" Eu e a minha aldeia de Guisande: Orgulho, fé, devoção, tradição, pois sim, mas..." "" Orgulho, fé, devoção, tradição, pois sim, mas...

27/05/2026

Orgulho, fé, devoção, tradição, pois sim, mas...

 


Com a banalização e importância das redes sociais enquanto ferramentas de comunicação, a promoção, cobertura e rescaldo das festividades religiosas e populares nas diferentes freguesias , tornaram-se o pão-nosso-de-cada-dia. Eventos e iniciativas de angariação de fundos,  patrocínios, cartazes, programas, artistas, etc, fazem parte do cardápio de todas as comissões de festas ao longo do ano, tanto da maior festividade como da mais humilde,  da pequena ou grande freguesia.

Nesse contexto, passada a festa e estourados os últimos foguetes, vem o rescaldo e adjectivos e os valores como orgulho, fé, devoção, tradição, bairrismo, etc, etc, são esgrimidos como se uma determinada freguesia e sua festa sejam mais que as outras. E não são, porque nestas coisas, mesmo que de diferentes modos e contextos, com as diferentes particularidades, todos puxam a brasa à sua sardinha e procuram fazer o melhor, muito com pouco, e já pouco ou nada há para inventar de diferente. Até os cartazes feitos por Inteligência Artificial começam a banalizar-se, sem se dar mérito à originalidade e criatividade e com elementos que não reflectem a realidade de cada festa.

Para além disso, muito mais que a fé, devoção e  tradição, sabemos que o que leva muita gente a uma determinada festa não são as virtudes dos santos e santinhos, mas antes o prestígio ou popularidade dos artistas que sobem aos palcos. Por conseguinte, hoje em dia valoriza-se mais um qualquer artista pimba do que a Nossa Senhora de Não sei Quantos ou o Santo e Mártir lá do sítio. 

Resulta daqui que estas coisas têm que se lhe diga  e nem sempre o que parece é e tantas vezes na simplicidade está a maior virtude e genuinidade. Por isso, presunção e água benta quanto baste não fará mal algum.

Além do mais, de um modo geral, basta olhar para os cartazes oficiais de certas festas e apesar destas terem a matriz religiosa e devocional, a tendência está em omitir não só as fotografias dos santos, da capela ou igreja onde se invocam, como até ignorar o seu nome. É um mau princípio, para não dizer desrespeito. Mas é esta a tendência. Pessoalmente espero que tal nunca venha a suceder na nossa festa do Viso, dedicada a Nossa Senhora da Boa Fortuna e Santo António. Para algum laxismo já basta trocar a figura dos santos, fazendo representar imagens que não correspondem aos que estão nos altares dos locais de culto, como, de resto, já aconteceu.

Posto isto, orgulho, fé, devoção, tradição, bairrismo, etc, etc, pois sim, com certeza, mas importa não esquecer a base, a matriz e nunca deixar que a componente profana e popular abafem ou ignorem a religiosa. Para isso temos os ditos festivais musicais em que são invocados o Santo Lucro e a Santa Farra.