" Eu e a minha aldeia de Guisande: Pagar o que não se come" "" Pagar o que não se come

16/04/2026

Pagar o que não se come


Como muitos portugueses, tenho serviço de telefone, televisão e internet. O básico. Não tenho canais prémium nem Netflixes ou coisas parecidas. A minha carteira não dá para tanto.

Apesar disso, um dos motivos que me levam a não subscrever Netflixes e quejandos é que, por regra, paga-se pelo pouco que se come e pelo muito que não se come. Ou seja, paga-se o menú completo, mesmo que só se comam as salsichas e não se toque nos bifes, no polvo ou no camarão. Do género, não comeu, comesse!

Infelizmente, sem regras de quem as devia implementar em defesa dos consumidores, habitualmente somos todos "comidos de cebolada". Por exemplo, pagamos serviço de televisão e mesmo assim temos que gramar doses exageradas de publicidade. Ora se temos de compreender essa filosofia em televisões de sinal aberto, já em serviços pagos a coisa fica estranha. Não surpreende, por isso, que muitos procurem esquemas ilegais de acesso a esses serviços de televisão e streaming.

Em resumo, quase todos comemos pela medida grande e conforme as coisas estão regulamentadas, de pouco ou nada serve reclamar. E isto não só neste género de serviços fornecidos por empresas, como até em alguns prestados pelo Estado.

É comer e não bufar, até porque quem bufa rapidamente passa por estar desalinhado, por negacionista, ovelha tresmalhada ou coisa do género. 

Num país de gente mansa e alinhada, custa até a acreditar que tenha havido uma revolução.