" Eu e a minha aldeia de Guisande" "" Eu e a minha aldeia de Guisande

30/05/2022

Paz interior



Tanta canseira afadiga o homem

Além de tudo quanto diz e faz;

Coisas fúteis que o consomem

Quando, afinal, lhe basta a paz.


Esse afago de mansidão interior,

É, afinal, o bem mais precioso:

Desperta sereno o negro turpor

De um viver triste, só, doloroso.


A paz calma como bem supremo,

É como lago na placidez da água,

Em que apenas o doce bater do remo

O desperta à vida, o viver sem mágua,


Homem, pára! Afrouxa esse fragor

Medonho de todos os teus rios

Feitos de água de lágrimas e suor

E dá-lhes a calma dos vales macios


A.Almeida

União de Freguesias - Corga da Moura 2022

 



29/05/2022

Nada de confusões

A questão, desejo e vontade de uma freguesia aspirar a ser novamente dona dos seus destinos, não devem ser confundidos com a forma de governar da actual Junta da União. 

Parece-me, avaliando estes primeiros meses, que David Neves está a governar bem e a ter uma postura que se espera de qualquer presidente de uma União, a de respeitar todas as freguesias, estando presente ao lado das pessoas e dos grupos, de forma activa e interessada. E isso o David Neves, o meu presidente, tem feito bem e nota-se que com alma, correspondendo à vitória de mudança nas últimas eleições.

Mas, repito, uma coisa não valida nem menoriza a outra. Portanto nada de confusões: O desejo e vontade de Guisande, bem como de Gião e Louredo em voltarem a ser independentes no uso previsto pela Lei 39/2021, não é pessoal, muito menos partidária, mas apenas contra um modelo que em dois mandatos mostrou nada acrescentar de positivo à anterior realidade, e, pelo contrário, penalizador em muitos aspectos, sobretudo os de perda de proximidade e representatividade. Neste actual modelo, cada freguesia tem menos representantes directos e por isso menos gente conhecedora das especificidades de cada freguesia.

O comodismo e aceitação por parte de Lobão é compreensível já quem em rigor nada perdeu porque se mantém como cabeça e numa situação de predominância que, entre outros aspectos, tem e irá determinar que o presidente seja sempre da sua área geográfica. Não tem que ser assim, obviamente, mas será por motivos políticos e de estratégia dos partidos. É do B,A, BA da política.

Em resumo, louve-se o empenho e dedicação do David Neves, que têm sido relevantes, até porque num contexto herdado de melhores condições financeiras e já com a casa organizada e arrumada, comparativamente aos anteriores dois mandatos, mas não se misture alhos com bugalhos. 

Como analogia, porque é que um emigrante há-de-regressar à sua terra quando na maior parte dos casos vive com condições bem melhores nos países onde trabalha? Porque é que Guisande, Gião e Louredo hão-de contentar-se com a situação só porque neste momento a União tem uma presidência positiva?

A aprovação na sessão extraordinária da Assembleia da União de Freguesias, na sexta-feira passada, não foi a derrota de ninguém, muito menos do presidente da Junta, antes uma vitória normal e natural das freguesias que solicitaram a desagregação. 

Num tempo em que os divórcios se fazem por questões de "lana caprina", porque é que, sendo possível e legítimo, não hão-de as freguesias submetidas a uma reforma administrativa sem pés-nem-cabeça, aspirar à reversão ou desagregação? 

Por último, se se considera que esta situação decorre de uma Lei Relvas, desajustada e despropositada, que foi muito além do exigido pela Troika, porque é que agora se pode usar a mesma como argumento para a sua manutenção? Não devíamos, todos, aproveitar a janela de oportunidade da Lei 39/2021 para tentar a reversão? 

A quem interessa, pois, que a coisa se mantenha?

Nossa Senhora da Livração e Nossa Senhora da Hora em dia de festa

 




Nossa Senhora da Livração - Tabuaça - Lobão



Senhora da Hora e Santo André - Gião

28/05/2022

Família Gonçalves - Guisande - 20º Convívio


A família Gonçalves de Guisande teve hoje, 28 de Maio, o seu convívio anual, depois da interrupção nos últimos dois anos devido à pandemia. A última edição realizou-se no Monte do Viso em 2019 e neste ano de 2022 decorreu no Parque de Lazer da Várzea - Pigeiros. 

Como será compreensível, ainda em contexto de pandemia, e porque naturalmente a muitos não será fácil conciliar as agendas pessoais e profissionais com a data e o local, até porque vivendo em locais afastados e mesmo no estrangeiro, o número de participantes esteve bem abaixo do que se verificou em anos anteriores. Seja como for, é sempre importante manter a ligação a quem quer e pode participar.

Esta família, de cujo ramo começa no lugar de Estôse, mas com ligações antecedentes à freguesia de Duas Igrejas, actualmente lugar da freguesia de Romariz, tem já centenas de elementos espalhados pelo país, ilhas e estrangeiro. 

Parabéns ao Pedro Santos pela organização e a todos quantos contribuiram para que nada faltasse. Bem-hajam!

Sobre as origens da família Gonçalves:

Do latim Gundisalvici, de formação patronímica - "filho de Gonçalo" - Deriva ainda do germânico Gundisalvus que pode significar "salvo no combate", "homem disposto a participar de toda luta" ou simplesmente "guerreiro".

A família é de origem espanhola , do reino da Galícia, com Moniz Gonzalo. Seu descendente Dom Antão Gonçalves foi o primeiro da linhagem portuguesa. Senhor de Alentejo, Visconde e Arquiduque, títulos nobiliários reconhecidos com méritos pelos serviços prestados à Coroa, a quem antes do séc. XVI, foram concedidas armas que já figuram no Livro do Armeiro-Mor datado de 1509.


Brasão:

-De verde, uma banda de prata, carregada de dois leões (ou leopardos) rampantes (de pé, eréctil, com as patas dianteiras levantadas) ou passantes (caminhando com a pata direita levantada) de púrpura, armados e lampassados (língua de fora) de vermelho.

-Timbre: um leão de púrpura, sainte, armado (garras de fora) e lampassado de vermelho.

É bonito quando somos fiéis aos nossos princípios


...E é tão bonito quando somos fiéis aos nossos princípios, leais às nossas causas e sobretudo à terra e às pessoas que representamos e em nós confiam. Parabéns, Celestino, por nos fazeres acreditar que ainda há valores que valem!

Assim foi na sequência da sessão extraordinária da Assembleia da União das Freguesias de Lobão, Gião, Louredo e Guisande, realizada no polo da Junta em Guisande.

Inexplicavelmente as coisas estavam combinadas para fazer esbarrar. Numa posição legítima mas incompreensível, a lista do Partido Socialista tentou virar o bico ao prego contra a manifesta vontade das freguesias que pedia a desagregação (Gião, Louredo e Guisande). 

Lobão não requereu porque sente-se bem nesta União, como peixe na água, porque em rigor foi a única freguesia que não perdeu identidade, por razões óbvias, desde logo como cabeça da União, a manutenção da sua sede como principal e o presidente da sua área geográfica. É compreensível que se sinta bem. 

Celestino Sacramento, apesar das tentativas em fazer mudar a sua posição, bem como do seu estado de saúde na ocasião, manteve-se fiel aos seus princípios e causas e com toda a naturalidade votou a favor da desagregação, indo contra a sua bancada, que se absteve depois de perceber que já não inverteria a posição da maioria que se pronucniou a favor. Foi estranho, mas foi assim.

É de registar esta posição firme, convicta e fiel do Celestino. Nem poderia ser diferente!

Luz de Maio

Não! Não há luz como a de Maio

Porque límpida, desenevoada,

Quase um esplendor em ensaio.


Nasce na manhã fresca, solteira

Como noiva bela, perfumada

No seio em flores de laranjeira.


Ao poeta tão pouco lhe basta

Mas Maio, farto, dá-lhe tanto

Chegando a sobrar inspiração.


Então a palavra sai pura, casta,

Num devaneio de singelo encanto

E dela o poema brota de emoção.


A. Almeida