Mais do que nunca, vivemos numa época em que mais vale parecer do que ser. O Governo, as autarquias e a comunicação social usam e abusam dos eufemismos e das meias-verdades, jogando constantemente com as percepções. Tal como num espectáculo de ilusionismo, o mágico precisa de distrair para iludir — algo que se torna simples porque, quase sempre, o público tende apenas a ver e a ouvir o que lhe convém.
Com frequência, lemos ou ouvimos anúncios como:
"No município X, os transportes públicos serão totalmente gratuitos";
"Os alunos passarão a ter manuais escolares completamente grátis";
"No município Y, as creches serão gratuitas";
"As autoestradas X, Y e Z deixarão de ter portagens";
"A Junta de Freguesia Z vai incentivar a natalidade com a oferta de um cheque de 500 euros por cada nascimento".
Esta narrativa cria a falsa percepção de que, com tais medidas, tudo se transformará num reino maravilhoso de bens e serviços gratuitos e de ofertas antecipadas de Natal.
Nada é mais falso. Quer seja no Estado Central, nas autarquias ou nas juntas de freguesia, tudo o que se anuncia como "grátis" continua a ter custos, financiados pela totalidade dos contribuintes. Trata-se de um modelo desequilibrado e injusto, uma vez que a factura é paga não só por quem usufrui dessas benesses, mas também por aqueles que delas nunca tirarão qualquer partido.
É um pouco como a repetida história de que num certo município o evento X deixou um retorno económico de centenas ou milhares. A quem? A todos ou a quem mais bebe por estar perto da fonte. É que, no meu caso, em dezenas de anos de eventos nunca senti caír um euro no meu bolso, antes pelo contrário, a pagar quando há prejuízos na gestão ou exploração.
Em suma, assim continuamos: satisfeitos com supostos "benfeitores e altruístas" que, na verdade, não tiram um único cêntimo do próprio bolso para financiar as promessas que fazem. Antes, num populismo bacoco, tiram partido disso em tempos e contextos eleitorais.
Assim vamos andando!
[ilustração: IA]
