" Eu e a minha aldeia de Guisande" "" Eu e a minha aldeia de Guisande

14/04/2024

Alicerces

Numa altura em que voltam a estar na espuma dos dias os conceitos de "família tradicional", em contraponto com o que possam ser outros tipos de família, tenho que concordar com o que por estes dias li algures na blogosfera, em que resumidamente se dizia que "...a morte dos avós é o divórcio da família, no sentido em que sendo, em muitos casos, o elo de ligação e de respeito patriacal ou matriacal, actuam como referência e alicerce a evitar a erosão de cada uma das famílias, por vezes tão diferentes.

Mas sejamos realistas, sendo que sempre continuará a haver famílias tradicionais (pai, mãe, filhos, avôs, netos e netas, e por aí fora), no geral o conceito de família está já há muito em processo de erosão, não porque os seus valores fundamentais, biológicos e cristãoas, tenham mudado, mas porque importa aos obreiros do politicamente correcto cimentar as novas narrativas e modelos onde se encaixem tudo e todo o resto, como as mono-parentais, homossexuais, etc, etc e o mais que possa vir na fila e que emprestem algum sentido a eufemismos.

Mas, meus caros, a sociedade, para o bem ou para o mal, vai por aí. Nem tudo é mau, nem tudo é bom, antes pelo contrário.

13/04/2024

Aberta a época da caça aos olhares

 


Numa bonita manhã de primavera, aberta a época das caminhadas e da caça aos olhares. Fomos a convite da Freita. Recebeu-nos por entre um lençol de verde e amarelo o fresco Caima, sorriram-nos os irrequietos ribeiros da Foz e do Serlei. Acenou-nos o manso gado entre a carqueja, na indiferença das pedras. À sombra da singeleza, uma benção da Mãe. Logo abaixo abraçamos a Castanheira parideira e em Cabaços, ainda sem cansaços, o desvio dos lobos domesticados, ou nem por isso. No S. Pedro dos nabos matámos a fome.
































12/04/2024

Fonte


Lá para os lados do monte,

Que cansaço e suor espera,

Há uma singela fresca fonte

Que mata a sede, retempera.


Tem sobre ela um carvalho

Que do quente sol perserva;

De manhã há neblina, orvalho

E brilha dele a fresca erva.


Bebe dela o homem, a mulher,

E do mato toda a bicharada;

Mata a sede a quem a tiver,

Renova o alento à caminhada.


Bendita fonte, toda singela,

No monte de duras fráguas;

Toda generosa a quem dela,

Se abeira às frescas águas.

11/04/2024

Perdão


Oro e laboro,

Como pecador confesso,

De humana fraqueza moldado;

Rio e choro,

Mas, contrito, a Deus peço

Perdão, por todo meu pecado.


Tem que haver dimensão

Para tudo quanto fazemos

Na labuta do nosso viver,

Seja destino ou mero fado;

Ora se Deus é todo perdão

E se assim o concebemos,

A vida oração tem que ser,

Em perdoar e ser perdoado.

10/04/2024

Por quem o sino chora?



Por quem o sino chora

Naquela torre esguia,

De pedra áspera, fria,

Num lamento sentido?

Morreu, foi-se embora,

Alguém que além vivia,

Deixando a melancolia

Em seu lugar perdido.


Não sofre! Em paz agora

Estará, no céu, sim, creio,

Num doce, materno seio,

Como paga, recompensa;

Quem fica, perde, chora,

Vazio, mas de dor cheio,

Num sofrimento alheio

Do fim de vida intensa.

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09/04/2024

Deslumbramento


Cai a tarde, o sol declina

Num adeus breve, perene,

Na promessa de voltar já;

Então sonho, vejo-te menina,

De branco, em pose solene,

Esperando-me em cada manhã.

Nesta renovação repetida

Sobra um sentimento fundo

Do que somos por fundamento;

Em cada ciclo renasce vida,

Infinitas voltas do mundo

Em constante deslumbramento.