Pedro Ferreira, de 35 anos, nosso conterrâneo (Rua das Quintães - Guisande), foi o escolhido pelo Bloco de Esquerda para liderar a lista concorrente à Junta de Freguesia de São João de Ver, nas próximas Autárquicas.
Votos de sucesso!
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Pedro Ferreira, de 35 anos, nosso conterrâneo (Rua das Quintães - Guisande), foi o escolhido pelo Bloco de Esquerda para liderar a lista concorrente à Junta de Freguesia de São João de Ver, nas próximas Autárquicas.
Votos de sucesso!
A coisa já era sabida há algum tempo, mas foi agora comunicada à paróquia por ele próprio: O Pe. Arnaldo Farinha vai regressar a Angola e à sua Diocese de Benguela, onde às ordens do seu Bispo, D. António Francisco Jaca, irá fazer parte da estrutura da Curia Diocesana local.
Assim, 7 anos depois de tomar posse como pároco de S. Mamede de Guisande (12 de Outubro de 1914), regressará às origens. Deixa igualmente a paróquia de Pigeiros, para a qual tinha sido nomeado há escasso tempo (apenas um ano), depois de ter deixado a paróquia do Vale.
O Bispo da Diocese do Porto nomeou para o lugar do Pe. Farinha o sacerdote António Jorge Correia de Oliveira, que para além de Guisande e Pigeiros assumirá a paróquia das Caldas de S. Jorge, já que o anterior pároco, Pe. José Carlos, deixará essa função.
É certo que os bispos encontram sempre uma justificação justificadamente justificada, mas, em boa verdade, este constante saltar de paróquias pode procurar resolver imbróglios e ajustar as peças no tabuleiro e escassez de sacerdotes, mas em nada ajuda à sedimentação das comunidades que tendencialmente se desagregam com cada recomeço e isso porque inevitavelmente cada novo pároco traz novas ideias e novas formas de ser, e nem sempre afinadas às dinâmicas já criadas, dos usos e costumes ligados a cada paróquia.
Será, por tudo isso, uma espécie de lotaria ou um tiro no escuro o que se espera do novo ciclo. Ademais, com três paróquias ao seu serviço e com a terra natal apelativamente mais próxima, não é de esperar melhorias no aspecto de disponibilidade, pelo que se aguarda um regime de serviços mínimos e um "dividir o mal pelas aldeias". Depois, é normal que num ninho, a cria mais pequena é débil seja posta de lado, porque há bicos maiores e mais abertos.
Esperemos, pois, que o Pe. António Jorge, que entretanto tomará posse, se integre de forma positiva e que seja dinamizador e congregador de toda a comunidade e de todos os movimentos a ela ligados, e procure reunir o que do rebanho tresmalhado tem andado. Não será tarefa fácil, mesmo para quem exercia o múnus de Vigário, por isso conhecedor das diferenças de paróquias, suas necessidades e singularidades.
Quanto ao Pe. Arnaldo Farinha, certamente que encarará o seu novo ciclo com sentido de obediência ao seu Bispo e missão à Igreja e apesar das dores da separação e do adeus a uma comunidade onde naturalmente se afeiçoou e criou laços, saberá encontrar forças que o animem no seu caminho. No geral ficamos agradecidos pelo seu esforço e dedicação ao longo destes anos, mesmo que nem sempre do agrado de alguns.
O Pe. António Jorge Correia de Oliveira tem 52 anos, sendo natural de Cepelos - Vale de Cambra. Era pároco de S. Pedro de Ataíde, S. Romão de Carvalhosa, S. Paio de Oliveira e Santa Eulália de Banho (Marco de Canaveses) e Vigário da Vara da Vigaria de Amarante – Região Pastoral Nascente.
Fazemos votos para que, uma vez empossado, tenha êxito na sua missão e encontre em Guisande uma paróquia unida e em prontidão para um novo ciclo. Que também saiba compreender e interpretar as suas particularidades e que delas tire o melhor no sentido de união e dinamismo, não só no contexto estritamente do serviço religioso mas nos diferentes factores que a ele se interligam..
Pois claro! É hoje o dia dela, mas pela tortuosidade dos caminhos desta nossa sociedade mascarada que nem foras-da-lei de um qualquer oeste selvagem, a coisa fica reduzida a serviços mínimos, com a celebração da missa que há-de ter lugar daqui a nada.
O resto serão memórias, mais ou menos recentes, numa esperança fundada de que para o ano havemos de nos recolher nos braços da normalidade como filhos pródigos fartos de surripiar bolotas e alfarroba aos porcos e regressar aos braços do pai que há-de mandar abater o vitelo gordo num sacrifício redentor. Assim seja!
Num "salve-se quem puder", pelo menos já maiores e vacinados, havemos de, lá mais para a hora do almoço, celebrar o dia, mas também celebrar a vida.
A Festa do Viso, em Honra de Nossa Senhora da Boa Fortuna e Santo António, não fosse este estado de pandemia que prevalece, teria lugar já neste próximo fim-de-semana. Assim, pelo segundo ano consecutivo, não há festa na aldeia, o que a todos entristece.
Espera-se, contudo, para além da missa que será celebrada na Capela, a ter lugar pelas 10:00 horas de Domingo, que a data seja evocada e vivenciada pelo menos em contexto familiar, esperançados que no próximo ano já seja possível a realização plena da festa.
Desde ontem que o falecimento de Otelo Saraiva de Carvalho tem dominado as notícias e as reacções dos seus pares e da classe política. Tinha 84 anos e estava hospitalizado.
A personalidade dispensa apresentações e é reconhecida como o estratega do movimento que deu lugar aos acontecimentos de 25 de Abril de 1974 e uma das principais figuras dessa revolução.
Nos dias que correm e no sistema vigente, o politicamente correcto é exaltar a figura de Otelo e o seu papel no Golpe de Estado e todas as outras facetas ou são simplesmente ignoradas ou relevadas pelo contexto pós-revolução.
Sendo certa a importância do papel de Otelo no golpe militar do 25 de Abril de 1974, não se pode simplesmente ignorar, esquecer, indultar ou amnistiar, como fez o sistema, toda a sua acção extremista, nomeadamente no que concerne à sua participação no grupo terrorista Forças Populares 25 de Abril, a este imputadas quase duas dezenas de assassínios, incluindo, colateralmente um bébé, para além da morte de 4 dos seus operacionais.
O grupo terrorista após uma década de actividade acabou por ser desmantelado e Otelo condenado, mas depois de algum tempo detido preventivamente numa prisão de 5 estrelas, em Tomar, acabou por ser indultado e amnistiado pelo sistema.
Assinou a amnistia Mário Soares, pois claro, com a aprovação na Assembleia da República dos partidos da Esquerda, pois claro. Soares justificou que compreendia o ponto de vista das vítimas mas que era tempo da reconciliação. Que justiça para todas as vítimas?
Importava a Soares e ao sistema que a coisa fosse relevada, que os processos fossem imbróglios, se arrastassem, que as provas fossem inconclusivas, que os "arrependidos" não falassem demais. Um processo vergonhoso preparado para os indultos e amnistias, porque importava não beliscar uma das figuras centrais do 25 de Abril de 1974. No fundo os pares militares e a classe politica auto protegem-se porque precisam que o sistema, deles, não abane.
Para além dessa herança de morte, Otelo não se livra de ser uma das figuras de proa das facções extremistas que pretendiam conduzir o país para uma ditadura de esquerda de modelo cubano, que pretendia traduzir com o golpe de 25 de Novembro de 1975.
Por tudo isso, Otelo já é uma figura importante da nossa História contemporânea, sem dúvida, mas em proporção inversa uma personalidade controversa e as acções no contexto do golpe militar não devem nem podem omitir ou esquecer todo o seu envolvimento de extremista e terrorista e dos atentados, roubos, explosões e assassínios decorrentes.
Ontem alguém, creio que a jornalista Fátima Campos Ferreira, que lhe fez uma entrevista biográfica há alguns anos, disse que "Otelo era um homem bom, inteligente, e até sabia cantar e gostava de ter sido actor". Ora as prisões estão cheias de gente boa que sabe cantar e fazer outras coisas, mas que estão a pagar por crimes que cometeram, mesmo que de forma não premeditada ou qualificada. Pois Otelo, fê-lo de forma organizada, preparada, calculada, premeditada e em rigor nada pagou por isso. A preventiva passada em Tomar, era no fundo um Hotel onde recebia com charutadas e bons vinhos todos os seus bons amigos militares e políticos.
É certo que há todo um contexto de revolução e instabilidade decorrente do golpe militar de 1974, que pode ser utilizado para o enquadramento mas não para relevar. Importaria não esquecer.
Na análise da figura de Otelo Saraiva de Carvalho, convirá sem desculpabilização separar o trigo do joio e ter sempre em conta ambas as facetas, coisa que no actual estado de coisas e de sistema parece difícil.
Fosse alguma da nossa esquerda dada a coisas de religião e santidade e Otelo já estaria num pedestal de altar. Não sendo, esperam-se estátuas em praças, ruas e avenidas com o seu nome. Com sorte, um dia de feriado nacional.
Considerá-lo um homem, com virtudes e defeitos inerentes, é aceitável, valorizar e agradecer o seu contributo para libertar o país da ditadura, sem dúvida, mas daí até fazer de alguém que fez parte de um grupo terrorista que ceifou vidas, um herói nacional, convenhamos que é pedir demais, sob pena de estarmos a legitimar o terrorismo e os extremismos, sejam eles revolucionários, políticos ou ideológicos.