereceram-lhe as netas uma horta doce, e no meio dela o seu boneco, a cuidar.
Eugénia Fonseca, Deus lhe conserve esse sorriso até quando quiser e que mais primaveras, solarengas, possa contar.
