As comunidades paroquiais de Guisande, Pigeiros e Caldas de S. Jorge, foram, neste fim e princípio de semana, confrontadas com a triste e inesperada notícia da decisão do Bispo do Porto em mudar o seu pároco Pe. António Jorge para outra comunidade inter-paroquial (três paróquias de Paços de Ferreira).
Tal como tive a oportunidade de expressar o meu sentimento em relação a essa decisão, na reunião de Quinta-Feira, 9 de Julho, em que o pároco deu a conhecer a sua partida aos elementos dos conselhos pastorais paroquiais, pessoalmente senti um “murro no estômago”, triste e decepcionado, porque num contexto e tempo em que tal não era previsível de todo, depois de um período de aprendizagem e conhecimento mútuos, com as comunidades por si e em conjunto, já a dar frutos. No geral, sentia-se uma saudável e interessada união entre as comunidades e o pároco e este já a conhecer relativamente bem as suas ovelhas e características próprias.
É certo que todos sabemos e procuramos compreender o problema estrutural que é a insuficiência de sacerdotes, e que tal panorama tenderá a agravar-se nos próximos anos, mas estas decisões e mudanças sem aparentes motivos, levam ao desânimo das comunidades, a constantes recomeços nas suas dinâmicas. Se bem repararmos, nestas decisões de mudanças de pároco, muitas vezes trocando apenas as peças, as comunidades nunca são tidas nem achadas e ficam sempre do lado de fora. O que pensam e qual o seu sentimento, são coisas que parecem não preocupar o Bispo. Soam, pois, a falso, certos discursos da hierarquia da Igreja e das Dioceses numa tentativa de mais envolvimento das comunidades e dos leigos, incluindo a tão falada sinodalidade, porque depois, na prática, são tomadas estas decisões unilaterais, incompreensíveis e injustificadas, a quebrar ritmos e crescimento.
Por conseguinte, confrontados com estas decisões e mudanças, e sem sabermos o que nos espera, por melhores que sejam as referências a quem virá como substituto, todos nós temos diferentes formas de encarar e lidar com elas. Uns, verão o copo meio cheio, outros, meio vazio, ou seja, com mais ou menos optimismo e pessimismo, aceitação e decepção, outros, também é certo, com indiferença.
No meu caso, e nestas coisas cada um tem o seu sentimento, esforço-me em procurar compreender ambos os lados, bem como as dificuldades da Diocese e do Bispo mas não fico impedido de ficar profundamente decepcionado, porque neste caso em concreto, nada, vezes nada, parece-me justificar a saída do Pe. António Jorge, porque com as comunidades em harmonia e cooperação e já a frutificarem mesmo ao nível da inter-paroquialidade, mesmo que, é certo, ainda com caminho para fazer.
Quando o Bispo não tem em conta nem em consideração os paroquianos, mudando as peças do xadrez em lances incompreensíveis, também não pode esperar dos mesmos uma compreensão cega.
Posto isto, espero, de facto, que o novo pároco seja bem acolhido, que seja capaz de entender e compreender as particularidades de cada uma das paróquias, que queira retomar o que de positivo já foi construído, que não desvalorize nada, que não haja uma perda de qualidade e regularidade dos serviços, nomeadamente nas celebração nas festividades, Sábados e Domingos, mas por minha parte pretendo passar a ser apenas uma ovelha sem compromissos, atenta mas discreta.
Cada um, por si, terá o entendimento que quiser. Por mim, considero que se fechará um ciclo e começará outro. Como no Estado, um novo governo exige novos ministros.
Ao Pe. António, que aprendi a respeitar e a valorizar pelo seu rigor nos serviços e organização, fica o meu agradecimento pessoal, pela confiança em mim depositada em algumas tarefas que me incumbiu de colaborar, e faço votos sinceros que seja capaz de enfrentar com ânimo um novo recomeço pastoral e que também ali, nas suas novas paróquias, seja aceite e valorizado e tenha um trabalho profícuo, pastoral, espiritual e social.
Ficará, certamente, na boa memória da maior parte de nós, mesmo que numa vivência que foi curta. Obrigado. Pe. António!
