03/07/2025

Festa do Viso - Jornada de angariação de fundos

 

Parecer ou não parecer, eis o sabão

Vivemos tempos em que a política local — outrora discreta e centrada na gestão do território e das pessoas — se transformou, nas mãos de muitos autarcas, numa permanente operação de marketing pessoal. E as redes sociais, com o seu efeito imediato, rápido e visual, tornaram-se o palco preferencial para esse novo protagonismo, tantas vezes excessivo, redundante e até, tantas vezes, com laivos de ridículo.

Basta percorrer as páginas de muitos presidentes de câmara, vereadores ou até simples membros de juntas de freguesia para perceber o padrão: são fotografias em tudo o que mexe, inaugurações de obras e de não-obras, visitas a escolas, lares, associações, feiras, feirinhas, mercados, casamentos, aniversários de idosos, provas desportivas, reuniões protocolares, festivais, almoços, jantares, missas, procissões, concertos, feiras medievais, entrega de diplomas, de lembranças, de tudo e mais alguma coisa. Qualquer evento, por mais pequeno e irrelevante para o que realmente interessa, o bem comum, é ocasião para aparecer na fotografia, preferencialmente ao centro, com o sorriso pronto e o discurso, se preciso, ensaiado.

É o triunfo do "estar lá" — mesmo que a presença pouco ou nada acrescente ao evento ou aos seus destinatários. Mais do que governar, importa aparecer. Mais do que decidir, importa sinalizar que se está atento. É o domínio do parecer antes do ser.

Esta ânsia constante de protagonismo mediático revela uma faceta, senão perigosa, pelo menos perniciosa, da política local: a substituição da substância pela imagem. O autarca não é já apenas o gestor da causa pública, mas o protagonista permanente de um reality show autárquico, onde o número de likes, partilhas e comentários substitui a análise crítica da obra realizada.

As redes sociais, sendo legítimas e importantes ferramentas de comunicação institucional, transformaram-se assim, para muitos, em autênticos diários de exibição pessoal. Poucos são aqueles que resistem à tentação do auto-elogio permanente, da apropriação, tantas vezes de sucessos alheios e do silenciamento conveniente dos fracassos e problemas que realmente exigiriam resposta.

Num mundo cada vez mais superficial, onde a imagem vale mais do que a consistência, a política local não escapou à epidemia do marketing de si próprio. O problema não está em comunicar o que se faz — o problema está em transformar a comunicação num fim em si mesmo, desvirtuando o verdadeiro sentido do serviço público e da valorização da cidadania desinteressada.

Governar não é tirar fotografias. Servir não é acumular presenças protocolares. Liderar não é coleccionar likes.

É tempo de regressar ao essencial: fazer primeiro, mostrar depois — e só quando houver, de facto, algo de relevante para mostrar. E se merecido for o nosso trabalho, ou deles, alguém o há-de valorizar e reconhecer, mesmo que sem aparatos ou lambe-botismo.

01/07/2025

Comissão da Festa do Viso 2025 organiza torneio de futebol de salão


O Rinque Polidesportivo de Guisande, em Casaldaça, foi requalificado recentemente pela Câmara Municipal de Santa Maria da Feira. Em rigor, parcialmente, porque ficou de fora da intervenção as instalações dos balneários.

Ficou terminada a requalificação, irá já para 3 meses, e desde então tem estado, como se esperava, às moscas. Esporadicamente uma ou duas crianças ou adolescentes a chutar bolas contra as paredes.

Finalmente, por iniciativa da Comissão de Festas do Viso 2025, vai promover ali um torneio de futebol de salão para angariação de fundos. Provavelmente terão de ir tomar banho a casa.

Parece-me que não é com umas utilizações esporádicas que se justifica o grande investimento ali feito. E seria bem feito se de facto a utilização fosse regular e dinamizada por clubes ou associações locais. Mas quais, se o próprio Guisande F.C. teve e tem muitas reservas quanto às vantagens de usar o equipamento, e associação cultural de momento não existe. Crianças, poucas e em decréscimo. Sinceramente, desejo que sim, que se justifique o investimento feito, mas não me surpreende que não. 

Mas vamos indo e vendo e pode ser que com a futura Junta de Freguesia se encontrem formas e meios de dinamizar a sua utilização regular, pelo menos para não darmos todos o dinheiro como mal gasto, até porque seria mau de mais e um paradoxo face às necessidades mais palpáveis de obras e melhoramentos, nomeadamente na requalificação da zona envolvente à igreja matriz, centro cívico, etc.

Oxalá que sim, que daqui a algums meses venhamos a constatar que foi dinheiro bem empregue. Por agora, graças à Comissão da Festa do Viso, é o que se pode arranjar.

30/06/2025

Um novo e diferente caminho


Quem costuma ler o que vou escrevendo, tanto neste meu site “Eu e a minha aldeia de Guisande", como na minha página pessoal no Facebook, já tive oportunidade de escrever que em contexto de lista partidária, não serei candidato à Junta de Freguesia de Guisande nas próximas eleições autárquicas.

É certo que fui convidado por um dos principais partidos a ser cabeça-de-lista, por isso ao cargo de presidente da Junta, mas, por opções meramente pessoais, não aceitei. 

Naturalmente que fiquei sensibilizado e agradeci a confiança dos que entenderam que eu seria uma opção, nomeadamente a quem me fez chegar o convite, bem como ainda a várias outras pessoas, incluindo amigos, que procuraram influenciar-me na aceitação, mas decidi convictamente que não. E não, porque entendi desde cedo e a partir do momento em que se concretizou a desagregação da União de Freguesias, que a melhor opção seria a apresentação de uma lista independente, a reunir gente dos principais partidos, no sentido de, tanto quanto possível, unir a freguesia numa transição importante em que as dificuldades de retomar os destinos da freguesia por conta dos próprios guisandenses serão grandes.

Transmiti esta mesma ideia ao Celestino Sacramento, o qual, até ao momento, mesmo que ainda não de forma oficial, se foi afirmando como disponível para se candidatar e no que considera estar a cumprir o compromisso com a população  aquando do início do processo de petição pela desagregação, e que numa primeira abordagem, mesmo que muito informal, também considerou a ideia de lista independente como positiva. Nesse contexto, disse-lhe que pensasse nessa solução e se a mesma avançasse poderia contar comigo. As coisas ficaram nesse pé e em rigor, à data, não sei em que ponto estão.

Quanto aos partidos ainda não são conhecidos publicamente quaisquer nomes para Guisande. 

Em resumo, volto a esclarecer os mais interessados ou curiosos, de que não serei candidato por qualquer força partidária. Apenas no cenário de lista independente, e com gente de ambos os partidos, que eu considerasse capazes e interessados nas coisas da freguesia, poderia aceitar.

Assim sendo, como costuma ser normal, avançarão os partidos e quero acreditar que com gente capaz porque, de uma forma ou outra, é necessário e importante que alguém assuma os destinos da freguesia, que bem precisa de “um novo e diferente caminho”.

Concluo, reafirmando que não me pus de fora das responsabilidades, apenas quanto ao contexto em que poderia ou não aceitar participar. Quem não compreende esta legitimidade?

27/06/2025

Aos poucos....cada vez menos

 


Já o escrevi por aqui antes, mas é notória, de ano para ano, a perda de habitantes na freguesia de Guisande, pelo menos na relação entre os que nascem e os que morrem. É certo que entretanto por via da edificação de novas habitações têm-se mudado para cá algumas famílias, mas ainda não de forma a reverter o processo.

Tomando como exemplo os falecimentos entre Junho de 2024 e Junho de 2025, e considerando apenas pessoas que cá residiam, contabilizei 13 pessoas, sendo 8 homens e 5 mulheres. Agora pergunta-se: E quantas crianças nasceram no mesmo período? Confesso que não tenho números, mas quero crer que, por alto, não mais que três ou quatro.  A este ritmo é fácil perceber que nos próximos 15 anos podemos perder pelo menos 10% da actual população. 

Devido aos Censos de 2021 terem considerado apenas a população da União de Freguesias, como um todo, os números referentes a Guisande reportam-se aos Censos de 2011, que nos dava uma população residente de 1237 presumindo-se que com os emigrantes pudesse rondar os 1500 habitantes. Só em 2031 voltaremos a saber quantos residentes somos na nossa freguesia, mas é natural que então já com um número pouco mais que um milhar de almas. 

Em Guisande, em 50 anos, passamos de médias de 30 nascimentos para 3. Em 1949 houve 35 baptizados; Em 1959 houve 37 baptizados e na casa dos 30 em toda a década de 1970. No ano do meu nascimento houve 32 baptizados. Sintomático.

Nada nos serve o mal dos outros, mas esta situação é, infelizmente, transversal a todo o país, sobretudo nas zonas interiores e menos urbanas. A imigração descontrolada e quase selvagem que em poucos anos acrescentou cerca de 10% da nossa população, veio disfarçar os efeitos da baixa de natalidade mas mesmo assim com impacto nas grandes zonas urbanas como Lisboa e Porto e zonas do litoral.

Más políticas ou mesmo a falta delas, a par de mudanças na sociedade e com a maternidade a cada vez ser mais tardia, são factores que têm contribuído para este cenário. 

25/06/2025

Nota de falecimento - Joaquim Gomes da Silva



Faleceu Joaquim Gomes da Silva. Nasceu  em 25 de Agosto de 1935, em Cimo de Vila - Guisande, onde vivia.

Apesar da sua idade, quase nos 90 anos, não resistiu às consequências de um incidente que havia sofrido há dias. 

No momento ainda é desconhecida a hora do serviço fúnebre presumindo-se que seja amanhã, Quinta-Feira. Confirmarei aqui logo que conhecida.

Joaquim Gomes da Silva, o Ti Joaquim do Martinho, como era conhecido no lugar e na freguesia, era filho de Manuel Gomes da Silva e de Custódia Alves Cardoso.

Era neto paterno de Martinho Gomes da Silva e de Olinda Rosa de Jesus.

Era neto materno de António Francisco Pereira e de Joaquina Alves Cardoso.

Pela proximidade do lugar onde nascemos, com a natural diferença de idades, conheci-o desde sempre e  vi nele uma pessoa de trabalho, dinâmica e empreendedora. Figura paterna de uma grande família que por ali, à sua volta, foi  fixando raízes e que ajudou a crescer o lugar. Profissionalmente sempre ligado à construção civil, sobretudo na arte de trolharia, tal como o seu falecido irmão Avelino, e ao longo dos tempos realizou vários trabalhos para a paróquia, incluindo a parte de trolharia da construção do nosso Salão Paroquial. 

Era uma pessoa com forte personalidade, de sentido crítico e de valores convictos. Sempre foi uma referência no lugar e mesmo na freguesia. Apesar da idade, mantinha a lucidez e ainda uma vontade férrea de não estar parado, de fazer qualquer coisa o que, por destino, de algum modo contribuiu para o incidente que sofreu. Em todo o caso, o destino de cada um não se compadece com cálculos, previsões e conselhos. Cada um de nós encontra-o na hora e circunstância imprevisíveis e desconhecidas.

Era de sempre muito dedicado à agricultura, em campos que foi comprando pelo lugar de Cimo de Vila, com o resultado do seu trabalho. 

Havia ficado viúvo há pouco mais de dois anos da esposa Madelena dos Santos Alves, com quem havia casado em 5 de Dezembro de 1959.

Nesta hora de luto, e na pesada circunstância de ainda ontem ter sido sepultada uma das nossas, a Elvira, expresso sentidos sentimentos a todos os familiares, de modo particular aos seus filhos e filhas, netos e bisnetos.

Que Deus o guarde e junto a ele permaneça eternamente!

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Actualização:

Cerimónias fúnebres: Amanhã, Quinta-Feira, 26 de Junho de 2025.

Velório na igreja matriz a partir das 15:00 horas, seguindo-se a missa de corpo presente pelas 16:00 horas. No final vai a sepultar no cemitério local..

Missa de 7.º Dia na Sexta-Feira, 4 de Julho, pelas 19:30 horas.