Os anos vão passando, o período da União de Freguesias (12 anos) foi penoso e negro, e com isso certas coisas vão também passando ao esquecimento. Ora se nos mais velhos isso é verdade, nos mais novos, por razões compreensíveis, a coisa ainda é mais grave.
Falo da velha questão de delimitação do território de Guisande com a freguesia de Caldas de S. Jorge na zona do lugar de Azevedo. De facto, aquando da urbanização daquela parte nascente do lugar, por meados da década de 1980, no mais elementar desrespeito pelos limites, um dos principais marcos de fronteira ali existente foi removido e não reposto, o qual existia aproximadamente no que é a actual esquina da Rua do Rancho Folclórico com a Rua das Escolas, onde existe uma represa do lado nascente da sede do rancho. Desse marco o limite ligaria ao marco mais a sul, aproximadamente no vértice de limite entre Guisande, Pigeiros e Caldas de S. Jorge.
Essa situação, aquando da urbanização, foi reportada à então Junta de Freguesia por um morador do lugar de Azevedo, o Sr. Bernardo Pinheiro, em consequência da então instalação de uma discoteca. Talvez exista na sede da Junta algum documento nesse sentido. Talvez....A Junta de Freguesia de então, que se saiba, de concreto pouco ou nada fez e a situação arrastou-se.
Creio que já pela final da década de 1990 foi formada uma equipa com técnicos camarários e do Instituto Geográfico e Cadastral de modo a resolver-se o assunto de forma coordenada com as juntas de freguesia. Certo é que, não agradando o trabalho e a delimitação, apesar das evidências e mesmo em lhe ser favorável face ao limite original, e de se arranjar ali uma solução aos zigue-zagues para acomodar a situação aos arruamentos, certo é que o então presidente da Junta de Freguesia de Caldas de S. Jorge (falecido) não assinou o documento.
Significa isto que, no que considerou uma defesa dos interesses da sua freguesia (o que é legítimo) não reconheceu, contudo, uma evidência factual determinada pelos técnicos, naturalmente porque implicava reconhecer que uma parte substancial daquele território pertencia a Guisande.
Apesar disso, dessa recusa, e face às evidências fundamentadas pelos técnicos, oficialmente tem sido reconhecido como o limite oficial, o qual consta dos documentos cartográficos da Câmara Municipal e do Estado.
Apesar de uma perda efectiva de território face ao limite antigo definido por um marco removido de forma criminosa, uma boa parte do território continua a ser considerada, espertalhonamente, como daquela freguesia vizinha. Seria, pois, importante, que de forma conciliada e incluindo a Câmara, essa situação fosse reposta, quer no que diz respeito ao recenseamento eleitoral quer quanto às obrigações inerentes de toponímia, limpeza e obras naquele parte urbana.
O esquema acima mostra, com o quadriculado azul, a parte em questão e a magenta a parte que, de barato, se considera da freguesia de Caldas de S. Jorge, mas que conquistada ao arrepio da remoção criminosa do marco. Por conseguinte, se reclamar a área a magenta será um processo litigioso, demorado e eventualmente irresolúvel, pelo menos há o dever de regularizar administrativamente a parte reconhecida oficialmente, que objectivamenteé território e prédios de Guisande.
Naturalmente que compete ás entidades, Junta de Freguesia e Câmara Municipal, trazer o seu a seu dono. Deixar passar ao esquecimento esta situação não é bom sinal e demonstra desmazelo pelo que é nosso.
A freguesia das Caldas de S. Jorge foi sempre muito activa na defesa do que considera seu, nomeadamente na disputa do limite com a freguesia de Lobão, junto à fábrica Serafim Reis, e nessa questão não quero meter a colher, mas depois, ao contrário, esquece-se dos direitos legítimos das outras freguesias, nomeadamente nesta situação clara no lugar de Azevedo. Conforme as coisas estão, desleixadas e a cair no esquecimento, bastará que o lugar vá crescendo para nascente ou norte para que se continue a expandir território da freguesia vizinha perante a passividade de Guisande e dos seus responsáveis.
Importará, pois, digo eu, que se dê atenção a esta questão, sem atropelos, chico-espertismos ou desconsiderações, mas tão somente pela legalidade. O seu a seu dono.
