" Eu e a minha aldeia de Guisande" "" Eu e a minha aldeia de Guisande

26/02/2018

Perceber da poda


Fotografia de final dos anos 60. O nosso saudoso pároco, Pe. Francisco Oliveira, a podar os belos arbustos que o mesmo plantou uns anos antes.
Pessoalmente, embora anos mais tarde, ainda me recordo desta cena pois era frequente ver o Pe. Francisco a tratar carinhosamente dos seus arbustos, dando-lhes pacientemente a forma desejada. Neste mesmo arbusto, uns anos mais tarde esculpiu umas letras, como mostrarei um dia destes.
Infelizmente, esta saudosa cena jamais se repetirá, porque tanto o Pe. Francisco como os arbustos já não existem, mas apenas na nossa memória. Ora esta não se apaga, tanto mais que reforçada com estes raros apontamentos fotográficos.

C.D. Feirense, o primeiro dos últimos



Futebolisticamente falando, nunca fui simpatizante do C.D. Feirense. E obviamente não é de agora, mas de há muito, quando no concelho ainda da Vila da Feira, simpatizava primeiramente com o U. de Lamas e, apesar de rivais entre si, seguindo na preferência o Lusitânia de Lourosa. Claro que por esses tempos, todos estes clubes eram clientes regulares da então 2º Divisão Nacional o que dava outra dimensão e interesse à rivalidade. Pelos meus 16 anos, ao domingo à tarde, ia com frequência à bola, com meu primo e meu tio, e vem daí, ou mesmo de antes, a simpatia pelo U. de Lamas e alguma "aversão clubista" ao Feirense.

É certo que o C.D. Feirense foi sempre o mais forte e importante clube e equipa de futebol no nosso concelho, e bastará recorrer ao seu histórico e ao facto de por diversas vezes ter já militado na divisão principal do nosso futebol. Por isso, remexendo nas minhas velhas colecções de cromos dos anos 70, como a das imagens acima, lá está o clube feirense de azul e branco, com nomes como Portela, Cândido, Seminário, Dário, Bites, Germano e tantos outros, de bigodaça ou de farta cabeleira, como era regra por esses anos.
Mas, talvez por perceber que pelos idos anos 70 e por aí fora foi sempre o clube protegido do sistema, o que colhia recorrentemente mais apoio da Câmara Municipal, em detrimento dos demais, a minha simpatia clubística nunca pendeu para o clube da sede. Se hoje ainda há um forte centralismo à volta do castelo, nesses tempos era mais descarado, de resto em alinhamento com o que era natural noutras cidades e vilas deste nosso país. Era o tempo dos sacos azuis e outros quejandos em que o apoio ao futebol, mesmo o da terrinha, era um trampolim para a política e para vantagens eleitoralistas.

Em todo o caso, reconhecendo a importância e a dinâmica do C.D. Feirense não só no contexto municipal mas até mesmo nacional, naturalmente que fico satisfeito e até com orgulho que o nosso concelho tenha um clube na divisão principal e que por lá ande muitos e muitos anos, mas que sou simpatizante, não sou. 
Infelizmente, depois de na época anterior ter tido uma bonita e meritória classificação, neste momento a equipa está a passar por uma fase menos boa e que a tem conduzido aos últimos lugares da classificação geral e já em zona de despromoção, por isso o primeiro dos últimos. Se no jogo de logo à noite o Moreirense, hipotéticamente, vencer ou mesmo empatar em Alvalade o Sporting, o C.D. Feirense passará a ser o lanterna vermelha.

Esperemos que consiga voltar aos resultados positivos e que no final da época possa continuar na I Liga. Afinal, o Manta não pode passar de bestial a besta apenas de uma para outra época. Mesmo sem ser simpatizante, estou naturalmente a torcer pelo êxito da equipa.

19/02/2018

O seu mato vale zero, mas limpe-o


A propósito da onda obrigatória da limpeza de prédios florestais, aparte alguns exageros e radicalismos, que sempre há nestas leis reactivas, há uma coisa que deve começar a ser tomada em conta: Por exemplo, sabendo-se que o valor patrimonial de um terreno de mato e pinhal reside no rendimento proporcionado pela venda das árvores, seja para lenha, celulose ou madeira, há muitos milhares desses prédios próximos de habitações, aldeias, fábricas e estradas que, pelas suas características de localização, configuração e metragem, cumprindo-se estas regras de limpeza com rigor, vão deixar de poder produzir e de ter rendimento florestal. Ou seja, não tendo capacidade construtiva, esses prédios passam em rigor a valer zero. Ora pergunto qual o interesse de um proprietário cujo mato vale zero, ainda ter custos anuais com a limpeza? Certamente que nenhum. Por isso, mais vale que tome o Estado conta dos mesmos e que faça a limpeza obrigatória a troco de, zero. 

Notas soltas do dia-a-dia - 19022018



Animais nos restaurantes: Nim. E porque não nas escolas, hospitais e fábricas? E porque não na Assembleia da República? Assim podíamos ver um António Costa a acariciar uma galinha enquanto defendia as virtudes do orçamento, uma Catarina Martins com uma arara a mordiscar-lhe as orelhinhas, um Jerónimo a esfregar manteiga no nariz de um Serra da Estrela, a Cristas com um persa, dos bem peludos, a aquecer-lhe as perninhas no frio austero de S. Bento, um Capoulas Santos com um imponente macho barrosã,  a defender energicamente o aumento das cotas leiteiras ou um Hugo Soares com um porco bísaro, bem lavadinho, é claro, a falar das sujidades da geringonça. E porque não? Afinal, eles políticos e legisladores, devem ser os primeiros a dar o exemplo deste acto de moderna civilidade em que, como já prognosticara George Orwell em 1945, leva caminho para que um dia sejamos dominados por uma vara de porcos triunfantes. E hão-de ter direito a um feriado por essa futura revolução.


Este tipo de leis, para muitos politicamente correctas, numa sociedade onde se pretende equiparar os animais com as pessoas e estas com aqueles, como se aqui a diferença seja discricionária e discriminatória e não decorrente da própria natureza que separou ambos os ramos na árvore da evolução, estão a abrir portas para uma irracionalidade cujos limites são ilimitados. Dá que pensar. E, no caso dos restaurantes, vai ser lindo para proprietários e clientes quando os problemas começarem a surgir. Que venham. Os tribunais estão a precisar de casos de caca. Por mim não vou arriscar e quando for almoçar fora deixarei em casa o cão(analfabeto quanto a regras de etiqueta), os três gatos e as três galinhas. 

Vitória de Guimarães: Pedro Martins não resistiu à derrota caseira por 0-5. Poderia ter resistido a este jogo de uma época menos conseguida fosse o resultado contra um Porto, Feirense ou Belenenses, mas não com o S.C. de Braga, o eterno rival do Minho. A derrota doeu a quintuplicar.
É pena, porque o Pedro Martins é um dos bons treinadores do futebol português.Mas sabendo-se que o cargo de treinador é volátil e com apenas dois sentidos, o de besta e o de bestial, é sempre a solução mais fácil para um presidente de um qualquer clube disfarçar as debilidades ou incompetências do plantel, demitindo um em vez de 11.
Pessoalmente desejo tudo de bom para o Pedro e certamente que prosseguirá com sucesso a carreira por aqui ou por fora.

F.C. do Porto: Dois resultados de 5-0. Mas convenhamos que diferentes. E diferentes porque jogar em casa com o Rio Ave não é a mesma coisa que jogar com o Liverpool, sobretudo quando os de Vila do Conde enchem o peito e vão ao Dragão convencidos que eram os da cidade dos The Beatles (Don't Let Me Down).
Por outro lado, estes resultados, diferentes mas iguais, demonstram que o nosso campeonato é uma locomotiva a carvão quando comparada a um TGV de outras ligas europeias. Temos o que podemos e até o que merecemos.

Bruno de Carvalho: Quando a vulgaridade precisa de eleições para legitimar eleições. Mas, é lá com eles. Os ditadores começam sempre por ser legitimados pelas massas. É claro que estas ditaduras são sólidas apenas e até quando os resultados desportivos deixarem de ser líquidos. O problema de Bruno de Carvalho e de quem o apoia poderá ser assim um problema de sublimação, caso esta aparente solidez conseguida na extraordinária assembleia geral deste sábado passado, no fim da época passe directamente a um estado gasoso, um ar que se lhe deu. 
Em todo o caso, por enquanto, tudo está em aberto e a química vai seguindo as suas leis.

18/02/2018

Notas soltas do dia-a-dia

Luis Montenegro: Um dos meninos aziados do PSD com a vitória de Rui Rio. Vai deixar o Parlamento e de lá para a TVI onde será bem pago para fazer o que melhor sabe: Palrar. Como os abutres, voltará no tempo da carniça.

Santana Lopes: Tivessem os seus apoiantes a sua postura no que à unidade do partido diz respeito. Um dos vencedores deste 37º congresso do PSD.

Tiroteios/Massacres nos Estados Unidos: Num país onde se tem acesso a armas com a facilidade com que por cá se compram tremoços, só espanta que os dramáticos e recorrentes episódios de tiroteios e massacres não sejam ainda mais numerosos e mais dramáticos. É um problema que não tem fim à vista.

Limpeza da floresta: O Governo exige aos particulares e aos municípios o que nunca foi capaz de cumprir na parte que lhe toca. Por outro lado nunca se viram tantas limpezas como agora e as queimadas são tantas e em simultâneo que há sítios onde não se pode respirar. Fomos sempre um país de exageros e de tendência fácil para saltar do 8 para o 80.

Por cá: É verdade que passaram já quase quatro meses de nova Junta, com maioria e agora de cofre cheio, sem calotes, mas, pelo menos por aqui, não tem dado sinais de vida. E há estradas em degradação total, como a Rua das Barreiradas, Rua do Outeiro, Rua da Leira e outras. Para quem , como eu, tinha algumas expectativas de que agora as coisas poderiam melhorar substancialmente, porque com melhores condições e sem os compromissos constrangedores do anterior mandato, tem sido uma desilusão.

14/02/2018

Dia dos namorados - Ainda os há?




Com toda a actual realidade de relacionamentos, fica a grande questão: - Ainda há namoro? Ainda há namorados?

Vem aí o papão



Ainda há semanas foi anunciado que o Governo pretendia rever as leis de modo a acabar com as práticas agressivas de cobradores de dívidas, como as conhecidas pelo "homem do fraque". Por conseguinte, da ideia base, as empresas que se dediquem à cobrança de dívidas fora do contexto dos tribunais não poderão utilizar "métodos de cobrança e recuperação que sejam opressivos ou de intrusão, nomeadamente utilizando viaturas, indumentária ou materiais de comunicação que, pelo conteúdo da mensagem transmitida, procurem embaraçar ou transmitir uma imagem negativa do devedor".

Este projecto de lei teve a discordância do PSD, CDS-PP e PCP, a  manifestaram-se contra este projecto do PS sobre a cobrança extrajudicial de créditos vencidos por entenderem que legalizaria a procuradoria ilícita, invocando, inclusivamente, a discordância já manifestada pela ministra da Justiça. Com uma oposição maioritária à ideia do PS, parece que a mesma terá baixado para a comissão da especialidade, mas confesso que perdi o rasto ao assunto. Certamente que um dia destes voltará a ser tema do dia.

Até lá, tudo continua na mesma, e apesar de condenados com alguma frequência pela forma agressiva com que pretendem fazer cobranças, vão continuar por aí os "homens dos fraques".

A propósito, ou não, soubemos por estes dias que a Câmara Municipal de Santa Maria da Feira acordou com a Autoridade Tributária a celebração de um protocolo segundo o qual esta entidade passará a efectuar a cobrança coerciva do serviço de Resíduos Sólidos Urbanos (RSU) e da Taxa de Rede, entre outros, a partir de 1 de Março de 2018. Deste modo, os munícipes que tenham valores em atraso, referentes aos citados tributos, poderão evitar a execução fiscal, efectuando o seu pagamento voluntário junto dos serviços do município até à referida data.

Qualquer cidadão que procura cumprir em tempo as obrigações para com o Estado e o Município e a empresas prestadores se serviços, não deixará de se sentir indignado com esta solução. Podemos percebê-la, mas algo despropositada, porque bem mais "agressiva" do que o "homem do fraque", porque implacável e cega e actuando não só sobre dívidas substanciais mas como também sobre trocos. E de resto, injusta, porque bem sabemos que o Estado cobra juros de mora por horas de atraso no pagamento de um qualquer imposto ou taxa, mas permite-se a não os pagar por dívidas de anos a contribuintes.