Secou a fogueira que queimava o fraguedo.
O sol já não reina, dolente, sem canseira
E o vento de outono, sem dor nem medo,
Entra a varrer os despojos da eira.
Cai a folha morta no chão vazio,
Morde a geada a pele do granito.
Acabou-se a festa, começou o frio,
Que esta vida é dor e espaço finito.
É tempo de colher o que a seara deu,
Guardar o mosto na escuridão do pipo,
Olhar de frente o rosto do céu
E aceitar o destino que já antecipo.
Américo Almeida
