Entre o 8 e o 80 há, certamente, um ponto de equilíbrio. Quando essa realidade é ignorada e se opta por um dos extremos, raramente os resultados são os melhores.
Se é verdade que, em determinados contextos, o radicalismo pode ter utilidade, em regra produzem melhores efeitos as soluções equilibradas, sobretudo quando está em causa uma decisão pública e comunitária.
A limpeza ou abate da maioria das plantas que, há anos, adornam o adro da nossa igreja matriz - tanto na parte pública como na pertencente à paróquia - e que tem sido realizada nestes dias, poderá revelar algum excesso de radicalismo.
É evidente que as plantas, como quaisquer seres vivos, envelhecem, adoecem e acabam por morrer. Também é legítimo substituí-las por espécies mais adequadas, restituindo em pouco tempo o aspecto bucólico e primaveril que há décadas caracteriza a envolvente da nossa igreja. Ainda assim, parece-me que a intervenção poderia ter sido mais gradual. Em matérias que envolvem uma comunidade, decisões abruptas tendem a dividir: há quem concorde, quem discorde e quem, como eu, entenda que o bom senso e o equilíbrio favorecem não só o objectivo pretendido, mas também a conciliação de diferentes perspectivas.
Pelo que tenho ouvido, alguns compreendem a intervenção, esperando uma renovação; outros manifestam desagrado e até revolta.
Independentemente de quem tenha tomado a decisão e da legitimidade que lhe assista, creio que teria sido desejável maior ponderação e, eventualmente, a auscultação da comunidade.
Em suma, reconheço que decidir nunca é fácil e que agradar a todos é impossível. Contudo, abdicar da procura de consensos e de equilíbrio, bem como do respeito por opiniões divergentes, representa uma falha.
Da minha parte, não assumo uma posição de indignação, longe disso, mas não escondo alguma tristeza. Julgo que teria sido possível uma intervenção menos radical e faseada, talvez antecedida de algum tipo de consulta à comunidade.
Perante o que já foi feito, resta esperar que o resultado final venha a revelar-se positivo. Para já, o que se vê é um cenário de desolação. Este não é o adro que sempre conhecemos; espero que rapidamente recupere a sua identidade.
