13/11/2025

Afinar a mira até ao momento Eureka!

É nas pequenas coisas que descobrimos as grandes, como que a partir de uma pequena chave abrirmos a porta de uma gande sala, repleta de surpresas, boas e más.

Tantas vezes, na poeira dos dias e das coisas mundanas, superficiais, procuramos significado apenas nos grandes acontecimentos, nas conquistas, sucessos e mudanças marcantes. Mas, na verdade, são os detalhes que levam às grandes descobertas, como a centelha de fogo, a faísca que despoleta a explosão.

Simulteaneamente, por detalhes, descobrimos que afinal muitas das coisas que temos como certas, fidedignas, inabaláveis, afinal não passam de embarcações de noz, que ao primeiro teste, ao primeiro sopro do vento, à exigência do primeiro teste, baloiça, vira-se e afunda-se.

É assim nas coisas do dia-a-dia, mas também com as pessoas, com as relações, em que temos de perceber pelas pequenas coisas, pelos ínfimos sinais, de que é tempo de ajustar a bússola, ajustar a mira para o que de facto interessa. Não surpreende, por isso, que cheguem ao fim tantos casamentos, seja por grandes questões ou conflitos insanáveis, mas quase sempre por coisas pequenas, por pintelhos, por grãos de areia que incomodam o andar.

Em resumo, a vida é uma constante lição onde sempre aprendemos. É como um inventor a caminho da grande descoberta, em que, por tentativa e erro, vai afinando, ajustando, deixando de lado a peça que parecia ter sentido e perfeito encaixe mas afinal desnecessária, redundante, até ao clique final, até ao momento Eureka!.

12/11/2025

Se Tens Olhos Pára

 


Em Dezembro de 2023 reportei à Junta da União de Freguesias a falta do sinal de STOP no entrocamento da Rua de Trás-os-Lagos com a Rua Nossa Senhora de Fátima. Face à falta de resposta insistir e voltei a reportar em Maio de 2025.

Por motivos que agora pouco ou nada importa recalcar, até porque estamos numa nova realidade, apesar das duas vezes em que insisti, apesar da facilidade e baixo custo com que o problema poderia ter sido resolvido, até porque creio que a Câmara oferece os sinais,  certo é que ao assunto nunca foi dada resposta. Como tal, essa situação da falta do sinal de trânsito mantém-se, podendo potenciar algum acidente tão inconveniente como evitável. É também nas pequenas coisas que se percebe e julga a eficácia e acção de uma qualquer Junta de Freguesia.

Espera-se que entretanto seja resolvida esta situação.

Sempre a aprender

Há momentos na vida de todos nós, em que procuramos ser disponíveis, colaborativos, bondosos até, ajudando a lutar por causas e convicções. Fazemos o melhor que sabemos e podemos porque acreditamos que é assim que o mundo deverá funcionar: com empatia, com generosidade, com respeito mútuo.

Mas há dias em que essa fé, essa forma de ser e estar é abalada. Dias em que a resposta que recebemos é a indiferença ou mesmo a desconsideração. É nesses momentos que batemos de frente no muro, na dureza da realidade da vida porque o que oferecemos com sinceridade, disponibilidade e fraqueza não raras vezes é recebido com frieza ou com acções contraditórias, desajustadas, incompatíveis na dualidade do dar e receber. Não que se esperem recebimento ou recompensas, mas tão somente clareza, consideração, equidade.Tudo menos areia para os olhos e enredos descontextualizados.

É fácil, então, deixar que o desencanto se instale. Pensar que talvez devêssemos ser menos disponíveis, menos gentis, menos envolvidos. No entanto, a verdade é que a bondade e disponibilidade, mesmo quando não são reconhecidas, nunca são perdidas. Cada gesto genuíno molda o que somos — e isso valerá mais do que qualquer reconhecimento ou paga.

Ser bom num mundo que nem sempre valoriza a bondade é, hoje mais do que nunca, um desafio, um acto de coragem. É escolher, dia após dia, não deixar que a desconsideração, dureza ou incompreensão dos outros nos torne duros também. E talvez essa seja a maior recompensa de todas: permanecer inteiros, com a mesma verticalidade, até proque, por mais paradoxal que pareça, ninguém é profeta nas suas terras e qualquer reconhecimento ou agradecimento virá mais depressa de fora, de desconhecidos. 

Esta máxima do profeta irreconhecido, é envangélica e deve fazer sempre parte da nossa bagagem, porque nestas como em tantas outras coisas passamos a vida a aprender e quanto mais julgamos conhecer as pessoas, as suas atitudes, na realidade menos as conhecemos quando, de algum modo, procuramos passar para além da capa do que é visivel.

Aprender até morrer, mesmo que já sem deslumbramentos ou surpresas.

05/11/2025

Centro Social - Espaço Proximidades

 


Brasões de Guisande e freguesias vizinhas

 







Conjunto de brasões heráldicos de Guisande e algumas freguesias vizinhas. Todos desenhados por mim, em base vectorial.

Podem ser usados livremente mas fica sempre bem a referência à fonte.



O princípio de uma nova finalidade


Conforme previsto e divulgado, decorreu ontem, Terça-Feira, 4 de Novembro de 2025 a sessão de instalação e tomada de posse dos órgãos de poder local para a freguesia de Guisande, decorrente dos resultados eleitorais de 12 de Outubro passado. 

O processo decorreu com normalidade, sem sobressaltos, e com o formalismo à altura do acto.

Como se esperava, o Dr. Rui Giro foi proposto e eleito como presidente da mesa da Assembleia de Freguesia, coadjuvado por Dr.ª Inês Bastos e Vera Encarnação, como 1.ª e 2.ª secretárias.

O Partido Socialista não apresentou listas à mesa da Assembleia e votou mesmo a favor das listas proposta pelo PSD. Sendo certo que face à sua posição de minoria não teria qualquer efeito prático, mas foi uma postura bonita e interpretada como voto de confiança e de sentido de união. Gostei e todos apreciaram. 

Deste modo, a Junta de Freguesia ficou com a seguinte composição: Johnny Almeida, como presidente, Patrícia Almeida, como secretária e Daniele Oliveira, como tesoureiro.

Por sua vez a Assembleia de Freguesia ficou com a seguinte composição: Pelo PSD: Dr. Rui Giro, Dr.ª Inês Bastos, Vera Encarnação, Fernando Almeida e Ricardo Santos.

Pelo PS: Celestino Sacramento, Liliana Monteiro, Alcides Conceição e António Ribeiro.

Depois da tomada de posse o Dr. Rui Giro usou da palavra e na sua alocução realçou a importância do acto e da data e algumas palavras à volta do processo da desagregação, suas dificuldades, entraves e incertezas mas em que foi possível obter a desejada desagregação da união de freguesias e da consequente independência de Guisande. Entre as várias considerações, enalteceu o papel fundamental do Celestino Sacramento, que desde o início do processo até ao seu final, se manteve firme, mesmo contra a orientação seguida pelo seu partido, e fiel na sua convicção e compromisso para com a freguesia de Guisande, no que mereceu uma ampla salva de palmas dos presentes. Foi justo e merecido.

Nas suas palavras, o presidente da Assembleia Geral teve ainda a simpatia de mencionar a minha pessoa, enaltecendo e valorizando o meu papel no processo da desagregação, mesmo que de forma indirecta, sobretudo nas posições que fui tomando ao nível das redes sociais e de internet. Confesso que não estava à espera desse reconhecimento, e porventura terá sido exagerado, porque o papel importante e decisivo foi dele próprio, da bancada do PSD e do Celestino Sacramento. Foram todos eles os obreiros da nova realidade em que as quatro freguesias, incluindo a nossa de Guisande, almejaram por via legal retomar a sua independência. O seu a seu dono.

Depois da intervenção do Dr. Rui Giro, que de algum modo foi positiva e empolgante e tendente a elevar o nosso orgulho de freguesia independente, usou da palavra o presidente da Junta de Freguesia, Johnny Almeida. Foi mais breve e naturalmente com algum nervosismo justificado pela importância e responsabilidade do momento, mas foi sucinto e objectivo. Agradeceu a todos, a começar pela sua família, aos presentes, aos eleitos e também aos elementos da oposição e sobretudo ao Celestino Sacramento, voltando a destacar o seu papel no processo da desagregação.

Finalmente, a título excepcional e justificado pela importância do acto e do seu significado, o presidente da mesa da Assembleia deu a possibilidade ao público presente de usar da palavra. Ninguém mais mostrou essa vontade, mas eu próprio aproveitei a oportunidade concedida para dirigir algumas palavras, desde logo agradecer os elogios que me foram dirigidos pelo Dr. Rui Giro e pelo Johnny Almeida, mas também para voltar a realçar o reconhecimento ao Celestino Sacramento pelo seu papel na independência de Guisande, exprimindo-lhe o agradecimento e consideração pela sua acção e que como tal a freguesia nunca esquecerá o seu papel, a sua atitude e convicção. É certo que perdeu as eleições em 12 de Outubro, mas não era esse seu papel que estava em julgamento. O seu papel na desagregação bem como o seu passado como autarca e presidente de Junta em dois mandatos nunca será esquecido e a freguesia ser-lhe-á sempre reconhecida. A história futura da freguesia mencionará a sua figura e o seu papel.

De um modo geral procurei ser positivo, mesmo agradecendo ao cessante presidente da Junta da União de Freguesias, Sr. David Neves, que também marcou presença. Certamente que nem tudo correu bem, nem mesmo a sua posição face à desagregação foi no sentido favorável, mas no fundo tomou as acções que no seu entendimento julgou serem as mais certas. Por conseguinte, mesmo que em desacordo com algumas questões, mesmo na gestão, foram sempre em contexto político e nunca pessoal. Todos os que tomaram parte na Junta e na Assembleia de Freguesia durante os 12 anos de vigência da União de Freguesias, procuraram fazer o seu melhor e de acordo com as suas convicções e cada um na justa medida das suas competência, mas sempre num contexto difícil, porque numa união desequilibrada, com um vasto território e uma numerosa população, com muitas necessidades e com recursos limitados e mesmo insuficientes.

Um ciclo fecha-se, um novo recomeça, com uma nova finalidade em vista, o de recuperar tempo perdido e proximidade dissolvida bem como a erosão dos valores que nos definem como comunidade e identidade. 

A união de freguesias, no que resultou e não resultou, é já passado. Importa agora, a cada uma das quatro freguesias, seguir em frente, cada uma com as suas próprias capacidades e limitações, na certeza de que voltam a ser donas das suas acções.

Em resumo, todo o acto e momento foram positivos e marcantes e mesmo histórico, e todos os que ali estiveram presentes, como intervenientes ou como meros assistentes, farão parte desse bocado da nossa história.

De realçar a presença de várias pessoas das outras freguesias como Lobão, Louredo e Gião. Marcou também presença o vice-presidente da Câmara Municipal de Santa Maria da Feira, o Dr. Mário Jorge Reis.

A fechar, mesmo admitindo que nem todos vi ou fixei, notei a falta de algumas pessoas , desde logo alguns elementos não eleitos que fizeram parte das listas concorrentes às eleições de 12 de Outubro, sobretudo por parte do PS. Considero que ficaria bem e bonito que tivessem estado presentes, pelo carácter institucional do acto mas até em apoio aos seus colegas. Também registei a ausência de alguns ex-autarcas da nossa freguesia. Teria sido bonito que marcassem presença. Mas, naturalmente, cada um é dono da sua vontade e pode ter havido motivos pessoais e legítimos que se devem respeitar. Mas, sim, seria positivo e significativo que tivessem estado presentes.

Fica assim feito o resumo, numa pespectiva pessoal, do que foi um acto marcante e significativo para a nossa freguesia. Agora é seguir em frente e desejar que as coisas corram bem à Junta de Freguesia porque isso será bom para a comunidade.

De minha parte, como também ali disse perante todos, e já o tenho escrito, estou disponível para colaborar no que me for possível e solicitado, como já o fiz no passado, mas também serei atento, crítico e elogioso quando entender justificar-se.