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30/10/2026

Junta de Freguesia de Guisande - Um ano de trabalho muito positivo


No próximo dia 4 de Novembro, completa-se um ano sobre a histórica tomada de posse da Junta de Freguesia de Guisande e respectiva Assembleia.

Depois do interregno decorrente da vigência da imposta União de Freguesias, Gião, Louredo e Guisande conseguiram, por via da reposição legal, libertar-se do domínio da freguesia de Lobão, que, durante todo o período de 12 anos (três mandatos), nunca foi capaz de olhar para as demais de forma igualitária. Felizmente, isso é, por agora, passado.

Assim, a freguesia de Guisande pode voltar, com a sua própria gente, a ser dona dos seus destinos e da sua gestão, mesmo com as limitações inerentes a uma pequena freguesia e muito dependente, como quase todas, dos apoios e das boas vontades da Câmara Municipal.

Posto isto, e em jeito de apreciação pessoal da actividade desenvolvida neste primeiro ano pela jovem Junta de Freguesia, eleita por maioria nas eleições de 12 de Outubro de 2025, deixo aqui algumas ideias:

Sendo certo que não há registo de grandes obras, estruturais e significativas, e que estas dependem, em larga medida, dos apoios municipais, também importa ter em conta que está cumprido apenas um quarto do mandato. É, por isso, de acreditar que, com o acumular de experiência do executivo, os três anos restantes, até pela expectativa de cumprimento de promessas de apoios por parte do município, possam ser bem mais produtivos, ao ponto de o balanço que se fizer no final do mandato poder ser deveras positivo.

Algumas das acções já concretizadas podem considerar-se superficiais ou de imagem, sendo que algumas delas terão até um interesse e um efeito prático discutíveis, como é o caso do programa de incentivo à natalidade «Nascer em Guisande». Na realidade, nenhum casal toma a decisão de ter um filho com base neste apoio. Mas é bonito para as redes sociais e, nestas coisas, as Juntas, quase todas elas, seguem as modas e tendências das demais. Apesar disso, não deixa de ser um sinal de proximidade.

Dentro desta filosofia de seguir modas e aquilo que outros executivos também fazem, o evento denominado «Passeio Sénior» é outro despesismo que poderia ser evitado, sobretudo quando o orçamento não estica. Ainda assim, é compreensível e todos sabemos que é popular entre aqueles que dele beneficiam. Não obstante, fosse eu presidente da Junta e admito que teria de concordar em realizar o evento.

A iluminação de Natal é ainda outra moda e tendência. No País, é quase obsceno o valor do dinheiro que se aplica numa coisa tão vistosa quanto efémera. Mas, novamente, o povo habitua-se a elas e depois não querem ficar atrás das freguesias vizinhas.

Nestas particularidades, como ficou dito, a Junta de Freguesia de Guisande limitou-se a abordar esses eventos ou programas como algo que faz parte de marcar o ponto. Apesar disso, mesmo dentro desta filosofia de ter de ser, creio que o que fez, fê-lo de forma positiva. Ainda que sejam iniciativas que as demais Juntas de Freguesia também promovem, e por isso uma moda ou tendência, importa haver capacidade e originalidade na forma de as fazere, sem descurar a contenção nos custos.

Quanto ao essencial, as limpezas das ruas e dos espaços públicos têm sido, no geral, positivas e notoriamente diferenciadoras, quando comparadas com o que acontecia durante a União de Freguesias. Diria mesmo que, nos primeiros dois meses, se limpou mais e melhor do que a União de Freguesias fazia num ano.

Apesar disso, importa assegurar uma boa gestão, nomeadamente no que respeita ao histórico das intervenções, pois há locais que chegam ao ponto de apresentar uma imagem muito má. É o caso, por exemplo, da zona entre Estôze e Pereirada, onde se verifica um crescimento desmesurado da vegetação, enquanto alguns arruamentos secundários, com pouco trânsito e sem habitações, foram entretanto limpos, ficando por tratar um dos principais arruamentos da freguesia.

Tal como tive a oportunidade de dizer na última Assembleia de Freguesia, creio que, com alguma atenção e até experimentalismo, é possível adoptar outro tipo de abordagem e fazer mais com os poucos recursos disponíveis. Por exemplo, dando atenção constante aos pontos que sabemos serem críticos no crescimento da vegetação.

Tenho para mim que, em certas situações, será mais vantajoso limpar determinada rua ou local mais vezes ao longo do ano. Limpar uma determinada rua apenas uma vez por ano pode significar perder um dia completo de trabalho, gastar mais combustível, porque a vegetação está mais densa, e gerar um volume maior de resíduos para recolher. Ora, fazendo-se três intervenções ao longo do ano, estas serão mais rápidas e menos demoradas, certamente com menor consumo de combustível e com muito menos material para recolher, tornando também essa tarefa mais célere.

Quanto a obras e melhoramentos, houve várias acções positivas, mesmo que realizadas com o apoio dos serviços municipais, nomeadamente a renovação dos espaços ajardinados na envolvente da igreja matriz. Também se verificou um melhoramento na calçada e no canteiro do monte do Viso. Não passou de um remendo, mas uma intervenção de fundo estará para além dos recursos do executivo sem o necessário apoio municipal.

Quanto a obras que carecem de apoio e de programas municipais, já ultrapassa o absurdo a situação da Rua da Zona Industrial que, a pretexto da prévia realização das redes públicas de água e saneamento, se tem arrastado no tempo, com todos os inconvenientes para os moradores abrangidos e demais transeuntes. Mesmo a Rua do Sebastião, interrompida a pavimentação há longos meses por causa de um abatimento do piso, mesmo depois deste estar resolvido, continua por concluir o que faltava do novo pavimento. A Junta de Freguesia deve continuar a pressionar o executivo camarário para que estas situações sejam resolvidas com urgência.

A pavimentação da rua envolvente ao Campo de Jogos, no Reguengo, é igualmente uma necessidade mas a Junta não terá capacidade de a fazer sem o apoio dos programas de pavimentações da Câmara Municipal. Mas outras há que se encontram a pedir requalificação.

Também se melhorou muito no atendimento, bem como numa indiscutível maior proximidade à população em geral e aos grupos, incluindo na vertente da paróquia, com apoio às suas actividades e eventos e uma colaboração estreita e interessada.

A mudança do atendimento para as instalações do Centro Cívico, não sendo o ideal, por acontecer em detrimento do edifício-sede, é, ainda assim, aceitável enquanto este não for dotado de condições modernas e adequadas, incluindo no que respeita às acessibilidades para utentes com mobilidade reduzida ou condicionada. Em contrapartida, certamente ajudará a dinamizar o dia-a-dia do Centro Cívico.

Na parte da comunicação e da imagem, nem sempre se tem primado pela melhor forma e objectividade, resvalando-se, muitas vezes, para as banalidades costumeiras nas redes sociais, tão ao gosto de algumas outras Juntas de Freguesia. Mas é compreensível, num tempo em que muito do eleitorado valoriza mais o parecer do que o ser. A Junta deve saber destinguir o essencial do irrelevante.

A página online da Junta só desde há dias, quase um ano depois, é que está online, e chapa 4, igual a muitas outras, e ainda assim sem conteúdo. Pareceu inicialmente  haver alguma pressa na questão da apresentação da imagem e identidade da nova Junta, mas este aspecto da página oficial foi totalmente descurado, e até poderia ter sido feito de forma fácil e gratuita. Uma Junta deve ter um canal institucional, incluindo a partilha de todos os documentos e actas de reuniões de Junta e Assembleia, bem como digitalização e partilha de arquivo histórico. A presença nas redes sociais é importante e no geral tem sido usada razoavelmente, mas não serve os propósitos institucionais.

Mesmo não sendo, por opção, frequentador das sessões da Assembleia de Freguesia, do que vi e dos testemunhos que vou ouvindo, parece-me que tem havido um bom ambiente entre os diversos elementos e que a oposição tem assumido uma postura positiva e cordial, muito longe de outros tempos de crispação, confronto e até desrespeito. Tudo isso ajuda, em muito, a que as coisas se façam bem e a favor de todos, afinal, o mais importante.

Em resumo, e para finalizar, certamente haverá ainda outros aspectos e acções do executivo que merecerão ser realçados e avaliados positivamente, como o melhoramento na capacidade do poço que abastece de agua o cemitério, a numeração das sepulturas, os esforços realizados na reorganização dos registos, etc. Também a vontade de resolver de forma definitiva a questão dos limites da freguesia, sobretudo na zona que abrange o lugar de Azevdo e ilegitimamente considerada como sua pela freguesia das Caldas de S. Jorge, a instalação das placas de limites, etc. Por conseguinte, no geral,  na minha apreciação, considero que a actividade da Junta de Freguesia tem sido muito positiva e promete mais e melhor.

Assim, no início deste segundo ano, almejo que o trabalho prossiga e se adense nos aspetos mais significativos, mantendo a evolução contínua em todas as outras áreas. É essencial que nunca se descure a proximidade à comunidade e aos seus representantes e que, em cada ação, se valorizem e exaltem as particularidades da nossa freguesia, respeitando o legado de quem nos antecedeu. Somos pequenos em território e em população, mas únicos na nossa identidade — e é precisamente essa diferença, e o saber honrá-la, que deve guiar o nosso caminho.

Parabéns, pois, a todos: à Junta e à Assembleia de Freguesia!