" Eu e a minha aldeia de Guisande" "" Eu e a minha aldeia de Guisande

10/01/2018

Reversão da Reforma Administrativa

Está já no terreno uma angariação de assinaturas/petição com vista ao pedido de reversão da freguesia de Guisande para a sua situação anterior à Reforma Administrativa, de resto como está já a acontecer em algumas freguesias agora integradas em uniões. A petição é encabeçada por um grupo multi-partidário de cidadãos, nomeadamente ex-autarcas.

Concerteza que já assinei e creio que não faltará quem assine pois o descontentamento das freguesias agregadas é geral. Parece-me que, infelizmente, será um esforço em vão, porque os políticos, e destes quem decide, são pouco dados a petições, mesmo que estas possam expressar uma larga maioria de uma freguesia e de uma população.

Em todo o caso, é importante que a petição seja assinada pela maioria dos cidadãos, eleitores ou não, de modo a que, na eventualidade de poder vir a valer alguma coisa, possa ser utilizada.
Creio que uma eventual alteração à Reforma Administrativa, total ou parcial, dependerá sobretudo do actual Governo e da vontade efectiva deste mexer na coisa. Pela parte da actual Câmara Municipal não nos parece que dali possa vir qualquer ajuda no sentido da mudança, mas nunca é tarde para reparar erros do passado recente. Qualquer mudança, porém, ou será agora nesta legislatura ou muito dificilmente será mais tarde, porque se a situação actual ganhar raízes vai ser bem mais difícil. E convenhamos que nestas coisas, pelas implicações resultantes, não podem andar a ser alteradas constantemente.

05/01/2018

Dia de Reis 2018


Mártir S. Sebastião - Festa

Trapalhadas


Ontem, lá se deu o aguardado debate entre Rui Rio e Pedro Santana Lopes, os candidatos à liderança do PSD - Partido Social Democrata, cujas eleições internas directas estão marcadas para 13 deste mês de Janeiro. Apenas vi a segunda metade e pelo que agora leio na imprensa, terei perdido a parte dos ataques mais pessoais, nomeadamente os de Rui Rio em que trouxe à baila, de forma contundente, as "trapalhadas" de Santana Lopes aquando da sua efémera passagem como primeiro ministro entre 2004 e 2005, sucedendo a Durão Barroso que deu de frosques para Bruxelas para agarrar o cargo de presidente da Comissão Europeia. Quanto ao resto, para além de diferentes personalidades e estilos, o debate pouco acrescentou e as divergências, poucas, serão também elas de estilo. 
Sobre os candidatos já deixei aqui uma simples opinião e deste debate nada alterou na minha apreciação.
Em certa medida o confronto televisivo resumiu-se à declaração final de Rui Rio em que ele próprio voltou à carga com a questão das "trapalhadas" e inabilidade de Pedro Santana Lopes enquanto primeiro ministro num pressuposto e aviso de que, em consequência, não tem condições nem capacidades de voltar a almejar a ocupar o cargo uma vez que quem se candidata ao lugar de presidente do partido fá-lo com o objectivo de vir a ser chefe do governo. 
É certo que o Governo de Santana Lopes e todas as circunstâncias que o envolveram, nomeadamente na sua composição, bem como aquele inesquecível e inenarrável discurso de tomada de posse, marcaram o seu curto reinado, mas é certo que tal "cama" foi devidamente preparada, não só por muitos companheiros de partido mas sobretudo pelo presidente Jorge Sampaio. Este apenas aceitou Santana Lopes numa perspectiva de mudança que já se adivinhava. Foi apenas a encenação do acto final para a subida do PS ao poder e de José Sócrates. 
Em todo o caso, e parecendo-me que Rui Rio de algum modo foi contundente e até injusto para com o seu colega de partido, e basta lembrar que ele próprio foi um dos seus apoiantes no antes, no durante e no depois da sua governação, creio que, mesmo virando  o "bico ao prego", terá agora algumas razões de fundo, porque percebe-se que Pedro Santana Lopes até poderá vir a ser presidente do partido, mas provavelmente nunca primeiro ministro. Para má experiência chegou uma vez.
Mas a ver vamos, e por mim apenas como espectador indiferente ao resultado. De resto a política apenas interessa aos políticos e a quem, de algum modo, vive dela. 

03/01/2018

Sim, estúpido, já estamos em 2018


Sim, já estamos em 2018. Entramos no novo ano da mesma forma que fazemos desde que nos conhecemos, novos e velhos. É certo que, quase sem darmos por isso, vão-se alterando as modas relacionadas a esta data, a esta transição simbólica de um para outro ano, mas na realidade tudo vai bater no mesmo e no dia seguinte há gente a dormir até às tantas, ressacas de bebedeiras e comezainas excessivas, urgências hospitalares entupidas com os resultados dos excessos, condutores embriagados, em que apenas uma amostra acaba por cair na malha das autoridades, etc, etc.

E para quem, muitos, gastou acima das suas possibilidades, fosse numa viagem cá dentro ou lá fora, ou uma noite num hotel chique a comer cubinhos de salmão gourmet sobre caminha de alface amaciada com porto reserva reduzido, a ressaca passa a ser da carteira. Na realidade o povo já não se contenta a passar o ano num areal escuro ouvindo o maralhar das ondas ou numa discoteca rasca dos anos 80, ou num bailarico de garagem numa festa improvisada pela associação recreativa local. Não, agora é tudo à rica, tudo à grande.

Há ainda as redes sociais e aqui a congestão ainda é maior, com os mesmos lugares comuns e as mesmas merdas partilhadas. E todos nós, ansiosos por uns likes, não resistimos a mostrar onde estamos, com quem, o que fazemos, o que comemos e bebemos.

Já no dia 2, 3, ou 4, acordamos então para a realidade, em que vamos ouvindo nas notícias que parece que vai haver uns aumentos no ordenado mínimo, uns tostões nas reformas e outras reposições aos tão carenciados funcionários públicos, essa pobre malta que vai para a reforma com três ou quatro ordenados mínimos. Mas afinal não vão ser só aumentos e reposições na receita: Feitas as contas vai dar tudo ao mesmo para quem vive a contar trocos, pois a lista dos aumentos na despesa é infindável, desde o combustível, até ao pão, passando pelo azeite, bebidas, tabaco, transportes, energia, etc, etc. Não há como escapar a esta realidade e o poupar é uma mera e ridícula  ilusão. Veja-se o Novo Banco, que tem publicitado uma treta chamada Pouparia e afinal, o máximo que oferecem nas diferentes aplicações é um juro que vai de 0,1 a 0,2 %. Trocos, que não chegam para pagar as comissões e despesas de conta. Ainda não será completamente assim, mas já não falta muito para pagarmos efectivamente aos bancos para lá termos uns trocos para  mensalmente liquidar por débito directo as despesas correntes com serviços como a água, electricidade e telefone.

Bem vistas as coisas, toda a alegria e esperança que contagiosamente despejamos ao virar do ponteiro do relógio e do calendário, passados poucos dias soa-nos a ridículo. Mas a vida é tal e qual assim e por isso daqui a doze meses voltamos ao mesmo, a ser alegres, esfuziantes, esperançosos e... novamente ridículos.