Quem acompanha as redes sociais, nomeadamente o Facebook, já terá percebido que por ali vão aparecendo algumas páginas que têm em comum uma suposta intenção de escrutinar acções públicas, nomeadamente relacionadas ao Poder Local. Também em comum, ou de modo indisfarçável, parecem terem como foco e alvo priveligiados as figuras e partido que democrática e legitimamente governa o município e a larga maioria das juntas de freguesia. Ainda uma evidência de não terem rostos, por isso apresentando-se de uma forma anónima.
Bastaria a parcialidade e o anonimato para não lhes ser dado qualquer crédito. Poderiam ser projectos interessantes se com rosto e com alguém a quem se possa louvar e agradecer pelo trabalho, quando bem feito, ou responsabilizar por eventuais excessos ou permitir a defesa de quem se ache posto em causa.
Ora nessas páginas é fácil, muito fácil, adoptar uma postura sensacionalista, tipo "alerta CMTV", mas sem nome e identificação do autor, atirando a pedra e escondendo a mão. Lança-se fumaradas ou poeiras para o ar, afirmando-se, por exemplo, que alguns moradores de uma certa freguesia questionam e queixam-se de uma determinada situação.
Independentemente da legalidade, ou não, das situações que possam ser apontadas, e para isso haverá quem, com autoridade, fiscalize, avalie e actue, mas a verdade, hoje em dia é fácil, muito fácil, levantar poeiras e suspeições, tantas vezes sensacionalistas e sem substância, seja sobre particulares ou sobre as autarquias.
Quanto aos moradores que questionam? Mas quem? Não têm nome? E quantos? 1, 2, 50, 100? Questionam apenas por curiosidade, por questões de legalidade ou porque consideram que dessas situações há prejuízos objectivos para eles próprios ou para o bem público, nomeadamente o das freguesias em causa? É que, apesar de tudo, o município e as juntas de freguesia têm canais próprios onde se podem colocar questões e pedir esclarecimentos. Ou seja, os supostos moradores podem queixar-se de forma directa e identificada, até como contributo de cidadania, já que nem sempre as juntas de freguesia têm meios para, em cima da hora e a toda hora, estarem ao corrente de todas as situações diárias que vão surgindo.
Por conseguinte, deve haver cuidado nestas coisas que, de modo fácil e tentador, com ares de sensacionalismo, são estampadas em aparentes arranjos gráficos feitos facilmente por IA (Inteligência Artificial). Valorizar estes canais, com todos os sinais que evidenciam quanto à seriedade ou falta dela, é um mau princípio.
É positivo, sem dúvida, que estas questões sejam colocadas e que haja escrutínio das coisas e causas públicas, e fazem falta canais sérios, mas porventura e antes de se lançar poeira e suspeições, importará ir primeiramente à raíz, à fonte saber das razões. São esses os bons métodos e os princípios de quem, de algum modo queira fazer jornalismo, nem que seja amador. Qualquer modelo de IA saberá dizer e ensinar as bases e quais os bons requisitos para um jornalismo ético, responsável e isento, mesmo que a um nível local.
