" Eu e a minha aldeia de Guisande: Outono da vida" "" Outono da vida

02/09/2026

Outono da vida


Secou a fogueira que queimava o fraguedo.

O sol já não reina, dolente, sem canseira

E o vento de outono, sem dor nem medo,

Entra a varrer os despojos da eira.


Cai a folha morta no chão vazio,

Morde a geada a pele do granito.

Acabou-se a festa, começou o frio,

Que esta vida é dor e espaço finito.


É tempo de colher o que a seara deu,

Guardar o mosto na escuridão do pipo,

Olhar de frente o rosto do céu

E aceitar o destino que já antecipo.


Américo Almeida