Há perguntas que devem ser feitas, mesmo que possam gerar algum constrangimento e ninguém queira responder.
Por exemplo: Quem, como eu, anualmente contribui para as despesas da realização da nossa festa em honra de Nossa Senhora da Boa Fortuna e Santo António, e que entre a participação nas diversas campanhas de angariação de fundos, como sorteio do presunto e outras, bem como no consumo nos eventos de comes-bebes, e pagamento da verba referente ao peditório, tudo somado não andará longe de 500 euros, não terá o direito a saber quanto é custou a participação da Banda de Música da Esquina, do Toy, do Canário, do Quim Barreiros, do Pai e Filhos, do Manel da Farra, do rancho "A" ou rancho "B", ou mesmo o pagamento ao tipo que passa música pomposamente designado de DJ?
Eu creio que sim, porque a festa é pública e recorre-se de verbas públicas para a organizar e promover.
Se assim é, o porquê de alguma reserva e até algum atraso na divulgação das contas como tem acontecido nos últimos anos, em que apenas se divulga valores totais e não ítem por ítem?
A meu ver, não faz qualquer sentido que essa informação seja reservada, nem qualquer motivo para que tal não seja divulgado ao pormenor, não só nos habituais avisos no final das missas como também estampado nas redes sociais da Comissão de Festas, isto porque quando estas são usadas para pedir também devem ser usadas para divulgar e prestar contas finais.
Até posso tentar perceber o objectivo de algumas reservas na divulgação pormenorizada das contas, porque há sempre quem veja mosquitos em África, mas sendo a coisa pública, tal situação poderá não contribuir para uma total transparência. Eu, pelo menos, contribuindo, não gosto que me apresentem a conta total. Como num restaurante, não aceito que o empregado me diga apenas que são 50 euros. Gosto e quero saber quanto custaram as azeitonas, o vinho, o bife e a sobremesa.