Com a data de 4 de Outubro de 2010, em artigo publicado no jornal "Terras da Feira", o correspondente Sr, Mário Baptista, aborda algumas datas relacionadas à nossa igreja matriz e interroga se 1910, foi mesmo o ano de construção do cemitério paroquial e se antes disso onde eram enterrados os mortos, se dentro da igreja ou se no adro?
De facto, o cemitério foi realizado em 1808/1909 e concluído por 1910. Antes disso os enterramentos era feitos no adro envolvente à igreja matriz e desde que os sepultamentos foram proibidos no interior da igreja, o que aconteceu por decreto do governo liberal em 1835.
Do que consegui pesquisar, o primeiro enterro no adro aconteceu em 2 de Agosto de 1833, por isso até antes da lei, de um José Jacinto, de 46 anos do lugar da Leira. Foi sepultado em frente da cruz que estava junto à porta-travessa do lado norte.
Apesar disso, posteriormente ainda encontrei alguns enterramentos dentro da igreja, especialmente de crianças, mas a partir de 1837 começaram a generalizar-se no adro, até porque as autoridades agiam sobre os párocos que não cumprissem as determinações legais.
Perante o incumprimento generalizado do decreto de 1835, uma vez que a população e o clero resistiam à mudança por motivos de tradição religiosa e estatuto social, o governo de António Bernardo da Costa Cabral reforçou a proibição com novas penalizações e regulamentos sanitários através da Lei de 28 de novembro de 1845.
Por conseguinte, em Guisande, os enterramentos no adro da igreja decorreram durante quase 70 anos. É pois, tal como o cemitério, solo sagrado.
