Em tempos passados, as nossas juntas de freguesia, ali pela década de 1980 e seguinte, procuraram dar melhores condições a quem utilizava os lavadouros públicos, nomeadamente dotando alguns deles com coberturas. Apesar disso, fizeram-no sempre sem qualquer assomo de estética, preferindo uns mostrengos em betão ou umas miseráveis chapas, numa filosofia de gastar o menos possível. Foi assim nos lavadouros em Estôze, Casaldaça, Fornos e Cimo de Vila.
Num mero exercício do que poderia ficar mais de acordo com uma estética rústica, ilustro aqui o lavadouro de Cimo de Vila, com a sua abundante fonte de água corrente. É certo que os tempos em que os meus olhos de criança ali viam as mulheres do lugar ocupando toda a pedra de lavar, numa tagarelice quotidiana, a esfregaram as roupas cardidas de quem trabalhava no campo ou nas obras. Sentia-se um cheiro a água fresca e sabão.
É certo que os tempos mudaram e são pontuais os casos em que alguém ainda utiliza os lavadouros mas, pelo valor patrimonial e de memória colectiva que representam deviam ser uma preocupação das juntas de freguesia na sua conservação. Um castelo também já não tem utilidade prática e apesar disso conserva-se.
Pretender comparar um singelo lavadouro a um vetusto castelo pode não fazer sentido para muitos, mas deve fazer. Afinal, um castelo podia ser morada de um qualquer senhor feudal enquanto que um lavadouro é do povo, o que era explorado pelo fidalgo.
Podia ser verdade...

