19/02/2016

Café Progresso - Casaldaça



E pronto, depois de algumas semanas em obras, reabriu o velhinho "Café Progresso", no Largo de Casaldaça, "Tasca do Quezílias" para os amigos. Para festejar, "pernil no espeto a preço convidativo.
Nova cara, mais espaço e uma decoração acolhedora, com um grande painel a preto/branco da cidade do Porto vista do lado de Gaia.
Esperemos que volte a encher e seja um espaço de convívio e tertúlia.
Parabéns aos proprietários Manuel e Fátima e ao autor do projecto, o filho e arquitecto Vitor Oliveira. Guisande precisa deste espaço.

Como curiosidade acerca do "Café Progresso", em Casaldaça - Guisande, há pelo país outros conhecidos estabelecimentos de cafés com esse nome, nomeadamente o "Café Progresso" na cidade do Porto, já centenário, aberto em 1899, o "Café Progresso" em Ovar, aberto desde 1949 e ainda um Café Progresso, em Lisboa, em Santo António dos Cavaleiros.
Pela nossa breve e desinteressada pesquisa, a designação Café Progresso - Porto, está registada, assim como o seu logotipo. Resta descobrir se a simples designação "Café Progresso", não associada à designação PORTO também é propriedade desse estabelecimento portuense ou não. Pelo que conseguimos apurar essa designação terá sido requerida por um dos antigos proprietarios, Mário Henriques Pinto, em 1967, mas o registo encontra-se caduco desde 1990 por falta de pagamento das taxas. Seja como for, tudo indica que será este estabelecimento portuense o legítimo proprietário da marca ou designação de "Café Progresso" ou pelo menos o seu requerente. Confirmar ou não, é obviamente um assunto que escapa do nosso interesse.

Os proprietários iniciais deste estabelecimento guisandense eram o Sr. Elísio dos Santos, comerciante e taxista, e a esposa Amélia da Conceição, naturalmente já falecidos. Segundo informações do Joaquim Santos, um dos filhos mais velhos, o café terá sido aberto ao público na segunda metade da década de 50, altura em que a mercearia e venda de vinhos ali existente foi deslocada para uma parte adjacente ampliada (que ainda se mantém), dando lugar ao café. O edifício é agora propriedade da filha, Fátima e do marido Manuel os quais já haviam realizado obras aquando da sua reabertura depois de um interregno.
É claro que desse antigo café hoje só resiste o local, as paredes e o velhinho relógio de parede. Com estas recentes obras foram-se os anteriores vestígios, nomeadamente o tecto de madeira, o volume da escada interior que subia da cozinha para o Andar sob o qual se desenvolvia o balcão do café.

Nos anos 80 abriu ao lado, um pouco abaixo na rua, o estabelecimento "O Meu Café", que resistiu quase 30 anos. Durante esse tempo e com essa concorrência, o Café Progresso foi também ele resistindo, mais pela vontade e disponibilidade da proprietária, a Sr.ª Amélia, mas obviamente perdendo importância e servindo alguns clientes da velha geração. Com o encerramento de "O Meu Café", o Café Progresso voltou a reavivar e agora com as recentes obras certamente que ainda com mais impulso.

Lembro-me do velhinho café repleto de malta ao Domingo à tarde, com um bilhar de matraquilhos ao centro e mesas quadradas de pedra de mármore, onde se jogava a sueca e o dominó, e o cheiro de regueifa e broa de milho que escapava do amplo forno na cozinha, espaço que agora foi aglutinado ao café. Ao balcão, aviava-se quarteirões de maduro acompanhados de azeitonas e amendoins. 

Tudo muda, precisamente em nome do progresso e adequação aos novos tempos, regulamentos de higiene e salubridade e hábitos de consumo mas importa ter sempre presente que estes espaços, mesmo que de pedras e paredes, têm história e alma e são sempre uma evocação de outros tempos, outras pessoas e outros momentos. Afinal de contas, da massa com que é feita a história de uma terra e sua comunidade.

- A. Almeida








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