" Eu e a minha aldeia de Guisande" "" Eu e a minha aldeia de Guisande

02/03/2026

PDM - Proposta em discussão pública

 


Nesta Quinta-Feira passada (26 de Fevereiro) duas técnicas da Câmara Municipal estiveram na sede da nossa Junta de Freguesia a prestar esclarecimentos e a acolher sugestões no âmbito do período de discussão pública do PDM - Plano Director Municipal, o qual na nossa freguesia vai trazer mudanças, com redução de áreas urbanas, comparativamente à versão ainda em vigor. Prevê-se que o novo plano, já demasiado atrasado, possa entrar em vigor num prazo máximo de 180 dias.

Do que vi no local, muito tempo de espera, como se alguns dos consultantes fossem proprietários de meia freguesia. Para quem teve que faltar ao trabalho para ali se deslocar, como eu, não foi nada agradável. No meu caso, esperei quase uma hora enquanto uma das técnicas esteve ocupada com uma únca pessoa e quando saí ainda lá continuou com o mesmo consultante. 

Para além desta particularidade, que  faz parte do processo e temos de respeitar, importa é que as pessoas tivessem sido bem esclarecidas. Todavia, no essencial, e pela experiência profissional neste processo, a larga maioria do que tivesse sido acolhido como reclamação, proposta ou sugestão, será para desconsiderar. É, no essencial, apenas uma etapa legal do processo que já pouco vai alterar o que está em discussão.

No geral, objectivamente, a freguesia sai prejudicada, pois a curto e médio prazo o seu desenvolvimento urbano ficará ainda mais condicionado, até porque uma parte significativa dos prédios urbanos pertence a uma dúzia de proprietários que, não tendo necessidade, não os libertam para o mercado. Paradoxalmente, pela sua natureza, o efeito é cego e pode penalizar quem tem intenção de construir  e vender e beneficia quem não tem essa vontade. 

É o que é, e quanto a isso, nada se pode fazer. A Junta tem sempre um papel importante a desempenhar no processo, mas desconheço se, desde que tomou posse, já fez algum coisa, se está interessada nisso, ou se vai fazer mesmo que já em cima da hora. Do anterior executivo da União de Freguesias, que teve muito tempo para apresentar propostas, para o território da nossa freguesia desconheço o que tivesse sido apresentado e concedido, mas desconfio que nada.

Em resumo, daqui a meio ano faremos as contas quanto ao que, decorrente do processo de discussão pública, foi possível melhorar face à actual proposta. Agora é esperar.

28/02/2026

Entre o 8 e o 80, o bom senso, o equilíbrio


Entre o 8 e o 80 há, certamente, um ponto de equilíbrio. Quando essa realidade é ignorada e se opta por um dos extremos, raramente os resultados são os melhores.

Se é verdade que, em determinados contextos, o radicalismo pode ter utilidade, em regra produzem melhores efeitos as soluções equilibradas, sobretudo quando está em causa uma decisão pública e comunitária.

A limpeza ou abate da maioria das plantas que, há anos, adornam o adro da nossa igreja matriz - tanto na parte pública como na pertencente à paróquia - e que tem sido realizada nestes dias, poderá revelar algum excesso de radicalismo.

É evidente que as plantas, como quaisquer seres vivos, envelhecem, adoecem e acabam por morrer. Também é legítimo substituí-las por espécies mais adequadas, restituindo em pouco tempo o aspecto bucólico e primaveril que há décadas caracteriza a envolvente da nossa igreja. Ainda assim, parece-me que a intervenção poderia ter sido mais gradual. Em matérias que envolvem uma comunidade, decisões abruptas tendem a dividir: há quem concorde, quem discorde e quem, como eu, entenda que o bom senso e o equilíbrio favorecem não só o objectivo pretendido, mas também a conciliação de diferentes perspectivas.

Pelo que tenho ouvido, alguns compreendem a intervenção, esperando uma renovação; outros manifestam desagrado e até revolta.

Independentemente de quem tenha tomado a decisão e da legitimidade que lhe assista, creio que teria sido desejável maior ponderação e, eventualmente, a auscultação da comunidade.

Em suma, reconheço que decidir nunca é fácil e que agradar a todos é impossível. Contudo, abdicar da procura de consensos e de equilíbrio, bem como do respeito por opiniões divergentes, representa uma falha.

Da minha parte, não assumo uma posição de indignação, longe disso, mas não escondo alguma tristeza. Julgo que teria sido possível uma intervenção menos radical e faseada, talvez antecedida de algum tipo de consulta à comunidade.

Perante o que já foi feito, resta esperar que o resultado final venha a revelar-se positivo. Para já, o que se vê é um cenário de desolação. Este não é o adro que sempre conhecemos; espero que rapidamente recupere a sua identidade.

27/02/2026

Formação - 17 de Março de 2026

 


Divulgação - Festa do Viso - 27 e 28 de Fevereiro de 2026

 

Vazia sensação


Tenho para mim, em jeito de confissão e reconhecimento, que as redes sociais, e o Facebook em particular, por via do hábito, encerram o potencial de espelhar tudo o que a sociedade possui de virtuoso. Todavia, sendo elas o reflexo fiel da condição humana, constituem igualmente um palco privilegiado para o seu reverso. Subsiste, sob o jugo dos filtros e a discreta ditadura dos algoritmos, um oceano de banalidades, onde o ego e a vaidade se sobrepõem à substância. Impera e prevalece o antes parecer que ser. São, por assim dizer, vinhas de muita parra e parca uva, solo onde a vindima raramente compensa o esforço.

Seria, decerto, um exercício de rara fruição observar mentes dotadas de rasgo e saber partilharem o que de facto enriquece o espírito: o pensamento crítico, a erudição artística e a reflexão fecunda. Na escrita, nas artes e na cultura em geral, não escasseia o talento; contudo, aqueles que o detêm tendem a exilar-se destes púlpitos. Compreende-se o recato: o mesmo espaço que num instante ensaia um aplauso, logo de seguida urra a vaia e a desconsideração gratuita.

É, por conseguinte, um terreno insidioso para quem ousa a diferenciação. Percebe-se, assim, a escassez de vozes de relevo e a raridade das suas aparições. Perante o panorama vigente, o dilema do espírito culto permanece insolúvel: entre a sensação de lançar pérolas a porcos e a futilidade de atirar pedras a águas estagnadas, a escolha revela-se um exercício de amarga resignação.

Enquanto isso, resiste-se, mas numa amarga ou vazia sensação de que inutilmente. 

25/02/2026

Nota de falecimento - Jorge dos Santos Alves

 


Faleceu Jorge dos Santos Alves (Jorge do Teixeira), de 56 anos.

Natural da Pereirada - Guisande, estava emigrado em França.

Cerimónias fúnebres na Sexta-Feira, 27 de Fevereiro, pelas 16:00 horas, na igreja matriz de Guisande. No final irá a sepultar no cemitério local.

Missa de 7.º Dia no Sábado, 28 de Fevereiro, pelas 17:30 horas, na Capela do Viso.

Sentidos sentimentos a todos os familiares, de modo particular à esposa, filhas e irmãos.

Que Deus o tenha em eterno descanso!

Meu caro Portugal


Meu caro Portugal:

Dizem-me que mais uma vez está você em maus lençóis, mas essa é, creio, a opinião dos que o conhecem mal a sua História. Tanto quanto sei, e para falar apenas da experiência dos meus mais que muitos anos, você raro esteve em bons.

Recorda o que lhe aconteceu depois dos Descobrimentos? Lembra-se do Volfrâmio? Tem presente como há vinte e poucos anos se deixou ir no vigário de que para ser feliz e rico bastava fazer-se pequenino e chupar as tetas da UE? Porque os gajos eram mesmo burros e você esperto sem igual?

Que fez com os milhares de milhões que lhe deram para que crescesse e melhorasse? Descanse, não vou esfregar sal nas feridas, mas para quê esses estádios, essas inúmeras e inúteis Casas da Cultura em terra de analfabetos? Não se envergonha do quarto miserável que em sua casa é o Nordeste transmontano?

Deram-lhe fortunas para aplicar no bem comum, gastou-as você, pobre novo-rico, em relógios de ouro, Mercedes, Jaguars, e reformas milionárias, esquecendo que um terço dos seus familiares não tem dinheiro para aquecer o lar no inverno, que são sem conta os miseráveis, os desesperados, os que sofrem porque ninguém lhes acode na doença e morrem sem amparo.

Entretanto, você, meu caro Portugal, dança, esbanja dinheiro que não é seu, gasta em férias exóticas o sustento dos seus filhos. Já alguma vez lhe passou pela cabeça que o que paga pelos almoços de gourmet em restaurantes chiques é tirado da boca dos seus compatriotas?

E diga-me: que cara devo pôr quando aqui onde vivo, sabendo-me português, me apontam e se riem, me envergonham dizendo de si as verdades cruas? Já nem o comparam às repúblicas bananeiras, que essas são de longe, não pertencem à Europa, mas colocam-no numa categoria à parte, a dos trafulhas, (*) os que sabem que um dia virá em que inevitavelmente se descobre a trafulhice, o que pouco importa, porque lhes falta vergonha na cara e outros terão de pagar o desfalque.

Poupo-lhe o que me contam da sua Justiça, da suas autoridades, das camarilhas e quadrilhas que, fingindo governá-lo, lhe sugam o que tem e o que lhe emprestam.

Para mim, meu caro Portugal, e isso desde que nos conhecemos, você sempre foi uma dor. Mesmo naquele momento de euforia dos cravos não pude esquecer quem você é e como sempre se comporta. Quer acreditar que não dei vivas? Em coisa de meses já as quadrilhas e as camarilhas se deitavam ao bolo, deixando ao povo dois ossos: o da democracia e o da liberdade, ambos fraco sustento para quem tem fome.

Muitos anos passados, com um humor que escondia o pesar, sugeri que, para o salvar de si próprio, um consórcio de nações o comprasse e transformasse numa reserva. Mas nesta altura creio que ninguém o quererá, mesmo dado. Teremos de continuar a suportá-lo nós, seus maltratados e desprezados filhos, da mesma maneira que fazemos há séculos: mourejando no chão de pedras ou indo amargar em terra alheia.

J. Rentes de Carvalho