" Eu e a minha aldeia de Guisande" "" Eu e a minha aldeia de Guisande

27/03/2022

Grupo de Jovens de Guisande

 


O Grupo de Jovens de Guisande voltou a renascer. Ontem, na missa vespertina, por ele dinamizada, teve início a sua caminhada. Entre outros objectivos, a preparação para a sua participação na Jornada Mundial da Juventude que terão lugar em Lisboa no próximo ano, entre 1 e 6 de Agosto.

De que tenho memória (sim, já fui jovem), pertenci desde os 17 ao Grupo de Jovens de Guisande, então dinamizado pelo saudoso Pe. Alves do Seminário dos Passionistas. Desse grupo, entre outros, faziam parte o Cesário Almeida, o Orlando Lopes, a Georgina Santos a sua irmã Fátima, a Cisaltina Coelho, o saudoso Tomé, o Rui Giro e tantos outros.

Depois dessa excelente fornada, houve outros grupos de jovens, mas certo é que em rigor nunca houve um Grupo de forma continuada, no que naturalmente seria positivo, com os mais novos a integrarem-se com os mais velhos, numa natural sequência e sucessão etária.

Desse meu Grupo, não há muitas fotos, até porque por esses tempos as máquinas fotográficas eram um luxo e não havia telemóveis. Acima uma foto, junto ao balneário das Caldas da Rainha, de uma excursão de dois dias a Lisboa, em que para além de alguns elementos do grupo de Guisande participaram jovens de outras freguesias como de Louredo, Lobão, Gião, Canedo, Caldas de S. Jorge e S. João de Ver. 

Fica o registo e com ele os votos de longa vida a esta nova colheita do Grupo de Jovens de Guisande.


Sobre o Pe. Alves:

O padre Manuel Alves Pereira, filho de José Pereira de Oliveira e Nazaré Alves de Azevedo, nasceu 13 de Julho de 1938 – nascimento em Alvarães (Viana do Castelo). 

Foi baptizado e crismado em Alvarães (Diocese de Viana do Castelo). Entrou no Seminário Passionista de Peñafiel (Espanha) a 17 de Outubro de 1953. 

Entre 1957 e 1958 fez o noviciado em Peñafiel, emitindo a Primeira Profissão a 08 de Dezembro de 1958 (Corella-Espanha) e a Profissão Perpétua a 29 de Setembro de 1961 (Villareal de Urréchua-Espanha). Foi ordenado presbítero a 09 de Março de 1963, em Bilbau.

Foi Superior da Comunidade em Barroselas de 1967 a 1970; em Santo António (Barreiro) de 1994 a 1998. Foi Ecónomo Local em Arcos de Valdevez de 1965 a 1967; 

Em Santa Maria da Feira de 1980 a 1984; 

Em Barroselas de 1984 a 1987 e 1994 a 1994. 

Deu aulas em Antuzede (Coimbra) de 1964 a 1965; Santa Maria da Feira de 1970 a 1979; em Barroselas de 1987 a 1990. Desenvolveu intensa atividade em vários grupos e ação pastoral: Escuteiros (Fundador do Escutismo em Santa Maria da Feira), Grupos Corais (Barreiro, Barroselas), Pastoral Vocacional… Foi um grande missionário, tendo pregado em diversos pontos do país e estrangeiro.


Faleceu a 22 de Maio de 2016, em Viana do Castelo.

A pólvora continua a ser inventada


No início dos anos 1990, a Associação Cultural da Juventude de Guisande - ACJG,  fundia-se com o Centro Cultural e Recreativo "O Despertar", dando lugar à Associação Cultural de Guisande "O Despertar", com a união oficializada no Verão de 1994. Terminava-se a rivalidade, nem sempre positiva e uniam-se esforços e vontades.

Numa  das primeiras acções da nova associação, junto ao Moinho Velho no lugar do Reguengo, junto à ribeira da Mota (foto acima), só nesse sítio foi recolhida uma carroça de tractor completamente cheia de lixo, incluindo garrafas, plásticos e roupas abandonadas por quem ali usava o tanque.

Parece que nos tempos que correm essa acção tem um nome todo catita e até inglês para parecer moderno, embora o conceito parece que surgiu na Suécia. Trata-se do PLOGGING.

Em resumo,  nestes tempos actuais por vezes ficamos com a ideia de que agora é um fartote de descobrir a pólvora.

Em todo o caso, é uma ideia importante e válida, esta a de juntar exercício físico com a limpeza do meio ambiente, mas só peca por... ser precisa.

26/03/2022

Hino de glória


Em meio século muito mudou

Numa vivência livre, sem cela,

Ali, na sombra solene da capela,

Ponto de partida do quanto sou.


Quanta realidade já desaparecida:

As crianças, o recreio, a escola,

O monte livre, rude campo da bola,

Os grilos na toca na relva escondida.


Mas há a sombra do velho sobreiro,

Figura austera, dono desse monte,

Confidente, amigo, ou só companheiro.


Todo o tempo já passado a memória,

Embalada no canto da fresca fonte,

Ressoa no presente em hino de glória.


A. Almeida

25/03/2022

Amizade


Que coisa bela, sublime, a amizade

Que tantos procuram no campo deserto,

Na amplitude do tão longe ou bem perto

Como resposta sábia à suma verdade.


Mas quem espera colher fruto ou trigo

De costas voltadas ao campo lavrado?

Não basta esperar na sombra estirado

Importará lançar a semente de amigo.


Quem nada dá não espere, pois, receber,

Porque a amizade quer-se cultivada,

Semente lançada para depois então colher


Amizade, linda, sentida, não se explica,

Porque é lição bem cedo ensinada,

É conta que não subtrai, antes,multiplica.


A. Almeida

Com Eritreia e a Coreia, juntos na diarreia

Confesso que nem estava lembrado que a Eritreia fosse um país. Mas de uma história conturbada e ocupação colonial pela por italianos e ingleses, obteve o reconhecimento da sua independência pela ONU em 24 de Maio de 1993. 

Apesar da sua Constituição a definir como um Estado republicano presidencialista com uma democracia parlamentar, a verdade é que tem sido de partido único e sem eleições desde a sua independência. Ou seja, na prática uma ditadura.

Não surpreende, pois, que a par de mais três ditaduras, Coreia do Norte, Bielorrúsia e Síria, a Eritreia tenha sido um dos quatro países de todos quantos têm representação na ONU a não condenar a Rússia pela situação de invasão na Ucrânia. 

A resolução que condena a Rússia e pede o fim da agressão, foi aprovada por esmagadora maioria nesta Quarta-Feira, pela ONU,  com o apoio de 141 dos 193 estados-membros das Nações Unidas. A resolução teve apenas cinco votos contra (Rússia, Bielorrússia, Síria, Coreia do Norte e Eritreia) e 35 abstenções.

O texto “deplora” a agressão russa contra a Ucrânia e “exige” a Moscovo que ponha fim a esta intervenção militar e retire imediatamente e incondicionalmente as suas tropas do país vizinho.

Em resumo, a Rússia comporta-se como o soldado recruta que marchando em contra-passo na companhia, to faz com a certeza que é o único que vai com o passo certo, marchando todos os demais errados. Para enfeitar o ramalhete, tem a seu lado esses quatro países do mesmo naipe que mais do que serem um importante apoio são, afinal de contas, a prova provada da sua falta de razão face à invasão, agressão e desproporcionalidade. Desculpando os termos, são merda do mesmo saco e assim vão juntos nessa diarreia de prepotência e desprezo pelo Direito Internacional. Pena que a China se abstenha numa atitude que só dá força, mas de uma outra ditadura outra coisa não se esperava.

Mas para além de tudo, para lá de mais uma condenação do mundo, a ONU nestas questões de segurança mostra-se um pingarelho sem qualquer efeito prático e a vontade de um único país pervalece sobre todos os demais. 

24/03/2022

Perfume


No perfume intenso 

De rosa cheirada,

O desejo é imenso

Em ter-te desfolhada


Mas ainda há pouco,

Antes desta paixão,

Perdi-me de louco

Por te sentir botão.


És mulher ou és rosa,

Ou inteiro um jardim?

Doce, suave, cheirosa,

Inteira, quero-te assim.


Poema e ilustração: A. Almeida

A ribeira se fez rio


Nasce a ribeira, fresca cristalina;

Deslizando alegre, ali a correr,

Ainda modesta, assim pequenina,

Mas grande na vontade de crescer.


Logo à frente, já sem embaraço,

Vão com ela outros doces regatos

E juntinhos nesse natural abraço

É já rio galgando campos e matos.


Do canto primeiro, doce, quase sem voz

Rumoreja agora como amplo que é

Seguindo de manso ou revolto, até.


O destino chegado, alcançada a foz,

Ali mais à frente, esperando-o com fé

O mar acolhe-o num abraço de maré. 


A. Almeida