Equipa do S.L. Benfica, na época 1974/1975 (Campeão Nacional). Do tempo em que os adeptos não andavam a torcer por uma equipa quase toda composta por estrangeiros.
Tenho-me desligado do futebol indústria, e ainda bem. Do meu Benfica, não vejo jogos, não pago televisão para assitir no sofá ou ver no campo (até porque é longe), nem leio jornais. Não rebato alarvidades e provocações nas redes sociais, nem alinho em tira teimas a saber quem tem mais ou menos razão na eterna rivalidade entre clubes e se cada um destes tem mais ou menos razão nas ajudas ou roubos por árbitros. É chover no molhado ou regar a praia.
Não tenho camisolas com as cores e emblema do clube e seria incapaz de andar com elas fora do contexto do estádio. Nunca influenciei esposa, filho, afilhado ou vizinho a ser pelo meu clube. Nestas coisas o respeitinho pela identidade própria é muito bonito. Se tiver que ter em casa alguém adepto de outro clube, que seja, apenas pedindo que haja respeito mútuo e bom senso.
Sei dos resultados, muitas vezes,involuntariamente e apenas no dia seguinte e porque, sem querer, as notícias vão-se ouvindo, na televisão ou na rádio. Das duas ou três vezes que, levado por amigos, fui para a rua festejar mais um título, senti-me um tonto, sem saber o que ali estava a fazer no meio da multidão, na maior parte gente estranha, a olharem uns para os outros, com excessos na bebida e nos gestos. A ressaca deveria servir para alguma vergonha pessoal, mas é pedir muito a quem vive estas coisas a dizer que com orgulho, alma e coração, como se isso os fizesse mais capazes ou melhores seres humanos que os rivais.
Faz-me confusão ver tantos adeptos, ora com maus fígados quando as coisas não correm de feição, ora com entusiasmo desmedido e até fanatismo, quando, afinal, torcem apenas por uma equipa de estrangeiros, que do clube apenas envergam a camisola e recebem os milionários ordenados e sempre com o olho num patrão de um campeonato com mais prestígio, que lhes dobre ou triplique o ordenado. Os dirigentes, treinadores e atletas são pagos a peso de ouro mas precisam de estádios cheios, mesmo que com gente que ganha o salário mínimo e não tem onde cair morto. Mas, cá está, nem sempre o lado racional do adepto da bola é o que tem mais peso e o futebol tem destas coisas. Faz parte, aqui e em todo o mundo. A indústria faz por isso! It's just business!
Posto isto, talvez pelo efeito da idade, que se presta a encolher umas coisas mas também a servir para aumentar algum distanciamento e lucidez, mesmo que não viva do passado, esta fotografia do Benfica de outros bons tempos, como muitas outras, incluindo as que moram nas minhas dezenas de cadernetas de cromos, servem para lembrar um tempo em que as equipas de futebol, desde os distritais aos nacionais, tinham muito menos estrangeiros e efeitos do marketing da indústria, mas seguramente mais alma, que se estendia de cima para baixo, dos dirigentes e atletas aos sócios e adeptos.
Concerteza que cada tempo é um tempo e o actual é seguramente diferente, mas quando se vende a alma ao diabo (da indústria) alguma coisa tem de ficar pelo caminho. Parece-me! É apenas a opinião de quem se vai desligando. Talvez seja da idade!
Quanto à equipa: Em cima, da esquerda para a direita: Eurico, Toni, Barros, Shéu, Bento.
Em baixo, pela mesma ordem: Nelinho, Artur, Nené, V. Martins, Jordão, Moinhos.
Era treinador: Milorad Pavic



















